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	<title>Piagui - Culturalista &#187; QUADROS</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>Academia Brasileira de Letras, 113 anos!</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 03:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[

Senhores: 
            Investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou mais o velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É simbólico da parte de uma instituição que conta viver, confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança. 
            Não é preciso definir esta instituição. Iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a ...]]></description>
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<div id="attachment_4241" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Este-é-possivelmente-o-mais-antigo-registro-fotográfico-em-1909-de-uma-sessão-pública-da-Academia-Brasileira-realizada-ainda-no-Silogeu..jpg"><img class="size-medium wp-image-4241" title="Este é possivelmente o mais antigo registro fotográfico, em 1909, de uma sessão pública da Academia Brasileira, realizada, ainda, no Silogeu." src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Este-é-possivelmente-o-mais-antigo-registro-fotográfico-em-1909-de-uma-sessão-pública-da-Academia-Brasileira-realizada-ainda-no-Silogeu.-300x181.jpg" alt="Este é possivelmente o mais antigo registro fotográfico, em 1909, de uma sessão pública da Academia Brasileira, realizada, ainda, no Silogeu." width="300" height="181" /></a><p class="wp-caption-text">Este é possivelmente o mais antigo registro fotográfico, em 1909, de uma sessão pública da Academia Brasileira, realizada, ainda, no Silogeu.</p></div>
<p style="text-align: center;">Senhores: </p>
<p style="text-align: justify;">            Investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou mais o velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É simbólico da parte de uma instituição que conta viver, confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança. <br />
            Não é preciso definir esta instituição. Iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a alma nova e naturalmente ambiciosa. O vosso desejo é conservar, no meio da federação política, a unidade literária. Tal obra exige não só a compreensão pública, mas ainda e principalmente a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda a casta, às escolas literárias e às transformações civis. A vossa há de querer ter as mesmas feições de estabilidade e progresso. Já o batismo das suas cadeiras com os nomes preclaros e saudosos da ficção, da lírica, da crítica e da eloquência nacionais é indício de que a tradição é o seu primeiro voto. Cabe-vos fazer com que ele perdure. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles os transmitam também aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira. Está aberta a sessão.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Machado de Assis<br />
</strong>20 julho, 1897.</p>
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		<title>Comentário de &#8220;Expressão Literária&#8221; em O Piaguí</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 14:28:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Entrelinhas...]]></category>
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		<category><![CDATA[Comentário de "Expressão Literária" em O Piaguí]]></category>

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              Há, em Parnaíba, muitas pessoas com conhecimentos satisfatórios em literatura. E existem aqueles que precisam se aprofundar mais, com o intuito de crescerem na árdua tarefa de escrever bons textos, penetrarem com segurança no sensível e belo mundo da poesia.
            Daniel C. B. Ciarlini, como estudante de Letras/Português (UESPI) e com uma boa experiência no reino do jornalismo impresso e virtual, interpretando o livro “LITERATURA DO PIAUÍ”, no texto “Expressão Literária” (Cf. Ed. n.º 28 – Fevereiro de 2010, de “O Piaguí”), do poeta Francisco Miguel de Moura, literato ...]]></description>
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<div id="attachment_2921" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2921" title="Wilton Porto e Eliana Porto" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Wilton-Porto-e-Eliana-Porto-300x253.jpg" alt="Wilton Porto e Eliana Porto" width="300" height="253" /><p class="wp-caption-text">Wilton Porto e Eliana Porto</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Há, em Parnaíba, muitas pessoas com conhecimentos satisfatórios em literatura. E existem aqueles que precisam se aprofundar mais, com o intuito de crescerem na árdua tarefa de escrever bons textos, penetrarem com segurança no sensível e belo mundo da poesia.<br />
            Daniel C. B. Ciarlini, como estudante de Letras/Português (UESPI) e com uma boa experiência no reino do jornalismo impresso e virtual, interpretando o livro “LITERATURA DO PIAUÍ”, no texto “<a title="Expressão Literária" href="http://www.opiagui.com.br/2010/02/expressao-literaria/" target="_blank">Expressão Literária</a>” (Cf. Ed. n.º 28 – Fevereiro de 2010, de “O Piaguí”), do poeta Francisco Miguel de Moura, literato consagrado do nosso estado, membro da Academia Piauiense de Letras (APL), nos traz informações consequentes, o que facilita o nosso entendimento sobre literatura. Revela a diferença entre poema e poesia, em que ele leva em consideração nomes reconhecidos nacionalmente, como é o caso de Massaud Moisés, em confronto com outros respeitados na área literária: Fidelino Figueiredo, Octávio Paz e não esquecendo Órris Soares.<br />
            No conceito de literatura, Daniel demonstra o erro que se comete, quando do uso do termo, de forma desavisada. Ou por confiar-se em literatos experimentados na arte de escrever e elogiados pela crítica.<br />
            É comum pensar-se: “Se ele tem projeção, devemos confiar”. Inclusive no tocante à gramática. Esse pensamento vem a lume, porque aqueles que se destacam, costumam aprimorar-se na língua, sem contar que recorrem a professores tarimbados no conhecimento da língua com que escrevem.<br />
            A palavra “literatura” vem do latim “littera” e significa “letra”. Assim, quando Daniel Ciarlini informa que, o teatro não é literatura, porque o repasse da mensagem é oral, baseando-se no conceito aqui visto, ele tem razão.<br />
            Ler a peça teatral é leitura de uma obra de arte, obra literária. Assistir a uma peça teatral não o é. A oralidade tira o sentido de literatura, conforme visto acima.<br />
            Tudo que se escreve é literatura? Tomando mão do Filósofo Aristóteles, Daniel tenta nos convencer de que não. Ele se vale da frase “expressão polivalente da palavra”. Quem lida com literatura conhece de cor e salteado os sentidos: conotativo e denotativo. Ouvimos com frequência a seguinte oração: “fulano deu um sentido conotativo à frase”. Isso nos remete para “um sentido de múltipla interpretação”. É o caso da poesia. Na crônica jornalística, em que se escreve sobre um acontecimento: briga de rua, pode-se aproveitar tanto a forma denotativa como a conotativa. A primeira, o autor (que quase sempre é um repórter do jornal) se prende aos fatos, registrando o que vê e ouve em terceira pessoa, não se envolvendo emocionalmente durante a preparação da matéria. Na segunda, ele (polivalentemente) pode tirar proveito das figuras de linguagem, tem liberdade de criar, usar o verbo na primeira pessoa, tornar o caso um ato literário, poético, porque leva o leitor à emoção, à subjetividade, em que imprime estética, funções&#8230;<br />
            Poema é a ferramenta para se construir o palacete onde brilhará a poesia com sua essência expressa em arte. Se na poesia verifica-se a criatividade, por isso subjetiva, no poema se distingue – pelo verso – a materialidade. Entretanto na estrofe abaixo, de Cruz e Sousa, é inegável a criatividade, em que se nota o jogo de palavras e a presença de figuras de linguagem, como o caso da aliteração e a sinestesia. Versos com uma poesia contemplada por todos os críticos.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Vozes veladas, veludosas vozes,<br />
volúpias dos violões, vozes veladas,<br />
vagam nos velhos vórtices velozes<br />
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas. </p>
<p style="text-align: justify;">            Plausível que se diga, valendo-se de Orris Soares: “Há muito verso sem poesia e muita poesia sem verso. O verso propriamente dito não é arte, é artifício”. O artifício é o meio para se chegar ao objeto artístico. A arte e a capacidade de criar.<br />
            Daniel Ciarlini interpreta a “supra-realidade”. Francisco Miguel de Moura, com base em Fidelino de Figueiredo, diz que “a arte literária é, verdadeiramente a ficção, a criação de uma supra-realidade”.<br />
            Todo ficcionista bebe na fonte de uma realidade presente e passada. Usa de cenários reais: um parque, um rio, um palacete, um cemitério ou tudo isso juntos. Parte de algo que vivenciou, viu ou foi vivenciado por outro. Até quando a suprarrealidade se relaciona com o mundo invisível (já foi provado e comprovado que outros mundos existem e são habitados), dependendo do nível de dimensão, a realidade difere da nossa. São mais preparados, com vivência ética mais elevada. Ainda assim é um ambiente onde os moradores são seres que um dia passaram pelo que nós, do mundo visível, estamos passando agora.<br />
            Dessa forma é coerente a afirmativa de Massaud Moisés: “O mundo ficcional não está ‘acima’, senão ‘ao lado’, paralelo à realidade ambiente, com ela realizando um permanente intercâmbio e nela se integrando inextricavelmente”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Wilton Porto<br />
</strong>da Academia Parnaibana de Letras</p>
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		<title>Desvendando Ismália&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 14:19:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Desvendando Ismália...]]></category>

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          O grandioso poeta mineiro Alphonsus Henriques da Costa Guimaraens é o principal representante do Simbolismo no Brasil. Escola literária esta que buscava materializar a origem crítica do ser humano através dos traços literários transcendentais, metafísicos, enfim, utilizando-se de linhas simbolistas. O sentimento, a ganância, a inocência, as ascensões e quedas do homem dentre outros ângulos críticos, eram elementos centrais destes poetas.
