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	<title>Piagui - Culturalista &#187; Entrelinhas&#8230;</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>Comentário de &#8220;Expressão Literária&#8221; em O Piaguí</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 14:28:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comentário de "Expressão Literária" em O Piaguí]]></category>

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              Há, em Parnaíba, muitas pessoas com conhecimentos satisfatórios em literatura. E existem aqueles que precisam se aprofundar mais, com o intuito de crescerem na árdua tarefa de escrever bons textos, penetrarem com segurança no sensível e belo mundo da poesia.
            Daniel C. B. Ciarlini, como estudante de Letras/Português (UESPI) e com uma boa experiência no reino do jornalismo impresso e virtual, interpretando o livro “LITERATURA DO PIAUÍ”, no texto “Expressão Literária” (Cf. Ed. n.º 28 – Fevereiro de 2010, de “O Piaguí”), do poeta Francisco Miguel de Moura, literato ...]]></description>
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<div id="attachment_2921" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2921" title="Wilton Porto e Eliana Porto" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Wilton-Porto-e-Eliana-Porto-300x253.jpg" alt="Wilton Porto e Eliana Porto" width="300" height="253" /><p class="wp-caption-text">Wilton Porto e Eliana Porto</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Há, em Parnaíba, muitas pessoas com conhecimentos satisfatórios em literatura. E existem aqueles que precisam se aprofundar mais, com o intuito de crescerem na árdua tarefa de escrever bons textos, penetrarem com segurança no sensível e belo mundo da poesia.<br />
            Daniel C. B. Ciarlini, como estudante de Letras/Português (UESPI) e com uma boa experiência no reino do jornalismo impresso e virtual, interpretando o livro “LITERATURA DO PIAUÍ”, no texto “<a title="Expressão Literária" href="http://www.opiagui.com.br/2010/02/expressao-literaria/" target="_blank">Expressão Literária</a>” (Cf. Ed. n.º 28 – Fevereiro de 2010, de “O Piaguí”), do poeta Francisco Miguel de Moura, literato consagrado do nosso estado, membro da Academia Piauiense de Letras (APL), nos traz informações consequentes, o que facilita o nosso entendimento sobre literatura. Revela a diferença entre poema e poesia, em que ele leva em consideração nomes reconhecidos nacionalmente, como é o caso de Massaud Moisés, em confronto com outros respeitados na área literária: Fidelino Figueiredo, Octávio Paz e não esquecendo Órris Soares.<br />
            No conceito de literatura, Daniel demonstra o erro que se comete, quando do uso do termo, de forma desavisada. Ou por confiar-se em literatos experimentados na arte de escrever e elogiados pela crítica.<br />
            É comum pensar-se: “Se ele tem projeção, devemos confiar”. Inclusive no tocante à gramática. Esse pensamento vem a lume, porque aqueles que se destacam, costumam aprimorar-se na língua, sem contar que recorrem a professores tarimbados no conhecimento da língua com que escrevem.<br />
            A palavra “literatura” vem do latim “littera” e significa “letra”. Assim, quando Daniel Ciarlini informa que, o teatro não é literatura, porque o repasse da mensagem é oral, baseando-se no conceito aqui visto, ele tem razão.<br />
            Ler a peça teatral é leitura de uma obra de arte, obra literária. Assistir a uma peça teatral não o é. A oralidade tira o sentido de literatura, conforme visto acima.<br />
            Tudo que se escreve é literatura? Tomando mão do Filósofo Aristóteles, Daniel tenta nos convencer de que não. Ele se vale da frase “expressão polivalente da palavra”. Quem lida com literatura conhece de cor e salteado os sentidos: conotativo e denotativo. Ouvimos com frequência a seguinte oração: “fulano deu um sentido conotativo à frase”. Isso nos remete para “um sentido de múltipla interpretação”. É o caso da poesia. Na crônica jornalística, em que se escreve sobre um acontecimento: briga de rua, pode-se aproveitar tanto a forma denotativa como a conotativa. A primeira, o autor (que quase sempre é um repórter do jornal) se prende aos fatos, registrando o que vê e ouve em terceira pessoa, não se envolvendo emocionalmente durante a preparação da matéria. Na segunda, ele (polivalentemente) pode tirar proveito das figuras de linguagem, tem liberdade de criar, usar o verbo na primeira pessoa, tornar o caso um ato literário, poético, porque leva o leitor à emoção, à subjetividade, em que imprime estética, funções&#8230;<br />
            Poema é a ferramenta para se construir o palacete onde brilhará a poesia com sua essência expressa em arte. Se na poesia verifica-se a criatividade, por isso subjetiva, no poema se distingue – pelo verso – a materialidade. Entretanto na estrofe abaixo, de Cruz e Sousa, é inegável a criatividade, em que se nota o jogo de palavras e a presença de figuras de linguagem, como o caso da aliteração e a sinestesia. Versos com uma poesia contemplada por todos os críticos.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Vozes veladas, veludosas vozes,<br />
volúpias dos violões, vozes veladas,<br />
vagam nos velhos vórtices velozes<br />
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas. </p>
<p style="text-align: justify;">            Plausível que se diga, valendo-se de Orris Soares: “Há muito verso sem poesia e muita poesia sem verso. O verso propriamente dito não é arte, é artifício”. O artifício é o meio para se chegar ao objeto artístico. A arte e a capacidade de criar.<br />
            Daniel Ciarlini interpreta a “supra-realidade”. Francisco Miguel de Moura, com base em Fidelino de Figueiredo, diz que “a arte literária é, verdadeiramente a ficção, a criação de uma supra-realidade”.<br />
            Todo ficcionista bebe na fonte de uma realidade presente e passada. Usa de cenários reais: um parque, um rio, um palacete, um cemitério ou tudo isso juntos. Parte de algo que vivenciou, viu ou foi vivenciado por outro. Até quando a suprarrealidade se relaciona com o mundo invisível (já foi provado e comprovado que outros mundos existem e são habitados), dependendo do nível de dimensão, a realidade difere da nossa. São mais preparados, com vivência ética mais elevada. Ainda assim é um ambiente onde os moradores são seres que um dia passaram pelo que nós, do mundo visível, estamos passando agora.<br />
            Dessa forma é coerente a afirmativa de Massaud Moisés: “O mundo ficcional não está ‘acima’, senão ‘ao lado’, paralelo à realidade ambiente, com ela realizando um permanente intercâmbio e nela se integrando inextricavelmente”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Wilton Porto<br />
</strong>da Academia Parnaibana de Letras</p>
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		<title>Venturas e Desventuras da Famosa Moll Flanders</title>
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		<pubDate>Sat, 29 May 2010 04:50:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Venturas e Desventuras da Famosa Moll Flanders]]></category>

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		<description><![CDATA[

          Talvez alguns dos leitores reconheçam a Moll Flandres do escritor Daniel Defoe que anos antes lançara Robison Crusoé.
          O Modelo da narrativa é descrito pelo próprio autor no prefácio, que para dar maior veracidade aos acontecimentos, afirma ter recebido o texto como biografia de uma mulher a qual o nome evita revelar. 
É verdade que a história original foi narrada em outros termos e o estilo da famosa mulher a qual nos referimos foi modificado. Principalmente fizemo-la utilizar, em suas narrativas, palavras mais discretas do que as originais (p. 09). 
