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	<title>Piagui - Culturalista &#187; Figuras Parnaibanas</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>Um sobrevivente da árdua batalha da vida</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 16:44:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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              Até quando um ser humano pode suportar o peso da existência? Antes mesmo que você, leitor, comece a refletir sobre essa complicada questão, me permita contar a história de Francisco de Assis Lemos, hoje conhecido como Guerreiro.
            Nascido na cidade de Altos, Piauí, em nove de maio de 1954, filho de José Luiz Lemos e Cândida Viana Lemos, Guerreiro, ao me relatar seu passado, contou como foi sua infância: “Eu era criança de seis  para sete anos e já ajudava meu pai na roça, o trabalho era duro e ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-3645" title="DSC01869" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/03/DSC01869-300x225.jpg" alt="DSC01869" width="300" height="225" />              Até quando um ser humano pode suportar o peso da existência? Antes mesmo que você, leitor, comece a refletir sobre essa complicada questão, me permita contar a história de Francisco de Assis Lemos, hoje conhecido como Guerreiro.<br />
            Nascido na cidade de Altos, Piauí, em nove de maio de 1954, filho de José Luiz Lemos e Cândida Viana Lemos, Guerreiro, ao me relatar seu passado, contou como foi sua infância: “Eu era criança de seis  para sete anos e já ajudava meu pai na roça, o trabalho era duro e sobrava pouco tempo para descanso”.  Porém, lembra que havia também momentos felizes: “Nossa família era unida e sempre havia brincadeiras, até no caminho e na volta da roça, sempre conversávamos e nos divertíamos” (sic).<br />
            Quando nem havia completado oito anos, Guerreiro despertou a atenção de alguns conhecidos ao desenhar com habilidade, figuras e paisagens no chão,  não utilizando um lápis ou pincel, mas pedaços de carvão. Fato que acabou resultando numa proposta por parte de alguns parentes de levá-lo à Teresina, para que lá pudesse aprimorar sua arte, assim como exibi-la para um maior contingente de pessoas. E eis que era a década de 60 e Guerreiro chegando à capital do estado, logo arrumou o que, para ele, foi: “um trampo para ilustrar numa coluna de um jornal conhecido da época” (sic). Durante um bom tempo a “nova vida” em Teresina transcorreu com certa tranquilidade, até Guerreiro se deparar pelo caminho com algumas “puxadas de tapete”: “Trabalhei durante uns meses, em fase experimental, num jornal de destaque, fazia charges e caricaturas, mas chegou um momento que não deu mais certo e tive que sair do jornal (&#8230;) Passei a desenhar rostos de pessoas à domicilio”. Jovem e ainda um tanto inexperiente perante as malícias do meio publicitário e jornalístico, acabou perdendo o emprego no jornal e se viu tendo que encarar de frente o selvagem mundo da concorrência: “Expus meus desenhos no Teatro 4 de Setembro algumas vezes, e participei de concursos e festivais de humor, mas haviam pessoas com mais experiência e ´amizades` do que eu, o que não ajudou muito, pois estava numa cidade que não era a minha e onde eu tinha poucos conhecidos, mas sempre toquei o barco pra frente e fui lutando com o suor do rosto”  .<br />
            Durante décadas, Guerreiro aprimorou sua habilidade e amadureceu bastante, passando até a adotar diferentes estilos. Porém, como “nem tudo eram flores”, à medida que crescia artisticamente, recebia proporcionalmente diversas “pancadas da vida”, primeira-mente com “diversas dificuldades financeiras e sentimentais pelos quais passava durante a época”,  e depois com a morte dos pais, fatos que lhe causaram bastante melancolia; acontecimentos que, diversas vezes, quase o levaram à loucura, se não fosse tudo que havia aprendido no decorrer de sua trajetória de altos e baixos, como sobrevivente da árdua batalha da vida.<br />
