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	<title>Piagui - Culturalista &#187; Galerescrito</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>Cultura e sua importância</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Mar 2010 00:06:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wiltonporto</dc:creator>
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        Queria primeiramente agradecer ao Wilton Porto, por convidar o TeoriaP, para participar dessa campanha, que tenta ‘’salvar” e popularizar a cultura parnaibana. 
Bem, o que seria Cultura? 
        Alguns falariam que seria o artesanato, as danças, as comidas, costumes&#8230; É a resposta típica para essa pergunta, e de fato: cultura é o conjunto de todas essas ações. Obviamente, que não se limita a só isso.
         Um conceito mais concreto para cultura seria, talvez, conjunto de hábitos e costumes que um meio social criou (ou adquiriu) e mantém por muito tempo. Também ...]]></description>
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<div id="attachment_3678" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img class="size-medium wp-image-3678" title="42-24024243" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/03/42-24024243-200x300.jpg" alt="Foto: Peng Zhen Ge / Redlink/Redlink/Corbis" width="200" height="300" /><p class="wp-caption-text">Foto: Peng Zhen Ge / Redlink/Redlink/Corbis</p></div>
<p style="text-align: justify">        Queria primeiramente agradecer ao Wilton Porto, por convidar o TeoriaP, para participar dessa campanha, que tenta ‘’salvar” e popularizar a cultura parnaibana. </p>
<p style="text-align: justify"><strong>Bem, o que seria Cultura?</strong> </p>
<p style="text-align: justify">        Alguns falariam que seria o artesanato, as danças, as comidas, costumes&#8230; É a resposta típica para essa pergunta, e de fato: cultura é o conjunto de todas essas ações. Obviamente, que não se limita a só isso.<br />
         Um conceito mais concreto para cultura seria, talvez, conjunto de hábitos e costumes que um meio social criou (ou adquiriu) e mantém por muito tempo. Também não seria incorreto dizer que cultura é <em>somatório de costumes, tradições e valores</em> <em>de um determinado lugar ou região.<br />
</em>        Cultura tem também seu lado social, por um grupo conviver e compartilhar costumes. Sua contribuição, além de criar uma identidade para este grupo, ajuda a diminuir as diferenças, esmaga o individualismo e convida a todos a trabalhar em conjunto, em prol de um único objetivo: a cooperação entre os indivíduos dessa comunidade. </p>
<p style="text-align: justify"><strong>Qual a importância da cultura?</strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify">          A cultura é a identidade, a alma de uma nação ou de um simples grupo. Tentarei explicar de duas formas, a importância da cultura. Primeiramente falarei do lado Econômico:<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Cultura e a Economia</strong> </p>
<p style="text-align: justify">          Aqui entra o Turismo Cultural, uma atividade que indiscutivelmente cresce: a Organização Mundial de Turismo afirma que  para o ano de 2020, o turismo internacional terá movimentado em torno de 1,6 bilhão de pessoas, sendo 1,2 bilhão em viagens intraregionais (75%) e 0,4 bilhão em viagens de longa distância (25%) .Mas como funciona esse novo tipo de turismo? Turismo Cultural (terceiro colocado nos tipos de turismo mais procurados) seria o turista sair de sua rotina em busca de algo novo, interessante, que fuja do comum – em relação à sua cultura. O turismo é movido pelas diferenças. A curiosidade e a busca de conhecimento despertam uma curiosidade na pessoa que faz com que ela se desloque para locais ricos em novas e diferentes culturas. Também ajuda a conservá-la e espalhá-la por lugares distantes, o que gerará curiosidade em outros cantos (aí o ciclo recomeça), uma espécie de propaganda “boca-a-boca”.<br />
          A comunidade local também é beneficiada pelo Turismo Cultural. A começar pela preservação da sua cultura, através da troca de conhecimentos. O turista ao visitar determinado lugar, adquire informações da cultura local, e até transmite um pouco da sua, demonstrando o que é diferente, curioso em relação entre a sua cultura, e a que está conhecendo. A geração de empregos também é outro fator importantíssimo, a começar pela “venda da cultura”. Os artesanatos, citados no inicio do texto, são um grande exemplo. A venda desses artefatos ajuda a movimentar a economia do local,   assim como ajuda a espalhar a cultura por diversos cantos. Em conseqüência desse processo, se estimula o artesão a continuar a fabricar essas peças ou criar novas, que de certa forma, encoraja a criatividade do artesão e mantém viva esse tipo de cultura por muito tempo, de geração em geração.<br />
         As companhias de turismo, os hotéis, restaurantes, são exemplos de milhares de empregos diretos que são criados.<br />
         Além do artesanato, são necessários feiras, eventos e passeios para o turismo cultural. Uma agenda de atividades que explorem ao máximo e de forma sustentável os pontos históricos do local. Danças e músicas que contribuam a explicar a origem daquela determinada cultura e que também informem sobre as lendas que só existem naquela comunidade. São formas de turismo cultural sustentável, que movimentam a economia e conservam a identidade de um povo. </p>
<p style="text-align: justify"><strong>Cultura e o Social</strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify">          A cultura pode ser uma solução para o combate da discriminação na sociedade. Como foi citado no inicio do texto, a cultura é um conjunto de hábitos criados por um grupo. Essa convivência geral, um espírito de ajuda mútua, solidariedade para a sobrevivência daquela comunidade. Com isso, as diferenças diminuem ou até se anulam. Como sabemos, a cultura é transmitida de geração em geração (quando não sofre interferência de outras e desaparece), o clássico exemplo de “pai para filho”. A criança considera seus pais como um exemplo moral e de caráter, um espelho. A criança aprende o certo e o errado de acordo com a cultura que seus pais repassam para ela ao longo da sua vida. A cultura derruba o conceito de uma cultura superior, ensina a respeitar as diferenças, transforma conflitos em parcerias.<br />
         Ao perceber que a sua identidade, as suas origens estão sendo preservadas e repassadas às gerações futuras, a população eleva a sua autoestima. Um exemplo desse fato é o conhecimento sendo repassado da pessoa mais velha para a mais nova. Uma experiência que as partes só têm a ganhar: o ancião se sente mais útil ao transmitir sua cultura para outra geração, além de garantir a “sobrevivência” da cultura. Já a criança aprende a origem das suas raízes e valorizá-las.<br />
          A cultura vai além de artesanatos e turismo cultural. Esses são apenas duas vantagens, dentre várias que a cultura permite. Pelo que fora visto neste texto, compreendemos que a cultura é indispensável por vários motivos. Contudo, nos basta, porquanto ela nos oferece a integração e a valorização da nossa identidade. A integração, pois diminui as diferenças e contribui para a formação de um povo só, sem essa de católicos, protestantes, negros, índios, brancos, todos somos brasileiros. A nossa identidade não existe uma simples comunidade ou uma grande nação sem uma identidade, sua origem, seus costumes. Então, porque não reconhecermos os seus valores?<strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Pedro Diniz</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>* Pedro Diniz deixou o TeoriaP e possui uma ligação com O PIAGUI, embora ele tenha ido para Teresina, por força de estudos. E esta matéria fora escrita logo após a criação do Movimento de Integração Cultural de Parnaíba.</strong> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>COMENTÁRIO<br />
</strong><strong>    Wilton Porto</strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>   </strong><strong>         </strong>A primeira atenção que o texto do Pedro me despertou foi a divisão em subtítulos. Isso facilita por demais a leitura. É a forma mais adequada para atrair o leitor: textos longos cansam, desanimam. Quando há divisão é como se tivéssemos lendo várias matérias diferentes.<br />
            O assunto tratado pelo autor é de suma importância. Todos os dias, ouvimos falar em cultura, porém nem todos sabem do seu real significado e da abrangência que ela volve. Pedro pegou de dois temas fundamentais: o econômico e o social. Deu uma boa destrinchada, oferecendo-nos uma pesquisa de alta qualidade.<br />
            Puxa para redação técnica, diria que didática, o que enriqueceu o trabalho dele, porque muitos estudantes podem aproveitar este texto para levá-lo para a sala de aula.<br />
            No caso do Parnaíba, esta matéria tem um valor a mais, já que somos uma cidade turística, passamos a compreender a importância de tratarmos bem os turistas, uma vez que além do valor monetário que nos deixam, ainda nos legam novos conhecimentos, novos costumes.<br />
            Tem sempre pessoas buscando algo novo. Levadas pela curiosidade, elas desafiam longas estradas, dão uma parada aqui e acolá, ouvem e veem sobre as diferenças, aprendem, levam para as cidades delas e o país vai crescendo nas suas manifestações culturais.<br />
            Como o turista tem contato com outros cidadãos onde ele para, ele lega ao local visitado muito mais do que dinheiro: num papo, ele transmite conhecimentos, valores, faz compras, principalmente de produtos artesanais, que já significa levar nossa cultura. Entre tantos, alguns escrevem sobre o que viram e ouviram. Assim, a cultura se espalha.<br />
            A convivência, por menor que seja o espaço de tempo, verificam-se os hábitos de quem chega e este percebe a forma de vida da cidade visitada, o tipo de comércio, gerando muitas vezes solidariedade, combatendo-se a discriminação.<br />
            Pedro diz que a integração e a valorização da nossa identidade são evidentes – que ele determina como grande legado da cultura. Assim o é. E isso torna uma riqueza inigualável, a partir do momento em que donos de nossa identidade, vamos aumentando a autoestima, diminuímos diferenças, velhos e novos trocam experiências e essa integração contribui “para um povo só, sem essa de católicos, protestantes, negros, índios, brancos, todos somos brasileiros”, como diz o autor do texto.         </p>
<p style="text-align: justify"> </p>
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		<title>Diário de uma boneca de farrapos</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2010/03/diario-de-uma-boneca-de-farrapos/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 01:35:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wiltonporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[Galerescrito]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[O byronismo alarga os braços chegando até ela]]></category>

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		<description><![CDATA[


 
Água
Quando eu tornar-me água
Não quero escorrer dos teus olhos
Não quero ser bálsamo e óleos
A cobrir meu corpo, a mágoa
Quando eu tornar-me água
Que eu caia nos secos solos rachados
E deixe os sertões bem encharcados
Como a chuva que o chão enxágua
Quando eu tornar-me água
Que eu corra nos rios das lavadeiras
Que eu desça feroz na tromba d&#8217;água
Quando eu tornar-me água
Que eu sinta dos peixes as nadadeiras
E teu rosto em mim lavando uma mágoa 
COMETÁRIO
 Wilton Porto 
            Vi o livro: “Diário de uma boneca de farrapos”, de Lilla AdhLyss. Não o li. Estávamos em uma reunião ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<p style="text-align: center;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Queda+dá...jpg"><img class="size-full wp-image-3608 aligncenter" title="Queda+d'á.." src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Queda+dá...jpg" alt="Queda+d'á.." width="121" height="95" /></a></p>
<p> </p>
<p>Água</p>
<p>Quando eu tornar-me água<br />
Não quero escorrer dos teus olhos<br />
Não quero ser bálsamo e óleos<br />
A cobrir meu corpo, a mágoa</p>
<p>Quando eu tornar-me água<br />
Que eu caia nos secos solos rachados<br />
E deixe os sertões bem encharcados<br />
Como a chuva que o chão enxágua</p>
<p>Quando eu tornar-me água<br />
Que eu corra nos rios das lavadeiras<br />
Que eu desça feroz na tromba d&#8217;água</p>
<p>Quando eu tornar-me água<br />
Que eu sinta dos peixes as nadadeiras<br />
E teu rosto em mim lavando uma mágoa </p>
<p style="text-align: center;">COMETÁRIO<br />
 Wilton Porto </p>
<p style="text-align: justify;">            Vi o livro: “Diário de uma boneca de farrapos”, de Lilla AdhLyss. Não o li. Estávamos em uma reunião em que se discutia sobre projeto de leitura. Lá o livro fora mostrado rapidamente aos presentes. Fiquei de receber alguns poemas e com esses, fazer comentário. Ele me enviou cinco poemas. Darei a minha opinião sobre essas poesias.<br />