          ...]]></description>
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<div id="attachment_4010" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><img class="size-full wp-image-4010" title="Daniel Defoe" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Daniel-Defoe.jpg" alt="Daniel Defoe" width="225" height="300" /><p class="wp-caption-text">Daniel Defoe</p></div>
<p style="text-align: justify;">          Talvez alguns dos leitores reconheçam a Moll Flandres do escritor Daniel Defoe que anos antes lançara Robison Crusoé.<br />
          O Modelo da narrativa é descrito pelo próprio autor no prefácio, que para dar maior veracidade aos acontecimentos, afirma ter recebido o texto como biografia de uma mulher a qual o nome evita revelar. </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">É verdade que a história original foi narrada em outros termos e o estilo da famosa mulher a qual nos referimos foi modificado. Principalmente fizemo-la utilizar, em suas narrativas, palavras mais discretas do que as originais (p. 09). </p>
<p style="text-align: justify;">          O livro inicia com a história de uma menina nascida no presídio de Newgate, abandonada e que acompanhou por algum tempo um grupo de ciganos, e ainda muito jovem foi acolhida por uma mulher pobre e de bom coração. Morando em uma pensão com outras crianças que ao chegarem à idade de 8 anos eram contratadas pra trabalhos domésticos, o que amedrontou a pequena menina. Suas lamentações para evitar tornar-se uma criada foram tantas que conseguiu com isso adiar a decisão dos magistrados. Uma amiga da tutora percebendo o grande interesse da menina em transformar-se numa “dama da sociedade”, convidou-a para morar com ela.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Esta senhora fazia vir á sua casa professores que ensinavam as filhas a dançar, o francês, ortografia e outros que lecionavam música. Como eu tivesse sempre presente, aprendi tão depressa quanto elas, se bem que os professores não se ocupavam comigo. Aprendi através de imitações e perguntas, tudo aquilo que elas aprendiam, por instruções e direção (p. 27). </p>
<p style="text-align: justify;">          O filho mais velho de sua protetora soube aproximar-se cuidadosa e maliciosamente tentando a todo modo persuadi-la. Betty, como a chamavam, não tinha ainda astúcia de uma mulher da sociedade e sua inexperiência contribuía para não perceber as reais intenções de seu pretendente.<br />
          Sem saber ao certo, e isso pode ser um fingimento do personagem, ela se vendia para esse jovem, pois recebia após cada encontro uma quantia em dinheiro, que era justificado, como uma reserva para o casamento que, aliás, nunca viria a acontecer, tendo em vista que Robin, o irmão mais novo, sem tomar conhecimento desse concubinato, apaixonara-se verdadeiramente e a partir de então insistia em um casamento.<br />
           Casou-se, se bem que não quisesse, mas seu amante a convencera justificando que se recusasse a família desconfiaria de sua relação e poderia expulsá-la, o que a consternava. Viveram bem até a morte do seu marido cinco anos mais tarde.<br />
          Ele foi, de fato, um bom marido [...] mas acontece que ele recebeu muito pouco da família, e não conseguia nenhuma fortuna durante o tempo em que viveu. Minha situação não era lá grande coisa e não melhorou muito com o casamento.<br />
           Passa esse período por um amadurecimento, sempre voltada para as boas condições de vida que almejava como o leitor perceberá: </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Na verdade, eu tinha conservado o documento do irmão obrigando-se a pagar-me quinhentas libras, que ele me tinha oferecido para obter de mim o consentimento de casar-se com o seu irmão. Isto, com o que eu tinha guardado, mais o dinheiro que ele tinha dado antes, e quase o mesmo tanto deixado pelo meu marido, tornou-me uma viúva com mil e duzentas libras no bolso (p. 68). </p>
<p style="text-align: justify;">           Depois de vários casamentos mal sucedidos, um deles com seu próprio irmão, do qual gerou seu terceiro filho, um dos tantos que ela não criou, – investe em um golpe arriscado. Para tal ensinuou ter bens em seu nome, o que para mulheres da época era uma raridade. Sem nada afirmar, nem dizer a quantia que tinha e se fizesse isso saberiam que possuía muito pouco, continuou a ostentar esta postura dissimulada de nobreza.<br />
           Atraindo vários pretendentes, um deles o qual pela demasia demonstração, causa-lhe, também interesse.<br />
          Casa-se com ele, porém descobre que assim como ela, ele não era proprietário de terras nem de grandes riquezas, e que nas últimas semanas, por fingir ter o que não tinha, havia aumentado ainda mais sua dívida; assim ambos caíram no mesmo golpe, o falso dote. A iminente pobreza e o medo de aderir ao trabalho pesado fazem dessa mulher, uma ladra. </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Foi num dia de Natal, à tarde, que para terminar uma longa série de delitos, sai para ver o que encontrava quando, passando perto de um joalheiro na Foster Avenue, vi um objeto tentador, ao qual nenhum ladrão resistiria, pois não havia ninguém (p. 286). </p>
<p style="text-align: justify;">          A senhora Flanders sem ir muito longe, representa muito bem um pícaro, bem como Macunaíma, e outros tantos da nossa literatura. Trapaceira, astuta, além de características fundamentais como: o baixo nível social, representado pelas pessoas que a cercavam, ciganos, ladrões, falsificadores, meretrizes.<br />
         O discurso simples não fazendo uso de analepses (recuo no tempo da narrativa) exceto a própria narração que é dada como já tendo acontecido. Mesmo assim é prazerosa, bem constituída, sem adjetivos em excesso aos moldes clássicos e não menos importantes que as atuais, servindo inclusive, como contraponto às epopéias. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pró</strong></p>
<p style="text-align: justify;">• Relata o contexto histórico do séc. XVII ( mesmo tendo sido lançada em 1722);<br />
• Discrição da sociedade machista;<br />
• Relato de viagens entre Europa e USA (Virgínia). Onde geralmente se refugiavam protestantes, exilados, e ex-presidários de Newgate;<br />
• Estruturalmente não há contradições na construção do texto. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Contra</strong></p>
<p style="text-align: justify;">• É uma obra moralizadora, tem como intuito mostrar as consequências de uma vida desonesta e cheia de vicissitudes;<br />
• Em muitos pontos o desenrolar da trama é censurado, pondo em risco o interesse do leitor.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Emerson S. Albuquerque &amp;<br />
Gleicy de Souza Gomes</strong></p>
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		<title>O Sândalo e o Machado</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 01:52:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Rogaciano Leite]]></category>

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               Vejamos como funcionam as coincidências da vida: Por volta dos primeiros dias do mês de outubro, ano passado, o Sr. Francisco das Chagas Véras Neves, mais conhecido entre nós por Balula, estava a ofertar um livro muito raro de um dos poetas que, julgo eu, é injustiçado pelo destino, Rogaciano Leite; a obra, prefaciada por nada mais nada menos que Luís da Câmara Cascudo, editada na capital do Ceará no ano de 1956, foi entregue nas mãos do amigo Arlindo Leão; era, pois, um apanhado de Poemas Escolhidos do ...]]></description>
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<div id="attachment_3613" class="wp-caption alignleft" style="width: 212px"><img class="size-medium wp-image-3613" title="Rogaciano Leite" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Rogaciano-Leite-202x300.jpg" alt="Rogaciano Leite" width="202" height="300" /><p class="wp-caption-text">Rogaciano Leite</p></div>
