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	<title>Piagui - Culturalista &#187; Crônicas</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>A Dádiva do Livro</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 01:59:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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Após encerrar umas leituras “sérias”, que vinha fazendo há algum tempo, iniciei a leitura do romance A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón. É um livro sobre livros, sobre a sedução de leituras e livrarias. Logo numa das primeiras páginas, deparo-me com estas frases: “Ele amava os livros sem reservas e, embora negasse categoricamente, se alguém entrasse na livraria e se apaixonasse por um exemplar cujo preço não pudesse custear, o rebaixava até onde fosse necessário, ou inclusive o presenteava, se considerasse que o comprador era um leitor com ...]]></description>
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<div id="attachment_4258" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><img class="size-medium wp-image-4258" title="42-19710257" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/42-19710257-200x300.jpg" alt="Foto: Tomas Rodriguez" width="200" height="300" /><p class="wp-caption-text">Foto: Tomas Rodriguez</p></div>
<p style="text-align: justify;">Após encerrar umas leituras “sérias”, que vinha fazendo há algum tempo, iniciei a leitura do romance A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón. É um livro sobre livros, sobre a sedução de leituras e livrarias. Logo numa das primeiras páginas, deparo-me com estas frases: “Ele amava os livros sem reservas e, embora negasse categoricamente, se alguém entrasse na livraria e se apaixonasse por um exemplar cujo preço não pudesse custear, o rebaixava até onde fosse necessário, ou inclusive o presenteava, se considerasse que o comprador era um leitor com tradição e não uma mariposa amadora”. A citação me fez recordar um episódio do início de meus anos parnaibanos. Suponho que o fato aconteceu em 1977/1978, quando eu iniciava o meu curso de Administração de Empresas. Fui até uma pequena representação da extint a Fundação Nacional de Material Escolar &#8211; FENAME, ligada ao Ministério da Educação e Cultura, que publicava material didático ou paradidático, como livros e atlas. Entrei na pequena loja, situada no centro histórico e comercial de Parnaíba, e comecei a olhar atenta e vagarosamente as publicações, até que decidi comprar determinado volume. Quando fui pagar, o responsável pela livraria, um homem franzino como Dom Quixote, disse que me daria o livro. Expliquei-lhe que não era apenas estudante, mas que trabalhava e poderia pagá-lo. Mas o dono do negócio insistiu em me oferecer o exemplar, perguntando: “Será se eu não posso lhe dar um livro?”. Acredito que ele soubesse que eu, ainda bem jovem, fosse um poeta, universitário, que andava publicando seus textos nos jornais Folha do Litoral, Norte do Piauí e Inovação, e quis distinguir-me com um gesto que fosse sinal de seu apreço. Sem dúvida percebeu que eu “era um leitor com tradição e não uma marip o sa amadora”. Esse fato teve um valor simbólico para mim muito grande, tanto que passadas várias décadas nunca o esqueci, assim como não esqueci nem a imagem nem o nome do livreiro, de quem nada mais sei. Nem mesmo sei se ele amava tanto os livros como Gustavo Barceló, o livreiro de A Sombra do Vento, ao qual se refere o trecho citado, que ademais era rico e tinha a livraria apenas por paixão. Chamava-se Ulisses, como as personagens de Joyce e de Homero. Com efeito, só poderia ser mesmo uma figura extraída das páginas de uma obra de ficção. Afinal, qual o comerciante que, em lugar de vender, entregaria dadivosamente o seu produto a alguém que sequer o conhecia? Ulisses, seguindo o impulso de sua bondade e de seu coração, assim o fez. E o seu gesto tão simples, mas tão cheio de significado e simbolismo, eternizou-se em minha alma.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elmar Carvalho</strong></p>
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		<title>Ésquilo e socos</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 14:36:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
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               Há meses já que uma nossa professora do curso de Direito trabalha conosco, fora das aulas, como atividade complementar à carga horária, a leitura e a explanação da tragédia grega. Em Ésquilo estão tratados brilhantemente diversos pontos da doutrina jurídica. A mestra, amante das artes, quer que, pelo Direito, tenhamos contato com a alta Literatura.
               Eu, no entanto, com pouco talento para as Leis e curiosíssimo quanto às Letras, tenho frequentado tais reuniões não por Têmis, e sim unicamente pelas Musas. Vou lá para ver Clitemnestra tramar a morte ...]]></description>
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<div id="attachment_4230" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Orestes-sendo-perseguido-pelas-Fúrias-William-Adolphe-Bouguereau.jpg"><img class="size-medium wp-image-4230" title="Orestes sendo perseguido pelas Fúrias (William Adolphe Bouguereau)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Orestes-sendo-perseguido-pelas-Fúrias-William-Adolphe-Bouguereau-300x264.jpg" alt="Orestes sendo perseguido pelas Fúrias (William Adolphe Bouguereau)" width="300" height="264" /></a><p class="wp-caption-text">Orestes sendo perseguido pelas Fúrias (William Adolphe Bouguereau)</p></div>
<p style="text-align: justify;">               Há meses já que uma nossa professora do curso de Direito trabalha conosco, fora das aulas, como atividade complementar à carga horária, a leitura e a explanação da tragédia grega. Em Ésquilo estão tratados brilhantemente diversos pontos da doutrina jurídica. A mestra, amante das artes, quer que, pelo Direito, tenhamos contato com a alta Literatura.<br />
               Eu, no entanto, com pouco talento para as Leis e curiosíssimo quanto às Letras, tenho frequentado tais reuniões não por Têmis, e sim unicamente pelas Musas. Vou lá para ver Clitemnestra tramar a morte de Agamêmnon, seu marido, assassiná-lo, confessar e defender-se lembrando a maldição que cerca os filhos de Atreu.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">“Ousais então dizer que este feito<br />
somente a mim se há de atribuir?<br />
