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	<title>Piagui - Culturalista &#187; Mestres Populares</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>Cego Bento</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 03:17:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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<div id="attachment_2910" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2910" title="Cego Bento" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Cego-Bento-300x225.jpg" alt="Cego Bento" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Cego Bento</p></div>
<p>              Nascido no dia 17 de setembro de 1921, em Luís Correia, no lugarejo conhecido pelo nome de Boa Vista, Bento de Araújo da Cunha, o Cego Bento, aos 10 anos já tocava realejo ao lado dos irmãos Bernardo e Benedito que, na ocasião, o acompanhavam ora no chocalho, ora no na batida de cabeção junto a um tamborete qualquer. Formava-se, então, ali, numa brincadeira de criança, um trio que, mais tarde, seria responsável pelo sentimento de amor à música, os primeiros passos de Bento. Aquele trio, sempre vestido dos rústicos instrumentos, além de outros auxiliares como o maracá, fazia pequenas serestas nas casas dos vizinhos a títulos de recompensa em bolo, tapioca e uns poucos tostões. <br />
              Quatro anos após o nascimento daquele trio de irmãos, que já era conhecido em Boa Vista, a família de Bento, que seguia às mudanças de ofício do pai, rumou para Gameleira. Era, portanto, o ano de 1935. Bento, contando 14 anos, largou o realejo e dedicou-se à harmônica de quatro baixos; Bernardo ao cavaquinho; e Benedito ao reco-reco. O trio, então, evoluiu, e os gostos pareciam se apurar com o passar dos anos, não tardou surgir, porém, consoante àquela evolução de jovens músicos, os primeiros contratos, fator, este, decisivo para a qualificação do grupo. O cumprimento de contratos musicais, por aquela década, ainda mais na região em que se encontrava, onde transporte motor não havia senão à tração animal, era, portanto, laborioso; e os jovens, às vezes, tinham de seguir cerca de sete a oito léguas para as festas.<br />
              Em 1940 a “orquestra”, como era conhecida, sai de Gameleira e aporta em Parnaíba. Já havia, ela, com os ganhos das festas, adquirido novos instrumentos: Uma nova harmônica, bombo, tamborim, banjo e clarinete. Apesar da evolução musical adquirida pelo empirismo, Cego Bento queria mais, para isso, buscou, nas lições do mestre Raimundo Ribeiro da Silva, o Raimundo Tropa, o que lhe faltava; aprendeu, então, as tonalidades, escalas cromática e natural, e outras tantas necessidades metodológicas que a boa música exige. Sobre aquelas aulas com Mestre Tropa, Cego Bento lembra: “todos os dias ele me ensinava uma música, naquele tempo era o samba, a marcha, a rumba, o fox, o xote, o baião. Maneira como me ensinava: Ele pegava partitura e assobiava até eu gravar na memória. Pegava dez tons para uma música”. Foi ao lado daquele mestre que o Sr. Bento evoluiria e em pouco tempo ficaria conhecido pela alcunha que lhe consagra, hoje, identidade artística: Cego Bento.<br />
               Parnaíba, no ano de 1944, celebrava, nos quatro cantos do município, o seu primeiro centenário. Naquele ano, inclusive, na Praça Santo Antônio, era erguido o monumento que até hoje enfatiza a cívica passagem. Cego Bento, já conhecido por todos, foi convidado a tocar em algumas das comemorações alusivas à data, contabiliza, ele, pois, nove noites, além da mais marcante, à Praça da Graça, onde a sociedade parnaibana se reuniu em uma multidão impossível de calcular. No decorrer de sua trajetória artística, Bento conheceu personalidades como Luís Gonzaga e tocou em muitos lugares, dentre eles o clube Sinorion, responsável por um dos mais festivos carnavais da região; quase todos os clubes da cidade assistiram Cego Bento tocar: “Fluminense”, “Ferroviário”, “Clube do Trabalhador”, “Guarani”, “Coroa”, além do famoso “Cassino 24 de Janeiro”. Tocou ainda na “Munguba”, “Madalena”, “QG”, “Cabeleira”, “Lulu”, “Ninho do Xexéu” e “Gordo”. A parceria do trio durou muitos anos, e foi desfeita, apenas, no ano de 1971, quando surgiu o conhecido “Trio Igaraçu”, que saía pelas praias de Luís Correia, todos os domingos, a ofertar suas músicas de bar em bar, mesa em mesa. O “Trio Igaraçu”  tinha Cego Bento na sanfona, Luiz no pandeiro e Nonato Gordo no cavaquinho.  Hoje, o “Trio” já não toca mais, Nonato Gordo, que foi músico, também, da banda de música municipal, morreu e o grupo se desfez. Cego Bento casou-se em 31 janeiro de 1951 e possui doze filhos. Sobre as quase nove décadas de existência, aposentado da música, nos deixou a seguinte frase “já me acho realizado; depois de tanto serviço prestado, deixo a vida artística para ficar na história”, sem dúvidas: Cego Bento, pois, é um patrimônio vivo da nossa gente!</p></div>
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		<title>Charles do Delta</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 04:44:15 +0000</pubDate>
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            Demorou, mas o dia chegou. Como muitos leitores fiéis do nosso impresso haviam pedido, iniciamos, hoje, em nosso site, a série intitulada “Mestres Populares”, que coloriu nossas páginas impressas no ano passado, e que tão logo retornará ainda este ano; todavia, vamos relembrando, aqui, os “Mestres” que já foram eternizados na história parnaibana pelo “O Piagüí”. Esperamos, sinceramente, que os amigos leitores gostem. Boa leitura!