<p style="text-align: justify;">               Vejamos como funcionam as coincidências da vida: Por volta dos primeiros dias do mês de outubro, ano passado, o Sr. Francisco das Chagas Véras Neves, mais conhecido entre nós por Balula, estava a ofertar um livro muito raro de um dos poetas que, julgo eu, é injustiçado pelo destino, Rogaciano Leite; a obra, prefaciada por nada mais nada menos que Luís da Câmara Cascudo, editada na capital do Ceará no ano de 1956, foi entregue nas mãos do amigo Arlindo Leão; era, pois, um apanhado de <em>Poemas Escolhidos</em> do mestre Leite, como diz o próprio subtítulo: “[...] as produções contidas neste volume fazem parte do livro ‘carne e alma’ – Irmãos Pongetti Editores – Rio, 1950 – Edição Esgotada”.<br />
            Rogaciano Leite, confesso, não me era conhecido, o nome, inclusive, me soou engraçado quando recebi o telefonema de Leão falando-me a respeito. “Interessante, vamos conhecê-lo”, disse eu, mentalmente. As coincidências da vida, como eu disse acima, me apontaram uma grande surpresa: Arlindo declamou-me um soneto que lhe soara perfeito à essência humana – <em>Se voltares</em>. O poema, a propósito, trazia estes primeiros versos: “Como o sândalo humilde que perfuma / o ferro do machado que lhe corta [...]”. Parei por instantes, como que sem acreditar no que ouvia, e repeti, em reflexão, aqueles dois primeiros versos enquanto o amigo declamava o restante. A singular metáfora eu já havia escutado tantas e tantas vezes que me era impossível esquecê-la, todavia, não na voz de Rogaciano, mas na de Renato Russo, na canção “Mil Pedaços”, do álbum “A Tempestade”, um dos últimos da Legião Urbana; assim cantava o líder: “O sândalo perfuma o machado que o feriu”. O que era aquilo? Data de 1950 os versos de Rogaciano, e de 1996 o álbum “A Tempestade”, e Renato? Renato Russo nasceu em 1960, portanto, dez anos após <em>Se voltares</em>.<br />
            O estranho não foi apenas a grande igualdade de ideias, porque somos adultos o bastante para saber que não se trata, neste caso, da mera coincidência dos fatos, mas da escolha do nome de um nordestino para leitura, por parte de Renato, já que sabe a crítica que o cantor não suportava este pedaço de mundo do Brasil. Mas seria realmente essa a grande verdade dos fatos? Para os que não conhecem, o ditado do “Sândalo perfumando o Machado” é muito antiga, e é quase impossível dizer qual o seu verdadeiro autor; ditados são ditados, têm caráter popular – prolóquios – e vão sendo transmitidos de geração para geração, às vezes, até, sofrendo modificação em suas reais significações! Tal qual a simbologia da ostra que fabrica pérola a partir de um ferimento, o perfume do sândalo no machado mostra-nos um capítulo a parte do velho dizer bíblico, em que Cristo teria dito: “Quando alguém te bater em um lado da face; oferece-lhe o outro lado&#8221;; no caso do sândalo, apanhe acariciando o teu carrasco, para então dizer: “perdoa pai, eles não sabem o que fazem”.<br />
            Ainda sobre o prefaciador da obra, vale, ainda, registrar a curiosa passagem que nos deixou sobre o autor ensaiado: “Alto, ágil, fino, entrou curvando a estatura de Mosqueteiro da Rainha, reaprumou-se e disse com naturalidade, com precisão, com nitidez: &#8211; Eu sou o Poeta Rogaciano Leite!”.<br />
            Deixo, para os curiosos, este lindo soneto decassílabo de Rogaciano, poeta que soube resistir, em seu tempo, à literatura preguiçosa e mantivera-se fiel à lapidação magnífica dos versos típicos de artífices iluminados pela inspiração: </p>
<p style="text-align: center;">Se voltares</p>
<p style="text-align: justify;">Como o sândalo humilde que perfuma<br />
o ferro do machado que lhe corta,<br />
hei-de ter a minh’alma sempre morta<br />
mas não me vingarei de coisa alguma.</p>
<p style="text-align: justify;">Se um dia, perdida pela bruma<br />
resolveres bater à minha porta,<br />
em vez da humilhação que desconforta<br />
terás um leito sobre um chão de pluma.</p>
<p style="text-align: justify;">Em troca de desgostos que me deste,<br />
mais carinho terás do que tiveste<br />
e meus beijos serão multiplicados.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os que voltam, pelo amor vencidos,<br />
A vingança maior dos ofendidos<br />
É saber abraçar os humilhados.</p>
<p>(Rogaciano Leite)</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Daniel C. B. Ciarlini</strong></p>
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		<title>Na  Pedra do Sal &#8211; o Pescador e seus Amores</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 03:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wiltonporto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Entrelinhas...]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[A Pedra do Sal não é apenas um cenário. Gritou alto e se tornou uma personagem.]]></category>

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		<description><![CDATA[

            “Na Pedra do Sal – O Pescador e seus amores”, da escritora Rita de Cássia Amorim  Andrade, a exemplo de José de Alencar, e, talvez, levada pelo local onde história se desenrola em primeira mão: a comunidade praiana da Pedra do Sal (Parnaíba-PI), é romance que exprime um poetismo dos mais inspirados. E não poderia ser diferente: o centro do enredo é o amor nas suas multiplicas faces: alegria, tristeza, sexo, frustrações, traições, separações, renúncia&#8230; Mas imortal, sem que possamos “negá-lo, sufocá-lo, enterrá-lo”.           
              A Pedra do Sal não é ...]]></description>
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<p style="text-align: justify"><img class="alignleft size-medium wp-image-3405" title="Pedra do Sal - um pescador e seus sonhos" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Pedra-do-Sal-um-pescador-e-seus-sonhos-206x300.jpg" alt="Pedra do Sal - um pescador e seus sonhos" width="206" height="300" />            “Na Pedra do Sal – O Pescador e seus amores”, da escritora Rita de Cássia Amorim  Andrade, a exemplo de José de Alencar, e, talvez, levada pelo local onde história se desenrola em primeira mão: a comunidade praiana da Pedra do Sal (Parnaíba-PI), é romance que exprime um poetismo dos mais inspirados. E não poderia ser diferente: o centro do enredo é o amor nas suas multiplicas faces: alegria, tristeza, sexo, frustrações, traições, separações, renúncia&#8230; Mas imortal, sem que possamos “negá-lo, sufocá-lo, enterrá-lo”.           <br />
              A Pedra do Sal não é apenas um cenário. Gritou alto e se tornou uma personagem. Por seu encanto, os fatos históricos marcantes, as lendas, os mistérios, tantos sussurros de amor embrenhado entre as pedras, a religiosidade, a economia, a educação. Ali fora estação de movimentação de navios, experimentos astronômicos e morada de fenícios. Os pais de Simão Pedro, personagem central do romance, tinham origem fenício-indígina.<br />
           O estilo prima ora pela cronologia linear ora pela mista, com personagens criativos, donos de seu destino, em que não são dirigidos pela autora. Com esse quebra-cabeça, a romancista provoca a continuação da leitura até o final do livro, porque queremos saber o resultado dos acontecimentos amorosos. Rita quis um livro simples, porém com o esteticismo que lhe é característico. Ela fora feliz.</p>
<p style="text-align: center"><strong>Wilton Porto<br />
</strong>Membro da Academia Parnaibana de Letras<br />
Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba</p>
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		<title>Expressão literária</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 22:39:39 +0000</pubDate>
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            No ano de 2001, veio a lume, no Piauí, a obra condensada e organizada por Francisco Miguel de Moura: “Literatura do Piauí”. Com certa curiosidade, decidi, nesses últimos tempos, abri-la, como que esperando encontrar algo que se somasse às outras tantas pesquisas minhas, ora, é de praxe um autor-pesquisador, como o Sr. Moura, alavancar uma nova concepção; uma nova visão dos fatos.