Não deveis mesmo acreditar que eu seja<br />
a esposa de Agamêmnon; sob a forma<br />
da companheira deste homem morto<br />
foi na verdade o gênio vingador<br />
acerbo e antiquíssimo de Atreu,<br />
do anfitrião cruel, que se quitou<br />
do sacrifício ímpio de crianças<br />
ao imolar agora este guerreiro”. </p>
<p style="text-align: justify;">                Eis a <em>Oréstia</em>, trilogia de Ésquilo. Aí está a sina dos filhos de Atreu, homem nefando, ímpio assassino de crianças, que condenou a própria semente à desgraça. Aí está Agamêmnon a ser apunhalado pela esposa; e seu filho Orestes a assassinar a própria mãe, condenando-se à perseguição das Fúrias vingadoras do crime consanguíneo. E por fim vê-se aí a sábia deusa Atena a instituir o justo tribunal, que absolve Orestes, e pelo qual passariam os criminosos dali em diante.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">“ATENA</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Prestai toda a atenção ao que eu instauro aqui,<br />
atenienses, convocados por mim mesma<br />
para julgar pela primeira vez um homem<br />
autor de um crime em que foi derramado sangue.<br />
A partir deste dia e para todo o sempre<br />
o povo que já teve como rei Egeu<br />
terá a incumbência de manter intactas<br />
as normas adotadas neste tribunal<br />
.   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .   .<br />
Sobre esta elevação digo que a Reverência<br />
e o Temor, seu irmão, seja durante o dia,<br />
seja de noite evitarão que os cidadãos<br />
cometam crimes, a não ser que eles prefiram<br />
aniquilar as leis feitas para seu bem”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>.<br />
</strong><strong>.  .</strong></p>
<p style="text-align: justify;">               Por estes dias, a turma discutia uma possível mudança nos horários das aulas. E era esse o assunto em uma das rodas de conversa formadas nos intervalos entre uma aula e outra e à qual me uni.<br />
                – Pra que mexer no horário todinho só por causa de uma coisinha dessas? – dizia um dos meus amigos aludindo ao motivo caprichoso da mudança. – E ainda se vai prejudicar a reunião do grupo de estudo da tragédia!<br />
              Então, um dos nossos colegas, com desdém, exaltou-se e disse:<br />
               – Meu amigo, pra que a gente vai estudar <em>obrinha</em> láaa&#8230; – e apontou para o vazio, como a indicar a direção do lugar, que não sabia e que, no seu desprezo e ignorância, pouco se importava em saber. – A gente tem que estudar é pra concurso&#8230; – sentenciou com a maior convicção do mundo.<br />
              Um dos da roda, participante ativo dos tais estudos, fitou-o como se lhe fosse dar um soco. Respirou uns dois segundos e respondeu ao homem jovem que acabara de cuspir no rosto de um intelectual anterior a Cristo.<br />
              – Cada um tem seu objetivo quando estuda. Se o seu é passar em concursos – e o olhar fuzilante dizia, por trás da voz calma, “animal, ignorante, besta decoradora de assuntos!” – problema seu!&#8230;<br />
              Eu não reprovaria o nosso colega, e creio que nenhum do círculo o faria, se ele tivesse ido às vias de fato e dado uns bons sopapos no profanador do poeta milenar em cuja obra estão ideias sobre as quais se assentam bases da nossa civilização. Nosso amigo seria absolvido pelo soco providencial. </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;"><em>Ousais então dizer que este feito<br />
</em><em>somente a mim se há de atribuir?<br />
</em><em>Não deveis mesmo acreditar que eu seja<br />
</em><em>seu colega de turma; sob a forma<br />
</em><em>de condiscípulo deste homem tolo<br />
</em><em>foi na verdade o gênio vingador<br />
</em><em>acerbo e antiquíssimo de Ésquilo,<br />
</em><em>do poeta genial, que se quitou<br />
</em><em>do sacrilégio ímpio a sua obra<br />
</em><em>ao cair de porradas neste bruto.</em></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Filipe Cavalcante</strong></p>
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		<title>Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar, um cidadão do mundo!</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 15:33:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar]]></category>
		<category><![CDATA[um cidadão do mundo!]]></category>

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           Era uma manhã incomum, quando acordei. De pronto, uma sensação estranha de recordações e alegrias. Tudo refletido no despontar do sol à linha do horizonte. As nuvens não pareciam tão vazias e o céu ainda relutava em manter afixado um punhado de estrelas. Sentado, observando todo aquele dilema da natureza, eu me lembrava de meu velho e querido pai, e da forma com que ele, tão diletamente, conduzia os seus sonhos e as suas crenças no amanhã&#8230; E quantas lições eu levo na vida, vindas dele? São tantas&#8230; Ele ...]]></description>
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<div id="attachment_4159" class="wp-caption alignleft" style="width: 208px"><img class="size-medium wp-image-4159" title="Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Olavo-Ivanhoé-de-Brito-Bacellar-198x300.jpg" alt="Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar" width="198" height="300" /><p class="wp-caption-text">Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar</p></div>
<p style="text-align: justify;">           Era uma manhã incomum, quando acordei. De pronto, uma sensação estranha de recordações e alegrias. Tudo refletido no despontar do sol à linha do horizonte. As nuvens não pareciam tão vazias e o céu ainda relutava em manter afixado um punhado de estrelas. Sentado, observando todo aquele dilema da natureza, eu me lembrava de meu velho e querido pai, e da forma com que ele, tão diletamente, conduzia os seus sonhos e as suas crenças no amanhã&#8230; E quantas lições eu levo na vida, vindas dele? São tantas&#8230; Ele tinha a sua sapiência, e a forma própria de se expressar. Celebrizando a vida como ninguém, estava, ao lado dele, outra grande figura, que quase todas as manhãs, como esta que relato, quando adentrava os portões da prefeitura (anos de 1993-1996, ocasião em que eu ocupava o cargo de Secretário-Chefe de Gabinete da primeira gestão do prefeito Dr. José Hamilton) , dirigia-se a mim com uma seriedade singular, quase paternal, e uma firmeza de causar inveja, própria de quem domina o conteúdo de que expressa, impondo a ele um ritmo de envolvimento. Este homem atendia pelo nome de Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar, ou simplesmente “Dr. Olavo” – mesmo tendo privado de sua amizade, era esta a forma de respeito que sempre o tratei. Hoje, lembrando de sua figura, numa manhã incomum, como eu disse, sou tomado de assalto quando elejo a sua pessoa como uma das mais insignes personalidades que conheci em vida, e da qual não só levo como expressão de existência como também exemplo de dignidade e lucidez.<br />