            Na última década, depois de idas e vindas, à Teresina e Altos, como também excursões pelo interior do Piauí e algumas cidades do Nordeste, Guerreiro muda-se para Parnaíba, cidade pela qual ele mesmo comenta: “tenho um apreço muito grande, pois foi uma cidade que me acolheu e que já a tenho em meu coração”. Boêmio assumido, mas “na medida saudável”, sempre simpático com todos “não importando classe social, sexo ou cor” e deveras preocupado com os  problemas que assolam o Piauí, Guerreiro busca retratar em seus trabalhos as várias percepções de seu olhar como artista sensível, desenhando desde laços de amizade, como bem exemplifica o mural existente na lanchonete situada abaixo da Casa Grande de Simplício Dias, ou então  aspectos sociais e políticos de nossa terra, acrescentaria ainda a representação de ídolos que povoaram sua mente durante muitos anos, como é o caso do cantor Roberto Carlos, do qual Guerreiro devota bastante admiração: “Sou fã de vários cantores, desde Raul Seixas a Ivete Sangalo, mas o meu preferido é o Rei!”, revelou ao mesmo tempo em que mostrou em sua pasta, recheada de rostos eternizados no papel, a imagem do cantor e ídolo.<br />
            Destemido e incansável, busca a cada dia conquistar seu espaço, demonstrando seu talento de forma humilde, honesta e cativante, ultrapassando barreiras, vencendo medos e resistindo aos desafios do tempo, sem nunca desistir e, principalmente, sabendo viver intensamente todas as experiências que o mundo lhe oferece; e isto nos conduz novamente à pergunta do início: Até quando um ser humano pode suportar o peso da própria existência? Acredito que, através da história de Guerreiro seja possível começarmos a perceber que caminhos, cada um de nós pode traçar, a fim de que, um dia, encontremos nossas respostas.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
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		<title>Maria Rezadeira</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Sep 2009 00:10:44 +0000</pubDate>
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<div id="attachment_1380" class="wp-caption alignleft" style="width: 253px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Maria-Rezadeira.jpg"><img class="size-medium wp-image-1380" title="Maria Rezadeira" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Maria-Rezadeira-243x300.jpg" alt="Caricatura: Mauro Júnior" width="243" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Caricatura: Mauro Júnior</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Limitando, pelos fundos, com o quintal de “tia Pelonha”, estendia-se o da “Maria Padre”, ou, mais vulgarmente, da “tia Maria Rezadeira”. Esse era, porém, um quintal cheio, em que as ateiras se emaranhavam, e em que os mamoeiros precisavam esticar-se, para apanhar um pouco de sol. Galhos de laranjeira e cajueiro pulavam de vez em quando a velha cerca de troncos de carnaúba, para vir tomar fôlego na rua. E a pequena casa de telha, quase secular, essa mesma parecia empurrada pelas árvores, e de tal forma que os batentes de tijolos da porta iam acabar fora, na via pública.<br />
            Era dessa porta estreita, e de uma folha só, escurecida pelo tempo, que saía todas as manhãs, madrugada ainda, “tia” Maria. Era uma pretinha miúda, carapinha branca, sempre muito limpa e cuidada na sua saia preta e no seu casaquinho de morim. Na ponta dos pés, arrastando-se no seu passinho apressado, as chinelas de couro. No pescoço, os rosários negros, de grandes contas, que pareciam justificar aquela inclinação do seu corpo, quase infantil, para diante. E, nas mãos, ainda, um terço, que, para não perder tempo, ia sempre debulhando mesmo pela rua, nas suas numerosas viagens quotidianas entre a sua casa e as duas igrejas da cidade, a Matriz e a do Rosário. Esta última era, todavia, por mais modesta e solitária, e por ser a do culto tradicional da raça negra no Brasil, a da sua predileção.<br />
            A profissão de “tia Maria Rezadeira”, como seu nome está indicando, consistia em rezar. De manhã à noite, não cuidava de outra cousa. Todo mundo fazia promessa de orações; quem as pagava, porém, era ela. Rezava terços, rosários, ladainhas, prometidos pelos outros. E não cobrava nada por isso. Não fazia preço. Cada um dava o que entendia, ou não dava nada. Quando ninguém fazia contas diretas com o céu, para que ela as pagasse, fazia-as ela mesma. E desde cedo lá se ia, – cheque-cheque-cheque, – com a sua chinelinha arrastando, muito ligeirinha, rumo do Rosário ou da Matriz, espanar os altares, mudar as toalhas, guardar ou tirar dos pesados gavetões da sacristia os paramentos do senhor Padre, auxiliando o sacristão nesses pequenos serviços da casa de Deus, e fazendo, a cada passo, uma genuflexão diante de cada santo.<br />
