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	<title>Piagui - Culturalista &#187; PROSAS</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>A Dádiva do Livro</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 01:59:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
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Após encerrar umas leituras “sérias”, que vinha fazendo há algum tempo, iniciei a leitura do romance A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón. É um livro sobre livros, sobre a sedução de leituras e livrarias. Logo numa das primeiras páginas, deparo-me com estas frases: “Ele amava os livros sem reservas e, embora negasse categoricamente, se alguém entrasse na livraria e se apaixonasse por um exemplar cujo preço não pudesse custear, o rebaixava até onde fosse necessário, ou inclusive o presenteava, se considerasse que o comprador era um leitor com ...]]></description>
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<div id="attachment_4258" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img class="size-medium wp-image-4258" title="42-19710257" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/42-19710257-200x300.jpg" alt="Foto: Tomas Rodriguez" width="200" height="300" /><p class="wp-caption-text">Foto: Tomas Rodriguez</p></div>
<p style="text-align: justify;">Após encerrar umas leituras “sérias”, que vinha fazendo há algum tempo, iniciei a leitura do romance A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón. É um livro sobre livros, sobre a sedução de leituras e livrarias. Logo numa das primeiras páginas, deparo-me com estas frases: “Ele amava os livros sem reservas e, embora negasse categoricamente, se alguém entrasse na livraria e se apaixonasse por um exemplar cujo preço não pudesse custear, o rebaixava até onde fosse necessário, ou inclusive o presenteava, se considerasse que o comprador era um leitor com tradição e não uma mariposa amadora”. A citação me fez recordar um episódio do início de meus anos parnaibanos. Suponho que o fato aconteceu em 1977/1978, quando eu iniciava o meu curso de Administração de Empresas. Fui até uma pequena representação da extint a Fundação Nacional de Material Escolar &#8211; FENAME, ligada ao Ministério da Educação e Cultura, que publicava material didático ou paradidático, como livros e atlas. Entrei na pequena loja, situada no centro histórico e comercial de Parnaíba, e comecei a olhar atenta e vagarosamente as publicações, até que decidi comprar determinado volume. Quando fui pagar, o responsável pela livraria, um homem franzino como Dom Quixote, disse que me daria o livro. Expliquei-lhe que não era apenas estudante, mas que trabalhava e poderia pagá-lo. Mas o dono do negócio insistiu em me oferecer o exemplar, perguntando: “Será se eu não posso lhe dar um livro?”. Acredito que ele soubesse que eu, ainda bem jovem, fosse um poeta, universitário, que andava publicando seus textos nos jornais Folha do Litoral, Norte do Piauí e Inovação, e quis distinguir-me com um gesto que fosse sinal de seu apreço. Sem dúvida percebeu que eu “era um leitor com tradição e não uma marip o sa amadora”. Esse fato teve um valor simbólico para mim muito grande, tanto que passadas várias décadas nunca o esqueci, assim como não esqueci nem a imagem nem o nome do livreiro, de quem nada mais sei. Nem mesmo sei se ele amava tanto os livros como Gustavo Barceló, o livreiro de A Sombra do Vento, ao qual se refere o trecho citado, que ademais era rico e tinha a livraria apenas por paixão. Chamava-se Ulisses, como as personagens de Joyce e de Homero. Com efeito, só poderia ser mesmo uma figura extraída das páginas de uma obra de ficção. Afinal, qual o comerciante que, em lugar de vender, entregaria dadivosamente o seu produto a alguém que sequer o conhecia? Ulisses, seguindo o impulso de sua bondade e de seu coração, assim o fez. E o seu gesto tão simples, mas tão cheio de significado e simbolismo, eternizou-se em minha alma.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elmar Carvalho</strong></p>
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		<title>Só mais um velho perdido na quimera (Parte II)</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 02:45:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Só mais um velho perdido na quimera (Parte II)]]></category>

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As vaidades de um ex-palhaço-professor
 