            Mais do que um assessor especial de uma prefeitura, Olavo era um sábio que conduzia a todos que lhe davam ouvido, a sua sapiência era universal. Sem exageros, Dr. Olavo era mesmo um conhecedor profundo do mundo e da cultura científica, e só hoje, em posse de seu currículo pessoal, ofertado pelo, não menos gabaritado, irmão, Renato de Araribóia de Brito Bacellar, Procurador Geral do Município, é que chego, mais uma vez, à reflexão de que, mesmo tendo já partido, prematuramente, a mais de oito anos (vítima do violento trânsito, em Teresina – 14 de abril de 2001), seu histórico de vida ainda me arrebata surpresas.<br />
            Filho de uma das mais representativas figuras parnaibanas, Raul Bacellar (saudoso e grande farmacêutico), Olavo Ivanhoé de Brito Bacellar nasceu na cidade de Parnaíba em uma data especial, Natal. Natal de 1948. Teve formação universitária privilegiada, já que novo pôde rumar para o exterior (França) e se inteirar dos surtos artísticos e ideológicos que as metrópoles do primeiro mundo viviam. Na Universidade de Paris, formou-se em Ciências Econômicas e graduou-se em Ciências Políticas. No Canadá, Universidade de Montreal, especializou-se em Demografia. E não mais parou por aí. Viajou parte do mundo participando de quase 50 conferências e congressos de sua área, foi, então, aos Estados Unidos, França e tornou-se célebre no Brasil. Diplomou-se, também, em Letras e Civilização Francesa, Tradutor Francês-Espanhol e Gramática e Pronunciação Francesa. Era, ele, ao pé da letra, um cidadão do mundo. Um orgulho para a Parnaíba até os dias de hoje.<br />
            Seus trabalhos e conferências, relacionadas à agricultura, indústria, pecuária, economia e outras tantas, se espalharam por todo o País, tendo sido apresentadas e discutidas, inclusive, no Canadá. Como professor, foi uma das mais relevantes autoridades no campo da ciência econômica, tendo lecionado com maestria na Universidade Federal do Piauí e na Université de Montreal, Canadá. Com tanto peso, e tanta força de vida, inteligência e humildade, eu só tenho mesmo que agradecer por ter o conhecido em vida, pois cometas como Olavo, apesar de passarem ligeiros sobre a Terra, deixam plantadas as sementes mais profundas da civilização, do progresso e da sabedoria. Olavo, companheiro, onde quer que tu estejas, aceite os meus sinceros agradecimentos&#8230;</p>
<p align="center"><strong>Arlindo Leão</strong></p>
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		<title>O apelido do juiz</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Jun 2010 11:43:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
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              No ano de 1985, quando lancei meu primeiro livro, ele, que mantinha a coluna “Ponderações Literárias” na “Folha do Litoral” &#8211; jornal que circulou em Parnaíba por muitos anos, presenteou-me com um elogioso comentário sobre minha pessoa e o meu trabalho, terminando por transcrever um dos poemas ali publicados.
            O autor, na sua humildade de poeta bissexto, e a obra, que se intitula “Viração”, não têm as ótimas qualidades que lhes foram dadas pelo competente comentarista. Atribua-se os méritos ali alinhados à força da amizade que nos unia. Amizade ...]]></description>
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<div id="attachment_4052" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><img class="size-medium wp-image-4052" title="Fontes Ibiapina (Charge, Fernando Castro)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Fontes-Ibiapina-Charge-Fernando-Castro-240x300.jpg" alt="Fontes Ibiapina (Charge, Fernando Castro)" width="240" height="300" /><p class="wp-caption-text">Fontes Ibiapina (Charge, Fernando Castro)</p></div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">              No ano de 1985, quando lancei meu primeiro livro, ele, que mantinha a coluna “Ponderações Literárias” na “Folha do Litoral” &#8211; jornal que circulou em Parnaíba por muitos anos, presenteou-me com um elogioso comentário sobre minha pessoa e o meu trabalho, terminando por transcrever um dos poemas ali publicados.<br />
            O autor, na sua humildade de poeta bissexto, e a obra, que se intitula “Viração”, não têm as ótimas qualidades que lhes foram dadas pelo competente comentarista. Atribua-se os méritos ali alinhados à força da amizade que nos unia. Amizade de muitos anos de foro, de muitos meses de atendimentos aos carentes de justiça, e de muitos dias de audiências na Vara da Família onde atuava-mos juntos: ele como Juiz e eu como Defensor Público.<br />
            No ano de 1986, mais precisamente no dia 16 de abril, publiquei no mesmo jornal, onde ele tanto escreveu, uma crônica denominada “Por quem choram as desvalidas”, que foi lida na missa realizada na Catedral de Nossa Senhora da Graça, em sufrágio de sua alma que a partir do dia 10 daquele mês passara a morar com as estrelas do céu.<br />
            Nesta matéria não se pretende tecer comentários sobre sua ilibada atuação como Juiz de Direito, função que sempre a exerceu com elevado propósito de servir os mais necessitados.<br />
            Não se vai, também, comentar sua vasta atuação literária. Fica tal assunto para ser exposto e debatido no SALIPI – Salão do Livro do Piauí, 8ª edição, evento que acontecerá em Teresina a partir do próximo dia 31 de maio, onde será ele, com merecida justiça, o grande homenageado.<br />
