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	<title>Piagui - Culturalista &#187; Parnaíba</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>Parnaíba – Cartago Piauiense</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 04:36:35 +0000</pubDate>
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              Parnaíba é a grande paisagem sentimental da minha vida. É a voz longínqua de minha infância, a página mais viva da minha saudade, a memória mais velha do meu ser. Tudo, nela, me fala ao espírito – desde a sua velha Matriz, onde aprendi a rezar, até o seu velho Cemitério, onde aprendi a crer na eternidade&#8230; ele guarda os restos de meu pai – isto é, a parte mais profunda do meu coração e é nela que adejam, como sombras queridas, as figuras vaporosas dos meus primeiros sonhos.
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<p style="TEXT-ALIGN: justify"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Largo-da-Graça.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1418" title="Largo da Graça" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Largo-da-Graça-300x177.jpg" alt="Largo da Graça" width="300" height="177" /></a>              Parnaíba é a grande paisagem sentimental da minha vida. É a voz longínqua de minha infância, a página mais viva da minha saudade, a memória mais velha do meu ser. Tudo, nela, me fala ao espírito – desde a sua velha Matriz, onde aprendi a rezar, até o seu velho Cemitério, onde aprendi a crer na eternidade&#8230; ele guarda os restos de meu pai – isto é, a parte mais profunda do meu coração e é nela que adejam, como sombras queridas, as figuras vaporosas dos meus primeiros sonhos.<br />
              Estou a vê-la, há vinte anos, toda clara e fresca, batida dos ventos atlânticos, cheio de sol e de juventude.<br />
              As ruas eram irregulares, como o destino dos homens. Havia calçadas largas, que desfecham, de súbito, em declives pedregosos e incertos. Uma areia fofa e branca lembrava o deserto. Ventos endiabrados brincavam, por entre essas dunas urbanas, como crianças travessas. Tropas de animais cargueiros traziam, no seu bojo, riquezas multiformes. De volta, levariam aos sertões piauienses os finos produtos manufaturados da Europa e da América. A cidade nasceu do comércio, como a Fenícia antiga. E, como a Fenícia, semeou outras cidades. Ágeis e laboriosos, os parnaibanos criaram uma civilização própria. Ao assinalarem a cidade, nos envelopes e papéis comerciais, eles diziam: “Parnaíba, Norte do Brasil”. Foi assim que Cartago começou&#8230;<br />
             A Igreja Matriz e a Praça que lhe é fronteira, revivem, na minha memória, com uma prisão fotográfica. Era em maio e as rosas floriam. O luar envolvia tudo, como num grande banho de prata. As vozes subiam do coro e parecia que Deus as escutava. Ondas de incenso escondia o levita, junto ao altar onde Nossa Senhora sorria. E, o espoucar dos foguetes no espaço era uma outra forma de oração, que o povo na praça entendia e amava&#8230;<br />
               As longas noites de inverno convidavam a ler e a meditar. Parnaíba sempre foi um estímulo à inteligência e um desafio ao coração. Ali, aprendi a amar os seus clássicos. Ali, ouvi o maior pregador da nossa língua -  Padre Antonio Viera e o maior dos nossos filósofos – Manuel Bernardes. Foi lá que descobri o mais rico veio aurífero do idioma vernáculo: Camilo Castelo Branco. Muitas vezes, na agitação destes anos trabalhosos, senti, na alma, uma grande serenidade: era o silêncio das noites de Parnaíba que Deus me enviava como o emissário suavíssimo da juventude. Há momentos que ficam eternizados na nossa saudade. Alguns desses minutos de há vinte anos vivem dentro de mim – e, sem dúvidas, viverão mais do que eu&#8230;<br />
              Parnaíba jamais cometeu o erro de fazer do ouro a razão do seu destino e o fim de sua existência. O “Conta-Correntes” não era, no meu tempo, o único livro dos parnaibanos Antônio Freitas, R. Petit, Pires Rebelo, Alarico da Cunha, Édson Cunha&#8230; Versejam entre dois embarques de cera de carnaúba e, por entre pilhas de fardos de algodão, exploravam o próprio talento. A mesma Igreja Matriz era, como nos bons tempos de Roma, templo e oficina. O Cônego Melo Lula criara “A BOA SEMENTE” – o maior dos pequenos jornais católicos do Brasil. Ir a Parnaíba era descobrir, num celeiro opulento, toda uma família de pássaros cantores&#8230;<br />
              Da Parnaíba modesta da minha infância, o trabalho e o tempo fizeram uma grande e famosa cidade. Ademar Neves, Nestor Véras e Mirócles Véras pontilharam-na de jardins, calcaram-na de pedra, enrouparam-na à moderna, com todos os mimos da indumentária urbanística dos nossos dias. O milagre da cera transformou-a, dando-lhe não vulgar opulência. O comércio expandiu-se; a população duplicou-se-lhe. Maior centro comercial do Estado, Parnaíba corre parelhas com Teresina, no primor das atividades produtoras e na ousadia das construções ciclópicas. Foi ela a primeira cidade do Estado a ver o automóvel. Foi das primeiras a conhecer o telefone. No seu dorso fecundo assentou Miguel Furtado Bacelar o primeiro de trilho que já ornou a terra piauiense. Leônidas Melo – estadista que tem a alma humanitária de um clínico – vai dar-lhe água abundante e pura. Parnaíba tem a fascinação irresistível do progresso. Síntese e encarnação da alma nortista, esta pequena cidade comercial tem a beleza serena de uma lição e a eloqüência inconfundível de um exemplo&#8230;<br />
              Cidade mimosa de Deus, Parnaíba vai ter um bispado. A prosperidade não a faz esquecer os deveres de uma cidade cristã. Os seus magnatas trabalham seis dias e rezam o último&#8230; O domingo é uma pausa litúrgica no labor admirável dessa cidade, que deu ao Brasil, um dos maiores sábios – Oscar Clark – e um dos seus mais eminentes diplomatas – Frederico Castelo Branco Clark&#8230; É assombrosa a harmonia com que ela equilibra seu destino econômico  e sua vocação espiritual. Um Bispo em Parnaíba é a simples consagração canônica de uma realidade antiga&#8230; Mais que simples cidade do Piauí, Parnaíba é o símbolo de um povo e o orgulho de uma raça. O nordestino ali se revê na sua prodigiosa capacidade de sonhar, construir e realizar. Povo de abelha, o piauiense tem, em Parnaíba a sua grande colméia, sonora e dadivosa. Não é preciso ir lá, para sentir a agitação fecunda das operárias aladas: basta conhecer-lhe a gente para provar, nos lábios, o gosto sagrado do mel&#8230;</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Rio, Junho de 1941<br />
<strong>Berilo Neves</strong></p>
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		<title>Parnaíba e um olhar para si mesma</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 03:58:02 +0000</pubDate>