            Unindo diversos elementos críticos, Alphonsus Guimaraens escreveu Ismália, que traz sutilmente em suas claras entrelinhas uma óptica singular da humilde e infeliz natureza do homem. Estes poetas se ...]]></description>
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<p style="TEXT-ALIGN: justify"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Ismália.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4218" title="Ismália" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Ismália-300x300.jpg" alt="Ismália" width="300" height="300" /></a>          O grandioso poeta mineiro Alphonsus Henriques da Costa Guimaraens é o principal representante do Simbolismo no Brasil. Escola literária esta que buscava materializar a origem crítica do ser humano através dos traços literários transcendentais, metafísicos, enfim, utilizando-se de linhas simbolistas. O sentimento, a ganância, a inocência, as ascensões e quedas do homem dentre outros ângulos críticos, eram elementos centrais destes poetas.<br />
            Unindo diversos elementos críticos, Alphonsus Guimaraens escreveu Ismália, que traz sutilmente em suas claras entrelinhas uma óptica singular da humilde e infeliz natureza do homem. Estes poetas se tornavam implacáveis e eram protegidos pelo lema “Um poeta simbolista não diz nada, apenas sugere”; indiretamente falavam que não ofendiam, mas, sim, as pessoas que se deixavam ofender, é como um ditado irônico popular: “não disse nome, mas se a carapuça serviu&#8230;”. </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;"><em><strong>Ismália</strong></em> </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Quando Ismália enlouqueceu,<br />
Pôs-se na torre a sonhar&#8230;<br />
Viu uma lua no céu,<br />
Viu outra lua no mar. </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">No sonho em que se perdeu,<br />
Banhou-se toda em luar&#8230;<br />
Queria subir ao céu,<br />
Queria descer ao mar&#8230; </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">E, no desvario seu,<br />
Na torre pôs-se a cantar&#8230;<br />
Estava longe do céu&#8230;<br />
Estava longe do mar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">E como um anjo pendeu<br />
As asas para voar. . .<br />
Queria a lua do céu,<br />
Queria a lua do mar&#8230; </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">As asas que Deus lhe deu<br />
Ruflaram de par em par&#8230;<br />
Sua alma, subiu ao céu,<br />
Seu corpo desceu ao mar&#8230; </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            O poema Ismália, formada por cinco quartetos, reflete uma inconstância do homem, iniciando pela manutenção em sua musicalidade, uma das principais características da Escola Simbolista. Todo este poema é escrito em sete silabas fonéticas (ou poéticas). Alphonsus Guimaraens fazia da metrificação para que suas poesias  formassem sons agradáveis aos ouvidos dos leitores.<br />
            Na primeira estrofe o poeta mostra a instabilidade mental do ser humano “Quando Ismália enlouqueceu”, o sentimento humano de altivez “Pôs-se na torre a sonhar”, a natureza dele, na hora da angústia de parar e observar as belezas naturais “Viu uma lua no céu; Viu outra lua no mar”.<br />
            A confusão entre a fantasia e o real é presente na segunda estrofe “No sonho em que se perdeu”, a necessidade de se apegar ao mágico, à fantasia “Banhou-se toda em luar”, e a ganância de querer dois extremos e o inconformismo de não poder tudo “Queria subir ao céu; Queria descer ao mar”.<br />
            E na terceira estrofe é o desprender-se da racionalidade e o render-se ao sonho, à fantasia “E, no desvario, seu; Na torre pôs-se a cantar”, mas a personagem é tragada bruscamente de volta à realidade e ocorre a decepção “Estava longe do céu; Estava longe do mar”.<br />
            Já chegando à quarta estrofe a personagem, inclinando o corpo no alto da torre e abrindo seus braços, desiste de viver “E como um anjo pendeu; As asas para voar”, a confusão interior perdida entre as duas luas e nunca poder alcançá-las “Queria a lua do céu; Queria a lua do mar”.<br />
            Finalizando o poema, a quinta estrofe desenha o suicídio finalizado e a crença hipócrita que o ser humano se esconde, pois tal ato é condenável pelas religiões, mas mesmo assim ainda sonha em atingir o céu “As asas que Deus lhe deu; Ruflaram de par em par; Sua alma subiu ao céu; seu corpo desceu ao mar”.<br />
            Se voltarmos a lê-la, Ismália, como uma poesia simbolista, não para de nos surpreender com sua majestosa crítica à natureza do ser humano. Este poema deixa uma pergunta no ar&#8230; Por que é mencionada tantas vezes a lua do “céu” e a lua do “mar”? Qual a relação entre as duas “luas”? Ora! Direi-vos que um simbolista não escreve algo por achar bonitinho, e sim por um motivo justo. A “lua do céu” tem um brilho conjugado com a luz do Sol e tem sua beleza própria. A “lua do mar”, apesar de ser, também, tão bela, está em função da “lua do céu”, da maré e das nuvens. Portanto, novamente temos uma descrição do ser humano. Existem homens que brilham uma glória própria, mas outros que dependem destes para serem vistos, comparando a um parasita, um hospedeiro.<br />
            Uma poesia simbolista vem recheada de entrelinhas e de conceitos filosóficos que tendem ao crescimento espiritual do leitor, pois um simbolista escreve com o espírito. Esclarecendo novamente, para finalizarmos, Alphonsus Guimaraens não disse tais coisas, apenas sugeriu&#8230; Para que cada leitor, sua poesia Ismália, interpretasse de acordo com as suas necessidades internas e emocionais.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><strong>Márcio Eugênio Machado Gomes</strong></p>
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		<title>Venturas e Desventuras da Famosa Moll Flanders</title>
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		<pubDate>Sat, 29 May 2010 04:50:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[Entrelinhas...]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Venturas e Desventuras da Famosa Moll Flanders]]></category>

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		<description><![CDATA[

          Talvez alguns dos leitores reconheçam a Moll Flandres do escritor Daniel Defoe que anos antes lançara Robison Crusoé.