            Tratar-se-á, aqui, de uma pequena ocorrência envolvendo esta personagem invulgar e que a guardo, indelével, no fundo de minha memória. Aconteceu o seguinte: </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Estava eu em minha sala, no foro, atendendo a grande fila formada por pessoas carentes de justiça, aquelas que sempre procuram como única salvaguarda a Defensoria Pública, quando entra uma senhora, agoniada e suada, que logo foi dizendo o que lhe trazia até ali: </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">             - Doutor, eu tenho um processo contra o meu marido, ele está pagando muito pouco e isto não pode continuar!&#8230; </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Aquela necessitada, mãe de família aflita, trazendo na cabeça os enfeites dos cabelos brancos que lhe dera a idade somada ao desprezo de um marido que lhe trocara por uma mais moça, pretendia ajuizar uma Ação de Revisão de Alimentos.<br />
            Alegou que o marido, ao contrário do tempo do ajuizamento da inicial e da sentença, havia conseguido emprego mais rendoso e que podia pagar, para ela e filhos ainda menores, uma pensão maior. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            &#8211; Minha senhora – falei – em primeiro lugar vamos localizar o processo e depois a senhora vai me trazer uma prova de que seu marido, atualmente, vem recebendo um salário maior e capaz de&#8230; </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Ela, como a maioria daquelas que procuram a Defensoria Pública, não esperou a conclusão do meu parecer prévio e foi logo dizendo: </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            &#8211; Prova de que ele vem ganhando mais eu tenho é muita, agora onde está o processo, é com o senhor!<br />
            &#8211; Não há dúvida – ponderei – mas me diga uma coisa: &#8211; a senhora não se lembra em que ano foi a audiência, ou qual foi o cartório?&#8230; </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Nada. Ela nada podia informar neste sentido. O ano ela não tinha certeza, já fazia tempo; e quanto ao cartório, foi assunto que eu nem devia ter falado. Este povo carente da Assistência Judiciária, raramente, sabe o que é e para que servem Cartório ou Secretaria.<br />
            Diante deste impasse, lhe fiz mais uma pergunta, tentando localizar os autos: </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            &#8211; A senhora se lembra quem foi o juiz do processo? </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            Ela então, mostrando-se um tanto desconfiada, me disse através de uma leve ponta de sorriso desdentado: </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            &#8211; Doutor o nome mesmo eu não sei. Só sei que o apelido dele era “Nonon!”. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            E assim termina esta história forense, com a localização do processo que teve, como muitos outros, um acordo quanto ao pagamento de alimentos. Feito que tramitou pela 2ª Vara da Comarca de Parnaíba, com o característico parecer ministerial da época, elaborado em duas palavras: “de acordo” ou “nada a opor”; ajuizado pela Defensoria Pública e com sentença homologatória proferida pelo saudoso Juiz e escritor João NONON de Moura Fontes Ibiapina.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><strong>Pádua Santos</strong></p>
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		<title>O Plano de Deus</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Mar 2010 01:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>elmar carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<category><![CDATA[blob do poeta elmar]]></category>

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               Releio, pela enésima vez, este texto de Epicuro: “Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus. Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus. Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto, nem sequer é Deus. Se pode e quer, o que é a única coisa compatível com Deus, donde provém ...]]></description>
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<div style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-3590" title="EPICURO" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/03/EPICURO.jpg" alt="EPICURO" width="198" height="237" />               Releio, pela enésima vez, este texto de Epicuro: “Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus. Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus. Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto, nem sequer é Deus. Se pode e quer, o que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então a existência dos males? Por que razão é que não os impede?” Nunca me inquietei com essas indagações, e sempre tive resposta para elas. Apenas nunca externei o que sempre esteve em minhas convicções e fé. Enfrentarei a problematização da primeira parte da citação e tentarei encontrar uma resposta. Em momento algum Epicuro negou a existência de Deus. Portanto, a admitiu. Aliás, todas as perguntas partem do pressuposto de que Deus existe. Faz tempo venho adiando escrever uma crônica, que forceja em meu cérebro, louca para ser dada à luz da publicidade. Escrevê-la-ei agora, e com ela tentarei responder aos questionamentos epicurianos.<br />
              Quando fiz minhas primeiras viagens aéreas, tinha muito medo, e sequer olhava para as belezas que poderia ver da janela, fosse uma bela e verdejante colina ou uma caprichosa enseada marinha, ou fosse o celestial alumbramento das nuvens, nas quais gostaria de deitar e rolar. Entendi que esse medo de nada adiantava, já que eu era forçado a enfrentar a viagem. E se houvesse algum acidente, de nada me valeria essa inquietação. Portanto, era inútil, e apenas me incomodaria durante o voo. Além do mais, considerando que avião é o meio de transporte mais seguro, exceto elevador, eu apenas sofreria por algo que dificilmente iria acontecer. Por outra parte, raciocinei que o avião fora construído por quem sabia o que estava fazendo, por quem tinha conhecimento, ciência, experiência, e a mais avançada tecnologia e os mais adequados e sofisticados materiais. Também pensei com os meus botões: quem o pilotava sabia o que estava fazendo, estudara, tinha um plano de voo e igualmente seria vítima de eventual erro que cometesse, pelo que agiria sempre com responsabilidade e prudência. Assim, decidi confiar, mesmo porque não poderia fazer outra coisa, uma vez que resolvi entrar na aeronave.<br />