            Lilla é jovem. Ainda não é tão conhecida no meio literário. Parece-me ser o seu primeiro livro. A avó, que estava presente naquele encontro, foi quem nos falou do livro e nos apresentou a poetisa, que estava ao lado dela. Mostrava-se orgulhosa da neta que inicia uma aventura no mundo das letras. Aventurar já é uma ousadia plausível. Muitos não o fazem e depois choram de arrependimento. A vida é realizar sonhos. Só crescem os que sonham e buscam realizar esses sonhos, que devem ser altos. Muita gente afervora o desejo de publicar um livro. Lilla, que é tão jovem, realizou essa meta.  Isso já merece os nossos parabéns, o nosso estímulo e, até o nosso agradecimento, porque ela sabe direitinho o que diz nos seus versos, que são bem elaborados e passeando na linguagem poética como manda a cartilha da literatura.<br />
            O primeiro poema que ela me mandou foi: “CORVOS, CORVOS”. Ela considera que esse vivente de pena come carniça, é infame e bica os olhos. Faz a comparação entre essa ave e os homens que ferem a honra de outrem, que “vivem das desgraças alheias”. </p>
<p style="text-align: justify;">Não minta, tu és corvo, infame!<br />
Vives sempre das desgraças alheias<br />
E ainda reclama que ninguém te ama? </p>
<p style="text-align: justify;">            Mais adiante, em outra estrofe, ela diz que se o corvo vive sofrendo é porque escolheu esse caminho e não por culpa de Deus ou de quem quer que seja. Informa a lei cósmica que, quem como o ferro fere, com ele será ferido. Pura verdade. A Lei de Causa e Efeito ou Lei do Carma trata disso: aquilo que plantamos, colheremos um dia.<br />
            A segunda poesia é um desses pesadelos da juventude, que quando não encontra guarida nos braços da pessoa amada, fica sem dormir ou dorme acordada, porque sonha com tantas coisas que termina não sonhando com nada: sonho que é verdadeiro sonho – esses sonhos acordados &#8211; devem ser grandiosos, que nos elevem e nos impulsionem a fazer algo que pode mudar o destino da humanidade. No caso dela, depois de gritos mudos, acordou. Viu que tudo não passou de pesadelo. Acredito que esse “acordar” significa o encontro com a realidade dos fatos, da vida concreta do dia a dia. Essa realidade somos nós quem a construímos com a agulha do saber.<br />
            Em FLOR BRANCA a poetisa vê uma flor branca num jardim. Ali, embora bem regada, sente solidão. A poetisa se identifica com a flor. Tanto quanto a moradora do jardim, a autora sente a tristezas dos dias, e na beleza da vida falta algo: um toque que a eleve em espírito, amor&#8230; Ela ora trata a flor com carinho, ora com raiva, desprezo, mas quer ser aquela flor: que na solidão do jardim sem vida é igual a ela, pois apesar de tanto sofrimento têm almas grandiosas.<br />
            SUSPIRA NOVAMENTE caminha pelo romantismo. É incrível como o amor continua fazendo as pessoas sofrerem, enquanto deveria ser o contrário. Principalmente entre os jovens, que estão buscando o encontro consigo. Que estão à procura do príncipe encantado sem muito alarde – querem brincar primeiro. Entretanto sofrem, escrevem versos amargos. Vejo muito isso. Os poemas primam pelo romântico e até entendo isso. Com tanto rubro pelo corpo precisa descarregar as energias sensuais. Porém, existem tantos conflitos no mundo, que deveriam fazer parte das preocupações deles (os jovens) com mais ênfase na hora da escrita. Aproveitar esse momento para marcarem o nome na história.<br />
            A poetisa, dentro da Figura de Linguagem, tem tendência à Antítese. E o byronismo alarga os braços chegando até ela. Parece ter bebido na mesma taça de Álvares de Azevedo, porque o amargor está impregnado em muitas de suas poesias.<br />
            O soneto ÁGUA fora o que mais me agradou. Ela deu uma arrebatada e encontrou a musa inspiradora num bom dia. Monta no cavalo branco do socialismo e se deixa jorrar pela vontade de ser água para regar o solo seco do sertão nordestino. Ainda assim, ela demonstra a mágoa do amor perdido ou incompreendido, uma vez que já não sente o suspiro, o sussurro daquele que ama.</p>
<p style="text-align: center"><strong>Wilton porto</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Negra sina</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2010/02/negra-sina/</link>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 04:03:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[Galerescrito]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Junyel]]></category>
		<category><![CDATA[Negra sina]]></category>
		<category><![CDATA[Wilton Porto]]></category>

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		<description><![CDATA[

         Antes que meu corpo descambe sobre o patíbulo, contar-vos-ei uma história oculta, a qual sobrepujou meus execrados atos.
          O meu relógio marcava vinte e três horas e quarenta e cinco minutos; a lua e as estrelas eram algumas das escassas fontes luminosas naquela noite sinistra já que, as candeias haviam sido apagadas pelo vento, o qual soprava freqüentemente. A rua pela qual caminhava era cercada por casarões coloniais, os quais davam a impressão de imponência e fidalguia àquele lugar. Subitamente, um dos quartos de um dos casarões fora clareado ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<div id="attachment_3385" class="wp-caption alignleft" style="width: 209px"><img class="size-medium wp-image-3385" title="42-21680870" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/02/42-21680870-199x300.jpg" alt="Foto: Elisa Lazo de Valdez/Corbis" width="199" height="300" /><p class="wp-caption-text">Foto: Elisa Lazo de Valdez/Corbis</p></div>
<p style="text-align: justify;">         Antes que meu corpo descambe<strong> </strong>sobre o patíbulo,<strong> </strong>contar-vos-ei<strong> </strong>uma história oculta, a qual sobrepujou<strong> </strong>meus execrados atos.<br />
          O meu relógio marcava vinte e três horas e quarenta e cinco minutos; a lua e as estrelas eram algumas das escassas fontes luminosas naquela noite sinistra já que, as candeias<strong> </strong>haviam sido apagadas pelo vento, o qual soprava freqüentemente. A rua pela qual caminhava era cercada por casarões coloniais, os quais davam a impressão de imponência e fidalguia àquele lugar. Subitamente, um dos quartos de um dos casarões fora clareado por uma lâmpada de luz pública. A janela encontrava-se aberta, exibindo uma forma feminina; escondido, atrás de um arvoredo, observava a tal donzela despir-se. Logo a lâmpada fora desligada e o quarto voltou à escuridão de outrora.<br />
         Durante alguns minutos, permaneci absorto. Então eis que de súbito&#8230; A luz de uma lanterna clareou minha face ofuscando minha visão; após cessar a luz incandescente, a qual iluminava meu rosto, notei que quem portava a lanterna era a donzela que antes &#8211; deslumbrado &#8211; eu a observava (na janela).<br />
         Mirando-me nos olhos, aproximou lentamente seu rosto do meu, enquanto isso, enfeitiçado pelo Lascivo olhar &#8211; dádiva de seus belos olhos esverdeados -, o qual sobrepujava<strong> </strong>o doce desejo nos homens, permanecia estático; então de repente, em minha boca seca de afagos, senti o doce sabor de seus lábios – incrível, não podia crer – tão repentino, como o beijo, fora nossa noite de amores. Quando dei por mim, estava no quarto dela: entorpecido e arquejando sobre seu corpo (desnudo). Mas é sabido que a chama de toda vela reproduz uma penumbra, sendo assim, como que premeditadamente, um homem de porte aristocrático entrou no quarto e, ao tirar uma das luvas de suas mãos, atirou-a sobre minha face. Era sinal de duelo. Caminhamos até um salão. O tal homem puxou duas espadas que ornavam um escudo nobiliárquico, deu-me uma delas. Encostamos ambas as espadas; uma lágrima solitária escorria sobre a face pálida da “ninfa” – a única testemunha de nosso duelo.<br />
         Ele deu início ao combate. Porém, com um golpe impetuoso, decepei- lhe a cabeça. O corpo dele caiu ensanguentado e exangue, colorindo de rubro, o solo. Então, repentinamente&#8230; Uma voz ressoou em meu subconsciente, &#8211; inacreditável – tudo fora  apenas um sonho, pois  como um mendigo, adormecera na calçada. Entretanto, o mais intrigante foi quando minhas pálpebras abriram-se e minha primeira visão fora a face do homem o qual havia assassinado em duelo. E ao seu lado estava a mecena de meu devaneio a chamá-lo de marido.<br />
          Encontrava-me desvairado devido às incógnitas que oscilavam<strong> </strong>em minha mente. Ainda assim, agradeci-lhes. E fitando-a lubricamente, despedi-me.<br />
          Esse sonho foi para mim uma melancólica e misteriosa lembrança virtual. Melancólica, porque desejava seu corpo acetinado em meu leito, orvalhado por longas e regozijantes noites de amores, às quais, foram apenas, quimeras utópicas. E misteriosa pelo fato de ter sonhado com um alguém que eu conheceria pouco tempo depois.<br />
          Este sonho foi meu algoz, pois o desejo exacerbado, o qual sentia por ela, fez-me deflorá-la e assassinar seu esposo &#8211; o comendador &#8211; o qual vós, povo que tendes sede de sangue e justiça conhecia bem; sendo assim, com os pés no cadafalso, espero, ansioso, meu remitente – o carrasco&#8230; </p>
<p style="text-align: center;"><strong> Junyel</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>COMENTÁRIO</strong></p>
<p style="text-align: center;">    Wilton Porto</p>
<p style="text-align: justify;">             Mais um conto de Junyel. Percebem-se as características do conto anterior: Necrópole, em que este autor caminha pelo psicológico, revelando os anseios eróticos presos no subconsciente, no qual a mulher desejada se lhe escapa e se queda nos braços dele molhada de vibração por meio de sonho.<br />
            Escritor faminto pelo saber da História, o fato se passa na era colonial e traduz como se passava as resoluções da ciumeira da época: com a espada em punho até o respiro último de um dos combatentes. Os escritores românticos, nos seus romances em que deixam levitar o trágico, geralmente nos deixam entender que essa disputa sangrenta era uma labareda acesa na mente dos amantes.<br />
            Se donzelas se deixavam mortificar nos palacetes ou quarto de um convento, como fora o caso contado no romance “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, não faltaram as madalenas casadas, que cheiravam os espessos líquidos sob os auspícios da kama sutra.<br />
            Junyel que vem demonstrando queda por esse tipo de literatura, bem revela esse lado que ainda se nos apresenta a sociedade: o jogo de sedução nas suas múltiplas facetas – traições, sonhos eróticos tão vibrantes como se reais fossem, masturbações levadas pela desilusão do desencontro ou paixão a um.<br />
            Na esperteza do autor, o conto mostra a realidade de uma época. Já no início, ele nos traz a palavra “patíbulo”, que traduz um sacrifício não inerente à realidade do Século XXI. No final do texto, Junyel nos brinda com a palavra “cadafalso”, que tem o mesmo sentido da palavra anterior e significa “Estrado ou local onde os condenados sofrem a pena capital”. Lembremos que o brasileiro Tiradentes fora levado ao cadafalso. Ali fora enforcado, esquartejado&#8230; – conta a História do Brasil.      <br />
          “Esse sonho foi para mim uma melancólica e misteriosa lembrança virtual. Melancólica, porque desejava seu corpo acetinado em meu leito, orvalhado por longas e regozijantes noites de amores, às quais, foram apenas, quimeras utópicas. E misteriosa pelo fato de ter sonhado com um alguém que eu conheceria pouco tempo depois”.<br />
          O trecho acima é repetição de uma parte deste conto. Quero chamar a atenção para o fato de que o autor nos remete para “uma melancólica e misteriosa lembrança virtual”. Que “misteriosa pelo fato de ter sonhado com alguém que eu conheceria pouco tempo depois”.<br />
          Será que o contista vivera essa história no passado? Ouvira de alguém em outra era, ou até contou em alguma obra em outra encarnação? Ele diz ser “Apenas quimeras utópicas”, ou seja, confirma o sonho, porém na vida real, ele a conhece posteriormente.<br />
          E aí? Não deveria continuar a história? A conheceu depois. O que sentiu? Houve algum contato físico? Como devemos interpretar esse final?: “Com os pés no cadafalso, espero, ansioso, meu remitente – o carrasco.”  “Espero?” Se o fato acontecera na época colonial e ainda fora o sonho! Esse “espero” está mal colocado ou autor está querendo nos informar que esse encontro no após repetiu aquela tara dos dois lados?<br />
          Junyel tem um dom poético muito aguçado. Não poderia ser diferente: ele também alinhava versos potentes. Neste conto, ele prima pelo romantismo. E como texto romântico é natural que o autor se deixe impregnar pela poeticidade que lhe é latente.<br />
          O conto do autor está bem elaborado – demonstra que o contista buscou as características que o coloca como escritor que sabe onde pisa e que quer dar o melhor de si para garantir o respeito do leitor.</p>
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		<title>A vida é real</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 02:37:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Elton Araújo Almeida]]></category>
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    “A vida é real”, narrado em 1.ª pessoa, conta a história de Getúlio, um jovem mal-amado, que vê o mundo de forma pessimista e cheio de defeitos, e passa as lamúrias do seu amigo Carlos &#8211; um jovem que pode ser visto como um garoto ingênuo ou pelo menos se faz de tal. Ambos ficam num banco de uma praça discutindo sobre a sociedade em geral, porém eles sabem, principalmente Getúlio, o elo principal da narração: que todas essas reclamações não resultarão em nada, é como chover no molhado.