            Sou um velho vaidoso, nunca neguei isso para ninguém, aliás, quem de longe me vê tem esta mesma constatação: A forma com que falo e gesticulo, com olhar sempre altivo, contrastando com minha tez amorenada e cabelos brancos, muito brancos, e escassos, muito escassos&#8230;, tudo, tudo corrobora para o meu aspecto às vezes tosco, às vezes doente, às vezes asilado – ora, pouco me importo com o que pensam de mim, além de mim mesmo, é claro. O meu eu e o meu mim estão ...]]></description>
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<p align="center"><strong><em></em></strong></p>
<div id="attachment_4235" class="wp-caption alignleft" style="width: 229px"><img class="size-medium wp-image-4235" title="O-029-0316" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/O-029-0316-219x300.jpg" alt="Foto: Marvy" width="219" height="300" /><p class="wp-caption-text">Foto: Marvy</p></div>
<p align="center">As vaidades de um ex-palhaço-professor</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">            Sou um velho vaidoso, nunca neguei isso para ninguém, aliás, quem de longe me vê tem esta mesma constatação: A forma com que falo e gesticulo, com olhar sempre altivo, contrastando com minha tez amorenada e cabelos brancos, muito brancos, e escassos, muito escassos&#8230;, tudo, tudo corrobora para o meu aspecto às vezes tosco, às vezes doente, às vezes asilado – ora, pouco me importo com o que pensam de mim, além de mim mesmo, é claro. O meu eu e o meu mim estão em eterno confronto, um querendo ser mais do que o outro. Pode?! Sou a antítese transmutada em gente! Sou vaidoso, pronto&#8230; E ponto final! Disse e está dito! Para os que não sabem, finjo ter medo de falar e jogo pó de arroz no que não sei. Faço aquilo que simplesmente me “dá na telha”, e se rasgo dinheiro ou o enterro em algum terreno alagadiço, acreditando florescer uma pirâmide só para mim, o problema é todinho meu, a loucura é todinha minha! Ora, a vaidade&#8230; Façam-me o favor&#8230; A vaidade é para os que a tem e não negam (como eu), uma virtude. Como todo bom virtuoso sabe exprimir, ou melhor, exibir os seus troféus, eis por que hoje os faço através de letras. A minha vaidade nunca me entorpeceu ao ponto de eu não enxergar as minhas incapacidades, e se há um elemento estranho que nesta vida possui vaidade daquilo que não possui, este elemento, me creiam, sou eu – em minhas veias não corre sangue, mas o leite santificado do altruísmo.<br />
            &#8211; Eita “baxim invocado” – brincavam os meus amigos de outras partes da nação, e que ali residiam também. Ora, eu nunca me envergonhei da minha estatura, muito menos da minha origem, afinal de contas, a maioria do povo que ali estava vinha das regiões mais pobres do país. Melhor: Foram os nordestinos que construíram aquele pedacinho de mundo. Era-me um orgulho, portanto, ser mais um deles, e melhor: Um dos que mais se “destacava” no “meio artístico”. Aquela capital era minha, mais do que de qualquer outro cidadão brasileiro que não do nordeste.<br />
            Conheci uma professora e ela, com o tempo, aprendeu, por força da convivência, e da minha insistência, ou, antes, lavagem cerebral, a enxergar meus dotes de artista. Não tardou constituirmos família: Tivemos dois filhos, uma menina e um rapaz. Com meus filhos crescendo e cada um rumando nas universidades, comecei a nutrir um sentimento contraditório: Por um lado, eu me orgulhava deles alcançarem o que nunca alcancei, por outro, eu não me perdoava de, por falta de estudo, ficar atrás; não me entrava na mente saber que aqueles a quem dei criação estariam por me superar, em breve eu perderia o respeito e eles descobririam que eu nada mais fui, a vida toda, do que uma grande farsa. Resolvi, então, estudar, e mais uma vez senti-me gente, privilegiado. Tratei de me matricular em uma universidade particular, porque particular, tendo dinheiro, se entra. Pronto, eu seria em breve um jornalista, porque jornalista é jornalista; é respeitado, é visto como intelectual; como homem de letras, ora todo bom homem de letras é sábio, é lídimo e competente. Já que eu pagava uma universidade para a minha filha, e já conhecia os donos do prédio, por que não estudar lá também?, assim pensei, e assim comecei minha carreira superior! Isso mesmo, SUPERIOR. Superior eu seria com o curso.<br />
            Na universidade, lembro como se fosse hoje, eu era o centro das atenções. Entre jovens, eu, o velho, arrancava a gargalhada de todos, afinal, a senectude tem um lado infantil que quando praticado na flor murcha da idade é sinônimo de palhaçada! Apesar do falso moralismo que eu defendia dentro de casa, fora, eu me transcendia em algazarra, chegando, inclusive, a vestir tanto a carapuça de palhaço que, como palhaço, certa vez, quis revolucionar: Adentrei uma sala de aula – cara pintada, peruca e vestido de cetim. Na ocasião, não lembro bem se eu estava estagiando como professor ou se eu estava ministrando um mini-curso, mas isso não importa. Os que me viam ficavam estáticos, entre a percepção se diante deles estava um louco ou um personagem da vida real frustrado pelas incertezas e ineficiências. Nem sei por que me vesti e fui para lá daquela maneira, lembro-me, porém, que tomado por um surto, tão próximo da esquizofrenia, enxerguei naquilo um ar filosófico, mas quando me dei por si, a besteira já tinha sido feita e a minha imagem já estava distorcida; acabei mesmo como um velho perdido na quimera, ou um insano qualquer, que deva ter fugido de um hospício.<br />
            Tudo isso não me abalou. Continuei com a mesma força, acreditando nas minhas venturas. Aquela experiência, infelizmente, não me fez um palhaço-professor, mas um professor-palhaço, e por isso perdi o respeito e acabei tendo de abandonar a minha primeira turma, da minha primeira experiência como docente. A vida tem dessas coisas, e nós temos sempre que aprender que em paliteiro alfinete não tem vez.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>J. Montenegro</strong></p>
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		<title>Ésquilo e socos</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 14:36:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Ésquilo e socos]]></category>