            Não obstante essa piedade toda, e a solicitude com que rezava por todo o mundo, “tia Maria Rezadeira” foi golpeada, um dia, fundamente, no coração. O único mestre de obras de Parnaíba, com honras de construtor, era o mulato Pedro Braga, que reunia a essa qualidade a de diretor e proprietário da única banda de música que a cidade possuía. Pedro Braga edificava os prédios, tocava clarineta, compunha dobrados, ensaiava os seus homens, conduzindo a sua filarmônica a batizados, casamentos, funerais, bailes e manifestações políticas. Pela manhã, porém, os músicos mudavam a roupa, e iam trabalhar em construções, cujas plantas eram levantadas pelo maestro. Por isso mesmo, casa que ele construía, tinha de cair pelo menos três vezes. Antes do terceiro  desmoronamento não era considerada segura. A nossa, que minha mãe fez edificar, nos Campos, pagou esse imposto com absoluta regularidade. Um dia, meu tio Emídio Veras mandou reconstruir o prédio em que funcionava a sua casa comercial da rua Grande, em frente ao Porto Salgado. As paredes haviam desabado apenas duas vezes quando lhe puseram a cumieira, e iniciaram a cobertura. “Tia Maria Rezadeira” tinha um filho, Manuelzinho, que era carpinteiro, e tocava pistão na banda de Pedro Braga. Trabalhava ele nas obras, quando começou a chover. Quando se construía um prédio ideado por Pedro Braga e principiava a chuviscar, a praxe era retirarem-se todos os operários, e ficarem de longe, esperando o estrondo. Manuelzinho, dessa vez, entendeu que não devia interromper o trabalho. De repente, um ruivo cavo e rouco anunciou o desastre esperado. Correram todos a ver de perto. Não ficara, de pé, uma coluna ou uma parede. Apenas um monte de tijolos, barro, caibros e telhas quebradas. E, sob os escombros, Manuelzinho com as duas pernas partidas.<br />
            Não obstante a isso, “Tia Maria Rezadeira” não perdeu a confiança em Deus, nem deixou de rezar. Pelo contrário, passou a rezar mais ainda. E a correr para a igreja em hora ainda mais matutina, curvadinha para diante, a saia preta amarrada na cintura, o casaquinho de morim muito limpo, a carapinha muito branca, os rosários ao pescoço, o terço entre os dedos magros, muito ligeira no seu passo miúdo, a chinelinha de couro na ponta do pé – cheque-cheque-cheque&#8230;</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><strong>Humberto de Campos, 1935</strong></p>
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		<title>Tia Pelonha</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 01:41:40 +0000</pubDate>
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<div id="attachment_1091" class="wp-caption alignleft" style="width: 229px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Tia-Pelonha.jpg"><img class="size-medium wp-image-1091" title="Tia Pelonha" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Tia-Pelonha-219x300.jpg" alt="Caricatura: Mauro Júnior" width="219" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Caricatura: Mauro Júnior</p></div>
<p style="text-align: justify;">            Na pequena rua que liga a praça da Matriz à praça do Mercado, em Parnaíba, havia um resto de muro em pedra e cal, sustentando uma ligeira elevação do terreno. Sobre os escombros do muro, uma velha cerca de varas, arcos de barril, traves de madeira podre, pedaços de zinco, fragmentos de tábuas que o tempo devorara, estabelecia os limites de um quintal em que se erguiam mangueiras anciãs e entrelaçavam galhos de goiabeira sem idade. Lá dentro, por trás dessa arborização que peneirava a luz, esfarinhando-a na areia, uma casa de telha, antiquíssima, já sem reboque, o teto negro prognosticando desastre, portas e janelas sem pupilas, chão de tijolo, e que era, em síntese, menos um abrigo do que uma tapera. Dentro dessa casa, tia Apolônia, ou, melhor, tia Pelonha. E, em torno da casa, entrando e saindo, e guardando tia Pelonha, os seus vinte ou trinta cachorros.<br />