              Da mesma forma, para responder às indagações do filósofo, direi que Deus, cuja existência ele admite no enunciado de seu silogismo, tinha e tem pleno conhecimento de sua obra e, certamente, tem um plano maravilhoso e perfeito, como só podem ser as obras divinas. O que sucede é que nossa inteligência e nossos conhecimentos são diminutos, para que possamos entender a mente e a inteligência infinita de Deus, como igualmente não conhecemos os pormenores de seu plano. Ora, quanto mais o homem tenta perscrutar os umbrais do infinito, do infinitamente grande, mais novas grandezas ele descobre no espaço sideral. E, quanto mais se volta para o infinitamente pequeno das partículas e da mecânica quântica, mais se surpreende com subpartículas cada vez menores e cada vez mais sutis. Até já disse, num de meus poemas, que atingi o infinito ao ficar infinitamente pequeno. Dessa forma, entendo que não devemos nos preocupar com as indagações do velho Epicuro. Confiemos no criador da aeronave, que é Deus, e confiemos no plano de voo do piloto, que também é Deus. Talvez Ele, que é perfeito, não tenha desejado criar uma obra pronta e acabada, mas uma em construção, em permanente marcha para a perfeição, apesar dos momentâneos e aparentes retrocessos. E, no final dessa odisseia, que é a própria existência, chegaremos ao porto final, sãos e salvos, puros e redimidos, recolhidos ao corpo místico de Deus, como pequeninos agasalhados em colo aconchegante e protetor. Para finalizar, considerando que Epicuro fez várias perguntas, seguindo as pegadas e as lições de Lavoisier, quero fazer apenas uma: será se algo ou alguém que obteve a existência poderia algum dia perdê-la, ou haverá apenas uma transformação existencial, uma nova dimensão do existir, do ser? Sem ansiedades, confiemos e esperemos. Em Deus.</div>
<div style="text-align: center;"><span><br />
 <strong>Elmar Carvalho</strong></span></div>
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		<title>O Poeta</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Mar 2010 01:07:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>claucio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Claucio Ciarlini Neto]]></category>
		<category><![CDATA[O Poeta]]></category>

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               O poeta não é apenas um tolo apaixonado, escrevendo versos num caderno ou papel, como muitos assim pensam&#8230; Quando o poeta escreve, a tinta da sua caneta é a lágrima contida às vezes por anos&#8230;
               Quando escreve, o poeta sangra a cada linha e, ao final, se sente aliviado, renascido&#8230;
               É a angústia, é a dor, é uma declaração de amor ou, quem sabe, até um protesto&#8230; É, os poetas também têm senso crítico, eles se revoltam, se indignam, se contorcem por entre suas mentes, deixando fluir cada lampejo ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;">               O poeta não é apenas um tolo apaixonado, escrevendo versos num caderno ou papel, como muitos assim pensam&#8230; Quando o poeta escreve, a tinta da sua caneta é a lágrima contida às vezes por anos&#8230;<br />
               Quando escreve, o poeta sangra a cada linha e, ao final, se sente aliviado, renascido&#8230;<br />
               É a angústia, é a dor, é uma declaração de amor ou, quem sabe, até um protesto&#8230; É, os poetas também têm senso crítico, eles se revoltam, se indignam, se contorcem por entre suas mentes, deixando fluir cada lampejo de sentimento, fazendo surgir, assim, a mais linda e emocionante obra de arte, pois me desculpem, os indivíduos cínicos racionais, que do alto da sua ignorância, teimam em criticar essas pessoas sensíveis que falo, chamando-os de inocentes&#8230;</p>
<div id="attachment_3588" class="wp-caption alignleft" style="width: 251px"><img class="size-medium wp-image-3588" title="AV010161" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/03/AV010161-241x300.jpg" alt="Foto: Arte &amp; Immagini srl/CORBIS" width="241" height="300" /><p class="wp-caption-text">Foto: Arte &amp; Immagini srl/CORBIS</p></div>
<p style="text-align: justify;">               Diria então para esses facínoras: os poetas são apenas eles mesmos, não se escondem atrás de máscaras e nem fingem ser o que não são só para passar uma impressão de entendidos&#8230; os poetas são transparentes, geralmente tímidos, mas nunca covardes&#8230; São um tanto sensíveis, mas nunca fracos&#8230; Podem parecer, às vezes, loucos e estranhos, mas são gênios, sua criatividade os leva a lugares e à sensações que nenhum tolo cínico racional poderia imaginar, eles são a vida escrita em poesia e só devo me orgulhar&#8230; Pois sou um deles.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
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		<title>Meus tempos de editor</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 02:54:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>elmar carvalho</dc:creator>
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Solenidade de lançamento de livros e revista, vendo-se o prefeito Wall Ferraz, a presidente da FCMC, dona Eugênia Ferraz, Fábio Costa, Elmar Carvalho e o poeta Hardi Filho
Postado por Poeta Elmar Carvalho às 04:34 0 comentários  
quinta-feira
Os Literatos e a República: Clodoaldo Freitas, Higino Cunha e as Tiranias do Tempo, de Teresinha Queiroz
Esta madrugada, sonhei com a minha gestão à frente da presidência do Conselho Editorial da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, quando fui o coordenador de Editoração dessa entidade. Aproveitei para dar uma olhada em algumas das obras de que ...]]></description>
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<h3><a href="http://1.bp.blogspot.com/_CJmfVPAcJVM/S4fBQo6t28I/AAAAAAAAAM8/O-q5cCPsAP4/s1600-h/fcmc.jpg"><img style="text-align: center;margin: 0px auto 10px;cursor: hand" src="http://1.bp.blogspot.com/_CJmfVPAcJVM/S4fBQo6t28I/AAAAAAAAAM8/O-q5cCPsAP4/s400/fcmc.jpg" border="0" alt="" width="564" height="347" /></a><em>Solenidade de lançamento de livros e revista, vendo-se o prefeito Wall Ferraz, a presidente da FCMC, dona Eugênia Ferraz, Fábio Costa, Elmar Carvalho e o poeta Hardi Filho</em></h3>
<div><span>Postado por <span>Poeta Elmar Carvalho</span> </span>às <abbr title="2010-02-26T04:34:00-08:00">04:34</abbr> 0 comentários <span> </span><span><a title="Editar postagem" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=7699958275669972662&amp;postID=310220611754647776"></a></span></div>
