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	<title>Piagui - Culturalista &#187; Apologia à Cidade</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>Franceses, Guaxenduba e a Jornada Milagrosa no Maranhão</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 03:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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             Os versos iniciais do Hino do Maranhão fazem referência e dão louvor a uma batalha que fez cair “do invasor a audácia estranha” em meio ao “troar das bombardas nos combates”. Narram brevemente a vitória dos portugueses sobre os franceses no episódio conhecido como Batalha de Guaxenduba.
             As duas capitanias denominadas Maranhão foram de colonização tardia. Por mar, a elevada amplitude das marés e o recife de corais nas proximidades do canal do Boqueirão, e, por terra, as tribos de índios canibais dificultavam o acesso ao território. Ambas as ...]]></description>
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<div id="attachment_2549" class="wp-caption alignleft" style="width: 237px"><img class="size-medium wp-image-2549" title="JERONIMO" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/11/JERONIMO-227x300.jpg" alt="Jerônimo de Albuquerque" width="227" height="300" /><p class="wp-caption-text">Jerônimo de Albuquerque</p></div>
<p style="text-align: justify;">             Os versos iniciais do Hino do Maranhão fazem referência e dão louvor a uma batalha que fez cair “do invasor a audácia estranha” em meio ao “troar das bombardas nos combates”. Narram brevemente a vitória dos portugueses sobre os franceses no episódio conhecido como Batalha de Guaxenduba.<br />
             As duas capitanias denominadas Maranhão foram de colonização tardia. Por mar, a elevada amplitude das marés e o recife de corais nas proximidades do canal do Boqueirão, e, por terra, as tribos de índios canibais dificultavam o acesso ao território. Ambas as capitanias não foram ocupadas por seus donatários.<br />
             Os países europeus excluídos do Tratado de Tordesilhas procuravam estabelecer colônias no Novo Mundo. Os franceses, já expulsos do sul, vieram colonizar o norte do Brasil. Seus cartógrafos já haviam mapeado os arredores da Ilha Grande do Maranhão. Aí foram dominar.<br />
             Em 1612, a frota francesa comandada por Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, a mando da rainha Catarina de Médici, aportou no Maranhão. Construiu-se o forte de Saint Louis (São Luís) assim nomeado em homenagem ao Rei Menino Luís XIII. A povoação formada em volta do forte – que é onde hoje fica o Palácio dos Leões, sede do governo estadual – lançou as bases do que seria a cidade de São Luís.<br />
             Mas, descontente com a ameaça de perder uma capitania que tinha a vantagem da proximidade da Europa, Portugal enviou ao Maranhão, em 1615, Jerônimo de Albuquerque, filho do homônimo “Adão pernambucano”, com as tropas que expulsariam os francos do Brasil definitivamente, na Batalha de Guaxenduba.<br />
              O combate ocorreu onde hoje é a Avenida Presidente Kennedy – que, injustamente, perdeu o antigo nome de Avenida Guaxenduba. Uma das versões afirma que não aconteceu de fato uma batalha: Albuquerque, melhor preparado para a luta, teria convencido os franceses de que era mais vantajoso se renderem que se oporem às suas armas. Mas há ainda uma terceira versão, católica e patriótica, digna dessa mitologia dos primeiros tempos da nossa Pátria.<br />
               Merecendo até um soneto do célebre Humberto de Campos, a lenda da Jornada Milagrosa mostra-nos um Jerônimo de Albuquerque imbuído de bravura e amor à pátria portuguesa. No calor do combate, os lusos teriam se visto sem pólvora. Como continuar a luta e fazer prevalecer o seu direito? E do temor e da incerteza teriam saltado ao pasmo e à maravilha: A própria Virgem Maria desceu dos céus e transformou areia em pólvora, intercedendo pelos portugueses.<br />
              “Surgia do direito a luz dourada”, diz o hino maranhense. Portugal tinha agora o caminho livre para ocupar a região, vantajosa comercialmente. E os peitos patrióticos podiam insuflar-se como o de Humberto de Campos e dizer: “Pátria, se a Virgem quis assim teu solo, / que por ti não fará quem for teu filho?”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Filipe Cavalcante</strong></p>
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		<title>Município de Amarração</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 05:02:15 +0000</pubDate>
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            Amarração é um dos mais fecundos e importantes municípios da terra de Mafrense.
            Amarração é pobre porque as suas grandes riquezas naturais jazem abandonadas e esquecidas, como esquecidas e abandonadas jazem todas as grandes riquezas naturais do Piauí inteiro, e da maior parte do Brasil de norte a sul.
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            Amarração é um dos mais fecundos e importantes municípios da terra de Mafrense.<br />
            Amarração é pobre porque as suas grandes riquezas naturais jazem abandonadas e esquecidas, como esquecidas e abandonadas jazem todas as grandes riquezas naturais do Piauí inteiro, e da maior parte do Brasil de norte a sul.<br />
            Atualmente, a sua principal indústria é a salineira.<br />
            Amarração é o único município do Piauí que produz sal, e o produz espontaneamente por obra e graça da natureza.<br />
            Encontram-se no município de Amarração dois lagos que produzem naturalmente, sem os curso dos artifícios humanos, referimo-nos aos lagos Sobradinho e Sant’Ana.<br />
            Ambos pertencem a muitos proprietários de terra nas datas Sobradinho e Sant’Ana.<br />
            O lago sobradinho tem uma extensão de 20 quilômetros, pouco mais ou menos.<br />
            A largura varia muito. Partes mais largas e partes mais estreitas.<br />
            Nos anos escassos de inverno, nas secas periódicas, flagelo aterrador, que de tempo em tempo nos açoita cruelmente, as águas do lago evaporam-se pela ação do sol abrasador e transforma-se então em uma salina colossal de onde podem ser retirados muitos milhões de alqueires de alvíssimo e precioso sal de ótima qualidade.<br />
            O lago Sobradinho fica situado a 18 quilômetros do porto de Amarração e a 30 quilômetros de Parnaíba.<br />
            Não é somente como produtor de sal que se distingue o maravilhoso lago: salienta-se também como viveiro de peixes de excelentes e variadas qualidades que são facilmente pescados.<br />
            O lago Sobradinho não tem comunicação com o mar, isto é, não recebe concurso d’água marinha, o que torna bem patente ser o sal que produz propriedade exclusiva do terreno; mas quando o lago enche muito transborda para o oceano, porém, a água  do Atlântico não penetra no lago.<br />
            Nessa ocasião então entram para o lago  grandes cardumes de peixes que constituem um colossal refrigério para os habitantes de sua circunvizinhança.<br />
            O lago Sant’Ana fica colocado entre os rios Ubatuba e Camurupim formando o primeiro a Barra da Timonha, e servindo de linha divisória entre o Piauí e o Ceará; o segundo a Barra Grande.<br />
<img class="alignleft size-medium wp-image-1845" title="DSC01994" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/10/DSC01994-300x225.jpg" alt="DSC01994" width="300" height="225" />            O lago Sant’Ana dista apenas 2 quilômetros do mar, ficando a igual distância da povoação Barra Grande.<br />
            Em formação de U o lago Sant’Ana, começando do norte para o sul. Estende um dos braços acompanhando o rio Ubatuba ou Timonha, e o outro o rio Camurupim, Barra Grande.<br />
            O lago Sant’Ana tem uma extensão de 6 quilômetros.<br />
            A largura forma uma média de 500 metros, sendo como o Sobradinho, ora mais largo e ora mais estreito.<br />
            No inverno, o lago enche com a água da chuva e concurso de pequeno regatos.<br />
            Como o lago Sobradinho, o Sant’Ana produz sal naturalmente, com a diferença que o Sobradinho não recebe o concurso d’água do mar e o Sant’Ana recebe, e produz mais sal ainda nos anos de abundante inverno.<br />
            A razão é a seguinte: no inverno rigoroso, o lago Sant’Ana enche e transborda, escoando para o mar todas as suas águas, que deixam em sua passagem um sulco profundo na terra, por onde, nas grandes marés de Agosto, penetra a água do mar que o enche novamente.<br />
            Quando as marés vão diminuindo, tapa-se com a areia o aludido sulco ou rego, prendendo a água necessária para produzir sal em curto espaço de tempo.<br />
            Feita esta operação em Agosto, já em Novembro, três meses depois, começa a coalhar sal, podendo ser colhido muitos milhares de alqueires.<br />
            O sal do Sant’Ana tem uma grande vantagem sobre o de Sobradinho – é ser muito mais curta a distância para os portos de embarque.<br />
            Enquanto o Sobradinho dista de Amarração 18 quilômetros, o Sant’Ana dista, quer do rio Camurupim, quer do Timonha, apenas 3 quilômetros, no máximo.<br />
            Ambos os rios oferecem bons portos de embarque.<br />
            O município possui ótimas terras, apropriadas para a cultura de todos os cereais, desenvolvendo-se regularmente a cultura do coqueiro, na zona do litoral.<br />
            A Comissão de Melhoramentos do Porto, criada em 1912, pela influência do então deputado, Dr. Joaquim de Lima Pires Ferreira, conseguiu a paralisação das dunas que tantos prejuízos causavam à vila.<br />
            Em 1922, o Presidente Epitácio Pessoa decretou a construção do Porto de Amarração, tendo efetuado a compra dos materiais precisos, dos quais grande parte esteve depositada em Amarração.<br />
            Infelizmente, esse melhoramento, que imensas vantagens traria ao Piauí, ainda não foi sequer iniciado.<br />
            A situação atual da vila não é próspera, o comércio está decadente, reina desânimo na população, já desiludida da construção do porto.<br />
            Este, porém, há de ser feito, hoje ou amanhã, o povo piauiense não pode prescindir desse melhoramento, do qual depende a sua grandeza futura.<br />
            E quando se converterem realidade essa sua formosa aspiração, a vila de Amarração, como a Fênix da fábula, ressurgirá de suas próprias cinzas, e se tornará uma das mais ricas e opulentas cidades do Piauí.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>João Vieira Pinto, década de 20 (século XX)</strong></p>
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		<title>Parnaíba – Cartago Piauiense</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 04:36:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[

              Parnaíba é a grande paisagem sentimental da minha vida. É a voz longínqua de minha infância, a página mais viva da minha saudade, a memória mais velha do meu ser. Tudo, nela, me fala ao espírito – desde a sua velha Matriz, onde aprendi a rezar, até o seu velho Cemitério, onde aprendi a crer na eternidade&#8230; ele guarda os restos de meu pai – isto é, a parte mais profunda do meu coração e é nela que adejam, como sombras queridas, as figuras vaporosas dos meus primeiros sonhos.
