<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Piagui - Culturalista &#187; Textos Históricos</title>
	<atom:link href="http://www.opiagui.com.br/category/quadros/textos-historicos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.opiagui.com.br</link>
	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 29 Jul 2010 17:25:07 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.3</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Academia Brasileira de Letras, 113 anos!</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2010/07/academia-brasileira-de-letras-113-anos/</link>
		<comments>http://www.opiagui.com.br/2010/07/academia-brasileira-de-letras-113-anos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 03:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Textos Históricos]]></category>
		<category><![CDATA[113 anos!]]></category>
		<category><![CDATA[Academia Brasileira de Letras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.opiagui.com.br/?p=4240</guid>
		<description><![CDATA[

Senhores: 
            Investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou mais o velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É simbólico da parte de uma instituição que conta viver, confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança. 
            Não é preciso definir esta instituição. Iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<div id="attachment_4241" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Este-é-possivelmente-o-mais-antigo-registro-fotográfico-em-1909-de-uma-sessão-pública-da-Academia-Brasileira-realizada-ainda-no-Silogeu..jpg"><img class="size-medium wp-image-4241" title="Este é possivelmente o mais antigo registro fotográfico, em 1909, de uma sessão pública da Academia Brasileira, realizada, ainda, no Silogeu." src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Este-é-possivelmente-o-mais-antigo-registro-fotográfico-em-1909-de-uma-sessão-pública-da-Academia-Brasileira-realizada-ainda-no-Silogeu.-300x181.jpg" alt="Este é possivelmente o mais antigo registro fotográfico, em 1909, de uma sessão pública da Academia Brasileira, realizada, ainda, no Silogeu." width="300" height="181" /></a><p class="wp-caption-text">Este é possivelmente o mais antigo registro fotográfico, em 1909, de uma sessão pública da Academia Brasileira, realizada, ainda, no Silogeu.</p></div>
<p style="text-align: center;">Senhores: </p>
<p style="text-align: justify;">            Investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou mais o velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É simbólico da parte de uma instituição que conta viver, confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança. <br />
            Não é preciso definir esta instituição. Iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a alma nova e naturalmente ambiciosa. O vosso desejo é conservar, no meio da federação política, a unidade literária. Tal obra exige não só a compreensão pública, mas ainda e principalmente a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda a casta, às escolas literárias e às transformações civis. A vossa há de querer ter as mesmas feições de estabilidade e progresso. Já o batismo das suas cadeiras com os nomes preclaros e saudosos da ficção, da lírica, da crítica e da eloquência nacionais é indício de que a tradição é o seu primeiro voto. Cabe-vos fazer com que ele perdure. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles os transmitam também aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira. Está aberta a sessão.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Machado de Assis<br />
</strong>20 julho, 1897.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.opiagui.com.br/2010/07/academia-brasileira-de-letras-113-anos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Dia das Mães</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2010/05/o-dia-das-maes/</link>
		<comments>http://www.opiagui.com.br/2010/05/o-dia-das-maes/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 09 May 2010 22:42:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Textos Históricos]]></category>
		<category><![CDATA[O Dia das Mães]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.opiagui.com.br/?p=3887</guid>
		<description><![CDATA[

              O dia de hoje, segundo domingo de maio, é consagrado às mães. Por uma convenção delicada e poética, os que têm ainda na terra a criatura que lhes deu a sua vida humanizada em sangue, e o seu sangue santificado em leite, devem exibir uma flor cor de rosa, símbolo da ternura e da alegria. E aqueles que a não tem mais, e que a lembram e choram no silêncio do coração, uma flor alva, expressão de carinho e saudade. Santo e piedoso dia, pois, o de hoje. Santo ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<div id="attachment_3888" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-3888" title="Dona Ana de Campos (Mãe de Humberto de Campos) ladeada pelos intelectuais" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Dona-Ana-de-Campos-Mãe-de-Humberto-de-Campos-ladeada-pelos-intelectuais-300x261.jpg" alt="Dona Ana de Campos (Mãe de Humberto de Campos) ladeada pelos intelectuais Clodomir Teófilo Girão e Homero de Miranda Leão - Foto da década de 50." width="300" height="261" /><p class="wp-caption-text">Dona Ana de Campos (Mãe de Humberto de Campos) ladeada pelos intelectuais Clodomir Teófilo Girão e Homero de Miranda Leão - Foto da década de 50.</p></div>
<p style="text-align: justify;">              O dia de hoje, segundo domingo de maio, é consagrado às mães. Por uma convenção delicada e poética, os que têm ainda na terra a criatura que lhes deu a sua vida humanizada em sangue, e o seu sangue santificado em leite, devem exibir uma flor cor de rosa, símbolo da ternura e da alegria. E aqueles que a não tem mais, e que a lembram e choram no silêncio do coração, uma flor alva, expressão de carinho e saudade. Santo e piedoso dia, pois, o de hoje. Santo e alegre. Santo e triste. Alegre e triste, de acordo com a cor do cravo ou da rosa de cada peito.<br />
                Este é, por isso, o meu dia de glória. Durante o ano, todos os outros homens me causam inveja. Eles têm o seu palácio, o seu lar, o seu dinheiro, os seus automóveis, as suas roupas, a sua robustez, o seu prestígio mundano ou político, a luz do seu espírito ou a luz dos seus olhos. Mas eu tenho tanto como eles, e mais do que muitos deles, porque ainda tenho na terra, pensado em mim, velando por mim, rezando por mim, a minha mãe!<br />
                É com a posse ou com a privação desse tesouro que Deus estabelece a distinção entre os homens do mundo. Quantos herdeiros opulentos haverá, que dariam a fortuna toda, a vida toda, para poderem arvorar, no dia de hoje, o seu cravo róseo, sinal de que possuíam em casa ainda, um anjo de cabelos brancos?<br />
                Quantos pobres se consideram milionários, por sentirem, nas suas horas de aflição, a mão tremula de uma velhinha a acariciar-lhes a cabeça febril, em que tumultuam os cuidados? O ouro da terra pode comprar um título, um trono, um império, uma situação na política ou um nome notável na história; não dá, porém, jamais, a mãe a que a perdeu.<br />
                Por isso mesmo, aplaudindo a intuição desse dia, que é tão formoso no seu simbolismo quanto o de Natal, e devia entrar nos costumes de todos os povos, eu não considero humano, nem cristão o uso de um distintivo. Não será, realmente, uma impiedade colocar no peito, hoje, um cravo róseo, para dizer ao mundo que se é feliz, tornando mais funda a tristeza dos que só podem usar um cravo branco? Que se diria ao homem que, sabendo que a fome lavra na casa do seu vizinho, fosse passar por diante da sua porta, humilhando-o com o espetáculo da própria fortuna? Haverá mãe que fosse beijar alegremente seu filhinho vivo diante de outra que chorasse seu filhinho morto? Porque, pois, tornar os infelizes ainda mais infelizes com a contemplação da nossa felicidade, principalmente quando não sabemos se, para o ano, as lágrimas da orfandade já terão transformado, também, o nosso cravo róseo em cravo branco? Respeitemos a dor alheia e regozijemo-nos na intimidade do coração pela graça que Deus nos concede, de apertarmos nos braços aquelas que nos acalentaram menino. Beijemos mais carinhosamente que nunca a mão enrugada e leve que nos chegou a seu seio nas primeiras horas de vida, e que ainda hoje nos protege, como uma asa, com o voo da sua benção. Veneremos o tesouro que ainda é nosso; mas não insultemos com a pública exibição da nossa felicidade o infortúnio irreparável daqueles que já perderam o seu.<br />
                Não sairei hoje com o meu cravo róseo, para que, vendo que eu ainda tenho mãe, os órfãos não chorem, lembrando que a perderam. Mas é teu, hoje, minha mãe, todo o meu coração. A capela fúnebre da minha alma se enfeita de rosas para o teu culto. Ajoelhado diante de ti, dos teus setenta anos de sofrimento, dos teus setenta anos de orfandade, de pobreza, de viuvez, &#8211; eu me confesso o pior dos filhos da mais santa das mães! Único filho vivo, eu te envio, também, no meu beijo, e mando ao teu coração alanceado, a gratidão da tua filha morta&#8230;<br />
                Deus te abençoe, e te proteja, minha mãe, como me tens abençoado e protegido a mim. E que Ele te conceda, nos dias de velhice que te restam, a paz que não tiveste na mocidade, fazendo desaparecer do teu coração as inquietações de que ele está cheio, e que se agravam quando te lembras que tens na terra um filho enfermo, um filho triste, um filho poeta, um filho pobre&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Humberto de Campos, 1949</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.opiagui.com.br/2010/05/o-dia-das-maes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Carnaval em Parnaíba</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2010/02/o-carnaval-em-parnaiba/</link>
		<comments>http://www.opiagui.com.br/2010/02/o-carnaval-em-parnaiba/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Feb 2010 03:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Textos Históricos]]></category>
		<category><![CDATA[A família atacada defende-se heroicamente com a tisna das paneladas. Se as moças são muitas]]></category>
		<category><![CDATA[À sua aproximação]]></category>
		<category><![CDATA[adivinham]]></category>
		<category><![CDATA[agarram um dos invasores]]></category>
		<category><![CDATA[aí]]></category>
		<category><![CDATA[Aliás]]></category>
		<category><![CDATA[Ameaças de um ano inteiro são cumpridas nessa hora]]></category>
		<category><![CDATA[às casas em que há moças]]></category>
		<category><![CDATA[as portas se fecham]]></category>
		<category><![CDATA[assim mesmo]]></category>
		<category><![CDATA[batizados]]></category>
		<category><![CDATA[certas plásticas através dos vestidos que a água ajustou em contornos]]></category>
		<category><![CDATA[com as trancas de madeira e com os ferrolhos mais seguros]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[de gorro e camisolão]]></category>
		<category><![CDATA[de preferência]]></category>
		<category><![CDATA[debaixo da gritaria]]></category>
		<category><![CDATA[e]]></category>
		<category><![CDATA[e a ocasião única em todo o ano]]></category>
		<category><![CDATA[e às vezes se reúnem para isso]]></category>
		<category><![CDATA[e de tal modo sai ele de lá que parece ter descido pela chaminé]]></category>
		<category><![CDATA[E melhor se compreende essa fúria]]></category>
		<category><![CDATA[e não se assinalava senão pela violência do entrudo]]></category>
		<category><![CDATA[e são reforçadas]]></category>
		<category><![CDATA[Em 1895 o entrudo sofreu uma alteração considerável]]></category>
		<category><![CDATA[em Parnaíba]]></category>
		<category><![CDATA[em todo o Norte]]></category>
		<category><![CDATA[Era bruto e sem graça]]></category>
		<category><![CDATA[esta indiferença irremovível]]></category>
		<category><![CDATA[Grupos de rapazes inteiramente molhados]]></category>
		<category><![CDATA[Humberto de Campos]]></category>
		<category><![CDATA[lugar para crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Mas são arrastados]]></category>
		<category><![CDATA[melhor]]></category>
		<category><![CDATA[na terra em que passei a parte mais interessante da minha infância]]></category>
		<category><![CDATA[não reservava]]></category>
		<category><![CDATA[O Carnaval do meu tempo]]></category>
		<category><![CDATA[O Carnaval em Parnaíba]]></category>
		<category><![CDATA[O limão de cheiro representa uma conquista considerável no entrudo carnavalesco]]></category>
		<category><![CDATA[O mais antigo de que me resta lembrança é o de 1894]]></category>
		<category><![CDATA[os mais espertos se metem na cama embrulhados]]></category>
		<category><![CDATA[Para escapar à ferocidade dos atacantes]]></category>
		<category><![CDATA[para junto do poço no quintal ou para junto do barril no banheiro]]></category>
		<category><![CDATA[percorrem as ruas]]></category>
		<category><![CDATA[por dentro]]></category>
		<category><![CDATA[por ele]]></category>
		<category><![CDATA[Por que haverá da minha parte]]></category>
		<category><![CDATA[Por que me paga ele essa indiferença com um desprezo frio e superior]]></category>
		<category><![CDATA[puxam-no para a cozinha]]></category>
		<category><![CDATA[que os olhos desvendam ou]]></category>
		<category><![CDATA[recomendada pela moralidade dos costumes]]></category>
		<category><![CDATA[refletindo que é esse o único dia em que são permitidos certos contatos]]></category>
		<category><![CDATA[sentidos na luta corpo a corpo entre rapazes e moças]]></category>
		<category><![CDATA[simulando enfermidade grave]]></category>
		<category><![CDATA[tamanha é a camada de fuligem que traz na cara e na roupa molhada]]></category>
		<category><![CDATA[tendo ao lado uma sacola de anilina. Dirigem-se]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.opiagui.com.br/?p=2213</guid>
		<description><![CDATA[

            Carnaval!&#8230; Carnaval!&#8230; Por que haverá da minha parte, por ele, esta indiferença irremovível? Por que me paga ele essa indiferença com um desprezo frio e superior? Procuro em mim mesmo as origens dessa antipatia recíproca e mal disfarçada, e vou encontrá-la na minha infância de menino solitário, órfão e pobre, jamais convidado para tomar parte nas festas alheias.