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Das águas de um caudaloso rio a cidade roubou seu nome. E a intimidade com o Rio Parnaíba fez com que diferentes povos, a começar pelas nações indígenas pré-coloniais, por essas terras se apaixonassem. Foi assim com os desbravadores vindos d’além mar, que logo foram seduzidos pelo balanço das águas sempre se oferecendo à terra e presenteando-a com recursos e promessas de prosperidade. E os novos habitantes foram abençoados com séculos de riqueza, graças à capacidade do rio de se estender como um tapete até o Oceano Atlântico, permitindo-lhes alcançar ...]]></description>
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<div id="attachment_1070" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/coqueiro-agosto-2009-001.jpg"><img class="size-medium wp-image-1070" title="coqueiro agosto 2009 001" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/coqueiro-agosto-2009-001-300x225.jpg" alt="Foto: Rafael Ciarlini" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Rafael Ciarlini</p></div>
<p style="text-align: justify;">Das águas de um caudaloso rio a cidade roubou seu nome. E a intimidade com o Rio Parnaíba fez com que diferentes povos, a começar pelas nações indígenas pré-coloniais, por essas terras se apaixonassem. Foi assim com os desbravadores vindos d’além mar, que logo foram seduzidos pelo balanço das águas sempre se oferecendo à terra e presenteando-a com recursos e promessas de prosperidade. E os novos habitantes foram abençoados com séculos de riqueza, graças à capacidade do rio de se estender como um tapete até o Oceano Atlântico, permitindo-lhes alcançar às mais longínquas margens.<br />
              A partir dessa época, Parnaíba começou a se destacar como um importante centro sócio-econômico brasileiro, construindo uma História digna de ser propagada e reconhecida aquém e além dos limites do seu Estado. Desses anos áureos, herdou um variado patrimônio histórico que reúne desde um rico conjunto arquitetônico até uma expressão folclórica única, ainda viva em seus bairros mais antigos. Também construiu uma extensa lista de ações protagonizadas por parnaibanos, o que traduz a potencialidade dessa gente.<br />
              Contrastando com o atraso do restante do país, a altaneira Vila de São João da Parnahyba foi proclamada Metrópole das Províncias do Norte, título recebido de Dom Pedro I, em 1823, por ter sido a primeira desta região a proclamar a Independência do Brasil. Logo depois, ainda embalada pelo espírito de liberdade, a vila aderiu ao Movimento republicano e separatista da Confederação do Equador, indo de encontro aos interesses do Imperador que, meses antes, solicitara o apoio parnaibano de Simplício Dias oferecendo em troca a transformação de Parnaíba em capital do Piauí. Simplício não aceitou o convite para assumir o cargo de Presidente da Província piauiense, rompendo com o Império e aliando-se aos ideais de Frei Caneca. Recusou o cargo para permanecer fiel aos próprios ideais e Parnaíba continuar como o berço da liberdade da região.<br />
               Após o fracasso do movimento republicano e a morte de Simplício, o Coronel Miranda Osório assume o comando de Parnaíba e obtém o ápice das conquistas políticas: a elevação de sua vila à condição de cidade, em 14 de Agosto de 1844. Infelizmente essa promoção, que já era merecida há muito tempo, teve um preço alto: a repressão da rebelião popular maranhense, Balaiada, que teve o apoio de parte da população parnaibana. Miranda aliou-se aos interesses do Império e destruiu os planos dos balaios revoltados contra aquela estrutura sócio-política e econômica, que oprimia a massa pobre formada por índios, negros e mestiços.<br />
              Acalmados os ventos revolucionários à custa de baioneta e cadeia, a nova cidade seguiu se desenvolvendo e se afastando cada vez mais da realidade estadual. Nas artes, na política e nas obras, a ousadia era a marca parnaibana. Precursora no Nordeste da navegação comercial de longo curso para a Europa e da industrialização, Parnaíba ganhou a fama de pioneira. Os primeiros barcos a vapor, locomotiva, bicicleta e automóvel do Estado apareceram por aqui. Enquanto as outras vilas piauienses eram ultrapassados feudos, em Parnaíba já imperava um espírito capitalista por ser possível adquirir os últimos modelos do mercado internacional. Mandava-se para o estrangeiro matéria-prima com a ânsia de receber sofisticados produtos. A elite parnaibana ostentava a vaidade de cidade cosmopolita graças aos móveis, roupas, perfumes, alimentos, medicamentos, ferramentas, automóveis e utensílios domésticos de várias partes do mundo que se misturavam aos produtos industrializados na própria terra.<br />
              Tudo o que era produzido no estrangeiro existia na Princesinha do Igaraçu e aeroclube, estação radiofônica, televisão, telefone, usina elétrica, hospital, farmácia, banco, agência dos correios, biblioteca e escola pública foram algumas de suas novidades, assim como os dois primeiros times de futebol piauiense, também criados em Parnaíba: o “International Athletic Club” e o “Parnahyba Sport Club”. Por trás dessas conquistas existiam pessoas que, além de poder financeiro, possuíam erudição e visão de futuro. Era o legado cultural daqueles que, tempos atrás, criaram aqui a segunda orquestra sinfônica do Brasil.<br />
              Poucos sabem, mas a velha Rua Grande guarda vários estilos arquitetônicos, fenômeno raro na região, o que revela ainda a existência de diferentes ciclos econômicos, pois como é próprio em cada época, a arquitetura reflete a natureza do poder. Uma descrição dessa fortuna construída com pedras, e que simboliza o passado glorioso da cidade, vem de uma estreita relação entre a opulência e a fé. Das inúmeras igrejas e capelas, nenhuma é tão simbólica quanto a Igreja de Nossa Senhora da Graça. Cheia de detalhes, como o revestimento em ouro do altar-mor, a Matriz é rica nos estilos barroco e rococó que, nos séculos XVIII e XIX, caracterizavam as cidades mais desenvolvidas do Nordeste brasileiro.<br />
              Mas Parnaíba não foi apenas um centro comercial e industrial, pois atraídas pela possibilidade de riqueza, pessoas de todas as regiões brasileiras e do exterior geraram a mais complexa formação social do Estado: em diferentes épocas, índios, africanos, brasileiros, europeus e árabes miscigenaram-se, originando uma sociedade de identidade cultural aparentemente informe. O sotaque, o modo de vida e o conjunto de prédios diversificados – expressão mais visível dessas culturas que aqui aportaram – refletem essa extraordinária variedade.<br />