<p>quinta-feira</p></div>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_CJmfVPAcJVM/S4fAvXcL3OI/AAAAAAAAAM0/nYw9s-Uhqfk/s1600-h/capa.t.q..jpg"><img style="text-align: center;margin: 0px auto 10px;cursor: hand" src="http://2.bp.blogspot.com/_CJmfVPAcJVM/S4fAvXcL3OI/AAAAAAAAAM0/nYw9s-Uhqfk/s400/capa.t.q..jpg" border="0" alt="" width="552" height="522" /></a><em>Os Literatos e a República: Clodoaldo Freitas, Higino Cunha e as Tiranias do Tempo, de Teresinha Queiroz</em></p>
<p style="text-align: justify;">Esta madrugada, sonhei com a minha gestão à frente da presidência do Conselho Editorial da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, quando fui o coordenador de Editoração dessa entidade. Aproveitei para dar uma olhada em algumas das obras de que fui editor. Fui indicado pelo poeta e escritor Francisco Miguel de Moura à dona Eugênia Ferraz, que era a presidente da FCMC, acredito que por causa de minha atuação como presidente da União Brasileira de Escritores do Piau´- UBE-PI. Para escrever esta nota, não fui atrás de datas na Fundação, de modo que não serei preciso quanto a isso. Assumi as funções editoriais no ano de 1994, quando o prefeito era o professor Wall Ferraz, e as deixei no final de 1997, quando tomei posse de minhas funções magistraturais perante o Tribunal de Justiça do Piauí. Com a morte de Wall Ferraz, assumiu o cargo de prefeito Francisco Gerardo, que foi sucedido por Firmino Filho. No primeiro mandato deste, presidiu a FCMC a professora Cecília Mendes, a cuja administração servi durante quase um ano. Tive a sorte de exercer minhas funções durante um período em que a editoração foi prioridade no órgão municipal de cultura. Para administrar com impessoalidade, logo que assumi a presidência do Conselho elaborei os regulamentos de editoração e do Conselho Editorial, que foram aprovados por este e pela presidente da Fundação, que assinou as portarias respectivas, e também passei a fazer a distribuição de obras para análise dos conselheiros através de rodízio, fazendo constar em ata tanto a distribuição como a aprovação ou rejeição. Foi, na época a que me refiro, sem a menor sombra de dúvida, o mais importante e arrojado plano editorial do Estado do Piauí, bastando que se diga que a cada quatro meses, regularmente, eram publicados a revista Cadernos de Teresina e mais quatro a seis livros. Por isso, posso afirmar que durante o meu período foram publicados aproximadamente 60 (sessenta) obras. Foram gestoras da FCMC, como já disse, as senhoras Eugênia Ferraz e Cecília Mendes, das quais tive total apoio, sem nenhuma interferência autoritária no Conselho, uma vez que ambas acatavam as decisões do colegiado. Devo acrescentar que a FCMC tinha uma equipe “enxuta”, mas dedicada, motivada, e que realmente vestia a camisa da cultura. Tive um bom relacionamento com todos, e de todos guardo boas lembranças. Fora as cerca de quinze revistas Cadernos de Teresina, editadas no período a que me refiro, foram publicados, aproximadamente, 45 livros, todos aprovados pelo Conselho, e muitos deles da mais alta significação para a cultura e a literatura do Piauí. De cabeça, sem consulta a anotações ou registros burocráticos, cito alguns, como uma pálida demonstração do que afirmo: Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Piauí, de Cláudio Bastos, Os Literatos e a República: Clodoaldo Freitas, Higino Cunha e as Tiranias do Tempo, de Teresinha Queiroz, Literatura Piauiense – escorço histórico, de João Pinheiro, com posfácio de atualização de Francisco Miguel de Moura, A Harpa do Caçador, de Teodoro Castelo Branco, Crônicas de Sempre, org. de Adrião Neto, A Poesia Piauiense no Século XX, em parceria com a Imago, org. de Assis Brasil, várias obras de Mons. Chaves, Escravos do Sertão, de Miridan Brito Knox Falci, O Ofício da Palavra, de Elizabeth Oliveira, Mulheres Plurais, de Pedro Vilarinho Castelo Branco, Balaios e Bem-te-vis – a guerrilha sertaneja, de Claudete Maria Miranda Dias, Anos 70: Por que essa Lâmina nas Palavras?, de José Pereira Bezerra etc. Na revista, foram publicadas memoráveis entrevistas, como as em que foram entrevistados Mons. Chaves, Alcenor Candeira Filho, Cineas Santos, Assis Brasil, Celso Barros Coelho, Raimundo Nonato Monteiro de Santana e Pe. Raimundo José Airemoraes, cujos entrevistadores éramos eu e o jornalista Domingos Bezerra Filho, além de textos de contistas, cronistas, poetas e historiadores. Além disso, foram editadas obras vencedoras de concursos literários, inclusive volume de textos de literatura de cordel. Com o impacto da morte de Wall Ferraz, que comoveu a população teresinense, idealizei o livro Wall Ferraz – o homem e o estadista (coletânea de crônicas e artigos), que também foi editado. Após esse infausto acontecimento, o Dicionário Histórico e Geográfico do Piauí, que havia sido acolhido com entusiasmo pelo falecido prefeito, recebeu o Prêmio Clio, concedido pela Academia Paulistana de História, que fui receber na Paulicéia, por designação de dona Eugênia Ferraz. Na minha gestão, foram conselheiros Francisco Hardi Filho, João Bosco da Silva, José Airton Ferreira de Sousa, Marcelino Leal Barroso de Carvalho, Silvana Maria Santana de Oliveira, Rubervam Maciel do Nascimento e Francisco Miguel de Moura. Sugeri muitas capas ao artista plástico Radamés, enquanto outras foram concepções de Áureo Tupinambá Júnior e Gabriel Arcanjo, além de outros artistas. Nas solenidades de lançamento da revista e dos livros, usávamos da palavra o prefeito, um representante dos autores e eu, representando a FCMC, em que comentava e analisava as obras. Aproveitando o apoio da administração superior da FCMC, envidei todos os meus esforços para que o plano editorial fosse bem sucedido, e, sem cabotinismo, devo admitir que assim foi.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elmar Carvalho</strong></p>
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		<title>A televisão: os dois lados da moeda</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 02:45:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wiltonporto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Tudo o que se passa na televisão pode ser considerado uma forma de transmitir cultura?]]></category>

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          Tudo o que se passa na televisão pode ser considerado uma forma de transmitir cultura? Sabemos que ela é capaz de passar diversos artigos como, notícias do país onde vivemos e o mundo, nos mantêm a par de informações diárias sobre uma infinidade de gêneros: música, esportes, cinema, entre outros, alimentando o intelecto de milhões de espectadores.