            O Carnaval do meu tempo, na terra em que passei a parte mais interessante da minha infância, não reservava, aliás, lugar para crianças. Era bruto e sem graça, e não se ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<div id="attachment_2214" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2214" title="Humberto de Campos - O Carnaval em Parnaíba" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/10/Humberto-de-Campos-O-Carnaval-em-Parnaíba-300x244.jpg" alt="Caricatura: Mauro Júnior" width="300" height="244" /><p class="wp-caption-text">Caricatura: Mauro Júnior</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Carnaval!&#8230; Carnaval!&#8230; Por que haverá da minha parte, por ele, esta indiferença irremovível? Por que me paga ele essa indiferença com um desprezo frio e superior? Procuro em mim mesmo as origens dessa antipatia recíproca e mal disfarçada, e vou encontrá-la na minha infância de menino solitário, órfão e pobre, jamais convidado para tomar parte nas festas alheias.<br />
            O Carnaval do meu tempo, na terra em que passei a parte mais interessante da minha infância, não reservava, aliás, lugar para crianças. Era bruto e sem graça, e não se assinalava senão pela violência do entrudo. O mais antigo de que me resta lembrança é o de 1894, em Parnaíba. Grupos de rapazes inteiramente molhados, percorrem as ruas, tendo ao lado uma sacola de anilina. Dirigem-se, de preferência, às casas em que há moças. À sua aproximação, as portas se fecham, e são reforçadas, por dentro, com as trancas de madeira e com os ferrolhos mais seguros. Eles forçam, porém, as janelas, ou pulam as cercas e os muros, e caem de assalto sobre a família toda. Velhos e moços, patrões e criados, são arrastados para junto dos poços ou dos barris d’água, e o banho é completo, com o sacramento de alguns punhados de anil ou de anilina. Velhas contas são liquidadas nesse dia. Ameaças de um ano inteiro são cumpridas nessa hora. E melhor se compreende essa fúria, refletindo que é esse o único dia em que são permitidos certos contatos, sentidos na luta corpo a corpo entre rapazes e moças, e a ocasião única em todo o ano, que os olhos desvendam ou, melhor, adivinham, certas plásticas através dos vestidos que a água ajustou em contornos. Para escapar à ferocidade dos atacantes, os mais espertos se metem na cama embrulhados, simulando enfermidade grave. Mas são arrastados, assim mesmo, de gorro e camisolão, para junto do poço no quintal ou para junto do barril no banheiro, e, aí, batizados, debaixo da gritaria. A família atacada defende-se heroicamente com a tisna das paneladas. Se as moças são muitas, e às vezes se reúnem para isso, agarram um dos invasores, puxam-no para a cozinha, e de tal modo sai ele de lá que parece ter descido pela chaminé, tamanha é a camada de fuligem que traz na cara e na roupa molhada. Refugiadas em um canto da casa, as crianças gritam, choram, sapateiam, apavoradas com a presença daqueles demônios negros que lhes querem destruir os parentes.<br />
            Em 1895 o entrudo sofreu uma alteração considerável, recomendada pela moralidade dos costumes. Para evitar os atritos, as lutas corporais que tanto preocupavam os pais e maridos, instituiu-se o <em>chuveiro</em>. O <em>chuveiro</em> era um canudo de lata, medindo um metro, às vezes mais, de comprimento, e com forma de uma seringa de injeção. A sua propriedade consistia em manter o entrudo à distância. Com ele, o folião lançava o jato d’água por cima das janelas mais altas, inundando as salas, e perseguia a presa, seringando-lhe a carga do <em>chuveiro</em>, aplicando-lhe, assim, um banho, sem recurso do atracão. Mas o regime do <em>chuveiro</em> durou pouco, porque, em 1896, o <em>limão de cheiro</em>, ou <em>cabacinha</em> dominava inteiramente o Carnaval parnaibano.<br />
            O <em>limão de cheiro</em> representa uma conquista considerável no entrudo carnavalesco, em todo o Norte. A emigração para a Amazônia, de onde os rapazes mandavam às famílias rígidos blocos de borracha, facilitava grandemente o surto da indústria. Não havia casa, então, em que não se trabalhasse nervosamente no preparo dessa amável engenho de guerra. Sentados em torno à mesa de jantar, ou, no chão, sobre uma esteira de carnaúba, moças e senhoras entregavam-se alegremente à confecção dos <em>limões</em>. No centro da mesa ou da esteira, grandes bacias com água colorida, vermelha uma, verde outra; esta azul, aquela roxa ou amarela, a que se adicionava um pouco de perfume. Com um canivete afiado, cortavam-se as lâminas de borracha. As moças de bons dentes mordicavam então a orla dessas lâminas, prendendo-as, fabricando dessa maneira pequeninas bolsas. Com uma seringa, outras a iam enchendo de água anilinada e cheirosa. Com os dentes, fechava-se o orifício. E estava pronto o <em>limão de cheiro</em>, o qual, posto à venda, custava  precisamente&#8230; um vintém!<br />
            A produção era enorme, mas as encomendas ainda eram maiores. Por isso, formavam-se grupos de rapazes, que compravam os <em>limões de cheiro</em> desde alguns dias antes, e os conservavam em bacias com água. Certa vez, mesmo, um dos grupos mais fortes acumulou  alguns milhares deles, que ficaram guardados em um quarto do hotel Borges, no largo da Matriz. As moças das vizinhanças souberam, porém, dessa provisão,e, penetrando nesse quarto, furaram todos os <em>limões </em>com alfinetes. E quando os foliões chegaram para prover-se, não encontraram senão algumas bacias de água colorida! Por esse tempo, havia sido inaugurado o entrudo a cavalo. Cidade arenosa, e então sem calçamento, Parnaíba oferecia uma resistência feroz a quem pretendia percorrê-la a pé. Os rapazes mais elegantes transferiram-se, assim, da infantaria para a cavalaria, levando a tiracolo vastas sacolas com <em>limões de cheiro</em>, com os quais travavam combates com as moças, que respondiam com os mesmo projéteis, debruçadas nas janelas. Como as casas da cidade eram quase todas caiadas, é de imaginar como ficavam de anilina. Em 1900 ou 1901 apareceu, finalmente, o <em>confeti</em>, que ali chegou, pelo correio, em um pacote de dois quilos, mas teve, de pronto, imitação, em outro, de forma triangular, feito a tesoura, com papel áspero e colorido. Referiam-se os rapazes espirituosos da cidade que a primeira partida de <em>confeti</em> que foi ter a Parnaíba, era de cor amarela e teve um destino inesperado. A família que o recebeu supôs que se tratasse de <em>estrelinhas</em> para sopa, e tomou-a toda no jantar&#8230;<br />
            Quanto ao Carnaval, propriamente dito, só me recordo de ter visto, nas ruas, indivíduos fantasiados de <em>alma</em> e de <em>morcego</em>. Certa vez formou-se um cortejo de cavaleiros fantasiados. O tumulto foi, porém, tamanho, que a cavalhada não saiu da rua Grande. O <em>Zé Pereira</em>, porém, nunca faltou, com toda a fúria do seu bombo e dos seus metais.<br />
            Quanto a mim, só me <em>fantasiei</em>, em toda a minha vida, uma vez, sem contar as que, depois, me apresentei em público metido no fardão da Academia. Foi em 1898, se bem lembro, tinha feito onze anos, e arranjei, para vestir-me, uma calça velha de um dos meus tios, cujas bainhas dobrei como pude. Um paletó velho, que me vinha quase aos pés, umas botinas de homem, e um chapéu de carnaúba, completavam a minha elegância. No rosto, uma feia máscara, de quatrocentos réis. À mão, um chiqueirador. Saímos, eu e uns seis ou sete molecotes, da casa de uma lavadeira à rua, senti uma vergonha tão grande do meu ridículo, assaltou-me de tal maneira a consciência da minha falta de espírito, ameaçando todo mundo com o meu chiqueirador, que ao chegar à esquina voltei na carreira, retomando o meu vestuário comum. E nunca mais me meti em outra aventura que me desfigura-se a individualidade, – exceção feita dos três anos e tanto que andei fantasiado de deputado. <em> </em> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Humberto de Campos, 1935</strong> </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.opiagui.com.br/2010/02/o-carnaval-em-parnaiba/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Padre Cícero no seu meio sócio-cultural</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2010/01/padre-cicero-no-seu-meio-socio-cultural/</link>
		<comments>http://www.opiagui.com.br/2010/01/padre-cicero-no-seu-meio-socio-cultural/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 15:10:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Textos Históricos]]></category>
		<category><![CDATA[Cariri]]></category>
		<category><![CDATA[Ceará]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Epístola aos Romanos]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus]]></category>
		<category><![CDATA[Juazeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Sucupira]]></category>
		<category><![CDATA[Padre Cícero no seu meio sócio-cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Padre Cícero Romão Batista]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.opiagui.com.br/?p=3126</guid>
		<description><![CDATA[

              Difícil, sobremodo, se não por vezes impossível é a manifestação da justiça dos homens. Daí a sentença divina: “Não julgueis”, conforme se lê em Lucas, cap. VI e Mateus, cap. VII. E o próprio Deus desumano, ao ser solicitado a julgar a adúltera, apanha em flagrante, crime que a lei judaica punia com a lapidação em praça pública. Não se quis manifestar expressamente, limitou-se a fazer riscos na areia e a convidar os acusadores a que lançassem a primeira pedra os que, dentre eles, se julgassem imunes de pecado.
              ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-3128" title="Padre Cícero" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Padre-Cícero-114x300.jpg" alt="Padre Cícero" width="114" height="300" />              Difícil, sobremodo, se não por vezes impossível é a manifestação da justiça dos homens. Daí a sentença divina: “Não julgueis”, conforme se lê em Lucas, cap. VI e Mateus, cap. VII. E o próprio Deus desumano, ao ser solicitado a julgar a adúltera, apanha em flagrante, crime que a lei judaica punia com a lapidação em praça pública. Não se quis manifestar expressamente, limitou-se a fazer riscos na areia e a convidar os acusadores a que lançassem a primeira pedra os que, dentre eles, se julgassem imunes de pecado.<br />
              São Paulo, na sua Epístola aos Romanos, apresenta os perigos a que se expõe o autor de juízos apresados e pergunta; “Por que julgas teus irmãos”, isso depois de haver avançado, no capítulo III, que “todo homem é mentiroso”.<br />
              Não será impertinência ver, na admoestação de Jesus, de não poder um cego guiar outro cego, oferecida por Lucas no cap. VI do seu Evangelho, uma alusão à justiça dos romanos, representada por uma mulher de olhos vendados? Se um cego não pode guiar outro cego, como pode um juiz decidir às escuras ou às apalpadelas?<br />
              É de consenso universal dar-se como perfeita a justiça de Salomão, narrada no cap. 3.º do III Livro dos Reis, a propósito da competição de duas mulheres públicas em torno de uma criança cuja maternidade ambas disputavam. No entanto, examinando o caso à distancia e sem preconceitos, o que se conclui é que o rei juiz deixou-se levar pelas aparências, não entretanto no fundo da questão. Sua sentença poderia ter sido injusta se houvesse funcionado, na disputa, o fingimento.<br />
              Se difícil é julgar os atos dos homens, muito mais difícil é trazer à balança da justiça os seus sentimentos. Quanto mistério num pensamento, quanta surpresa num coração, quanta grandeza num sentimento, quanta miséria numa sensação! E as cadeias que impedem a alma impotente e escrava de traduzir com os lábios o que procura dizer, e de extravasar no papel o que a mão não escreve?<br />
              O homem, como disse Jesus, é um caniço agitado pelo vento. E a observação mostra à sociedade que os fatos mais triviais implicam, normalmente complicados, problemas na existência humana. Diz a sabedoria que o homem se agita e Deus o conduz. E é justamente nessa agitação que se encontra a semântica do processo universal das sociedades.<br />
              É dessa agitação do homem que se forma a trama inexplicável de papéis sociais assumidos pelos indivíduos e, através destes, pelos grupos. À paz e a guerra, a ciência criadora e a ciência destruidora, os atos de prepotência ou corrupção e as manifestação de sabedoria e amor resultam da influência, das ideias, dos interesses, das aspirações do ser humano, que, para atingir seus objetivos, recorre aos quadros sociais, onde encontra oportunidade para realizar-se em toda a sua plenitude.<br />
              Daí a dificuldade e por que não dizer? A impossibilidade de um julgamento exato sobre as ações humanas, sejam coletivas sejam particulares, pois implicam qualquer atitude na distinção dos vários níveis que assinalam certas decisões, na essência livres, mas, na sua realização, submetidas a determinismos relativos. Daí a conclusão de Gurvitch de que, na compreensão da realidade social, tem-se que admitir uma superposição de planos submetidos a um determinismo mais ou menos flexível, repousando sobre o solo vulcânico, onde se agita o que há de espontâneo e inesperado na vida coletiva, como são as condutas criadoras, as ideias e valores, os estados mentais e atos psíquicos.    <br />
              Em face dos acontecimentos, o juiz, no caso do sociólogo ou o historiador, precisa compenetrar-se de que é homem e não possui o dom da perfeição e o carisma da infantilidade.<br />
              Colocando diante de nós, sob a luz de refletores, mas aperfeiçoados, a figura polêmica do Padre Cícero Romão Batista, sobre quem tanto se tem falado e de quem muito ainda há de se falar, o Exmo. Sr. Arcebispo, D. José de Medeiros  Delgado, quer aproveitar a data centenária de sua ordenação sacerdotal para que, através de uma pesquisa em torno de sua figura, se consiga atingir um grau de conhecimento mais perfeito do indiscutivelmente prodigioso comportamento do hoje consagrado Patriarca de Juazeiro.<br />
              Para tanto convocou “a quantos possam contribuir para uma pesquisa que leve, senão a uma consagração definitiva, pelo menos a uma definição mais forte com a realidade” que envolveu e celebrizou aquele sacerdote.<br />
              Não se pode negar ser isso uma tarefa ingente, máximo tendo-se em vista uma insegurança dos documentos, a dubiedade da tradição, o desencontro dos testemunhos e a própria atuação do Padre Cícero, que nunca se abriu inteiramente aos que o observavam, preferindo, como acentua Dom José Delgado, recolher-se a “martírio silencioso diante de toda sorte de ataques e injúrias que sofreu pela vida afora”.<br />
              Para muitos que estudaram a personalidade do Padre Cícero, não foi ele mais que uma obra plástica da ambiência, deixando-se dominar pelo meio em que se instalou, e passando a agir como simples reflexo da atmosfera em que vivia.<br />
              Mas, um exame acurado daquela personalidade, uma observação bem amadurecida dos seus produtos leva à conclusão de que, ao invés de curvar-se e ceder às determinações mesológicas, exerceu o Padre Cícero uma ação sobre o seu meio, o que não significa alheamento às suas injunções e compreensão das suas imposições.  <br />