              ...]]></description>
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<p style="TEXT-ALIGN: justify"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Largo-da-Graça.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1418" title="Largo da Graça" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Largo-da-Graça-300x177.jpg" alt="Largo da Graça" width="300" height="177" /></a>              Parnaíba é a grande paisagem sentimental da minha vida. É a voz longínqua de minha infância, a página mais viva da minha saudade, a memória mais velha do meu ser. Tudo, nela, me fala ao espírito – desde a sua velha Matriz, onde aprendi a rezar, até o seu velho Cemitério, onde aprendi a crer na eternidade&#8230; ele guarda os restos de meu pai – isto é, a parte mais profunda do meu coração e é nela que adejam, como sombras queridas, as figuras vaporosas dos meus primeiros sonhos.<br />
              Estou a vê-la, há vinte anos, toda clara e fresca, batida dos ventos atlânticos, cheio de sol e de juventude.<br />
              As ruas eram irregulares, como o destino dos homens. Havia calçadas largas, que desfecham, de súbito, em declives pedregosos e incertos. Uma areia fofa e branca lembrava o deserto. Ventos endiabrados brincavam, por entre essas dunas urbanas, como crianças travessas. Tropas de animais cargueiros traziam, no seu bojo, riquezas multiformes. De volta, levariam aos sertões piauienses os finos produtos manufaturados da Europa e da América. A cidade nasceu do comércio, como a Fenícia antiga. E, como a Fenícia, semeou outras cidades. Ágeis e laboriosos, os parnaibanos criaram uma civilização própria. Ao assinalarem a cidade, nos envelopes e papéis comerciais, eles diziam: “Parnaíba, Norte do Brasil”. Foi assim que Cartago começou&#8230;<br />
             A Igreja Matriz e a Praça que lhe é fronteira, revivem, na minha memória, com uma prisão fotográfica. Era em maio e as rosas floriam. O luar envolvia tudo, como num grande banho de prata. As vozes subiam do coro e parecia que Deus as escutava. Ondas de incenso escondia o levita, junto ao altar onde Nossa Senhora sorria. E, o espoucar dos foguetes no espaço era uma outra forma de oração, que o povo na praça entendia e amava&#8230;<br />
               As longas noites de inverno convidavam a ler e a meditar. Parnaíba sempre foi um estímulo à inteligência e um desafio ao coração. Ali, aprendi a amar os seus clássicos. Ali, ouvi o maior pregador da nossa língua -  Padre Antonio Viera e o maior dos nossos filósofos – Manuel Bernardes. Foi lá que descobri o mais rico veio aurífero do idioma vernáculo: Camilo Castelo Branco. Muitas vezes, na agitação destes anos trabalhosos, senti, na alma, uma grande serenidade: era o silêncio das noites de Parnaíba que Deus me enviava como o emissário suavíssimo da juventude. Há momentos que ficam eternizados na nossa saudade. Alguns desses minutos de há vinte anos vivem dentro de mim – e, sem dúvidas, viverão mais do que eu&#8230;<br />
              Parnaíba jamais cometeu o erro de fazer do ouro a razão do seu destino e o fim de sua existência. O “Conta-Correntes” não era, no meu tempo, o único livro dos parnaibanos Antônio Freitas, R. Petit, Pires Rebelo, Alarico da Cunha, Édson Cunha&#8230; Versejam entre dois embarques de cera de carnaúba e, por entre pilhas de fardos de algodão, exploravam o próprio talento. A mesma Igreja Matriz era, como nos bons tempos de Roma, templo e oficina. O Cônego Melo Lula criara “A BOA SEMENTE” – o maior dos pequenos jornais católicos do Brasil. Ir a Parnaíba era descobrir, num celeiro opulento, toda uma família de pássaros cantores&#8230;<br />
              Da Parnaíba modesta da minha infância, o trabalho e o tempo fizeram uma grande e famosa cidade. Ademar Neves, Nestor Véras e Mirócles Véras pontilharam-na de jardins, calcaram-na de pedra, enrouparam-na à moderna, com todos os mimos da indumentária urbanística dos nossos dias. O milagre da cera transformou-a, dando-lhe não vulgar opulência. O comércio expandiu-se; a população duplicou-se-lhe. Maior centro comercial do Estado, Parnaíba corre parelhas com Teresina, no primor das atividades produtoras e na ousadia das construções ciclópicas. Foi ela a primeira cidade do Estado a ver o automóvel. Foi das primeiras a conhecer o telefone. No seu dorso fecundo assentou Miguel Furtado Bacelar o primeiro de trilho que já ornou a terra piauiense. Leônidas Melo – estadista que tem a alma humanitária de um clínico – vai dar-lhe água abundante e pura. Parnaíba tem a fascinação irresistível do progresso. Síntese e encarnação da alma nortista, esta pequena cidade comercial tem a beleza serena de uma lição e a eloqüência inconfundível de um exemplo&#8230;<br />
              Cidade mimosa de Deus, Parnaíba vai ter um bispado. A prosperidade não a faz esquecer os deveres de uma cidade cristã. Os seus magnatas trabalham seis dias e rezam o último&#8230; O domingo é uma pausa litúrgica no labor admirável dessa cidade, que deu ao Brasil, um dos maiores sábios – Oscar Clark – e um dos seus mais eminentes diplomatas – Frederico Castelo Branco Clark&#8230; É assombrosa a harmonia com que ela equilibra seu destino econômico  e sua vocação espiritual. Um Bispo em Parnaíba é a simples consagração canônica de uma realidade antiga&#8230; Mais que simples cidade do Piauí, Parnaíba é o símbolo de um povo e o orgulho de uma raça. O nordestino ali se revê na sua prodigiosa capacidade de sonhar, construir e realizar. Povo de abelha, o piauiense tem, em Parnaíba a sua grande colméia, sonora e dadivosa. Não é preciso ir lá, para sentir a agitação fecunda das operárias aladas: basta conhecer-lhe a gente para provar, nos lábios, o gosto sagrado do mel&#8230;</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Rio, Junho de 1941<br />
<strong>Berilo Neves</strong></p>
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		<title>Ilha do Amor</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 20:51:28 +0000</pubDate>
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              Saudades da Ilha do Amor (São Luís)! Nostálgicas lembranças da capital do Maranhão, fundada por franceses, colonizada pelos portugueses e cobiçada pelos holandeses.
