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	<title>Piagui - Culturalista &#187; Parnaíba Por Quem Também Faz Parnaíba</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>No tempo em que escutávamos Rock and Roll&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 22:56:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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<div id="attachment_4127" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-4127" title="DSC01211" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/DSC01211-300x225.jpg" alt="Na foto: Paulo Bastos" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Na foto: Paulo Bastos</p></div>
<p style="text-align: justify;">           O som se fazia inconfundível, e por vezes até ensurdecedor&#8230; Black Dog, um cover ledzepeliano, se mostrava com toda sua força e genialidade, numa noite de sexta-feira, 26 de junho de 2009, no ambiente do Sesc – Beira Rio. Embora, acredito que, muitos ali, nem mais conseguissem distinguir as notas e arranjos, emitidos pelas guitarras furiosas e experientes, de uma banda que, com toda certeza, carrega a bandeira e o espírito de seus ídolos, o famoso grupo de rock inglês Led Zeppelin. E era tão perfeita a entrega da plateia que ali se encontrava, imersos na aura setentista, mergulhados nas profundezas do que muitos chamariam de “O bom e velho rock and roll”, que estes indivíduos já não mais enxergavam uma banda à sua frente, nem tão pouco escutavam os acordes distorcidos dos instrumentos amplificados pelos auto-falantes, mas sim um universo paralelo, uma outra dimensão de cores e formas infinitas, que a todo instante se sobressaíam, umas às outras, produzindo mágicas melodias que viajavam por todos os sentidos, fazendo com que surgissem emoções, das mais variadas&#8230; Ao meu lado, um amigo, Israel Galeno Machado, colega de escola desde a época das séries iniciais, conversávamos sobre nossa juventude, no início dos anos 90, e lembrando de inúmeras situações e pessoas pelas quais havíamos passado, acabamos por recordar do tempo em que descobrimos os sons de Iron Maiden, Metallica, Guns and Roses, Aerosmith e Bon Jovi, para não citar várias outras bandas de rock que, aos 12 anos de idade, escutávamos à exaustão, como que numa maneira de expurgar todos os problemas e questionamentos surgidos no período da adolescência&#8230; No meio da conversa nostálgica surge em nossa frente, de forma apressada e com uma mochila nas costas, simplesmente o organizador do evento, o roqueiro e professor Paulo Roberto Rocha Bastos, o Paulim, como costumo chamá-lo.<br />
           Nascido em 11 de julho de 1961, na cidade de Fortaleza (Ceará), mas mudando-se para Parnaíba aos 4 anos de idade, trazido pelos pais Francisco Ferreira Bastos e Cosma Rocha Bastos, Paulim, que se considera de fato parnaibano, pois residiu nos últimos 45 anos nesta cidade, estudou em diversos colégios, tendo concluído o ensino médio na escola estadual Lima Rebello. Formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Piauí, onde atualmente é professor, e servidor do estado há 21 anos, detém hoje, além de algumas especializações e cursos, o cargo de diretor da escola estadual Cândido de Oliveira. Porém não é apenas o ofício do magistério que faz com que Paulo Bastos seja reconhecido e elogiado pelos quatro cantos da “velha Parnaíba”, mas também sua paixão exacerbada pelo rock, nascida desde ainda muito jovem, em meados dos anos 70, quando escutou em um programa do locutor Bernardo Silva, chamado “O som nosso de cada dia”, da  Rádio Educadora de Parnaíba, uma canção da banda Led Zeppelin, intitulada Black Dog – sim, caro leitor, Black Dog, o mesmo nome  que, décadas depois, uma banda cover do Led pegaria emprestado e, certo dia, faria um show em Parnaíba, que este humilde escritor acabaria por comentar no início deste artigo. Depois de ter escutado o rock da banda inglesa, Paulo Bastos foi tomado pela essência deste estilo e desde então, nunca o abandonou. Na década de 80, já tendo aprendido a tocar violão, montou um grupo de Heavy Metal chamado <em>Condutores de Cadáver</em>, onde a formação tinha: Paulo Bastos (Guitarra), Nilson Borges (Voz e Baixo) e Netinho (Bateria). A banda não durou muito, mas serviu para Paulim conhecer várias pessoas ligadas à música na cidade, e principalmente aqueles que pertenciam ao gênero roqueiro. O rock em Parnaíba, como em todo Brasil, estava em alta durante os anos 80, em decorrência do surgimento de várias bandas nacionais de destaque, como também do festival ocorrido em 1985, no Rio de Janeiro, no qual Paulim teve o prazer de ser espectador, evento este que trouxe para o nosso país nomes como Scorpions, AC/DC, Ozzy Osborn e Withesnake – logicamente, caro leitor piaguiense, que estou falando da primeira edição do <em>Rock in Rio</em>.<br />
           Entre o fim de 80 e início de 90, Paulim teve que deixar de lado a cena roqueira, ao menos profissionalmente, para trabalhar como professor da rede estadual de ensino, porém nunca esqueceu o rock, como ele mesmo afirma: “Nunca deixei minhas raízes”. E foi com esse pensamento que Paulim teve a ideia, em 1994, de montar uma loja de artigos de rock, chamada Metal Vídeo. Vendas de camisas e cds, gravações de fitas-cassete (e posteriormente cds) era no que Paulo trabalhava, ao mesmo tempo em que exercia o cargo de professor, tanto do estado como, também, já nesse período, da Universidade Federal do Piauí. Dois anos depois, em 96, casa-se com Ligia Thomaz Bastos, de onde surgiram os dois filhos, Samuel (12) e Gabriel (9), ambos fãs de rock e que já tocam violão e guitarra, mesmo com a pouca idade. A loja Metal Vídeo, que se situava na Rua Padre Castelo Branco, em 1998 teve sua mudança para o endereço localizado à Rua Caramuru, que depois se tornou também locadora.  Em 2004, ainda não satisfeito, começa a promover festivais de rock na cidade, trazendo bandas de vários lugares do Brasil, como foram os casos de: Dark Season (Teresina), Paradise in Flames (Belo Horizonte), Andrals (São Paulo) e Desgrace and Terror (Pará), para não citar outras. Foram sete eventos já realizados em diversos palcos de Parnaíba, fortalecendo, assim, a cena roqueira da cidade nos últimos anos.<br />
            O último evento, realizado em 2009, que trouxe a banda carioca Black Dog e que tive o prazer de presenciar, significou um dos pontos altos, segundo o próprio Paulo Bastos, em sua jornada como propagador e incentivador do rock em Parnaíba. Sempre na busca de ajudar tanto veteranos quanto grupos recém-formados, ele segue, assim como o vi naquela nostálgica noite, de forma apressada e com uma mochila nas costas, mochila esta que traz uma bagagem rica de conhecimentos e atitudes, de alguém que soube amadurecer e envelhecer, sem nunca deixar de lado os anseios de quando era apenas um jovem, igual a muitos, igual a mim ou a vocês, rebeldes, sentimentais, inseguros, sonhadores, indomáveis, inesquecíveis, e muitas outras coisas&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
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		<title>Eu, Foguinho, Obama e Todos Nós&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 23:48:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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              As luzes dos carros passam por mim. Por breves momentos, elas chegam a ofuscar minha visão. É noite, e voltando do centro, como todos os dias faço, ligo o som e deixo a música fluir. Às vezes, alguém se aproxima e pergunta:
            &#8211; Por que tanta música?