          Porém, a TV é uma faca de dois gumes, pois traz à tona certos programas  que mostram situações impróprias  para o horário nobre, além de ser, às vezes, fonte de má influência para ...]]></description>
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<p style="text-align: justify"><img class="alignleft size-full wp-image-3520" title="Foto de t.." src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Foto-de-t...jpg" alt="Foto de t.." width="110" height="111" />          Tudo o que se passa na televisão pode ser considerado uma forma de transmitir cultura? Sabemos que ela é capaz de passar diversos artigos como, notícias do país onde vivemos e o mundo, nos mantêm a par de informações diárias sobre uma infinidade de gêneros: música, esportes, cinema, entre outros, alimentando o intelecto de milhões de espectadores.<br />
          Porém, a TV é uma faca de dois gumes, pois traz à tona certos programas  que mostram situações impróprias  para o horário nobre, além de ser, às vezes, fonte de má influência para muitas crianças e jovens, facilitando o desvio de uma boa educação. Atualmente o que é exibido numa emissora pode ser algo educativo e de entretenimento, mas também pode emitir diversos programas improdutivos que só tem a favorecer à emissora pela audiência absurda.<br />
         Há muitos exemplos desses programas que são chamados “as fontes de entretenimento”, como um grupo de homens e mulheres morando numa casa repleta de regalias, escolhidos a dedo do meio da aristocracia,  ou seja, garotões sarados, mulheres encorpadas e pseudo-romances, assim como barracos, brigas, falsidade, intriguinhas básicas e no final das contas é visto como jogo da vida real, tudo o que um publico de “bom senso” adora. A mídia enfraquecida com a mesmice de muito tempo, precisa se renovar para sobreviver, sendo assim, obrigada a apelar para coisas fúteis: insinuações de sexo, casais se amarrotando ao vivo, enfim coisas que chamam a atenção de certo público.<br />
         Bem. Esta é a indústria do marketing, ou seja, aquela que só traz beneficio a si mesma, ao invés de transpor algo positivo culturalmente. Alguns podem dizer que a TV deve somente  exibir entretenimento. Não ser uma fonte cultural. Mas o próprio verbo entreter, de origem espanhola, que significa: enganar, falsear, iludir, só nos mostra algumas das intenções da mídia, através de suas exibições – uma forma de tentar compensar a vida da população que assiste de uma maneira falseada, irreal, imaginária. Em outras palavras, brincando com o bom senso dos espectadores, com armações das mais descaradas possíveis, a fim do intento de encher o banco da emissora, sem se preocupar com os valores culturais.<br />
          Diferente de filmes, seriados, novelas, que todos já sabemos: é pura ficção. Todavia através deles são transmitidas lições de moral, diversão e prazer, de maneira aproveitável ou não.<br />
         Concluindo, a televisão é uma criação extraordinária, quando nos entretém de modo infinitamente produtivo, pois entretenimento não serve só para divertir, e sim portar algo no sentido positivo e não ilusório. Mas quando alguém, em minha residência, liga o aparelho para outro fim, vou para o quarto ler um livro.</p>
<p style="text-align: center"><strong>Elton Araújo</strong></p>
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		<title>O Carnaval era mais Carnaval no Cassino</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 15:17:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Araken]]></category>
		<category><![CDATA[Cassino 24 de janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[O Carnaval era mais Carnaval no Cassino]]></category>

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               Felizmente para nós “rapazes”, agora na faixa dos 15 anos, ainda frangotes e com a voz semitonada, aquele foi um ano de sorte. Por obra e graça de Seu Motinha e com a ajuda de nossa fada madrinha D. Alice, conseguimos uma ordem judicial para participar do baile de abertura do carnaval. Nosso bloco era o “Prova de Fogo”, e congregava a moçada esperta da época: Paulo Trindade, Helvécio Rebelo, Evandro Marques, Carlos Antônio, Claudio, Luís Correia, Chico Machado e tantos outros, que não consigo lembrar. Ensaiávamos sempre na ...]]></description>
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<div id="attachment_3314" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-3314" title="Cassino 24 de janeiro" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Cassino-24-de-janeiro-300x220.jpg" alt="Cassino 24 de janeiro" width="300" height="220" /><p class="wp-caption-text">Cassino 24 de janeiro</p></div>
<p style="text-align: justify;">               Felizmente para nós “rapazes”, agora na faixa dos 15 anos, ainda frangotes e com a voz semitonada, aquele foi um ano de sorte. Por obra e graça de Seu Motinha e com a ajuda de nossa fada madrinha D. Alice, conseguimos uma ordem judicial para participar do baile de abertura do carnaval. Nosso bloco era o “Prova de Fogo”, e congregava a moçada esperta da época: Paulo Trindade, Helvécio Rebelo, Evandro Marques, Carlos Antônio, Claudio, Luís Correia, Chico Machado e tantos outros, que não consigo lembrar. Ensaiávamos sempre na casa de Seu Amaury, o que era pretexto para umas boas doses de rum ou de vodca, e pôr em dia as fofocas do momento. D. Alice era nossa protetora e madrinha, desenhava nossas fantasias, ou sugeria as músicas que deveríamos aprender. Sua paciência era ilimitada, pois nós quase sempre nunca chegávamos a nenhuma unanimidade, e sempre fazíamos as coisas de última hora, a toque de caixa. De repente, com o coração na mão e lança-perfume rodouro na outra, já devidamente fantasiados, lá estávamos nós, esperando a nossa deixa