              Apesar da uberdade prodigiosa que caracteriza o vale do Cariri, os seus povoadores, como afirmou Antônio Bezerra, eram, na sua generalidade, de caráter insubmisso e de más estranhas, mostrando-o o número sem conta de cruzes plantadas pelas estradas e veredas, devidas a assassínio à tradição, à índole daquela gente, esclarecendo mais: “Cabra de cacho na testa, não precisa perguntar, é cangaceiro afeito ao crime”.<br />
              No lugar em que depois surgiu o povoado que se denominou Juazeiro, por motivo de ali existir um frondoso pé dessa ramácea, que oferecia abrigo aos camboeiros que percorria a estrada Missão Velha Crato, encontrava-se o sítio Taboleiro Grande de propriedade do Padre Pedro Ribeiro da Silva. Em 15 de setembro de 1827 fez construir ali uma capela sob a invocação de Nossa Senhora das Dores, à qual, por sua morte, doou o mencionado sítio.<br />
              Outros padres foram designados para a criada capelania, até que em 1872 veio ela cair em mãos do padre Cícero Romão Batista. Apesar da presença daqueles sacerdotes, as condições morais da povoação eram reprováveis, o que prova que não conseguiram eles exercer, sobre o meio nascente, qualquer influência benéfica. Excluídas algumas poucas famílias morigeradas, timbravam os habitantes do lugarejo na prática de crimes e desordens, antro de malfeitores analfabetos e violentos, entregues à embriaguez e acreditando em feitiçarias, herança dos antepassados indígenas. <br />
              Como já sucedera com seus antecessores o Padre Cícero poderia ter-se conformado com a situação, anular-se diante da consciência coletiva, aceitar os fatos consumados e comodamente limitar-se ao exercício de uma rotina espiritual reduzida, o que seria muito suave para ele e melhor ainda para a escória social que o cercava, amante do álcool e do samba, que preferia a faca à cinta em vez do crucifixo ao pescoço.<br />
              Homenagem de elevada cultura para o tempo, tendo adquirido um lastro bem sólido de conhecimentos intelectuais, como ótimo aluno que foi de Hist. de Geog. E Teologia no Seminário de Fortaleza, trazendo no espírito a sólida intenção de conquistar almas para Deus e cidadãos para a Pátria, dispõe-se a transformar aquele meio através de um trabalho de catequese aprimorado ao tempo e às pessoas, misturado de persuasão e de energia, e que, para se fazer notado e influir, exigia uma propedêutica de certo modo espetacular. Dois caminhos poderiam modificar o caráter insubmisso daqueles grupos de certo modo heterogêneos, de formação psico-social desordenada: o da violência, preferido pelos poderes públicos e de resultados sempre deploráveis, como aconteceu em Canudos, e o do misticismo, de que se tornara modelo o Padre Ibiapina. Homem de estudo e de meditação, dispo-se ao Padre Cícero a adotar o segundo. Para isso teve que preparar-se interiormente e notar-se notado exteriormente. O Padre Azarias Sobreira diz que lê, fervoroso admirador dos Jesuítas,  no amansar e civilizar os silvícolas, procurou seguir-lhes as pegadas, entusiasta e resoluto. Associação a ação à oração, mortificava-se como os monges de Tabaida; exauri-se em jejuns e penitências; não encarava sacrifícios nem sofrimentos para socorrer os necessitados de amparo material ou espiritual; desprezava o mais comezinho conforto pessoal; descuidava-se das suas vestes e nenhum atrativo exterior, por mais modesto que fosse, lhe despertava a atenção. Assim tornou-se alvo da atenção geral? Passou a ser olhado com admiração e a ser ouvido com docilidade; criou em seu redor um halo de veneração, e através da sua palavra e dos seus exemplos conseguiu, por meio da exacerbação religiosa do povo, difundir a fé, transmudar os costumes, eliminar as contendas, tornando-se, ao mesmo tempo, oráculo e guia, médico de almas e corpos, cuja fama transbordante exorbitou os limites do seu pobre burgo e espraiou-se, com ímpetos de maré enchente, pelos sertões a dentro.  <br />
              A primeira impressão que temos, cada vez que nos aproximamos da figura do padre Cícero nesse quadro do seu triunfo missionário, é que se deixou ele dominar pela atrasada cultura das populações sertanejas, trabalhadas pelas superstições indo africanas e mergulhadas numa fase de sincretismo religioso, atraídas pelos fenômenos que envolvem o mistério e vendo milagres em qualquer acontecimento inexplicável à primeira vista. Bem diferente, porém, é a conclusão quando se estuda de perto a construção intelectual e a estrutura espiritual do capelão de Juazeiro.<br />
              Desde cedo não lhe descurou a família a freqüência escolar, tanto assim que, aos seis anos, já recebia lições do mestre-escola Rufino, estabelecido na cidade do Crato. Outros professores teve até os 16 anos, quando se matriculou no colégio dirigido, em Cajazeiras, Paraíba, pelo padre Inácio Rolim, de renome em toda região. Atendendo à vocação sacerdotal, manifestada desde a infância, ingressou no dia 4 de Abril de 1865 no Seminário de Fortaleza, fundado apenas um ano atrás. Ali pontificavam mestres  do mais fino louvor  cultural, padres lazaristas, formados sob a influência das letras francesas, testemunhas e partícipes dos entre-choques entre os jansenistas e jesuítas, armados cavaleiros para as investidas levadas a efeitos contra a igreja pelos iluministas, racionalistas e naturalistas, de que eram figuras representativas Voltaire e Rousseau. Não fugiam, porém a um destacado espírito de ascetismo, resquício da educação jansenista, condenando as amizades íntimas, as afeições duráveis. Indubitavelmente essa formação austera mais desenvolveu, no Padre Cícero, os pendores místicos e a atração para a penitência, já manifestados na primeira idade,quando ele, na hora das refeições, se deixava ficar na igreja, entregue a ferventes preces.<br />
              O Seminário de Fortaleza representou para a época uma espécie de escola superior, tal o programa de ensino, a competência do professorado e a excelência dos estudos. Verdadeiro foco de luz na apagada vida cultural da pequena cidade, ele passou a atrair as inteligências ansiosas de conhecimentos intelectuais. Daí decorre registrar a sua história, no seu primeiro quartel do funcionamento, a passagem, pelos seus bancos, de vultos dos mais ilustres nas letras, nas ciências e na política do Ceará.<br />
              Graças a essa situação inigualável do Seminário, encontrou nele o Padre Cícero condições e oportunidade para aprofundar os conhecimentos já conseguidos, ao mesmo tempo em que adquiria outros indispensáveis aos seus anseios de aperfeiçoamento geral e necessários ao exercício da missão que se propunha a desempenhar. Além dos ensinamentos de seus admiráveis professores, desfrutou ainda o Padre Cícero de um convívio dos mais proveitosos com seus companheiros de estudos, os quais, pela distinção com que se houveram após a ordenação, ocuparam lugares destacados, quer nas atividades eclesiásticas propriamente ditas, quer noutros setores da vida social e política. Assim, entre as turmas de ordenados entre 1867 e 1870, sobrelevaram-se os seguintes sacerdotes.<br />
              Padre José Lourenço da Costa Aguiar, que foi o primeiro bispo do Amazonas, depois de ter ocupado o curato da Sé de Fortaleza e da Catedral de Belém. Deputado provincial pelo Amazonas, Provedor da Santa Casa de Belém, formou-se ainda em Direito Canônico, fundou o jornal “Tribuna Católica” de Fortaleza e era membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.<br />
              Padre Joaquim Antunes de Oliveira, cônego da Capela Imperial e vigário da Igreja de Santa Rita, no Rio; professor de Filosofia no Liceu do Rio Grande do Norte e membro do Instituto de Geografia e Arqueologia de Pernambuco.<br />
Padre Joaquim Romualdo de Holanda, cônego da Capela Imperial e vigário de Baturité, Acarape e Trairi, tendo falecido em S. Paulo. <br />
              Padre João Paulo Barbosa, vigário da Freguesia de S. Luís, em Fortaleza, a quem se deve, em grande parte, a construção da igreja do Patrocínio. Foi Inspetor Escolar e Diretor da Escola Normal de Fortaleza, além de professor do Liceu do Ceará. Pertenceu ao Centro Abolicionista. Designado cônego honorário da Catedral de Fortaleza, era orador sacro de renome, tendo pronunciado a Oração Fúnebre nas exéquias de D. Luís Antônio dos Santos. Foi um dos fundadores da União do Clero.<br />
              Padre Antônio Bezerra de Menezes, que, depois de curar paróquias no interior do Ceará, se transferiu para o Rio, ali sendo vigário de Santa Rita e Engenho Novo.<br />
              Padre Constantino Gomes de Matos, cura da Sé de Fortaleza e bispo do Rio Grande do Sul, honra de que declinou, preferindo ser visitador de ordens religiosas. Jornalista com atividade no Recife, Rio e Fortaleza, também se fez abolicionista fervoroso. Combateu rigorosamente a infiltração do Protestantismo que se iniciava no Ceará, com a pena e pela palavra.<br />
              Padre Antero José de Lima, que chegou a Monsenhor. Foi vigário no interior cearense, muito trabalhou durante a seca de 1877, e elegeu-se deputado provincial pelo Ceará. Após a proclamação da República, escolhido senador, chegou a ocupar a Presidência do Senado, como seu primeiro presidente.<br />
              Em contato demorado com essa plêiade talentosa de ótimos seminaristas e futuros valores humanos, não podia a aguçada curiosidade do Padre Cícero deixar de saciar-se, máxime era tido como um ledor infatigável, devorador dos numerosos livros que se iam enfileirando na biblioteca do Seminário, a maioria trazida da França e contendo o que havia de mais atualizado em assuntos filosóficos, teológicos, literários e de conhecimentos gerais.<br />
              Um espírito assim formado não podia jamais ser acoitado de escassez intelectual ou desprovido dos meios apropriados para atuar em qualquer meio social. É verdade que nele predominava uma certa tendência para o misticismo, o que não significa deficiência intelectual, pois disso também padeceram eminentes vultos da humanidade. E quanto ao fato de ter andado às voltas com sonhos e visões, uma das quais o levou à determinação de fixar-se definitivamente em Juazeiro, não há nisso nenhuma demonstração de fraqueza mental, pois são numerosos os testemunhos de grandes homens, cientistas e artistas, que atribuíram suas descobertas ou seus êxitos a insinuações misteriosas ou a inspirações inexplicáveis. Carl Jung, o grande psicanalista, que estudou a vida de muitos escritores, concluiu que as palavras algumas vezes lhe foram  impostas positivamente, a pena escrevendo coisas que os olhos percebiam com assombro. Essas visões inspiradoras tinham algo de tão misterioso como a fonte de que provinham. Sendo que muitas ocorriam durante estados de semiconsciência, enquanto outras manifestavam-se durante o sonho. Descartes confessava que deveu a um sonho a chave mágica que abriu o cofre da geometria analítica, novo e revolucionário instrumento para o estudo do espaço e do tempo. Banting, ainda obscuro estudante da Faculdade de Medicina da Universidade de Toronto, teve um sonho em 30 de outubro de 1920 que lhe indicou a fórmula para obtenção da insulina, graças à qual milhares de diabéticos podem hoje viver normalmente. Isaac Newton afirmava que deveu a uma voz misteriosa a descoberta da lei da gravitação, uma das mais importantes na história da ciência, e graças à qual foi possível a chegada do homem à lua. Goethe, o celebrado poeta alemão, não se pejava de dizer que sua inspiração ele encarava como dádiva inesperada do céu. Sócrates atribuía muitas das suas idéias a um demônio amigável. E agora, em nossos dias, Picasso, cujos quadros valem milhões, informa que, quando começa a pintar, alguém trabalha com ele.         <br />
              Não é difícil, pois, em face disso, compreender a obstinação do Padre Cícero em permanecer o pequeno lugarejo, que a visão lhe antecipava populoso e trepidante e que lhe era entregue por Jesus Cristo para dele tomar conta e incumbir-se da salvação de tanta gente.<br />
              E graças a essa obstinação, que venceu as forças da natureza, que se sobrepôs a vontade dos homens e que se viu na contingência de enfrentar a decisão da Hierarquia, é que se compreende o surgimento  e desenvolvimento do aglomerado humano que se fixou em Juazeiro. Ecologicamente não se explica o progresso urbano, do hoje importante centro carirense, comprimido entre duas grandes cidades bem servidas pela natureza, submetido à tirania da água, sem fartos recursos agrícolas. Apesar de tantos óbices, conquistou, de maneira explosiva, uma situação do mais alto relevo na economia cearense, apresentando-se como o maior centro industrial do Cariri, com um volume demográfico excedente ao da própria cidade do Crato, considerada a capital da região.<br />
              Uma tão admirável colméia humana, onde a atividade criadora se manifesta sob tantos aspectos, onde o comércio é intenso, as letras são cultivadas, a educação é bem desenvolvida, a vida social é trepidante, o movimento bancário é intenso, o bom gosto da classe alta é bem visível, com várias igrejas, numerosas escolas de todos os graus, ótimas comunicações urbanas e interurbanas, não pode ser resultado de um simples fluxo de pobres sertanejos, vindos de paragens distantes, incitados pelo mais rudimentar fanatismo. Temos de convir em que algo de supremo funcionou na transformação, em tão poucos anos, de um vilarejo pouco freqüentado numa das maiores cidades cearenses.<br />
              Diante dessa evolução extraordinária, seria interessante conhecer hoje a opinião de ilustre político e grande figura da intelectualidade patrícia que, há 32 anos passados, lamentava “terem resultados inúteis a imensa força e o prestígio, os maiores de que já dispôs um homem, neste país, em favor das populações que, por cerca de meio século, se prostraram ante o Padre Cícero”, acrescentando que, “a não ser um certo incremento de lavoura, nas regiões circunvizinhas, nem um outro benefício foi realizado pelas sucessivas ondas humanas que, durante décadas, se dobraram aos pés do taumaturgo sem par na história”.<br />
              Focalizando a pessoa do Padre Cícero, não quis julgá-lo nem submetê-lo ao julgamento dos coevos. Procurei apenas destacar a sua pessoa debaixo do aspecto sócio-cultural. A meu ver, é nesse terreno que se encontra e se destaca o caráter, mais significativo do chamado Patriarca do Juazeiro. Considerou-se ele depositário de uma estupefaciente missão: construir uma cidade – dar-lhe forma. Dar-lhe vida, dar-lhe grandeza. Para tanto sacrificou seus ideais missionários, seus interesses pessoais, suas afeições sacerdotais, a disciplina eclesiástica, sua própria liberdade de ação. Tudo o mais que pudesse acontecer com sua pessoa, ao redor de sua pessoas ou contra a sua pessoa deixou de ter significância para ele. Para compreendê-lo suficientemente, é preciso, como opina D. José Delgado, vê-lo de dentro para fora e não de fora para dentro, porque foi um homem de raras qualidades interiores. Essa era também a opinião  de D. Joaquim, em sua carta Pastoral de 25 de julho de 1894, quando dizia que o Padre Cícero era um homem de costumes puros, de passado sem mancha, inteiramente desprendido dos bens deste mundo, estimável por seus elevados sentimentos e incapaz de qualquer ação menos nobre”.<br />