            E confesso, às vezes nem eu mesmo sei o motivo.  Talvez as canções sejam uma espécie de combustível nos momentos alegres, e até uma espécie de morfina nos períodos de dor, sabe lá&#8230; Só sei que ao aumentar o volume, retomo minha ...]]></description>
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<div id="attachment_3936" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-3936" title="Obama" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Obama-300x224.jpg" alt="Marcos Menezes da Cruz" width="300" height="224" /><p class="wp-caption-text">Marcos Menezes da Cruz</p></div>
<p style="text-align: justify;">              As luzes dos carros passam por mim. Por breves momentos, elas chegam a ofuscar minha visão. É noite, e voltando do centro, como todos os dias faço, ligo o som e deixo a música fluir. Às vezes, alguém se aproxima e pergunta:<br />
            &#8211; Por que tanta música?<br />
            E confesso, às vezes nem eu mesmo sei o motivo.  Talvez as canções sejam uma espécie de combustível nos momentos alegres, e até uma espécie de morfina nos períodos de dor, sabe lá&#8230; Só sei que ao aumentar o volume, retomo minha jornada, empurrando minha “lanchonete móvel” que é, Graças a Deus, de onde tiro meu sustento. Como que andando em câmera-lenta, ao menos em comparação aos veículos, motos e bicicletas que encontro pelo caminho, sigo percorrendo os vários quarteirões desta cidade, que embora não seja o meu ponto de origem, tenho um prazer imenso de dizer que resido há quase uma década. Tive um dia difícil, as vendas não foram muito boas. Chego por um instante a pensar se esta era realmente a vida que eu queria ter, a que sonhei&#8230;<br />
            E quem não pensa isso de vez em quando, não é mesmo?<br />
            Logo volto à razão, quando alguém buzina e me cumprimenta:<br />
            &#8211; E aí Obama, beleza?<br />
            Obama, Foguinho, Rapaz do DVD&#8230; Já fui chamado de todos esses nomes, e muito mais, mas será que algum deles traduz, exatamente, quem eu sou? Ou seriam apenas “máscaras felizes” que carrego pela vida, na tentativa de sempre mostrar um lado alegre e positivo, mesmo que nem sempre corresponda com o que eu esteja sentindo em um dado instante? A cada passada, em direção à minha residência, penso em meu filho, meu companheiro diário nas dificuldades e emoções. Nem sempre ele pode estar ao meu lado, pois prefiro que estude, para que, como  mesmo já me disse:<br />
            &#8211; Pai, um dia vou lhe tirar dessa vida! – Eu tenho muito orgulho dele.<br />
            E qual é o pai que não tem orgulho do filho, não é mesmo? Nesse momento, em que me encontro no meio do trajeto, avisto uns garotos jogando bola na rua, e isso me faz lembrar da minha infância no Maranhão, junto de minha avó, figura preciosa em minha existência.<br />
            Minha avó foi quem me criou, quando eu, poucos meses de nascido, perdi  a minha mãe, que faleceu. Ainda me lembro das lições que ela me repassou, lembranças estas que ainda encontram-se vivas em minha memória, e que tento repassar para as pessoas próximas a mim, além das que conheço a cada dia quando “perambulo” pelas ruas, em frente às lojas, nas praças,  mexendo com uns e outros, na busca de deixar as pessoas mais sorridentes e, desta forma, tentar tornar o mundo menos “cinza”, do que ele já é&#8230;<br />
            Até chegar em Parnaíba, foi uma jornada longa e cheia de aprendizados, percorri várias cidades, sempre vendendo meus produtos, sejam eles bijuterias, roupas, fitas, cds, dvds, e nos últimos tempos, devido à dura fiscalização, lanches em geral. A freguesia é boa, não posso reclamar, porém nem sempre as vendas me fazem sorrir ao fim do dia. Muitas vezes, para melhorar e continuar seguindo em frente, preciso lembrar de algo que me mantém firme, e que sempre acreditei, mesmo com todos os percalços do destino:<br />
            &#8211; A esperança!<br />
            E por acaso, quem é que consegue vencer sem esperança, não é mesmo? A esperança, esta dama preciosa, é que me conduz pela estrada da vida, e é a mesma que me faz acreditar que um dia as coisas irão melhorar, e que meu talento e criatividade possam ser reconhecidos&#8230;<br />
            É quando avisto minha casa, faltam poucos metros. Vejo um carro na porta, logo me adianto para saber quem me procura. Ao chegar em casa, encontro meu filho, dou um abraço apertado nele, e, ao mesmo tempo, lembro do quanto sou feliz&#8230;<br />
            Estavam a minha espera, três indivíduos, que disseram fazer parte de uma revista de cultura da cidade. Eu pergunto o nome:<br />
            &#8211; O Piaguí!<br />
            Querem fazer um artigo sobre minha pessoa, para uma série chamada “Parnaíba, por quem também faz Parnaíba”, pedindo que eu conte a minha história. Mesmo cansado, eu concordo, respiro fundo, esboço um sorriso e depois de uns segundos, pergunto:<br />
            &#8211; Por onde eu começo?<br />
 </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nota do autor:</strong> Marcos Menezes da Cruz, o “Obama”,  nasceu em 17 de março de 1975,  na cidade de Dom Pedro, no estado do Maranhão. Desde muito jovem trabalha como vendedor ambulante, tendo percorrido diversas cidades do Maranhão e do Piauí, até chegar em Parnaíba, no ano de 2001. É, a meu ver, dentre estes vários personagens da vida real que já entrevistei, talvez um dos que mais simbolizem o “espírito” desta série, pois apesar de não ter nascido na cidade, adotou Parnaíba e é onde resolveu fincar raízes. Além de ser um trabalhador incansável,  uma peça fundamental do drama social no qual se encontra inserido. Figura ímpar, e ao mesmo tempo tão complexa, que optei por narrar sua história de uma forma diferente, ou seja, em 1.ª pessoa. Utilizando relatos de vida repassados por ele, nas conversas que tivemos, somados ao que observei de seu trabalho nestes últimos anos e, por fim, ligando às opiniões e histórias de quem convive diariamente com ele, pude montar, dessa forma, o que seria “Um retorno para casa, e cheio de lembranças, depois de um dia cansativo de trabalho”.  Gostaria de dedicar este artigo à minha avó Francisca de Oliveira Carvalho, que assim como a avó de Marcos, a senhora Maria Bárbara Menezes, também me ensinou a acreditar em palavras que nem sempre são ditas  e muito menos expressadas nos dias de hoje, palavras importantes e que nunca deveríamos esquecer: O respeito, o amor e a esperança.                                            </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
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		<title>Lembranças de uma vida inteira, das Copas do Mundo e de muito mais&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 15:48:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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              &#8220;Ainda lembro deste dia, como se tivesse sido há poucas horas&#8230;”.