          O Modelo da narrativa é descrito pelo próprio autor no prefácio, que para dar maior veracidade aos acontecimentos, afirma ter recebido o texto como biografia de uma mulher a qual o nome evita revelar. 
É verdade que a história original foi narrada em outros termos e o estilo da famosa mulher a qual nos referimos foi modificado. Principalmente fizemo-la utilizar, em suas narrativas, palavras mais discretas do que as originais (p. 09). 
          ...]]></description>
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<div id="attachment_4010" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><img class="size-full wp-image-4010" title="Daniel Defoe" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Daniel-Defoe.jpg" alt="Daniel Defoe" width="225" height="300" /><p class="wp-caption-text">Daniel Defoe</p></div>
<p style="text-align: justify;">          Talvez alguns dos leitores reconheçam a Moll Flandres do escritor Daniel Defoe que anos antes lançara Robison Crusoé.<br />
          O Modelo da narrativa é descrito pelo próprio autor no prefácio, que para dar maior veracidade aos acontecimentos, afirma ter recebido o texto como biografia de uma mulher a qual o nome evita revelar. </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">É verdade que a história original foi narrada em outros termos e o estilo da famosa mulher a qual nos referimos foi modificado. Principalmente fizemo-la utilizar, em suas narrativas, palavras mais discretas do que as originais (p. 09). </p>
<p style="text-align: justify;">          O livro inicia com a história de uma menina nascida no presídio de Newgate, abandonada e que acompanhou por algum tempo um grupo de ciganos, e ainda muito jovem foi acolhida por uma mulher pobre e de bom coração. Morando em uma pensão com outras crianças que ao chegarem à idade de 8 anos eram contratadas pra trabalhos domésticos, o que amedrontou a pequena menina. Suas lamentações para evitar tornar-se uma criada foram tantas que conseguiu com isso adiar a decisão dos magistrados. Uma amiga da tutora percebendo o grande interesse da menina em transformar-se numa “dama da sociedade”, convidou-a para morar com ela.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Esta senhora fazia vir á sua casa professores que ensinavam as filhas a dançar, o francês, ortografia e outros que lecionavam música. Como eu tivesse sempre presente, aprendi tão depressa quanto elas, se bem que os professores não se ocupavam comigo. Aprendi através de imitações e perguntas, tudo aquilo que elas aprendiam, por instruções e direção (p. 27). </p>
<p style="text-align: justify;">          O filho mais velho de sua protetora soube aproximar-se cuidadosa e maliciosamente tentando a todo modo persuadi-la. Betty, como a chamavam, não tinha ainda astúcia de uma mulher da sociedade e sua inexperiência contribuía para não perceber as reais intenções de seu pretendente.<br />
          Sem saber ao certo, e isso pode ser um fingimento do personagem, ela se vendia para esse jovem, pois recebia após cada encontro uma quantia em dinheiro, que era justificado, como uma reserva para o casamento que, aliás, nunca viria a acontecer, tendo em vista que Robin, o irmão mais novo, sem tomar conhecimento desse concubinato, apaixonara-se verdadeiramente e a partir de então insistia em um casamento.<br />
           Casou-se, se bem que não quisesse, mas seu amante a convencera justificando que se recusasse a família desconfiaria de sua relação e poderia expulsá-la, o que a consternava. Viveram bem até a morte do seu marido cinco anos mais tarde.<br />
          Ele foi, de fato, um bom marido [...] mas acontece que ele recebeu muito pouco da família, e não conseguia nenhuma fortuna durante o tempo em que viveu. Minha situação não era lá grande coisa e não melhorou muito com o casamento.<br />
           Passa esse período por um amadurecimento, sempre voltada para as boas condições de vida que almejava como o leitor perceberá: </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Na verdade, eu tinha conservado o documento do irmão obrigando-se a pagar-me quinhentas libras, que ele me tinha oferecido para obter de mim o consentimento de casar-se com o seu irmão. Isto, com o que eu tinha guardado, mais o dinheiro que ele tinha dado antes, e quase o mesmo tanto deixado pelo meu marido, tornou-me uma viúva com mil e duzentas libras no bolso (p. 68). </p>
<p style="text-align: justify;">           Depois de vários casamentos mal sucedidos, um deles com seu próprio irmão, do qual gerou seu terceiro filho, um dos tantos que ela não criou, – investe em um golpe arriscado. Para tal ensinuou ter bens em seu nome, o que para mulheres da época era uma raridade. Sem nada afirmar, nem dizer a quantia que tinha e se fizesse isso saberiam que possuía muito pouco, continuou a ostentar esta postura dissimulada de nobreza.<br />
           Atraindo vários pretendentes, um deles o qual pela demasia demonstração, causa-lhe, também interesse.<br />
          Casa-se com ele, porém descobre que assim como ela, ele não era proprietário de terras nem de grandes riquezas, e que nas últimas semanas, por fingir ter o que não tinha, havia aumentado ainda mais sua dívida; assim ambos caíram no mesmo golpe, o falso dote. A iminente pobreza e o medo de aderir ao trabalho pesado fazem dessa mulher, uma ladra. </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Foi num dia de Natal, à tarde, que para terminar uma longa série de delitos, sai para ver o que encontrava quando, passando perto de um joalheiro na Foster Avenue, vi um objeto tentador, ao qual nenhum ladrão resistiria, pois não havia ninguém (p. 286). </p>
<p style="text-align: justify;">          A senhora Flanders sem ir muito longe, representa muito bem um pícaro, bem como Macunaíma, e outros tantos da nossa literatura. Trapaceira, astuta, além de características fundamentais como: o baixo nível social, representado pelas pessoas que a cercavam, ciganos, ladrões, falsificadores, meretrizes.<br />
         O discurso simples não fazendo uso de analepses (recuo no tempo da narrativa) exceto a própria narração que é dada como já tendo acontecido. Mesmo assim é prazerosa, bem constituída, sem adjetivos em excesso aos moldes clássicos e não menos importantes que as atuais, servindo inclusive, como contraponto às epopéias. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pró</strong></p>
<p style="text-align: justify;">• Relata o contexto histórico do séc. XVII ( mesmo tendo sido lançada em 1722);<br />
• Discrição da sociedade machista;<br />
• Relato de viagens entre Europa e USA (Virgínia). Onde geralmente se refugiavam protestantes, exilados, e ex-presidários de Newgate;<br />
• Estruturalmente não há contradições na construção do texto. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Contra</strong></p>
<p style="text-align: justify;">• É uma obra moralizadora, tem como intuito mostrar as consequências de uma vida desonesta e cheia de vicissitudes;<br />
• Em muitos pontos o desenrolar da trama é censurado, pondo em risco o interesse do leitor.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Emerson S. Albuquerque &amp;<br />
Gleicy de Souza Gomes</strong></p>
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		<title>Elogio ao curso de Letras</title>
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		<pubDate>Sat, 22 May 2010 20:42:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Elogio ao curso de Letras]]></category>

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		<description><![CDATA[

Texto de Daniel C. B. Ciarlini proferido por Rita Alves Vieira, coordenadora do curso de Letras/Português (UESPI), no dia oito de abril de 2010, Parnaíba (PI), em ocasião da  Aula da Saudade da turma 2009.2. 