              Para quem o olha de fora para dentro ele parece desmentir essas qualidades. Para quem via nele apenas o homem, ele não passava de um ambicioso. Para quem o encarava como taumaturgo, ele tinha aspecto sobrenatural. Hoje, com o passar dos tempos, com o amainar das paixões, com os recursos da sociologia do conhecimento, da psicologia e da psicanálise, muita coisa que parecia obscura na sua conduta, inexplicável nos seus atos e até injustificável nas suas decisões torna-se perfeitamente compreensível e faz que apareçam imortais as grandes linhas da sua perpétua fisionomia.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Luiz Sucupira, 1974</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.opiagui.com.br/2010/01/padre-cicero-no-seu-meio-socio-cultural/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Noite de Natal</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2009/12/noite-de-natal/</link>
		<comments>http://www.opiagui.com.br/2009/12/noite-de-natal/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Dec 2009 03:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Textos Históricos]]></category>
		<category><![CDATA[a Praia do Flamengo]]></category>
		<category><![CDATA[ao jardim da Glória]]></category>
		<category><![CDATA[arrancando sons semelhantes aos que soltam os fósforos riscados de súbito. Como perdi todos os meus amigos depois que deixei de ser deputado e os candidatos à Academia estejam agora dormindo]]></category>
		<category><![CDATA[de tanto carro que se movia célebre]]></category>
		<category><![CDATA[de tanto se fatigarem durante o dia]]></category>
		<category><![CDATA[e reconheci: era uma carroça da Limpeza Pública]]></category>
		<category><![CDATA[em direção à cidade. Automóveis passavam]]></category>
		<category><![CDATA[enquanto o carroceiro dormia em um banco próximo]]></category>
		<category><![CDATA[esta manhã]]></category>
		<category><![CDATA[este diálogo proveitoso e melancólico]]></category>
		<category><![CDATA[eu abandonei o livro que se achava aberto diante de mim e desci]]></category>
		<category><![CDATA[Humberto de Campos]]></category>
		<category><![CDATA[junto ao gramado que a chuva borrifara. Aproximei-me]]></category>
		<category><![CDATA[não encontrei nenhum conhecido pelo caminho. Ao chegar]]></category>
		<category><![CDATA[Noite de Natal]]></category>
		<category><![CDATA[notei que no meio de tanta cousa dinâmica]]></category>
		<category><![CDATA[parado]]></category>
		<category><![CDATA[pelo asfalto molhado]]></category>
		<category><![CDATA[porém]]></category>
		<category><![CDATA[puxada por um burro. E foi com este que travei]]></category>
		<category><![CDATA[quando os galos dos quintais vizinhos cantaram pela primeira vez]]></category>
		<category><![CDATA[rápidos]]></category>
		<category><![CDATA[sozinho]]></category>
		<category><![CDATA[um veículo havia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.opiagui.com.br/?p=2827</guid>
		<description><![CDATA[

              Esta manhã, quando os galos dos quintais vizinhos cantaram pela primeira vez, eu abandonei o livro que se achava aberto diante de mim e desci, sozinho, a Praia do Flamengo, em direção à cidade. Automóveis passavam, rápidos, pelo asfalto molhado, arrancando sons semelhantes aos que soltam os fósforos riscados de súbito. Como perdi todos os meus amigos depois que deixei de ser deputado e os candidatos à Academia estejam agora dormindo, de tanto se fatigarem durante o dia, não encontrei nenhum conhecido pelo caminho. Ao chegar, porém, ao jardim da ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<div id="attachment_2828" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2828" title="0000271790-005" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/12/0000271790-005-300x196.jpg" alt="Foto: Micheline Pelletier/Sygma/Corbis" width="300" height="196" /><p class="wp-caption-text">Foto: Micheline Pelletier/Sygma/Corbis</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Esta manhã, quando os galos dos quintais vizinhos cantaram pela primeira vez, eu abandonei o livro que se achava aberto diante de mim e desci, sozinho, a Praia do Flamengo, em direção à cidade. Automóveis passavam, rápidos, pelo asfalto molhado, arrancando sons semelhantes aos que soltam os fósforos riscados de súbito. Como perdi todos os meus amigos depois que deixei de ser deputado e os candidatos à Academia estejam agora dormindo, de tanto se fatigarem durante o dia, não encontrei nenhum conhecido pelo caminho. Ao chegar, porém, ao jardim da Glória, notei que no meio de tanta cousa dinâmica, de tanto carro que se movia célebre, um veículo havia, parado, junto ao gramado que a chuva borrifara. Aproximei-me, e reconheci: era uma carroça da Limpeza Pública, puxada por um burro. E foi com este que travei, enquanto o carroceiro dormia em um banco próximo, este diálogo proveitoso e melancólico.<br />
              EU – Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, amigo burro!<br />
              ELE – Para sempre seja louvado, meu senhor&#8230; Como passa Vossa Excelência?<br />
              EU – Excelência, não; não me trate mais assim; eu não sou mais congressista&#8230;<br />
              ELE – Mas é da Academia&#8230; os acadêmicos têm direito a esse tratamento&#8230;<br />
              EU – Têm; mas, tratemo-nos como seu eu fosse burro ou você fosse acadêmico: tratemo-nos por “você”.<br />
              ELE – Está combinado. Mas que faz você por aqui, sozinho? Não sabe que hoje é noite de Natal, isto é, a noite mais feliz da cristandade?<br />
              EU – Noite feliz, para os felizes. E eu passei, já, a idade em que os homens têm paladar para o vinho da felicidade. Para ser feliz é preciso ser simples. E eu tenho o espírito emaranhado de dúvidas e o coração fervilhante de interrogações complicadas.<br />
              ELE – Pois não sabe o que perde com isso. Eu, de mim, confesso que sou ainda o mesmo animal do tempo em que Jesus nasceu. Fui testemunha desse acontecimento, em Nazaré. Escutei o primeiro vagido do Deus-menino, e vi-o sugar o primeiro gole de leite. Para que o seu leito fosse mais fofo, e o seu sono mais doce, não toquei na minha ração de palha, na manjedoura. Vi chegar os camelos dos Reis Magos e, quando se soube da perseguição de Herodes, foi no meu dorso que Ele fugiu para o Egito, no colo materno. Deixei-o pequenino, e, quando o vi de novo, era homem, ou, melhor, era Deus. E foi ainda montado em mim que Ele, entre palmas e aleluias, entrou em Jerusalém.<br />
              EU – É, assim, um quadrúpede ilustre. Tem o nome na História Sagrada&#8230;<br />
              ELE – Tenho, sim. Acompanhei Jesus do Presepe à cidade em que ele devia ser crucificado. Os outros animais – o camelo, o boi, o carneiro, – só apareceram no início da carreira do reformador do mundo. São companheiros das horas boas, na alvorada dos destinos. Viu você o que fez aquele nosso colega&#8230;<br />
             EU – Que colega?<br />
             ELE – O camelo.<br />
              EU – Ahn&#8230;<br />
              ELE – Apareceu quando havia ouro, incenso e mirra&#8230; Quando chegou, porém, a hora da adversidade, não se falou mais nele. Eu, não; eu fui, e sou, um animal de caráter.<br />
             EU – É burro&#8230;<br />
             ELE – E, no entanto, como você sabe, não há notícia da existência de um burro no céu! Porque fui amigo d’Ele até a hora do martírio, sofri toda a sorte de humilhações. Sou o escárnio dos séculos, o quadrúpede irrisório e desprezível. Os outros, que o abandonaram na hora má, unindo-se aos fariseus, viram-se premiados por estes, que fecharam os olhos ao que eles foram. Mas, volte Jesus ao mundo, e verá você uma cousa: o carneiro, o camelo e o boi voltarão às suas boas graças, alegando que se achavam aliados ao inimigo por conveniência e disfarce, e porque não podiam viver sem o capim das estrebarias de Herodes; enquanto que eu, – coitado de mim! – continuarei o mesmo: não terei, sequer, um aperto de pata!<br />
             EU – Sabe por que acontece isso?<br />
             ELE – Não.<br />
             EU – É porque você é burro!<br />
 Nesse momento, despertado pela buzina de um automóvel, o carroceiro moveu-se no banco. O burro afilou as orelhas.<br />
              ELE – Você quer um conselho?<br />
              EU – Diga.<br />
              ELE – Nunca se faça de burro na vida. Não assista ao nascimento de Deus nenhum. Não o carregue às costas. Não se interponha entre ele e os que o perseguirem. Nem entre com ele em Jerusalém. Os Deuses são Deuses, mas&#8230;<br />
              EU – Diga o resto.<br />
              ELE – Acabam, como aquele que eu acompanhei, suando sangue, subindo o Calvário&#8230;<br />
              Um galo cantou longe, anunciando a manhã. E todos os galos da cidade, acordados de súbito, responderam numa apoteose sonora, saudando o Sol, que ia nascer&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Humberto de Campos, 1933</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.opiagui.com.br/2009/12/noite-de-natal/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Tesouro dos Piratas</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2009/11/o-tesouro-dos-piratas/</link>
		<comments>http://www.opiagui.com.br/2009/11/o-tesouro-dos-piratas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 04:37:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Textos Históricos]]></category>
		<category><![CDATA[1966]]></category>
		<category><![CDATA[A tripulação do “Jamaica” era composta de 40 homens de várias nacionalidades onde predominava italianos e espanhóis]]></category>
		<category><![CDATA[a vida dele e de seus amigos nos outros Estados]]></category>
		<category><![CDATA[A Vila de Luís Correia não tinha por essa época habitantes fixos]]></category>
		<category><![CDATA[Ademar Gonçalves Neves Filho]]></category>
		<category><![CDATA[ainda mais]]></category>
		<category><![CDATA[Ao finalizar disse: “provamos assim a origem de nossa fortuna]]></category>
		<category><![CDATA[Após três meses]]></category>
		<category><![CDATA[após voltarem da pescaria cotidiana]]></category>
		<category><![CDATA[cada um tomou rumo diferente]]></category>
		<category><![CDATA[Com o decorrer dos anos foram se firmando]]></category>
		<category><![CDATA[conseguiram retirar o tesouro]]></category>
		<category><![CDATA[contando para os amigos e filhos a história do tesouro dos piratas]]></category>
		<category><![CDATA[Dentro de uma mala de couro eles encontraram as moedas de ouro e muitas jóias]]></category>
		<category><![CDATA[Depois da invasão e saque das casas os piratas verificaram o erro cometido]]></category>
		<category><![CDATA[Depois de uns trinta anos]]></category>
		<category><![CDATA[Diariamente]]></category>
		<category><![CDATA[durante 4 horas por dia]]></category>
		<category><![CDATA[e]]></category>
		<category><![CDATA[eles se revezavam nos mergulhos no fundo do mar]]></category>
		<category><![CDATA[eram famílias abastadas de Parnaíba que todos os anos passavam ali o mês de dezembro veraneando]]></category>
		<category><![CDATA[fazendo conceito e educando os filhos nos melhores colégios]]></category>
		<category><![CDATA[felizes vivem naquele Porto]]></category>
		<category><![CDATA[Foi aí que ela teve a ideia de escrever a Zé do Barro contando o que estava ocorrendo]]></category>
		<category><![CDATA[Foram absolvidos e]]></category>
		<category><![CDATA[foram infelizes]]></category>
		<category><![CDATA[fundeou em Amarração]]></category>
		<category><![CDATA[hoje Porto de Luís Correia]]></category>
		<category><![CDATA[Lúcia se recusava aos galanteios do granfino foi por este raptada e jogada num cubículo de mariposas]]></category>
		<category><![CDATA[mas]]></category>
		<category><![CDATA[movido pela saudade]]></category>
		<category><![CDATA[Na noite de Natal do ano de 1830]]></category>
		<category><![CDATA[não ficou ninguém para contar a história]]></category>
		<category><![CDATA[Naquela noite umas cem pessoas entre rapazes e moças dançavam alegremente ao ar livre sob um luar maravilhoso]]></category>
		<category><![CDATA[Nesse dia os seus companheiros também ali se achavam presentes]]></category>
		<category><![CDATA[Nesse ínterim]]></category>
		<category><![CDATA[No dia seguinte as autoridades de Parnaíba souberam do ocorrido por intermédio de um pescador]]></category>
		<category><![CDATA[no Piauí]]></category>
		<category><![CDATA[o corsário “Jamaica”]]></category>
		<category><![CDATA[o povo que ali se encontrava nessa noite]]></category>
		<category><![CDATA[O Tesouro dos Piratas]]></category>
		<category><![CDATA[onde havia bebidas de toda espécie. Pela madrugada os piratas resolveram se retirar]]></category>
		<category><![CDATA[Os cinco pescadores dividiram entre si o tesouro secretamente]]></category>
		<category><![CDATA[Os piratas se aproximaram do Porto lentamente e de surpresa desembarcaram de sabre nas mãos e foram matando indistintamente moças]]></category>
		<category><![CDATA[para que não fossem descobertos]]></category>
		<category><![CDATA[Perante todo o Tribunal do Júri]]></category>
		<category><![CDATA[pois estavam cansados e desiludidos]]></category>
		<category><![CDATA[pois não havia dinheiro de vulto]]></category>
		<category><![CDATA[pois todos bêbados não souberam guiar o barco naquele porto cheio de bancos de areia... o barco foi à pique com toda sua tripulação]]></category>
		<category><![CDATA[porém]]></category>
		<category><![CDATA[quando já estavam quase desistindo]]></category>
		<category><![CDATA[que tudo assistira do alto de uma colina]]></category>
		<category><![CDATA[rapazes]]></category>
		<category><![CDATA[receberam homenagens das autoridades e do povo de Parnaíba]]></category>
		<category><![CDATA[resolveram então se banquetearem com a ceia muito farta que as famílias haviam organizado ao ar livre]]></category>
		<category><![CDATA[Resolveram se radicarem nesta cidade. Os seus descendentes]]></category>
		<category><![CDATA[resolveu voltar à Parnaíba]]></category>
		<category><![CDATA[são pescadores como eles em Luís Correia]]></category>
		<category><![CDATA[se tornando assim gente importante]]></category>
		<category><![CDATA[será que todos aqui presentes podem fazer o mesmo?]]></category>
		<category><![CDATA[um dos referidos ex-pescadores]]></category>
		<category><![CDATA[um pescador muito teimoso e de muita coragem resolveu em companhia de amigos localizar o barco para se apoderarem do tesouro]]></category>
		<category><![CDATA[um político muito importante]]></category>
		<category><![CDATA[velhos e crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Zé da Raposa que chegou à Parnaíba acompanhado de sua linda filha chamada Lúcia]]></category>
		<category><![CDATA[Zé do Barro conta cinematograficamente toda a história dos piratas e como conseguiram salvar o tesouro]]></category>
		<category><![CDATA[Zé do Barro era o nome desse pescador famoso]]></category>
		<category><![CDATA[Zé do Barro por esta época já tinha um filho formado em advocacia e casado com uma moça da alta sociedade do Ceará]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.opiagui.com.br/?p=2273</guid>
		<description><![CDATA[

             Na noite de Natal do ano de 1830, fundeou em Amarração, hoje Porto de Luís Correia, no Piauí, o corsário “Jamaica”.
             A Vila estava em festa. De longe os piratas julgaram se tratar de uma localidade rica, e, resolveram saqueá-la.
