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	<title>Piagui - Culturalista &#187; Luís Correia</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>Município de Amarração</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 05:02:15 +0000</pubDate>
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            Comecemos fazendo o aleive com que as almas pequeninas procuram amesquinhar Amarração, apresentando-a sempre como o mais infecundo, o mais pobre, o mais incipiente dos municípios do Piauí.
            Amarração é um dos mais fecundos e importantes municípios da terra de Mafrense.
            Amarração é pobre porque as suas grandes riquezas naturais jazem abandonadas e esquecidas, como esquecidas e abandonadas jazem todas as grandes riquezas naturais do Piauí inteiro, e da maior parte do Brasil de norte a sul.
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-1844" title="DSC01995" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/10/DSC01995-300x225.jpg" alt="DSC01995" width="300" height="225" />            Comecemos fazendo o aleive com que as almas pequeninas procuram amesquinhar Amarração, apresentando-a sempre como o mais infecundo, o mais pobre, o mais incipiente dos municípios do Piauí.<br />
            Amarração é um dos mais fecundos e importantes municípios da terra de Mafrense.<br />
            Amarração é pobre porque as suas grandes riquezas naturais jazem abandonadas e esquecidas, como esquecidas e abandonadas jazem todas as grandes riquezas naturais do Piauí inteiro, e da maior parte do Brasil de norte a sul.<br />
            Atualmente, a sua principal indústria é a salineira.<br />
            Amarração é o único município do Piauí que produz sal, e o produz espontaneamente por obra e graça da natureza.<br />
            Encontram-se no município de Amarração dois lagos que produzem naturalmente, sem os curso dos artifícios humanos, referimo-nos aos lagos Sobradinho e Sant’Ana.<br />
            Ambos pertencem a muitos proprietários de terra nas datas Sobradinho e Sant’Ana.<br />
            O lago sobradinho tem uma extensão de 20 quilômetros, pouco mais ou menos.<br />
            A largura varia muito. Partes mais largas e partes mais estreitas.<br />
            Nos anos escassos de inverno, nas secas periódicas, flagelo aterrador, que de tempo em tempo nos açoita cruelmente, as águas do lago evaporam-se pela ação do sol abrasador e transforma-se então em uma salina colossal de onde podem ser retirados muitos milhões de alqueires de alvíssimo e precioso sal de ótima qualidade.<br />
            O lago Sobradinho fica situado a 18 quilômetros do porto de Amarração e a 30 quilômetros de Parnaíba.<br />
            Não é somente como produtor de sal que se distingue o maravilhoso lago: salienta-se também como viveiro de peixes de excelentes e variadas qualidades que são facilmente pescados.<br />
            O lago Sobradinho não tem comunicação com o mar, isto é, não recebe concurso d’água marinha, o que torna bem patente ser o sal que produz propriedade exclusiva do terreno; mas quando o lago enche muito transborda para o oceano, porém, a água  do Atlântico não penetra no lago.<br />
            Nessa ocasião então entram para o lago  grandes cardumes de peixes que constituem um colossal refrigério para os habitantes de sua circunvizinhança.<br />
            O lago Sant’Ana fica colocado entre os rios Ubatuba e Camurupim formando o primeiro a Barra da Timonha, e servindo de linha divisória entre o Piauí e o Ceará; o segundo a Barra Grande.<br />
<img class="alignleft size-medium wp-image-1845" title="DSC01994" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/10/DSC01994-300x225.jpg" alt="DSC01994" width="300" height="225" />            O lago Sant’Ana dista apenas 2 quilômetros do mar, ficando a igual distância da povoação Barra Grande.<br />
            Em formação de U o lago Sant’Ana, começando do norte para o sul. Estende um dos braços acompanhando o rio Ubatuba ou Timonha, e o outro o rio Camurupim, Barra Grande.<br />
            O lago Sant’Ana tem uma extensão de 6 quilômetros.<br />
            A largura forma uma média de 500 metros, sendo como o Sobradinho, ora mais largo e ora mais estreito.<br />
            No inverno, o lago enche com a água da chuva e concurso de pequeno regatos.<br />
            Como o lago Sobradinho, o Sant’Ana produz sal naturalmente, com a diferença que o Sobradinho não recebe o concurso d’água do mar e o Sant’Ana recebe, e produz mais sal ainda nos anos de abundante inverno.<br />
            A razão é a seguinte: no inverno rigoroso, o lago Sant’Ana enche e transborda, escoando para o mar todas as suas águas, que deixam em sua passagem um sulco profundo na terra, por onde, nas grandes marés de Agosto, penetra a água do mar que o enche novamente.<br />
            Quando as marés vão diminuindo, tapa-se com a areia o aludido sulco ou rego, prendendo a água necessária para produzir sal em curto espaço de tempo.<br />
            Feita esta operação em Agosto, já em Novembro, três meses depois, começa a coalhar sal, podendo ser colhido muitos milhares de alqueires.<br />
            O sal do Sant’Ana tem uma grande vantagem sobre o de Sobradinho – é ser muito mais curta a distância para os portos de embarque.<br />
            Enquanto o Sobradinho dista de Amarração 18 quilômetros, o Sant’Ana dista, quer do rio Camurupim, quer do Timonha, apenas 3 quilômetros, no máximo.<br />
            Ambos os rios oferecem bons portos de embarque.<br />
            O município possui ótimas terras, apropriadas para a cultura de todos os cereais, desenvolvendo-se regularmente a cultura do coqueiro, na zona do litoral.<br />
            A Comissão de Melhoramentos do Porto, criada em 1912, pela influência do então deputado, Dr. Joaquim de Lima Pires Ferreira, conseguiu a paralisação das dunas que tantos prejuízos causavam à vila.<br />
            Em 1922, o Presidente Epitácio Pessoa decretou a construção do Porto de Amarração, tendo efetuado a compra dos materiais precisos, dos quais grande parte esteve depositada em Amarração.<br />
            Infelizmente, esse melhoramento, que imensas vantagens traria ao Piauí, ainda não foi sequer iniciado.<br />
            A situação atual da vila não é próspera, o comércio está decadente, reina desânimo na população, já desiludida da construção do porto.<br />
            Este, porém, há de ser feito, hoje ou amanhã, o povo piauiense não pode prescindir desse melhoramento, do qual depende a sua grandeza futura.<br />
            E quando se converterem realidade essa sua formosa aspiração, a vila de Amarração, como a Fênix da fábula, ressurgirá de suas próprias cinzas, e se tornará uma das mais ricas e opulentas cidades do Piauí.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>João Vieira Pinto, década de 20 (século XX)</strong></p>
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