Poéticas
PROSAS, Poéticas »
Lobo solitário
e maldito das estepes
nas quais nunca estive,
açoitado pelos estiletes do vento e do frio,
uivando para a Lua
que jamais verei porque
para não a ver
meus próprios olhos ceguei.
Cão danado
cão condenado
por si mesmo
a uma eternidade
de trabalho forçado.
Judeu errante
e sem remissão
– por sobre desertos de areia e de gelo –
fugindo sempre
de si mesmo.
Poeta maldito
até a infinita geração.
Cosmopolita proscrito
das fronteiras do
tudo e do nada.
Prometeu acorrentado
dilacerado pelas aves
agourentas e de rapinas
que saíram de seu cérebro
– caldeirão vulcânico
em contínua erupção –
a vomitar monstros e fantasmas
de milhares de membros e cabeças.
Elmar Carvalho
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E no meu mundo sonhar ainda era possível.
Como que para fugir da realidade
Fechava os olhos e me lançava no abismo do desconhecido.
Canções embalam meus pensamentos
E fervem minhas idéias,
Cada vez mais paranóico,
Sempre perdendo um pouco do meu lado bom,
Conservando o meu espírito aventureiro,
Sem esquecer de matar vontades e saciar minha sede de sangue novo.
Fora do real ninguém pode me ferir,
Nada me atinge e continuo forte,
Sonhos nada comuns,
Mortes reais,
Eu com sorte de sobra
E azar para os vampiros sentimentais,
Sugue o meu mal,
Sintam meu ódio
E morram envenenados com meu sangue podre.
Sonho para fugir,
Acordo forte …
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Corpo
Teus olhos…
Mar eternizado.
Liquidez e amor.
Líquido também é meu corpo,
Naufragando em teu olhar.
Viajo nos contornos da tua boca,
Descobrindo caminhos,
Quando meu corpo é estrada trilhada
Pelos teus beijos.
Despenteio sonhos
Na fulvez dos teus cabelos;
Floresta de sóis.
Girassol é meu corpo
Guiado por teu crepúsculo.
Esculpo desejos no teu corpo,
Erigido como efígie na minha carne.
Tuas mãos voam
No infinito da minha pele:
Vento cariciado
Nas noites de luar.
Meu corpo adormece
Em teus passos de luz,
Teu corpo traduz versos nus
Absorvendo palavras em meu corpo
Versejado por tua alma.
Maristela Souza
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O passado está preso
À maçaneta da minha porta.
Como carro de som volante,
Azucrina os meus ouvidos
Com informações
Das minhas ações de outrora.
Sem me perturbar,
Escrevo em frases garrafais,
Que meu saber está intacto,
Que ganhei mais sabedoria.
Em som audível e harmonioso,
Ouço aplausos vindos de muitos chãos.
A um metro de distância
Vejo a insígnia dourada
Pela esperteza da minha vontade.
Ao lado, o prêmio lapidado
Na fornalha da minha sinceridade.
Sobre a mesa do escritório,
O troféu radiando certeza
Da minha disposição em servir.
No guarda-roupa,
Cintilando em vivo azul,
O manto dá sinal de vitória
Pelos tantos momentos
Em que me multipliquei
Em páginas gloriosas.
No entanto,
O salário minguado …
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Foto: Paul Knight/LOOP IMAGES/Loop Images/Corbis
Doce poema me legara.
Bastaram-me suaves beijos, para que em formas e em versos sentidos,
toda aquela essência fosse traduzida.
Romântica poesia, poucos sabem, não nasce solitária…
poesia é sentimento provocado por outrem,
é o cerne da forma dada pelo poeta.
Quando em quentes lábios deleitou-se o poeta…
Quentes como o sopro ardente do verão…
tais como brisas fecundas, cheias de vida a permear a Terra…
Assim sentira-se o artífice das essências,
fecundo!
A forma ele dera em linhas de inegável valor…
Eis que se revela então, a beleza da poesia:
Mesmo sem ter sentido jamais doce beijo de …