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		<description><![CDATA[

               Há meses já que uma nossa professora do curso de Direito trabalha conosco, fora das aulas, como atividade complementar à carga horária, a leitura e a explanação da tragédia grega. Em Ésquilo estão tratados brilhantemente diversos pontos da doutrina jurídica. A mestra, amante das artes, quer que, pelo Direito, tenhamos contato com a alta Literatura.
               Eu, no entanto, com pouco talento para as Leis e curiosíssimo quanto às Letras, tenho frequentado tais reuniões não por Têmis, e sim unicamente pelas Musas. Vou lá para ver Clitemnestra tramar a morte ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<div id="attachment_4230" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Orestes-sendo-perseguido-pelas-Fúrias-William-Adolphe-Bouguereau.jpg"><img class="size-medium wp-image-4230" title="Orestes sendo perseguido pelas Fúrias (William Adolphe Bouguereau)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Orestes-sendo-perseguido-pelas-Fúrias-William-Adolphe-Bouguereau-300x264.jpg" alt="Orestes sendo perseguido pelas Fúrias (William Adolphe Bouguereau)" width="300" height="264" /></a><p class="wp-caption-text">Orestes sendo perseguido pelas Fúrias (William Adolphe Bouguereau)</p></div>
<p style="text-align: justify;">               Há meses já que uma nossa professora do curso de Direito trabalha conosco, fora das aulas, como atividade complementar à carga horária, a leitura e a explanação da tragédia grega. Em Ésquilo estão tratados brilhantemente diversos pontos da doutrina jurídica. A mestra, amante das artes, quer que, pelo Direito, tenhamos contato com a alta Literatura.<br />
               Eu, no entanto, com pouco talento para as Leis e curiosíssimo quanto às Letras, tenho frequentado tais reuniões não por Têmis, e sim unicamente pelas Musas. Vou lá para ver Clitemnestra tramar a morte de Agamêmnon, seu marido, assassiná-lo, confessar e defender-se lembrando a maldição que cerca os filhos de Atreu.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">“Ousais então dizer que este feito<br />
somente a mim se há de atribuir?<br />
Não deveis mesmo acreditar que eu seja<br />
a esposa de Agamêmnon; sob a forma<br />
da companheira deste homem morto<br />
foi na verdade o gênio vingador<br />
acerbo e antiquíssimo de Atreu,<br />
do anfitrião cruel, que se quitou<br />
do sacrifício ímpio de crianças<br />
ao imolar agora este guerreiro”. </p>
<p style="text-align: justify;">                Eis a <em>Oréstia</em>, trilogia de Ésquilo. Aí está a sina dos filhos de Atreu, homem nefando, ímpio assassino de crianças, que condenou a própria semente à desgraça. Aí está Agamêmnon a ser apunhalado pela esposa; e seu filho Orestes a assassinar a própria mãe, condenando-se à perseguição das Fúrias vingadoras do crime consanguíneo. E por fim vê-se aí a sábia deusa Atena a instituir o justo tribunal, que absolve Orestes, e pelo qual passariam os criminosos dali em diante.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">“ATENA</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Prestai toda a atenção ao que eu instauro aqui,<br />
atenienses, convocados por mim mesma<br />
para julgar pela primeira vez um homem<br />
autor de um crime em que foi derramado sangue.<br />
A partir deste dia e para todo o sempre<br />
o povo que já teve como rei Egeu<br />
terá a incumbência de manter intactas<br />
as normas adotadas neste tribunal<br />
.   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .<br />
Sobre esta elevação digo que a Reverência<br />
e o Temor, seu irmão, seja durante o dia,<br />
seja de noite evitarão que os cidadãos<br />
cometam crimes, a não ser que eles prefiram<br />
aniquilar as leis feitas para seu bem”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>.<br />
</strong><strong>.  .</strong></p>
<p style="text-align: justify;">               Por estes dias, a turma discutia uma possível mudança nos horários das aulas. E era esse o assunto em uma das rodas de conversa formadas nos intervalos entre uma aula e outra e à qual me uni.<br />
                – Pra que mexer no horário todinho só por causa de uma coisinha dessas? – dizia um dos meus amigos aludindo ao motivo caprichoso da mudança. – E ainda se vai prejudicar a reunião do grupo de estudo da tragédia!<br />
              Então, um dos nossos colegas, com desdém, exaltou-se e disse:<br />
               – Meu amigo, pra que a gente vai estudar <em>obrinha</em> láaa&#8230; – e apontou para o vazio, como a indicar a direção do lugar, que não sabia e que, no seu desprezo e ignorância, pouco se importava em saber. – A gente tem que estudar é pra concurso&#8230; – sentenciou com a maior convicção do mundo.<br />
              Um dos da roda, participante ativo dos tais estudos, fitou-o como se lhe fosse dar um soco. Respirou uns dois segundos e respondeu ao homem jovem que acabara de cuspir no rosto de um intelectual anterior a Cristo.<br />
              – Cada um tem seu objetivo quando estuda. Se o seu é passar em concursos – e o olhar fuzilante dizia, por trás da voz calma, “animal, ignorante, besta decoradora de assuntos!” – problema seu!&#8230;<br />
              Eu não reprovaria o nosso colega, e creio que nenhum do círculo o faria, se ele tivesse ido às vias de fato e dado uns bons sopapos no profanador do poeta milenar em cuja obra estão ideias sobre as quais se assentam bases da nossa civilização. Nosso amigo seria absolvido pelo soco providencial. </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;"><em>Ousais então dizer que este feito<br />
</em><em>somente a mim se há de atribuir?<br />
</em><em>Não deveis mesmo acreditar que eu seja<br />
</em><em>seu colega de turma; sob a forma<br />
</em><em>de condiscípulo deste homem tolo<br />
</em><em>foi na verdade o gênio vingador<br />
</em><em>acerbo e antiquíssimo de Ésquilo,<br />
</em><em>do poeta genial, que se quitou<br />
</em><em>do sacrilégio ímpio a sua obra<br />
</em><em>ao cair de porradas neste bruto.</em></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Filipe Cavalcante</strong></p>
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		<title>Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar, um cidadão do mundo!</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 15:33:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar]]></category>
		<category><![CDATA[um cidadão do mundo!]]></category>

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           Era uma manhã incomum, quando acordei. De pronto, uma sensação estranha de recordações e alegrias. Tudo refletido no despontar do sol à linha do horizonte. As nuvens não pareciam tão vazias e o céu ainda relutava em manter afixado um punhado de estrelas. Sentado, observando todo aquele dilema da natureza, eu me lembrava de meu velho e querido pai, e da forma com que ele, tão diletamente, conduzia os seus sonhos e as suas crenças no amanhã&#8230; E quantas lições eu levo na vida, vindas dele? São tantas&#8230; Ele ...]]></description>
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<div id="attachment_4159" class="wp-caption alignleft" style="width: 208px"><img class="size-medium wp-image-4159" title="Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Olavo-Ivanhoé-de-Brito-Bacellar-198x300.jpg" alt="Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar" width="198" height="300" /><p class="wp-caption-text">Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar</p></div>
<p style="text-align: justify;">           Era uma manhã incomum, quando acordei. De pronto, uma sensação estranha de recordações e alegrias. Tudo refletido no despontar do sol à linha do horizonte. As nuvens não pareciam tão vazias e o céu ainda relutava em manter afixado um punhado de estrelas. Sentado, observando todo aquele dilema da natureza, eu me lembrava de meu velho e querido pai, e da forma com que ele, tão diletamente, conduzia os seus sonhos e as suas crenças no amanhã&#8230; E quantas lições eu levo na vida, vindas dele? São tantas&#8230; Ele tinha a sua sapiência, e a forma própria de se expressar. Celebrizando a vida como ninguém, estava, ao lado dele, outra grande figura, que quase todas as manhãs, como esta que relato, quando adentrava os portões da prefeitura (anos de 1993-1996, ocasião em que eu ocupava o cargo de Secretário-Chefe de Gabinete da primeira gestão do prefeito Dr. José Hamilton) , dirigia-se a mim com uma seriedade singular, quase paternal, e uma firmeza de causar inveja, própria de quem domina o conteúdo de que expressa, impondo a ele um ritmo de envolvimento. Este homem atendia pelo nome de Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar, ou simplesmente “Dr. Olavo” – mesmo tendo privado de sua amizade, era esta a forma de respeito que sempre o tratei. Hoje, lembrando de sua figura, numa manhã incomum, como eu disse, sou tomado de assalto quando elejo a sua pessoa como uma das mais insignes personalidades que conheci em vida, e da qual não só levo como expressão de existência como também exemplo de dignidade e lucidez.<br />
            Mais do que um assessor especial de uma prefeitura, Olavo era um sábio que conduzia a todos que lhe davam ouvido, a sua sapiência era universal. Sem exageros, Dr. Olavo era mesmo um conhecedor profundo do mundo e da cultura científica, e só hoje, em posse de seu currículo pessoal, ofertado pelo, não menos gabaritado, irmão, Renato de Araribóia de Brito Bacellar, Procurador Geral do Município, é que chego, mais uma vez, à reflexão de que, mesmo tendo já partido, prematuramente, a mais de oito anos (vítima do violento trânsito, em Teresina – 14 de abril de 2001), seu histórico de vida ainda me arrebata surpresas.<br />
            Filho de uma das mais representativas figuras parnaibanas, Raul Bacellar (saudoso e grande farmacêutico), Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar nasceu na cidade de Parnaíba em uma data especial, Natal. Natal de 1948. Teve formação universitária privilegiada, já que novo pôde rumar para o exterior (França) e se inteirar dos surtos artísticos e ideológicos que as metrópoles do primeiro mundo viviam. Na Universidade de Paris, formou-se em Ciências Econômicas e graduou-se em Ciências Políticas. No Canadá, Universidade de Montreal, especializou-se em Demografia. E não mais parou por aí. Viajou parte do mundo participando de quase 50 conferências e congressos de sua área, foi, então, aos Estados Unidos, França e tornou-se célebre no Brasil. Diplomou-se, também, em Letras e Civilização Francesa, Tradutor Francês-Espanhol e Gramática e Pronunciação Francesa. Era, ele, ao pé da letra, um cidadão do mundo. Um orgulho para a Parnaíba até os dias de hoje.<br />
            Seus trabalhos e conferências, relacionadas à agricultura, indústria, pecuária, economia e outras tantas, se espalharam por todo o País, tendo sido apresentadas e discutidas, inclusive, no Canadá. Como professor, foi uma das mais relevantes autoridades no campo da ciência econômica, tendo lecionado com maestria na Universidade Federal do Piauí e na Université de Montreal, Canadá. Com tanto peso, e tanta força de vida, inteligência e humildade, eu só tenho mesmo que agradecer por ter o conhecido em vida, pois cometas como Olavo, apesar de passarem ligeiros sobre a Terra, deixam plantadas as sementes mais profundas da civilização, do progresso e da sabedoria. Olavo, companheiro, onde quer que tu estejas, aceite os meus sinceros agradecimentos&#8230;</p>
<p align="center"><strong>Arlindo Leão</strong></p>
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		<title>Quero só uma oportunidade</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Jun 2010 03:11:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wiltonporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Poéticas]]></category>
		<category><![CDATA[O amor a gente não escolhe]]></category>