            Todos os cursos de Letras, de quaisquer que forem as nações, representam, para os seus países de origem linguística, a nobreza pura da instituição acadêmica. Os demais cursos, das demais áreas que não humanas, acabam, sempre, de uma forma ou de outra, se subordinando, irreversivelmente, aos signos linguísticos. É a lei natural do ensino superior, ...]]></description>
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<p style="text-align: center;"><em><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Letras.bmp"><img class="alignleft size-full wp-image-3986" title="Letras" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Letras.bmp" alt="Letras" width="244" height="248" /></a>Texto de Daniel C. B. Ciarlini proferido por Rita Alves Vieira, coordenadora do curso de </em><em>Letras/Português (UESPI), no dia oito de abril de 2010, Parnaíba (PI), em ocasião da  </em><em>Aula da Saudade da turma 2009.2.</em><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">            Todos os cursos de Letras, de quaisquer que forem as nações, representam, para os seus países de origem linguística, a nobreza pura da instituição acadêmica. Os demais cursos, das demais áreas que não humanas, acabam, sempre, de uma forma ou de outra, se subordinando, irreversivelmente, aos signos linguísticos. É a lei natural do ensino superior, que tem como princípio a discussão, produção e desenvolvimento de ideias, e o ato de produzir não implica apenas pesquisar – conferenciando aspectos conclusivos de um estudo –, mas orquestrar palavras e, por meio delas, se fazer entendido – o que é uma arte: A arte da escrita.<br />
               As Letras trafegam, e abraçam, diversos ramos científicos, como a psicologia, sociologia, filosofia, antropologia, e outras tantas “logias” que competem o exercício reflexivo da mente. Já afirmaram, certa vez, que a filosofia é a mãe de todos os braços da ciência, e não estamos aqui para confrontar tal razão com aqueles que se usam de tal discurso, já que são eles que desagregam os saberes e impõem o ritmo das constatações equivocadas aos ouvidos prestativos do aprendizado, ora, é de fácil juízo que se não existissem as Letras a filosofia não iria tão longe, já que elas, primitivamente, agiram como as ferramentas do sentido e, <em>a posteriori</em>, do sentimento. A propósito, as Letras antecedem a filosofia, e como foram se desenvolvendo a par e passo do raciocínio, não errado seria afirmar que a filosofia, delas, tornou-se consequência.<br />
            A filosofia é, pois, como a própria etimologia nos obriga entender, “amiga, amante, do saber”, e por isso questiona-o, interpreta-o, retifica-o&#8230;, de todas as formas possíveis, embora não tenha sido aquela que dera a luz a ele. Como é próprio dela, a filosofia nasceu para levantar questionamento. Sócrates, assim, procurava, através da maiêutica, forçar a todos que buscassem em seus íntimos as respostas da existência, porque ela, a filosofia, em si, não fez, faz e jamais fará sinonímia ao ato de criar, no sentido da imaginação, para então conceber as bases nascentes de uma teoria.  Conjugá-la, portanto, como mãe de todas as ciências é desprezar os fatores que impuseram a humanidade a se adaptar ao meio e desenvolver-se necessitadamente; assim, imprimo a este pensamento o instinto, que é a mais sábia e própria das reações humanas. Trocando em miúdos, a filosofia representa, para aqueles que a produzem, ou a absorvem, a reflexão instintiva do ser, e como tal, não pode ser encarada sistema, senão meio. E, não obstante, um dos braços da literatura – tudo nela é subjetivismo, profundo ou não. Necessário, ainda, se faz entender, de uma vez por todas, que só as Letras têm a magnífica e rara capacidade de transmutar-se em arte e ciência ao mesmo tempo.<br />
            Há maior repositório psicológico, sociológico, antropológico&#8230;, que a literatura? Há demasiado entendimento social, ou de extratos/substratos sociais, que a linguística nos aponta historicamente, ou, antes, diacrônica e sincronicamente, com provas e técnicas que vão muito além da teoria, aproximando-se, por vezes, do conceito e entendimento único do quê humano? A linguística, para efeito de informação, é a essência e a fonte mais próxima que explica os complexos desdobramentos históricos, desde os princípios da civilização aos tempos dos bombardeios, devido a falta de diálogo entre as nações. Pragmatismo? Foram as Letras que nos fizeram entendê-lo com mais afinco. E elas, sozinhas, são polivalentes no que tange a captação e transmissão dos aspectos plurais da arte. Quando reproduzida ao contento do subjetivismo é, das artes, a que mais se aproxima dos anseios, emoções e sentimentos; é a que mais sabe lapidar a vida humana, já que possui as ferramentas mais precisas para isso. As Letras são o maior exemplo de união e trabalho em equipe; a sua organização, harmonia, cadência, desempenho e uma série de outros fatores ocultos fazem delas a “sociedade” mais complexa e organizada já criada pelo homem. No tocante de sua simplicidade, silenciosas, dão vida a tudo que celebra a inteligência humana: Do teatro ao cinema; das teorias aos complexos sistemas científicos, ou não; estão na inteligência “matuta” e na reflexão filosófica do meio academicista; e mostrou que para a filosofia não existem distinções, e que distinguir os padrões de língua como certo ou errado é uma mera interpretação dos fatos, fora isso, tudo não passa de um velho e hipócrita preconceito linguístico. As Letras servem de inspiração, inclusive, para o nascimento de pinacotecas inteiras e às mais profundas melodias que tocam a alma. São elas que representam, nos fazem entender, e até mesmo sentir, a Poesia, tão bem refletida e representada pelos estros artísticos em cada produção, em cada passada de pincel, em cada arranjo musical, em cada forma de escultura ou de arquitetura&#8230; Enfim, todos os mais distintos braços artísticos beberam, e bebem, desta fonte esplêndida que atende pelo simples e ostentoso nome: Letras; e que, embora mudas, fazem gritar a consciência.</p>
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		<title>O Dia das Mães</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2010 22:42:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
