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	<title>Piagui - Culturalista &#187; Piracuruca</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>Piracuruca, cidade do milagre</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 20:48:38 +0000</pubDate>
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            A origem da cidade de Piracuruca (talvez PIRARUCUCA) é quase lendária, mas não deixa de ser maravilhosa e tão linda que, quem a descrevesse aprofundando-a, escreveria um poema, e dos mais belos, em que a sua natureza e a sua gente se abraçam cantando.
            Naquela época recuada em que portugueses audazes atravessavam os sertões piauienses à procura re riquezas do solo, concorrendo assim, para fundação de vários núcleos, hoje cidades prósperas – os irmãos Dantas Correia foram alojar-se à margem do rio Piracuruca no intuito de explorar as minas ...]]></description>
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<div id="attachment_1066" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Sete-Cidades-11.JPG"><img class="size-medium wp-image-1066" title="Sete Cidades (11)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Sete-Cidades-11-300x225.jpg" alt="Foto: Gilmara Rabelo" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Gilmara Rabelo</p></div>
<p style="text-align: justify;">            A origem da cidade de Piracuruca (talvez PIRARUCUCA) é quase lendária, mas não deixa de ser maravilhosa e tão linda que, quem a descrevesse aprofundando-a, escreveria um poema, e dos mais belos, em que a sua natureza e a sua gente se abraçam cantando.<br />
            Naquela época recuada em que portugueses audazes atravessavam os sertões piauienses à procura re riquezas do solo, concorrendo assim, para fundação de vários núcleos, hoje cidades prósperas – os irmãos Dantas Correia foram alojar-se à margem do rio Piracuruca no intuito de explorar as minas que julgavam por ali existentes. Antes mesmo, como se julga, que ali chegassem os aventureiros lusitanos, Piracuruca já era um pequeno povoado em torno da fazenda “SÍTIO” – e já sede de Paróquia em 1792.<br />
            Depois que Manoel e José Dantas Correia, em cumprimento de um voto, edificaram a belíssima Igreja, toda de talha, em honra de N. Senhora do Carmo, o povoado tomou rápido desenvolvimento com a construção de casas, cujos proprietários foram atraídos pela devoção à Imaculado Virgem.<br />
            A confusão da origem da cidade começa, quando se afirma que “a hoje cidade de Piracuruca remonta suas origens a um desses lances de audácia por parte de dois indivíduos que, em arriscada aventura, percorriam os sertões piauienses”. Esses dois indivíduos eram os irmãos Dantas Correia que, caindo em poder dos índios antropófagos que, com certeza, moravam ali perto, na famosa “SETE CIDADES” – verdadeira fortaleza selvagem – foram presos e amarrados, saindo livres por um milagre de N. Senhora do Carmo, a quem fizeram o voto de construir em sua honra um templo no mesmo local do seu aprisionamento. Está claro que naquele local da Igreja, em torno da qual se fez a cidade, nada existia senão mataria que vicejou à margem do rio que deu nome à cidade.<br />
            A construção da Igreja começou em 1743; entanto quando se procura saber a data da criação da freguesia não se chega a uma evidência, pois apenas se descobre que em 27 de novembro de 1742, o Bispo D. Frei Manoel da Cruz transferia da freguesia de Piracuruca para a de Marvão recém criada, o Padre José Lopes Pereira. Isso não deixa de ser curioso, pois, a construção da Igreja começou em 1743, e “em breve a suntuosa Igreja de N. Senhora do Carmo foi contornada de casas, despertando das fronteiras as simpatias do povoado” – diz Anísio Brito. Com certeza a freguesia era na fazenda “SÍTIO”, como já disse, acima do local da Igreja, fazenda que nem está arrolada entre as propriedades dos Dantas por estes doadas à N. Senhora do Carmo. O fato é que a fazenda “SÍTIO” em 1742 já era um povoado notável no qual não se fala existisse ao menos uma capela, e seria ali a sede da freguesia. Antes de concluídas as obras da monumental Matriz faleceram os Irmãos Dantas que deixaram em testamento para N. Senhora do Carmo todos os seus bens, constantes de 12 léguas e meia de terra, nelas encravadas 8 fazendas, patrimônio este “exclusivamente administrado pelo vigário da freguesia, em virtude da provisão do bispo diocesano do Maranhão” – diz Pereira da Costa em sua Cronologia Histórica, pág. 229. Esse bispo, grande pela virtude e pelo saber, foi o já referido D. Fr. Manoel da Cruz da ordem de São Bernardo, chegado ao Maranhão a 15 de Junho de 1739, tomando posse da Diocese no dia 29 do mesmo mês – donde fora transferido em 1747 para a Diocese de Mariana. Lá por 1770 – ou pouco antes – quando já no governo da Diocese o Snr. Bispo D. Fr. Antônio de S. José – que pouco depois se recolhera ao Convento da sua Ordem, em Leiría, falecendo em 1779 em Lisboa, foi pela autoridade diocesana aprovada a Irmandade de N. Senhora do Carmo para gerir os bens do Patrimônio. É evidente que toda associação eclesiástica está subordinada ao Bispo, seu presidente nato na forma das leis canônicas, e que se não pode confundir com sociedade civil, cuja criação só agora os “devotos do patrimônio” descobriram ser uma disposição testamentária, quando não há sequer vestígios do Testamento dos Dantas nesse sentido. E se a Irmandade não pode dispor a seu bel-prazer dos bens cuja gestão lhe foi entregue, o Bispo não podia aliená-los de vez que os testadores fizeram doação sob a cláusula de inalienabilidade. Cometido este erro, de alienação pelo 1.