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Às vezes fico pensando: quantas chances já tive! Amores que desperdicei! Beijos que não roubei! Frases que não disse. Pergunto-me: por quê? Por que fiz isso tudo? Será que eu não tenho coração? Será que eu não sei amar? Quero só uma oportunidade para não desperdiçar! Um momento favorável para que eu possa ser feliz! Que eu realmente consiga amar uma pessoa como qualquer outro ser vivo! Desfrutar de todos os sentimentos que uma pessoa apaixonada possa sentir! Ver realizações, quando estiver junto de alguém. Fazê-la sorrir por estar junto ...]]></description>
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<div id="attachment_4147" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-4147" title="42-24106947" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/42-24106947-300x200.jpg" alt="Foto: Monalyn Gracia/Corbis" width="300" height="200" /><p class="wp-caption-text">Foto: Monalyn Gracia/Corbis</p></div>
<p style="text-align: justify">Às vezes fico pensando: quantas chances já tive! Amores que desperdicei! Beijos que não roubei! Frases que não disse. Pergunto-me: por quê? Por que fiz isso tudo? Será que eu não tenho coração? Será que eu não sei amar? Quero só uma oportunidade para não desperdiçar! Um momento favorável para que eu possa ser feliz! Que eu realmente consiga amar uma pessoa como qualquer outro ser vivo! Desfrutar de todos os sentimentos que uma pessoa apaixonada possa sentir! Ver realizações, quando estiver junto de alguém. Fazê-la sorrir por estar junto a mim! Ser capaz de chorar, quando for preciso! Elevar-me em capacidade de não guardar ódio em meu coração. Todos temos um coração. Nascemos para dividir os sentimentos. Para que isso ocorra, precisamos nos abrir. Deixar acontecer. O amor, a gente não escolhe, surge quando menos esperamos. De uma simples amizade, até. Mas o meu medo é justamente este: estar amando a pessoa amada (de verdade) e esse alguém chegar um dia pra mim e me dizer: “Não o quero mais!” Não suportaria essa dor; é a pior das revelações. Minha vida não seria a mesma. Aquele aperto no peito; aquela falta de ar, quando menos esperasse. Como meu vicio, eu seria dependente dos seus sonhos e desejos. Quando penso nisso, prefiro continuar sozinho, a vagar pelo mundo com uma companhia que possa me fazer sofrer. </p>
<p style="text-align: center"><strong>Hellry Robert Oliveira Souza</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>COMENTÁRIO</strong><strong> </strong> </p>
<p style="text-align: justify">            Já comentei uma poesia do Hellry Robert e agora o faço de novo nesta prosa poética. Mais uma vez, ele vem com aquela carga de emoção, em que o amor – vida de nossa vida – martela-lhe no peito, porém ainda alimentado por uma grande amargura, como se a dizer: “Isto continua não sendo amor, o amor verdadeiro traz alegrias, está recheado de reciprocidade e em vez de sofrimentos, oferece satisfação”. É que muitos confundem paixão com amor.<br />
            O que leva um ser humano a desperdiçar amor? Jogar por terras os beijos que lhe vêm? A deixar de dizer as frases que lhe trarão felicidade?&#8230; Todos temos coração. Será, entretanto, que a infância de alguns fora podada por muitos “nãos” dos pais?! Se perguntarmos a muitos jovens que estão com o mesmo pensamento do nosso poeta, dirão que receberam muito de material e pouco de carinho?! Que quando quiseram compartilhar aquilo que lhes era de importância, foram colocados de lado pelos pais, porque estavam muito ocupados. Acredito que, para muitos jovens, ainda hoje, um colo, um “Eu o amo” e sinceros incentivos valem mais do que muitos presentes caros. Sei que querem ter uma gorda mesada, ainda assim, isso termina trazendo amarguras: passam a não valorizar corretamente a vida, fazem gastos – muitas vezes – em coisas caras, sem a preocupação coerente com os valores básicos que nos impulsionam para um futuro brilhante, porque nos alimentam para o Bem.           <br />
               O nosso autor é uma pessoa inteligente e com condição financeira que o destaca. Será que não fala dele? Se de outro, não invalida o meu comentário; qualquer cidadão deste país sabe o quanto de jovens que sofrem dessa falta de amor, desse medo de amar, da entrega com desconfiança ou ficar no “ficar”, numa demonstração clara de que, uma entrega sublime, é se entregar num quarto escuro, como revela certo programa de televisão do Brasil.<br />
            Criança bem amada, respeitada, que cresceu dentro do diálogo, aprendendo a debelar as dificuldades, sem receber mimos constantes&#8230; Essa esmaga a insegurança, jogo no lixo a preocupação e se joga feliz nos braços da mulher/homem que lhe abre as portas para viver uma paixão/amor. Se não der certo, terá forças para dominar as decepções ou aproveitará estas para crescer em espírito.<br />
            Amar é aprender num dividir em grupo. Eu disse outro dia, numa poesia para minha esposa Eliana, que é o dividir no somar. Todos que amam não somam esforços todos os dias e dividem tarefas, dificuldades?! Não deixamos de lado certos desejos para que o todo garanta a tranqüilidade que é indispensável para o crescimento espiritual do lar?! Essa capacidade se adquire no lar – desde a infância. Assim, todos temos culpas. Porém, como temos um lar, aqueles que participam do lar recebem uma carga maior de responsabilidades.  </p>
<p style="text-align: center"><strong>Wilton Porto</strong></p>
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		</item>
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		<title>O desencarne da cachorra Priscila</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2010/06/o-desencarne-da-cachorra-priscila/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 22:39:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wiltonporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Poéticas]]></category>
		<category><![CDATA[mas o dia não passa]]></category>
		<category><![CDATA[Passam os dias]]></category>