 
              &#8230; Era 17 de julho de 1994 e, de pé, junto a um grupo de pessoas, assistia, no clube da AABB, o atacante italiano Roberto Baggio chutar a bola para bem distante do gol, provocando uma alegria geral de todos que ali estavam. Afinal, depois de um longo jejum de 24 anos, o Brasil vencia novamente uma Copa do Mundo. Naquele instante, uma onda eufórica percorria os corações de muitos fãs do tão amado futebol, atingindo até aqueles ...]]></description>
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<div id="attachment_3826" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-3826" title="Sr. Zé Maria" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Sr.-Zé-Maria-300x225.jpg" alt="Sr. Zé Maria" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Sr. Zé Maria</p></div>
<p style="text-align: justify;">              &#8220;Ainda lembro deste dia, como se tivesse sido há poucas horas&#8230;”.<br />
 <br />
              &#8230; Era 17 de julho de 1994 e, de pé, junto a um grupo de pessoas, assistia, no clube da AABB, o atacante italiano Roberto Baggio chutar a bola para bem distante do gol, provocando uma alegria geral de todos que ali estavam. Afinal, depois de um longo jejum de 24 anos, o Brasil vencia novamente uma Copa do Mundo. Naquele instante, uma onda eufórica percorria os corações de muitos fãs do tão amado futebol, atingindo até aqueles que nem simpatizavam tanto com tal modalidade esportiva, mas que, tragados por essa onda benéfica, se uniam num grande coro em comemoração à conquista do Tetra. Próximo ao local onde eu estava, a poucos quarteirões de distância, mas precisamente na Coroa (hoje Bairro do Carmo), encontrava-se um homem que, ao vibrar com a vitória do Brasil sobre a Itália, acabou por mergulhar no passado, de quando ainda era garoto, e ouviu pelos quatro cantos da “Velha Parnaíba”, os brados de – “É campeão!” – quando o Brasil venceu sua primeira Copa, há mais de cinco décadas. Este homem era José Maria Alves Costa Filho.<br />
               Zé Maria, como muitos o chamam, nasceu no dia 12 de março de 1952, na cidade de Araioses (Maranhão), porém, ainda com um ano de idade, foi levado pelos pais para Parnaíba, cidade que considera sua terra natal. Ele veio ao mundo apenas dois anos após a amarga derrota do Brasil para o Uruguai na Copa que nosso próprio país foi sede, e adquiriu o interesse pelo futebol ainda muito jovem, aos seis anos, quando vencemos por 5 a 2 a Suécia, conquistando, assim, a primeira Copa em 1958. Apenas quatro anos depois, nosso time vencia, pela segunda vez, o torneio mundial, desta vez em cima da Tchecoslováquia, e Zé Maria, agora com 10 anos, já despontava perante os colegas a habilidade que tinha como centroavante, fato que despertaria com o tempo a atenção de pessoas ligadas ao futebol em Parnaíba, e que o conduziria para um tempo de glórias e gols inesquecíveis. <br />
 Ainda na infância, junto aos irmãos Antônio, Raimundo e Alcioneide,  Zé Maria,  estudante das escolas José Narciso, Comercial da Parnaíba e, posteriormente, Estadual Lima Rebello, aprendia lições de matemática e português, dentre outras, enquanto crescia na prática do futebol,  percebendo, pouco a pouco, a infância iria terminar e, junto dela, a inocência, a tranquilidade e muitas outras coisas&#8230;<br />
              Na década de 70, aos 18 anos, e já jogador experiente, Zé Maria teve a felicidade de acompanhar o tricampeonato brasileiro, conquistado no México em cima da rival, Itália. Durante alguns anos, jogou nos times e seleções de futebol da cidade e,  principalmente, no Payssandu, eterno adversário do Parnahyba Sport Club.<br />
              Porém, chegou um momento em que Zé Maria teve que deixar o estado do Piauí para ganhar seu sustento, pois a carreira de futebol, até os de dias de hoje, infelizmente, nem sempre assegura quem dela tenta viver, e partindo para o Centro do País, ele abandona as chuteiras, deixando de lado o sonho de ser um artista dos pés para se tornar um nobre trabalhador das mãos. Foi nesse período, passando pelos estados de Goiás e Mato Grosso que Zé Maria casou-se e teve dois filhos, mas a saudade o trouxe de volta anos depois, em 1991, para a sua cidade do coração, Parnaíba. Divorciado, casa-se novamente em 1993, e como que numa incrível coincidência ou mágica do destino, o Brasil volta a vencer, desta vez, na Copa dos Estados Unidos e, novamente, sobre a Itália. Daí veio a Copa de 2002, trazendo o pentacampeonato, e hoje Zé Maria trabalha no condomínio no qual resido, e local que tive a oportunidade de conhecê-lo. <br />
              Com um rádio na mão, e sempre ligado nos jogos do Flamengo, seu time preferido, este veterano do futebol e da vida, já aposentado dos gramados, possui um olhar distante, porém sereno, quando lembra do passado e de suas inúmeras vitórias como jogador e ser humano; campeão dos inúmeros obstáculos que surgiram e ainda surgem do amadurecimento diário de conquistas e derrotas, impostas pelo cotidiano de uma sociedade cada vez mais fria e sem sentimentos. E é com um sorriso cativante que ele termina a conversa, aliás, uma das muitas que já tivemos no decorrer desses três anos de amizade. <br />
             Quando me despeço deste eterno craque, começo novamente a lembrar daquela Copa do Mundo de 1994, quando tive o prazer de gritar bem alto: &#8211; “É tetra, é tetra!” Da mesma forma que, em 1958, ele vibrou. Alegrias que hoje lhe trazem recordações nostálgicas de um tempo em que a vida era menos complicada e os problemas mais facilmente resolvidos. E num último instante, quase posso ouvi-lo sussurrar, como que apenas  para si&#8230;</p>
<p>            “Ainda lembro deste dia, como se tivesse sido há poucas horas&#8230;”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
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		<title>Um sobrevivente da árdua batalha da vida</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 16:44:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Figuras Parnaibanas]]></category>
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              Até quando um ser humano pode suportar o peso da existência? Antes mesmo que você, leitor, comece a refletir sobre essa complicada questão, me permita contar a história de Francisco de Assis Lemos, hoje conhecido como Guerreiro.
            Nascido na cidade de Altos, Piauí, em nove de maio de 1954, filho de José Luiz Lemos e Cândida Viana Lemos, Guerreiro, ao me relatar seu passado, contou como foi sua infância: “Eu era criança de seis  para sete anos e já ajudava meu pai na roça, o trabalho era duro e ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-3645" title="DSC01869" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/03/DSC01869-300x225.jpg" alt="DSC01869" width="300" height="225" />              Até quando um ser humano pode suportar o peso da existência? Antes mesmo que você, leitor, comece a refletir sobre essa complicada questão, me permita contar a história de Francisco de Assis Lemos, hoje conhecido como Guerreiro.<br />
            Nascido na cidade de Altos, Piauí, em nove de maio de 1954, filho de José Luiz Lemos e Cândida Viana Lemos, Guerreiro, ao me relatar seu passado, contou como foi sua infância: “Eu era criança de seis  para sete anos e já ajudava meu pai na roça, o trabalho era duro e sobrava pouco tempo para descanso”.  Porém, lembra que havia também momentos felizes: “Nossa família era unida e sempre havia brincadeiras, até no caminho e na volta da roça, sempre conversávamos e nos divertíamos” (sic).<br />
            Quando nem havia completado oito anos, Guerreiro despertou a atenção de alguns conhecidos ao desenhar com habilidade, figuras e paisagens no chão,  não utilizando um lápis ou pincel, mas pedaços de carvão. Fato que acabou resultando numa proposta por parte de alguns parentes de levá-lo à Teresina, para que lá pudesse aprimorar sua arte, assim como exibi-la para um maior contingente de pessoas. E eis que era a década de 60 e Guerreiro chegando à capital do estado, logo arrumou o que, para ele, foi: “um trampo para ilustrar numa coluna de um jornal conhecido da época” (sic). Durante um bom tempo a “nova vida” em Teresina transcorreu com certa tranquilidade, até Guerreiro se deparar pelo caminho com algumas “puxadas de tapete”: “Trabalhei durante uns meses, em fase experimental, num jornal de destaque, fazia charges e caricaturas, mas chegou um momento que não deu mais certo e tive que sair do jornal (&#8230;) Passei a desenhar rostos de pessoas à domicilio”. Jovem e ainda um tanto inexperiente perante as malícias do meio publicitário e jornalístico, acabou perdendo o emprego no jornal e se viu tendo que encarar de frente o selvagem mundo da concorrência: “Expus meus desenhos no Teatro 4 de Setembro algumas vezes, e participei de concursos e festivais de humor, mas haviam pessoas com mais experiência e ´amizades` do que eu, o que não ajudou muito, pois estava numa cidade que não era a minha e onde eu tinha poucos conhecidos, mas sempre toquei o barco pra frente e fui lutando com o suor do rosto”  .<br />