*
*   *
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<p style="text-align: justify;">            Demorou, mas o dia chegou. Como muitos leitores fiéis do nosso impresso haviam pedido, iniciamos, hoje, em nosso site, a série intitulada “Mestres Populares”, que coloriu nossas páginas impressas no ano passado, e que tão logo retornará ainda este ano; todavia, vamos relembrando, aqui, os “Mestres” que já foram eternizados na história parnaibana pelo “<strong>O Piagüí</strong>”. Esperamos, sinceramente, que os amigos leitores gostem. Boa leitura!</p>
<p style="text-align: center;">*<br />
*   *</p>
<p style="text-align: justify;">            Para iniciar o seguinte Mestre, abramos então a série com a seguinte revelação, ditada pelo próprio Charles do Delta: “<em>Eu dou o meu trabalho e a minha capacidade porque eu quero ver é o povo feliz (&#8230;) quero ser um contribuinte da cultura e do desenvolvimento de minha terra</em>”. </p>
<p style="text-align: center;">*   *   *<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Charles-do-Delta-2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1316" title="Charles do Delta 2" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Charles-do-Delta-2-199x300.jpg" alt="Charles do Delta 2" width="199" height="300" /></a>           </strong>Para começar, Charles de Castro Silva nasceu em Parnaíba no dia seis de outubro de 1966 e aos 19 anos de idade se tornou o escultor mais respeitado do litoral piauiense e um dos mais requisitados do nosso Estado. Sua carreira é notadamente marcada pela lapidação de imagens sacras, tendo já esculpido mais de cinco mil espelhadas por todo o Brasil, e que variam desde a utilização de materiais simples como  cimento e argila, a outros, como pó de madeira, gesso e resina. Boa parte de sua obra é fácil de ser encontrada nas cidades de Luís Correia, Parnaíba e Teresina. “Charles do Delta”, assim como ficou conhecido por volta de 1999, quando o subsecretário da Indústria e Comércio Roberto Brother achou por bem modificar o antigo título de “Santeiro” – a fim de que abrangesse mais ainda a imagem do escultor –, teve a sua primeira exposição individual montada na inauguração da Galeria de Artes da FIEPI, em Parnaíba, no ano de 1989; a partir daí, passou a desenvolver tantos outros trabalhos com o uso da cerâmica.<br />
            Em 1999 o Brasil se preparava para comemorar os seus 500 anos, o Governo do Rio de Janeiro pretendia lançar o Projeto “Os Grandes Vultos”, que divulgaria trabalhos artísticos de diversas regiões e lugares do país. Em Parnaíba, o então Secretário de Cultura carioca, Zeca Corrêa, conheceu, em uma de suas viagens, na Galeria do Sr. Carlos Guido, no Porto das Barcas, o trabalho “O Parnaibano”, de Charles. Devido a algumas burocracias, e tendo o secretário se vislumbrado com a arte piauiense, esforçou-se, ele, em transferir a idéia para o Piauí – o que aconteceu! Quando da transferência, o Projeto, esculpido, a convite, por Charles, ganhou uma nova nomenclatura e ficou conhecido como “O Jardim da História”, localizado em Teresina; lá, podemos encontrar diversas peças produzidas pela mão do escultor parnaibano, dentre as quais merece destaque as esculturas de Simplício Dias da Silva e Mandu Ladino, feitas no devido grau de detalhamento anatômico e trabalhadas em resina, material que permite um melhor aproveitamento dos traços físicos de cada personagem.</p>
<div id="attachment_1317" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Charles-do-Delta.jpg"><img class="size-medium wp-image-1317" title="Charles do Delta" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Charles-do-Delta-200x300.jpg" alt="Charles do Delta e a imagem de Nossa Senhora do Carmo" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Charles do Delta e a imagem de Nossa Senhora do Carmo</p></div>