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		<description><![CDATA[


O DESENCARNE DA CACHORRA PRISCILA
 
Passam os dias
Mas o dia não passa.
No repasse de cada dia
Sente-se que o dia que passou
Por mais que queira passar
A todo instante repassa
E no repassar de cada dia
Faz com que nunca ele passe.
 
Se o dia em que ela passou
Pudesse ter só passado
Em nós cada passo dado
Não teria essa máxima dor.
 
No entanto por mais que o tempo passe
Por mais que não queiramos repassar o passado
Mais presente é o passado
Em cada passo que é dado.
 
Se pudéssemos arrancar
O passado que mais presente
Talvez a dor que latente
Por ela estar ausente
Fosse ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<p style="text-align: center;"><strong><span><span><span><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/GEDC0298.JPG"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4107" title="GEDC0298" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/GEDC0298-225x300.jpg" alt="GEDC0298" width="225" height="300" /></a></span></span></span></strong></p>
<p style="text-align: center"><strong><span><span><span>O DESENCARNE DA CACHORRA PRISCILA</span></span></span></strong><br />
<span><span> </span></span><br />
<span><span><span>Passam os dias</span></span></span><br />
<span><span><span>Mas o dia não passa.</span></span></span><br />
<span><span><span>No repasse de cada dia</span></span></span><br />
<span><span><span>Sente-se que o dia que passou</span></span></span><br />
<span><span><span>Por mais que queira passar</span></span></span><br />
<span><span><span>A todo instante repassa</span></span></span><br />
<span><span><span>E no repassar de cada dia</span></span></span><br />
<span><span><span>Faz com que nunca ele passe.</span></span></span><br />
<span><span> </span></span><br />
<span><span><span>Se o dia em que ela passou</span></span></span><br />
<span><span><span>Pudesse ter só passado</span></span></span><br />
<span><span><span>Em nós cada passo dado</span></span></span><br />
<span><span><span>Não teria essa máxima dor.</span></span></span><br />
<span><span> </span></span><br />
<span><span><span>No entanto por mais que o tempo passe</span></span></span><br />
<span><span><span>Por mais que não queiramos repassar o passado</span></span></span><br />
<span><span><span>Mais presente é o passado</span></span></span><br />
<span><span><span>Em cada passo que é dado.</span></span></span><br />
<span><span> </span></span><br />
<span><span><span>Se pudéssemos arrancar</span></span></span><br />
<span><span><span>O passado que mais presente</span></span></span><br />
<span><span><span>Talvez a dor que latente</span></span></span><br />
<span><span><span>Por ela estar ausente</span></span></span><br />
<span><span><span>Fosse um descontente contente</span></span></span><br />
<span><span><span>Pois dor já ela não sente.</span></span></span><br />
<span><span> </span></span><br />
<span><span><span>Porém a todo momento</span></span></span><br />
<span><span><span>Pela casa ela presente</span></span></span><br />
<span><span><span>E por mais que a gente tente</span></span></span><br />
<span><span><span>Eliminar o sofrimento</span></span></span><br />
<span><span><span>Mais sofrimento se sente</span></span></span><br />
<span><span><span>Já que é no ausente</span></span></span><br />
<span><span><span>Que ela está presente.</span></span></span><br />
<span><span> </span></span><br />
<span><span><span>Priscila era cachorra</span></span></span><br />
<span><span><span>Mais agia como gente.</span></span></span><br />
<span><span><span>Nuca vi entre os viventes</span></span></span><br />
<span><span><span>Alguém tão inteligente.</span></span></span><br />
<span><span><span>E se falarmos de amor</span></span></span><br />
<span><span><span>Aonde quer que a gente vá</span></span></span><br />
<span><span><span>Não se encontrará superior.</span></span></span><br />
<span><span> </span></span><br />
<span><span><span>Por isso já de antemão</span></span></span><br />
<span><span><span>Aos críticos desavisados</span></span></span><br />
<span><span><span>Antes que usem da mão</span></span></span><br />
<span><span><span>Pra arremate zonzeado</span></span></span><br />
<span><span><span>Eu digo que os animais</span></span></span><br />
<span><span><span>No tocante ao Amor</span></span></span><br />
<span><span><span>Eles são insuperáveis.</span></span></span><br />
<span><span><span>Sem falar-se de outros valores</span></span></span><br />
<span><span><span>Como o da fidelidade.</span></span></span><br />
<span><span> </span></span><br />
<span><span><span>Assim lágrimas sofrimento</span></span></span><br />
<span><span><span>Desmedido sentimento</span></span></span><br />
<span><span><span>Por uma simples cachorra.</span></span></span><br />
<span><span><span>É normal justificável</span></span></span><br />
<span><span><span>Para os que vivem do Amor.</span></span></span><br />
<span><span><span>O Sol brilha para todos</span></span></span><br />
<span><span><span>Para todos a chuva cai</span></span></span><br />
<span><span><span>Se o amor é parcial</span></span></span><br />
<span><span><span>Se facilmente se esvai</span></span></span><br />
<span><span><span>Acredite não é Amor</span></span></span><br />
<span><span><span>É fumaça ao léu</span></span></span><br />
<span><span><span>Que só o bobo atrai.</span></span></span><br />
<span><span> </span></span><br />
<span><span><span><span>          </span>Priscila desencarnou em 19/06/2010</span></span></span><br />
<span><span><span><span>              </span><span> </span>Viveu nove anos.</span></span></span></p>
<p style="text-align: center"><span><span><span><strong>                  Wilton Porto</strong></span></span></span></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Só mais um velho perdido na quimera (Parte I)</title>
		<link>http://www.opiagui.com.br/2010/06/so-mais-um-velho-perdido-na-quimera-parte-i/</link>
		<comments>http://www.opiagui.com.br/2010/06/so-mais-um-velho-perdido-na-quimera-parte-i/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Jun 2010 19:17:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Só mais um velho perdido na quimera (Parte I)]]></category>