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		<category><![CDATA[Textos Históricos]]></category>
		<category><![CDATA[O Dia das Mães]]></category>

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              O dia de hoje, segundo domingo de maio, é consagrado às mães. Por uma convenção delicada e poética, os que têm ainda na terra a criatura que lhes deu a sua vida humanizada em sangue, e o seu sangue santificado em leite, devem exibir uma flor cor de rosa, símbolo da ternura e da alegria. E aqueles que a não tem mais, e que a lembram e choram no silêncio do coração, uma flor alva, expressão de carinho e saudade. Santo e piedoso dia, pois, o de hoje. Santo ...]]></description>
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<div id="attachment_3888" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-3888" title="Dona Ana de Campos (Mãe de Humberto de Campos) ladeada pelos intelectuais" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Dona-Ana-de-Campos-Mãe-de-Humberto-de-Campos-ladeada-pelos-intelectuais-300x261.jpg" alt="Dona Ana de Campos (Mãe de Humberto de Campos) ladeada pelos intelectuais Clodomir Teófilo Girão e Homero de Miranda Leão - Foto da década de 50." width="300" height="261" /><p class="wp-caption-text">Dona Ana de Campos (Mãe de Humberto de Campos) ladeada pelos intelectuais Clodomir Teófilo Girão e Homero de Miranda Leão - Foto da década de 50.</p></div>
<p style="text-align: justify;">              O dia de hoje, segundo domingo de maio, é consagrado às mães. Por uma convenção delicada e poética, os que têm ainda na terra a criatura que lhes deu a sua vida humanizada em sangue, e o seu sangue santificado em leite, devem exibir uma flor cor de rosa, símbolo da ternura e da alegria. E aqueles que a não tem mais, e que a lembram e choram no silêncio do coração, uma flor alva, expressão de carinho e saudade. Santo e piedoso dia, pois, o de hoje. Santo e alegre. Santo e triste. Alegre e triste, de acordo com a cor do cravo ou da rosa de cada peito.<br />
                Este é, por isso, o meu dia de glória. Durante o ano, todos os outros homens me causam inveja. Eles têm o seu palácio, o seu lar, o seu dinheiro, os seus automóveis, as suas roupas, a sua robustez, o seu prestígio mundano ou político, a luz do seu espírito ou a luz dos seus olhos. Mas eu tenho tanto como eles, e mais do que muitos deles, porque ainda tenho na terra, pensado em mim, velando por mim, rezando por mim, a minha mãe!<br />
                É com a posse ou com a privação desse tesouro que Deus estabelece a distinção entre os homens do mundo. Quantos herdeiros opulentos haverá, que dariam a fortuna toda, a vida toda, para poderem arvorar, no dia de hoje, o seu cravo róseo, sinal de que possuíam em casa ainda, um anjo de cabelos brancos?<br />
                Quantos pobres se consideram milionários, por sentirem, nas suas horas de aflição, a mão tremula de uma velhinha a acariciar-lhes a cabeça febril, em que tumultuam os cuidados? O ouro da terra pode comprar um título, um trono, um império, uma situação na política ou um nome notável na história; não dá, porém, jamais, a mãe a que a perdeu.<br />
                Por isso mesmo, aplaudindo a intuição desse dia, que é tão formoso no seu simbolismo quanto o de Natal, e devia entrar nos costumes de todos os povos, eu não considero humano, nem cristão o uso de um distintivo. Não será, realmente, uma impiedade colocar no peito, hoje, um cravo róseo, para dizer ao mundo que se é feliz, tornando mais funda a tristeza dos que só podem usar um cravo branco? Que se diria ao homem que, sabendo que a fome lavra na casa do seu vizinho, fosse passar por diante da sua porta, humilhando-o com o espetáculo da própria fortuna? Haverá mãe que fosse beijar alegremente seu filhinho vivo diante de outra que chorasse seu filhinho morto? Porque, pois, tornar os infelizes ainda mais infelizes com a contemplação da nossa felicidade, principalmente quando não sabemos se, para o ano, as lágrimas da orfandade já terão transformado, também, o nosso cravo róseo em cravo branco? Respeitemos a dor alheia e regozijemo-nos na intimidade do coração pela graça que Deus nos concede, de apertarmos nos braços aquelas que nos acalentaram menino. Beijemos mais carinhosamente que nunca a mão enrugada e leve que nos chegou a seu seio nas primeiras horas de vida, e que ainda hoje nos protege, como uma asa, com o voo da sua benção. Veneremos o tesouro que ainda é nosso; mas não insultemos com a pública exibição da nossa felicidade o infortúnio irreparável daqueles que já perderam o seu.<br />
                Não sairei hoje com o meu cravo róseo, para que, vendo que eu ainda tenho mãe, os órfãos não chorem, lembrando que a perderam. Mas é teu, hoje, minha mãe, todo o meu coração. A capela fúnebre da minha alma se enfeita de rosas para o teu culto. Ajoelhado diante de ti, dos teus setenta anos de sofrimento, dos teus setenta anos de orfandade, de pobreza, de viuvez, &#8211; eu me confesso o pior dos filhos da mais santa das mães! Único filho vivo, eu te envio, também, no meu beijo, e mando ao teu coração alanceado, a gratidão da tua filha morta&#8230;<br />
                Deus te abençoe, e te proteja, minha mãe, como me tens abençoado e protegido a mim. E que Ele te conceda, nos dias de velhice que te restam, a paz que não tiveste na mocidade, fazendo desaparecer do teu coração as inquietações de que ele está cheio, e que se agravam quando te lembras que tens na terra um filho enfermo, um filho triste, um filho poeta, um filho pobre&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Humberto de Campos, 1949</strong></p>
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		<title>Poemitos da Parnaíba</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 03:11:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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     O lançamento do livro POEMITOS DA PARNAÍBA me proporciona o grande prazer de falar, perante público tão qualificado, de dois grandes amigos: Gervásio Pires de Castro Neto e José Elmar de Melo Carvalho, que conheço desde 1965 e 1975, respectivamente.
     O caricaturista Gervásio Neto e a esposa Ana Maria são funcionários aposentados do Banco do Brasil e têm duas filhas: Vanda e Natacha. Ele reside no Rio de Janeiro há mais de quarenta anos, mas vem anualmente a Parnaíba.