              O devido reconhecimento dessa formação miscigenada, no entanto, ainda não ocorreu. Desde o início, a mistura racial foi marcada pelo etnocentrismo existente principalmente nos brancos ocidentais que aportaram em Parnaíba. Ante os outros povos, os europeus buscaram impor seu tradicionalismo gerando parnaibanos preocupados com a exaltação de suas origens estrangeiras. Começava assim o apego aos brasões e sobrenomes como forma de se diferenciarem pela genealogia. Era a garantia de pertencer à civilização ariana, a uma linhagem superior, única descendente de Adão, possuidora da “verdadeira fé” (a religião do Papa), da “cor” de Deus e da língua culta. Naturalmente, a postura diante dos descendentes de outras etnias – negros e índios – era de desrespeito. Para os sem tradição restava um tratamento de inferioridade, pois eram vistos como “sub-raças”. Com o sistema escravocrata, a riqueza concentrava-se exclusivamente nas famílias tradicionais, enquanto para o povo sobrava a miséria e uma desumana exploração.<br />
              Mesmo em períodos de declínio, as famílias tradicionais mantiveram-se no comando de toda a vida parnaibana. A mudança só veio após o último ciclo de desenvolvimento econômico da cidade. A exportação de cera de carnaúba durante as duas Grandes Guerras, levou Parnaíba a uma de suas maiores participações na economia internacional. Esse quadro se alterou drasticamente com o fim da Segunda Guerra Mundial. A nativa carnaúba parecia vingar, por fim, as excluídas massas parnaibanas que nada aproveitaram dos tempos de glória vividos apenas pela casta dominante. A decadência da cidade, chorada desde então pela elite, refere-se, na verdade, à sua própria derrocada econômica. O tempo em que a tradição genealógica era sinônimo de abastança passava junto com o apogeu da cera de carnaúba.<br />
              O golpe foi tão profundo que, pela primeira vez, a riqueza se afastava das margens do rio. Diante disso, a elite não se conformou com o fato de, mesmo detendo os conhecimentos, ter perdido o controle sobre o fluxo financeiro que, gradualmente, mudava de endereço passando a concentrar-se nos arredores da cidade, talvez até nas mãos daqueles que, outrora, não passavam de serviçais em pomposas indústrias e residências. Essa brusca mudança trouxe um desafio histórico para Parnaíba. Como jamais houve em outras épocas, surgiu uma luta diferente: a cidade vê-se desafiada a encontrar sua verdadeira identidade e retomar as rédeas de seu destino, decidindo para onde e de que jeito quer ir, antes de voltar a crescer.<br />
              Para que as águas do progresso deságüem de novo no mar, a sociedade parnaibana, formada por pessoas de diversas origens, deve assumir sua miscigenação e reconhecer que sua História foi construída do esforço não apenas de europeus, como reza a elite, mas do suor de indígenas, afro-brasileiros, judeus, árabes, e brasileiros de todos os cantos desse país que fincaram às barrentas margens do Igaraçu seus projetos e sonhos. Só o reconhecimento dessa cultura híbrida pode orientar a construção de um modelo de desenvolvimento que leve Parnaíba a considerar as necessidades de todo seu povo, ao contrário do que ocorreu ao longo do tempo. Qualquer planejamento para o futuro deve nascer de uma ampla discussão dos diferentes setores sociais, onde cada um tenha voz e exercite sua cidadania, sem diferenças de qualquer natureza. Esse deve ser o novo espírito dessa terra, pois os rumos de Parnaíba não podem mais serem decididos apenas por uma camada social que se agarra a preconceitos contra quem não pertence às famílias tradicionais.<br />
              A miscigenação não pode mais ser vista como fraqueza, tibieza, perversão e causa de desgraças, como convém à cultura formal, sempre a postos para reproduzir os pontos de vista dos dominadores, agora traumatizados com sua decadência. Junto com esse comportamento entranhado de posições preconceituosas e da supervalorização da cultura estrangeira cresceu o sentimento pessimista e a barreira que impede o associativismo, o reconhecimento do sucesso alheio, o incentivo ao desenvolvimento comunitário e a participação na vida pública. Daí a expressão “<em>Parnaíba, terra do já teve</em>”, que permeia desde poemas e cantigas até os meios de comunicação. Mais grave: dificulta a valorização da História parnaibana, pois mesmo já não mantendo a “pureza” da cor em virtude da mistura que já ocorreu, a elite parnaibana insiste em agir como se os de origem popular ou pobre devessem manter-se em papéis subservientes, não servindo, portanto, para casarem dignamente, exercerem funções de chefia numa empresa ou até mesmo participarem de uma boa conversa na calçada de casa.<br />
              Há uma luta de classe, portanto, também cultural, pois é a visão de mundo da elite que tem balizado as manifestações artísticas reconhecidas em Parnaíba: ao retratar seus temas de interesse, a elite reproduz sua visão dos acontecimentos como se essa fosse sagrada e indiscutível. A apropriação da História pela elite se concretiza nas datas cívicas. Tradicionalmente, as confraternizações são marcadas por eventos de cunho intelectual e participativo somente em redutos elitizados, relegando-se aos parnaibanos comuns a concessão de participarem através de números folclóricos, como o bobo da corte. Nos bairros, montam-se circos de apresentações artísticas, como se o povo não tivesse direito ao conhecimento, nem sua opinião fosse digna de ser ouvida.<br />
              Para reverter isso, faz-se imprescindível resgatar e incluir na História oficial parnaibana a memória daqueles que até hoje permanecem anônimos &#8211; negros, índios e migrantes -, embora tenham sido suas mãos que consolidaram a glória dessa terra. Isso poderá dar fim ao estranhamento entre o povo e a cidade: aquele se sente à parte da História; esta se queixa da rejeição de seus filhos, sem compreender que ela é quem os tem ignorado, não lhes permitindo reconhecer-se como um só povo – genuíno troféu conquistado num secular percurso marcado por paixões e combates. Com a inclusão desses novos personagens e a releitura dos fatos, a extraordinária trajetória histórica de Parnaíba poderá ser enriquecida, ganhando contornos ainda mais valorosos. A reconciliação da cidade com seus desconhecidos heróis deverá começar pela cultura popular, quando essa for cantada em verso e prosa pelos artistas da terra. Ao se reconhecer na arte, o povo sentir-se-á sinônimo de Parnaíba, identificando-se inteiramente com ela, com suas ruas, com seus feitos, sentindo-se sua alma, cúmplice de seus sonhos e desejos, desesperadamente comprometido com seu destino.<br />