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-3332" title="Literatura do Piauí" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Literatura-do-Piauí-216x300.jpg" alt="Literatura do Piauí" width="216" height="300" />            No ano de 2001, veio a lume, no Piauí, a obra condensada e organizada por Francisco Miguel de Moura: “Literatura do Piauí”. Com certa curiosidade, decidi, nesses últimos tempos, abri-la, como que esperando encontrar algo que se somasse às outras tantas pesquisas minhas, ora, é de praxe um autor-pesquisador, como o Sr. Moura, alavancar uma nova concepção; uma nova visão dos fatos.<br />
              O professor, integrante da geração moderna piauiense, então, usando-se das visões modernistas da crítica, oferece aos leitores algumas reflexões acerca do conceito de literatura e do fazer poético. Das tantas afirmações introdutórias, alguns deslizes geraram equívocos, como a própria significação latina de <em>littera</em> (“significa exatamente letra” [Op. Cit. p. 13]), sabemos, pois, que, embora <em>littera </em>tenha advindo de <em>litteratura</em>, sua real significação não mudou: Ensino das primeiras letras; eis aí o motivo de tantos filósofos e estudiosos da língua confundirem o termo com “gramática”.<br />
              Ainda dentro do mesmo conceito, o autor infere: “literatura é tudo o que se escreve” (idem), ferindo o verdadeiro conceito aristotélico; ora, sendo a literatura a expressão polivalente das palavras, dos signos linguísticos, “tudo que se escreve” não pode ser considerado literatura, uma bula de remédio, por exemplo, não expressa polivalência, avalie a emoção, o subjetivismo&#8230;, ingredientes estes fundamentais que exige a literatura como forma. Na condição de estudioso das letras, posso discordar do seguinte pensamento: “&#8230; há duas línguas e sua respectiva linguagem: a falada e escrita” (ibdem); no campo da literatura, nesse, e só nesse sentido, apontado pelo Sr. Moura, a construção e variação da arte não implica que a língua se fragmente, já que aplicada ao fazer literário, continua sendo apenas uma, promulgada, porém, em duas formas distintas, oral e escrita; e a oral, como sabemos, não implica literatura, tal qual o teatro, que só é literatura na sua condição impressa, logo, como advertiu, certa vez, o estudioso Massaud Moises, o teatro, ambiguamente, só interessa para a literatura quando não é teatro.<br />
            Analisar conceitos tão amplos como “literatura”, “moral”, “poesia”, “ética”, enfim, rege ao pensador e ao ensaísta reflexões profundas que visam observar as mudanças dos tempos e as transformações que uma dada ideia sofre, seja de forma positiva ou, até mesmo, não coerente com o sentido original. Como o Sr. Moura citou, “&#8230; na antiguidade, tudo o que se considerava ‘literatura’ era feito em poesia, com ritmo e metrificação” (Op. Cit. p. 14), sem dúvidas, mas é, também, sabido que esta regra vale-se para a antiguidade ocidental, que é o nosso caso. A propósito, a base do conhecimento, tanto antigo quanto contemporâneo, nunca deixou de se fixar nas artes, filosofias, religiões e ciências, sendo, aí, possível ainda, uma segunda classificação: As de base palpável, ou seja, física, concreta; e as de caráter abstrato, não-física, suposta, meditada; classificando-se, então, as ciências e as artes no primeiro caso e as religiões e filosofias no segundo.<br />
            Mudemos um pouco a análise do conceito de literatura e vejamos um pouco mais, aliás, como o Sr. Moura avalia a poesia, “palavra mais abrangente, na sua origem significava fazer” (idem). O verbo “fazer” pareceu empregado de forma insatisfatória, a palavra “poesia” vem do grego <em>poiesis</em> e significa, ao pé da letra, criar, no sentido de imaginar. O conceito sempre foi o mesmo. Muito me espanto quando percebo a secular confusão que existe entre a diferença de poesia para poema, talvez por serem palavras análogas; todavia, como o próprio sentido original nos dita, poesia é, na realidade, o elemento espiritual da arte, sendo refletida tanto na literatura quanto na escultura, pintura, fotografia etc., trocando em miúdos, a poesia é abstrata, individual, única, está em cada um de nós. Uma obra de arte, por exemplo, não possui poesia enquanto não for interpretada como poesia; o ponto de vista é que faz a diferença. O poema, então, é apenas uma ferramenta da qual o artista se utiliza a fim de expressar as suas emoções, ou seja, a poesia que sente no momento produtivo; o poema é o pincel, ou a tela, ou a tinta, do poeta. O Sr. Moura, na busca de entender e licenciar-se em tais conceitos, lança mão das palavras do diplomata e escritor mexicano Octávio Paz, quando cita: “o poema é poesia” (Op. Cit. p. 15); assim, desprezando o verdadeiro sentido já, aqui, descrito. Poema pode, ou não, ter poesia e a poesia pode, ou não, ser constituída em forma de poema. Vejamos a assertiva do brasileiro Hermes Vieira, quando em ensaio sobre Humberto de Campos, nos legou as palavras do mestre Orris Soares: “há, muito verso sem poesia e muita poesia sem verso. O verso propriamente dito não é arte, é artifício”; sendo todo poema um conjunto de versos, o conceito de forma generalizada aplica-se, logicamente, ao poema.<br />
            Não dando ouvidos ao alerta de Massaud Moises, Francisco Miguel de Moura entende, através de Fidelino de Figueiredo, que “a arte literária é, verdadeiramente, a ficção, a criação de uma supra-realidade” (Op. Cit. p. 16), e assim, como que tentando entender, fico nesta mesma linha, matutando o quê pode existir acima da realidade, já que ficção, por mais surreal que seja, busca na realidade as bases de sua construção. O certo, porém, é classificar, sim, a literatura como a “criação de uma” para-realidade, como bem reflexiona o mestre Moises: “o mundo ficcional não está ‘acima’ senão ‘ao lado’, paralelo à realidade ambiente, com ela realizando um permanente intercâmbio e nela se integrando inextricavelmente”, o intercâmbio de que fala é tão constante que sem ele jamais o artista poderia criar ou poderíamos interpretar uma criação à luz do raciocínio comparativo.<br />
               No aspecto de conteúdo, notamos que o livro carece de algumas reflexões e nomes únicos da literatura piauiense, como Berilo Neves (primeiro ficcionista científico brasileiro), Jonas da Silva (um dos três pilares do simbolismo piauiense), dentre outros, mas como o próprio autor registrou nas primeiras páginas: “é um livro prático [...] pretende ser também uma introdução ao estudo da literatura”, nada mais podemos nos queixar. Em suma, é uma obra boa, mas nada que uma adequada revisão e acréscimos, para reedição, não a torne melhor.<strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Daniel C. B. Ciarlini</strong></p>
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		<title>Um amor puro e contemporâneo</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 03:00:26 +0000</pubDate>
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              “Amor é fogo que arde sem se ver”, já dizia Camões, e este simples verso, depois que li a obra de estréia da parnaibana Laura Thereza Santos, Lembranças: um amor para toda vida, constatei que não só arde, como, edificado, jamais se deteriora.