            Durante décadas, Guerreiro aprimorou sua habilidade e amadureceu bastante, passando até a adotar diferentes estilos. Porém, como “nem tudo eram flores”, à medida que crescia artisticamente, recebia proporcionalmente diversas “pancadas da vida”, primeira-mente com “diversas dificuldades financeiras e sentimentais pelos quais passava durante a época”,  e depois com a morte dos pais, fatos que lhe causaram bastante melancolia; acontecimentos que, diversas vezes, quase o levaram à loucura, se não fosse tudo que havia aprendido no decorrer de sua trajetória de altos e baixos, como sobrevivente da árdua batalha da vida.<br />
            Na última década, depois de idas e vindas, à Teresina e Altos, como também excursões pelo interior do Piauí e algumas cidades do Nordeste, Guerreiro muda-se para Parnaíba, cidade pela qual ele mesmo comenta: “tenho um apreço muito grande, pois foi uma cidade que me acolheu e que já a tenho em meu coração”. Boêmio assumido, mas “na medida saudável”, sempre simpático com todos “não importando classe social, sexo ou cor” e deveras preocupado com os  problemas que assolam o Piauí, Guerreiro busca retratar em seus trabalhos as várias percepções de seu olhar como artista sensível, desenhando desde laços de amizade, como bem exemplifica o mural existente na lanchonete situada abaixo da Casa Grande de Simplício Dias, ou então  aspectos sociais e políticos de nossa terra, acrescentaria ainda a representação de ídolos que povoaram sua mente durante muitos anos, como é o caso do cantor Roberto Carlos, do qual Guerreiro devota bastante admiração: “Sou fã de vários cantores, desde Raul Seixas a Ivete Sangalo, mas o meu preferido é o Rei!”, revelou ao mesmo tempo em que mostrou em sua pasta, recheada de rostos eternizados no papel, a imagem do cantor e ídolo.<br />
            Destemido e incansável, busca a cada dia conquistar seu espaço, demonstrando seu talento de forma humilde, honesta e cativante, ultrapassando barreiras, vencendo medos e resistindo aos desafios do tempo, sem nunca desistir e, principalmente, sabendo viver intensamente todas as experiências que o mundo lhe oferece; e isto nos conduz novamente à pergunta do início: Até quando um ser humano pode suportar o peso da própria existência? Acredito que, através da história de Guerreiro seja possível começarmos a perceber que caminhos, cada um de nós pode traçar, a fim de que, um dia, encontremos nossas respostas.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
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		<title>Entre os mestres, os ídolos e os reis</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 05:11:03 +0000</pubDate>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/esc014.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1697" title="esc014" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/esc014-223x300.jpg" alt="esc014" width="223" height="300" /></a>            Existe um clássico dos quadrinhos americanos que há gerações diverte e emociona uma porção de adolescentes que, depois, se tornam adultos, mas nunca esquecem dele. Trata-se de Conan, o Bárbaro, personagem criado pelo escritor texano Robert E. Howard em 1932, uma obra literária que, com o tempo, foi adaptada para os quadrinhos; narra a história de um aventureiro, da era antiga, hábil espadachim, de disposição violenta e contrária às hipocrisias e fraquezas da civilização de sua época, e que se defrontava com ameaças sobrenaturais sobre as quais sempre prevalecia, fossem elas magos, demônios ou outras criaturas de eras perdidas no tempo. Um guerreiro de destemida força e enorme coração. Nos últimos anos fui apresentado por um amigo e também colecionador, Isaac dos Santos, a literatura deste bárbaro, que antes o conhecia apenas por alguns filmes, lançados nos nostálgicos anos 80. E é justamente depois de ter conhecido a lenda de Conan, que pude entender mais a fundo a personalidade de um de seus maiores fãs, o desenhista, músico e historiador Mauro Júnior Rodrigues Sousa, o Mauro Jr., como os amigos costumam lhe chamar.</p>
<div id="attachment_1698" class="wp-caption alignleft" style="width: 226px"><img class="size-medium wp-image-1698" title="DSCF0938" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSCF0938-216x300.jpg" alt="Mauro Júnior" width="216" height="300" /><p class="wp-caption-text">Mauro Júnior</p></div>
<p style="text-align: justify;">             Nascido em Floriano (PI), na data de 15 de outubro de 1976, foi trazido pelos pais, para a cidade de Parnaíba quando tinha apenas um ano de idade, cursou o primário na Unidade Escolar Lauro Correia, e desde criança já esboçava seus talentos artísticos. Aos sete anos começou a desenhar inspirado nos arquétipos de sua adolescência, o já citado Conan e He-man, um personagem de desenho animado que lutava em prol da justiça. Aos nove anos passou a ler clássicos da literatura mundial, através de uma coleção intitulada Reino Colorido da Criança, uma série de livros, que lhe transmitiram muitas informações, principalmente sobre cultura e história medieval. No início da adolescência, aprendeu a tocar bateria, inspirado nos seus ídolos do rock, como, por exemplo, as bandas Black Sabbath, Rush e Iron Maiden. Como também influenciado pelo irmão mais velho José Carlos Rodrigues Sousa, um excelente guitarrista, no qual Mauro se espelhava e pessoa de fundamental importância tanto em sua vida como no que diz respeito ao início de sua carreira musical.<br />
             O garoto, que já demonstrava bastante talento na arte do desenho, passava agora também a despontar na música. Em 1988, com 11 anos, ingressou como desenhista na ASARTEP (Associação dos Artistas e Técnicos de Parnaíba), entidade que funcionou durante cerca de dois anos e que tinha como finalidade a integração dos jovens de talento da época, ajudando-os no amadurecimento de seus respectivos dons. No início da década de 90, Mauro Jr. se une com alguns amigos e juntos fundam a banda de rock n´ roll “Artéria”, que passa a fazer shows no underground de Parnaíba, porém, depois de um tempo, ele deixa a banda e logo ingressa em outra, intitulada “Rabiscos Urbanos”, na qual tinha entre seus integrantes o cantor de renome nacional Teófilo Lima. A banda fez bastante sucesso e ganhou diversos prêmios, mas em 1993 Mauro parte em busca de novos ritmos. Chegou ainda a se integrar em outras bandas, e ao fim do ensino médio já havia evoluído bastante sua música e desenho.<br />
             Um novo milênio surgiu e trouxe um Mauro Jr. mais maduro, já integrante da Banda Municipal de Parnaíba desde 1999. Entra para o curso de pedagogia da UESPI em 2001, e um ano depois une-se em matrimônio com a professora Silvia Milane, de onde geraram até este momento, dois frutos, Letícia e Guilherme. Em 2007, já formado em Pedagogia, ingressa no curso de História – UESPI, e no mesmo ano passa a integrar o grupo fiel de colaboradores do “O Piagüi”, onde com seus desenhos, sejam eles na forma de caricatura, linha clara ou reprodução, trouxe mais riqueza e brilhantismo a este meio de comunicação. E não satisfeito, Mauro Jr. passa a colaborar também com artigos ligados à história, expondo e analisando os resultados de suas pesquisas acadêmicas. Obcecado por quadrinhos de horror dos anos 60, 70 e 80, onde começou a ler influenciado por um amigo Lourival Júnior, o Lourival “Krueger”, (referência ao personagem de terror da série de filmes A Hora do Pesadelo), Mauro Jr. é leitor e colecionador de quadrinhos, hobby que coincide com o meu, já não bastasse a devoção que compartilhamos pelo estudo da História.<br />
              Desde 1990 (ainda com nove anos de idade), eu havia começado a colecionar heróis em quadrinhos, e admito que sou um apaixonado por esse mundo de emoção, suspense e aventura daqueles que nunca desistem e sempre lutam (cada um a seu modo) em prol da humanidade. Ter lido essas histórias que iam de Superman a Homem Aranha, passando por Hulk, Homem de Ferro, Batman, me ensinou muito sobre como sobreviver às adversidades, e como sempre fazer o possível para tentar ajudar o próximo. Lições que foram passadas também para esse incrível ser humano conhecido como Mauro Jr., que assim como seu ídolo nos quadrinhos, lutou desde cedo, crescendo e amadurecendo em múltiplos dons. E digo desde já que assim como Conan, ao fim de sua jornada, tornou-se rei, por mérito e bravura, os mesmos dons levarão Mauro Jr. ao lugar que lhe é de direito, ou seja, entre os mestres, os ídolos e os reis.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
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		<title>Sobre sentimentos, sonhos e paixões</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 23:34:50 +0000</pubDate>
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              Havia terminado de escrever uma poesia sobre o amor, ao meu lado, na carteira da esquerda, encontrava-se um amigo, que também concluía seu poema. Ele me mostrou o que escreveu, e fiz o mesmo. Já possuíamos o hábito de comentar o trabalho um do outro, era o Segundo ano do Ensino Médio e como que “fugindo” de uma aula tediosa de química, nos transportávamos para o mundo das sensações e das subjetividades, que tanto a escrita proporcionava.