              Mesmo nos poucos registros deixados pelos senhores brancos, vestígios da memória popular podem ser extraídos. E no espaço físico, ela ainda está trancafiada nos bairros, nos guetos, apartada do centro da cidade. Essas áreas preservam a heterogeneidade cultural parnaibana, com costumes bem distintos entre si. Ao ignorá-los, mantém-se silenciadas as classes populares que, ao longo de sua existência, foram encontrando, especialmente no artesanato, meios de expressarem suas características e visões de mundo: com produtos típicos da região, os artesãos vão retratando nativos, cenas do cotidiano e, assim, modelando a face da cidade, que é reconhecida como o centro artesanal mais criativo do Nordeste. E as lendas dos nossos índios, que jamais tiveram destaque em espaços elitizados, ressurgem em peças teatrais construídas em escolas públicas da periferia. Dos povos indígenas, dizimados do Piauí pela brutal ocupação branca, ficou um legado cultural protegido pelos braços do Delta do Parnaíba. Enquanto nas comunidades deltáicas a presença indígena é perceptível, no Catanduvas, um dos berços de Parnaíba, ainda se conserva costumes africanos que não puderam ser apagados pelos grilhões da escravidão, assim como os belos sonhos que deram à luz ao encantador bumba-meu-boi jamais foram abortados pelo pelourinho.<br />
              Sabiamente, José Saramago aconselha: “Tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas”. Quem são, portanto, os verdadeiros pais de Parnaíba? E quem construiu os casarões? Ou onde estão anotados os nomes dos que abriram picadas nas matas, expandindo a cidade para além da Esplanada da Estação? Que fim levaram os vareiros do Rio Parnaíba quando a navegação decaiu? Que “causos” ocorreram durante o crescimento, não apenas do Porto Salgado, mas das dezenas de bairros que surgiram em menos de um século?<br />
              Por tudo isso, Parnaíba precisa olhar para si mesma e reler toda a sua trajetória. É chegada a época de seu amadurecimento histórico, de um reencontro do povo com a cidade e, consequentemente, suas causas. Os desafios atuais são outros, mas o espírito de luta é o mesmo. Parnaíba requer de seus filhos, com ou sem tradição, um empenho em favor de seu crescimento e de sua vocação como pólo regional. Assim como Simplício Dias (e possivelmente outros menos renomados) foi capaz de abrir mão de seus próprios bens em favor das causas parnaibanas, é necessário que cada um assuma seu papel de cidadão, consciente de que qualquer modelo de desenvolvimento precisa passar pelo crivo de toda a sociedade.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Rafael Ciarlini</strong></p>
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		<title>Parnaíba</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 17:03:18 +0000</pubDate>
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            Parnahyba, rio majestoso e gigante, desfilando pelo coração do Brasil afora, apertado entre os Estados do Maranhão e Piauí, avança para se precipitar no Atlântico, e ao terminar  o seu percurso, estende um dos seus braços que toma o nome de Igaraçu, à cuja margem ergue-se a atual cidade de Parnaíba, que desfruta os foros de cidade leader do Piauí.
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<div id="attachment_1044" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a><img class="size-medium wp-image-1044" title="Desfile cívico na Avenida Presidente Vargas" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Desfile-Cívico-na-Avenida-Presidente-Vargas-300x165.jpg" alt="Desfile cívico na Avenida Presidente Vargas" width="300" height="165" /></a><p class="wp-caption-text">Desfile cívico na Avenida Presidente Vargas</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Parnahyba, rio majestoso e gigante, desfilando pelo coração do Brasil afora, apertado entre os Estados do Maranhão e Piauí, avança para se precipitar no Atlântico, e ao terminar  o seu percurso, estende um dos seus braços que toma o nome de Igaraçu, à cuja margem ergue-se a atual cidade de Parnaíba, que desfruta os foros de cidade <em>leader</em> do Piauí.<br />
            Efetivamente, a bela cidade é o orgulho dos seus ilustres filhos que dispensam ao seu berço verdadeiro carinho, abrindo-lhe vastíssimo horizonte para o progresso.<br />
            Nada escapa ao Parnahyba em iniciativas que venham destacar, em todos os sentidos, entre os demais centros piauienses, aquele rincão de vida e prosperidade.<br />
            A Divina Providência, com a sua mão benfazeja, esculpiu e modulou aquele edifício suntuoso, cujos umbrais dão entrada a um povo nobre de grandes tradições.<br />
            Sou piauiense e é este o meu orgulho e por este motivo – àquele pedaço do meu Estado natal que recebe a brisa do mar ao farfalhar dos coqueiros, eu levo nestas frases a saudação do meu coração.<br />
            Terra de heróis e filhos ilustres, o seu nome tem vida na história pátria. Em quase todos os Estados do Brasil querido, há um parnaibano de renome. Osias Correia, Jonatas e Jonas Correia, Berilo Neves e muitos outros e o eminente Prefeito Dr. Mirócles Véras, que se multiplica, em um esforço dinâmico para tornar a sua terra grande.<br />
            Há na terra de Josias Correia, decano dos parnaibanos distintos, um <em>crescendo</em> de vida e progresso que atrai o viajante que por ali passa. Povo viajado pela Europa, culto e hospitaleiro, o parnaibano se distingue sobremodo pela delicadeza e atenção com que trata o seu hóspede.<br />
            O seu comércio no grosso e no retalho, é extraordinário, dando bem o característico da sua vida.<br />
            Em todos os setores do adiantamento, a cidade nortista, é, sem favor, o ponto culminante do progresso piauiense. A instrução pública, ali, com os seus educandários equiparados e o colégio de Nossa Senhora das Graças, são as três fontes onde a família parnaibana vai receber educação aprimorada para os seus filhos. Sob um céu azul, acalentada pela brisa que os mares bravios de Amarração, fazem correr pelas artérias da grande cidade, a família parnaibana, nobre distinta em todos os sentidos, é feliz.<br />
            Desviando deste assunto para o grandioso espetáculo de fé que se observa na gente parnaibana, o meu coração sente indescritível entusiasmo, ao me lembrar, daqueles dias em que lá estive, na grande festa de Janeiro deste ano!<br />
            Aquele movimento religioso profundo e sincero que vi, a piedade daquelas famílias que têm o seu coração preso ao altar de Deus, assim me fez falar. Que povo feliz! Então a minha consciência de sacerdote me respondeu: Sim, mas está ali a alma de tudo isto – o apostólico vigário de Parnaíba, Monsenhor Roberto Lopes, íntegro ministro de Deus que tem sabido imprimir na sua missão paroquial o verdadeiro espírito de fé no povo que, por Deus, lhe foi confiado.<br />
            Eu, ao pulsar do coração, remeto daqui ao bondoso povo parnaibano, a minha saudação. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Campo Maior, 15 de julho de 1940<br />