            Com um enredo espetacular, temperado por um final trágico e comovente, o livro, publicado pela editora Marco Zero no ano de 2005, é construído por uma linguagem simples e vivaz (o que torna o contato leitor-autor acessível); traz à tona duas importantes temáticas; uma, jamais vencida, ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-3236" title="Lembranças" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Lembranças-199x300.jpg" alt="Lembranças" width="199" height="300" />              “Amor é fogo que arde sem se ver”, já dizia Camões, e este simples verso, depois que li a obra de estréia da parnaibana Laura Thereza Santos, <em>Lembranças: um amor para toda vida</em>, constatei que não só arde, como, edificado, jamais se deteriora.<br />
            Com um enredo espetacular, temperado por um final trágico e comovente, o livro, publicado pela editora Marco Zero no ano de 2005, é construído por uma linguagem simples e vivaz (o que torna o contato leitor-autor acessível); traz à tona duas importantes temáticas; uma, jamais vencida, e outra, atual; o amor puro e invencível, e as consequências avassaladoras do uso de drogas na vida de um viciado e de seus próximos.<br />
            A prosa é divida em nove capítulos que, juntos, apontam a divisão adotada no desencadear da narração, não iniciada de forma cronológica. A autora se dispõe de técnicas da narrativa moderna para situar o leitor em um dado momento e, depois, explicar como tudo se sucedeu até ali (flashback), encerrando com o dado instante cortado da narrativa inicial. Usou esta mesma técnica Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas.<br />
            Maria Clara, a personagem-narradora, três meses antes de seu casamento, visita um velho amigo de adolescência num hospital. Havia, ele, sofrido um grave acidente. Sem esperar, depara-se com Edu, o grande amor de sua vida, romance privado pelos pais e pelas escolhas irreparáveis do rapaz (“Ele estava tão diferente e, ao mesmo tempo, vi que até assim eu o conhecia, sabia o que ele falaria antes de concluir uma frase ou em outra situação” – Op. Cit. p. 16). Apesar da data marcada para seu casamento com Guilherme, cearense que conheceu quando cursava medicina em Fortaleza, o encontro com Edu parecia trazer, de pronto, toda aquela magia de adolescência (“Eu devia ter vivido mais, da maneira como eu gostava, da maneira como Edu, somente ele, mostrou-me; ele não me ensinou, apenas a descobriu em mim” – Op. Cit. p. 25).<br />
            Guilherme e Edu representam um dos conflitos vividos pela protagonista Maria Clara, sendo este a sensibilidade (puro sentimento) e aquele a obnubilação racional (“Desde que aprendi a ‘pensar’, perdi a naturalidade com que dava rumo aos meus atos e ações. É lamentável; minha ingenuidade foi arrancada da minha alma sem que eu pudesse fazer nada, covardia do destino e da natureza humana” – Op. Cit. p. 24).<br />
            O tom dado à narrativa faz com que o leitor sinta os sofrimentos de Clara: A dicotomia, o desespero, a angústia, as incertezas, esperanças e descrenças&#8230; É, pois, uma personagem bem próxima a nós, seres não aprisionados em letras. Diversos fatores incidiram sob as dúvidas e abstrações de Maria Clara: </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">     “&#8230; transformamos nossos medos em monstros, e isso não permite que vivamos sem nos preocupar com a possibilidade de não conseguirmos ser fortes o bastante para suprir a expectativa de quem acha que somos perfeitos. Não esperamos o destino, traçamos nossos rumos sem vaga para acontecimentos imprevisíveis que possam desviar nossos objetivos, já traçados com, e somente com, racionalidade” (Op. Cit. p. 25). </p>
<p style="text-align: justify;">            Além de Guilherme e Edu, duas outras personagens surgem de forma decisiva: Pedro e Daniel; os típicos conselheiros amorosos. Pedro por Edu; Daniel por Guilherme. Para tornar o ambiente prosístico ainda mais próximo da realidade, Edu e Guilherme eram opostos. Edu, “tinha uma má reputação; apesar de ser filho de uma boa família, era o tradicional bad boy, e estava sempre com uma bebida na mão e não contradizia os comentários de que era usuário de entorpecentes” (Op. Cit. p. 40); e Guilherme, o típico homem educado, de boa família, estudioso e perfeito.<br />
            Para sentir o livro em sua intensidade e essência, é preciso abstrair-se de todos os sentimentos que desprezam a alma, necessitando-se ter olhos de espírito, porque os humanos, como já afirmou T. S. Eliot, não conseguem suportar demasiada realidade; e talvez seja por isso mesmo que a autora não suportou mantê-lo em narrativa por muito tempo, finalizando-o com uma das mais amargas tragédias que a literatura pode oferecer, porém, como lição, nos deixou a seguinte frase que, se analisada com afinco e paciência, poderia, sim, resumir de forma concisa o que o mais puro sentimento, milenar e transcendental, representa em nossas vidas: “É tão fácil saber quando sentimos amor; sabemos que é ele, e essa certeza só se tem uma vez na vida” (Op. Cit. p.81). Conceito muito romântico para alguns, complexo para outros, porém, o que este humilde homem que vos escreve pode afirmar é: O amor, embora tenha sido uma desgraça para tantos, sublime para outros, é, na realidade, um conjunto de ações e fatores, uma necessidade, uma magia, uma razão completada. Os antigos acreditavam que o homem só podia ascender ao céu, e assim evoluir divinamente, quando encontrava a sua outra metade. Não irei aqui conceituar com metáfora o que é o amor, pois tal qual poesia é algo muito subjetivo, está em cada um de nós, mas se o amor é sinônimo de felicidade, faço minhas as palavras de Laura, na voz de Maria Clara: “&#8230; a verdadeira felicidade só necessita de paz” (op. Cit. p. 96), e paz só tem quem verdadeiramente ama, incondicional e universalmente.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Daniel C. B. Ciarlini<br />
</strong><strong>Parnaíba, 24 de dezembro de 2009. </strong></p>
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		<title>Rebecca</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Dec 2009 03:01:42 +0000</pubDate>
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            Dois mil e nove (2009) marca o trigésimo ano em que foi impresso no Brasil pela Companhia Editora Nacional, o romance “Rebecca – A Mulher Inesquecível” (do original norte-americano), de Daphne Du Mavrier. 