               “Terra Morena” de Gonçalves Dias, Aluízio de Azevedo, Manoel Beckman, Josué Montello, Ferreira Gullar, João do Valle, Zeca Baleiro, Alcione, Maria Aragão, Ana Jansen, Carlos Nina, Nina Rodrigues&#8230; Terra do arroz de cuxá, do tambor de crioula, do Cacuriá de Dona Tetê, do Boizinho Barrica, da jussara com camarão, do guaraná Jesus, das ruas estreitas de nomes curiosos (Rua do Sol, Beco da Bosta, Praça da ...]]></description>
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<div id="attachment_1168" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Tambores-de-São-Luiz.jpg"><img class="size-medium wp-image-1168" title="Tambores de São Luiz" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Tambores-de-São-Luiz-300x225.jpg" alt="Foto: Rafael Ciarlini" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Rafael Ciarlini</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Saudades da Ilha do Amor (São Luís)! Nostálgicas lembranças da capital do Maranhão, fundada por franceses, colonizada pelos portugueses e cobiçada pelos holandeses.<br />
               “Terra Morena” de Gonçalves Dias, Aluízio de Azevedo, Manoel Beckman, Josué Montello, Ferreira Gullar, João do Valle, Zeca Baleiro, Alcione, Maria Aragão, Ana Jansen, Carlos Nina, Nina Rodrigues&#8230; Terra do arroz de cuxá, do tambor de crioula, do Cacuriá de Dona Tetê, do Boizinho Barrica, da jussara com camarão, do guaraná Jesus, das ruas estreitas de nomes curiosos (Rua do Sol, Beco da Bosta, Praça da Alegria&#8230;), casarões antigos, cidade dos azulejos, cidade dos bem-te-vis, tão bem retratada na música Ilha encantada de Zé Pereira Godão: “<em>São Luís, minha ilha encantada namorada das noites de luar navegante amor, vem meu beija-flor / mãe guerreira, amante das ondas do mar&#8230;”</em>; e de tantas outras personalidades renomadas.<br />
               Ah, quem dera estivesse lá agora e encontrasse os poetas no Reviver&#8230; Rever o amigo ancião de barbas e cabelos inteiramente alvos, sandálias franciscanas, camisa de mangas compridas, branca, por fora da calça folgada, da mesma cor – o velho poeta Nauro Machado, um amado artista ludovicense. Encontrei-o uma vez apoiado em sua bengala, encostado em uma das pedras de cantaria da Praia Grande, quando o reconheci não me segurei e lhe dei um abraço.<br />
              A primeira vez que estive em São Luís, esta bela e afável cidade, foi em meados do ano de 1999. Recordo-me de como meu coração de 16 anos se sentiu quando atravessei a ponte São Francisco e avistei, com os olhos atentos, o Centro Histórico. Foi algo difícil de descrever e que só tempos depois entendi na letra do Hino da cidade, intitulado “Louvação de São Luís”, de autoria de Bandeira Tribuzi: “<em>Quero ler nas ruas: fontes, cantarias, torres e mirantes, igrejas, sobrados nas lentas ladeiras que sobem angústias sonhos do futuro glórias do passado”.<br />
              </em>Intitulada de Atenas Brasileira, São Luís despertou em mim uma irresistível inveja. Olhar aqueles prédios conservados, suas fachadas multicoloridas, o cheiro boêmio da vida, a luz dourada do crepúsculo nas calçadas e paralelepípedos das ladeiras&#8230; era uma mistura de exaltação e angústia. Ao mesmo tempo em que me encantava com os seus laços de fita estendidos como um tapete por onde eu passava, doía-me lembrar de Parnaíba, talvez a mesma dor de Carlos Drummond de Andrade em sua “Confidência de Itabirano”: Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói!<br />
              São Luís é uma resposta convincente pra quem diz que ninguém se interessa por prédios históricos! É uma prova viva de que conservar cada azulejo vale à pena. De que zelar cuidadosamente de sua cultura é uma questão de sobrevivência. Andar pelo Reviver é como atravessar um portal do tempo&#8230; lendo “Os Tambores de São Luís” (Josué Montello) a gente consegue ouvir até os ruídos dos cascos dos cavalos sobre as pedras da Rua da Estrela.<br />
              Depois de apreciar o pôr-do-sol na escadaria do João do Vale, recuperei o fôlego na lanchonete do francês (experimentando o croissant&#8230; e o brioche&#8230;). Para alimentar o espírito, visitei o Poeme-se – um sebo onde funciona um ciber e uma livraria –, e a Casa do Maranhão, onde os artistas moram e criam suas obras.<br />
              Na parte nova da cidade, não deixei de ir à Litorânea. Aproveitei tudo o que tem lá, especialmente a comida. O caranguejo ainda é maranhense, ao contrário do Ceará, que há muito só consome o do Delta&#8230;<br />
              De qualquer forma, sei que fui encantado (sou ludovicense de coração) por uma terra que seduziu inúmeros piauienses, como César Nascimento que em versos resume bem o que o sinto: “<em>Eu jamais te esquecerei São Luís do Maranhão</em>” (trecho da música Ilha Magnética). </p>
<p align="center"><strong>Rafael Ciarlini</strong></p>
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		<title>Parnaíba e um olhar para si mesma</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 03:58:02 +0000</pubDate>
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Das águas de um caudaloso rio a cidade roubou seu nome. E a intimidade com o Rio Parnaíba fez com que diferentes povos, a começar pelas nações indígenas pré-coloniais, por essas terras se apaixonassem. Foi assim com os desbravadores vindos d’além mar, que logo foram seduzidos pelo balanço das águas sempre se oferecendo à terra e presenteando-a com recursos e promessas de prosperidade. E os novos habitantes foram abençoados com séculos de riqueza, graças à capacidade do rio de se estender como um tapete até o Oceano Atlântico, permitindo-lhes alcançar ...]]></description>
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<div id="attachment_1070" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/coqueiro-agosto-2009-001.jpg"><img class="size-medium wp-image-1070" title="coqueiro agosto 2009 001" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/coqueiro-agosto-2009-001-300x225.jpg" alt="Foto: Rafael Ciarlini" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Rafael Ciarlini</p></div>
<p style="text-align: justify;">Das águas de um caudaloso rio a cidade roubou seu nome. E a intimidade com o Rio Parnaíba fez com que diferentes povos, a começar pelas nações indígenas pré-coloniais, por essas terras se apaixonassem. Foi assim com os desbravadores vindos d’além mar, que logo foram seduzidos pelo balanço das águas sempre se oferecendo à terra e presenteando-a com recursos e promessas de prosperidade. E os novos habitantes foram abençoados com séculos de riqueza, graças à capacidade do rio de se estender como um tapete até o Oceano Atlântico, permitindo-lhes alcançar às mais longínquas margens.<br />
              A partir dessa época, Parnaíba começou a se destacar como um importante centro sócio-econômico brasileiro, construindo uma História digna de ser propagada e reconhecida aquém e além dos limites do seu Estado. Desses anos áureos, herdou um variado patrimônio histórico que reúne desde um rico conjunto arquitetônico até uma expressão folclórica única, ainda viva em seus bairros mais antigos. Também construiu uma extensa lista de ações protagonizadas por parnaibanos, o que traduz a potencialidade dessa gente.<br />
              Contrastando com o atraso do restante do país, a altaneira Vila de São João da Parnahyba foi proclamada Metrópole das Províncias do Norte, título recebido de Dom Pedro I, em 1823, por ter sido a primeira desta região a proclamar a Independência do Brasil. Logo depois, ainda embalada pelo espírito de liberdade, a vila aderiu ao Movimento republicano e separatista da Confederação do Equador, indo de encontro aos interesses do Imperador que, meses antes, solicitara o apoio parnaibano de Simplício Dias oferecendo em troca a transformação de Parnaíba em capital do Piauí. Simplício não aceitou o convite para assumir o cargo de Presidente da Província piauiense, rompendo com o Império e aliando-se aos ideais de Frei Caneca. Recusou o cargo para permanecer fiel aos próprios ideais e Parnaíba continuar como o berço da liberdade da região.<br />
               Após o fracasso do movimento republicano e a morte de Simplício, o Coronel Miranda Osório assume o comando de Parnaíba e obtém o ápice das conquistas políticas: a elevação de sua vila à condição de cidade, em 14 de Agosto de 1844. Infelizmente essa promoção, que já era merecida há muito tempo, teve um preço alto: a repressão da rebelião popular maranhense, Balaiada, que teve o apoio de parte da população parnaibana. Miranda aliou-se aos interesses do Império e destruiu os planos dos balaios revoltados contra aquela estrutura sócio-política e econômica, que oprimia a massa pobre formada por índios, negros e mestiços.<br />