     Acredito que se Gervásio Neto houvesse ao longo da vida ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-3838" title="Poemitos da Parnaíba (Elmar Carvalho)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Poemitos-da-Parnaíba-Elmar-Carvalho-224x300.jpg" alt="Poemitos da Parnaíba (Elmar Carvalho)" width="224" height="300" />     O lançamento do livro POEMITOS DA PARNAÍBA me proporciona o grande prazer de falar, perante público tão qualificado, de dois grandes amigos: Gervásio Pires de Castro Neto e José Elmar de Melo Carvalho, que conheço desde 1965 e 1975, respectivamente.<br />
     O caricaturista Gervásio Neto e a esposa Ana Maria são funcionários aposentados do Banco do Brasil e têm duas filhas: Vanda e Natacha. Ele reside no Rio de Janeiro há mais de quarenta anos, mas vem anualmente a Parnaíba.<br />
     Acredito que se Gervásio Neto houvesse ao longo da vida tentado conciliar a profissão de bancário com uma atividade artística mais constante, divulgando trabalhos através de jornais, revistas, internet e exposições, - teria hoje um número bem maior de admiradores. Mas ele sempre foi avesso a holofotes. Só desenha quando quer, nunca por obrigação ou dever.<br />
     Já retratou com mágicos traços cômicos vários parnaibanos, como o Prefeito José Hamilton Castelo Branco, o músico Weber Mualem de Moraes, o desenhista Fernando Pires de Castro, o escritor Carlos Henriques de Araújo, o desenhista Francisco de Assis Lemos, conhecido como Guerreiro, e outros.<br />
     À sua arte devo as capas de dois livros de minha autoria, um já publicado - “Teoria do Texto” - e outro a ser lançado brevemente.<br />
     Quem vê o artista vestido  sempre de calça e camisa pretas, com o inseparável boné preto, poderá imaginar que ele vive de luto, ensimesmado, macambúzio, sorumbático. Mas tudo isso não passa de aparência. Quem conhece bem o Gervásio Neto sabe que ele adora conversar, especialmente em rodadas de cerveja em bares e botecos modestos. Discorre com desenvoltura sobre assuntos gerais, opinando, argumentando, concordando, discordando. Enfim, um cidadão bem in/formado, que não abre mão das próprias convicções.<br />
     Na juventude, em períodos de férias escolares, eu e ele participamos em Parnaíba de um bloco carnavalesco denominado “Negro Gato”. A turma só entrava nos clubes (AABB e Igara) ao som da música “O Negro Gato”, de Roberto Carlos, executada em ritmo de carnaval. Não lembro se à época, fins dos anos 60, Gervásio Neto já se trajava todo de preto, como não sei se a mania pela indumentária da cor da noite de lua e de estrelas ocultas no blecaute de  nuvens espessas nasceu a  partir do “Negro Gato”.<br />
     Gervásio Neto re/criou na sua especialidade de desenhista os vinte e cinco personagens poeticamente retratados por Elmar Carvalho.<br />
     O caricaturista não conheceu  pessoalmente vários desses personagens, mas os caracterizou fidedigna e artisticamente através de traços e cores a partir dos perfis poéticos criados por Elmar Carvalho, resultando no livro ora festivamente lançado na Academia Parnaibana de Letras. O trabalho do artista plástico revelou-se tão valioso quanto o do artista da palavra, na medida em que, fiel ao exemplo deste, expressou aspectos físicos e morais dos personagens que desfilam no livro.<br />
     Passo agora a falar do autor dos poemas - Elmar Carvalho.<br />
    Formado em Administração de Empresas e em Direito. Magistrado, jornalista, poeta, cronista, critico literário, autor de vários livros em prosa e em verso, destacando-se “Rosa dos Ventos Gerais” e “Lira dos Cinqüenta Anos”, que enfeixam seus melhores textos.<br />
     Durante o tempo em que morou em Parnaíba, 1975/1982, Elmar participou de vários movimentos culturais, principalmente como Presidente do Diretório Acadêmico 3 de Março (CMRV/UFPI) e membro do Movimento Social e Cultural Inovação.<br />
     Poucos escritores piauienses da atualidade possuem uma fortuna critica tão rica quanto a de Elmar Carvalho. A reunião dos ensaios e criticas sobre a sua obra formaria um livro volumoso.<br />
     Em duas ocasiões me manifestei por escrito sobre a obra do nosso grande poeta: ao fazer a apresentação de “Rosa dos Ventos Gerais” no dia de seu lançamento em Parnaíba (1996) e ao proferir o discurso de recepção na solenidade em que o poeta foi empossado na cadeira n° 07 da Academia Parnaibana de Letras (1994).<br />
     Na festa cultural desta noite, o escritor e presidente da APAL Antônio de Pádua Ribeiro dos Santos ficou com a missão de se estender nas considerações críticas sobre o livro POEMITOS DA PARNAÍBA.<br />
     De minha parte desejo apenas assinalar que com os “Poemitos”, Elmar Carvalho revela mais uma faceta de seu talento poético: a produção jocosa, alegre, graciosa, satírica, retratando anatômica e psicologicamente pessoas que foram ou são bastante conhecidas em Parnaíba, a maioria gente humilde: Alain Delon, Meio-Quilo, Xigau, Jibóia, Hosana, Boa Idéia, Maria das Cabras, Marechal, Maria Onça, Cego Bento &#8230; Nessa categoria cito um exemplo:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>ALAIN DELON</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Situava-se entre o feio e o horrível<br />
</strong><strong>mas se dizia BG:bonito e gostoso.<br />
</strong><strong>Metido a conquistador de mulheres<br />
</strong><strong>conseguia o inverso efeito:<br />
</strong><strong>As mulheres - lebres assustadas -<br />
</strong><strong>de Alain Delon fugiam.<br />
</strong><strong>Se Alain Delon muito fosse<br />
</strong><strong>Alain Delonge seria.</strong> </p>
<p style="text-align: justify;">     O poeta Alarico da Cunha, o ex-Prefeito João Orlando de Moraes Correia, o bancário Mário Reis e o escultor Ageu completam a galeria dos personagens do livro.<br />
     Elmar Carvalho é casado com Maria de Fátima de Sousa Carvalho, com quem tem dois filhos. Pertence a varias agremiações culturais e literárias. Ocupa a cadeira nº 10 da Academia Piauiense de Letras.<br />
     Encerro, Senhores e Senhoras, minhas palavras pedindo uma salva de palmas para os dois grandes artistas que (re)uniram artes e vocações para nos premiarem com os POEMITOS DA PARNAÍBA.   </p>
<p style="text-align: center;">Parnaíba, 27.03.2010.<br />
<strong>Alcenor Candeira Filho</strong></p>
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		<title>Marco Zero</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 03:54:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
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		<description><![CDATA[

Localizado no Centro da cidade de Parnaíba (PI), é um projeto de autoria do engenheiro João Carvalho Aragão, na administração do prefeito Mirócles Véras, década de 30. Marca o início da distância de Parnaíba para outras cidades. Na época, no lugar, existiam dois jardins divididos por uma rua: Landri Sales e Largo do Rosário; isso até a administração do prefeito Batista Silva, final da década de 70 e início da de 80, que, em um novo e ousado projeto, resolveu unificar os dois jardins, resultando na atual Praça da Graça.
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-3761" title="Marco Zero" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Marco-Zero-300x197.jpg" alt="Marco Zero" width="300" height="197" />Localizado no Centro da cidade de Parnaíba (PI), é um projeto de autoria do engenheiro João Carvalho Aragão, na administração do prefeito Mirócles Véras, década de 30. Marca o início da distância de Parnaíba para outras cidades. Na época, no lugar, existiam dois jardins divididos por uma rua: Landri Sales e Largo do Rosário; isso até a administração do prefeito Batista Silva, final da década de 70 e início da de 80, que, em um novo e ousado projeto, resolveu unificar os dois jardins, resultando na atual Praça da Graça.</p>
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		<title>Cultura e sua importância</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Mar 2010 00:06:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wiltonporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[Galerescrito]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[a alma de uma nação ou de um simples grupo]]></category>
		<category><![CDATA[A cultura é a identidade]]></category>

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		<description><![CDATA[

        Queria primeiramente agradecer ao Wilton Porto, por convidar o TeoriaP, para participar dessa campanha, que tenta ‘’salvar” e popularizar a cultura parnaibana. 
Bem, o que seria Cultura? 
        Alguns falariam que seria o artesanato, as danças, as comidas, costumes&#8230; É a resposta típica para essa pergunta, e de fato: cultura é o conjunto de todas essas ações. Obviamente, que não se limita a só isso.