            A tripulação do “Jamaica” era composta de 40 homens de várias nacionalidades onde predominava italianos e espanhóis.
 Bem armados, traziam a bordo frutos de diversos assaltos, um tesouro calculado em mais de 20.000 dólares em moedas de ouro.
             A Vila de Luís Correia não tinha por essa época habitantes fixos, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<div id="attachment_2274" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2274" title="42-21472387" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Piratas-300x196.jpg" alt="Foto: Christopher Felver/Corbis" width="300" height="196" /><p class="wp-caption-text">Foto: Christopher Felver/Corbis</p></div>
<p style="text-align: justify;">             Na noite de Natal do ano de 1830, fundeou em Amarração, hoje Porto de Luís Correia, no Piauí, o corsário “Jamaica”.<br />
             A Vila estava em festa. De longe os piratas julgaram se tratar de uma localidade rica, e, resolveram saqueá-la.<br />
            A tripulação do “Jamaica” era composta de 40 homens de várias nacionalidades onde predominava italianos e espanhóis.<br />
 Bem armados, traziam a bordo frutos de diversos assaltos, um tesouro calculado em mais de 20.000 dólares em moedas de ouro.<br />
             A Vila de Luís Correia não tinha por essa época habitantes fixos, o povo que ali se encontrava nessa noite, eram famílias abastadas de Parnaíba que todos os anos passavam ali o mês de dezembro veraneando.<br />
            Naquela noite umas cem pessoas entre rapazes e moças dançavam alegremente ao ar livre sob um luar maravilhoso.<br />
           Os piratas se aproximaram do Porto lentamente e de surpresa desembarcaram de sabre nas mãos e foram matando indistintamente moças, rapazes, velhos e crianças, não ficou ninguém para contar a história. Depois da invasão e saque das casas os piratas verificaram o erro cometido, pois não havia dinheiro de vulto&#8230; resolveram então se banquetearem com a ceia muito farta que as famílias haviam organizado ao ar livre, onde havia bebidas de toda espécie. Pela madrugada os piratas resolveram se retirar, mas, foram infelizes, pois todos bêbados não souberam guiar o barco naquele porto cheio de bancos de areia&#8230; o barco foi à pique com toda sua tripulação.<br />
             No dia seguinte as autoridades de Parnaíba souberam do ocorrido por intermédio de um pescador, que tudo assistira do alto de uma colina. Foi um dia de luto e tristeza. Não houve uma só família da alta sociedade que não tivesse perdido um parente. Depois de feito a remoção dos corpos para o cemitério local, procuraram localizar o barco dos bandidos no fundo do mar.<br />
             Depois de várias tentativas as autoridades desistiram. Porém, um pescador muito teimoso e de muita coragem resolveu em companhia de amigos localizar o barco para se apoderarem do tesouro,  Zé do Barro era o nome desse pescador famoso. Diariamente, durante 4 horas por dia, após voltarem da pescaria cotidiana, eles se revezavam nos mergulhos no fundo do mar&#8230; Após três meses, quando já estavam quase desistindo, pois estavam cansados e desiludidos, conseguiram retirar o tesouro. Dentro de uma mala de couro eles encontraram as moedas de ouro e muitas jóias.<br />
              Os cinco pescadores dividiram entre si o tesouro secretamente, e, para que não fossem descobertos, cada um tomou rumo diferente. Zé do Barro foi para o Ceará; Luiz Cotó para o Maranhão; Pedro Milho para o Pará; Carlos Raposa para o R. G. do Norte e João Minhoca para o amazonas. Todos eram solteiros e foi fácil a partida.<br />
              Cada um em cada Estado para onde fora montaram logo uma casa de negócio. Prosperaram e se casaram. Nunca deram impressão de já serem ricos, mas, que prosperavam no pequeno negócio montado. Com o decorrer dos anos foram se firmando, fazendo conceito e educando os filhos nos melhores colégios, se tornando assim gente importante.<br />
              Depois de uns trinta anos, um dos referidos ex-pescadores, movido pela saudade, resolveu voltar à Parnaíba,  Zé da Raposa que chegou à Parnaíba acompanhado de sua linda filha chamada Lúcia. Os seus amigos e conhecidos que os julgavam mortos, pois partiram sem dar notícias para onde iam, ficaram intrigados ao vê-lo bem vestido e com ares de importante. Desse zum-zum veio a suspeita que eles tinham participado da carnificina de há trinta anos&#8230; Lúcia já estava sendo cobiçada por um granfino da cidade cujos primos tinham morrido naquela época. Como não conseguissem do Zé da Raposa com boa maneiras saber a origem de sua fortuna e o motivo que havia desaparecido com seus amigos, foi preso e espancado  para confessar tudo&#8230; Nesse ínterim, Lúcia se recusava aos galanteios do granfino foi por este raptada e jogada num cubículo de mariposas&#8230; Foi aí que ela teve a ideia de escrever a Zé do Barro contando o que estava ocorrendo.<br />
              Zé do Barro por esta época já tinha um filho formado em advocacia e casado com uma moça da alta sociedade do Ceará, um político muito importante. Como sabemos, Amarração pertencia por esta época ao Ceará&#8230; Zé do Barro embarca com o filho e o sogro para Parnaíba, acompanhado de mais dois Juristas de renome.<br />
              Foi o maior julgamento da história da cidade. Perante todo o Tribunal do Júri, Zé do Barro conta cinematograficamente toda a história dos piratas e como conseguiram salvar o tesouro, e, a vida dele e de seus amigos nos outros Estados. Nesse dia os seus companheiros também ali se achavam presentes. Ao finalizar disse: “provamos assim a origem de nossa fortuna, será que todos aqui presentes podem fazer o mesmo? Mesmo assim afirmo: tenho uma saudade louca dos meus tempos de pescador, quando era apenas o Zé do Barro”.<br />
              Logo a seguir o seu filho fez a defesa dentro da ética jurídica e pediu a condenação do moço rico Júlio que havia infelicitado a filha de Zé Raposa.<br />
             Foram absolvidos e, ainda mais, receberam homenagens das autoridades e do povo de Parnaíba. Resolveram se radicarem nesta cidade. Os seus descendentes, são pescadores como eles em Luís Correia, e, felizes vivem naquele Porto, contando para os amigos e filhos a história do tesouro dos piratas&#8230;</p>
<p align="center"><strong>Ademar Gonçalves Neves Filho, 1966</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.opiagui.com.br/2009/11/o-tesouro-dos-piratas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Proclamação da Independência do Brasil em Piracuruca</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2009/11/proclamacao-da-independencia-do-brasil-em-piracuruca/</link>
		<comments>http://www.opiagui.com.br/2009/11/proclamacao-da-independencia-do-brasil-em-piracuruca/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 03:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Textos Históricos]]></category>
		<category><![CDATA[a não termos mais que fazer]]></category>
		<category><![CDATA[acaso devemos nós consenti-lo]]></category>
		<category><![CDATA[Acaso será privilégio exclusivo dos europeus ou nos será preciso decorrer certo número de anos para adquirirmos esse direito]]></category>
		<category><![CDATA[Até quando malignas e espessas nuvens ofuscam as luzes do vosso entendimento]]></category>
		<category><![CDATA[cantando alegres hinos ao Senhor Deus dos exércitos]]></category>
		<category><![CDATA[cheios de uma nobre e generosa vaidade]]></category>
		<category><![CDATA[Concluída esta expedição]]></category>
		<category><![CDATA[dignai-vos atender as sinceras vozes de um patrício vosso]]></category>
		<category><![CDATA[entre vivas e aclamações]]></category>
		<category><![CDATA[esgotado com as contínuas levas de soldados para o Sul do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Este magnânimo liberal exemplo nos tem dado aqueles nossos Intrépidos irmãos e por que não os imitais]]></category>
		<category><![CDATA[Estes são os nossos desejos; mas se os nossos fascinados irmãos do Maranhão ou mesmo do Piauí persistirem teimosos em fazer a facção política ou desmembração do Império brasiliense e rebeldes aos decr]]></category>
		<category><![CDATA[exultando de gosto por sermos instrumentos da  liberdade de nossos irmãos]]></category>
		<category><![CDATA[grandes vantagens a dependência servil de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Imperador constitucional e seu perpétuo defensor]]></category>
		<category><![CDATA[isto em tudo e por tudo e não encontrareis nenhuma no comércio franco e liberal de todas as nações]]></category>
		<category><![CDATA[mil vezes não. Primeiro derramaremos a última gota do nosso sangue]]></category>
		<category><![CDATA[Não]]></category>
		<category><![CDATA[não é mais que um pretexto próprio só para se enganar gentes rudes]]></category>
		<category><![CDATA[Não sois europeus e seguis o seu partido com perigo evidente da vossa vida e com perda de honra]]></category>
		<category><![CDATA[No curto espaço de três dias tem visto crescer o duplo de seus soldados]]></category>
		<category><![CDATA[O meu coração se vê dilacerado pelo pungente punhal da mais intensa dor]]></category>
		<category><![CDATA[o que esperamos em brevíssimos dias]]></category>
		<category><![CDATA[Ofereço-vos]]></category>
		<category><![CDATA[Onde estão o brio e o patriotismo brasilienses; onde a honra e onde o dever]]></category>
		<category><![CDATA[onde todos têm sido sacrificados à Deusa da Liberdade Brasiliense]]></category>
		<category><![CDATA[pois vos sois brasileiros e recusais ao sr. Dom Pedro]]></category>
		<category><![CDATA[porventura]]></category>
		<category><![CDATA[Quanto aos exemplos de consciência que estes senhores e outros iguais nos metem]]></category>
		<category><![CDATA[que a nossa independência nos assegura? Torno a dizer: que estranha mania]]></category>
		<category><![CDATA[que esmaga suas cabeças com a mão armada do ferro com que pretendiam subjugar-nos]]></category>
		<category><![CDATA[que ignoram natureza dos contratos e o que eles obrigam]]></category>
		<category><![CDATA[que todo unicamente se dedica ao vosso bem presente e ainda mesmo futuro]]></category>
		<category><![CDATA[que tornam mais terríveis as suas forças]]></category>
		<category><![CDATA[Queridos irmãos que habitais as fecundas margens do caudaloso Parnaíba por um e outro lado]]></category>
		<category><![CDATA[Temeis as forças do miserável Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Todos eles trazem os petrechos de guerra e várias peças de campanha]]></category>
		<category><![CDATA[Todos esses papéis nos vieram às mãos por serem tomados pelos nossos soldados de guarda avançada]]></category>
		<category><![CDATA[ufanos entraremos em nosso país natal]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.opiagui.com.br/?p=2316</guid>
		<description><![CDATA[

Queridos irmãos que habitais as fecundas margens do caudaloso Parnaíba por um e outro lado, dignai-vos atender as sinceras vozes de um patrício vosso, que todo unicamente se dedica ao vosso bem presente e ainda mesmo futuro. Até quando malignas e espessas nuvens ofuscam as luzes do vosso entendimento, pois vos sois brasileiros e recusais ao sr. Dom Pedro, Imperador constitucional e seu perpétuo defensor!?