              Acalmados os ventos revolucionários à custa de baioneta e cadeia, a nova cidade seguiu se desenvolvendo e se afastando cada vez mais da realidade estadual. Nas artes, na política e nas obras, a ousadia era a marca parnaibana. Precursora no Nordeste da navegação comercial de longo curso para a Europa e da industrialização, Parnaíba ganhou a fama de pioneira. Os primeiros barcos a vapor, locomotiva, bicicleta e automóvel do Estado apareceram por aqui. Enquanto as outras vilas piauienses eram ultrapassados feudos, em Parnaíba já imperava um espírito capitalista por ser possível adquirir os últimos modelos do mercado internacional. Mandava-se para o estrangeiro matéria-prima com a ânsia de receber sofisticados produtos. A elite parnaibana ostentava a vaidade de cidade cosmopolita graças aos móveis, roupas, perfumes, alimentos, medicamentos, ferramentas, automóveis e utensílios domésticos de várias partes do mundo que se misturavam aos produtos industrializados na própria terra.<br />
              Tudo o que era produzido no estrangeiro existia na Princesinha do Igaraçu e aeroclube, estação radiofônica, televisão, telefone, usina elétrica, hospital, farmácia, banco, agência dos correios, biblioteca e escola pública foram algumas de suas novidades, assim como os dois primeiros times de futebol piauiense, também criados em Parnaíba: o “International Athletic Club” e o “Parnahyba Sport Club”. Por trás dessas conquistas existiam pessoas que, além de poder financeiro, possuíam erudição e visão de futuro. Era o legado cultural daqueles que, tempos atrás, criaram aqui a segunda orquestra sinfônica do Brasil.<br />
              Poucos sabem, mas a velha Rua Grande guarda vários estilos arquitetônicos, fenômeno raro na região, o que revela ainda a existência de diferentes ciclos econômicos, pois como é próprio em cada época, a arquitetura reflete a natureza do poder. Uma descrição dessa fortuna construída com pedras, e que simboliza o passado glorioso da cidade, vem de uma estreita relação entre a opulência e a fé. Das inúmeras igrejas e capelas, nenhuma é tão simbólica quanto a Igreja de Nossa Senhora da Graça. Cheia de detalhes, como o revestimento em ouro do altar-mor, a Matriz é rica nos estilos barroco e rococó que, nos séculos XVIII e XIX, caracterizavam as cidades mais desenvolvidas do Nordeste brasileiro.<br />
              Mas Parnaíba não foi apenas um centro comercial e industrial, pois atraídas pela possibilidade de riqueza, pessoas de todas as regiões brasileiras e do exterior geraram a mais complexa formação social do Estado: em diferentes épocas, índios, africanos, brasileiros, europeus e árabes miscigenaram-se, originando uma sociedade de identidade cultural aparentemente informe. O sotaque, o modo de vida e o conjunto de prédios diversificados – expressão mais visível dessas culturas que aqui aportaram – refletem essa extraordinária variedade.<br />
              O devido reconhecimento dessa formação miscigenada, no entanto, ainda não ocorreu. Desde o início, a mistura racial foi marcada pelo etnocentrismo existente principalmente nos brancos ocidentais que aportaram em Parnaíba. Ante os outros povos, os europeus buscaram impor seu tradicionalismo gerando parnaibanos preocupados com a exaltação de suas origens estrangeiras. Começava assim o apego aos brasões e sobrenomes como forma de se diferenciarem pela genealogia. Era a garantia de pertencer à civilização ariana, a uma linhagem superior, única descendente de Adão, possuidora da “verdadeira fé” (a religião do Papa), da “cor” de Deus e da língua culta. Naturalmente, a postura diante dos descendentes de outras etnias – negros e índios – era de desrespeito. Para os sem tradição restava um tratamento de inferioridade, pois eram vistos como “sub-raças”. Com o sistema escravocrata, a riqueza concentrava-se exclusivamente nas famílias tradicionais, enquanto para o povo sobrava a miséria e uma desumana exploração.<br />
              Mesmo em períodos de declínio, as famílias tradicionais mantiveram-se no comando de toda a vida parnaibana. A mudança só veio após o último ciclo de desenvolvimento econômico da cidade. A exportação de cera de carnaúba durante as duas Grandes Guerras, levou Parnaíba a uma de suas maiores participações na economia internacional. Esse quadro se alterou drasticamente com o fim da Segunda Guerra Mundial. A nativa carnaúba parecia vingar, por fim, as excluídas massas parnaibanas que nada aproveitaram dos tempos de glória vividos apenas pela casta dominante. A decadência da cidade, chorada desde então pela elite, refere-se, na verdade, à sua própria derrocada econômica. O tempo em que a tradição genealógica era sinônimo de abastança passava junto com o apogeu da cera de carnaúba.<br />
              O golpe foi tão profundo que, pela primeira vez, a riqueza se afastava das margens do rio. Diante disso, a elite não se conformou com o fato de, mesmo detendo os conhecimentos, ter perdido o controle sobre o fluxo financeiro que, gradualmente, mudava de endereço passando a concentrar-se nos arredores da cidade, talvez até nas mãos daqueles que, outrora, não passavam de serviçais em pomposas indústrias e residências. Essa brusca mudança trouxe um desafio histórico para Parnaíba. Como jamais houve em outras épocas, surgiu uma luta diferente: a cidade vê-se desafiada a encontrar sua verdadeira identidade e retomar as rédeas de seu destino, decidindo para onde e de que jeito quer ir, antes de voltar a crescer.<br />
              Para que as águas do progresso deságüem de novo no mar, a sociedade parnaibana, formada por pessoas de diversas origens, deve assumir sua miscigenação e reconhecer que sua História foi construída do esforço não apenas de europeus, como reza a elite, mas do suor de indígenas, afro-brasileiros, judeus, árabes, e brasileiros de todos os cantos desse país que fincaram às barrentas margens do Igaraçu seus projetos e sonhos. Só o reconhecimento dessa cultura híbrida pode orientar a construção de um modelo de desenvolvimento que leve Parnaíba a considerar as necessidades de todo seu povo, ao contrário do que ocorreu ao longo do tempo. Qualquer planejamento para o futuro deve nascer de uma ampla discussão dos diferentes setores sociais, onde cada um tenha voz e exercite sua cidadania, sem diferenças de qualquer natureza. Esse deve ser o novo espírito dessa terra, pois os rumos de Parnaíba não podem mais serem decididos apenas por uma camada social que se agarra a preconceitos contra quem não pertence às famílias tradicionais.<br />
              A miscigenação não pode mais ser vista como fraqueza, tibieza, perversão e causa de desgraças, como convém à cultura formal, sempre a postos para reproduzir os pontos de vista dos dominadores, agora traumatizados com sua decadência. Junto com esse comportamento entranhado de posições preconceituosas e da supervalorização da cultura estrangeira cresceu o sentimento pessimista e a barreira que impede o associativismo, o reconhecimento do sucesso alheio, o incentivo ao desenvolvimento comunitário e a participação na vida pública. Daí a expressão “<em>Parnaíba, terra do já teve</em>”, que permeia desde poemas e cantigas até os meios de comunicação. Mais grave: dificulta a valorização da História parnaibana, pois mesmo já não mantendo a “pureza” da cor em virtude da mistura que já ocorreu, a elite parnaibana insiste em agir como se os de origem popular ou pobre devessem manter-se em papéis subservientes, não servindo, portanto, para casarem dignamente, exercerem funções de chefia numa empresa ou até mesmo participarem de uma boa conversa na calçada de casa.<br />
              Há uma luta de classe, portanto, também cultural, pois é a visão de mundo da elite que tem balizado as manifestações artísticas reconhecidas em Parnaíba: ao retratar seus temas de interesse, a elite reproduz sua visão dos acontecimentos como se essa fosse sagrada e indiscutível. A apropriação da História pela elite se concretiza nas datas cívicas. Tradicionalmente, as confraternizações são marcadas por eventos de cunho intelectual e participativo somente em redutos elitizados, relegando-se aos parnaibanos comuns a concessão de participarem através de números folclóricos, como o bobo da corte. Nos bairros, montam-se circos de apresentações artísticas, como se o povo não tivesse direito ao conhecimento, nem sua opinião fosse digna de ser ouvida.<br />
              Para reverter isso, faz-se imprescindível resgatar e incluir na História oficial parnaibana a memória daqueles que até hoje permanecem anônimos &#8211; negros, índios e migrantes -, embora tenham sido suas mãos que consolidaram a glória dessa terra. Isso poderá dar fim ao estranhamento entre o povo e a cidade: aquele se sente à parte da História; esta se queixa da rejeição de seus filhos, sem compreender que ela é quem os tem ignorado, não lhes permitindo reconhecer-se como um só povo – genuíno troféu conquistado num secular percurso marcado por paixões e combates. Com a inclusão desses novos personagens e a releitura dos fatos, a extraordinária trajetória histórica de Parnaíba poderá ser enriquecida, ganhando contornos ainda mais valorosos. A reconciliação da cidade com seus desconhecidos heróis deverá começar pela cultura popular, quando essa for cantada em verso e prosa pelos artistas da terra. Ao se reconhecer na arte, o povo sentir-se-á sinônimo de Parnaíba, identificando-se inteiramente com ela, com suas ruas, com seus feitos, sentindo-se sua alma, cúmplice de seus sonhos e desejos, desesperadamente comprometido com seu destino.<br />