 



 
A ...]]></description>
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<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
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<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td>
<div id="attachment_3265" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img class="size-medium wp-image-3265" title="42-23243307" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/01/42-23243307-200x300.jpg" alt="Foto: Paul Burns/Corbis" width="200" height="300" /><p class="wp-caption-text">Foto: Paul Burns/Corbis</p></div>
<p>    “A vida é real”, narrado em 1.ª pessoa, conta a história de Getúlio, um jovem mal-amado, que vê o mundo de forma pessimista e cheio de defeitos, e passa as lamúrias do seu amigo Carlos &#8211; um jovem que pode ser visto como um garoto ingênuo ou pelo menos se faz de tal. Ambos ficam num banco de uma praça discutindo sobre a sociedade em geral, porém eles sabem, principalmente Getúlio, o elo principal da narração: que todas essas reclamações não resultarão em nada, é como chover no molhado.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> </td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="text-decoration: underline;">A vida é real</span></strong> </p>
<p>               A tarde é fria como os longínquos dias da humanidade. Chego ao banco da praça e me sento. Carlos não havia chegado ainda. Nesse meio tempo, observo o movimento ao redor: poucos carros passam; assim como as pessoas. Uma garota muito bela cruza comigo. Olha-me rapidamente; faz uma cara de deboche e depois tira a vista com um sorriso sarcástico. Um pouco mais na frente, encontra-se com um jovem de boa aparência, num transporte, em seguida, ele a convida para sair; ela entra no carro e eles partem, talvez seja um conhecido.<br />
               Eu, olhando as passantes, desperto com alguém que toca meu ombro, dizendo: &#8211; Getúlio, como sempre admirando a beleza feminina!<br />
                Não sei, na verdade, de que beleza ele estava se referindo, mas se fora sobre aquela garota, preferi não comentar inicialmente.<br />
               &#8211; Lá vem você com suas ironias. O que foi que ela fez?<br />
               Olhei para Carlos com um olhar conformado, sem vontade de continuar com aquele assunto, mas, enfim, acabei dizendo: &#8211; uma jovem igual à grande maioria. Só a procura de alguma coisa para satisfazer seus interesses.<br />
                &#8211; Poxa! Você começou o dia bem! Por falar em dia, como foi ele?<br />
               &#8211; Mais ou menos, acordei, tomei o meu café, assisti aqueles noticiários de sempre, guerra na Palestina, conflitos tribais na África, os interesses burgueses norte-americanos, tragédias em geral, acidentes, assaltos terminados em morte, desemprego, pessoas passando fome, desejos políticos etc.<br />
                &#8211; Chega! Eu vim aqui para conversarmos sobre a nossa rotina e não do que é óbvio!<br />
              &#8211; Está bem, Carlos, o que você fez hoje, e de onde veio para chegar atrasado?<br />
               &#8211; Venho da igreja, estava assistindo a missa das 16h.<br />
               &#8211; Não sei por que você ainda perde tempo ouvindo as bobagens que o padre Joaquim diz.<br />
               &#8211; E qual é o problema com o padre Joaquim? Ele falou de amor, de como devemos tratar o nosso próximo e &#8230;<br />
               &#8211; É. Imagino que a maioria dos servos de Deus ou está dormindo, ou olhando para a roupa do irmão, criticando alguém no pensamento&#8230; Bem, se eu fosse perguntar a eles o que o padre falou, seria mais fácil eles me responderem com quem estava tal irmão, alguma fofoca fora de questão. E o seminarista Mauro, continua sendo hipócrita?<br />
               &#8211; Getúlio, o Mauro é um cara legal, estudioso e segue bem as normas da igreja.<br />
               &#8211; Segue tão bem que fica pegando as menininhas da cidade. E o mais invocado é que as bobocas só se aproximam dele porque ele é seminarista. Não sei qual a vantagem disso. Fora que ele é um relaxado, que vive das custas do padre Joaquim, que é outro avarento, no qual diz para sermos caridosos com os humildes, mas é o primeiro a sovinar para aqueles que vão pedir esmola na porta do convento. O que eu acho engraçado, é o pastor Alexandre discutindo com o padre Joaquim, é melhor que programa de comédia.<br />
               Porque Carlos olha para mim indignado, eu lhe respondi:<br />
               &#8211; A discussão deles é interessante: o padre Joaquim fala que todo conhecimento divino está com a Igreja e quem não tem acesso aos conhecimentos dela é um ser ignorante; já o pastor Alexandre fala que a verdade está na Bíblia, que aquele ser que trabalha, recebe seu capital, é visto como legítimo servo de Deus, além das doações caríssimas para satisfazer as demandas dessas facções cristãs, sejam elas sei lá&#8230; Luteranas, calvinistas, católicas etc. Aquele que não trabalha, não possui nenhum capital chamativo. Pode ser chamado, aquele que abandona a Deus no ponto de vista deles, é claro.<br />
                &#8211; Getúlio, o que é importante é a fé daqueles que acreditam no Senhor.<br />
               &#8211; A fé que mata a fome dos nossos conterrâneos, que o Estado tampouco se importa, já que não passam de uns pobres coitados de classe baixa, pois primeiramente necessita satisfazer as conveniências da burguesia, é a mesma fé que protege diariamente as pessoas que andam nas ruas, para não serem mortas por alguém sem coração, como tantos outros indivíduos sem sensibilidade, que falam de amor, se dizem servos de Deus, mas na verdade são vampiros que só se aproximam de alguém para ter algo em troca, uma vez terem bebido todo o sangue desta vida, e depois jogam a carcaça fora. Muitas dessas pessoas usam a religião como máscara para assim poder atender sua soberba. Talvez, meu caro Carlos, ter fé é só uma ilusão. Dizem que rezar pelo amanhã deixa você mais forte, se você só vê caos em toda parte; hipocrisia, egoísmo. As pessoas acham que estão bem, que o mundo é perfeito e não é, e nunca vai ser. Falar que a vida é bela, é estar sendo egoísta, pois você só pensa em si, enquanto as pessoas satisfazem seus vícios matérias e carnais, a luxúria ao extremo, em os jovens não ligam mais para o amor, somente se importam em usar as pessoas para satisfazerem seus desejos mais nojentos e promíscuos. As garotas que antes se via nos livros eram donzelas que se preparavam para um único homem. Hoje, na realidade, são de vários, se entregam de uma maneira tão vulgar, que mais parecem cadelas no cio. O exemplo mais claro são essas festas atuais, em que depois que homens e mulheres se satisfazem carnalmente, cada qual vai para o seu lado, lembrando um bando de animais selvagens no canil.<br />
               Abismado, Carlos olha para mim de uma maneira estranha, logo perguntando: &#8211; O que foi? O que aconteceu? Por que essa revolta?<br />
              &#8211; Bem. &#8211; eu respondi: &#8211; Geralmente, quando um homem sente dor, ele grita aquela dor em forma de pensamentos: “Lucy ignora-me, trocou-me por um jovem considerado um deus Apolo da vida. Só porque ele é atraente e recatado, ele é melhor do que eu. Então, ser mais homem é isso?! O que eu já fiz por ela, será que nunca teve valor, nada?! E meu amor?”.<br />
               Carlos respondeu: &#8211; A beleza interior é a que vale.<br />
               &#8211; Se fosse verdade não haveria distinção entre se você é feio, negro, gordo ou se é visto como um mongol ou possui alguma deficiência física. Essas coisas não atrapalhariam a sua vida, mas as pessoas procuram conformar-se com o óbvio. Não seria melhor se todas as pessoas fossem iguais fisicamente, socialmente e não houvesse as diferenças? Assim, o que distinguiria um do outro, seria a personalidade e o caráter de cada um. Se aos olhos de Deus, todos somos iguais, por que Deus nos permite viver num mundo cheio de desiguais, onde só o preconceito predomina, onde você não é visto pelo que tem a oferecer de concreto e sim de abstrato?!<br />
              Carlos olha as horas quase querendo ir embora, pois eu pareço chateá-lo com as minhas críticas, os meus desabafos.<br />
              A noite cai; pequenas auréolas se formam ao redor das lâmpadas dos postes, indicando que a temperatura está caindo. Carlos fala: &#8211; Eu já vou indo, está tarde. &#8211; e falando sarcasticamente diz: &#8211; Não vá cometer suicídio!<br />
               &#8211; Poxa! Por que eu nunca pensei nisso?! Dizem que quem se mata vai para o inferno, ou seja, significa que você não sai do lugar. Mas por que se matar, se existem vidas piores do que a minha? Há pessoas que falam que é loucura, porém nunca ninguém procura se colocar no lugar da pessoa que sofre, seja lá qual for o problema. Mais idiota que seja. Pois o que faz uma pessoa matar-se pode ser vários motivos, porém é um que finaliza. Eu garanto que nem mesmo Jô aguentaria, se na sua época, estivesse do seu lado uma arma de fogo. Com certeza, ele atiraria na própria cabeça, ou seja, não devemos acreditar em tudo que lemos.<br />
              Carlos já indignado comigo, falando de uma maneira irritada, grita comigo, dizendo:- Mas que droga, Getúlio! Diga-me uma coisa: o que diabo você quer afinal!<br />
             Com lágrimas nos olhos, contudo sem gaguejar ou soluçar, respondi de maneira nostálgica: &#8211; O que eu quero? Pois bem. Eu vou dizer-lhe o que eu quero: gostaria que as pessoas parassem de ser tão fingidas, egoístas e orgulhosas, amassem aqueles que mostrassem verdadeiro valor, que não é ter dinheiro, ou qualquer coisa desse maldito mundo capitalista; quero que as pessoas deixem de ser tão cegas e consigam ver além dos seus próprios olhos; que os lendários lemas: igualdade, liberdade e fraternidade tornem-se reais e não ilusórios como essa vida que é cruel e muito real. Gostaria que as pessoas se aproximassem de alguém para ter um vinculo amistoso e não por interesses banais. Quero que a vida seja mais justa. Que aqueles que trabalham, que se sacrificam por algo, que lutam dia após dia sejam gratificados. Almejo que o amor seja correspondido pelas pessoas que adoram partir corações e não procuram entender o outro lado. Eu sonho ver Deus. Que ele venha a terra, mostre a sua face, destrua os nossos medos e tire a sua máscara. Eu quero a Lucy. Que ela me ame pelos meus predicados e me entenda pelo que eu sou, não por aparência, status ou conveniência pessoal ou social. Não só ela, mas que o mundo em geral veja o verdadeiro valor do que é abstrato. É isso o que eu quero, pois nós somos espíritos neste mundo materialista.<br />
             Sem dizer mais nenhuma palavra, Carlos levantou-se e seguiu seu rumo e eu segui o meu, cada um indo para o lado oposto. Talvez ele concorde comigo, mas não quer enxergar o todo.<br />
             Quem sabe, ele esteja certo em parte? Às vezes é bom ser cego e ficar em cima do muro, já que enquanto comemos e bebemos há muita dor em toda parte. Mortes, sofrimentos são uma infinita maldade que sinto afogar-me nela. Todavia através dessa ofuscação mental é que poderia haver uma tentativa de não se ser infeliz, de não se conseguir a sufocação das nossas almas.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elton Araújo Almeida<br />
</strong><strong>Pré vestibular Colégio Dez</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>COMENTÁRIO<br />