            Tia Pelonha era uma das figuras populares de Parnaíba. Grande, máscula, suja, ossuda como Dom Quixote, a cabeleira grisalha e crespa alvoroçada para cima, a face cavada, fisionomia nervosa e severa, pés enormes e sempre descalços, marchava a passos largos e rápidos como um general que tivesse perdido o seu cavalo no começo da batalha. Na sua casa não entrava ninguém. Não ia, também, à casa alheia  senão para entregar alguma roupa lavada ou para prestar pequenos serviços de quintal ou de rua. E quando abria o velho portão entrelaçado de varas e tábuas e saía, era acompanhada de cães de todos os tamanhos e raças, que lhe formavam o séquito, trotando uns à sua frente, outros ao lado, outros atrás, enquanto os demais, sem a abandonar, se espalhavam em torno, ladrando e correndo, e irrigando às pressas todos os postes do caminho. De súbito, tia Pelonha emitia um grito gutural e surdo, sem voltar o rosto nem abrir a boca. E, de pronto, a canzoada acorria toda, fechando círculo de proteção à sua pessoa, como soldados que, na hora do perigo, viessem oferecer  a vida para defender o seu general.<br />
            Tia Pelonha é uma das reminiscências mais graves da minha infância de menino vadio, e talvez ainda viva, com o mesmo aspecto atemorizante, na memória dos meus companheiros daquela época. Figura áspera de feiticeira, tipo autêntico de virago, não havia, entretanto, quem lhe dirigisse uma pilhéria ou soltasse um assobio à sua passagem. Jamais alguém penetrou no seu quintal para tirar fruta. Lá dentro, as goiabas amareleciam nos galhos, e viam-se, às sombras das mangueiras largas, as mangas apodrecendo no chão. Mas os meninos passavam de longe, encolhidos e silenciosos. Não se aproximavam, sequer, da cerca, por trás da qual a matilha corria e ladrava. Quando uma parte da cainçada saía, a outra formava pelotão, guardando a casa. E nada mais estranho do que o espetáculo dessa Diana suja, destacada nas páginas rotas de uma triste mitologia dos miseráveis, ao atravessar a praça da Matriz com a sua matilha ladrante. Ao vê-la à distância, os meninos que voltavam da escola enveredavam  pelos corredores, procurando agasalho. Molecotes que iam a algum recado dos patrões, davam meia volta e desapareciam, na carreira, nas ruas próximas. E tia Pelonha, magnífica na sua sordidez, a cabeça erguida, o passo de soldado que vai à guerra, se eclipsava ao longe, entre uivos e ladridos da sua devotadíssima guarda de honra.<br />
            No peito murcho, e masculino, daquela mulher que havia perdido o sexo, batia, no entanto, um coração. Não tinha amizades humanas, nem sabia sorrir. Mas amava seus cachorros. Era para eles que trabalhava. Era para eles que vivia. O dinheiro que conseguia nos afazeres domésticos de que se incumbia, era para eles. Com os níqueis que recebia em pagamento de serviços, ia, com eles, todas as manhãs, aos açougues e comprava pedaços de carne magra, ossos e vísceras, com que os sustentava. Para isso, reduzia a sua própria alimentação ao mínimo. O seu almoço, e o seu jantar, eram constituídos unicamente por farinha de pipoca, preparada numa lata, no fogo que fazia à sombra das árvores. E com isso ia ficando cada vez mais magra, óssea, mais masculina, mas, sempre de rosto alto, o passo esticando o vestido curto e sujo, e seguida, por toda parte, da alegria sinistra dos seus cães. </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Humberto de Campos, 1935</strong></p>
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		<title>Meu amigo Mário Boi</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 05:47:36 +0000</pubDate>
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            Mês de férias!!! Uma época de alegria e diversão&#8230; Mas, divertido mesmo é falar de uma pessoa muito especial como a que vou citar nas próximas linhas. Trata-se de um ícone de nossa sociedade, uma pessoa bastante alegre, ingênua e simples! Com uma simplicidade pouco encontrada em pessoas de nosso convívio. Possui vocabulário vasto e um astral sempre em altíssimo grau, amado por adultos e, principalmente, pelos pequeninos. Seu carisma é uma coisa sem explicação! Refiro-me a um homem de estatura média, cútis escura, meio cambota, ficando muito longe ...]]></description>