              Mesmo nos poucos registros deixados pelos senhores brancos, vestígios da memória popular podem ser extraídos. E no espaço físico, ela ainda está trancafiada nos bairros, nos guetos, apartada do centro da cidade. Essas áreas preservam a heterogeneidade cultural parnaibana, com costumes bem distintos entre si. Ao ignorá-los, mantém-se silenciadas as classes populares que, ao longo de sua existência, foram encontrando, especialmente no artesanato, meios de expressarem suas características e visões de mundo: com produtos típicos da região, os artesãos vão retratando nativos, cenas do cotidiano e, assim, modelando a face da cidade, que é reconhecida como o centro artesanal mais criativo do Nordeste. E as lendas dos nossos índios, que jamais tiveram destaque em espaços elitizados, ressurgem em peças teatrais construídas em escolas públicas da periferia. Dos povos indígenas, dizimados do Piauí pela brutal ocupação branca, ficou um legado cultural protegido pelos braços do Delta do Parnaíba. Enquanto nas comunidades deltáicas a presença indígena é perceptível, no Catanduvas, um dos berços de Parnaíba, ainda se conserva costumes africanos que não puderam ser apagados pelos grilhões da escravidão, assim como os belos sonhos que deram à luz ao encantador bumba-meu-boi jamais foram abortados pelo pelourinho.<br />
              Sabiamente, José Saramago aconselha: “Tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas”. Quem são, portanto, os verdadeiros pais de Parnaíba? E quem construiu os casarões? Ou onde estão anotados os nomes dos que abriram picadas nas matas, expandindo a cidade para além da Esplanada da Estação? Que fim levaram os vareiros do Rio Parnaíba quando a navegação decaiu? Que “causos” ocorreram durante o crescimento, não apenas do Porto Salgado, mas das dezenas de bairros que surgiram em menos de um século?<br />
              Por tudo isso, Parnaíba precisa olhar para si mesma e reler toda a sua trajetória. É chegada a época de seu amadurecimento histórico, de um reencontro do povo com a cidade e, consequentemente, suas causas. Os desafios atuais são outros, mas o espírito de luta é o mesmo. Parnaíba requer de seus filhos, com ou sem tradição, um empenho em favor de seu crescimento e de sua vocação como pólo regional. Assim como Simplício Dias (e possivelmente outros menos renomados) foi capaz de abrir mão de seus próprios bens em favor das causas parnaibanas, é necessário que cada um assuma seu papel de cidadão, consciente de que qualquer modelo de desenvolvimento precisa passar pelo crivo de toda a sociedade.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Rafael Ciarlini</strong></p>
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		<title>Piracuruca, cidade do milagre</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 20:48:38 +0000</pubDate>
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            A origem da cidade de Piracuruca (talvez PIRARUCUCA) é quase lendária, mas não deixa de ser maravilhosa e tão linda que, quem a descrevesse aprofundando-a, escreveria um poema, e dos mais belos, em que a sua natureza e a sua gente se abraçam cantando.
            Naquela época recuada em que portugueses audazes atravessavam os sertões piauienses à procura re riquezas do solo, concorrendo assim, para fundação de vários núcleos, hoje cidades prósperas – os irmãos Dantas Correia foram alojar-se à margem do rio Piracuruca no intuito de explorar as minas ...]]></description>
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<div id="attachment_1066" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Sete-Cidades-11.JPG"><img class="size-medium wp-image-1066" title="Sete Cidades (11)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Sete-Cidades-11-300x225.jpg" alt="Foto: Gilmara Rabelo" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Gilmara Rabelo</p></div>
<p style="text-align: justify;">            A origem da cidade de Piracuruca (talvez PIRARUCUCA) é quase lendária, mas não deixa de ser maravilhosa e tão linda que, quem a descrevesse aprofundando-a, escreveria um poema, e dos mais belos, em que a sua natureza e a sua gente se abraçam cantando.<br />
            Naquela época recuada em que portugueses audazes atravessavam os sertões piauienses à procura re riquezas do solo, concorrendo assim, para fundação de vários núcleos, hoje cidades prósperas – os irmãos Dantas Correia foram alojar-se à margem do rio Piracuruca no intuito de explorar as minas que julgavam por ali existentes. Antes mesmo, como se julga, que ali chegassem os aventureiros lusitanos, Piracuruca já era um pequeno povoado em torno da fazenda “SÍTIO” – e já sede de Paróquia em 1792.<br />
            Depois que Manoel e José Dantas Correia, em cumprimento de um voto, edificaram a belíssima Igreja, toda de talha, em honra de N. Senhora do Carmo, o povoado tomou rápido desenvolvimento com a construção de casas, cujos proprietários foram atraídos pela devoção à Imaculado Virgem.<br />
            A confusão da origem da cidade começa, quando se afirma que “a hoje cidade de Piracuruca remonta suas origens a um desses lances de audácia por parte de dois indivíduos que, em arriscada aventura, percorriam os sertões piauienses”. Esses dois indivíduos eram os irmãos Dantas Correia que, caindo em poder dos índios antropófagos que, com certeza, moravam ali perto, na famosa “SETE CIDADES” – verdadeira fortaleza selvagem – foram presos e amarrados, saindo livres por um milagre de N. Senhora do Carmo, a quem fizeram o voto de construir em sua honra um templo no mesmo local do seu aprisionamento. Está claro que naquele local da Igreja, em torno da qual se fez a cidade, nada existia senão mataria que vicejou à margem do rio que deu nome à cidade.<br />
            A construção da Igreja começou em 1743; entanto quando se procura saber a data da criação da freguesia não se chega a uma evidência, pois apenas se descobre que em 27 de novembro de 1742, o Bispo D. Frei Manoel da Cruz transferia da freguesia de Piracuruca para a de Marvão recém criada, o Padre José Lopes Pereira. Isso não deixa de ser curioso, pois, a construção da Igreja começou em 1743, e “em breve a suntuosa Igreja de N. Senhora do Carmo foi contornada de casas, despertando das fronteiras as simpatias do povoado” – diz Anísio Brito. Com certeza a freguesia era na fazenda “SÍTIO”, como já disse, acima do local da Igreja, fazenda que nem está arrolada entre as propriedades dos Dantas por estes doadas à N. Senhora do Carmo. O fato é que a fazenda “SÍTIO” em 1742 já era um povoado notável no qual não se fala existisse ao menos uma capela, e seria ali a sede da freguesia. Antes de concluídas as obras da monumental Matriz faleceram os Irmãos Dantas que deixaram em testamento para N. Senhora do Carmo todos os seus bens, constantes de 12 léguas e meia de terra, nelas encravadas 8 fazendas, patrimônio este “exclusivamente administrado pelo vigário da freguesia, em virtude da provisão do bispo diocesano do Maranhão” – diz Pereira da Costa em sua Cronologia Histórica, pág. 229. Esse bispo, grande pela virtude e pelo saber, foi o já referido D. Fr. Manoel da Cruz da ordem de São Bernardo, chegado ao Maranhão a 15 de Junho de 1739, tomando posse da Diocese no dia 29 do mesmo mês – donde fora transferido em 1747 para a Diocese de Mariana. Lá por 1770 – ou pouco antes – quando já no governo da Diocese o Snr. Bispo D. Fr. Antônio de S. José – que pouco depois se recolhera ao Convento da sua Ordem, em Leiría, falecendo em 1779 em Lisboa, foi pela autoridade diocesana aprovada a Irmandade de N. Senhora do Carmo para gerir os bens do Patrimônio. É evidente que toda associação eclesiástica está subordinada ao Bispo, seu presidente nato na forma das leis canônicas, e que se não pode confundir com sociedade civil, cuja criação só agora os “devotos do patrimônio” descobriram ser uma disposição testamentária, quando não há sequer vestígios do Testamento dos Dantas nesse sentido. E se a Irmandade não pode dispor a seu bel-prazer dos bens cuja gestão lhe foi entregue, o Bispo não podia aliená-los de vez que os testadores fizeram doação sob a cláusula de inalienabilidade. Cometido este erro, de alienação pelo 1.º Bispo do Piauí em 1909 – o 3.º Bispo do Piauí, D. Severino Vieira de Melo, uma das mais brilhantes e destacadas figuras do episcopado brasileiro – readquiriu os bens imóveis da Igreja mediante luminosa sentença do Tribunal de Justiça. Os civis apaixonados pela administração do Patrimônio pretendem, vez por outra, parece baseados no artigo 26 do Código Civil reorganizar pela Irmandade como sociedade civil, como se a Igreja estivesse unida ao Estado. Se o Ministério Público organizar e reorganizar sociedades civis dentro da Igreja para lhe administrar os bens no regime de separação em que vivemos , seria o caso de perguntarmos como Cícero no Senado Romano a propósito dos absurdos de Catilina: &#8211; UBINAM GENTIUM SUMUS? QUAM REM PUBLICAM HABEMUS? – Em que País estamos e que república temos nós?<br />