</strong>    Wilton Porto<strong> </strong></p>
<p>      Elton Araújo é um cronista antenado com a atualidade. Tem escrito com muita desenvoltura sobre os conflitos da humanidade, principalmente no tocante ao relacionamento, ao egoísmo, orgulho, pedantismo. Às vezes, a religião recebe comentários. Até acho que não poderia ser diferente, já que como ocidentais, recebemos – desde a infância – uma educação religiosa primorosa. Ou seja: nossos pais, católicos ou evangélicos, costumam levar os filhos para a igreja, tentam educá-los dentro dos catecismos, estudos evangélicos, grupos de jovem.<br />
              Entretanto, quando crescemos, partimos para as escolas, trabalhos, internet. Passamos a descobrir outros valores. E dependendo do acúmulo de conhecimento guardado no nosso subconsciente, vamos percebendo, visualizando erros e acertos. Os erros nem sempre são bem absorvidos ou aceitos.<br />
               Sabe-se que a educação, em qualquer parte do mundo, muita vezes leva o homem a se integrar mais com as coisas dos cinco sentidos do que com a intuição, os valores espirituais. É evidente, quando vemos a forma como as pessoas se apegam a casa, carro, festas, sexo, poder econômico. Os relacionamentos conturbados nunca deixaram de existir. Drogas, roubos, assassinatos. Ir a uma festa atrai mais do que ir a uma missa ou culto evangélico. E se perguntarmos quantos leem e discutem os Evangelhos em casa, pode acreditar o leitor, o mínimo.<br />
              Quando o jovem é humilde, pobre ou feio, costuma-se colocá-lo de lado. Achando-se peixe fora d’água, ele se retrai, tem dificuldade de digerir aquilo e a sensibilidade é tocada pela amargura, gerando inconformismo e outros problemas de ordem psicológica.<br />
               Já ouvi muita gente afirmar de como fora tratada em certos ambientes. Roupas, sapatos passam a ter uma importância fora do comum. Há os que chegam a expulsar o freguês com palavras deselegantes, como se fossem ladrões ou pedintes.<br />
              Entre os jovens, de famílias mais abastadas, não se preocupam se estão ferindo o colega mais pobre ou menos atrativos em beleza física. Esquecem completamente que um dia a beleza cai por terra: aparecem as rugas, a musculatura já não será a de antes. E como nem sempre o atrativo físico significa requinte interior, preparo psicoespiritual, mais tarde, quando esses jovens perceberem que o interior é mais importante, já é tarde.<br />
               Elton, nesta crônica, trabalhou com sucesso esse tema. Num banco de praça, dois personagens desenrolam essa verdade. Chamam o leitor para uma análise, exigem que vejamos como estamos agindo e pedem que tomemos posicionamento: somos integrantes da sociedade, temos parcela de responsabilidade, acima de tudo com os nossos filhos em desenvolvimento educacional, cultural.<br />
               Um personagem diz: “O que eu quero? Pois bem. Eu vou dizer-lhe o que eu quero: eu gostaria que as pessoas parassem de ser tão fingidas, egoístas e orgulhosas, amassem aqueles que mostrassem verdadeiro valor, que não é ter dinheiro, ou qualquer coisa desse maldito mundo capitalista”.<br />
              Bela porrada no nosso rosto! Primorosa, chega a ser, se considerarmos escrita por um jovem escritor que ainda nem é universitário, embora Elton tenha sido aprovado em primeiro lugar no vestibular para História, na UFPI. Último vestibular.<br />
              A crônica de Elton tem um sabor de mel, quando ela traduz essas diferenças sociais e religiosas. Ao nos colocar diante de nós mesmo, para numa reflexão demorada, tomarmos consciência de quem somos. Que papel estamos prestando na família e na comunidade onde vivemos.<br />
              A crônica não deixa de revelar o como muitas jovens vêm agindo, levadas pela facilidade ou liberdade de ação. Muitas garotas, jovenzinhas, têm vida sexual ativa sem a menor preocupação. Muitas aparecem grávidas e são os pais que tomarão conta dos filhos. Quando não acontece o pior: o aborto, uma vez que os pais das crianças escapam pelas laterais.<br />
              Seria interessante que não só se lessem a crônica de Elton Araújo, todavia que se fizesse muitos comentários.</p>
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		<title>Despedida</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 03:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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Foto: Micro Discovery/Corbis


 
Às  hemácias  que compõem
Meu sangue impuro,
Malfadadas a fazer-me ter
A vida, ver a luz,
Só lhes peço
Em tão sofrer vital do mundo
Que me esqueçam agora
Pois pretendo ver as trevas ou Jesus.
Não mais quero
Ser jurado pela vida
E num futuro bem próximo
Ser fadado a ver-me mal
E olhando-me ao espelho
Eu, velho e roto,
Ver minha alma em fracasso
Sem ter provado o sacro ou o carnal.
Jhônatas  Marcelo Sousa da Silva: Colégio Dez
COMENTÁRIO
Wilton Porto
            Dizem que temos um Caim e um Abel dentro de nós. Podemos usar do bem ou do mal. Pendermos para o material ...]]></description>
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<dl id="attachment_2638" class="wp-caption aligncenter" style="text-align: center; width: 234px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/12/42-15874038.jpg"><img class="size-medium wp-image-2638" title="42-15874038" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/12/42-15874038-224x300.jpg" alt="Foto: Micro Discovery/Corbis" width="224" height="300" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Foto: Micro Discovery/Corbis</dd>
</dl>
</div>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Às  hemácias  que compõem<br />
Meu sangue impuro,<br />
Malfadadas a fazer-me ter<br />
A vida, ver a luz,<br />
Só lhes peço<br />
Em tão sofrer vital do mundo<br />
Que me esqueçam agora<br />
Pois pretendo ver as trevas ou Jesus.</p>
<p style="text-align: justify;">Não mais quero<br />
Ser jurado pela vida<br />
E num futuro bem próximo<br />
Ser fadado a ver-me mal<br />
E olhando-me ao espelho<br />
Eu, velho e roto,<br />
Ver minha alma em fracasso<br />
Sem ter provado o sacro ou o carnal.</p>
<p style="text-align: justify;">Jhônatas  Marcelo Sousa da Silva: Colégio Dez</p>
<p style="text-align: center;"><strong>COMENTÁRIO<br />
</strong>Wilton Porto</p>
<p style="text-align: justify;">            Dizem que temos um Caim e um Abel dentro de nós. Podemos usar do bem ou do mal. Pendermos para o material ou espiritual. Faz parte da vida terrena, do avanço na escala da subida para o celestial.<br />
            Significa dizer que, a forma como trabalhamos a nossa mente, de como agimos em sociedade no tocante aos pensamentos, expressão fisionômica e ações diárias, vamos adquirindo créditos ou débitos que direcionam nossa forma de como vamos encarnar e viver. Nascer numa favela ou num palacete como rei tem a ver com essas ações.<br />
            Numa mesma família vemos pessoas com inclinações diferentes. No que diz respeito aos filhos, a educação costuma ser igual para todos. No entanto, aparece a ovelha ou ovelhas negras, como se ouve. Aqueles que são mais carinhosos e mais delicados, com espíritos humanistas do que outros. Mas é de praxe, o ser humano querer desafiar dificuldades, experimentar o lado sensual, ater-se no material, como ter uma bela casa, um charmoso carro, roupas com que bem se apresente em grupos, alimentar-se de forma satisfatória&#8230; No que se refere ao sexo, há quem diga que faz bem á saúde e, até que é maravilhoso para despertar a inteligência.<br />
            Vivemos na terra, temos um corpo físico e precisamos fazer com que ele funcione a contento. Ele precisa do material e assim temos de supri-lo.<br />
            O problema está no exagero. No esquecimento de que é uma fase. De que somos seres em evolução e de que temos a obrigação de irmos dominando o nosso lado instintivo para atingirmos o Homem-Deus, em que praticamos diuturnamente a Lei Áurea: façamos aos outros, aquilo que queremos que os outros nos façam.<br />
            Jhônatas Marcelo Sousa lembra, na sua poesia, esse nosso lado sensual, que busca o mundano, que quer experimentar as coisas dos cinco sentidos. Não se vê com constância, pessoas sem topar por algum tipo de sofrimento. Ele usou a expressão: “Sofrer vital do mundo”.<br />
            O poeta não quer ver a “Alma em fracasso, sem antes ter provado o sacro ou o carnal”. É lógico: nascemos para o santo: “Sê Santo, como Santo é o meu Pai que está nos Céus”, disse Jesus. E o autor revela isso, quando diz: “Pois pretendo ver as trevas ou Jesus”. O verso não nos remete para uma “treva” satânica, que pratica maldades ou coisas desse tipo. Ele quer viver a juventude, experimentar as coisas belas da vida que estão nas entrelinhas do dia a dia.<br />
            Quando ele diz: “Que me esqueçam agora”: sétimo verso, da primeira estrofe, está muito claro a ideia de não passar a juventude em “brancas nuvens”. Quer brincar, amar, descobrir, vivenciar momentos únicos.<br />
            Ele é jovem e é natural que pense assim. Eu já recomendei antes e repito. Os mais experimentados na vida devem orientar os mais jovens para que usem do vigor que possuem para praticar o bem, mas sem deixá-los mofando num canto. Como na escola, todos temos que enfrentar problemas, dificuldades, para atingirmos o apogeu celestial. Se não soubermos direcionar as nossas vidas diante das adversidades, corremos o risco de sermos dominados pelas trevas. Assim, estamos queimando etapa nas encarnações e teremos que penar um bocado para chegarmos ao último degrau que nos leva ao mundo dos ditosos.</p>
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		<title>Muro de concreto e sangue</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 03:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Galerescrito]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Ao 20.º Aniversário da derrubada do Muro de Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[Assim como construímos muros de concreto]]></category>
		<category><![CDATA[cimento e cal em redor de nossas casas]]></category>
		<category><![CDATA[Como bem o dissera a jovem Renata]]></category>
		<category><![CDATA[Como sabemos]]></category>
		<category><![CDATA[Comunismo]]></category>
		<category><![CDATA[deixando os zeros bancários dos pobres lá embaixo (quando os têm) e dos empresários encimados]]></category>
		<category><![CDATA[deve primar pela satisfação do todo em todos os sentidos]]></category>
		<category><![CDATA[E ficamos impenetráveis: em condições de que não haja quem nos convença de que não somos capazes agir]]></category>
		<category><![CDATA[ela trabalha com sucesso as figuras de linguagem]]></category>
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		<category><![CDATA[Eu já li outros poemas dessa poetisa]]></category>
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		<category><![CDATA[Não significava uma imposição ideológica de um comunismo ultrapassado]]></category>
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		<category><![CDATA[O Muro de Berlim não era apenas a divisão de classes políticas]]></category>
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Foto: Construction Photography/Corbis


 
(Ao 20.º Aniversário da derrubada do Muro de Berlim)
O horizonte cinza
Que dividia essa cidade
Caiu e fez poeira no chão
Como fez sombra
No coração de famílias separadas.