º Bispo do Piauí em 1909 – o 3.º Bispo do Piauí, D. Severino Vieira de Melo, uma das mais brilhantes e destacadas figuras do episcopado brasileiro – readquiriu os bens imóveis da Igreja mediante luminosa sentença do Tribunal de Justiça. Os civis apaixonados pela administração do Patrimônio pretendem, vez por outra, parece baseados no artigo 26 do Código Civil reorganizar pela Irmandade como sociedade civil, como se a Igreja estivesse unida ao Estado. Se o Ministério Público organizar e reorganizar sociedades civis dentro da Igreja para lhe administrar os bens no regime de separação em que vivemos , seria o caso de perguntarmos como Cícero no Senado Romano a propósito dos absurdos de Catilina: &#8211; UBINAM GENTIUM SUMUS? QUAM REM PUBLICAM HABEMUS? – Em que País estamos e que república temos nós?<br />
            É sempre um ponto obscuro o da origem de Piracuruca, dessa cidade sertaneja, a mais linda que descansa como princesa ao lado do rio que lhe fertiliza a terra – berço de bravos e de homens ilustres. Foi nessa terra pequenina onde primeiro brilhou o clarão de independência, na célebre escaramuça à margem da lagoa do JACARÉ.<br />
            A 23 de dezembro de 1833 Piracuruca assistiu as solenidades de sua elevação à categoria de Vila, sendo um dos seus primeiros vereadores Pedro de Brito Passos, de quem se originou este vulto inconfundível que Piracuruca nunca esquecerá: Cel. Gervásio de Brito Passos. Só em 1889 foi Piracuruca elevada à categoria de Cidade por decreto do Governador Gregório Thaumaturgo de Azevedo.</p>
<div id="attachment_1067" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Sete-Cidades-12.JPG"><img class="size-medium wp-image-1067" title="Sete Cidades (12)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Sete-Cidades-12-300x225.jpg" alt="Foto: Gilmara Rabelo" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Gilmara Rabelo</p></div>
<p style="text-align: justify;">            Há ali, perto da cidade, uma verdadeira FORTALEZA BLINDADA, a que se convencionou chamar SETE CIDADES. Por ali têm passado engenheiros e curiosos e fazem belas descrições como lhes vem à imaginação. O certo é que naquele PREDREGEIRO habitou alguém – os índios não há dúvida – que procuravam melhorar o esconderijo, abrindo valas entre as pedras, e a isto chamamos corredores e salões, blindando pedras, alargando passagens, deixando enormes pedras quase suspensas e seguras pela mão de Deus. Hoje Piracuruca é uma bela cidade, como nem todo sertão brasileiro possui, pela sua planície, pelas suas ruas e praças em perfeita estética e asseio, e grandes melhoramentos realizados pela ação patriótica de seus filhos. É que ela nasceu do milagre de que foram objeto os portugueses Dantas Correia e sobre ela – a cidade princesa – paira o olhar protetor de Maria, a bondosa Virgem do Carmo. Não fora esta graça extraordinária concedida pela Virgem do Carmelo aos Irmãos Dantas, e estes não teriam construído aquele suntuoso templo e não se teria desenvolvido aquele esquecido povoado da fazenda “Sítio” desenvolvimento só devido à influência da Fé. A propósito dessa Igreja histórica há uma particularidade que convém pôr em relevo: é que Pereira da Costa em sua Cronologia Histórica diz, e Anísio Brito, filho de Piracuruca confirma, que essa Igreja tem 18 metros de largura. Quem nunca foi à Piracuruca, ficará fazendo uma idéia agigantada dessa Igreja com tamanha largura!! A verdade é que a Igreja não tem nem corredores, como em geral as Igrejas construídas por portugueses – a de Parnaíba, por exemplo. A de Piracuruca tem um vão só que não tem mais do que 12 (doze) metros de largura; a capela-mor é ladeada por duas grandes sacristias, cuja largura juntando-se à da capela-mor, dará os 18 de que falam os cronistas citados.<br />
            Quando se entra naquela Igreja e se contempla a sua arquitetura e a sua vetustez histórica – revê-se ali a cidade toda, como se do seu campanário estivessem os Irmãos Dantas redivivos a cantar as glórias de Maria e a proclamar dali que Piracuruca é a cidade do milagre. </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Aloísio de Lins, 1953</strong></p>
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