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<div id="attachment_1476" class="wp-caption alignleft" style="width: 281px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/FREDERICO.jpg"><img class="size-medium wp-image-1476" title="FREDERICO" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/FREDERICO-271x300.jpg" alt="Frederico Osanam" width="271" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Frederico Osanam</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Havia terminado de escrever uma poesia sobre o amor, ao meu lado, na carteira da esquerda, encontrava-se um amigo, que também concluía seu poema. Ele me mostrou o que escreveu, e fiz o mesmo. Já possuíamos o hábito de comentar o trabalho um do outro, era o Segundo ano do Ensino Médio e como que “fugindo” de uma aula tediosa de química, nos transportávamos para o mundo das sensações e das subjetividades, que tanto a escrita proporcionava.<br />
               A poesia que ele mostrou naquele dia 17 de abril de 1997, intitulada “Brasil”, acabaria sendo publicada duas semanas depois no jornal “ O Dia”, e o amigo, Frederico Osanan Amorim Lima, ainda percorreria uma difícil estrada no decorrer da vida até que enfim alcançasse o respeito e a consideração merecidos.<br />
              Desde a adolescência, já trabalhava auxiliando na loja dos pais, Osanam Elias Lima e Haydeé Rego Amorim Lima. Nasceu em 25 de fevereiro de 1981, na cidade de Oeiras, mas desde a infância reside em Parnaíba. Estudamos na mesma sala desde pequenos, no Colégio Nossa Senhora das Graças, ao fim da oitava série do Ensino Fundamental fomos para o Colégio Delta, nesse período começamos a escrever poesias. Jovem bastante sensível, fã de Renato Russo e sua Legião Urbana, Frederico iniciou no caminho das letras com 15 anos, ainda com a mesma idade entrou para o teatro, atuando em várias peças, como também escrevendo, dirigindo e produzindo roteiros de boa parte delas. Sua sensibilidade era tamanha que às vezes chegava a ser incompreendido por quem optava apenas pelo uso da simples e pura razão. Assim como seu ídolo na adolescência, esbarrou nas muralhas impostas pelo meio social, onde muitas vezes a emoção é deixada de lado e onde costuma-se ingenuamente acreditar que seja possível separar raciocínio de sentimentos, como quem separa objetos em uma mesa. Porém essas dificuldades logo foram ultrapassadas através de seu talento e força de vontade.</p>
<div id="attachment_1477" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/fredealunos.jpg"><img class="size-medium wp-image-1477" title="fredealunos" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/fredealunos-300x225.jpg" alt="Frederico e alunos" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Frederico e alunos</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Em 1998 fomos estudar em Fortaleza, capital do Ceará, no Colégio Farias Brito, com mais dois amigos: Bruno Carvalho Neves e José Carlos Candeira Filho. Na ocasião, Frederico se destacou num concurso da escola cearense, no caso, o XX Concurso Farias Brito de Poesia, Conto, Redação e Desenho, ficando entre os vencedores das duas primeiras modalidades citadas. Concluindo o Ensino Médio, voltamos à Parnaíba, e depois de anos seguindo na mesma trilha, escolhemos diferentes destinos, embora a mesma carreira. Fui estudar em Sobral (Ceará) História pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA e Frederico ingressou no curso de História da Universidade Estadual do Piauí, onde conquistou, através de profundos estudos, uma brilhante graduação, tendo ensinado em várias escolas da cidade.<br />
             Logo veio a Especialização em História do Brasil pela Universidade Federal do Piauí (Campus Parnaíba), e o mestrado em História, também, pela UFPI (Campus Teresina). Frederico ocupa já há algum tempo os cargos de coordenador do Curso de Licenciatura Plena em História da UESPI e coordenador do curso de pós- graduação em Historia do Brasil da Faculdade Piauiense. Atualmente desenvolve Projeto de pesquisa financiado pela Funpesq trabalhando com temas relacionados a cinema, contracultura e década de 1970. É hoje um dos profissionais mais respeitados na área de História no Piauí.  Ter visto sua evolução artística, como também ter assistido seu crescimento profissional, tornou possível para mim, e acredito que para muitos estudantes de História de hoje, acreditar que com muita dedicação e esforço ao que se deseja na vida, os sonhos são alcançados. Sonhos esses que começam com um simples gesto de escrever, que acaba gerando vitórias, conquistas de um incansável historiador, que compartilha comigo a mesma paixão pela Arte e pela História, e que certamente o futuro conhecerá seu nome e feitos, mas que para sempre em minha memória vou lembrar: do amigo de infância que naqueles dias em que as aulas estavam enfadonhas, buscávamos refugio no papel a na caneta&#8230; seres sensíveis, lutando contra as hipocrisias do mundo, tentando sobreviver aos desafios do crescimento e falando sobre sentimentos, sonhos e paixões.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Nota do editor:</span></strong> O texto acima foi publicado inicialmente na edição do número 10 do “O Piagüí” impresso, referente ao mês agosto de 2008, portanto, hoje, Frederico Osanam cursa doutorado em História Social na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e é professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI/Picos).</p>
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		<title>Entre a casa, a escola e os fogos de artifício</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 03:12:24 +0000</pubDate>
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             O ano é 1988, com sete anos de idade encontro-me, de frente ao Armazém Caboclo, com alguns trocados na mão. É mês de junho, e como de costume nessa época, a vida se dividia entre casa, escola e fogos de artifício. Da simples bombinha ao foguete, comprava quase todos os dias, com o que sobrava do dinheiro da merenda do colégio. Quem me vendia era o Sr. José Maria Thomaz Sobrinho, dono do estabelecimento, e que me aconselhava a ter cuidado na hora de brincar com os fogos. Me ...]]></description>
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<div id="attachment_1267" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Digitalizar0011.jpg"><img class="size-medium wp-image-1267" title="Digitalizar0011" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Digitalizar0011-300x197.jpg" alt="Sr. José Maria Thomaz Sobrinho" width="300" height="197" /></a><p class="wp-caption-text">Sr. José Maria Thomaz Sobrinho</p></div>
<p style="text-align: justify;">             O ano é 1988, com sete anos de idade encontro-me, de frente ao Armazém Caboclo, com alguns trocados na mão. É mês de junho, e como de costume nessa época, a vida se dividia entre casa, escola e fogos de artifício. Da simples bombinha ao foguete, comprava quase todos os dias, com o que sobrava do dinheiro da merenda do colégio. Quem me vendia era o Sr. José Maria Thomaz Sobrinho, dono do estabelecimento, e que me aconselhava a ter cuidado na hora de brincar com os fogos. Me despedindo dele, já com o saquinho de bombas e traques na mão, me dirijo à casa de um amigo, Bernardo Borges Silva, onde de lá fomos juntar latas, no intuito de estourá-las. Encontrando as tais latas, posicionamos a bomba, riscamos o fósforo, acendendo o pavio, colocamos a lata em cima, esperando o grande momento do estouro, por um segundo pisco os olhos e me vejo sentado à frente do Sr. José Maria, 20 anos depois, que me relata: “Nasci em Santana do Acaraú  Ceará, em 11 de novembro de 1946, e logo fui trazido para Parnaíba, por meus pais, quando tinha menos de 1 ano de idade, sou primogênito de uma família de 12 irmãos”.  José Maria iniciou sua vida profissional muito cedo, aos 10 anos de idade, trabalhando em várias lojas e repartições públicas da cidade. No ano de 1960, aos 14 anos, começou a trabalhar no Armazém Caboclo, fundado pelo comerciante maranhense Celso dos Santos Veras, e comenta: “<em>o nome armazém caboclo, deve-se ao fato do Sr. Celso Veras ter trabalhado, quando ainda jovem, em uma loja do ramo de ferragens em Belém-PA com o mesmo nome</em>”.</p>