<strong>Monsenhor Fernando Lopes</strong></p>
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		<title>“Cidade de Meus Sonhos”</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 17:39:12 +0000</pubDate>
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<div id="attachment_881" class="wp-caption alignleft" style="width: 224px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Ademar-Neves.jpg"><img class="size-medium wp-image-881" title="Ademar Neves" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Ademar-Neves-214x300.jpg" alt="Ademar Neves" width="214" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Ademar Neves</p></div>
<p style="text-align: justify;">            Minha querida terra Natal! Humberto, o grande Humberto, cantou em seus livros a tua formosura singela e o teu esplendor&#8230; A tua formosura e o teu esplendor como terra pobre, abandonada pelo destino, sem felicidade e sem brinquedos, sem encantos e sem magias, sem riqueza e sem glórias&#8230; Humberto, se ainda vivesse desconhecer-te-ia&#8230; Mudaste muito! Progrediste assustadoramente! Alcançaste um pedestal soberbo que para os pessimistas, só poderia galgar em séculos&#8230; Mas o valor de teus filhos, os esforços prodigiosos de ricos e pobres, que, irmanados no bem comum de te servirem e servirem também ao Brasil, fizeram-se soberana e altiva&#8230; O teu esplendor antigo era moral&#8230; Agora te agigantas em todos os setores de atividade humana. Oxalá a tua grandeza não seja como a de Babilônia, que, depois de se tornar a maior cidade da Ásia, ruiu vertiginosamente como crescera&#8230;<br />
            Humberto morreu, mas seu cajueiro ainda vive e é o orgulho e a maior relíquia da cidade de Parnaíba.<br />
            Homens como Humberto, que se imortaliza através da pena, jamais desaparecerão da história de um povo, principalmente como o povo piauiense, que ama aqueles que trabalham pelo seu estado e pela nossa Pátria.<br />
            Parnaíba, Humberto de Campos morreu, mas o teu filho Berilo Neves aí está para cantar tua glória atual. O primeiro cantou a Parnaíba que foste: cidade pequena, triste e feia&#8230; Cabe agora ao segundo cantar a Parnaíba que és: cidade alegre e bonita&#8230;<br />
            A “Cidade de Meus Sonhos”, como cognominou a nossa terra, um brilhante locutor paraense, é uma cidade que nos inspira e nos faz sonhar coisas maravilhosas&#8230; Suas ruas limpas, os seus jardins floridos, onde os namorados vão gozar os últimos instantes da tarde que finda, nos apresenta um espetáculo de rara beleza&#8230;<br />
            Também nesses jardins, as crianças vão brincar ao voltar da escola, para gozar o frescor da tarde, apreciando ao mesmo tempo a passarinhada que passa em revoada pelo céu muito azul gorjeando&#8230; Vão-se os pássaros e a cidade principia a amadurecer para só despertar completamente no dia seguinte às 6 horas da manhã. A esta hora as ruas começaram a se movimentar dando a idéia de um pequeno exército em marcha&#8230; São estudantes que se dirigem para suas escolas, operários que vão para a as fábricas, homem e rapazes que se destinam aos escritórios e casas comerciais. Pobres e ricos irmanados na qualidade primordial de nordestino: o espírito madrugador. É possível seja esta qualidade que concorra para se ver estampado em todos os semblantes, o riso natural e franco do povo de minha terra. Além disso o nordestino ama o trabalho. Nasceu para trabalhar e lutar, e sem luta para ele não há vida!<br />
            A instrução em Parnaíba é sólida. Os professores são esforçados e felizmente vêem seus esforços recompensados pelo aproveitamento de seus discípulos. O Ginásio Parnaibano tem conferido bacharelado em letras a rapazes que são verdadeiros talentos.<br />
            Todo piauiense tem uma grande preocupação: trabalhar pela construção do porto marítimo do nosso Estado, que há dezenas de anos vimos pedindo ao Governo Federal&#8230;<br />
            Sem um porto marítimo, o Piauí nunca poderá desenvolver-se; o porto de Luiz Correia, é uma necessidade que deve ser reconhecida pelo poder Central da nação, de quem todos os piauienses esperam o auxílio, já que não temos recursos para construir a nossa própria custa&#8230; Se o Governo Federal auxiliar o Piauí na construção do seu porto, terá resolvido um dos magnos problemas nacionais.<br />
            Quisera eu Parnaíba, possuir a milésima parte do talento do genial Humberto de Campos, que não cessaria de cantar todas as tuas glórias, e tua beleza, e teu progresso, e batalhava pela realização do nosso sonho, isto é, pela construção do nosso porto  afim de que meu amado Piauí figurasse entre os Estados mais ricos da Nação. Piauí, continua sonhando com o teu porto, que um dia ao despertares deste sono que não será profundo, verás erguido o teu porto do mar a custa do suor de teus próprios filhos&#8230; Dorme Piauí, descansa embalado pelas águas do famoso Parnaíba. </p>
<p align="center"><strong>Ademar José Neves, 1941</strong></p>
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		<title>Aquarela do Delta</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jul 2009 04:49:35 +0000</pubDate>
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          Com o olhar fixo na tela presa no cavalete, o artista observa minuciosamente seu costumeiro cenário: aberta, a janela cinza mostra uma vista turva, de onde se pode ver as últimas folhas secas caindo no chão. Ao fundo, ruínas de casas abandonadas. Não há vida, tudo é desolação. As lembranças retratadas são sempre tristes. A amargura guardada em seu peito não lhe permite enxergar a vida das cores. Porém, uma olhada para conferir os detalhes oferecidos pela cidade flagra os últimos raios do pôr da lua prateando o Rio ...]]></description>
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<p style="TEXT-ALIGN: justify"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Alfândega.jpg"></a></p>
<div id="attachment_422" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Alfândega.jpg"><img class="size-medium wp-image-422" title="Parnaíba - Aquarela do Delta" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Alfândega-300x225.jpg" alt="Foto: Rafael Ciarlini" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Rafael Ciarlini</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">          Com o olhar fixo na tela presa no cavalete, o artista observa minuciosamente seu costumeiro cenário: aberta, a janela cinza mostra uma vista turva, de onde se pode ver as últimas folhas secas caindo no chão. Ao fundo, ruínas de casas abandonadas. Não há vida, tudo é desolação. As lembranças retratadas são sempre tristes. A amargura guardada em seu peito não lhe permite enxergar a vida das cores. Porém, uma olhada para conferir os detalhes oferecidos pela cidade flagra os últimos raios do pôr da lua prateando o Rio Igaraçu e uma nova imagem surge em sua mente absorta. O pintor toma o colorido das tintas para substituir as pinceladas de cor fúnebre pela luminosidade que lhe invade os olhos e, de pincel na mão, ele começa, rapidamente, a alterar os sombrios traços. Uma cidade-aquarela nasce junto com seus sonhos.<br />