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“Sucessos” Artísticos
 
            Chamo-me Joaquim. Sou nordestino. Vim de uma família de muitos irmãos e de uma terra de pouca água. De todos, fui um dos raros que conseguiu se sobressair na vida, talvez porque, aliado à minha esperteza, percebi que eu poderia ter emprego fácil e bom na nova capital do País. E foi para lá que, bem cedo, rumei. Fiz concurso. No meio do chapadão, naquele longínquo tempo, concurso era a coisa mais fácil do mundo, quase ninguém tinha fé e para piorar as coisas a imprensa impregnava o ...]]></description>
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<p align="center"><strong><em></em></strong></p>
<div id="attachment_4085" class="wp-caption alignleft" style="width: 209px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/O-homem-velho-de-Egon-Schiele.jpg"><img class="size-medium wp-image-4085" title="BE088000" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/O-homem-velho-de-Egon-Schiele-199x300.jpg" alt="O homem velho, de Egon Schiele" width="199" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">O homem velho, de Egon Schiele</p></div>
<p align="center">“Sucessos” Artísticos</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">            Chamo-me Joaquim. Sou nordestino. Vim de uma família de muitos irmãos e de uma terra de pouca água. De todos, fui um dos raros que conseguiu se sobressair na vida, talvez porque, aliado à minha esperteza, percebi que eu poderia ter emprego fácil e bom na nova capital do País. E foi para lá que, bem cedo, rumei. Fiz concurso. No meio do chapadão, naquele longínquo tempo, concurso era a coisa mais fácil do mundo, quase ninguém tinha fé e para piorar as coisas a imprensa impregnava o resto do País com propagandas desvantajosas à nova sede do governo federal; a concentração e os melhores trabalhos ainda continuavam no Rio. Eu, como não tinha mesmo nada a perder, fiz o danado do tal concurso e passei. Qualquer um que naquele tempo tivesse feito a mesma coisa obteria resultados positivos, sem dúvida alguma. Repito: Passei! Tornei-me gente. Não é uma beleza?!<br />
            Depois de um tempo, conquistei respeito e os moradores da minha terra me rendiam admiração, principalmente a família, no entanto, o mesmo não ocorria na nova capital, afinal de contas, todos, ali, sabiam dos prejuízos, ineficiências e incapacidades de cada um – o jeito era continuar empurrando com a barriga todo o nosso mundo de fantasia.<br />
            &#8211; Olha lá, o venta de sovela! – referindo-se a mim, diziam os mineiros, mas eu não me importava. Como disse, eu queria era ser gente para o povo da minha terra. Queria era fugir da realidade nordestina.<br />
            O concurso que prestei não me exigiu muito estudo. Eu nem mesmo era formado, aliás, nunca havia feito ensino superior, mas quando passei pude ganhar bem, como um doutor, até. Era muita coisa para um pobre infeliz como eu, logo, não sabia como gastar, então me meti em muitas atividades. Andei até dando uma de ator e diretor de grupos de teatro e, em caravanas, rodei boa parte das cidades satélites, já que no plano piloto eu não faria grande diferença – lá o público era mais seleto e sabia, realmente, o que era uma obra de qualidade. Nas cidades periféricas, portanto, eu era um mito, um astro, e com tudo isso me ocorrendo, e com a velocidade que isso acontecia, eu me sentia o centro das atenções – qualquer boba apresentação era motivo de clamor (salvas e mais salvas de palmas). Para a minha maior felicidade, as grandes companhias e os grandes teatros estavam quilômetros e mais quilômetros de distância, e como diz o ditado: “em terra de cego, quem tem olho é rei”.<br />
            Com o tempo, vi que o teatro não bastava. O País vivia uma febre que se iniciou no Rio de Janeiro e seguiu para os demais estados: O cinema, ou melhor, o cinema amador; que contagiou o Brasil de ponta a ponta. Do meu lado, eu permanecia firme nas minhas peças teatrais, o teatro ainda me encantava, não seria um <em>Super-8 </em>que quebraria o encanto. Até que percebi, com a minha astúcia de sempre, que ator e diretor de teatro não eram assim lá grande coisa à frente daqueles que viriam receber o nome de “cineastas”, diziam até “cineastas das multidões”, e o título até que soava bem. Os cineastas eram a <em>coca-cola</em> do momento. Sendo isso, eu não seria apenas uma <em>fanta-uva</em>, mas, também, um cineasta “coca-cola”, antes mesmo que meus colegas ultrapassassem, em fama, os meus anseios de fortuna espiritual.<br />
              Juntei gente, pensei em cenários, bolei um roteiro e fui adiante. Paguei tudo e a todos para que fizessem do jeitinho que eu queria e o primeiro filme brotou como uma flor no meio de um roseiral, não tardou para o segundo e o terceiro botão de rosa aflorar, daí por diante&#8230; Em pouco tempo eu já estaria me gabando de ter produzido uma verdadeira cinemateca, como nenhum outro ali havia feito. Mais do que “coca-cola”, eu era a própria fórmula do sucesso, a fábrica de tesouros, enfim.<br />
            Vencida esta etapa de minha vida, eu teria de vencer mais outra: Fazer com que meus filmes, e meu nome, fossem respeitados no meio. Como a única forma de conquistar este respeito era vencendo os concursos de cinema amador que surgiam de tempos em tempos por aquelas bandas, resolvi eleger alguns dos meus melhores filmes, colocando-os à palmatória dos jurados. Foi-se o primeiro concurso, o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto, e em nenhum fui, ao menos, condecorado com menção honrosa; parti para o plano “B”, que consistia na compra de votos da comissão julgadora. Assim feito, assim venci, assim apareci, assim me tornei, outra vez, gente, celebridade&#8230; E confesso, foi mais fácil que arrancar pirulito de criança! Em pouco tempo, meu nome se espalhou por todos os cantos, desagradando uma boa parte dos críticos de cinema que sabiam que havia, ali, algo errado, pois não era possível o que fiz e chamei de “curta-metragem” ganhar tantos prêmios. Eu, logicamente, me defendia, acusando que todos estavam blefando, falavam asneiras, eram invejosos, e a coisa mais certa que deviam fazer era estudar cinema antes de criticar. Eu, logicamente, nunca estudei, mas como a regra dita que todo tolo que tem dinheiro neste país é doutor, eu era mais um.<br />
              &#8211; “Grande Jota” – era o que diziam.<br />
               &#8211; “Grããande”, “Grããande” – levantando uma das mãos, eu respondia. </p>
<p align="center"><strong>J. Montenegro</strong></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O apelido do juiz</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Jun 2010 11:43:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[O apelido do juiz]]></category>