            É sempre um ponto obscuro o da origem de Piracuruca, dessa cidade sertaneja, a mais linda que descansa como princesa ao lado do rio que lhe fertiliza a terra – berço de bravos e de homens ilustres. Foi nessa terra pequenina onde primeiro brilhou o clarão de independência, na célebre escaramuça à margem da lagoa do JACARÉ.<br />
            A 23 de dezembro de 1833 Piracuruca assistiu as solenidades de sua elevação à categoria de Vila, sendo um dos seus primeiros vereadores Pedro de Brito Passos, de quem se originou este vulto inconfundível que Piracuruca nunca esquecerá: Cel. Gervásio de Brito Passos. Só em 1889 foi Piracuruca elevada à categoria de Cidade por decreto do Governador Gregório Thaumaturgo de Azevedo.</p>
<div id="attachment_1067" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Sete-Cidades-12.JPG"><img class="size-medium wp-image-1067" title="Sete Cidades (12)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Sete-Cidades-12-300x225.jpg" alt="Foto: Gilmara Rabelo" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Gilmara Rabelo</p></div>
<p style="text-align: justify;">            Há ali, perto da cidade, uma verdadeira FORTALEZA BLINDADA, a que se convencionou chamar SETE CIDADES. Por ali têm passado engenheiros e curiosos e fazem belas descrições como lhes vem à imaginação. O certo é que naquele PREDREGEIRO habitou alguém – os índios não há dúvida – que procuravam melhorar o esconderijo, abrindo valas entre as pedras, e a isto chamamos corredores e salões, blindando pedras, alargando passagens, deixando enormes pedras quase suspensas e seguras pela mão de Deus. Hoje Piracuruca é uma bela cidade, como nem todo sertão brasileiro possui, pela sua planície, pelas suas ruas e praças em perfeita estética e asseio, e grandes melhoramentos realizados pela ação patriótica de seus filhos. É que ela nasceu do milagre de que foram objeto os portugueses Dantas Correia e sobre ela – a cidade princesa – paira o olhar protetor de Maria, a bondosa Virgem do Carmo. Não fora esta graça extraordinária concedida pela Virgem do Carmelo aos Irmãos Dantas, e estes não teriam construído aquele suntuoso templo e não se teria desenvolvido aquele esquecido povoado da fazenda “Sítio” desenvolvimento só devido à influência da Fé. A propósito dessa Igreja histórica há uma particularidade que convém pôr em relevo: é que Pereira da Costa em sua Cronologia Histórica diz, e Anísio Brito, filho de Piracuruca confirma, que essa Igreja tem 18 metros de largura. Quem nunca foi à Piracuruca, ficará fazendo uma idéia agigantada dessa Igreja com tamanha largura!! A verdade é que a Igreja não tem nem corredores, como em geral as Igrejas construídas por portugueses – a de Parnaíba, por exemplo. A de Piracuruca tem um vão só que não tem mais do que 12 (doze) metros de largura; a capela-mor é ladeada por duas grandes sacristias, cuja largura juntando-se à da capela-mor, dará os 18 de que falam os cronistas citados.<br />
            Quando se entra naquela Igreja e se contempla a sua arquitetura e a sua vetustez histórica – revê-se ali a cidade toda, como se do seu campanário estivessem os Irmãos Dantas redivivos a cantar as glórias de Maria e a proclamar dali que Piracuruca é a cidade do milagre. </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Aloísio de Lins, 1953</strong></p>
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		<title>Parnaíba</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 17:03:18 +0000</pubDate>
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            Parnahyba, rio majestoso e gigante, desfilando pelo coração do Brasil afora, apertado entre os Estados do Maranhão e Piauí, avança para se precipitar no Atlântico, e ao terminar  o seu percurso, estende um dos seus braços que toma o nome de Igaraçu, à cuja margem ergue-se a atual cidade de Parnaíba, que desfruta os foros de cidade leader do Piauí.
            Efetivamente, a bela cidade é o orgulho dos seus ilustres filhos que dispensam ao seu berço verdadeiro carinho, abrindo-lhe vastíssimo horizonte para o progresso.
            Nada escapa ao Parnahyba em ...]]></description>
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<div id="attachment_1044" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a><img class="size-medium wp-image-1044" title="Desfile cívico na Avenida Presidente Vargas" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Desfile-Cívico-na-Avenida-Presidente-Vargas-300x165.jpg" alt="Desfile cívico na Avenida Presidente Vargas" width="300" height="165" /></a><p class="wp-caption-text">Desfile cívico na Avenida Presidente Vargas</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Parnahyba, rio majestoso e gigante, desfilando pelo coração do Brasil afora, apertado entre os Estados do Maranhão e Piauí, avança para se precipitar no Atlântico, e ao terminar  o seu percurso, estende um dos seus braços que toma o nome de Igaraçu, à cuja margem ergue-se a atual cidade de Parnaíba, que desfruta os foros de cidade <em>leader</em> do Piauí.<br />
            Efetivamente, a bela cidade é o orgulho dos seus ilustres filhos que dispensam ao seu berço verdadeiro carinho, abrindo-lhe vastíssimo horizonte para o progresso.<br />
            Nada escapa ao Parnahyba em iniciativas que venham destacar, em todos os sentidos, entre os demais centros piauienses, aquele rincão de vida e prosperidade.<br />
            A Divina Providência, com a sua mão benfazeja, esculpiu e modulou aquele edifício suntuoso, cujos umbrais dão entrada a um povo nobre de grandes tradições.<br />
            Sou piauiense e é este o meu orgulho e por este motivo – àquele pedaço do meu Estado natal que recebe a brisa do mar ao farfalhar dos coqueiros, eu levo nestas frases a saudação do meu coração.<br />
            Terra de heróis e filhos ilustres, o seu nome tem vida na história pátria. Em quase todos os Estados do Brasil querido, há um parnaibano de renome. Osias Correia, Jonatas e Jonas Correia, Berilo Neves e muitos outros e o eminente Prefeito Dr. Mirócles Véras, que se multiplica, em um esforço dinâmico para tornar a sua terra grande.<br />
            Há na terra de Josias Correia, decano dos parnaibanos distintos, um <em>crescendo</em> de vida e progresso que atrai o viajante que por ali passa. Povo viajado pela Europa, culto e hospitaleiro, o parnaibano se distingue sobremodo pela delicadeza e atenção com que trata o seu hóspede.<br />
            O seu comércio no grosso e no retalho, é extraordinário, dando bem o característico da sua vida.<br />
            Em todos os setores do adiantamento, a cidade nortista, é, sem favor, o ponto culminante do progresso piauiense. A instrução pública, ali, com os seus educandários equiparados e o colégio de Nossa Senhora das Graças, são as três fontes onde a família parnaibana vai receber educação aprimorada para os seus filhos. Sob um céu azul, acalentada pela brisa que os mares bravios de Amarração, fazem correr pelas artérias da grande cidade, a família parnaibana, nobre distinta em todos os sentidos, é feliz.<br />
            Desviando deste assunto para o grandioso espetáculo de fé que se observa na gente parnaibana, o meu coração sente indescritível entusiasmo, ao me lembrar, daqueles dias em que lá estive, na grande festa de Janeiro deste ano!<br />
            Aquele movimento religioso profundo e sincero que vi, a piedade daquelas famílias que têm o seu coração preso ao altar de Deus, assim me fez falar. Que povo feliz! Então a minha consciência de sacerdote me respondeu: Sim, mas está ali a alma de tudo isto – o apostólico vigário de Parnaíba, Monsenhor Roberto Lopes, íntegro ministro de Deus que tem sabido imprimir na sua missão paroquial o verdadeiro espírito de fé no povo que, por Deus, lhe foi confiado.<br />
            Eu, ao pulsar do coração, remeto daqui ao bondoso povo parnaibano, a minha saudação. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: center">Campo Maior, 15 de julho de 1940<br />
<strong>Monsenhor Fernando Lopes</strong></p>
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		<title>Piripiri, terra de bons “Pic-Nics”&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2009 04:00:54 +0000</pubDate>
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            Corria o ano de 1931. Sabia-se, Piripiri, que havia sido nomeado para o cargo de Coletor estadual, o poeta João Ferri, folgazão e boêmio&#8230; Ia-se ter uma nova fase de agitação, no domínio das reuniões sociais. Com efeito. A princípio, desconhecido no meio que visitava pela primeira vez, João Ferri sentiu-se desambientado. Fez o carnaval sozinho&#8230; Perambulou altas horas da noite, fazendo serenatas pelas ruas silenciosas! Não dormia. Era incansável. Mas, cedo ainda, lá estava ele no seu posto de repartição, sem nenhum sinal de fadiga pelas noites mal ...]]></description>