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<div id="attachment_672" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Mário-Boi.jpg"><img class="size-medium wp-image-672" title="Mário Boi" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Mário-Boi-300x228.jpg" alt="Caricatura: Mauro Júnior" width="300" height="228" /></a><p class="wp-caption-text">Caricatura: Mauro Júnior</p></div>
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<p style="text-align: justify;">            Mês de férias!!! Uma época de alegria e diversão&#8230; Mas, divertido mesmo é falar de uma pessoa muito especial como a que vou citar nas próximas linhas. Trata-se de um ícone de nossa sociedade, uma pessoa bastante alegre, ingênua e simples! Com uma simplicidade pouco encontrada em pessoas de nosso convívio. Possui vocabulário vasto e um astral sempre em altíssimo grau, amado por adultos e, principalmente, pelos pequeninos. Seu carisma é uma coisa sem explicação! Refiro-me a um homem de estatura média, cútis escura, meio cambota, ficando muito longe a comparação com um galã de televisão, mas com um fã clube que se estende do norte ao sul de nosso estado. Falo do cidadão Mário Pereira de Sousa. Ainda não sabe? Então vou facilitar: reporto-me ao tão famoso “Mário Boi”&#8230; Ah, agora tenho certeza que, se você não o conhece, já ouviu falar. Começou, ele, sua vida futebolista como goleiro do time do Parnahyba Sport Clube, onde por muitos anos defendeu as cores azulinas, mas infelizmente nunca foi campeão como jogador, sua maior conquista foi um vice-campeonato.<br />
            Já um pouco cansado do futebol, foi nomeado pelo então governador do estado, Dr. Alberto Silva, ilustre parnaibano, na função de policial civil, mas foi um desastre, pois em todas as prisões efetuadas, os infratores olhavam para ele e diziam:</p>
<p style="text-align: justify;">            &#8211; Seu Mário, eu sou inocente e o senhor me conhece, sou filho de fulano de tal, meu pai já jogou futebol com o senhor. &#8211; daí o policial ficava de mãos atadas e acabava liberando o preso ali mesmo e sempre com um bom humor, dizia para o seu parceiro:<br />
            &#8211; Pai, solta, solta, solta&#8230; Aí não tem mais jeito, conheço toda a família&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">            Essa experiência não foi das melhores, seu forte mesmo são as suas massagens, onde afirma fazer verdadeiros milagres.<br />
             Tive meus primeiros contatos com essa figura ainda criança, já que o mesmo era colega de meu pai e, de vez em quando, éramos agraciados com uma visita sua em nossa humilde casa. Meu pai sempre tecia vários comentários a seu respeito e que, por sinal, eram sempre muito bons. Lembro-me que eles sorriam muito, a cada gesto ou palavras suas uma alegria invadia o ambiente! Passaram-se os tempos e a sua figura ficava mais clara e próxima de minha pessoa, pois gostava de ver os jogos do Tubarão do Litoral e o mais interessante nessa história é que o público lotava o campo, não pelo time ou as estrelas que vinham da capital e de outros estados, mas sim, para ver o massagista do excrete azulino. Ele fazia o maior sucesso nos jogos. A cada falta mais dura e um corpo estendido ao chão, não era o juiz que chamava o massagista, mas a torcida com gritos e um coro que contagiava todo o estádio do Verdinho. E quando ele entrava em campo&#8230; Que maravilha!!! A cena podia ser comparada com um carro sem freio mas feito de elástico. Ele partia do banco de reservas do time com uma sacola da “drible” contendo gelo, ataduras e óleos de massagem. Partia numa velocidade tremenda em direção ao jogador machucado sendo que, ao chegar perto, dava mais uma esticada em direção ao juiz e parecia que ele não iria parar, então, como por encanto, ele começava a brecar e a fazer caracol em direção ao grupo que ali se encontrava. Muitas vezes, quando os juízes não conheciam ainda o folclórico Mário Boi, chegavam até a cair ou tomavam um grande susto pela maneira de seu atendimento. Pronto!!! Nesse momento, a torcida subia nas nuvens de felicidade, pois era muito engraçado&#8230; E num desses atendimentos aconteceu o inesperado, ele partiu em direção ao centro do campo, como sempre em alta velocidade, quando, de repente, algo deu errado aconteceu: ele tropeçou, acho que em suas próprias pernas, e levou um grande tombo; seu material de trabalho fugiu das mãos, indo parar na direção oposta a sua, várias cambalhotas foram surgindo, uma atrás da outra, e o ponto final foi exatamente onde o jogador machucado se encontrava. A  atenção foi inteiramente voltada para o massagista, sendo retirado de campo pelos maqueiros escalados para aquela partida. Essa foi uma das cenas mais engraçadas presenciada pelos torcedores frequentadores do citado estádio nos jogos do time local. A cena teve exibição até em rede nacional, num quadro do programa do apresentador global Fausto Silva, denominado: As Pegadinhas do Domingão. Foi a sua consagração&#8230;  Uma festa!!! Acho que, dessa época, ficou marcada sua imagem em nossos corações. <br />