            “Ao pôr-do-sol, quando a neblina se eleva do mar e invadia os parques e os terraços da mansão de Manderley, ela parecia ressuscitar. Seu espírito se escondia no imenso perfume das azáleas, no sanguíneo colorido dos rododendros, atravessava as paredes de Manderley, enquanto a brisa que vinha da praia suspirava insistentemente:
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-2872" title="Rebecca" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Rebecca-195x300.jpg" alt="Rebecca" width="195" height="300" />            Dois mil e nove (2009) marca o trigésimo ano em que foi impresso no Brasil pela Companhia Editora Nacional, o romance “Rebecca – A Mulher Inesquecível” (do original norte-americano), de Daphne Du Mavrier. </p>
<p style="text-align: justify;">            “Ao pôr-do-sol, quando a neblina se eleva do mar e invadia os parques e os terraços da mansão de Manderley, ela parecia ressuscitar. Seu espírito se escondia no imenso perfume das azáleas, no sanguíneo colorido dos rododendros, atravessava as paredes de Manderley, enquanto a brisa que vinha da praia suspirava insistentemente:<br />
            Rebecca, Rebecca&#8230;”. </p>
<p style="text-align: justify;">            Rebecca empolga pela atmosfera de expectativa brilhantemente engendrada, mas é uma novela infinitamente comovente, profunda no estudo dos pensamentos e reações da mente humana.<br />
            Seria impossível dar, em breve palavras, uma ideia do livro. O leitor tem que sentir a atmosfera de desastre iminente, a deliciosa história de amor com suas emoções acentuadas, pelo drama, pelos imprevistos, pelos momentos magníficos e melodrama.<br />
            Rebecca, o romance de uma mulher inesquecível. </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Arlindo Leão</strong></p>
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		<title>Você quer ser “americano”?</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 03:24:14 +0000</pubDate>
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             Data de 27 de maio, deste ano, a oferta, da amiga Sonita Cunha, do livro Você quer ser “americano”?, publicado, em 1999, pelo seu irmão Alarico da Cunha Júnior, residente há mais de 30 anos nos Estados Unidos. Quanto à obra, o que posso afirmar, logo, de primeira constatação, é que se trata de um verdadeiro tratado sociológico do povo americano, descerrando em linguagem acessível e divertida os vários vícios e costumes esquisitos daquele povo de cultura fria, ou melhor, pouco humanista. Sim, não foi, esta, uma palavra dita ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-2612" title="Capa do livro Você quer ser americano" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Digitalizar0001-226x300.jpg" alt="Capa do livro Você quer ser americano" width="226" height="300" />             Data de 27 de maio, deste ano, a oferta, da amiga Sonita Cunha, do livro <em>Você quer ser “americano”</em>?, publicado, em 1999, pelo seu irmão Alarico da Cunha Júnior, residente há mais de 30 anos nos Estados Unidos. Quanto à obra, o que posso afirmar, logo, de primeira constatação, é que se trata de um verdadeiro tratado sociológico do povo americano, descerrando em linguagem acessível e divertida os vários vícios e costumes esquisitos daquele povo de cultura fria, ou melhor, pouco humanista. Sim, não foi, esta, uma palavra dita de forma impensada, quando se estuda, por exemplo, a teoria das comunicações, fácil é se deparar com as ideias do epistemólogo Jean Piaget, indicando-nos, por conseguinte, o discernimento do que se pode está mais próximo do humanismo ou não, ora, pois, sendo a sociedade do Tio Sam uma sociedade que se retraiu, e retrai, devido às próprias leis, notamos, então, que a falta de comunicação entre indivíduos, a não permuta de vivências, a tornou menos calorosa.<br />
              “Alguém já disse que o maior negócio aqui nos Estados Unidos é a indústria dos processos judiciais e não é à-toa que a profissão de advogado é uma das mais bem pagas neste país”, confessou-nos o autor no início do capítulo “A mania de processar judicialmente”, dedicado a explanar os casos mais absurdos de processos, lá, ganhos; o que cito, por exemplo, de um jovem que não tendo a devida formação, perdendo a vaga de trabalho em uma empresa, processou os próprios pais por não tê-lo proporcionado tal formação. No Brasil, o que poderia parecer um caso absurdo a ser levado à Justiça, nos Estados Unidos é coisa rotineira: Quando que no País alguém que tenha pedido um café na rede “Mc Donald”, deixado-o, por descuido, cair sobre o próprio corpo, haveria de processar a empresa que lhe prestou o serviço, e o pior: Tendo total razão perante a “Justiça”? Assim é nos Estados Unidos.<br />
             Bebida alcoólica não pode ser vendida no período que compreende as 21h dos sábados às 10h das segundas-feiras, e se comprando antes pensam os consumidores desinformados que poderão chamar os amigos e farrear em qualquer canto, ou até mesmo na frente de suas casas, ledo engano, fazer isso, naquela terra desenvolvida, dá cadeia e gera até processo (para variar&#8230;). Como eu disse há algumas linhas acima, eis uma obra sociológica do americano médio, o próprio Alarico da Cunha Júnior recebeu alguns alertas no início de sua vida nortista: “logo que cheguei aqui, um amigo meu me fez retirar da entrada de minha casa, um desses inocentes tablados inclinados que os meninos haviam colocado com tanto cuidado  coitados  e estavam utilizando para subir e baixar nos famosos “skateboards” que, naquela época (1976) era a coqueluche da juventude [...] Aquele amigo me dizia se, eventualmente, um garoto da vizinhança viesse a utilizar o tablado, em seu próprio “skateboard” ou seu patim, quando ninguém estivesse presente, e sofresse um acidente qualquer, seguramente seu pai certamente um &#8216;americano médio&#8217;, me faria um &#8217;sue&#8217;”. “Sue”, na ocasião, refere-se a uma ação judicial de perdas e danos.<br />
              Diria, então, ao brasileiro que pretende morar naquele país, que &#8220;Você quer ser “americano”?&#8221; é uma obra de leitura obrigatória; o choque entre culturas é algo inevitável, porém, pode ser amenizado; e não pense que fazer turismo o torna livre de não ter em sua bagagem tais conhecimentos, o americano não quer saber se você sabia ou não disso ou daquilo, era, pois, a sua obrigação, antes de entrar em território alheio, estar a par de como funcionam e são regidas as leis. Um exemplo claro de como funcionam as duas culturas está na seguinte questão, que ora levanto a partir do capítulo “Quando ajudar é perigoso”: Como se comportaria o brasileiro se por um acaso visse em plena rua alguém passando mal? Logicamente, ajudaria. Nos EUA a melhor ajuda é telefonar para o 911 sem nem mesmo tocar no paciente, pois “seu ato de &#8216;bom samaritano&#8217; pode causar-lhe imensas dores de cabeça e inclusive ser processado” (ao que novamente digo: Para variar). Eis aí uma nação modelo para os futuros “PhD” em processos judiciais, quer se especializar? O caminho já foi descerrado.<br />