Pessoas subiram no muro
Gritaram, cantaram a liberdade.
Rostos enrugados pelo tempo
Enfeitaram-se com sorrisos largos.
Os braços se alongaram
Em mil abraços
Em mil bocas que falavam
E beijavam.
Há tantos muros a serem derrubados ainda
E no entanto tantos muros
São erguidos todos os dias
Dentro e fora de cada um.
Muros de concreto e sangue.
Muros de cimento, cal e suor.
Novos burgos íntimos
Feitos de pele e pedra
Que podemos destruir com essas mãos
Que quanto mais ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<dl id="attachment_2581" class="wp-caption aligncenter" style="text-align: center; width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-medium wp-image-2581" title="42-20497585" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/11/42-20497585-300x201.jpg" alt="Foto: Construction Photography/Corbis" width="300" height="201" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Foto: Construction Photography/Corbis</dd>
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</div>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;">(Ao 20.º Aniversário da derrubada do Muro de Berlim)</p>
<p style="text-align: center;">O horizonte cinza<br />
Que dividia essa cidade<br />
Caiu e fez poeira no chão<br />
Como fez sombra<br />
No coração de famílias separadas.</p>
<p style="text-align: center;">Pessoas subiram no muro<br />
Gritaram, cantaram a liberdade.<br />
Rostos enrugados pelo tempo<br />
Enfeitaram-se com sorrisos largos.<br />
Os braços se alongaram<br />
Em mil abraços<br />
Em mil bocas que falavam<br />
E beijavam.</p>
<p style="text-align: center;">Há tantos muros a serem derrubados ainda<br />
E no entanto tantos muros<br />
São erguidos todos os dias<br />
Dentro e fora de cada um.<br />
Muros de concreto e sangue.<br />
Muros de cimento, cal e suor.</p>
<p style="text-align: center;">Novos burgos íntimos<br />
Feitos de pele e pedra<br />
Que podemos destruir com essas mãos<br />
Que quanto mais calejadas<br />
Mais fortes<br />
Que quanto mais unidas<br />
Mais humanas.</p>
<p style="text-align: center;">Subamos nos muros<br />
E cantemos e gritemos:<br />
LIBERDADE!!!<br />
E deixemos que nossos braços se alonguem<br />
E se tornem capazes<br />
De abraçar o próximo </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Renata Maria de Sousa Silva<br />
</strong><strong>Colégio Dez (Parnaíba-PI)</strong> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>COMENTÁRIO<br />
</strong>Wilton Porto </p>
<p style="text-align: justify;">       Esta é a segunda poesia que Renata publica no PIAGUI virtual. A primeira fora A MESMA PESSOA ERRADA.<br />
      Eu já li outros poemas dessa poetisa, escritas há três e há dois anos. Confesso que ela deu um pulo maravilhoso. Isso significa que a estudante vem se preparando, buscando se enfronhar mais com o poetar. O escritor tem de ler muito outros autores e autoanalisar-se constantemente. Ela tem o feito e resultado é evidente.<br />
      O Muro de Berlim não era apenas a divisão de classes políticas. Não significava uma imposição ideológica de um comunismo ultrapassado. Era o desavanço de mentes que achavam no poder de comando a satisfação de estar por cima. Comunismo, que vem de comum a todos, deve primar pela satisfação do todo em todos os sentidos. Se há insatisfação, leva-nos acreditar que não é comunismo. Pelo menos no sentido mais puro, como deveria ser.<br />
      Como bem o dissera a jovem Renata, na primeira estrofe, o horizonte cinza que fez sombra e dividiu famílias, estatelou-se entre poeira do chão de Berlim. E sobre gritos e cantar de liberdade, o povo viu surgir uma nova aurora no arrebol brioso. Abraços, risos, conversação passaram a enfeitar o torrão. Todos se tornaram um. Brancos e negros se beijando descontraídos, alheios ao ritmo da condição social, faziam falar mais alto o raiar da Liberdade – desejo de qualquer ser criado.<br />
      Como sabemos, nós os humildes, o capitalismo selvagem deixa marcas profundas! Para atingir o lucro, o capitalista usa de todas as formas. Montado numa rede de marketing traçada com muito esmero, obriga-nos a comprar sem querermos e prepara meios que nos incutem como facilitadores, entretanto, mais a mais-valia se eleva, deixando os zeros bancários dos pobres lá embaixo (quando os têm) e dos empresários encimados.<br />
      Na terceira estrofe, ela trabalha com sucesso as figuras de linguagem.  Tantos muros dentro e fora de nós&#8230; Existe muro dentro de nós? Para o poeta tudo é possível: até descobrir que há muitos muros dentro de nós. E não é que muitas vezes deixamos de fazer algo porque o medo nos é uma verdadeira muralha! Não vemos os mais desfavorecidos deixarem de agir, porque acreditam que os políticos – que são nossos funcionários – podem prendê-los se abrir a boca ou agir em causa própria!<br />
      Assim como construímos muros de concreto, cimento e cal em redor de nossas casas, os levantamos do mesmo jeito dentro de nós. E ficamos impenetráveis: em condições de que não haja quem nos convença de que não somos capazes agir. Não nos deixamos dominar, nem ficamos paralisados – como alguém que teve um derrame e ficou com um lado do corpo sem poder se mexer.<br />
      Renata se deu bem com as metáforas: anjos bons que acompanham diuturnamente o poeta. Não costumamos ver as pessoas levantando muros de “concreto e sangue”. Renata, no entanto, escreve sobre esse tipo de muro de forma correta e necessária para o bom desempenho do poetar.<br />
      Renata nos fala dos burgos – fortes da Idade Média. Nossas mãos calejadas pela experiência de vida e de trabalho, quanto mais unidas, mais humanas e mais fortes. Belo exemplo, hein, Renata! Aprender com os mais jovens não nos tira pedaço: unamo-nos para derrubarmos os castelos, muros externos que dificultam nossas andanças e construamos uma muralha de conhecimentos, de amor, de coragem&#8230; Em nosso interior. Ninguém poderá, assim, nos derrotar em qualquer empreitada. <br />
      É natural nos poetas o lado humanista. Eles estão quase sempre insatisfeitos com a maneira como os governantes nos submetem na aplicação da política. A população nunca está em primeiro lugar. Não faltam os que metem o bedelho em busca de satisfazer os próprios interesses. Empresários querem pagar menos impostos. Os representantes do povo aprovam leis conforme as conveniências do grupo que participa. O poder de comando &#8211; que deveria ser democrático &#8211; passa pelo crivo apenas de algumas cabeças e quando a nação se dá conta, os desejos dessa minoria já foram aprovados e a população fica chupando o dedo. Há aqueles que nem sabem o que está acontecendo, tal a forma como os tecnocráticas firmam ideologias.<br />
      É preciso que “Subamos nos muros e cantemos e gritemos: LIBERDADE!!!”, como o dissera a poetisa na última estrofe. Assim, ganhamos confiança, nossos braços se “alongam” e nos tornamos capazes de abraçar o próximo, ou seja, lutarmos juntos, para regressarmos ao solidário e nos sentirmos fortes para derribarmos esse tipo de vida que nos impõem aqueles</p>
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		<title>Bloqueio Cultural</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 04:14:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Galerescrito]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[A crônica crítica que ele escreveu contempla o que botei na pequena poesia: crítica]]></category>
		<category><![CDATA[a irreverência]]></category>
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		<category><![CDATA[além de ser entrevistado em um programa da tarde na rede Bandeirantes e ser comentado em um programa da Mtv (descarga MTV)]]></category>
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		<category><![CDATA[Bloqueio Cultural]]></category>
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              Oi, eu sou o Raphael, e faço parte da equipe do Teoria do Pikachu, o blog mais jovem e libertário do mundo! Não tenho muito o que explicar a respeito do blog, pois esta parte aqui  foi a melhor apresentação que eu fiz na minha vida: &#8220;o blog mais jovem e libertário do mundo&#8221;.
              O título eu preferi não colocar, por algum motivo&#8230; Eu prefiro colocar “bloqueio cultural”, mas este título dará um tom muito polêmico para o texto.