            Não faz muito tempo que realmente me inteirei do que é o homem Mário, para os mais íntimos: o “médico”; pois é assim que ele gosta de ser chamado: o médico Mário Boi. É uma figura sem igual! Voltei a encontrá-lo, muito longe daquela criança ao lado do pai, hoje, convivo lado a lado com ele e tive o prazer de, por diversas vezes, jogar com tal figura, isso mesmo, ainda joguei algumas partidas contra o grande goleiro. E o mais gostoso sempre fica para o final, pois depois de toda partida de futebol tem aquela boa e velha resenha, onde todos querem dizer alguma coisa. Nesse meio tempo, Mário Boi sai de fininho com sua mochila, vai ao vestiário e ao retornar, todo transformado, roupa de garotão, tênis e um perfume que de longe se espalha pelo ambiente. Sempre acompanhado de seu copo de alumínio, pois ele não usa copo a não ser o dele, é cheio de superstições: não come todo tipo de comida e não toma remédios orientados pelos seus amigos “médicos”, ele mesmo faz seu diagnóstico e se “cura”. Sempre relata que não precisa ser consultado por ninguém. Temeroso a Deus, não abandona suas fitinhas de Nossa Senhora ou São Francisco. Realmente é uma figura! Daí começam as brincadeiras, e seu nome é tema para diversas histórias ou estórias, como, por exemplo, em uma dessas partidas disputadas por ele na capital do estado, foi eleito o melhor jogador da partida, e ganhou um prêmio ofertado pelo patrocinador de uma determinada emissora de rádio, onde o repórter se dirigiu até o gramado e o indagou:</p>
<p style="text-align: justify;">            &#8211; Mário Boi, você foi eleito o melhor jogador da partida, o que o grande atleta tem a dizer?<br />
            - Apenas agradecer e fico muito feliz por isso, e o que eu vou ganhar?<br />
            &#8211; Meu amigo, você, por ter sido eleito o melhor jogador por nossa equipe de jornalistas, ganhou um “motor-rádio.”<br />
­            &#8211; Que bom!<br />
            &#8211; O que você vai fazer com esse “motor-rádio”?<br />
            &#8211; É simples, o rádio eu vou dar para minha mãe, e o motor eu vou usar para eu ir aos treinos do Parnahyba.</p>
<p style="text-align: justify;">            O mais incrível é que “motor-rádio” era um lançamento de um rádio portátil que, na época, fazia o maior sucesso. Em outra oportunidade, mais uma das suas: foi candidato a vereador em nossa cidade, após a apuração dos votos ele ficou a se perguntar:</p>
<p style="text-align: justify;">            &#8211; Como não consegui ser eleito? Já que todos os meus amigos votaram em mim?  Com certeza eles me enganaram. Será que nem a minha mãe votou em mim?  Vou perguntá-la, pois eu tenho certeza que ela não deixou de votar em mim.</p>
<p style="text-align: justify;">            E chegando em casa a indagou e sua mãe o respondeu:</p>
<p style="text-align: justify;">             &#8211; Votei sim, meu filho, escrevi na chapa: “Meu filho”.<br />
            &#8211; Ah, mamãe, pois eu acho que fui roubado, pois nem o meu voto apareceu e eu votei em mim mesmo, lá na minha chapa eu escrevi: “Eu”.</p>
<p style="text-align: justify;">            Meus amigos, esse é o meu, o nosso eterno e amado Mário Pereira, ou como queiram, o Médico. Ainda com uma saúde de ferro e muita vitalidade. Residente na travessa James Clark, no bairro São Benedito. Ele e sua esposa, Mazé, estão esperando sua visita. Ou, então, quando ouvir por aí um grito bem conhecido de todos os seus amigos “tchê, tchê”, tenha certeza que ali por perto se encontra o médico Mário Boi.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Marivaldo Lima</strong></p>
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