<p style="text-align: justify;">            Charles Santeiro, ou melhor, do Delta, já esteve por diversas cidades e Estados prestando serviços a favor da população: em Teresina, além do relevado serviço do Jardim da História, também, esculpiu as estátuas de Joca Claudino e do jurista parnaibano Evandro Lins e Silva, esta em 2006; em Maceió, fez o Santuário do qual descerra a Virgem dos Pobres; em Imperatriz, trabalhou a padroeira da cidade; há 40 quilômetros da cidade de Picos, no município de Francisco Santos, durou cerca de um mês trabalhando na imagem de Nossa Senhora do Imaculado Coração, com dois metros e meio; e, atualmente, fez a entrega, no dia seis de julho de 2008, da imagem de Nossa Senhora do Carmo ao povo de Piracuruca. Esculpida em argila, sob encomenda do prefeito Dr. Raimundo Alves, no período de 12 de fevereiro a primeiro de maio daquele ano, a Santa, que possui cerca de três metros e meio, e que fica na entrada da cidade, foi também trabalhada em resina, a fim de fazer cópia fiel, em tamanho grande, da imagem original localizada na Igreja de Piracuruca. Esse último trabalho foi um desafio entanto para Charles, visto que ele apenas desenvolvia esculturas que duravam no preparo de 15 a 30 dias, no máximo. O escultor já havia trabalhado para o povo piracuruquense, há algum tempo esculpiu a estátua do Sr. José Brito Magalhães, falecido há mais de 30 anos, e então sogro do citado prefeito do município. Charles é um dos parnaibanos que está na linha de frente pelo resgate da imagem de uma das padroeiras de Parnaíba, Nossa Senhora do Monte Serratte, localizada, hoje, em Piracuruca; afirmou ter adquirido, através do Padre Estevão, algumas imagens fotográficas da santa, que foi descida do oratório para este fim. Devido à impossibilidade de retorná-la ao verdadeiro local que lhe pertence, que é Parnaíba, disse-nos, ele, que trabalhará, tão breve, com as fotografias da padroeira em mãos, em uma réplica da imagem para presentear os parnaibanos.</p>
<div id="attachment_900" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><a><img class="size-medium wp-image-900" title="Estátua de Simplício" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Estátua-de-Simplício-225x300.jpg" alt="Estátua de Simplício Dias da Silva" width="225" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Estátua de Simplício Dias da Silva</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Não será a primeira vez que o escultor dará um presente à Parnaíba; em 1995, então tempo da primeira administração do prefeito José Hamilton Furtado Castelo Branco, esculpiu a primeira imagem de um dos heróis da Independência do Brasil no Piauí: Simplício Dias da Silva; que, de início, após o salão de sua exposição, esteve localizada no Porto das Barcas, mas devido ao vandalismo e abandono, o escultor achou por bem ofertá-la aos cuidados do Sr. Carlos Guido. Atualmente, podemos encontrá-la em frente ao Gabinete Oficial do Prefeito de Parnaíba. Foi ela a segunda estátua modelada por Charles em tamanho natural, e de concreto; a primeira foi o São Francisco da Guarita, ainda hoje bem conservado. Com a capacidade rara de criar, copiar e estilizar ao seu bem entender, o parnaibano tem embelezado ainda mais nossos santuários religiosos, a cidade em si! Quem não conhece a imagem de Nossa Senhora da Graça na entrada da cidade Parnaíba, trabalhada como forma de homenagear, em 1995, a passagem dos 50 anos da Diocese Parnaibana?</p>
<div id="attachment_1314" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Imagem-de-São-Francisco-em-Procissão.JPG"><img class="size-medium wp-image-1314" title="Imagem de São Francisco em Procissão" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Imagem-de-São-Francisco-em-Procissão-300x189.jpg" alt="Imagem de São Francisco em Procissão" width="300" height="189" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem de São Francisco em Procissão</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Extremamente ligado ao catolicismo, Charles vem pouco a pouco desenvolvendo o nobre trabalho de retratação dos importantes santos da Diocese; Nossa Senhora  da Graça e Santa Isabel já foram entregues, ambas contando 30 centímetros. São Francisco, no ano passado, foi esculpido para acompanhar a sua procissão e, hoje, pode ser visto na Igreja de São Sebastião. Charles do Delta não é só a imagem de um grande artista plástico, um escultor barroco, para sermos mais exatos, mas um espelho de nossa gente e a vontade de provar que Piauí é uma das terras mais ricas de cultura do nosso país.</p>
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