            Não sois europeus e seguis o seu partido com perigo evidente da vossa vida e com perda de honra. Ah! Onde estão o brio e ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<div id="attachment_2317" class="wp-caption alignleft" style="width: 174px"><img class="size-full wp-image-2317" title="Leonardo Imagem" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Leonardo-Imagem.JPG" alt="Leonardo de Carvalho Castello-Branco" width="164" height="282" /><p class="wp-caption-text">Leonardo de Carvalho Castello-Branco</p></div>
<p style="text-align: justify;">Queridos irmãos que habitais as fecundas margens do caudaloso Parnaíba por um e outro lado, dignai-vos atender as sinceras vozes de um patrício vosso, que todo unicamente se dedica ao vosso bem presente e ainda mesmo futuro. Até quando malignas e espessas nuvens ofuscam as luzes do vosso entendimento, pois vos sois brasileiros e recusais ao sr. Dom Pedro, Imperador constitucional e seu perpétuo defensor!?<br />
            Não sois europeus e seguis o seu partido com perigo evidente da vossa vida e com perda de honra. Ah! Onde estão o brio e o patriotismo brasilienses; onde a honra e onde o dever? O meu coração se vê dilacerado pelo pungente punhal da mais intensa dor!<br />
            Irmãos! Irmãos! Quereis ter a doçura que a força exigida de vós e por violência obtenha o que o dever, a honra e o patriotismo em vão, até agora, vos tem tão instante  e cordialmente persuadido? Que lástima, que afronta, que vergonha! A dor me embarga as vozes do sentimento, apenas respiro. Quereis que a vossa adesão à nossa santa terra e comum causa seja obra da força? Pois sereis satisfeitos. Ei-la. Ela se apresenta. Um pé de exército de quatro a seis mil homens já deve ter feito em Oeiras o que cedo vereis; outro de dois a três mil homens vai fazer o mesmo em Campo Maior; há mais um corpo de observação para conter o inimigo, a quem inquieta com contínuas correrias pela costa. Todos eles trazem os petrechos de guerra e várias peças de campanha, que tornam mais terríveis as suas forças. Além desses corpos, um batalhão ligeiro de índios e brancos de mais de seiscentas praças, destinado a cortar as relações do inimigo com o sul da Província, ali plantou o seu quartel comandante pela voluntária reunião dos povos circunvizinhos.<br />
            No curto espaço de três dias tem visto crescer o duplo de seus soldados. Obtida a possível reunião destas forças mencionadas, seguros de vitória, marcharemos alegres a desalojar o nosso tirano déspota do seu último mal seguro asilo.<br />
            Ele não ignora a sua fraqueza; a deserção da sua tropa aumenta o temor. Conseguinte a este conhecimento, o seu pesar se patenteia por três cartas escritas a seus amigos de Campo Maior e Oeiras e por um ofício dirigido às autoridades de Caxias, pedindo socorro. Todos esses papéis nos vieram às mãos por serem tomados pelos nossos soldados de guarda avançada. Concluída esta expedição, o que esperamos em brevíssimos dias, a não termos mais que fazer, exultando de gosto por sermos instrumentos da  liberdade de nossos irmãos, cantando alegres hinos ao Senhor Deus dos exércitos, entre vivas e aclamações, ufanos entraremos em nosso país natal, cheios de uma nobre e generosa vaidade. Estes são os nossos desejos; mas se os nossos fascinados irmãos do Maranhão ou mesmo do Piauí persistirem teimosos em fazer a facção política ou desmembração do Império brasiliense e rebeldes aos decretos do nosso augusto e amado Imperador, acaso devemos nós consenti-lo? Não, mil vezes não. Primeiro derramaremos a última gota do nosso sangue. Ah! Queridos e enganados irmãos, que é que temeis? E que é que esperais? Temeis as forças do miserável Portugal, esgotado com as contínuas levas de soldados para o Sul do Brasil, onde todos têm sido sacrificados à Deusa da Liberdade Brasiliense, que esmaga suas cabeças com a mão armada do ferro com que pretendiam subjugar-nos? Este magnânimo liberal exemplo nos tem dado aqueles nossos Intrépidos irmãos e por que não os imitais? Dezesseis Províncias desde além do Prata até os limites ocidentais do Ceará, todas, a uma voz, proclamam liberdade e prestam gostosa obediência a D. Pedro.<br />
            Não temeis essas forças muito superiores às vossas e existentes no vosso próprio continente e confinantes e temeis as de Portugal tão remotas e apoucadas? Que estranha mania!<br />
            Passando em silêncio os poderosos socorros que nos presta várias nações dos continentes europeu e americano, vamos analisar o que é que esperais.<br />
            Ofereço-vos, porventura, grandes vantagens a dependência servil de Portugal, isto em tudo e por tudo e não encontrareis nenhuma no comércio franco e liberal de todas as nações, que a nossa independência nos assegura? Torno a dizer: que estranha mania!!! Irmãos! Com que escusais procedimento alheio à honra brasiliense e até ao ciso comum? Acaso vos decidis sobre a vossa futura felicidade, pelo que ledes nas dolosas páginas do <strong>Conciliador</strong>? Ignorais que o seu redator é europeu e por isso vos oculta os conhecimentos dos fatos que fazem o nosso bem e fazem o direito inalienável e decidida razão com que proclamamos a nossa independência? Ele nos chama facciosos, perjuros, incendiários; ele nos reputa estúpidos e iludidos agentes do velho despotismo; ele finalmente afirma que o partido europeu é atualmente quase geral no reino brasílico. Que mentira e que blasfêmia política! Proclamamos a constituição a par da Independência; elegemos deputados para as cortes brasílicas e estas estão se reunindo. O nosso Imperador aclamou-se constitucional e continuamos a conservar e a eleger governos provisórios; todas as questões sociais se decidem pela maioria dos votos, etc, etc. Será isto que o padre Tesinho chama despotismo? Se assim é, a que, pois, chamará ele constituição?<br />
           Quanto aos exemplos de consciência que estes senhores e outros iguais nos metem, não é mais que um pretexto próprio só para se enganar gentes rudes, que ignoram natureza dos contratos e o que eles obrigam. Os contratos são absolutos ou condicionais e estas condições ou são expressivas ou ocultas, inarticuladas e para conhecermos que estas têm lugar é preciso examinarmos os direitos inalienáveis do homem, etc. Este exame nos levaria muito longe e até acho escusado. Basta lembrar o acontecido no Porto e daí deduzir que se os direitos podem ser violados sem se violar o juramento prestado, por que agora, nas mesmas circunstancias, não podemos fazê-lo?<br />
            Acaso será privilégio exclusivo dos europeus ou nos será preciso decorrer certo número de anos para adquirirmos esse direito? Tesinho que vos responda. Mas entretanto, nós que sabemos que os povos nunca se despojam desse direito essencial, abjurarmos estes escrúpulos tesínicos. Que vos falta, pois amados irmãos? Que vos impede os passos? Que vos prende a língua? Ah! Gritai comigo:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Viva a nossa santa religião<br />
Viva a futura Constituição brasiliense!<br />
Viva o sr. D. Pedro, imperador constitucional do<br />
Brasil e seu perpétuo defensor!<br />
Viva a nossa santa Independência!<br />
Vivam todos os brasileiros honrados , briosos e Intrépidos! </p>
<p style="text-align: center;">            Quartel de Piracuruca, 24 de janeiro de 1823.<br />
<strong>Leonardo de Carvalho Castello-Branco</strong><br />
alferes<a href="http://www.opiagui.com.br/wp-admin/#_ftn1">[1]</a> secretário da Divisão Auxiliadora do Piauí</p>
<hr style="text-align: justify;" size="1" />
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-admin/#_ftnref1">[1]</a> Assim se chamava antigamente em Portugal o cavaleiro que levava o estandarte, e que hoje corresponde simplesmente ao primeiro posto de oficial. Cada hoste e cada rico‑homem tinha o seu alferes.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.opiagui.com.br/2009/11/proclamacao-da-independencia-do-brasil-em-piracuruca/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Portal</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2009/11/portal/</link>
		<comments>http://www.opiagui.com.br/2009/11/portal/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 02:31:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Textos Históricos]]></category>
		<category><![CDATA[a uma festa de aniversário de uma gentilíssima senhorita onde]]></category>
		<category><![CDATA[acompanhando a longa viagem de minha vida]]></category>
		<category><![CDATA[Alarico da Cunha]]></category>
		<category><![CDATA[alegando que seria isso uma vitória para a minha mocidade]]></category>
		<category><![CDATA[Antes disso]]></category>
		<category><![CDATA[as coisas tristes me inspiravam]]></category>
		<category><![CDATA[bem-te-vi]]></category>
		<category><![CDATA[com uma menina loura maltrapilha]]></category>
		<category><![CDATA[Comecei a versejar aos 15 anos]]></category>
		<category><![CDATA[compondo quadras]]></category>
		<category><![CDATA[da araponga]]></category>
		<category><![CDATA[da juriti e tantos outros irmãozinhos sonoros de S. Francisco de Assis]]></category>
		<category><![CDATA[de olhos lacrimosos]]></category>
		<category><![CDATA[De rosto esguio e compleição franzina]]></category>
		<category><![CDATA[deparei]]></category>
		<category><![CDATA[diverti-me bastante entre rapazes e moças daquela época. Ao sair da festa]]></category>
		<category><![CDATA[do chico-preto]]></category>
		<category><![CDATA[do corrupião]]></category>
		<category><![CDATA[em minha imaginação]]></category>
		<category><![CDATA[estendidas aos transeuntes suplicando uma esmola para a sua mãe viúva e paralítica]]></category>
		<category><![CDATA[fui levado por meu tio Cunha Júnior]]></category>
		<category><![CDATA[Junto a um portal tristonha e abandonada]]></category>
		<category><![CDATA[Lembro-me que em visita a cidade de Caxias]]></category>
		<category><![CDATA[linguagem rítmica]]></category>
		<category><![CDATA[mais do que os espetáculos de prazeres mundanos]]></category>
		<category><![CDATA[mãos finas e delicadas]]></category>
		<category><![CDATA[meu tio que havia me sugerido que escrevesse um soneto sobre a linda festa de gala que assistimos]]></category>
		<category><![CDATA[Não sei porque]]></category>
		<category><![CDATA[no fulgor dos meus 22 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Parei muitas vezes estático para ouvir a linguagem colorida dos passarinhos do céu]]></category>
		<category><![CDATA[Pede esmola uma cândida menina]]></category>
		<category><![CDATA[porque ficou turbilhonando em sons orquestrais para sempre]]></category>
		<category><![CDATA[porque o povo Caxiense gosta dos poetas e ama a poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Portal]]></category>
		<category><![CDATA[quando ainda vivia no sertão ouvindo a deliciosa orquestra do sabiá]]></category>
		<category><![CDATA[que deleitavam os viajantes nas matas floridas do meu sertão com suas maravilhosas notas musicais]]></category>
		<category><![CDATA[que era também poeta]]></category>
		<category><![CDATA[que jamais hei de esquecer]]></category>
		<category><![CDATA[sentada junto a um portal]]></category>
		<category><![CDATA[Só aos 20 anos comecei a escrever sonetos]]></category>
		<category><![CDATA[soberba e emocionante]]></category>
		<category><![CDATA[trovas e redondilhas bucólicas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.opiagui.com.br/?p=2294</guid>
		<description><![CDATA[

Comecei a versejar aos 15 anos, compondo quadras, trovas e redondilhas bucólicas, quando ainda vivia no sertão ouvindo a deliciosa orquestra do sabiá, bem-te-vi, do corrupião, do chico-preto, da araponga, da juriti e tantos outros irmãozinhos sonoros de S. Francisco de Assis, que deleitavam os viajantes nas matas floridas do meu sertão com suas maravilhosas notas musicais. Parei muitas vezes estático para ouvir a linguagem colorida dos passarinhos do céu, linguagem rítmica, soberba e emocionante, que jamais hei de esquecer, porque ficou turbilhonando em sons orquestrais para sempre, em minha ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<div id="attachment_1193" class="wp-caption alignleft" style="width: 228px"><img class="size-medium wp-image-1193" title="Alarico da Cunha" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Alarico-da-Cunha-218x300.jpg" alt="Alarico da Cunha" width="218" height="300" /><p class="wp-caption-text">Alarico da Cunha</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">Comecei a versejar aos 15 anos, compondo quadras, trovas e redondilhas bucólicas, quando ainda vivia no sertão ouvindo a deliciosa orquestra do sabiá, bem-te-vi, do corrupião, do chico-preto, da araponga, da juriti e tantos outros irmãozinhos sonoros de S. Francisco de Assis, que deleitavam os viajantes nas matas floridas do meu sertão com suas maravilhosas notas musicais. Parei muitas vezes estático para ouvir a linguagem colorida dos passarinhos do céu, linguagem rítmica, soberba e emocionante, que jamais hei de esquecer, porque ficou turbilhonando em sons orquestrais para sempre, em minha imaginação, acompanhando a longa viagem de minha vida! Só aos 20 anos comecei a escrever sonetos. Não sei porque, as coisas tristes me inspiravam, mais do que os espetáculos de prazeres mundanos. Lembro-me que em visita a cidade de Caxias, fui levado por meu tio Cunha Júnior, que era também poeta, a uma festa de aniversário de uma gentilíssima senhorita onde, no fulgor dos meus 22 anos, diverti-me bastante entre rapazes e moças daquela época. Ao sair da festa, deparei, sentada junto a um portal, com uma menina loura maltrapilha, de olhos lacrimosos, mãos finas e delicadas, estendidas aos transeuntes suplicando uma esmola para a sua mãe viúva e paralítica. Antes disso, meu tio que havia me sugerido que escrevesse um soneto sobre a linda festa de gala que assistimos, alegando que seria isso uma vitória para a minha mocidade, porque o povo Caxiense gosta dos poetas e ama a poesia. Infelizmente fugiu-me a inspiração da festa diante da cena triste da pequena mendiga, e compus este soneto:</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify; PADDING-LEFT: 90px">Junto a um portal tristonha e abandonada,<br />
Pede esmola uma cândida menina,<br />
De rosto esguio e compleição franzina<br />
Tendo a fronte sombria e amargurada.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify; PADDING-LEFT: 90px">A todos que ela vê (horrível sina!)<br />
Estende a mão mimosa e descarnada.<br />
E se ninguém a atende, envergonhada,<br />
Surge-lhe o pranto à face cristalina.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify; PADDING-LEFT: 90px">Às vezes sem esmola e já descrente,<br />
Do portal se levanta mansamente,<br />
Quando do sol a luz vai se apagando.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify; PADDING-LEFT: 90px">Da desgraça sentindo a dor funérea,<br />
Sem lar, sem pão, a filha da miséria,<br />
Vai pela rua e fora soluçando.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><strong>Alarico da Cunha</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.opiagui.com.br/2009/11/portal/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Falando aos Piauienses</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2009/10/falando-aos-piauienses/</link>
		<comments>http://www.opiagui.com.br/2009/10/falando-aos-piauienses/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 02:51:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Textos Históricos]]></category>
		<category><![CDATA[acelerando a marcha do seu progresso contínuo]]></category>
		<category><![CDATA[As suas finanças estão perfeitamente equilibradas]]></category>
		<category><![CDATA[Brasileiro piauiense]]></category>
		<category><![CDATA[com o que não despendará mais de quatro mil contos]]></category>
		<category><![CDATA[como por um  milagre]]></category>
		<category><![CDATA[Desperta]]></category>
		<category><![CDATA[dragar a barra de Luiz Correia]]></category>
		<category><![CDATA[E essa boca quase fechada]]></category>
		<category><![CDATA[então]]></category>
		<category><![CDATA[entretanto]]></category>
		<category><![CDATA[enviando todos os seus produtos por um porto longínquo de outro Estado]]></category>
		<category><![CDATA[escuta a voz de um brasileiro paraense que se ergue espontaneamente em defesa dos teus direitos]]></category>
		<category><![CDATA[Falando aos Piauienses]]></category>
		<category><![CDATA[foge pela garganta do Igaraçu para sua boca formada pela esquecida barra de Luiz Correia]]></category>
		<category><![CDATA[graças ao seu governo que vem de realização em realização]]></category>
		<category><![CDATA[lembra-te que és um encarcerado às portas do Atlântico]]></category>
		<category><![CDATA[Não se compreende que o vale do Parnaíba]]></category>
		<category><![CDATA[não tenha o seu escoadouro comercial]]></category>
		<category><![CDATA[no seio imensurável do Atlântico]]></category>
		<category><![CDATA[o Piauí permutou dois dos seus municípios mais ricos pelo território de Luiz Correia]]></category>
		<category><![CDATA[para ali construir o seu porto]]></category>
		<category><![CDATA[para o perfeito desenvolvimento da sua economia]]></category>
		<category><![CDATA[piauiense]]></category>
		<category><![CDATA[Por que não poderá]]></category>
		<category><![CDATA[porque não tem um porto]]></category>
		<category><![CDATA[portanto]]></category>
		<category><![CDATA[Quase todo o imenso volume d’água desse caudaloso rio]]></category>
		<category><![CDATA[seu ancoradouro e construir um molhe de pedras para a canalização das águas]]></category>
		<category><![CDATA[um dos mais ricos do mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Um encarcerado que comercia com os Estados da União e com o exterior]]></category>
		<category><![CDATA[vive eternamente]]></category>
		<category><![CDATA[vomitando todo o sangue que sai das artérias do Parnaíba]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.opiagui.com.br/?p=2164</guid>
		<description><![CDATA[

Brasileiro piauiense, escuta a voz de um brasileiro paraense que se ergue espontaneamente em defesa dos teus direitos:
Piauiense, lembra-te que és um encarcerado às portas do Atlântico. Um encarcerado que comercia com os Estados da União e com o exterior, enviando todos os seus produtos por um porto longínquo de outro Estado, porque não tem um porto!
            De certo me perguntarás: – “E o Piauí não tem o seu porto”?