              Alarico da Cunha Júnior, que até então me era desconhecido no aspecto prosaico, hoje, se configura, no meu ver, digno do nome que carrega: Tal qual o pai, que tanto lutou pela prosperidade da cidade de Parnaíba, é poeta e muito nos honra com o seu amor à nação brasileira. Como o espaço me é limitado, queixo-me por não me alongar mais nestas linhas, todavia, registro aqui o respeito que tenho por esta família e a alegria de poder compartilhar com Sonita Cunha destas e de outras curiosidades acerca do mundo, da nação e do estado do Piauí.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Daniel C. B. Ciarlini</strong></p>
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		<title>Diário de Maria Beatriz</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 03:50:53 +0000</pubDate>
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<div id="attachment_1605" class="wp-caption alignleft" style="width: 213px"><img class="size-medium wp-image-1605" title="Jeanete de Moraes Souza" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Jeanete-de-Moraes-Souza-203x300.jpg" alt="Jeanete de Moraes Souza" width="203" height="300" /><p class="wp-caption-text">Jeanete de Moraes Souza</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Na ternura da minha sensibilidade, no enlevo dos meus sentimentos, o nó não queria dissolver-se em minha garganta. Todo o meu ser vibrava uma solidão inafugentável. As pálpebras desafiavam o meu comando. E como alguém que há muito represara todas as angústias do planeta, eu me vi diante de redemoinho de emoções, e terminei vendo algumas gotas rolando dos meus olhos: eu acabara de ler o romance de Jeanete de Moraes Souza: “DIÁRIO DE MARIA BEATRIZ”.<br />
              Quanta poesia encerra esse romance! Quanta renúncia dessa jovem em nome de um trato familiar! De uma realidade histórica de uma época! De um pedantismo levado pelo orgulho de uma sociedade que se pensa superior, só porque possui, no cabide, algumas roupas mais refinadas, um sobrenome em melhor evidência!<br />
              Jeanete aproveita o talento que carrega na fronte, como poetisa arrebatada para, em forma de diário, desenrolar os acontecimentos do início do Século Vinte. E como a escritora era inclinada às mensagens cristãs, diferentemente de Camilo Castelo Branco que, empurrando o catolicismo para cima de um burro, com o intuito de enviá-lo para algum píncaro de Portugal, ela levanta um altar iluminado e nos convence a fazer o mesmo em nossos lares.<br />
             “Não haveria discordância no concerto universal, se todos os seres criados estivessem sempre submissos a tão sábia direção. Há os desassossegos, as desordens, as guerras, porque os homens se esquecem de consultar Tua Vontade e agem a seu bel-prazer, tangidos por suas paixões e cobiça, esquecidos de que, longe de Ti , só existem o infortúnio e a morte nesta vida e, na eternidade, o desespero sem fim”.<br />
              O mexeriquismo social, as traições dos maridos, o interesse em casar os filhos com um partido alto, a imposição dos pais aos filhos, a falta de espírito humanitário, com a elite esbanjando egoísmo e orgulho, eis uma tônica presente naquele período e retratado com maestria por Jeanete.<br />
              Naquela época, os filhos se ajoelhavam perante a esperteza dos pais, e se deixavam imolar, sacrificar, jogar por terra os mais sagrados anseios, para não ferir os que lhe botavam à luz da terra. E os pais não mediam esforços e astúcias para satisfazer suas vontades.<br />
              A mãe de Beatriz usou dessa artimanha e da enfermidade, com o interesse de que a filha não seguisse o caminho traçado de felicidade ao lado do homem que escolhera &#8211; por amor expressivo -, devido à condição social e financeira dele.<br />
              “Então? O que há de vir de bom do sertão, além de legumes? Com certeza que este rapaz é filho de algum vaqueiro, lenhador ou qualquer coisa semelhante&#8230;”.<br />
              A mãe de Beatriz não lhe colocava um cadeado na parte genital, contudo a vigiava, fazia jogo psicológico. Um dia, ela exigiu: “Seja obediente! Não lhe dê esperanças&#8230; Mande-o embora! Promete-me?” E a filha, num esforço inigualável, respondeu: “Prometo”!<br />
              “No peitoril da janela, molhada de lágrimas, deixei a saudade emurchecida”, disse Beatriz.<br />
               “Saudade emurchecida” era o jasmim que Luciano exigira que ela botasse na janela. Caso a resposta para o noivado fosse negativa, Luciano queria jasmim roxo e roxo lá estava.<br />
               As tias de Beatriz tentaram jogar os filhos para um casamento com a sobrinha. Entretanto, qualquer pretendente era descartado: se Luciano não podia fazer parte do caminhar dela, viveria só, com suas dores.<br />
              Em todo o livro impera o lirismo. A realidade do Brasil como um todo, em todos os seus aspectos, contada em forma de romance, porém pura poesia. Escrito por uma mulher que soube perceber o tempo em que viveu e, com sapiência, transferir para o papel cada movimento, todo anseio, os descalabros dos semelhantes.<br />
              Mais de cem anos já passaram, no entanto, muito do que está nesse livro, continua rondando em nossas portas. Ainda somos “animais num corpo de homem”, como dissera um mestre da espiritualidade.<br />
              Não queremos uma Beatriz nos moldes (sacrificadora) do romance. Mas uma Beatriz com esse amor (verdadeiro), cheio de enlevo, que o sabe sagrado, indivisível. São tantos correndo aloucados atrás da matéria dissolúvel. Beatriz queria apenas os braços mornos daquele a quem amava; pouco preocupada se era ou não filho de um “vaqueiro” ou “lenhador”.<br />
               O Amor, acreditem, é o maior dos tesouros. Quem o tem – no seu verdadeiro sentindo – não necessita de mais nada. Pelo contrário, reservas as possuem para oferecer.<br />
               Eu pergunto ao homem mais rico do mundo, no tocante ao dinheiro, riquezas materiais: você pode comprar alegria com o dinheiro que compra palacetes, carros importados?<br />
              “Ah, o valor das palavras! Como podem mudar o destino!&#8230; Que força que têm! Se pudesse apagá-las ou jamais usar proferi-las impensadamente&#8230; Quanto tempo, meu Deus, levarei ainda nesta angústia que é ansiedade, é sacrifício e heroísmo&#8230; E julgo que também é amor!”  Estas foram as última palavras de Beatriz. Felizmente, nos dias de hoje, os pais não impõem &#8211; aos filhos &#8211; esse tipo de sacrifício. Todos nascemos para o amor. Os pais são intermediários entre o mundo invisível e o visível. Têm também o papel de educar os filhos para a missão a desempenharem aqui na terra. Chegará um dia em que os nossos rebentos terão que voar. Em vez de quebrarmos as suas asas, teremos que fortalecê-las – a fim de que eles possam ser agentes transformadores dos mais conceituados.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Wilton Porto</strong></p>
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		<title>Atlantis</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Sep 2009 23:09:19 +0000</pubDate>
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              Diz a lenda que há muito tempo, milênios antes de Cristo, existiu uma cidade cujo povo, ascendente à Idade do Bronze, dominava, como nenhum outro, a arte de manusear os metais nobres, o ouro e a prata. Ele desenvolveu inúmeros mecanismos que, hoje vistos, poderiam ser considerados como chips arcaicos. Trata-se de Atlântida, citada, inicialmente – é o que a atual história nos mostra –, pelo filósofo aluno de Sócrates, Platão, em duas de suas obras: “Timeu ou a Natureza” e “Crítias ou a Atlântida”.