          A partir do parapeito da cobertura do histórico Hotel Delta, divisa-se uma imensa floresta de palmeiras, oitizeiros e coqueiros que se assemelham a um mar verde. Ao longe, dunas brancas ponteiam o horizonte. Como se saísse das entranhas desse paraíso, o Igaraçu desliza manso pelo cais do Porto das Barcas. Embaixo, os pássaros fazem barulhentas revoadas nas copas das árvores parecendo anunciar as novidades do dia, enquanto os seculares casarões preparam-se para avançar mais um passo majestoso em suas existências misteriosas.<br />
          Erguida à base de óleo de baleia, Parnaíba sobreviveu aos modismos passageiros, à busca do enriquecimento fácil e só nas últimas décadas começou a superar as frustrações pela perda do filão da cera da carnaúba. Do passado, ficaram palacetes e ruelas que vêm testemunhando a luta contínua do povo parnaibano para alcançar novos apogeus econômicos. A brilhante trajetória histórica que a destacou no Nordeste a torna agora delicada e frágil, carente de políticas públicas responsáveis.<br />
          Nascida sob o signo do pioneirismo e riqueza, Parnaíba é a única cidade piauiense que pode se orgulhar de ter sustentado os gastos do Estado e sido um importante pólo de desenvolvimento econômico. Suas características a credenciam como Portal para o único Delta das Américas em mar aberto. Isso faz com que aos interesses comuns com as outras cidades, como saneamento básico e melhoria das vias de acesso, sejam somados outros desafios de caráter interno. Muito há para conquistar. Prova disso é que a Embratur classificou esse paraíso como o terceiro Pólo Turístico do Brasil ainda inexplorado.<br />
          Ironicamente, todo esse patrimônio sócio-ambiental manteve-se protegido ao longo do tempo graças às fracassadas tentativas de transformar Parnaíba em sede do Governo Estadual e, posteriormente, ao retrocesso econômico sofrido pela Princesinha do Igaraçu ocasionado pela conjuntura internacional do Pós-guerra e agravado pela absorção draconiana de recursos pela neófita capital, que ainda hoje suga o grosso dos investimentos a fim de sobreviver no tórrido e inóspito interior do Piauí. Devida a essa incômoda relação política, os municípios deltáicos são obrigados a tolerar a presença predatória da capital (Teresina) no Pólo Costa do Delta.<br />
          Nem mesmo o declínio financeiro sofrido por Parnaíba em meados do século passado impediu sua natural vocação para o crescimento que, ao contrário de outros tempos, tem agora perspectivas livres da necessidade de destruir seu santuário ecológico. Basta compreender que se o progresso do século XX tivesse sido desenfreado em Parnaíba, e todos que aqui chegaram houvessem enriquecido, não teríamos um Delta preservado com suas ilhas cheias de pássaros, caranguejos, manguezais e animais silvestres em pleno século XXI. E os traços pintados por Simplício Dias da Silva, ainda no início do século XIX, formando o primeiro mapa do Delta do Rio Parnaíba, comporiam apenas um quadro surrealista.<br />
          Se tivesse sido assim, Parnaíba não seria uma das cidades mais românticas do Nordeste com sua doce tranqüilidade nas ruas, ar puro, silêncio à noitinha, amigos de infância e lugares sossegados para passear. Não existiriam carroças puxadas por cavalos nas avenidas, as praças não seriam lugares para solitários pensadores e os donos das quitandas não confiariam que um desconhecido qualquer quitasse uma dívida depois. O encontro perfeito entre o pôr do sol e a curva do Igaraçu na Beira Rio não seria tão bonito, nem as águas barrentas poderiam embalar solitárias canoas presas ao tronco, à espera do labor do dia seguinte. Talvez o mar não conservasse mais seu sedutor tom verde-esmeralda. Diante disso, surge uma intrigante pergunta: essa é uma rica cidade pobre ou uma pobre cidade rica?<br />
          Com uma posição geográfica privilegiada, similar às metrópoles litorâneas, Parnaíba vê diante de si a possibilidade de ascender sem cometer os mesmos erros dessas grandes cidades, cujo desenvolvimento se fez à custa da destruição dos mangues, mata nativa, flora e fauna silvestre, recursos naturais, e da modificação de suas características originais. A exploração imobiliária nas orlas priva a população da brisa do mar e altera o fluxo natural da ventilação continental, acarretando o aumento progressivo da temperatura e agravando os efeitos da poluição, provocando assim danos irreparáveis na vida dos animais e vegetais. As águas fluviais deixaram de serem potáveis pela poluição de resíduos lançados por indústrias, residências e até hospitais. O desregrado crescimento populacional dessas cidades vem gerando vários problemas que comprometem seriamente os aspectos sócio-ambientais, refletindo não só nas alterações ecológicas, mas nas relações humanas que necessitam das benesses do meio ambiente para sobreviver.<br />
          Parnaíba ainda guarda um jeito de cidade pequena. As festas ainda são familiares; à tardinha, rodas de cadeiras se formam nas calçadas atraindo vizinhos para manterem os assuntos em dia, sem medo algum da violência urbana. Mesmo resguardando essas raridades na globalização e no capitalismo, a Princesinha do Igaraçu ocupa uma importante posição política no Estado por ter potencial para se transformar num pólo referencial de desenvolvimento equilibrado no Nordeste brasileiro, e talvez no mundo.<br />
          É em sua história gloriosa que a cidade também encontra outra interessante fonte de enriquecimento: dona de um Patrimônio Histórico e Natural, Parnaíba poderá se consolidar no Turismo Cultural. Para isso é necessário interromper o processo de abandono e deterioração que muito desse legado – em especial a Memória – tem sofrido com o passar do tempo. O prédio de maior importância histórica do Estado, a Casa Grande de Simplício Dias, está em ruínas assim como as Histórias de Parnaíba e do Piauí, que vêm sendo continuamente violadas. Com os prédios novos que desfiguram as antigas construções sobram-nos as migalhas de uma cultura que cada vez mais fica esquecida.<br />