              Conhece aquela famosa história de que o Acre não existe? ...]]></description>
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<div id="attachment_2461" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2461" title="42-21779572" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/11/42-21779572-300x226.jpg" alt="Foto: William Radcliffe/Science Faction/Corbis" width="300" height="226" /><p class="wp-caption-text">Foto: William Radcliffe/Science Faction/Corbis</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Oi, eu sou o Raphael, e faço parte da equipe do Teoria do Pikachu, o blog mais jovem e libertário do mundo! Não tenho muito o que explicar a respeito do blog, pois esta parte aqui  foi a melhor apresentação que eu fiz na minha vida: &#8220;o blog mais jovem e libertário do mundo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">              O título eu preferi não colocar, por algum motivo&#8230; Eu prefiro colocar “bloqueio cultural”, mas este título dará um tom muito polêmico para o texto.<br />
              Conhece aquela famosa história de que o Acre não existe? Se não conhece, eu explico: nós, jovens de 17 e 18 anos, não sabemos quase nada de lá, da cultura, da música, nada. Artistas ou gente conhecida então? Só me lembro do Enéas, aquele político maluco do PRONA. A mídia e a cultura popular não divulgam muito que acontece naquela área afastada do grande pólo SP/RJ, e graças a esse desboque, nossa geração ignora totalmente este Estado. Por tudo isso, totalmente na brincadeira, se convencionou dizer que o Acre não existe.<br />
              Mas o Acre existe, e lá tem toda uma cultura que não chega até nós por certo bloqueio da mídia ou dos meios de comunicação. Este bloqueio não ocorre com o Piauí. Um grande exemplo disto é o Frank Aguiar, músico popular em todo o país. Outro exemplo mais atual é a nossa poderosa e absoluta&#8230;<br />
              Stefhany tornou-se famosa por todo o país, depois de protagonizar um videoclipe caseiro em que ela canta seu sucesso a bordo de um &#8220;crossfox&#8221;. O Brasil esqueceu a falta de talento da garota, para a cantoria, e abraçou a artista de vez, transformando uma adolescente de 17 anos em um fenômeno, precisamente, um fenômeno trash.<br />
             Fenômeno trash &#8211; lixo em inglês &#8211; é tudo aquilo que faz sucesso pelos motivos errados: talvez pelo mau gosto, pela natureza &#8220;alternativa&#8221; e pela sensação de que aquele sucesso todo só existe graças ao tom estranho e exótico. Mas a Stefhany não é o único fenômeno trash feito em terras Piauienses&#8230;<br />
              Lucas celebridade, autointitulado clamor luzilandense, é outro grande hit juvenil e TRASH. Sua falta de humildade característica o fez ganhar destaque na internet, onde tem este blog, além de ser entrevistado em um programa da tarde na rede Bandeirantes e ser comentado em um programa da Mtv (descarga MTV). Ele é famoso e ninguém sabe o porquê, mas é famoso, e é TRASH.<br />
              Dois grandes nomes Piauienses conhecidos nos meios de comunicação jovens, por motivos no mínimo diferentes. Que tipo de visão as pessoas que não conhecem nossa cultura terão de nós, depois de conhecer 2 artistas atuais trash nascidos aqui? O que as pessoas que acreditam na inexistência do Estado do Acre &#8211; por não conhecer ninguém famoso de lá &#8211; pensam da cultura daqui, se tudo que eles têm de exemplo são a Stefhany e o Lucas Celebridade? O que as pessoas do Brasil pensam de nós, depois que assistiram ao que a Dadá Coelho disse no programa do Jô?<br />
             Na noite de 22 de outubro de 2009, Dadá Coelho (Piauiense, humorista) concedeu uma entrevista para o Jô Soares em seu programa, em que ela usava o Estado para fazer humor. Ela satirizava nosso torrão de um modo genérico, já que ela faz uma espécie de humor politicamente incorreto. Um exemplo do seu humor: &#8220;Eu costumo dizer que no Piauí temos três chances: ou viramos funcionária pública, ou trabalhamos no Armazém Paraíba, ou você vai casar grávida, porque também, se não tiver grávida não rola&#8221;. Quem assistiu e acredita que o Acre não existe, deve ter feito uma péssima imagem de nosso contexto.<br />
              Onde eu quero chegar com estes exemplos todos? Não sofremos um bloqueio total, como ocorre com o Acre, mas a grande mídia só dá espaço para este tipo de &#8220;cultura Piauiense&#8221;, e isso talvez seja bem pior. Temos artistas e gente capaz de mostrar para os meios de comunicação jovem &#8211; esta que se resume a tudo àquilo que é popular na internet e em programas direcionados para a galera de 19 anos para baixo -  que a nossa cultura não se resume a Stefhany&#8217;s e Lucas Celebridade&#8217;s.</p>
<p><strong><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Raphael-Carvalho.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-2460" title="Raphael Carvalho" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Raphael-Carvalho-150x150.jpg" alt="Raphael Carvalho" width="100" height="110" /></a></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Raphael Carvalho<br />
Aluno do Colégio Dez – Parnaíba-PI</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>COMENTÁRIO<br />
</strong>Wilton Porto</p>
<p style="text-align: justify;">                               <strong>Da crítica resplende o lúdico<br />
</strong><strong>                               Do lúdico sublima o humor<br />
</strong><strong>                               Do humor nada pudico<br />
</strong><strong>                               Do pudico longe o escritor.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">               Tem me sido muito satisfatório comentar os trabalhos desenvolvidos por esses jovens: no momento do Colégio Dez, mas estudantes de outros colégios, como também professores, poderão participar deste quadro. Ficaríamos gratos se professores de literatura, escritores reconhecidos se manifestassem, fazendo comentários. Enriqueceria o quadro, daria oportunidade para esses jovens aprenderem mais. São vestibulando – os atuais – e no ato de escrever, eles estarão enriquecendo a redação. Com profissionais das letras colaborando, esses jovens sentir-se-ão mais seguros, pois estarão lendo comentários que lhes indicarão como melhor se comportarem, quando da criação dos textos.<br />
              O texto escrito por Raphael Carvalho tem uma importância inegável: conta fatos atuais, com um humor maravilhoso. Ele se impregnou do lúdico e, como é natural dele, a irreverência, sua crítica não poderia seguir outro rumo.<br />
              Iniciei o comentário com uma pequena poesia: “LONGE”, que me baseei na crítica de Raphael.  A crônica crítica que ele escreveu contempla o que botei na pequena poesia: crítica, o lúdico, o humor e tudo isso, ele pouco se preocupando com o pudor irrelevante.<br />
              Sabemos como estamos atolados em propagandas bem elaboradas, em que nos enchem a cabeça de ideologia, tendo como pano de fundo um marketing preparado por especialistas, com o intuito de que venhamos consumir aquilo que não desejamos. Para isso, ficam jogando, enquanto estamos diante da televisão ou computador, um monte de propaganda que estamos pouco preocupadas com ela, mas que de uma forma direta ou indireta, terminamos colocando-a no subconsciente. E, mais tarde, nos direcionamos para aquilo que nos prepararam com muito acuidade.<br />
              Raphael mexeu nessa ferida com propriedade. Ou algum leitor discorda?<br />
             Quando falam do eixo São Paulo/Rio de Janeiro, como o escritor frisou, procuram mostrar o máximo do que é bom. É lógico que seria muito cinismo, se em algum morro do Rio, mantendores de drogas estivessem se matando, e se fizesse de conta que nada estava acontecendo. Porém, quando se trata de revelar a miséria, a deseducação, a cultura de baixo nível, o Nordeste é o primeiro lembrado. A final, muitos dos que aqui vivem – por culpa de governantes descomprometidos, são obrigados se desgarrarem das famílias, para buscar melhor condição de vida em Estados mais beneficiados na hora da divisão do bolo.<br />
              E como se não bastasse, os próprios filhos do Nordeste, como é o caso dos artistas citado pelo autor de BLOQUEIO CULTURAL, em vez de mostrar que somos um povo ordeiro, trabalhador, inteligente&#8230; Fazem o contrário. Ouvi, que outro dia, essa cantora que o Piauí vinha dando o maior apoio: Sthefany, foi para um canal de televisão dizer barbaridades sobre o Estado que lhe deu guarida, quando precisou vir para este Plano de Vida. Resolveu cuspir no pranto que vem comendo. Despreparo? Por que atingiu certo grau de sucesso, já se acha uma grande estrela? Quanto mais o trigo cresce, mais ele deve genuflexar. Eu tenho uma poesia que diz: </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HUMILDADE</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Do egoísmo, orgulho, indiferença, pedantismo muitos fazem trança.<br />
Não sabem que do ouro, é falsa a felicidade.<br />
Quanto mais o trigo cresce, tanto o chão ele alcança. </p>
<p style="text-align: justify;">            Muita gente precisa entender isso.<br />
            Raphael, cônscio dessa verdade, demonstrou &#8211; na sua crônica – amor pelo Estado Natal. Maravilhoso isso! Defende, com garras de ouro, tudo que é nosso. Acima de tudo a nossa cultura. Se não aparecemos mais, é porque não nos dão oportunidade para tal:  bloqueiam-nos  – como diz o autor da obra, ora comentada.<br />
            O Acre, o ano passado, despendeu 17 milhões em cultura. Os governantes lá se movimentam com muita energia nesse sentido. O povo agradece e participa. Ainda podemos, com um pouco de pesquisa, saber que no Acre tem nomes expressivos no cenário nacional: Adib Jatene, Armando Nogueira, Chico Mendes, Enéas, Glória Peres e Miguel Ferrante (STF), se não me engano, pai de Glória Peres. Marina Silva, Jarbas Passarinho, Yolanda Flaming (primeira governadora do Brasil), José Vasconcelos, João Donato (entre os criadores da Bossa Nova). Foi o primeiro Estado do Brasil a realizar a Conferência Estadual de Cultura. E por aí vai.<br />
            Estados como Piauí e Acre sofrem bloqueio, porque não têm renda avantajada como os Estados do Sul e Sudeste, por exemplo. Temos riqueza natural e humana bem superior, no entanto. Querer subir artisticamente, usando de humor barato, como fora o caso da humorista (?) “Dada Coelho”, no Programa do Jô, é falta de preparo para com a profissão que abraça, quem sabe? – Falta de caráter resolvido.<br />
            Os três aqui comentados, que se dizem artistas, deveriam fazer como o cantor Frank Aguiar e os jovens que estão ocupando este quadro cultural: esbanjar talento, criatividade, senso crítico inteligente e amor a terra em que nasceram. Assim, terão como rebater críticas com frase que nem precisava de eufemismo. Trash: lixo, entulho pode até ser irreverência de um jovem rebelde, porém onde há fumaça, há fogo.<br />
            Raphael Carvalho fez uma crítica. Inteligente, digo. Que analise o leitor e tire as conclusões cabíveis.</p>
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		<title>Já tentei, não consegui!</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 03:42:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[Galerescrito]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
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Foto: H. Armstrong Roberts/ClassicStock/Corbis



 
Sempre vejo muitos casais por aí
De mãos dadas, abraçados.
Quando me coloco no lugar de um deles (imagino):
Não consigo! É como se eu não tivesse sentimentos.
Amor?! Não sei o que é isso! 
Todos dizem que amar é fácil.
Pra mim, não!
Pra mim não existe amor! 
Não sei se foi porque nunca fui amado.
Ou, então, porque nunca amei.
Só sei de uma coisa:
                                   Por alguém jamais me apaixonei.
Hellry Robert Oliveira Souza
3.º ano, tarde, Colégio Dez
COMENTÁRIO
Wilton Porto 
            Todos os dias, praticamente o dia todo, ouvimos músicas. Na sua maioria, espalhando paixão, sofrimento. A paixão ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<p><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt"></p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: center;">
<dl id="attachment_2425" class="wp-caption aligncenter" style="text-align: center; width: 253px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/11/42-20042074.jpg"><img class="size-medium wp-image-2425" title="42-20042074" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/11/42-20042074-243x300.jpg" alt="Foto: H. Armstrong Roberts/ClassicStock/Corbis" width="243" height="300" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Foto: H. Armstrong Roberts/ClassicStock/Corbis</dd>
</dl>
</div>
<p></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white"><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt"> </span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white"><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">Sempre vejo muitos casais por aí<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">De mãos dadas, abraçados.<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">Quando me coloco no lugar de um deles (imagino):<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">Não consigo! É como se eu não tivesse sentimentos.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white"><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">Amor?! Não sei o que é isso!</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt"> </span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white"><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">Todos dizem que amar é fácil.<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">Pra mim, não!<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">Pra mim não existe amor!</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt"> </span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white"><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">Não sei se foi porque nunca fui amado.<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">Ou, então, porque nunca amei.<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">Só sei de uma coisa:<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">                                   Por alguém jamais me apaixonei.</span></p>
<p style="text-align: center; margin-bottom: 0pt; background: white;"><strong><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">Hellry Robert Oliveira Souza<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">3.º ano, tarde, Colégio Dez</span></strong></p>
<p style="text-align: center; margin-bottom: 0pt; background: white;"><strong><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">COMENTÁRIO<br />
</span></strong><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">Wilton Porto</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt"> </span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN-BOTTOM: 0pt; BACKGROUND: white"><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">            Todos os dias, praticamente o dia todo, ouvimos músicas. Na sua maioria, espalhando paixão, sofrimento. A paixão corre fácil nas veias dos brasileiros. Muitas dessas canções têm sentindo duplo. Isso tem muito a ver com o sensualismo que é forte no ser humano. O homem não conseguiu trabalhar corretamente o instinto, que é o lado animalesco de todos nós.<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">            O amor é diferente. Precisamos mais de amor do que de sexo. É por isso que muitos jovens ficam perdidos, se encontram num labirinto. Não têm a base do amor familiar. Tudo que é feito sem base fica fraco, pode desmoronar facilmente. Há também a questão hoje, dos pais que querem que os filhos passem de qualquer forma no vestibular e, para esse fim, exigem que estudem 25 horas por dia, não lhes dando tempo para o divertimento, para o namoro. Fazem dos filhos verdadeiras máquinas. Oferecem tudo que é bom em termos de matéria e esquecem do principal: o amor – base de segurança, de crescimento interior, de fortaleza para enfrentarem o dia a dia.<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">            Lendo a poesia de Hellry, senti-me tocado. Comecei a ser arrimo de família aos oito anos de idade. Como penei para me formar! E eu morava em São Paulo: saía entre cinco e seis da manhã de casa e voltava entre uma e duas da madrugada – tinha que trabalhar e estudar. Fui forte porque sempre eu fora muito religioso, predestinado e aproveitava os sofrimentos, as dores, as decepções para crescer em espírito, compreender que o material é resultado do espiritual.<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">            A poesia do Hellry é o grito de milhares de jovens que clamam por amor: “Amor?! Não sei o que é isso!” Se o leitor se atentar, verá que a poesia do poeta é intimista, tímida, com sabor de revolta. Um grito em q a voz parece não querer sair. Mas pelo menos ele saiu da casca, do casulo e oro a Deus para que se torne uma vibrante borboleta, se transformando num aplaudido jurista.<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">            Analisem a primeira estrofe: o jovem tem sede de amar, percebe os casais rondando de mãos dadas, a alma se eleva em desejo, porém a árvore podada, que não tivera muita seiva no tronco, sente-se frágil, as flores soltas ao vento, contudo caindo quase seca e ele manda a pedrada: “É como se eu não tivesse sentimentos”.<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">            E como tem sentimentos esse poeta! O fato de estar escrevendo poesia, se interessando em publicá-las, não deixa de ser uma forma de demonstrar as insatisfações, de dizer “Estou vivo! Chega de solidão! Preciso libertar-me! Estou começando a mostrar o meu rosto. Venham todos. Vejam: criei coragem e estou correndo para dizer ao mundo que existo”.<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">            Para o poeta, o amor não é fácil. Não sei se por “nunca” ter sido amado ou por jamais ter amado. Na idade dele, versos tão tristes, tanto acabrunhamento&#8230; Temos de fazer uma avaliação de como estamos nos comportando em relação aos jovens, se estamos prestando atenção nos valores deles, nas preocupações que lhe são inerentes, nas reais necessidades. Um desejo dos jovens não se pode negar, nem deixar de compreender, muito menos de suprir: </span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: red; FONT-SIZE: 10pt">O AMOR.<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: red; FONT-SIZE: 10pt">            </span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">“Pra mim não existe amor!”<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">            Caro poeta! O amor não só existe. Ele quer se libertar. Pegar a primeira rua que encontrar, chegar até uma praça onde existam flores, apanhá-las e espalhá-las aos pés de uma jovem atraente. A regra diz que temos de fazer nossa parte. Correr atrás. “Deus ajuda a quem madruga”, diz a canção. Precisamos nos amar primeiro, se quisermos que alguém nos ame.  Temos que mudar o nosso astral, buscar a alegria latente, nos enturmar, aprender a contar piadas, a conversar, a não temer a nos colocar de frente de um público, se necessário.<br />
</span><span style="FONT-FAMILY: 'Tahoma','sans-serif'; COLOR: #444444; FONT-SIZE: 10pt">            A sua poesia é simples, direta, mas de um valor inestimável: é o grito de milhares de brasileiros escondidos em si mesmos.</span></p>
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		<title>Necrópole</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 03:44:40 +0000</pubDate>
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Era noite. Caminhava numa rua coberta por densa neblina, onde as luzes das candeias ora acendiam, ora apagavam e o vento soprava impetuoso, fazendo farfalhar as folhas das árvores, reproduzindo um som macabro e, como eco da negra sinfonia sobre os arvoredos, corujas entoavam seus famigerados e melancólicos cantos.