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              No ano de 1985, quando lancei meu primeiro livro, ele, que mantinha a coluna “Ponderações Literárias” na “Folha do Litoral” &#8211; jornal que circulou em Parnaíba por muitos anos, presenteou-me com um elogioso comentário sobre minha pessoa e o meu trabalho, terminando por transcrever um dos poemas ali publicados.
            O autor, na sua humildade de poeta bissexto, e a obra, que se intitula “Viração”, não têm as ótimas qualidades que lhes foram dadas pelo competente comentarista. Atribua-se os méritos ali alinhados à força da amizade que nos unia. Amizade ...]]></description>
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<div id="attachment_4052" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><img class="size-medium wp-image-4052" title="Fontes Ibiapina (Charge, Fernando Castro)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Fontes-Ibiapina-Charge-Fernando-Castro-240x300.jpg" alt="Fontes Ibiapina (Charge, Fernando Castro)" width="240" height="300" /><p class="wp-caption-text">Fontes Ibiapina (Charge, Fernando Castro)</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">              No ano de 1985, quando lancei meu primeiro livro, ele, que mantinha a coluna “Ponderações Literárias” na “Folha do Litoral” &#8211; jornal que circulou em Parnaíba por muitos anos, presenteou-me com um elogioso comentário sobre minha pessoa e o meu trabalho, terminando por transcrever um dos poemas ali publicados.<br />
            O autor, na sua humildade de poeta bissexto, e a obra, que se intitula “Viração”, não têm as ótimas qualidades que lhes foram dadas pelo competente comentarista. Atribua-se os méritos ali alinhados à força da amizade que nos unia. Amizade de muitos anos de foro, de muitos meses de atendimentos aos carentes de justiça, e de muitos dias de audiências na Vara da Família onde atuava-mos juntos: ele como Juiz e eu como Defensor Público.<br />
            No ano de 1986, mais precisamente no dia 16 de abril, publiquei no mesmo jornal, onde ele tanto escreveu, uma crônica denominada “Por quem choram as desvalidas”, que foi lida na missa realizada na Catedral de Nossa Senhora da Graça, em sufrágio de sua alma que a partir do dia 10 daquele mês passara a morar com as estrelas do céu.<br />
            Nesta matéria não se pretende tecer comentários sobre sua ilibada atuação como Juiz de Direito, função que sempre a exerceu com elevado propósito de servir os mais necessitados.<br />
            Não se vai, também, comentar sua vasta atuação literária. Fica tal assunto para ser exposto e debatido no SALIPI – Salão do Livro do Piauí, 8ª edição, evento que acontecerá em Teresina a partir do próximo dia 31 de maio, onde será ele, com merecida justiça, o grande homenageado.<br />
            Tratar-se-á, aqui, de uma pequena ocorrência envolvendo esta personagem invulgar e que a guardo, indelével, no fundo de minha memória. Aconteceu o seguinte: </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Estava eu em minha sala, no foro, atendendo a grande fila formada por pessoas carentes de justiça, aquelas que sempre procuram como única salvaguarda a Defensoria Pública, quando entra uma senhora, agoniada e suada, que logo foi dizendo o que lhe trazia até ali: </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">             - Doutor, eu tenho um processo contra o meu marido, ele está pagando muito pouco e isto não pode continuar!&#8230; </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Aquela necessitada, mãe de família aflita, trazendo na cabeça os enfeites dos cabelos brancos que lhe dera a idade somada ao desprezo de um marido que lhe trocara por uma mais moça, pretendia ajuizar uma Ação de Revisão de Alimentos.<br />
            Alegou que o marido, ao contrário do tempo do ajuizamento da inicial e da sentença, havia conseguido emprego mais rendoso e que podia pagar, para ela e filhos ainda menores, uma pensão maior. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            &#8211; Minha senhora – falei – em primeiro lugar vamos localizar o processo e depois a senhora vai me trazer uma prova de que seu marido, atualmente, vem recebendo um salário maior e capaz de&#8230; </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Ela, como a maioria daquelas que procuram a Defensoria Pública, não esperou a conclusão do meu parecer prévio e foi logo dizendo: </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            &#8211; Prova de que ele vem ganhando mais eu tenho é muita, agora onde está o processo, é com o senhor!<br />
            &#8211; Não há dúvida – ponderei – mas me diga uma coisa: &#8211; a senhora não se lembra em que ano foi a audiência, ou qual foi o cartório?&#8230; </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Nada. Ela nada podia informar neste sentido. O ano ela não tinha certeza, já fazia tempo; e quanto ao cartório, foi assunto que eu nem devia ter falado. Este povo carente da Assistência Judiciária, raramente, sabe o que é e para que servem Cartório ou Secretaria.<br />
            Diante deste impasse, lhe fiz mais uma pergunta, tentando localizar os autos: </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            &#8211; A senhora se lembra quem foi o juiz do processo? </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Ela então, mostrando-se um tanto desconfiada, me disse através de uma leve ponta de sorriso desdentado: </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            &#8211; Doutor o nome mesmo eu não sei. Só sei que o apelido dele era “Nonon!”. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            E assim termina esta história forense, com a localização do processo que teve, como muitos outros, um acordo quanto ao pagamento de alimentos. Feito que tramitou pela 2ª Vara da Comarca de Parnaíba, com o característico parecer ministerial da época, elaborado em duas palavras: “de acordo” ou “nada a opor”; ajuizado pela Defensoria Pública e com sentença homologatória proferida pelo saudoso Juiz e escritor João NONON de Moura Fontes Ibiapina.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><strong>Pádua Santos</strong></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Procurei na internet</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2010 22:56:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wiltonporto</dc:creator>
				<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Poéticas]]></category>
		<category><![CDATA[mantém-se firmemente equilibrada]]></category>
		<category><![CDATA[Procurei na internet]]></category>