          E os poucos que tentam relembrá-la e perpetuá-la vão se deixando levar pelo esmorecimento ao avistar o asfalto, produto da modernidade, avançar sobre o impotente Centro Histórico. Enquanto os palacetes vão sendo cruelmente demolidos ou alterados, as galerias subterrâneas permanecem esquecidas. Há pouco tempo perdemos os jardins Landri Sales e Rosário do Largo da Matriz. Menos sortes tiveram as praças Cel. Jonas Correia e a Antônio do Monte, que viraram pocilgas. Enterradas nesses escombros, estão as verdadeiras festas populares. Não há mais lugar para as lembranças do carnaval de rua do Simpatia e do Bloco Tulipa, das festas juninas, do bumba-meu-boi, dos forrós, das marujadas, do coco perenuê, das quermesses e dos desfiles cívicos. Nem recordações dos fraternos Natais e Ano Novo que eram vividos na Praça da Graça. Para os que resistem ao desânimo resta fantasiar a História contada pelos mais velhos.<br />
          Ainda assim, a cidade mantém-se firme. Não se sabe se por causa da brisa do rio ou da majestade das palmeiras, o fato é que Parnaíba sempre se postou ao lado da liberdade, do desprendimento, às vezes pagando caro por insistir em ser um tanto orgulhosa. Cada calçada guarda uma pegada histórica, um sonho, uma vida. Pelas suas ruelas caminharam homens com a disposição de guerreiros, prontos para batalhas em prol não apenas da sobrevivência, mas da independência e de idéias ousadas para suas épocas.<br />
          Hoje, a cidade precisa, urgentemente, resgatar suas lendas e mitos, seus fatos e seus personagens, pois do contrário, casarões e becos não conseguirão revelar os tesouros que guardam. Para envolver a população, que é componente fundamental desse projeto de resgate, é imprescindível ampliar o conhecimento dos cidadãos acerca de todo esse patrimônio. A participação do povo na definição dos rumos de sua cidade é uma das maneiras mais seguras de garantir, por exemplo, a colaboração com a preservação dos bens tombados e, conseqüentemente, com o sucesso do Turismo Cultural, que deverá ser uma das bandeiras da região.<br />
          Preparando-se para recepcionar um tipo específico de turistas, Parnaíba poderá cultivar um turismo diferente de outros cantos do Brasil. É importante compreender que Parnaíba detém ecossistemas frágeis, que não podem ser arriscados em hipótese alguma em decisões que atendam apenas aos interesses meramente econômicos. Isso não significa dizer que com o Turismo Cultural e o Ecoturismo haverá perdas financeiras, pois o setor é sustentado por um público com alto poder aquisitivo.<br />
          No espaço urbano, o cuidado tem que ser reforçado para atender às especificidades de cidade-aquarela do Delta. Por isso, os cidadãos precisam utilizar os mecanismos de atuação social. É o caso do Plano Diretor, que disciplina o progresso e adequa cada área da cidade às verdadeiras necessidades da comunidade, alicerçando um modelo que criará impactos positivos na situação econômica, social, física, territorial e ambiental de Parnaíba. Com o Planejamento Urbano, Parnaíba não só está obedecendo à Lei Federal Nº 10.257/01, como está se organizando para o futuro.<br />
          Ciente de que pertence a um corredor turístico, Parnaíba experimenta novamente o papel de líder supremo do Norte. Esse novo ciclo de crescimento deverá superar definitivamente as distorções deixadas na região pela desorganizada urbanização promovida no Brasil a partir da segunda metade do século XX, quando se emanciparam centenas de pequenas localidades, ávidas por gerir sozinhas seus próprios recursos, pois as sedes dos municípios a quem pertenciam eram vistas apenas como concentradoras de renda. Foi assim que a extensa Parnaíba se viu desnorteada, com a transformação de sua zona rural em cidades circunvizinhas.<br />
          Em pouco tempo, os recém-criados municípios perceberam que a emancipação política não garantia a independência sócio-econômica. Do sistema de saúde ao comércio, tudo ainda passa por Parnaíba. Essa necessidade de convivência facilitou o apagamento da mágoa causada pelas separações e, novamente, Parnaíba se reencontrou com o seu destino, tendo pela frente o desafio de planejar um desenvolvimento equilibrado e sustentável para o futuro e que leve em conta a realidade de todas as localidades que dependem de sua infra-estrutura.<br />
          Os planejamentos devem incluir as necessidades dos vizinhos, considerando-se que Parnaíba tem uma participação decisiva nos interesses da região. A atuação em grupo é o modelo político que deverá se consolidar nesse século, pois no mundo globalizado tem mais poder quem está coeso. O fato do Norte do Piauí ter municípios tão diferentes entre si possibilita a formação de consórcios nos mais variados setores, abrangendo desde o potencial agropecuário até à exploração turística de seus cerca de sessenta sítios arqueológicos. Essa rica diversidade dá ao pólo do Delta uma particularidade que o torna referência nacional: em geral, os pólos agregam cidades com características bem semelhantes, concentrando-se em poucas áreas.<br />
          A centralização de equipamentos em Parnaíba habilita-a como gestora do pólo do Delta, pois enquanto cidade-universitária cabe-lhe formar profissionais qualificados para a região, assim como conduzir o processo de transformação da realidade regional, visando a otimização da Bacia leiteira; a estruturação do Ecoturismo (Lagoa do Portinho, Delta do Rio Parnaíba, Parque Nacional de Sete Cidades, Pedra do Sal, Projeto Peixe-boi, desenvolvimento do Projeto Orla&#8230;); a criação da Universidade Federal da Parnaíba; a organização do Artesanato e do Distrito de Irrigação dos Tabuleiros Litorâneos; a internacionalização do aeroporto para a exportação dos produtos do agronegócio e do extrativismo; a melhoria da infra-estrutura, hoje tão mal-tratada; e o ordenamento dos recursos pesqueiros.<br />
          Nesse projeto de desenvolvimento Parnaíba deve priorizar também a recuperação da qualidade ambiental do Baixo Parnaíba, que vem há muito tempo sendo degradado desde o Alto e Médio Parnaíba pelo desmatamento das matas ciliares e das várzeas, assoreamento, queimadas, esgotos, erosão e lançamento de agrotóxicos.<br />
          A preservação da aquarela de Simplício Dias depende inteiramente da conscientização sobre a nossa vital relação com esse meio ambiente. Embora cada cidadão tenha sua parcela de responsabilidade, essa é ainda maior nas mãos daqueles que dispõem, no presente, de condições legais para elaborar e gerir as políticas públicas que edificarão o futuro parnaibano. Finalizo parafraseando o poeta R. Petit, autor do Hino da Parnaíba: “A doce sombra da paz suprema, progredir sempre é o nosso lema”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Rafael Ciarlini</strong></p>
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		<title>Uma Cidade e um Rio</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jul 2009 13:41:12 +0000</pubDate>
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            Os rios são os caminhos eternos da Civilização.