              O cognac o qual bebera, já  fazendo efeito, estorvava meus passos. Ainda assim, prossegui meu caminho e a poucos metros daquele sinistro local, eis que de súbito, avistei um cemitério no qual se via – por cima do muro &#8211; figuras ...]]></description>
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<div id="attachment_2322" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2322" title="42-22493962" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/11/42-22493962-300x199.jpg" alt="Foto: Roberto Herrett/LOOP IMAGES/Loop Images/Corbis" width="300" height="199" /><p class="wp-caption-text">Foto: Roberto Herrett/LOOP IMAGES/Loop Images/Corbis</p></div>
<p style="text-align: justify;">Era noite. Caminhava numa rua coberta por densa neblina, onde as luzes das candeias ora acendiam, ora apagavam e o vento soprava impetuoso, fazendo farfalhar as folhas das árvores, reproduzindo um som macabro e, como eco da negra sinfonia sobre os arvoredos, corujas entoavam seus famigerados e melancólicos cantos.<br />
              O cognac o qual bebera, já  fazendo efeito, estorvava meus passos. Ainda assim, prossegui meu caminho e a poucos metros daquele sinistro local, eis que de súbito, avistei um cemitério no qual se via – por cima do muro &#8211; figuras sacras gigantescamente esculpidas no bronze e outras tantas cruzes em mármore, dando ao fúnebre lugar, certo requinte ultraje e supérfluo, ainda que obscuro. Prossegui minha caminhada, tendo como paisagem, o transcendental. Entretanto, antes que acessasse a tal paisagem, de frente ao portão do cemitério o qual protegia uma trilha retilínea, repleta de túmulos que repousavam velados por imensos ciprestes, uma voz ressoou gritos de socorro. Percebi que aquele som propagava-se de dentro da necrópole. Então, (curioso como sou) fui ao encontro do portão, sendo que, ao abri-lo, seu rangido trouxe-me receio com relação aos mistérios que esses tais lugares representam. Ainda assim, adentrei aquele recinto, pois minha curiosidade era maior do que meu temor. Prossegui a largos passos. Havia pouca claridade, dificultando minha visão e fazendo-me (às vezes) tropeçar em alguns túmulos.<br />
              Porém. Eis que de súbito, um vulto rasga a escuridão, a poucos metros de mim. E lá, ao pisar em uma cova entreaberta, desaba ao chão antes que a tal figura incógnita se erguesse. Eu, que estava defronte a ela, não pude acreditar: seus olhos fitavam os meus com receio e fascínio. Seus cabelos dourados oscilavam ao vento. Pensei: decerto é um anjo de face pálida, desses que habitam minhas quimeras errantes&#8230; Sem perda de tempo, ajudei-a a levantar-se. Fi-la várias perguntas. Mas, ela nada me respondia, a não ser que deveria permanecer ali até a aurora. Ofereci-me como companhia. Consequentemente, ela aceitou. Caminhamos sem destino até sermos vencidos pelo cansaço. Sentamo-nos sobre uma sepultura. Ela me olhava lasciva e provocante, ao passo que eu arquejava fitando seus lábios de andaluza. Do zênite, a lua iluminava a noite; o vento continuava soprar veemente e o frio noturno sobrepujava o tremor de meus lábios. De repente, ela me beijou impulsivamente. Envolvemo-nos em um amplexo expressivo. Os ósculos ardentes multiplicavam-me, ao passo que, suas vestes caiam perante meus toques. Suas belas formas (nuas) resvalavam sobre a cova que nos servia como leito e, meu corpo despido, em meio a carícias, chegamos ao ápice de nosso momento, quando ambos os corpos uniram-se formando um enlace carnal. Exangue, passei alguns minutos, apenas relembrando o instante em que fomos Eros e Psquê. Subitamente minhas pálpebras fecharam-se&#8230;<br />
              Na aurora, os raios solares me acordaram calorosamente, causando-me desvarios. Logo que as alucinações cessaram, olhei para os lados, procurando-a, ou, ainda, qualquer vestígio da presença de tão lindo anjo, mas, embalde me esforcei, pois, não havia, sequer, uma prova de que indicasse a veracidade da noite pretérita – a necrópole encontrava-se deserta. Eu estava deveras confuso. A toda hora, diversos pensamentos oscilavam em minha mente. Desolado, fui buscar consolo em meu companheiro de todas as horas: o cognac. Passaram-se décadas após aquela noite e, ainda hoje, vivo angustiado por não saber se o “fato” por mim narrado fora real, sobrenatural, um devaneio ou simplesmente delírios de uma embriaguez. Mas, sei que, logo meu flagelo irá passar, já que sangue coalhado sai, constantemente, de minha boca, através de vômito: dádiva de uma vida desregrada, a qual sobrepujou uma cirrose. E, agora, em meu leito, espero o fúnebre ressoar dos sinos.</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Junyel.jpg"><strong><img class="alignleft size-medium wp-image-2324" title="Junyel" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Junyel-273x300.jpg" alt="Junyel" width="91" height="96" /></strong></a><strong>Junyel<br />
</strong>Colégio Dez<br />
3.º ano, tarde</p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;">COMENTÁRIO</p>
<p style="text-align: justify;">              Atentai, ó leitor! Vós que tendes sede de beber na fonte de uma obra que é salpicada pela luz da sabedoria! Vós que buscais penetrar nas profundezas da sensibilidade de um dedo que espelha talento nas entrelinhas do texto escrito! Lede “NECRÓPOLE!” Sentireis que entre os jovens iluminados pela magia do saber, encontrareis Junyel.<br />
              O olhar dessa caneta farta vibra em direção ao sucesso, porque a verve que povoa a mente desse jovem fora lapidada com o esmeril que um dia poliu os muitos que sentam  no zênite.<br />
            O rubro que se espraia na História e na Geografia, exerce sobre Junyel um fascínio. E ele, cônscio do próprio destino, não deixa que as fagulhas da sua esperteza em aprender se despedacem pelo chão.<br />
            Necrópole é um canto de amor sem pieguismo! Uma página erótica, em que o sublime se eleva pelo encanto do par que se entrelaça no ardor da paixão-momento. Um cântico vívido entre duas faces que o acaso uniu sem preocupação e sem planejamento.<br />
            Sonho? Desejo incubado sendo extravasado num instante de distração mental? Ou astúcia de um escritor que, naquela hora em que os dedos navegavam pelo notebook, a musa inspiradora tocou-lhe as mãos enlevadas pela sapiência divina?<br />
            Certo, é que, Eros e Psiquê, como revela o autor, se fundiram. E se o canto é solto em primeira pessoa, tudo indica que a tela mental de quem o compôs, via ou vivia aquele êxtase. Pode até ter ilustrado – com a mente fértil de autor – fatos irreais. Mas a psicologia diria que o apogeu que latente no escritor, revelou um momento que é existente.<br />
            O autor-personagem afirma, no final da narração, não saber “Se o ‘fato’ por mim narrado fora real, sobrenatural, um devaneio ou simplesmente um delírio de uma embriaguez”. Um leitor atento perceberá a partir daí que, a história está para um fato fictício. Talvez haja quem diga que o trabalho aqui comentado poderia ser valorizado como conto, bastasse que no final apimentasse, o autor, algo que introduzisse o medo que a cultura tem imposto a muitos que vão a um cemitério. No entanto, o escritor preferiu um desfecho em que leva o leitor a primar por um texto romântico de fundo psicológico. Explico: o personagem descarrega uma carga de sofrimentos guardados. Desafoga atritos perdidos em algum canto do subconsciente em forma de literatura. Um gozo sem cama, sem dama, mas real na trama do pensamento.<br />
            O autor diz que sua obra “É uma história em que um moribundo narra um fato intigrante, o qual sobrepujou o spleen em sua vida”. <br />
            “Spleen” significa mau humor. O trato psicológico fica evidente na narração.<br />
            Lembremos os românticos que se entregavam ao condorismo do amor, como o fizera Castro Alves. Não tinham aqueles que se dividiam entre o amor, o tédio e a morte? Álvares de Azevedo estava nessa. Outros que viam o macabro ao seu redor. E não faltaram os espiritualistas, os pré-milenistas, pós-milenistas. O famoso naturalista Machado de Assis tocou na ferida do psicológico com maestria. Junyel, em seu texto, rico em poeticidade, impregnado de figuras de linguagem, aproveitando dos conhecimentos de História e Geografia, criou uma narração de qualidade incontestável. Trouxe-nos uma história que eu gostaria que o leitor participasse com comentário. Para isso, que se leve em consideração:</p>
<p style="text-align: justify;">O cognac: bebida = busca de amor, autoafirmação&#8230;<br />
Cemitério/morte = pessimismo, angústia, vida sem vida, depressão&#8230;<br />
Sexo no cemitério = amor enfrentando pessimismo, angústia, depressão&#8230;<br />
Que aplaudam os leitores. Junyel o merece. E nós, os leitores apaixonados por textos limpos, bem escritos, também.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Wilton Porto</strong>  </p>
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		<title>Metamorfose</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 04:35:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[a causa dos seus sonhos bons ou pesadelos; imagina no que estaria se passando nos pensamentos dela]]></category>
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		<category><![CDATA[Aluisio acorda]]></category>
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		<category><![CDATA[certa chateação por estar perto de alguém de que não suporta. Talvez fosse como se ele representasse só mais um admirador qualquer]]></category>
		<category><![CDATA[Chegando cedo à Universidade]]></category>
		<category><![CDATA[Da necessidade de conversar com ela e receber merecida atenção]]></category>
		<category><![CDATA[Ele olha o relógio na parede e para o teto dizendo: mais uma noite mal dormida]]></category>
		<category><![CDATA[em seguida coloca sobre a mesa alguns dos livros da faculdade]]></category>
		<category><![CDATA[então pensa em Ceci]]></category>
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		<category><![CDATA[Nada faz sair de sua cabeça os olhos dela. Seu sorriso]]></category>
		<category><![CDATA[Nos seus olhos e rosto a expressão fria e vazia; em seu semblante]]></category>
		<category><![CDATA[o jeito meio louco de ser]]></category>
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		<category><![CDATA[Surgem as primeiras sensações de um despertar estremecido]]></category>

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		<description><![CDATA[

Com felicidade, hoje, &#8220;O Piagüí&#8221; anuncia aos leitores o nascimento de um novo quadro, escrito por estudantes do Ensino Médio, dirigido e comentado pelo nobre amigo escritor Wilton Porto: &#8220;Galerescrito&#8221;. Com isso, acreditamos que nossa marca cumpre com o seu papel de divulgação e promoção de nomes que, até então, não tinham um espaço que lhes assegurasse voz. De parabéns estão todos que assinarão esta nascente janela, e esperamos que ela progrida para o brilhantismo literário de todos. (Nota do Editor).