            E eu te responderei: – Ele o tem, mas não sabe ou não quer saber  se ainda o possui, porque ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<div id="attachment_2165" class="wp-caption alignleft" style="width: 228px"><img class="size-medium wp-image-2165" title="R. Petit" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/10/R.-Petit-218x300.jpg" alt="R. Petit" width="218" height="300" /><p class="wp-caption-text">R. Petit</p></div>
<p style="text-align: justify;">Brasileiro piauiense, escuta a voz de um brasileiro paraense que se ergue espontaneamente em defesa dos teus direitos:<br />
Piauiense, lembra-te que és um encarcerado às portas do Atlântico. Um encarcerado que comercia com os Estados da União e com o exterior, enviando todos os seus produtos por um porto longínquo de outro Estado, porque não tem um porto!<br />
            De certo me perguntarás: – “E o Piauí não tem o seu porto”?<br />
            E eu te responderei: – Ele o tem, mas não sabe ou não quer saber  se ainda o possui, porque abandonou, esqueceu que adquiriu para a conquista da sua liberdade!&#8230;<br />
            Assim, eu poderei dizer-te esta verdade amarga: – O Piauí tem aquilo que não tem!&#8230;<br />
            Entretanto, o Piauí permutou dois dos seus municípios mais ricos pelo território de Luiz Correia, para ali construir o seu porto. E até agora não foi realizado esse grande ideal!<br />
            Não foi realizado por quê? – Somente por um desses imperdoáveis descuidos administrativos.<br />
            Não se compreende que o vale do Parnaíba, um dos mais ricos do mundo, não tenha o seu escoadouro comercial!<br />
            Quase todo o imenso volume d’água desse caudaloso rio, foge pela garganta do Igaraçu para sua boca formada pela esquecida barra de Luiz Correia. E essa boca quase fechada, vive eternamente, como por um  milagre, vomitando todo o sangue que sai das artérias do Parnaíba, no seio imensurável do Atlântico.<br />
            Ora, como vês, piauiense, a própria natureza está demonstrando onde fica o nosso porto. A própria natureza traçou o escoadouro comercial do vale do  Parnaíba que é a estrada líquida da nossa riqueza, o caminho luminoso do nosso futuro.<br />
            E por que desviar a rota que a sábia natureza nos traçou, idealizando outro escoadouro as portas de outro Estado, isolando-o do nosso maior empório comercial que é a Parnaíba?<br />
            Desperta, piauiense, medida um pouco e vê que o nosso Piauí já devia estar libertado do jugo de Tutóia.<br />
            Há mais de meio século que o território de Luiz Correia foi adquirido com o objetivo único de ali ser construído o nosso porto.<br />
            E não se diga que há um motivo capaz de justificar essa demora imperdoável!&#8230;<br />
            Lembra-te, piauiense, das grandes possibilidades deste torrão fecundo.<br />
            As suas finanças estão perfeitamente equilibradas, graças ao seu governo que vem de realização em realização, acelerando a marcha do seu progresso contínuo.<br />
            Para a instrução dos seus filhos, o Piauí construiu um majestoso edifício destinado ao ensino secundário, na qual despendeu a soma de dois mil contos de réis.<br />
            Para  a defesa da saúde dos habitantes da sua Capital, está construindo um hospital modelo, cujas obras irão a cinco mil contos.<br />
            Por que não poderá, então, para o perfeito desenvolvimento da sua economia, dragar a barra de Luiz Correia, seu ancoradouro e construir um molhe de pedras para a canalização das águas, com o que não despendará mais de quatro mil contos? <br />
            Cais, trapiches e armazéns virão depois com o movimento do futuro porto.<br />
            Precisamos é de oferecer acesso aos navios que rumam à nossa barra.<br />
            O Piauí não pode continuar como um prisioneiro, olhando, indiferente, o balanço das ondas, como o Jeca consome a existência, eternamente acocorado à porta da sua cabana!<br />
            Lembra-te, piauiense, que a boca do Piauí é a barra de Luiz Correia por onde se escoa o poder líquido do rio Parnaíba, e a sua boca não pode permanecer fechada!&#8230;<br />
            Se o Piauí raciocina, se o Piauí trabalha, se o Piauí da instrução e da saúde dos seus filhos, não pode continuar mudo por mais tempo!&#8230;<br />
            O Piauí tem o dever de falar, de discutir, de reclamar. E por que não fala, não discute e não reclama, congraçando os seus filhos na defesa da construção do seu porto?<br />
            O que tem faltado até este momento, é a união de vistas, união de princípios.<br />
            Desperta, portanto, piauiense. Reúne todas as tuas energias, formando um só corpo, uma só alma e uma só voz e, em breve, muito em breve, terás realizado a construção do porto de Luiz Correia que é a conquista legítima da tua legítima liberdade.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>R. Petit, 1939 </strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.opiagui.com.br/2009/10/falando-aos-piauienses/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Independência do Piauí</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2009/10/a-independencia-do-piaui/</link>
		<comments>http://www.opiagui.com.br/2009/10/a-independencia-do-piaui/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 03:27:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Textos Históricos]]></category>
		<category><![CDATA[a 17 de dezembro de 1822]]></category>
		<category><![CDATA[A efeméride de 24 de Janeiro deste ano da graça de 1955 marca o centésimo trigésimo segundo aniversário da memorável consolidação oficial deste Estado ao grito do Ipiranga]]></category>
		<category><![CDATA[a fim de sufocar o movimento independentista de 19 de outubro]]></category>
		<category><![CDATA[A luta continuou e Fidié foi se bater em Piracuruca com as forças do Leonardo Castelo Branco e com os independentistas em Campo Maior]]></category>
		<category><![CDATA[à margem do rio Ipiranga]]></category>
		<category><![CDATA[A prova de que Parnaíba já se destacava no Piauí em luta pela independência]]></category>
		<category><![CDATA[à revelia do Grande Oriente lusitano]]></category>
		<category><![CDATA[acompanhado de um navio para hospital de sangue  que mandara requisitar de Maranhão]]></category>
		<category><![CDATA[acontecimento esse que provocou aumento de entusiasmo dos brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[Alarico da Cunha]]></category>
		<category><![CDATA[Albuera]]></category>
		<category><![CDATA[antes de terem conhecimento do brado de D. Pedro I]]></category>
		<category><![CDATA[antiga capital do Piauí a esta cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ao aproximar-se de Parnaíba]]></category>
		<category><![CDATA[ao qual se filiaram as Lojas Maçônicas das Províncias]]></category>
		<category><![CDATA[armamentos e munições para enfrentarem os expedicionários]]></category>
		<category><![CDATA[as Lojas Maçônicas recusavam a iniciação dos portugueses natos]]></category>
		<category><![CDATA[audácia e coragem que aqui se operou a 19 de outubro de 1822]]></category>
		<category><![CDATA[Campo Maior e Oeiras e que estava perigando a situação da capital]]></category>
		<category><![CDATA[certos de que a Pátria estava realmente libertada do julgo português; porém essa notícia arrefeceu o exagerado patriotismo de Fidié]]></category>
		<category><![CDATA[chefiado pelo célebre Coronel Simplício Dias da Silva]]></category>
		<category><![CDATA[chegaram as notícias de vários motins independentistas que surgiram em Piracuruca]]></category>
		<category><![CDATA[com orgulho e ênfase]]></category>
		<category><![CDATA[comandante das armas de Campo Maior]]></category>
		<category><![CDATA[como era natural]]></category>
		<category><![CDATA[como havia igualmente brasileiros contrários a independência]]></category>
		<category><![CDATA[cuja província se mantinha fiel ao governo de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[cujo número estava reduzido a 380 praças]]></category>
		<category><![CDATA[de 19 de outubro]]></category>
		<category><![CDATA[de onde regressou depois de vencedora a causa da independência]]></category>
		<category><![CDATA[de que faziam parte os independentes parnaibanos. Não obstante existir alguns portugueses favoráveis a independência do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[deixando no comando da guarnição o Capitão Agostinho Pires]]></category>
		<category><![CDATA[despachou um secreta para sondar o ambiente da vila e saber se havia notícia da chegada do brigue português “Infante D. Miguel”]]></category>
		<category><![CDATA[deu lugar a muitos conflitos]]></category>
		<category><![CDATA[do Maranhão]]></category>
		<category><![CDATA[É de grande importância que aqui mencione]]></category>
		<category><![CDATA[e já havia denúncias de complôs independentistas do Piauí]]></category>
		<category><![CDATA[e os jornais de São Luiz moviam forte campanha contra o Coronel Simplício Dias da Silva e Dr. João Cândido de Deus e Silva]]></category>
		<category><![CDATA[e pode-se afirmar que 24 de Janeiro de 1823]]></category>
		<category><![CDATA[em 7 de setembro de 1822]]></category>
		<category><![CDATA[em cuja memorável batalha perderam os brasileiros 200 homens]]></category>
		<category><![CDATA[em vista do movimento de bravura]]></category>
		<category><![CDATA[embora não ignore o leitor]]></category>
		<category><![CDATA[enérgico e decidido]]></category>
		<category><![CDATA[então Vila de São João da Parnaíba]]></category>
		<category><![CDATA[entre as quais a desta cidade]]></category>
		<category><![CDATA[entre independentistas e conservadores nas várias Capitanias do País]]></category>
		<category><![CDATA[entre mortos e feridos 542 prisioneiros]]></category>
		<category><![CDATA[Era]]></category>
		<category><![CDATA[Essa emancipação]]></category>
		<category><![CDATA[fechadas pelas matas virgens]]></category>
		<category><![CDATA[Fidié]]></category>
		<category><![CDATA[Fidié já estava mais ou menos informado de que os cabeças da revolução independentista de Parnaíba]]></category>
		<category><![CDATA[Fidié teve muito tempo de fazer descansar as suas tropas extenuadas com a longa viagem e difíceis travessias sem estradas. É notável que durante a ocupação de Parnaíba pelas forças de Fidié reinava pe]]></category>
		<category><![CDATA[foi criado no Brasil um grande Oriente independente]]></category>
		<category><![CDATA[foi escolhido pelo governo de D. João VI para essa espinhosa missão por ser um estrategista de primeira ordem]]></category>
		<category><![CDATA[haviam evacuado a vila em busca de reforço de tropas do Ceará]]></category>
		<category><![CDATA[intrepidez]]></category>
		<category><![CDATA[já encontrou Parnaíba emancipada]]></category>
		<category><![CDATA[Já havia combatido com heroísmo nas memoráveis batalhas de Bussago]]></category>
		<category><![CDATA[morrer ou ficar prisioneiro pelo seu Rei e pela sua Pátria de além-mar]]></category>
		<category><![CDATA[Não era estranho às Cortes de Lisboa o movimento de emancipação política que se operava no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[nas margens do Jenipapo]]></category>
		<category><![CDATA[nas margens do rio Longá]]></category>
		<category><![CDATA[Nesse ínterim]]></category>
		<category><![CDATA[Niva]]></category>
		<category><![CDATA[Nivelle]]></category>
		<category><![CDATA[O Te. Cel. José Antônio da Cunha Rabelo não aceitou a revolução. Demitindo-se]]></category>
		<category><![CDATA[onde a Maçonaria agia secretamente na propaganda da liberdade brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[onde foi ferido e escapou milagrosamente]]></category>
		<category><![CDATA[Ortez e Tolosa]]></category>
		<category><![CDATA[passou o comando das armas ao Tenente Emídio da Costa Alvarenga]]></category>
		<category><![CDATA[pedregosas e lamacentas para vir com 700 homens de Oeiras]]></category>
		<category><![CDATA[pelo que Fidié foi forçado a deixar um contingente em Parnaíba e seguir a 28 de Fevereiro com 1.800 homens para enfrentar os obstinados. Por esse tempo já haviam chegado do Rio de Janeiro os estafetas]]></category>
		<category><![CDATA[por achar contra-prucente uma guerra civil entre povos irmãos]]></category>
		<category><![CDATA[por haverem jurado obediência ao Governo de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[por um príncipe português]]></category>
		<category><![CDATA[portanto um oficial de reconhecida capacidade guerreira e de uma coragem inaudita]]></category>
		<category><![CDATA[português de confiança do governo luso e exageradamente contrário a independência do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[que a 25 de Setembro de 1822 compareceram à Câmara daqui onze portugueses]]></category>
		<category><![CDATA[que aliás não foi a última Província brasileira a oficializar sua independência política]]></category>
		<category><![CDATA[que continuou a sua faina de vencer]]></category>
		<category><![CDATA[que coube a esta cidade]]></category>
		<category><![CDATA[que ele aderira e deu ciência a seu primo Fidié de sua resolução]]></category>
		<category><![CDATA[que era primo legítimo de meu tresavô Tenente Coronel José Antônio da Cunha Rabelo]]></category>
		<category><![CDATA[que se conduziram com denodo à frente da revolução triunfante]]></category>
		<category><![CDATA[que tão gloriosamente foi proclamada em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[que veio quebrar os grilhões que prendiam o Brasil à metrópole portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[seguindo para São José dos Matões]]></category>
		<category><![CDATA[seis meses antes de Maranhão]]></category>
		<category><![CDATA[Sem reação de espécie alguma]]></category>
		<category><![CDATA[sendo que coube ao Piauí a glória de ser uma das primeiras Províncias do Nordeste a consolidar o extraordinário feito]]></category>
		<category><![CDATA[sob a influência do Dr. João Cândido de Deus e Silva e de outros heróicos independentistas]]></category>
		<category><![CDATA[solicitando a remoção do Comandante do destacamento]]></category>
		<category><![CDATA[tanto assim que enfrentou estradas ínvias]]></category>
		<category><![CDATA[tanto que]]></category>
		<category><![CDATA[tendo igualmente tomado parte nos cercos de Olivença]]></category>
		<category><![CDATA[um papel preponderante e extraordinário na independência do Piauí]]></category>
		<category><![CDATA[verifica-se por dados históricos]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.opiagui.com.br/?p=2048</guid>
		<description><![CDATA[

A efeméride de 24 de Janeiro deste ano da graça de 1955 marca o centésimo trigésimo segundo aniversário da memorável consolidação oficial deste Estado ao grito do Ipiranga, que veio quebrar os grilhões que prendiam o Brasil à metrópole portuguesa, em 7 de setembro de 1822.