<div id="attachment_1268" class="wp-caption alignleft" style="width: 204px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Digitalizar00101.jpg"><img class="size-medium wp-image-1268" title="Digitalizar0010" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Digitalizar00101-194x300.jpg" alt="Sr. Celso dos Santos Veras" width="194" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Sr. Celso dos Santos Veras</p></div>
<p style="text-align: justify;">             Esta relação: patrão-empregado, logo se transformou e fez com que José Maria se tornasse sócio da empresa, como o próprio Celso Veras dizia: “ele é o filho que não tive”, pois o mesmo havia perdido seu único filho homem. Em meados dos anos 60, José Maria, passa a ser o titular da empresa e seu pai (como o considerava) e patrão, Celso volta a concentrar seus negócios na cidade de Tutóia onde mantinha residência. José Maria manteve o Armazém dentro dos mesmos padrões de seu antecessor, sempre voltado para o comércio de gêneros alimentícios, ferragens e os tradicionais fogos de artifício. Foi auxiliado também por um tempo, por seu pai biológico, José Thomaz Lourenço Neto, que passou a acessorá-lo, após a aposentadoria como funcionário público federal.  Por cerca de 20 anos José Maria lecionou na rede estadual de ensino de Parnaíba, no período noturno, enquanto que durante o dia cuidava do Armazém, foi professor das disciplinas de Estudos Sociais e Geografia, nos colégios Lima Rebelo, Raquel Magalhães, Premem e Escola Normal, e enfatiza: “aprendi muito no magistério, não apenas ensinei aos alunos, mas também eles me ensinaram”. É casado há mais de 30 anos com Rosangela Moreira de Albuquerque e teve 3 filhos: Liana, José Celso e José Maria Thomaz Júnior. Mais tarde no final da década de 90, em virtude de sucessivas crises no ramo de perecíveis, o Armazém Caboclo passa por uma transformação em seu ramo de atividade, se especializando no comércio de ferragens e ferramentas, sem deixar também os fogos. Hoje conta com um completo sortimento de ferragens e ferramentas, materiais elétricos e hidráulicos, no setor de fogos de artifício, vem diversificando, trabalhando com montagem de shows pirotécnicos em toda circunvizinhança de Parnaíba. Sempre recorda com admiração, do Sr. Celso Veras, personagem deveras importante em sua vida, “tínhamos laços muito fortes de amizade, confiança e respeito”, tanto com ele, como com sua família, a esposa Umbelina Conceição, que considerava minha segunda mãe e suas filhas Teresinha, Eunice e Felicidade Veras, que sempre tive como minhas irmãs”. Num exemplo de que nem sempre o sangue é o mais importante, numa relação afetiva, o professor José Maria nos ensina uma importante lição, que deveria ser seguida por todos. Talvez dessa forma o mundo se tornasse um pouco menos áspero e frio.<br />
             Ao fim, encerro a entrevista, contente por mais uma conversa com esse Senhor que considero hoje um amigo, e feliz, por enxergar em seus olhos sensíveis e experientes, o mesmo respeito e admiração aos quais tenho por ele. Relembrando o que ocorreu há 20 anos, tento lembrar se a bomba funcionara ou não, é difícil pois a memória é algo que sempre está nos “pregando peças”,  porém sinto que se explodiu ou não, é questão de mero detalhe, pois no fim das contas não são os objetos ou ações que importam, na hora de recordar, mas sim as pessoas e os sentimentos, por quais passamos nessa constante luta chamada vida&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
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		<title>Do Pimpão ao Central: conversa boa, piadas e jogos de dama!</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 06:39:42 +0000</pubDate>
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              Já passa das 9h da manhã de um sábado ensolarado! Entro no Salão Central, como faço há 13 anos, e encontro os três barbeiros de costume; jogando uma partida de damas, dois senhores, que enquanto mexem as peças do tabuleiro aproveitam para conversar sobre o jogo do Parnahyba e sobre política. Sento na cadeira do barbeiro mais antigo, conhecido como Caçula, e de gravador mp3 na mão peço permissão para conhecer um pouco de sua vida e da barbearia onde trabalha. Risonho, como sempre, e antes de mais nada, ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Salão-Pimpão.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-947" title="Salão Pimpão" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Salão-Pimpão-204x300.jpg" alt="Salão Pimpão" width="204" height="300" /></a>              Já passa das 9h da manhã de um sábado ensolarado! Entro no Salão Central, como faço há 13 anos, e encontro os três barbeiros de costume; jogando uma partida de damas, dois senhores, que enquanto mexem as peças do tabuleiro aproveitam para conversar sobre o jogo do Parnahyba e sobre política. Sento na cadeira do barbeiro mais antigo, conhecido como Caçula, e de gravador mp3 na mão peço permissão para conhecer um pouco de sua vida e da barbearia onde trabalha. Risonho, como sempre, e antes de mais nada, ele me conta uma piada, uma de suas marcas registradas. Depois do ambiente ficar mais descontraído, relata: “<em>Meu nome é Francisco Rodrigues do Amaral, sou de 27 de maio de 1928, nasci em Luís Correia. Tenho quase 80 anos de batalha!”. </em>E sua vida realmente não foi das mais fáceis, em 1957, aos 30 anos, já casado e com filho, Caçula precisou sair de Luís Correia para Minas Gerais por problemas de saúde de sua esposa: <em>“por questão de força maior, fui para lá, pois minha esposa estava doente, porém não fui feliz, pois ela acabou falecendo naquela localidade”.<br />
</em>              Caçula passou três anos e meio fora do Piauí e quando voltou, já viúvo, recebeu o convite de seu irmão João Rodrigues do Amaral, mais conhecido como Teixeira, para trabalharem juntos numa barbearia na cidade de Parnaíba. Depois de um tempo trabalhando juntos, tiveram que se separar devido ao dono do Ponto, em que se localizava a barbearia, ter vendido o prédio para outra empresa. Teixeira então foi trabalhar com um barbeiro chamado Valentim e Caçula passou a exercer a mesma função numa barbearia de Manoel Nonato, na época conhecida pelo nome de Pimpão. A barbearia, que se localizava em frente à Praça da Graça, e ao lado do Banco do Nordeste (onde hoje é um estacionamento), na década de 60 e 70, foi uma das principais na cidade, personalidades das mais variadas cortaram cabelo ou fizeram a barba, ou as duas coisas, indivíduos que hoje são deputados, juízes, jornalistas, prefeitos etc. Caçula recorda também dos outros três barbeiros da época em que foi para o Pimpão: <em>“tinha mais três barbeiros quando cheguei: o Toim, João Machado  e o João Gomes”</em>. Ainda na década de 60, o dono do estabelecimento Pimpão, que alugava para Manoel Nonato, resolveu transferir o mando de aluguel para Caçula, fato que causou certa estranheza para com os outros que ali trabalhavam, pois Caçula havia chegado por último na barbearia. Sem muitas explicações por parte do dono do estabelecimento, o Pimpão passou a ser administrado por Caçula que, passado um tempo, resolveu dar uma “cara nova” ao local: <em>“turma, vou fazer uma reforma no Pimpão; vou botar um ar condicionado e uma parede de vidro, e também queria que a gente passasse a usar uma jaleca”</em>.<br />