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              Metamorfose narra um momento da vida do jovem Aluisio, um ...]]></description>
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<div id="attachment_2221" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2221" title="42-23380501" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/10/42-23380501-300x241.jpg" alt="Foto: Studio MPM/Corbis" width="300" height="241" /><p class="wp-caption-text">Foto: Studio MPM/Corbis</p></div>
<p style="text-align: justify;">Com felicidade, hoje, &#8220;O Piagüí&#8221; anuncia aos leitores o nascimento de um novo quadro, escrito por estudantes do Ensino Médio, dirigido e comentado pelo nobre amigo escritor Wilton Porto: &#8220;Galerescrito&#8221;. Com isso, acreditamos que nossa marca cumpre com o seu papel de divulgação e promoção de nomes que, até então, não tinham um espaço que lhes assegurasse voz. De parabéns estão todos que assinarão esta nascente janela, e esperamos que ela progrida para o brilhantismo literário de todos. (Nota do Editor).</p>
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<p style="text-align: justify;">              Metamorfose narra um momento da vida do jovem Aluisio, um garoto de boa índole, universitário exemplar, que vê sua mente bagunçada pelo amor da indiferente Ceci, uma jovem que estuda com ele na mesma faculdade. Aluisio se questiona o tempo todo sobre os atos de Ceci e sobre os dele, acreditando ter feito alguma coisa errada para ela está assim com ele, deixando uma dúvida no ar e rompendo um sentimento que possivelmente havia entre eles, sendo amizade ou não. Aluisio depois de sofrer o desprezo de Ceci, é que vai compreender o porquê de seu questionamento mental.</p>
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<p style="text-align: justify;">              Surgem as primeiras sensações de um despertar estremecido. Aluisio acorda, são três da manhã, algo parece nada estranho, estar acordado nesse horário mais uma vez. Ele olha o relógio na parede e para o teto dizendo: mais uma noite mal dormida, então pensa em Ceci, a causa dos seus sonhos bons ou pesadelos; imagina no que estaria se passando nos pensamentos dela.<br />
              Aluisio levanta, prepara uma xícara de café, em seguida coloca sobre a mesa alguns dos livros da faculdade. Ele medita: Xô! Pensamentos doidos! Eu preciso lembrar dos meus estudos! Mas ao tentar ler uns poucos parágrafos, encontra-se mais uma vez delirando por ela.<br />
              Nada faz sair de sua cabeça os olhos dela. Seu sorriso, o jeito meio louco de ser, o modo de falar coisas que deixam qualquer homem de bom senso a ver e conversar com estrelas. Porém, ele lembra do seu comportamento com relação a ele, tão distante, estranha, como uma ilha a centenas de quilômetros do continente.<br />
              A cada hora, a cada momento, o coração de Aluisio dispara. Ele toma um gole de café, fecha os olhos e diz : “Ai! Logo eu estarei em aula e não sei o que farei ao vê-la”. Aluisio toma mais uma porção de café, fecha os livros, vê as horas.<br />
              Puxa! São sete horas, hora de estar no campus, momento de enfrentar a vida – diz ele, tomando o último trago de café. O café parece meio amargo, mas tudo é amargo quando os pensamentos estão conturbados.<br />
              Chegando cedo à Universidade, menos da metade dos alunos não havia chegado. Ansioso, ele sobe as escadas na expectativa de algo de bom aconteça. O que é isso que me perturba tanto, a vontade de estar perto dela? De tocá-la? Da necessidade de conversar com ela e receber merecida atenção? – pergunta-se Aluisio ao ver Ceci cruzar a porta da sala de aula. Ao passar por ele, Ceci tampouco lhe dá um olhar. Aluisio fita-a, como se olhasse para um espelho, procurando alguma coisa errada, algo de diferente na personalidade dela que não havia antes, como a falta de ímpeto na sua voz.<br />
              Nos seus olhos e rosto a expressão fria e vazia; em seu semblante, certa chateação por estar perto de alguém de que não suporta. Talvez fosse como se ele representasse só mais um admirador qualquer, sem nenhuma conveniência estética, popular ou quem sabe? Até economicamente viável. Aluisio era um bom sujeito. Amistoso, procurava sempre entender todo mundo, além de ser muito observador e sincero.<br />
              Ceci, por sua vez, era de família simples, moça direita, estudiosa, inteligente e de personalidade cativante, de modo que poderia haver certo ar de superioridade em seu comportamento.<br />
              Por que essa indiferença comigo? Eu teria feito algo a ela? As coisas não eram assim entre a gente.<br />
              Quiçá se ela fosse desse jeito desde o começo, porém, ela disfarçava­ – diz Aluísio indo para o banheiro.<br />
              Estaria eu ficando pirado? Só havia uma resposta para tantas perguntas – diz ele molhando o rosto diante do espelho.<br />
              Você está doido varrido por ela. Por mais que ela o trate assim, você ainda insiste em ficar ao lado dela – diz ele falando sarcasticamente consigo e respondendo logo em seguida:</p>
<p style="text-align: justify;">             &#8211; Oh! Bravo! Eu sou o típico romântico moderno, aquele que fala as coisas que as pessoas não estão nem ligando. Aluisio volta para a sala e chega a uma conclusão – o amor é um fardo muito pesado para se carregar sozinho, todavia ele é aprazível. E diz isso olhando para Ceci ao vê-la deixar a sala. Aluisio termina seus pensamentos ao ir atrás dela dizendo: – Oxalá, todos os homens pensassem assim: entendei as mulheres para que possais amá-las, porque somente quando se ama tal mulher é que se torna possível olhar bem nos olhos dela, já que, só através do olhar dessa mulher é que é permitido andar com um sentimento que muitos conhecem seu nome, mas poucos o aceitam: a esperança, a esperança de ser amado.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><img class="alignleft size-medium wp-image-2219" title="Elton Araújo Almeida" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/10/Elton-Araújo-Almeida-233x300.jpg" alt="Elton Araújo Almeida" width="93" height="123" />Elton Araújo Almeida<br />
</strong>Colégio: Dez<br />
Série: Pré-Vestibular<br />
Turno: Tarde</p>
<p style="text-align: left;"> </p>
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<p style="text-align: center;"><strong>COMENTÁRIO<br />
</strong>   Wilton Porto</p>
<p style="text-align: justify;">            Eu diria que o texto acima, do estudante de pré-vestibular Elton Araújo Almeida, do Colégio Dez, é uma crônica de fundo amoroso.<br />
            O discurso prima pelo direto e indireto. Como tenho visto em muitos outros jovens que residem em Parnaíba, Elton Araújo, aproveitando-se dos ensinamentos em sala de aula, busca revelar o tino literário e escrevendo com cadência: imprime os movimentos e os sons poéticos dignos de um texto literário.<br />
            Vemos, claramente, que, Aluísio – o personagem masculino central da crônica – está embriagado nos braços do platonismo. Indiferença e platonismo povoam todo o texto. Ceci, que se fez deusa no todo de Aluísio, “fria e vazia” passa por ele como se não o notasse. O que teria acontecido? Não se davam bem? Aqui, verifica-se a resposta para o título: METAMORFOSE: a transformação de Ceci em relação a Aluísio. Exatamente por não saber e nem compreender a mudança da jovem, o apaixonado passa dias em delírios, o colégio resume-se em palco de espera e de esperança de uma palavra que eleve em enlevo o jovem doido de amor.<br />
            Não sei se o leitor atentou-se para isso: nessa história, amor ou paixão estão mais para obsessão. Os olhos, a face, a beleza e, até a indiferença de Ceci, tonteiam Aluísio. Ele está tão parado na dela! Tão entregue ao desejo de conquistá-la que, não refletiu sobre perguntar a ela os motivos do desinteresse!<br />
            Possivelmente, Ceci não sentia mais que amizade pelo jovem. Vendo-o se achegar a ela com arrebatamento, a predileta preferia se afastar, evitar contato mais íntimo para não magoar o amigo. No entanto, não podemos descartar a ideia de maus comentários por parte de outros. Por isso, certificar-se nada custa. Principalmente porque já existia uma amizade. No amor não deve haver medo. Os jovens não têm medo de se atolar na droga, de se perder numa festa longe de casa, em que o perigo os espreita, e se intimida na hora de se mostrar por inteiro à pessoa que ama.<br />
            Eu sempre ouvi dizer que os jovens de hoje estão tão adiantados que, só entrelaçar os dedos, apenas ficarem se beijando já não compraz tanto. Muitos chegam ao finalmente. Então, ler texto em que um jovem sublima a moça, ainda sofre e chora, transborda em solidão, ajoelha-se ao pés da mulher desejada para dizer-lhe “eu a amo”, felicita-me:  sou o tipo que ainda manda flores, como diz Roberto Carlos, em uma de suas músicas.<br />
            Eu gostaria de chamar atenção para um trecho: “Aluísio fita-a, como se olhasse para um espelho, procurando alguma coisa errada, algo de diferente&#8230;”.<br />
            Parei para analisar esse “espelho”. Metáfora? Essa garotada de hoje deita e rola nas figuras de linguagem. Aluísio via na figura da amada a si mesmo? Buscava o refletir de uma garota, que ao seu lado era uma, agora se mostrava outra? A falta de “ímpeto” tinha a ver com quê? Ela estaria sofrendo? Será que o fato de ele se despojar aos pés dela, estava fazendo-a triste, vazia e fria? Ou era a consciência de que ele a amando como parecia, não usava de mais firmeza, num cortejo decido? Talvez quisesse perceber a transparência de um coração que também ama. Que um dia vira luzir e, que agora, descambava para o sítio da solidão, e, quem sabe? – Da amargura e da dor.<br />
            Muito interessante, a crônica de Elton. A Professora Rossana Silva, que vem preparando esses jovens com acuidade, merece os nossos aplausos. Não poderia ser diferente. Ela, sem dúvida, está entre os mais competentes professores de literatura do nosso Estado.</p>
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