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Procurei uns versos na internet
que se parecessem com o seu ritmo
que tivessem o brilho dos seus olhos
a beleza de seu rosto
o charme do seu corpo
a sensibilidade do seu astral. 
Procurei um poema entre os amigos
que me demonstrasse sobre o carisma
esse carisma que em você é único
e que esbanja com tanta facilidade
como se fosse um anjo e não apenas mãe. 
Procurei nos livros uma crônica
que me explicasse sobre essa doação
essa coragem de enfrentar canhões
essa capacidade indestrutível de renúncia
essa força de fazer a todo momento e não se cansar. 
Procurei em todos os contos
a verdade ...]]></description>
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<p><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Mãe.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3896" title="Mãe" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Mãe-300x240.jpg" alt="Mãe" width="300" height="240" /></a><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Mãe.jpg"></a></p>
<p>Procurei uns versos na internet<br />
que se parecessem com o seu ritmo<br />
que tivessem o brilho dos seus olhos<br />
a beleza de seu rosto<br />
o charme do seu corpo<br />
a sensibilidade do seu astral. </p>
<p>Procurei um poema entre os amigos<br />
que me demonstrasse sobre o carisma<br />
esse carisma que em você é único<br />
e que esbanja com tanta facilidade<br />
como se fosse um anjo e não apenas mãe. </p>
<p>Procurei nos livros uma crônica<br />
que me explicasse sobre essa doação<br />
essa coragem de enfrentar canhões<br />
essa capacidade indestrutível de renúncia<br />
essa força de fazer a todo momento e não se cansar. </p>
<p>Procurei em todos os contos<br />
a verdade para esse suportar humilhações<br />
jogar por terra todos os desejos sensuais<br />
fazer do jogo da mentira uma verdade<br />
só para que sua filha siga em paz<br />
e encontre sem espinhos o caminho das realizações supremas. </p>
<p>Eu queria entender<br />
como que alguém que já passou por tantos conflitos<br />
tem essa pureza<br />
essa doçura<br />
mantém-se firmemente equilibrada<br />
mesmo ante dores e tiroteios. </p>
<p>Hoje eu quero aplaudir<br />
essa mulher que apesar dos pesares<br />
mostra ao mundo que o nosso destino<br />
é feito por nós mesmos<br />
como pregam os espiritualistas. </p>
<p>Mas do que nunca quero agradecer<br />
ter no meu meio alguém assim<br />
pois com ela aprendo todos os dias<br />
que a felicidade está a um palmo do nosso nariz.</p>
<p style="text-align: center"><strong>Wilton Porto</strong></p>
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		<title>O Plano de Deus</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Mar 2010 01:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>elmar carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[blob do poeta elmar]]></category>

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               Releio, pela enésima vez, este texto de Epicuro: “Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus. Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus. Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto, nem sequer é Deus. Se pode e quer, o que é a única coisa compatível com Deus, donde provém ...]]></description>
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<div style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-3590" title="EPICURO" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/03/EPICURO.jpg" alt="EPICURO" width="198" height="237" />               Releio, pela enésima vez, este texto de Epicuro: “Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus. Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus. Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto, nem sequer é Deus. Se pode e quer, o que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então a existência dos males? Por que razão é que não os impede?” Nunca me inquietei com essas indagações, e sempre tive resposta para elas. Apenas nunca externei o que sempre esteve em minhas convicções e fé. Enfrentarei a problematização da primeira parte da citação e tentarei encontrar uma resposta. Em momento algum Epicuro negou a existência de Deus. Portanto, a admitiu. Aliás, todas as perguntas partem do pressuposto de que Deus existe. Faz tempo venho adiando escrever uma crônica, que forceja em meu cérebro, louca para ser dada à luz da publicidade. Escrevê-la-ei agora, e com ela tentarei responder aos questionamentos epicurianos.<br />
              Quando fiz minhas primeiras viagens aéreas, tinha muito medo, e sequer olhava para as belezas que poderia ver da janela, fosse uma bela e verdejante colina ou uma caprichosa enseada marinha, ou fosse o celestial alumbramento das nuvens, nas quais gostaria de deitar e rolar. Entendi que esse medo de nada adiantava, já que eu era forçado a enfrentar a viagem. E se houvesse algum acidente, de nada me valeria essa inquietação. Portanto, era inútil, e apenas me incomodaria durante o voo. Além do mais, considerando que avião é o meio de transporte mais seguro, exceto elevador, eu apenas sofreria por algo que dificilmente iria acontecer. Por outra parte, raciocinei que o avião fora construído por quem sabia o que estava fazendo, por quem tinha conhecimento, ciência, experiência, e a mais avançada tecnologia e os mais adequados e sofisticados materiais. Também pensei com os meus botões: quem o pilotava sabia o que estava fazendo, estudara, tinha um plano de voo e igualmente seria vítima de eventual erro que cometesse, pelo que agiria sempre com responsabilidade e prudência. Assim, decidi confiar, mesmo porque não poderia fazer outra coisa, uma vez que resolvi entrar na aeronave.<br />
              Da mesma forma, para responder às indagações do filósofo, direi que Deus, cuja existência ele admite no enunciado de seu silogismo, tinha e tem pleno conhecimento de sua obra e, certamente, tem um plano maravilhoso e perfeito, como só podem ser as obras divinas. O que sucede é que nossa inteligência e nossos conhecimentos são diminutos, para que possamos entender a mente e a inteligência infinita de Deus, como igualmente não conhecemos os pormenores de seu plano. Ora, quanto mais o homem tenta perscrutar os umbrais do infinito, do infinitamente grande, mais novas grandezas ele descobre no espaço sideral. E, quanto mais se volta para o infinitamente pequeno das partículas e da mecânica quântica, mais se surpreende com subpartículas cada vez menores e cada vez mais sutis. Até já disse, num de meus poemas, que atingi o infinito ao ficar infinitamente pequeno. Dessa forma, entendo que não devemos nos preocupar com as indagações do velho Epicuro. Confiemos no criador da aeronave, que é Deus, e confiemos no plano de voo do piloto, que também é Deus. Talvez Ele, que é perfeito, não tenha desejado criar uma obra pronta e acabada, mas uma em construção, em permanente marcha para a perfeição, apesar dos momentâneos e aparentes retrocessos. E, no final dessa odisseia, que é a própria existência, chegaremos ao porto final, sãos e salvos, puros e redimidos, recolhidos ao corpo místico de Deus, como pequeninos agasalhados em colo aconchegante e protetor. Para finalizar, considerando que Epicuro fez várias perguntas, seguindo as pegadas e as lições de Lavoisier, quero fazer apenas uma: será se algo ou alguém que obteve a existência poderia algum dia perdê-la, ou haverá apenas uma transformação existencial, uma nova dimensão do existir, do ser? Sem ansiedades, confiemos e esperemos. Em Deus.</div>
<div style="text-align: center;"><span><br />
 <strong>Elmar Carvalho</strong></span></div>
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