            Essa emancipação, que tão gloriosamente foi proclamada em São Paulo, por um príncipe português, enérgico e decidido, deu lugar a muitos conflitos, como era natural, entre independentistas e conservadores nas várias Capitanias do País, sendo que coube ao Piauí a glória de ser uma ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<div id="attachment_1193" class="wp-caption alignleft" style="width: 228px"><img class="size-medium wp-image-1193" title="Alarico da Cunha" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Alarico-da-Cunha-218x300.jpg" alt="Alarico da Cunha" width="218" height="300" /><p class="wp-caption-text">Alarico da Cunha</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">A efeméride de 24 de Janeiro deste ano da graça de 1955 marca o centésimo trigésimo segundo aniversário da memorável consolidação oficial deste Estado ao grito do Ipiranga, que veio quebrar os grilhões que prendiam o Brasil à metrópole portuguesa, em 7 de setembro de 1822.<br />
            Essa emancipação, que tão gloriosamente foi proclamada em São Paulo, por um príncipe português, enérgico e decidido, deu lugar a muitos conflitos, como era natural, entre independentistas e conservadores nas várias Capitanias do País, sendo que coube ao Piauí a glória de ser uma das primeiras Províncias do Nordeste a consolidar o extraordinário feito, seis meses antes de Maranhão, que aliás não foi a última Província brasileira a oficializar sua independência política.<br />
            É de grande importância que aqui mencione, com orgulho e ênfase, embora não ignore o leitor, que coube a esta cidade, então Vila de São João da Parnaíba, um papel preponderante e extraordinário na independência do Piauí, e pode-se afirmar que 24 de Janeiro de 1823, já encontrou Parnaíba emancipada, em vista do movimento de bravura, intrepidez, audácia e coragem que aqui se operou a 19 de outubro de 1822, chefiado pelo célebre Coronel Simplício Dias da Silva, sob a influência do Dr. João Cândido de Deus e Silva e de outros heróicos independentistas, que se conduziram com denodo à frente da revolução triunfante, antes de terem conhecimento do brado de D. Pedro I, à margem do rio Ipiranga.<br />
            A idéia da independência no seio destes heróicos parnaibanos começou a tomar vulto deste desde o regresso da Corte Portuguesa para Lisboa, em 1817.<br />
            Moralmente já este País era independente, de vez que o Príncipe regente de Portugal, D. João VI, para aqui transpôs a sede do Reino em 1807, e confirmou-o ao despedir-se do filho, com estas palavras, oraculares e históricas:<br />
            “PEDRO, O BRASIL BREVEMENTE SE SEPARARÁ DE PORTUGAL, SE ASSIM FOR, PÕE A COROA SOBRE TUA CABEÇA, ANTES QUE QUALQUER AVENTUREIRO LANCE MÃO DELA”.<br />
            A prova de que Parnaíba já se destacava no Piauí em luta pela independência, verifica-se por dados históricos, que a 25 de Setembro de 1822 compareceram à Câmara daqui onze portugueses, solicitando a remoção do Comandante do destacamento. Tenente Joaquim Timóteo de Brito, acusado de exaltado nativismo. E como o Juiz de fora, Dr. João Cândido de Deus e Silva, não desse provimento ao apelo dos portugueses, estes lavraram um veemente protesto denunciando-o, e alegando que não estavam seguros enquanto as autoridades da vila fossem brasileiras.<br />
            A respeito, convém notar, que os considerandos do Dr. João Cândido foram judiciosos e enérgicos. Baseados nos acontecimentos de Granja, no Ceará, declarou solenemente o seguinte:<br />
            “SE O BRASIL QUER SER INDEPENDENTE, DECLARA-SE, SE QUER DESUNIR, DESUNA-SE; PORQUE, OU OS POVOS QUEREM E NINGUÉM LHES PODE RESISTIR SEM RISCO, OU NÃO QUEREM E ENTÃO ASSIM O DECLAREM. A VILA DE GRANJA PROCLAMOU SOLENEMENTE HÁ POUCOS DIAS SUA ALTEZA REAL O PRÍNCIPE D. PEDRO DEFENSOR PERPÉTUO DO BRASIL, E TODOS OS PRUDENTES ESPERAM QUE SERÁ IMITADA PELAS OUTRAS”. É claro, portanto que o pronunciamento de 19 de Outubro não passou de uma sansão especial que se jazia mister. Parnaíba estava independente de fato, para honra e glória de seus pósteros.<br />
            Segundo os dados estatísticos do censo de 1822, a população do Piauí era de 96.000 habitantes. Tirados destes os mancebos em condições de serviço militar, entre brasileiros natos e portugueses, encontravam-se 8.107 homens válidos, sendo 3.463 livres e 4.644 escravos.<br />
            Não era estranho às Cortes de Lisboa o movimento de emancipação política que se operava no Brasil, e já havia denúncias de complôs independentistas do Piauí, onde a Maçonaria agia secretamente na propaganda da liberdade brasileira, tanto que, à revelia do Grande Oriente lusitano, foi criado no Brasil um grande Oriente independente, ao qual se filiaram as Lojas Maçônicas das Províncias, entre as quais a desta cidade, de que faziam parte os independentes parnaibanos. Não obstante existir alguns portugueses favoráveis a independência do Brasil, como havia igualmente brasileiros contrários a independência, por haverem jurado obediência ao Governo de Portugal, as Lojas Maçônicas recusavam a iniciação dos portugueses natos.<br />
            Por uma interessante coincidência, não posso escrever sobre a independência do Piauí sem pôr em foco os meus avoengas portugueses, a começar pelo Brigadeiro João José da Cunha Fidié que chegou em Oeiras a 8 de Agosto de 1822, nomeado Comandante das armas da província, em substituição ao Coronel Elias José Ribeiro de Carvalho, o qual tomou posse no dia seguinte.<br />
            Fidié, que era primo legítimo de meu tresavô Tenente Coronel José Antônio da Cunha Rabelo, comandante das armas de Campo Maior, foi escolhido pelo governo de D. João VI para essa espinhosa missão por ser um estrategista de primeira ordem. Já havia combatido com heroísmo nas memoráveis batalhas de Bussago, Vitória, Albuera, Nivelle, Niva, Ortez e Tolosa, tendo igualmente tomado parte nos cercos de Olivença, onde foi ferido e escapou milagrosamente. Era, portanto um oficial de reconhecida capacidade guerreira e de uma coragem inaudita, tanto assim que enfrentou estradas ínvias, fechadas pelas matas virgens, pedregosas e lamacentas para vir com 700 homens de Oeiras, antiga capital do Piauí a esta cidade, a fim de sufocar o movimento independentista de 19 de outubro, deixando no comando da guarnição o Capitão Agostinho Pires, português de confiança do governo luso e exageradamente contrário a independência do Brasil.<br />
            A notícia do movimento de Parnaíba chegou em Oeiras a 5 de novembro pelo estafeta desta antiga vila, e a expedição de Fidié, composta de toda a tropa da capital, melicianos e voluntários, cerca de 700 homens com peças de artilharia, armamentos, cavalgaduras, munições de guerra e de boca, saiu  no dia 13 do mesmo mês, estacionando em Campo Maior para fortificar-se e entregar ao comandante das armas daquela região, José Antônio da Cunha Rabelo, um destacamento de cavalaria, duas peças de artilharia e mais de 100 granadas.<br />
            O Te. Cel. José Antônio da Cunha Rabelo não aceitou a revolução. Demitindo-se, passou o comando das armas ao Tenente Emídio da Costa Alvarenga, seguindo para São José dos Matões, do Maranhão, de onde regressou depois de vencedora a causa da independência, que ele aderira e deu ciência a seu primo Fidié de sua resolução, por achar contra-prucente uma guerra civil entre povos irmãos. Fidié repeliu com energia essa insinuação por considerá-la uma deslealdade a El-Rei de Portugal e um crime de traição à Pátria de além-mar.<br />
            Para maior êxito dessa excursão militar, Fidié na sua marcha acelerada para Parnaíba não se cuidava de deixar guarnições nos pontos que suspeitava expostos a invasão dos independentistas e ordenou que onde fossem encontrados os estafetas do Correio lhe tomassem as malas para serem abertas e revista toda a correspondência.<br />
            Ao aproximar-se de Parnaíba, nas margens do rio Longá, a 17 de dezembro de 1822, despachou um secreta para sondar o ambiente da vila e saber se havia notícia da chegada do brigue português “Infante D. Miguel”, acompanhado de um navio para hospital de sangue  que mandara requisitar de Maranhão, cuja província se mantinha fiel ao governo de Portugal, e os jornais de São Luiz moviam forte campanha contra o Coronel Simplício Dias da Silva e Dr. João Cândido de Deus e Silva. Fidié já estava mais ou menos informado de que os cabeças da revolução independentista de Parnaíba, de 19 de outubro, haviam evacuado a vila em busca de reforço de tropas do Ceará, armamentos e munições para enfrentarem os expedicionários, cujo número estava reduzido a 380 praças. Afinal entrou solenemente em Parnaíba, sem nenhuma reação do povo, na manhã de 18 de dezembro, depois de um mês e cinco dias de exaustiva caminhada o célebre Cabo de Guerra João José da Cunha Fidié com as suas tropas. Na praça da Matriz desta cidade, em frente à casa da Câmara, mandou formar as tropas, onde assistiram um TE DEUM, celebrado na igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça, findo o qual deram entusiásticos vivas a El-Rei de Portugal. Seguiram-se descargas de fuzilaria, correspondidas por sete tiros de peças pelo brigue e navios portugueses que estavam fundeados no porto Salgado, repiques de sino da matriz e novos vivas à união do Brasil com Portugal. A noite iluminou-se feericamente toda a cidade com fogueiras, candeeiros de azeite e archotes, repetindo idêntica iluminação noites seguidas.<br />
            Sem reação de espécie alguma, Fidié teve muito tempo de fazer descansar as suas tropas extenuadas com a longa viagem e difíceis travessias sem estradas. É notável que durante a ocupação de Parnaíba pelas forças de Fidié reinava perfeita calma. Não consta ter havido o mais leve desrespeito às famílias que permaneceram na vila ocupada, enquanto os homens procuravam reforços no Ceará. Por toda a vila foram distribuídas várias proclamações profilgando os independentes e concitando o povo a não seguir o exemplo “dos homens corrompidos e guardar-se fidelidade às Cortes do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves; que se lembrasse do juramento feito em 21 de julho de 1821, de respeito e veneração a religião católica e obediência e lealdade ao Senhor D. João VI e à sua augusta dinastia”.<br />
            Durante a permanência de Fidié em Parnaíba, teve este bastante tempo para aumentar consideravelmente a sua tropa com elementos do Maranhão e receber munições do povoado de Carnaubeiras, para onde foi estacionar o brigue “INFANTE D. MIGUEL”, receoso de uma invasão dos independentes de Parnaíba com os cearenses arregimentados para retornarem a vila a ferro e a fogo.<br />
            Nesse ínterim, chegaram as notícias de vários motins independentistas que surgiram em Piracuruca, Campo Maior e Oeiras e que estava perigando a situação da capital, pelo que Fidié foi forçado a deixar um contingente em Parnaíba e seguir a 28 de Fevereiro com 1.800 homens para enfrentar os obstinados. Por esse tempo já haviam chegado do Rio de Janeiro os estafetas com a notícia de haver o príncipe D. Pedro gritado o INDEPENDÊNCIA OU MORTE e de ter sido aclamado Imperador e defensor perpétuo do Brasil, acontecimento esse que provocou aumento de entusiasmo dos brasileiros, certos de que a Pátria estava realmente libertada do julgo português; porém essa notícia arrefeceu o exagerado patriotismo de Fidié, que continuou a sua faina de vencer, morrer ou ficar prisioneiro pelo seu Rei e pela sua Pátria de além-mar. Ninguém o convencia de sua inglória situação, lutando num País tão vasto por uma causa vencida por todos os princípios, sabendo embora que a independência havia sido proclamada por um príncipe português, em cuja cabeça foi colocada a coroa do Império do Brasil, conforme lhe recomendara o pai.<br />
            Mas nada. A luta continuou e Fidié foi se bater em Piracuruca com as forças do Leonardo Castelo Branco e com os independentistas em Campo Maior, nas margens do Jenipapo, em cuja memorável batalha perderam os brasileiros 200 homens, entre mortos e feridos 542 prisioneiros. Das tropas portuguesas só pereceram 16 soldados, um sargento, um alferes e um capitão e saíram feridos 60 homens. Os brasileiros tiveram que recuar diante da superioridade das forças e da disciplina dos soldados de Fidié, que eram exímios no manejo das armas, porque aquele cano de guerra não perdia tempo em manter suas tropas em exercícios e ficou bem municiado pelos portugueses de Maranhão.<br />
            Aconteceu, porém, um grande desastre a Fidié, depois da batalha do Jenipapo. Perdeu a sua bagagem de guerra, que foi tomada pelas forças brasileiras, enquanto se distraíam os portugueses em combates.<br />
            Diante desses insucessos, Fidié reconheceu que a situação do Piauí ia se tornando gravíssima e achou prudente abandonar o território, rumando para o Maranhão, atravessando o rio no Estanhado, onde tomou a direção de Caxias, já com suas tropas bastante reduzidas, devido a fuga de algumas guarnições desertadas de suas fileiras, depois do sangrento combate do Jenipapo.<br />
            Foram as tropas do comandante Alexandre Pereira Nereu, depois destroçada por Fidié, autoras do roubo da bagagem de guerra e dinheiro daquele Cabo de Guerra. A bagagem foi apreendida em Sobral e vendida em hasta pública.<br />
            Em Caxias, do Maranhão, Fidié assentou o seu reduto, apoderando-se da vila e fortificando-se, onde resistiu até 1 de Agosto de 1823, quando a vila foi cercada por 6.000 homens armados e municiados, sob o comando de Pereira Filgueira. A capital do Estado já havia capitulado, desde 28 de julho.<br />
            Preso Fidié e seu estado maior, foram reconduzidos a Oeiras, onde ainda permaneceu três meses de reclusão e seguiu escoltado para Bahia e Rio de Janeiro, em companhia de dois oficiais brasileiros Major José Locateli Doria e Capitão Antônio de Sousa Mendes.<br />
            Durante a viagem, Fidié ia coligindo documentos para sua defesa, no caso de responder conselho de guerra. Mas depois de passar alguns dias no forte do Rio de Janeiro, foi repatriado e recebido em Portugal com as honras de general do Exército Português. Antes de morrer, deixou um livro intitulado “Varia Fortuna dum Soldado Português”, que foi recentemente reeditado.<br />
            Quando as forças do Coronel Simplício Dias da Silva voltou a Parnaíba a vila lhe foi franqueada e a Câmara estava entregue aos independentes, pelo que foi dissolvida a preparação bélica, ficando, em todo o caso, um regimento para conter ameaças de exagerados conservadores que S. Luiz saltavam de navios de vela em Carnaubeiras.<br />
            Depois da Independência, a situação da Província melhorou cem por cento. No Governo do Visconde da Parnaíba abriram-se estrada e várias escolas primárias e secundárias. Vieram para Oeiras diversos professores, advogados e médicos, entre estes o Cirurgião José Luiz da Silva Moura.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><strong>Alarico da Cunha, 1955</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.opiagui.com.br/2009/10/a-independencia-do-piaui/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