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<div id="attachment_978" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Igreja-de-N.-S.-dos-Remédios-década-de-20.jpg"><img class="size-medium wp-image-978" title="Igreja de N. S. dos Remédios, década de 20" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Igreja-de-N.-S.-dos-Remédios-década-de-20-300x160.jpg" alt="Igreja de N. S. dos Remédios, década de 20" width="300" height="160" /></a><p class="wp-caption-text">Igreja de N. S. dos Remédios, década de 20</p></div>
<p style="text-align: justify;">            Corria o ano de 1931. Sabia-se, Piripiri, que havia sido nomeado para o cargo de Coletor estadual, o poeta João Ferri, folgazão e boêmio&#8230; Ia-se ter uma nova fase de agitação, no domínio das reuniões sociais. Com efeito. A princípio, desconhecido no meio que visitava pela primeira vez, João Ferri sentiu-se desambientado. Fez o carnaval sozinho&#8230; Perambulou altas horas da noite, fazendo serenatas pelas ruas silenciosas! Não dormia. Era incansável. Mas, cedo ainda, lá estava ele no seu posto de repartição, sem nenhum sinal de fadiga pelas noites mal passadas!&#8230;<br />
            Depois o Ferri ficou conhecido. Tornou-se mesmo célebre&#8230; Não só era estimado nas altas rodas sociais, como, principalmente, entre os pobres, a quem ele tratava com máxima solicitude. E era justo que fosse estimado. Conhecendo, palmo a palmo, os subúrbios da cidade, verificou a dificuldade com que os pobres se supriam da água, muito distante. Ideou e levou a efeito a construção de um poço que, se por uma singular ironia não tinha o precioso líquido durante a seca, transbordava, em compensação, na época invernosa&#8230; </p>
<p style="text-align: center;">*<br />
*   *</p>
<p style="text-align: justify;">            Foi durante a sua serventia em Piripiri que o Ferri, entre outras numerosas diversões, organizou um “pic-nic” no sítio “Fonte dos Matos”, às proximidades da cidade. Havia de tudo. Orquestra magnífica, rapazes animados e moças bonitas&#8230; E, para regalo dos gulosos, apetitosas galinhas, suculentas leitoas, tudo isso regado a bom vinho&#8230; Foi uma festança maravilhosa que se não teve o dom de abrasar o coração do Quincas, deixou, pelo menos, o Enoque com arraigadas idéias casamenteiras. As danças eram animadas até quase à noitinha.<br />
            Houve uma nota pitoresca no “pic-nic”. Foi a circulação do “O Xexéu”, órgão manuscrito e que ocupava toda uma folha de papel almaço. Estava tremendo&#8230; Nele colaboraram o Ferri, que escreveu o artigo de fundo, com muito espírito e o noticiário da festa; o Osíris, encarregou-se de uma seção de “cacos de vidros”, onde tosava a pele dos rapazes e o piramidal poeta Raimundo Honorato publicou sobre as “Múrturas Floridas” e “As Caixas de Aurora Serena” longa poesia que provocou sensação! No outro dia o jornal teve larga circulação em Piripiri, onde era disputado ao preço de $200, para cada leitor, importância que revertia em benefício do melancólico poço do Ferri&#8230; </p>
<p style="text-align: center;">*<br />
*   *</p>
<p style="text-align: justify;">            Sete anos decorridos, em 1938, assistimos outro “pic-nic” em Piripiri, este no “Garibaldi”, a aprazível residência que pertenceu ao Cel. Tomaz rebelo. Foi organizado pelo pessoal da Inspetoria federal de Obras Contra as Secas, e como os outros, decorreu em ambiente da maior cordialidade e animação.<br />
            Mas, fato curioso, como o “pic-nic” do sítio “Fonte dos Matos”, em 1931, o Quincas, fiel aos seus princípios celibatários, continuava sem abrasar o coração, enquanto o Enoque, sorridente e amável, punha em evidência as suas eternas idéias casamenteiras!&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Ítalo Seven, 1938</strong></p>
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		<title>Campo Maior</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Aug 2009 20:04:46 +0000</pubDate>
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            A noventa e seis quilômetros de nossa capital, rumo Norte, dentre a mata que se vai pouco a pouco escasseando, surgem lindos e extensos campos de “mimoso”. As árvores copadas até há pouco, aqui desapareceram; o ornamento dominante nas planícies intérminas, é a carnaúba.
            Eis a visão que se tem ao chegar a essa terra bendita e de que nos ocuparemos um pouco.
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<div id="attachment_922" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Centro-Operário-década-de-40.jpg"><img class="size-medium wp-image-922" title="Centro Operário (década de 40)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Centro-Operário-década-de-40-300x221.jpg" alt="Centro Operário (década de 40)" width="300" height="221" /></a><p class="wp-caption-text">Centro Operário (década de 40)</p></div>
<p style="text-align: justify;">            A noventa e seis quilômetros de nossa capital, rumo Norte, dentre a mata que se vai pouco a pouco escasseando, surgem lindos e extensos campos de “mimoso”. As árvores copadas até há pouco, aqui desapareceram; o ornamento dominante nas planícies intérminas, é a carnaúba.<br />
            Eis a visão que se tem ao chegar a essa terra bendita e de que nos ocuparemos um pouco.<br />
            Segundo historiadores, os primeiros sintomas de vida em Campo Maior, deu-se pelo século XVII, com o estabelecimento de fazendas de gado na “freguesia de Santo Antônio do Surubim”, como foi outrora dominada e, consequentemente, pouco a pouco, vieram surgindo aqui e ali, outras fazendas e casas. Tinha sido descoberto a Terra Prometida!<br />
            Passam-se os anos e no século seguinte foi criado o município de Campo Maior, e logo mais, elevada a freguesia, à categoria de vila, em 19 de junho de 1761, quando recebeu o atual nome “em virtude dos belos e extensos campos de mimosos que possui”.</p>
<div id="attachment_921" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Casa-Matriz-década-de-40.jpg"><img class="size-medium wp-image-921" title="Casa Matriz (década de 40)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Casa-Matriz-década-de-40-300x195.jpg" alt="Casa Matriz (década de 40)" width="300" height="195" /></a><p class="wp-caption-text">Casa Matriz (década de 40)</p></div>
<p style="text-align: justify;">            Em 1833 ficou a vila pertencendo a comarca de Parnaíba. Em 1836, porém,  separou-se desta até que foi elevada à categoria de cidade depois da Proclamação da República, elevação esta, devido ao seu “elevado grau de prosperidade”.<br />
            Campo Maior foi teatro, pela independência, de tremendo combate realizado em suas plagas.<br />
            Cabe salientar o valor de uma falange de heróis, abnegados brasileiros que se sacrificaram em defesa da pátria. Não sei que de melhor elogio  possa fazer-se dessa terra, que o de lembrar-lhe esses filhos mártires. Essa página de nossa história constitui em gestos eloquentes, o valor do homem piauiense.<br />
            Impossível é relatar nessa pequena crônica, o que foi aquele combate – o combate do Jenipapo.<br />
            Os seus filhos, cérebros superiores, perenes de liberdade, não ficaram isolados das idéias republicanas. Aí estão nas páginas da história, claros e precisos, o relato do ardor e da abnegação dos que almejavam ver quebrados  os grilhões da monarquia.<br />
            Houve participação de elementos campo-maiorenses, em outros movimentos, dando causa a pequenas escaramuças.</p>
<div id="attachment_920" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Cine-Teatro-Municipal-década-de-40.jpg"><img class="size-medium wp-image-920" title="Cine-Teatro Municipal (década de 40)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Cine-Teatro-Municipal-década-de-40-300x192.jpg" alt="Cine-Teatro Municipal (década de 40)" width="300" height="192" /></a><p class="wp-caption-text">Cine-Teatro Municipal (década de 40)</p></div>
<p style="text-align: justify;">            Afora isso, passado essa refrega, os seus filhos entregaram-se ao engrandecimento do município e da cidade. Assim é que  a criação do serviço de correio e, logo mais, a do telégrafo, havendo oportunidade de comunicações com outros centros, o que lhe trazia muitos benefícios.<br />
            Mas, que interessante contraste entre o Campo Maior de hoje ao descrito por Apolinário Monteiro, em 1922, por ocasião do centenário da Independência do Brasil! Quão diferente é aquela cidade da contemporânea, escoimada de diversas falhas de então!<br />
            A revolução de 1930, época das transformações radicais em diversas partes do país, foi o sopro vivificador que açulou os homens dessa gleba a um reerguimento de idéias e de fatos.<br />
            E assim foi.<br />
            Houve uma transformação benéfica para todos.<br />
            O viajante que por ali passar, já encantado com as lindas plagas que se estendem aos quatro ventos, ainda mais crescerá esse encanto, com o movimento que depara na cidade.</p>