            Atualmente um árduo embate ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Atlantis.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1389" title="Atlantis" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Atlantis-208x300.jpg" alt="Atlantis" width="208" height="300" /></a>              Diz a lenda que há muito tempo, milênios antes de Cristo, existiu uma cidade cujo povo, ascendente à Idade do Bronze, dominava, como nenhum outro, a arte de manusear os metais nobres, o ouro e a prata. Ele desenvolveu inúmeros mecanismos que, hoje vistos, poderiam ser considerados como chips arcaicos. Trata-se de Atlântida, citada, inicialmente – é o que a atual história nos mostra –, pelo filósofo aluno de Sócrates, Platão, em duas de suas obras: “Timeu ou a Natureza” e “Crítias ou a Atlântida”.<br />
            Atualmente um árduo embate provoca grande cerco de discussões sobre a possível existência da lendária cidade. Arqueólogos e pesquisadores têm se debruçado, dia e noite, em evidências, dados e/ou suposições que se acirram concomitantemente, alguns dizem ser a Atlântida de Platão nada mais que uma simbologia para Creta; outros, considerando tal fato, acrescentam que Creta teria sido um dos refúgios do povo que viu sua terra naufragada ao “desafiar o Deus do Mar, Posêidon” e lá instalaram uma espécie de “Neo-Atlântida”.<br />
            Não se sabe ao certo qual a verdadeira localização da famosa cidade. Grande parte dos que pesquisam o assunto computa como sendo no Oceano Pacífico, e não no Atlântico, como o nome pode nos levar a pensar, o que não tem nada haver, já que o nome “Atlântico” deriva pura, e especificamente, do semideus Atlas; na mitologia, o filho mais velho do deus do Mar, “o oceano Atlântico era o oceano de Atlas e não da Atlântida” (Op. Cit. p.52). Baseado nessa e noutras concepções, o canadense David Gibbins (Saskatoon, 1962), escritor e arqueólogo PhD da Universidade de Cambridge, aproveitando todo o seu conhecimento profissional em arqueologia marinha, revelou, em 2005, uma das obras mais completas e fantásticas acerca do assunto: <em>Atlantis</em>.<br />
            Para os amantes da ficção que encara os fatos históricos como pano de fundo, <em>Atlantis</em> é uma obra que atinge a linha de pesquisa, não apenas no aspecto da curiosidade, mas na análise meticulosa do caráter humano contemporâneo. Gibbins, apesar de, às vezes, fazer uso de uma narrativa que soa um pouco surreal, o que pode parecer, inclusive, como se estivesse perdendo o foco, trata da lenda de Atlântida com certa dose de seriedade e precisão. Narrada de 3.ª pessoa, a obra faz uso de um rápido flashback ainda no início e traduz o que seria o único contato que Sólon, o Legislador, teve com Amenothep: o faraó teria repassado todo o conhecimento sobre o povo submerso. </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">“’O conhecimento mais precioso era muito sagrado para ser confiado ao papel. Ele era transmitido de boca em boca, de um sumo sacerdote para outro. Muito desse conhecimento morreu com os últimos sacerdotes quando os gregos fecharam os templos. O pouco registrado em papel perdeu-se sob os romanos, quando a Livraria Real de Alexandria foi queimada durante a guerra civil, em 48 antes de Cristo, e a Livraria Filial teve o mesmo fim sob o império de Teodósio, que ordenou a destruição de todos os templos pagãos remanescentes, em 391 depois de Cristo [...]’”. (Ob. cit. p.50). </p>
<p style="text-align: justify;">              Salvo a ficção de tal diálogo, e a narrativa do faraó que Sólon teria registrado em um imenso papiro, logo depois destruído por saqueadores, a obra em si é uma espécie de resgate histórico. Aborda, para nossa felicidade, aspectos de uma das raízes conhecidas de boa parte das línguas do mundo, o indo-europeu, iniciado pelos Atlantis, segundo o autor:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">“’[...] Na Europa, na Rússia, no Oriente Médio, no subcontinente da Índia, muitas das línguas faladas hoje têm uma única origem’. ‘Indo-européia’, esclareceu Costas. ‘Uma antiga língua-mãe que muitos lingüistas já cogitaram ter surgido na região do mar Negro. Podemos reconstruir seu vocabulário através das palavras mantidas em comum por línguas posteriores, tais como o sânscrito <em>pitar</em>, o latim <em>pater</em> e o alemão <em>vater</em>, a origem da palavra inglesa <em>father </em>[...]<em>’”</em>. (Ob. cit. p.119).           </p>
<p style="text-align: justify;">            A estória é basicamente a aventura de um grupo de pesquisadores que, vasculhando determinado naufrágio minoano, encontra o que seria as primeiras evidências de uma cidade, até então, lendária. Jack Howard é o personagem principal, talvez pela empolgação da narrativa, algumas vezes o autor tenha pinta como um grande guerreiro, fazendo-me lembrar o heróico Rambo, estrelado por Silvester Stalone. Howard enfrenta um ataque de terroristas e mercenários, destruindo-os das formas mais românticas possíveis, ora usando de helicópteros roubados, ora de armamentos pesados (importante parêntese aberto para lembrar o uso de armas que nem mesmo existem). </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">      “Assim que o Hind alcançou uma posição de cinqüenta metros atrás, Jack abriu a trave de segurança e apertou o botão vermelho de fogo. As quatro armas da torreta giratória dispararam uma imensa onda ruidosa, um martelar cadenciado que atirou Jack para a frente com o coice. Cada cano lançava vinte projéteis por segundo, as cápsulas eram ejetadas num amplo arco de cada lado. Durante cinco segundos chispas de fogo saíram de debaixo do nariz do helicóptero e uma chuva destruidora de fogo avançou para o seu oponente [...] Quando o Hind inclinou-se para cima, a última rajada de balas atingiu a turbina do Havoc e soltou o rotor, que se desprendeu como um bumerangue descontrolado. Segundos depois a fuselagem explodiu em uma gigantesca bola de fogo produzida por combustível e munição explosiva”. (Ob. cit. p.320). </p>
<p style="text-align: justify;">            Como se não bastasse, <em>Atlantis</em>, desaconselhada para os claustrofóbicos e, principalmente, hidrofóbicos, chega ao ápice quando o “herói” Jack encara adversidades no fundo do oceano pacífico. Chega ao limite entre a vida e a morte. Vive os piores momentos de sua existência, preso em uma cabine blindada, própria para situações de “incalculáveis” pressões que a IMU (Universidade Marítima Universal), órgão financiador das pesquisas do grupo, desenvolveu.<br />
            Gibbins usa de um realismo catastrófico, detalha o acontecimento de inúmeras mortes. Não é uma obra que podemos considerar prima, apesar de, hoje, ser um <em>best-seller</em>, o que nem sempre implica qualidade, e não é o caso ensaiado, como poucos, é um livro que rapidamente chegou numa marca de tradução de mais 25 línguas, e já rodou boa parte do mundo.<br />
            Empolgante é a parte em que os pesquisadores, no fundo do oceano, se deparam com as primeiras evidências de Atlântida, o que gera um ritmo singular na prosa: </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">      “’Meu Deus!’<br />
      ‘Isto é&#8230;’, Jack vacilou.<br />
      ‘É uma <em>pata</em>’, sussurrou Costas.<br />
      &#8216;‘Uma pata de leão’. Jack rapidamente recuperou seu sangue-frio. ‘Esta deve ser uma estátua gigantesca, com pelo menos cem metros de comprimento por trinta metros de altura’.<br />
      ‘Você está pensando no que estou pensando?’<br />
      ‘<em>Uma esfinge’”. </em>(Ob. cit. p.157).</p>
<p style="text-align: justify;">            Dividido em 33 partes, o livro finaliza com uma nota do autor explicando fatos fictícios e reais, coisa que deveria ter ocorrido, até como forma de respeitar o leitor, na obra de Dan Brown: O Código Da Vinci.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Daniel C. B. Ciarlini</strong> </p>
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