         Um conceito mais concreto para cultura seria, talvez, conjunto de hábitos e costumes que um meio social criou (ou adquiriu) e mantém por muito tempo. Também ...]]></description>
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<div id="attachment_3678" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img class="size-medium wp-image-3678" title="42-24024243" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/03/42-24024243-200x300.jpg" alt="Foto: Peng Zhen Ge / Redlink/Redlink/Corbis" width="200" height="300" /><p class="wp-caption-text">Foto: Peng Zhen Ge / Redlink/Redlink/Corbis</p></div>
<p style="text-align: justify">        Queria primeiramente agradecer ao Wilton Porto, por convidar o TeoriaP, para participar dessa campanha, que tenta ‘’salvar” e popularizar a cultura parnaibana. </p>
<p style="text-align: justify"><strong>Bem, o que seria Cultura?</strong> </p>
<p style="text-align: justify">        Alguns falariam que seria o artesanato, as danças, as comidas, costumes&#8230; É a resposta típica para essa pergunta, e de fato: cultura é o conjunto de todas essas ações. Obviamente, que não se limita a só isso.<br />
         Um conceito mais concreto para cultura seria, talvez, conjunto de hábitos e costumes que um meio social criou (ou adquiriu) e mantém por muito tempo. Também não seria incorreto dizer que cultura é <em>somatório de costumes, tradições e valores</em> <em>de um determinado lugar ou região.<br />
</em>        Cultura tem também seu lado social, por um grupo conviver e compartilhar costumes. Sua contribuição, além de criar uma identidade para este grupo, ajuda a diminuir as diferenças, esmaga o individualismo e convida a todos a trabalhar em conjunto, em prol de um único objetivo: a cooperação entre os indivíduos dessa comunidade. </p>
<p style="text-align: justify"><strong>Qual a importância da cultura?</strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify">          A cultura é a identidade, a alma de uma nação ou de um simples grupo. Tentarei explicar de duas formas, a importância da cultura. Primeiramente falarei do lado Econômico:<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Cultura e a Economia</strong> </p>
<p style="text-align: justify">          Aqui entra o Turismo Cultural, uma atividade que indiscutivelmente cresce: a Organização Mundial de Turismo afirma que  para o ano de 2020, o turismo internacional terá movimentado em torno de 1,6 bilhão de pessoas, sendo 1,2 bilhão em viagens intraregionais (75%) e 0,4 bilhão em viagens de longa distância (25%) .Mas como funciona esse novo tipo de turismo? Turismo Cultural (terceiro colocado nos tipos de turismo mais procurados) seria o turista sair de sua rotina em busca de algo novo, interessante, que fuja do comum – em relação à sua cultura. O turismo é movido pelas diferenças. A curiosidade e a busca de conhecimento despertam uma curiosidade na pessoa que faz com que ela se desloque para locais ricos em novas e diferentes culturas. Também ajuda a conservá-la e espalhá-la por lugares distantes, o que gerará curiosidade em outros cantos (aí o ciclo recomeça), uma espécie de propaganda “boca-a-boca”.<br />
          A comunidade local também é beneficiada pelo Turismo Cultural. A começar pela preservação da sua cultura, através da troca de conhecimentos. O turista ao visitar determinado lugar, adquire informações da cultura local, e até transmite um pouco da sua, demonstrando o que é diferente, curioso em relação entre a sua cultura, e a que está conhecendo. A geração de empregos também é outro fator importantíssimo, a começar pela “venda da cultura”. Os artesanatos, citados no inicio do texto, são um grande exemplo. A venda desses artefatos ajuda a movimentar a economia do local,   assim como ajuda a espalhar a cultura por diversos cantos. Em conseqüência desse processo, se estimula o artesão a continuar a fabricar essas peças ou criar novas, que de certa forma, encoraja a criatividade do artesão e mantém viva esse tipo de cultura por muito tempo, de geração em geração.<br />
         As companhias de turismo, os hotéis, restaurantes, são exemplos de milhares de empregos diretos que são criados.<br />
         Além do artesanato, são necessários feiras, eventos e passeios para o turismo cultural. Uma agenda de atividades que explorem ao máximo e de forma sustentável os pontos históricos do local. Danças e músicas que contribuam a explicar a origem daquela determinada cultura e que também informem sobre as lendas que só existem naquela comunidade. São formas de turismo cultural sustentável, que movimentam a economia e conservam a identidade de um povo. </p>
<p style="text-align: justify"><strong>Cultura e o Social</strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify">          A cultura pode ser uma solução para o combate da discriminação na sociedade. Como foi citado no inicio do texto, a cultura é um conjunto de hábitos criados por um grupo. Essa convivência geral, um espírito de ajuda mútua, solidariedade para a sobrevivência daquela comunidade. Com isso, as diferenças diminuem ou até se anulam. Como sabemos, a cultura é transmitida de geração em geração (quando não sofre interferência de outras e desaparece), o clássico exemplo de “pai para filho”. A criança considera seus pais como um exemplo moral e de caráter, um espelho. A criança aprende o certo e o errado de acordo com a cultura que seus pais repassam para ela ao longo da sua vida. A cultura derruba o conceito de uma cultura superior, ensina a respeitar as diferenças, transforma conflitos em parcerias.<br />
         Ao perceber que a sua identidade, as suas origens estão sendo preservadas e repassadas às gerações futuras, a população eleva a sua autoestima. Um exemplo desse fato é o conhecimento sendo repassado da pessoa mais velha para a mais nova. Uma experiência que as partes só têm a ganhar: o ancião se sente mais útil ao transmitir sua cultura para outra geração, além de garantir a “sobrevivência” da cultura. Já a criança aprende a origem das suas raízes e valorizá-las.<br />
          A cultura vai além de artesanatos e turismo cultural. Esses são apenas duas vantagens, dentre várias que a cultura permite. Pelo que fora visto neste texto, compreendemos que a cultura é indispensável por vários motivos. Contudo, nos basta, porquanto ela nos oferece a integração e a valorização da nossa identidade. A integração, pois diminui as diferenças e contribui para a formação de um povo só, sem essa de católicos, protestantes, negros, índios, brancos, todos somos brasileiros. A nossa identidade não existe uma simples comunidade ou uma grande nação sem uma identidade, sua origem, seus costumes. Então, porque não reconhecermos os seus valores?<strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Pedro Diniz</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>* Pedro Diniz deixou o TeoriaP e possui uma ligação com O PIAGUI, embora ele tenha ido para Teresina, por força de estudos. E esta matéria fora escrita logo após a criação do Movimento de Integração Cultural de Parnaíba.</strong> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>COMENTÁRIO<br />
</strong><strong>    Wilton Porto</strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>   </strong><strong>         </strong>A primeira atenção que o texto do Pedro me despertou foi a divisão em subtítulos. Isso facilita por demais a leitura. É a forma mais adequada para atrair o leitor: textos longos cansam, desanimam. Quando há divisão é como se tivéssemos lendo várias matérias diferentes.<br />