<a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Salão-Pimpão-2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-948" title="Salão Pimpão 2" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Salão-Pimpão-2-210x300.jpg" alt="Salão Pimpão 2" width="210" height="300" /></a>             A tentativa de tornar o Pimpão mais bem visto passou a ser encarada por alguns como exagero, e o clima que já estava um tanto diferente com a alteração do administrador, ficou ainda mais com as mudanças sugeridas por Caçula. Com o decorrer dos dias, os clientes passaram a elogiar as mudanças e os ânimos melhoraram, logo também Teixeira, o irmão de Caçula, volta a trabalhar com ele, porém, na década de 70, o dono do ponto onde localizava-se o Pimpão, o vende, e a barbearia passa a funcionar na rua Duque de Caxias, exatamente por trás de onde era, <em>“viramos o quarteirão”. </em>Nesse local o Pimpão durou 14 anos, até no fim dos anos 80, quando o barbeiro se viu tendo que mudar de endereço mais uma vez, pois o dono do ponto da rua Duque de Caxias pediu para que todos saíssem, dando prazo de um ano. Alguns anos antes, em 1984, Caçula sofreu mais um golpe na vida, seu filho de 10 anos, fruto de seu segundo casamento, sofre um acidente na escola ao cair de um brinquedo, bate a nuca e vai às pressas para o hospital, Caçula lembra de como foi naquele dia: <em>“cheguei ao hospital e o médico me informou que meu filho já havia chegado morto”</em>. Como sempre foi de tratar todos bem, Caçula encontrou amigos que o confortaram e lhe ofereceram ajuda financeira, nesse momento tão difícil. Com uma força ímpar, ele levantou a cabeça e seguiu em diante, como poucos fariam&#8230; Já no início de 90, a barbearia passa a funcionar, onde existe até hoje, na rua Marquês do Herval (em frente à loja Macavi), e passou a ser chamada de Salão Central; eram novos tempos, a cidade havia mudado bastante desde a época de 60, os barbeiros  viram a necessidade de alterar o nome, o que na ocasião não agradou a todos, porém, os tempos evoluem, e assim como na época do Pimpão, que houveram mudanças físicas, como o ar condicionado, por exemplo, a barbearia deixou de ser Pimpão e passou a se chamar Central, mas a boa conversa, as piadas e os jogos de dama permaneceram intactos, assim como a parceria dos irmãos, Caçula e Teixeira, acompanhados por João Batista do Amaral, que desde o Pimpão já era parceiro deles no serviço. Amaral, como costumam chamá-lo, é filho de um irmão da dupla, o Sr. Albino Teixeira.  Quando João Rodrigues do Amaral, o Teixeira, teve que se afastar por motivo de saúde, seu filho, Francisco das Chagas Amaral, assumiu a  cadeira do barbeiro; Chagas como é conhecido, já havia trabalhado  no Pimpão só que deixou a profissão para se aventurar em outros ofícios, voltando então quando do afastamento do pai  Teixeira, que em 2007 faleceu, deixando saudade a todos que o conheceram.<br />
              Nesse instante a lâmina é passada pela última vez em minha face, a cadeira é levantada e ao abrir os olhos encontro alguns senhores esperando para cortar o cabelo. Pergunto para um deles, Marcos Barreto, cliente fiel da barbearia desde a época do Pimpão, que me explica o por quê de nunca ter deixado de fazer a barba e o cabelo com os irmãos Teixeira: <em>“sou Cliente desde a época do Pimpão, e sempre cortei com eles devido o bom atendimento, e a amizade que tenho para com esses senhores”</em>.  O rádio é ligado nas notícias e enquanto a conversa rola solta no recinto, me despeço dando um até logo, e prometendo regressar para ouvir mais histórias, sorrir de mais piadas e, quem sabe, até ter a honra de jogar dama com algum conhecido um dia na barbearia que faz parte da cultura e da história da cidade, como bem Caçula finalizou: <em>“até quando Deus permitir”.</em> E ele vai, pode ter certeza que vai&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Nota do Editor:</span> </strong>A entrevista ocorreu no mês de julho de 2008.<strong></strong></p>
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		<pubDate>Wed, 05 Aug 2009 04:32:15 +0000</pubDate>
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            Simpatia e perseverança! Talvez sejam as duas qualidades que levaram Francisco de Assis a vencer as adversidades da vida e crescer, sem que fosse preciso “passar por cima de ninguém”. Nascido em Porto (Piauí), no dia nove de novembro de 1970, tendo morado a maior parte da vida em Parnaíba, “Neguinho”, como é mais conhecido, vem de família humilde, perdeu o pai aos cinco anos e terminou de ser criado apenas pela mãe. Estudou sempre em escola pública e desde criança preferiu o trabalho ao invés do ócio como ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Francisco-de-Assis-Lima-Silva-O-Neguinho-do-Hot-Dog.JPG"><img class="alignleft size-medium wp-image-845" title="Francisco de Assis Lima Silva - O Neguinho do Hot-Dog" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Francisco-de-Assis-Lima-Silva-O-Neguinho-do-Hot-Dog-300x225.jpg" alt="Francisco de Assis Lima Silva - O Neguinho do Hot-Dog" width="300" height="225" /></a>            Simpatia e perseverança! Talvez sejam as duas qualidades que levaram Francisco de Assis a vencer as adversidades da vida e crescer, sem que fosse preciso “passar por cima de ninguém”. Nascido em Porto (Piauí), no dia nove de novembro de 1970, tendo morado a maior parte da vida em Parnaíba, “Neguinho”, como é mais conhecido, vem de família humilde, perdeu o pai aos cinco anos e terminou de ser criado apenas pela mãe. Estudou sempre em escola pública e desde criança preferiu o trabalho ao invés do ócio como ele mesmo disse<em>: “dos seis aos nove anos eu trabalhava vendendo alumínio, ferro (&#8230;) essas coisas que as pessoas compram como ferro velho, vendia bolo em fatias pela cidade; trabalhei em olaria, fui jardineiro em algumas casas, vendia até manga no Pindorama”. </em>Apesar das dificuldades que sua condição lhe impusera, Neguinho sempre teve responsabilidade e tentou vencer a árdua batalha da vida pelo seu próprio esforço e suor: <em>“minha mãe nunca me obrigou a trabalhar, eu fazia porque não queria ficar pedindo dinheiro na rua, e com isso podia comprar meus bombons, chocolates etc.”. </em>Aos 10 anos voltou à cidade de Porto para continuar os estudos na casa da avó. Não ficou parado, lá vendia carvão, picolé e batata doce. Aos 13 morou no interior de Pirangi e trabalhou na roça por três anos. Aos 16 voltou para Parnaíba, onde morou <em>“de favor” </em>na casa de conhecidos; aqui, estudou em várias escolas<em>: “estudei no Galhanoni, no Clóvis Salgado, no Edison Cunha e terminei os estudos no Lima Rebelo”; </em>durante esses meses, trabalhou em serrarias, como ajudante de pedreiro, ajudante de eletricista e construiu calçamentos, como ele mesmo brincou: “<em>eu era mil e uma utilidades</em>”. Já aos 21anos casou, na ocasião, trabalhava vendendo picolés na praia<em>: “na época eu vendia picolé na praia e quando casei fui trabalhar na Kibon de 91 a 95”</em>; a Kibon Sorvane (distribuidora e produtora de picolés e sorvetes), no ano de 1995, diminuiu seu quadro de vendedores de rua. A empresa achou por bem fechar a distribuidora em Parnaíba. O pagamento dado a ele por mais de quatro anos de trabalho foi o valor de 600 reais (e ainda parcelado em 3 vezes), porém, isso não foi o suficiente para causar alguma mágoa, ou ressentimento: <em>“sai numa boa, depois comprei um carrinho de compensado, carrinho esse que pegou até muita chuva, estava todo inchado, comprei por 140 reais, mas eu pensei: é&#8230; Pra começar tá bom” </em>(sic)<em>.<br />
</em>            A capacidade de nunca desistir e jamais perder o bom humor lhe foram bem úteis, pois, de carrinho de mão, teve que recomeçar do zero: <em>“no primeiro dia levei 30 pães, uma panelinha com carne moída e uns refrigerantes, para o Colégio das Irmãs, tive medo de não vender, mas Graças a Deus vendi tudo&#8230;”</em>. O negócio do cachorro-quente havia dado certo e com o passar dos meses, economizando bastante, ele pôde comprar uma Kombi.  Nas temporadas de dezembro a fevereiro, que não haviam aulas, Neguinho viajava para São Luis, no Maranhão, e ajudava seu cunhado numa empresa desentupidora de esgotos.<br />
            O tempo foi passando e a Kombi foi substituída por uma Taunner. E ele não se acomoda em momento algum, além de hoje possuir duas Taunners para vender cachorro-quente em diversos lugares da cidade e em Luiz Correia, tem um ponto comercial em casa e um empreendimento maior na Avenida São Sebastião; a comunidade do Orkut criada em homenagem a ele pelo estudante Glauber Rodrigues Lima, já possui 1.835 pessoas, de vários lugares como Teresina, Fortaleza, São Luis e Natal. Porém, a maior vitória desse piauiense batalhador não foi a sua independência econômica, ou suas conquistas comerciais, mas a humildade que até hoje permanece estampada no sorriso de um vencedor!</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
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		<title>O anônimo poeta que consertava o relógio da Praça da Graça</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Jul 2009 04:14:35 +0000</pubDate>
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            Relojoeiro, comerciante, fotógrafo, desenhista, escultor, pintor e poeta. Diferentes facetas em um só indivíduo.