<div id="attachment_918" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a><img class="size-medium wp-image-918" title="Edifício dos Correios e Telégrafos (década de 40)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Edifício-dos-Correios-e-Telégrafos-década-de-40-300x196.jpg" alt="Edifício dos Correios e Telégrafos (década de 40)" width="300" height="196" /></a><p class="wp-caption-text">Edifício dos Correios e Telégrafos (década de 40)</p></div>
<p style="text-align: justify;">            O município já construiu até agora: Grupo Escolar, Usina Elétrica, Correios e Telégrafos – recentemente construído pelo Governo Federal – prédios de repartições, praça Rui Barbosa, matadouro, ponte sobre o rio “Surubim”, e outros melhoramentos, e saberá também, dos projetos de calçamento das ruas e canalização d’água.<br />
            O comércio é feito em grande escala. Um dos fatores, é a quantidade enorme de caminhões e automóveis que por ali transitam, como centro de uma enorme rodovia.<br />
            De Teresina à Barras, via Campo Maior, há ótima carroçável, já vai bem adiantado o trecho rumo Piripiri.<br />
            Sobre a instrução diz Apolinário Monteiro em 1922: “É tão pobre e triste a história da instrução em Campo Maior quanto grande e louvável o desejo de, por meio dela, muitos dos seus filhos exibirem as suas aptidões já por outros comprovadas, para a cultura das letras, ciências e artes”.</p>
<div id="attachment_919" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Grupo-Escolar-Valdivino-Tito-década-de-40.jpg"><img class="size-medium wp-image-919" title="Grupo Escolar Valdivino Tito (década de 40)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Grupo-Escolar-Valdivino-Tito-década-de-40-300x126.jpg" alt="Grupo Escolar Valdivino Tito (década de 40)" width="300" height="126" /></a><p class="wp-caption-text">Grupo Escolar Valdivino Tito (década de 40)</p></div>
<p style="text-align: justify;">            Nos dias atuais, já não podemos dizer o mesmo. Se bem que haja muito a desejar sobre esse mister, contamos em Campo Maior: Grupo Escolar “Valdivino Tito” com a matrícula bastante elevada; Escola “Maria Auxiliadora”, particular, que goza porém, da estima de todos, contando também, elevado número de freqüentadores; “Instituto Leopoldo Pachêco”, fundado há pouco, que vai entretanto, espalhando os benéficos resultados da instrução à mocidade que não pode se locomover a outros centros; Escola Noturna Municipal e outras, menores e particulares.<br />
            A matrícula geral do município, de acordo com os dados oficiais, foi o ano passado, de 907 alunos assim distribuídos: Estadual 575 alunos, Municipal 198 e particulares 1347.<br />
            Necessitamos de mais estabelecimentos, mas, o realizado, é alguma cousa de animador.<br />
            O município é muito rico. Além de outros produtos, é grande o movimento da cera de carnaúba, que lhe granjeia ótima renda.<br />
            De acordo com o relatório apresentado pelo Interventor Federal ao Presidente da República, teve, Campo Maior, o ano transato, uma receita arrecadada, de RS. 679:452$300, com uma diferença a mais de RS. 326:616$500 sobre o ano anterior.<br />
            Não sei de melhor índice que demonstre o progresso, cada vez maior, dessa grande terra.<br />
            Os números falam&#8230; </p>
<p style="text-align: center;">*<br />
*   * </p>
<p style="text-align: justify;">            Eis em poucas linhas, singelas, mesmo, algo sobre Campo Maior, de onde – como me ufano disso! – sou um de seus filhos, humilde é verdade.<br />
            Campo Maior! A natureza te dotou com os predicado mais cabíveis a uma mansão.<br />
            É a tua terra que isso representa pelas belezas naturais que possuis e por esse solo  estuante de fartura, dadivoso e bom!<br />
            É o teu nome que os teus filhos nunca mancharam; aí está perene o feito de Batalhão.<br />
            É tudo isso, meu Campo Maior, que te faz grande e te faz forte. Estou certo, teu nome balançará em breve no pavilhão da glória erguido pelo braço dos teus filhos, para engrandecimento desse nosso Estado, para engrandecimento desse nosso Brasil! </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Helvécio Furtado, 1941</strong></p>
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		<title>“Cidade de Meus Sonhos”</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 17:39:12 +0000</pubDate>
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<div id="attachment_881" class="wp-caption alignleft" style="width: 224px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Ademar-Neves.jpg"><img class="size-medium wp-image-881" title="Ademar Neves" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Ademar-Neves-214x300.jpg" alt="Ademar Neves" width="214" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Ademar Neves</p></div>
<p style="text-align: justify;">            Minha querida terra Natal! Humberto, o grande Humberto, cantou em seus livros a tua formosura singela e o teu esplendor&#8230; A tua formosura e o teu esplendor como terra pobre, abandonada pelo destino, sem felicidade e sem brinquedos, sem encantos e sem magias, sem riqueza e sem glórias&#8230; Humberto, se ainda vivesse desconhecer-te-ia&#8230; Mudaste muito! Progrediste assustadoramente! Alcançaste um pedestal soberbo que para os pessimistas, só poderia galgar em séculos&#8230; Mas o valor de teus filhos, os esforços prodigiosos de ricos e pobres, que, irmanados no bem comum de te servirem e servirem também ao Brasil, fizeram-se soberana e altiva&#8230; O teu esplendor antigo era moral&#8230; Agora te agigantas em todos os setores de atividade humana. Oxalá a tua grandeza não seja como a de Babilônia, que, depois de se tornar a maior cidade da Ásia, ruiu vertiginosamente como crescera&#8230;<br />
            Humberto morreu, mas seu cajueiro ainda vive e é o orgulho e a maior relíquia da cidade de Parnaíba.<br />
            Homens como Humberto, que se imortaliza através da pena, jamais desaparecerão da história de um povo, principalmente como o povo piauiense, que ama aqueles que trabalham pelo seu estado e pela nossa Pátria.<br />
            Parnaíba, Humberto de Campos morreu, mas o teu filho Berilo Neves aí está para cantar tua glória atual. O primeiro cantou a Parnaíba que foste: cidade pequena, triste e feia&#8230; Cabe agora ao segundo cantar a Parnaíba que és: cidade alegre e bonita&#8230;<br />
            A “Cidade de Meus Sonhos”, como cognominou a nossa terra, um brilhante locutor paraense, é uma cidade que nos inspira e nos faz sonhar coisas maravilhosas&#8230; Suas ruas limpas, os seus jardins floridos, onde os namorados vão gozar os últimos instantes da tarde que finda, nos apresenta um espetáculo de rara beleza&#8230;<br />
            Também nesses jardins, as crianças vão brincar ao voltar da escola, para gozar o frescor da tarde, apreciando ao mesmo tempo a passarinhada que passa em revoada pelo céu muito azul gorjeando&#8230; Vão-se os pássaros e a cidade principia a amadurecer para só despertar completamente no dia seguinte às 6 horas da manhã. A esta hora as ruas começaram a se movimentar dando a idéia de um pequeno exército em marcha&#8230; São estudantes que se dirigem para suas escolas, operários que vão para a as fábricas, homem e rapazes que se destinam aos escritórios e casas comerciais. Pobres e ricos irmanados na qualidade primordial de nordestino: o espírito madrugador. É possível seja esta qualidade que concorra para se ver estampado em todos os semblantes, o riso natural e franco do povo de minha terra. Além disso o nordestino ama o trabalho. Nasceu para trabalhar e lutar, e sem luta para ele não há vida!<br />
            A instrução em Parnaíba é sólida. Os professores são esforçados e felizmente vêem seus esforços recompensados pelo aproveitamento de seus discípulos. O Ginásio Parnaibano tem conferido bacharelado em letras a rapazes que são verdadeiros talentos.<br />
            Todo piauiense tem uma grande preocupação: trabalhar pela construção do porto marítimo do nosso Estado, que há dezenas de anos vimos pedindo ao Governo Federal&#8230;<br />
            Sem um porto marítimo, o Piauí nunca poderá desenvolver-se; o porto de Luiz Correia, é uma necessidade que deve ser reconhecida pelo poder Central da nação, de quem todos os piauienses esperam o auxílio, já que não temos recursos para construir a nossa própria custa&#8230; Se o Governo Federal auxiliar o Piauí na construção do seu porto, terá resolvido um dos magnos problemas nacionais.<br />
            Quisera eu Parnaíba, possuir a milésima parte do talento do genial Humberto de Campos, que não cessaria de cantar todas as tuas glórias, e tua beleza, e teu progresso, e batalhava pela realização do nosso sonho, isto é, pela construção do nosso porto  afim de que meu amado Piauí figurasse entre os Estados mais ricos da Nação. Piauí, continua sonhando com o teu porto, que um dia ao despertares deste sono que não será profundo, verás erguido o teu porto do mar a custa do suor de teus próprios filhos&#8230; Dorme Piauí, descansa embalado pelas águas do famoso Parnaíba. </p>
<p align="center"><strong>Ademar José Neves, 1941</strong></p>
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