            O assunto tratado pelo autor é de suma importância. Todos os dias, ouvimos falar em cultura, porém nem todos sabem do seu real significado e da abrangência que ela volve. Pedro pegou de dois temas fundamentais: o econômico e o social. Deu uma boa destrinchada, oferecendo-nos uma pesquisa de alta qualidade.<br />
            Puxa para redação técnica, diria que didática, o que enriqueceu o trabalho dele, porque muitos estudantes podem aproveitar este texto para levá-lo para a sala de aula.<br />
            No caso do Parnaíba, esta matéria tem um valor a mais, já que somos uma cidade turística, passamos a compreender a importância de tratarmos bem os turistas, uma vez que além do valor monetário que nos deixam, ainda nos legam novos conhecimentos, novos costumes.<br />
            Tem sempre pessoas buscando algo novo. Levadas pela curiosidade, elas desafiam longas estradas, dão uma parada aqui e acolá, ouvem e veem sobre as diferenças, aprendem, levam para as cidades delas e o país vai crescendo nas suas manifestações culturais.<br />
            Como o turista tem contato com outros cidadãos onde ele para, ele lega ao local visitado muito mais do que dinheiro: num papo, ele transmite conhecimentos, valores, faz compras, principalmente de produtos artesanais, que já significa levar nossa cultura. Entre tantos, alguns escrevem sobre o que viram e ouviram. Assim, a cultura se espalha.<br />
            A convivência, por menor que seja o espaço de tempo, verificam-se os hábitos de quem chega e este percebe a forma de vida da cidade visitada, o tipo de comércio, gerando muitas vezes solidariedade, combatendo-se a discriminação.<br />
            Pedro diz que a integração e a valorização da nossa identidade são evidentes – que ele determina como grande legado da cultura. Assim o é. E isso torna uma riqueza inigualável, a partir do momento em que donos de nossa identidade, vamos aumentando a autoestima, diminuímos diferenças, velhos e novos trocam experiências e essa integração contribui “para um povo só, sem essa de católicos, protestantes, negros, índios, brancos, todos somos brasileiros”, como diz o autor do texto.         </p>
<p style="text-align: justify"> </p>
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		<title>O Sândalo e o Machado</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 01:52:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
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               Vejamos como funcionam as coincidências da vida: Por volta dos primeiros dias do mês de outubro, ano passado, o Sr. Francisco das Chagas Véras Neves, mais conhecido entre nós por Balula, estava a ofertar um livro muito raro de um dos poetas que, julgo eu, é injustiçado pelo destino, Rogaciano Leite; a obra, prefaciada por nada mais nada menos que Luís da Câmara Cascudo, editada na capital do Ceará no ano de 1956, foi entregue nas mãos do amigo Arlindo Leão; era, pois, um apanhado de Poemas Escolhidos do ...]]></description>
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<div id="attachment_3613" class="wp-caption alignleft" style="width: 212px"><img class="size-medium wp-image-3613" title="Rogaciano Leite" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Rogaciano-Leite-202x300.jpg" alt="Rogaciano Leite" width="202" height="300" /><p class="wp-caption-text">Rogaciano Leite</p></div>
<p style="text-align: justify;">               Vejamos como funcionam as coincidências da vida: Por volta dos primeiros dias do mês de outubro, ano passado, o Sr. Francisco das Chagas Véras Neves, mais conhecido entre nós por Balula, estava a ofertar um livro muito raro de um dos poetas que, julgo eu, é injustiçado pelo destino, Rogaciano Leite; a obra, prefaciada por nada mais nada menos que Luís da Câmara Cascudo, editada na capital do Ceará no ano de 1956, foi entregue nas mãos do amigo Arlindo Leão; era, pois, um apanhado de <em>Poemas Escolhidos</em> do mestre Leite, como diz o próprio subtítulo: “[...] as produções contidas neste volume fazem parte do livro ‘carne e alma’ – Irmãos Pongetti Editores – Rio, 1950 – Edição Esgotada”.<br />
            Rogaciano Leite, confesso, não me era conhecido, o nome, inclusive, me soou engraçado quando recebi o telefonema de Leão falando-me a respeito. “Interessante, vamos conhecê-lo”, disse eu, mentalmente. As coincidências da vida, como eu disse acima, me apontaram uma grande surpresa: Arlindo declamou-me um soneto que lhe soara perfeito à essência humana – <em>Se voltares</em>. O poema, a propósito, trazia estes primeiros versos: “Como o sândalo humilde que perfuma / o ferro do machado que lhe corta [...]”. Parei por instantes, como que sem acreditar no que ouvia, e repeti, em reflexão, aqueles dois primeiros versos enquanto o amigo declamava o restante. A singular metáfora eu já havia escutado tantas e tantas vezes que me era impossível esquecê-la, todavia, não na voz de Rogaciano, mas na de Renato Russo, na canção “Mil Pedaços”, do álbum “A Tempestade”, um dos últimos da Legião Urbana; assim cantava o líder: “O sândalo perfuma o machado que o feriu”. O que era aquilo? Data de 1950 os versos de Rogaciano, e de 1996 o álbum “A Tempestade”, e Renato? Renato Russo nasceu em 1960, portanto, dez anos após <em>Se voltares</em>.<br />
            O estranho não foi apenas a grande igualdade de ideias, porque somos adultos o bastante para saber que não se trata, neste caso, da mera coincidência dos fatos, mas da escolha do nome de um nordestino para leitura, por parte de Renato, já que sabe a crítica que o cantor não suportava este pedaço de mundo do Brasil. Mas seria realmente essa a grande verdade dos fatos? Para os que não conhecem, o ditado do “Sândalo perfumando o Machado” é muito antiga, e é quase impossível dizer qual o seu verdadeiro autor; ditados são ditados, têm caráter popular – prolóquios – e vão sendo transmitidos de geração para geração, às vezes, até, sofrendo modificação em suas reais significações! Tal qual a simbologia da ostra que fabrica pérola a partir de um ferimento, o perfume do sândalo no machado mostra-nos um capítulo a parte do velho dizer bíblico, em que Cristo teria dito: “Quando alguém te bater em um lado da face; oferece-lhe o outro lado&#8221;; no caso do sândalo, apanhe acariciando o teu carrasco, para então dizer: “perdoa pai, eles não sabem o que fazem”.<br />
            Ainda sobre o prefaciador da obra, vale, ainda, registrar a curiosa passagem que nos deixou sobre o autor ensaiado: “Alto, ágil, fino, entrou curvando a estatura de Mosqueteiro da Rainha, reaprumou-se e disse com naturalidade, com precisão, com nitidez: &#8211; Eu sou o Poeta Rogaciano Leite!”.<br />
            Deixo, para os curiosos, este lindo soneto decassílabo de Rogaciano, poeta que soube resistir, em seu tempo, à literatura preguiçosa e mantivera-se fiel à lapidação magnífica dos versos típicos de artífices iluminados pela inspiração: </p>
<p style="text-align: center;">Se voltares</p>
<p style="text-align: justify;">Como o sândalo humilde que perfuma<br />
o ferro do machado que lhe corta,<br />
hei-de ter a minh’alma sempre morta<br />
mas não me vingarei de coisa alguma.</p>
<p style="text-align: justify;">Se um dia, perdida pela bruma<br />
resolveres bater à minha porta,<br />
em vez da humilhação que desconforta<br />
terás um leito sobre um chão de pluma.</p>
<p style="text-align: justify;">Em troca de desgostos que me deste,<br />
mais carinho terás do que tiveste<br />
e meus beijos serão multiplicados.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os que voltam, pelo amor vencidos,<br />
A vingança maior dos ofendidos<br />
É saber abraçar os humilhados.</p>
<p>(Rogaciano Leite)</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Daniel C. B. Ciarlini</strong></p>
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