            O Sr. Dilton Fernandes Batista, de 68 anos, é natural do estado do Maranhão, da capital São Luis, e durante os primeiros anos de infância morou com o pai em Guajaramirim (fronteira com a Bolívia), partindo aos cinco anos para Rondônia, onde  viveu até os 20. Foi lá que aprendeu a arte da fotografia, como também os ofícios de relojoeiro e ourives.
            Antes de mudar para o Piauí, fato que ocorreu em 1960, chegou a ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Relógio-da-Praça-da-Graça.JPG"><img class="alignleft size-medium wp-image-732" title="Relógio da Praça da Graça" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Relógio-da-Praça-da-Graça-300x191.jpg" alt="Relógio da Praça da Graça" width="300" height="191" /></a>            Relojoeiro, comerciante, fotógrafo, desenhista, escultor, pintor e poeta. Diferentes facetas em um só indivíduo.<br />
            O Sr. Dilton Fernandes Batista, de 68 anos, é natural do estado do Maranhão, da capital São Luis, e durante os primeiros anos de infância morou com o pai em Guajaramirim (fronteira com a Bolívia), partindo aos cinco anos para Rondônia, onde  viveu até os 20. Foi lá que aprendeu a arte da fotografia, como também os ofícios de relojoeiro e ourives.<br />
            Antes de mudar para o Piauí, fato que ocorreu em 1960, chegou a ser capturado por uma tribo indígena, quando fazia uma travessia de barco com um amigo boliviano, Wilis Tabográ, pelo rio Madeira a caminho do estado de Mato Grosso, uma forma de buscar aventura e também vender produtos. Durante 10 dias foi mantido amarrado, até que foi ganhando a  confiança dos índios e, passado um mês, ele e o amigo ganharam a liberdade, e algo mais: <em>“nos primeiros dias, achávamos que íamos morrer, jovens ainda, chegamos a chorar e combinar de que se algum de nós conseguisse sair com vida era para avisar para a família do outro, mas depois que a tribo se familiarizou com agente, recebemos até presentes deles, que pudemos levar, quando partimos”</em>.<br />
<a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/O-anônimo-poeta-que-consertava-o-Relógio-da-Praça-da-Graça.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-730" title="O anônimo poeta que consertava o Relógio da Praça da Graça" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/O-anônimo-poeta-que-consertava-o-Relógio-da-Praça-da-Graça-195x300.jpg" alt="O anônimo poeta que consertava o Relógio da Praça da Graça" width="195" height="300" /></a>            Deixando para trás Rondônia, Dilton chegou em Parnaíba, e encontrou o Sr. Milton Magalhães, que lhe cedeu um ponto comercial para abrir seu comércio, onde até hoje existe. Depois de quatro anos, e já instalado em loja própria, Dilton é chamado para consertar o relógio que havia na Praça da Graça, e lembrando com nostalgia relatou um pouco de como era o funcionamento e a manutenção desse símbolo da cidade: <em>“o relógio tinha uns 15 metros  e  era constituído de três partes: o comando, na parte inferior, no meio, a parte da  propaganda  e acima o  relógio em si&#8230;  A  entrada para o conserto se dava por um portão de ferro de 60 centímetros”.</em> Na ocasião, Dilton se estabeleceu como técnico responsável pela manutenção de um dos monumentos mais marcantes de Parnaíba que, depois da reforma ocorrida na década de 70, do qual várias mudanças foram realizadas, o relógio foi desmontado e retirado do local, fato que causou tristeza para o cidadão que durante mais de 10 anos zelou por esse patrimônio da cidade: <em>“na época, entrei na Praça, já fechada para a reforma, e vi que  tinham tirado do lugar e desmontado, tentei alguns anos depois (na década de 80) falar com o chefe do depósito, onde se encontravam as peças do relógio, para que fosse montado novamente, mesmo que fosse em outro lugar, mas recebi um ‘é complicado’ como resposta”</em>.<br />
            Passado alguns anos, já na década de 90, seu comércio, que desde o inicio localizou-se na Rua Almirante Gervásio Sampaio, N.º 680, torna-se uma óptica, numa época onde os ofícios como de relojoeiro já não eram mais tão requisitados devido às novas tecnologias que surgiram; Dilton, então, acaba por adaptar sua loja aos novos tempos.<br />
<a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/O-anônimo-poeta-que-consertava-o-Relógio-da-Praça-da-Graça-1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-731" title="O anônimo poeta que consertava o Relógio da Praça da Graça (1)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/O-anônimo-poeta-que-consertava-o-Relógio-da-Praça-da-Graça-1-300x199.jpg" alt="O anônimo poeta que consertava o Relógio da Praça da Graça (1)" width="300" height="199" /></a>            Pai de seis filhos, Dilton Jr., Fredde, Epitácio, Cristian, Hilton e o mais novo Gilton, nascidos do casamento com Jandira de Moura Batista que já dura quase 50 anos. Dilton lembra como sua vida se estabeleceu nos últimos 48 anos, quando se mudou para Parnaíba: <em>“cheguei e logo depois, felizmente montei um negocio e casei, moro na mesma casa, há mais de 40 anos&#8230; finquei raízes ”.<br />
            </em>Artista sensível, escreve poesias desde a mocidade, seus textos falam de como foi sua vida, os problemas que enfrentou, como também sua visão da sociedade ao qual se encontra inserido. Tem apreço pela pintura desde a infância, seus quadros podem ser vistos no interior de sua loja e não tratam apenas de paisagens mortas pintadas sem sentido, pelo contrário, muitos chegam a quase ter vida própria, sendo uma representação crítica do que o artista absorve da existência. Não contente, ainda exerce a atividade de escultor, esculpindo brilhantemente na madeira. Dilton conta que aprendeu bastante nessas décadas e que não se arrepende de nada.<br />
            O anônimo poeta que consertava o relógio da Praça da Graça, hoje, coleciona recortes do passado, em forma de objetos e lembranças; sempre preocupado com a preservação da história, faz um apelo para quem possuir peças antigas e raras, que não queiram mais, para entrarem em contato com ele, concluindo: “<em>sou muito feliz, graças a Deus, e com ele, minha família e amigos sigo meu caminho&#8230;</em>”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
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