            A mais antiga civilização do Mundo nasceu entre dois rios – o Eufrates e o Tigre&#8230;
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            Roma floresceu à margem de um rio, e, de lá, se projetou pelo Mundo em fora.
            O Reno viu florescer os germanos e os celtas – e, ainda hoje, inspira epopéias de armas e ritmos.
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<div id="attachment_235" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Berilo-Neves.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-235" title="Berilo Neves" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Berilo-Neves-150x150.jpg" alt="Berilo Neves" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Berilo Neves</p></div>
<p style="text-align: justify;">            Os rios são os caminhos eternos da Civilização.<br />
            A mais antiga civilização do Mundo nasceu entre dois rios – o Eufrates e o Tigre&#8230;<br />
            Mais tarde, nasceu o Egito – “um presente do Nilo”.<br />
            Roma floresceu à margem de um rio, e, de lá, se projetou pelo Mundo em fora.<br />
            O Reno viu florescer os germanos e os celtas – e, ainda hoje, inspira epopéias de armas e ritmos.<br />
            O Tigre e o Eufrates, o Reno e o Nilo são rios cuja história se prende à infância do gênero humano. Outros rios, porém, nasceram ontem, e quase não têm história, como os moços. O Parnaíba é a mocidade, feita rio. É claro, de margens amplas, que se abrem, largamente, ao convívio dos homens e das raças. Sua marcha triunfal, como a da “Aida” – vem cantando através dos campos e das roças, fecundando as terras e embelezando as almas. Não tem crispações nervosas; é, geralmente, sereno como uma oração e quieto como um santo. No inverno, enche-se, tumefaz-se e sobe nos barrancos das margens. Nunca tem, todavia, a contratação viva das pororocas.<br />
            Por ele correm as barcas, em cujo bojo a riqueza viaja, de cidade a cidade. Ele é, a um tempo, a estrada e o trem. Empurra as barcas, rumo ao mar – numa aspiração constante pelo Progresso e pela Cultura.<br />
            “Caminho que anda” o Parnaíba é a força motriz de dois Estados: o Piauí e o Maranhão. Longe de os separar, ele os funde num só braço, que os irmana e fecunda.<br />
            Em outras terras, os rios são fontes de lágrimas e, não raro, se tingem de sangue. O Reno é o rio da guerra. O Parnaíba, não; é um rio diplomata, é um rio filósofo&#8230; </p>
</div>
<p style="TEXT-ALIGN: center">*<br />
*   *</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">          Revejo-o, hoje – tantos anos depois! – espelhando, ao longe, como uma avalanche de prata liquefeita. De um lado, a verde mata primaveril de minha terra; do outro, o Maranhão, o nosso irmão mais velho. É inverno. As águas cantam numa opulência de dilúvio. A correnteza aumenta com o vento. “O PARNAÍBA, VELHO MONGE AS BARBAS BRANCAS ALONGANDO”, canta uma canção bucólica que o velho Teócrito faria garbo em assinar&#8230;<br />
            Há fartura, nas margens. Como o Nilo, ele fez a riqueza brotar ao contato das suas águas. Rio bom, rio amigo, a recordação mais doce de minha terra, és tu que m’a fixa e embeleza na tela palpitante da memória.<br />
            A cidade de Parnaíba está à margem do Igaraçu – afluente e caudatário do rio que lhe dá nome. É um presente do Parnaíba, como o Egito o foi do Nilo. É uma oficina de trabalho. Sua aristocracia vem, toda, do comércio e da indústria. Não tem titulares, senão os da honestidade. É uma cidade padrão, como Atenas, do tempo de Péricles. Muitos viam em Atenas a própria Grécia. Parnaíba não é todo o Piauí, mas parte preciosa dele. Sua glória não precisa ser posta em confronto com as outras cidades, para brilhar com claro e intenso brilho. Seu destino tem sido como o da abelha: produzir mel para todas as bocas.            <br />
            Quando as secas assolam as regiões vizinhas, Parnaíba oferece, a todos, um púcaro de água e um punhado de farinha. É terra boa, como a Channaam lendária, com a vantagem de estar ao alcance de todos os que a amam.<br />
            Foi das primeiras cidades do Norte a ter automóvel e rádio; sempre esteve em contato direto com a Europa e sempre amou a Civilização.<br />
            É católica como um irlandês, prudente como Ulisses e fecunda como um seio humano.<br />
            Nasceu para servir de exemplo a outras cidades do Mundo. O Piauí orgulha-se dela e mostra-a com a alegria como Cornélia mostrava, aos Romanos, seus dois filhos&#8230;           </p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">*<br />
*   *</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"> <br />
          Cidade de Deus, nunca lhe faltaram as bênçãos do Céu. Ela tem dado ao Piauí, algumas de suas mais belas inteligências.<br />
          A cidade magnífica não é, apenas, um formigueiro que trabalha: é um rosal que floresce. O deus Mercúrio não monopolizou o culto deste povo bem fadado dos deuses; também, Minerva tem o seu altar e recebe o seu grão de incenso&#8230; A escola, o hospital, a igreja, aqui, são dos melhores e mais ricos do Estado. O professor, o médico e o padre trabalham, aqui, de mãos dadas – uns polindo a inteligência; outros, amparando a saudade; outros, cuidando e esclarecendo a alma. Dirigida por um médico, Parnaíba cheira a lençóis e a sabonete “Mirurgia”.<br />
          É sempre, assim, clara, rica e bela, que a tenho na minha saudade. Nunca poderia imaginá-la pobre e enferma. Como Beatriz, ela tem seu perfil moço fixado na História e na Imortalidade.<br />
          Ela é como um jardim bem cuidado, onde se refletem a cultura e as virtudes de todo um povo.<br />
          Cidade bem-aventurada, as flechas das suas igrejas assinalam um território feliz, onde os homens, como os segadores do trigal, trabalham cantando, para agradecer a Deus a graça de os fazer parnaibanos.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><strong>Berilo Neves, 1940.</strong></p>
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