para entrar no salão. Aquela espera angustiante, aquele friozinho no estômago, era dica pra novos goles de rum e cheiradas medrosas e discretas de lança-perfume. O mais exibido da turma era portador do estandarte do bloco. Agora era pra valer, a orquestra tocava nossa música; e aqui vamos nós aos pulos, que eram ampliados pelo assoalho oco, que dava maior vibração aos nossos corações, agora já em plena harmonia com a marchinha que vinha da orquestra. Fazíamos evoluções mil, e logo depois íamos sendo anexados pelas garotas solteiras, ou por blocos femininos que necessitavam de nossa parceria. Agora já muito suados, embora ainda eufóricos, com os pares já formados, esperávamos a entrada do próximo bloco. O último era sempre o “Viva as Onças”, dos machões e machistas de então, capitaneados pelo Valdemar Rodrigues, João Oliveira, Batista Leão, Olavo Pinho etc. A música deles especialmente composta para bloco, era realmente muito vibrante e contagiante (sofríamos calados com seu desprezo aparente quando nos apelidavam carinhosamente, depois viria a descobrir de “valetes”).<br />
            A essa altura, já estava travada no salão uma verdadeira batalha de confetes, e serpentinas, acrescidas e enriquecidas pelo cheiro bom de lança-perfume que impregnava tudo. Rodo ou Colombina, de vidro ou de metal, eram as armas usadas no entrevero. Incrível, como se gastava tanta lança jogando nos outros, principalmente nas meninas. A insistência no jato era sinal de interesse. Quando havia retribuição, era o céu. Muito namoro começava assim. É claro que tomávamos nossos porres, mui discretamente; às vezes mais por basófia, pra mostrar que éramos homens. Nunca por escapismo pra fugir da vida. “Viajar”, ou fugir pra que? Se a vida era boa e o futuro podia ser melhor! No mais, queríamos estar bem vivos, para participar do espetáculo deslumbrante que era um baile de carnaval. Essas eram nossas viagens naquele mundo de prazer e diversão. As fantasias luxuosas e de bom gosto, meninas lindas, muitas. Pra que pedir mais? O segredo da fantasia era guardado a sete chaves para ser exibida no carnaval. Às vezes uma para cada dia. Sábado, domingo, segunda e terça. Assim seguia o carrossel. Isto mesmo, volteávamos aquele salão, com nossos passos ecoando no assoalho brilhante embalados pela música, inebriados pelo cheiro do lança-perfume, misturado com o perfume de nossos pares, na luz feérica do salão, rodando sempre em piruetas mil, estávamos participando sem saber de um verdadeiro carrossel! O carrossel da vida! </p>
<p align="center"><strong>Carlos Araken</strong></p>
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		<title>Todos têm direito à discriminação</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 03:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Devana Babu]]></category>
		<category><![CDATA[Todos têm direito à discriminação]]></category>

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		<description><![CDATA[

              Vou ser bastante sincero: Eu sou preconceituoso. Não no sentido que seus radicais sugerem, de que seja um conceito ignorante pobre, mas no sentido usado atualmente, pois, como todos sabem, as palavras mudam seu significado com o decorrer do tempo. Se assim não fosse, os radicais livres não seriam um grupo cultural, porque cultura em sua origem vem de cultivar a terra, e que eu saiba não tem nenhum agrônomo nos radicais. O preconceito hoje é tido simplesmente como o ato de distinguir as pessoas em determinados grupos que ...]]></description>
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<div id="attachment_3140" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-3140" title="42-15507147" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/01/42-15507147-300x251.jpg" alt="Foto: Andy Warhol Foundation/Corbis" width="300" height="251" /><p class="wp-caption-text">Foto: Andy Warhol Foundation/Corbis</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Vou ser bastante sincero: Eu sou preconceituoso. Não no sentido que seus radicais sugerem, de que seja um conceito ignorante pobre, mas no sentido usado atualmente, pois, como todos sabem, as palavras mudam seu significado com o decorrer do tempo. Se assim não fosse, os radicais livres não seriam um grupo cultural, porque cultura em sua origem vem de cultivar a terra, e que eu saiba não tem nenhum agrônomo nos radicais. O preconceito hoje é tido simplesmente como o ato de distinguir as pessoas em determinados grupos que nós depreciamos e crucificamos, e as quais diminuímos através de piadas de mau gosto e raciocínios lógicos pouco cuidadosos. Esse é o tipo de preconceituoso que eu sou. Claro que meu senso de moral e igualdade me diz que essas pessoas devem ser tratadas com respeito e igualdade, mas isso não me impede de escarnecê-las, porque isso é bom e saudável. Isso torna o homem forte e convicto das suas diversidades.<br />
              Não há escândalo algum no que eu estou dizendo, e nem sequer motivo para alarde. O escândalo está nas pessoas que enganam a si a aos outros, fingindo não ter nenhum tipo de preconceito dentro de si. Mentira! Livrem-se do pudor e da covardia e admitam isso. Não se curvem a ele, nem tampouco fujam, mas tentem compreendê-lo. Afinal de contas, para todos os efeitos, você, no mínimo, tem preconceito em relação às pessoas preconceituosas, o que vem a dar na mesma. Você quer essa pessoa na cadeia. Você quer que essa pessoa seja escorraçada da sociedade, banida dos círculos sociais, quer que ela prove do próprio veneno, e que ela perca o pseudostatus de ser humano. Ou não: Você é do tipo benevolente, “love and peace”. Então você quer que essa pessoa seja reabilitada, que ela aprenda a conviver pacificamente, que ela deixe os seus princípios inferiores de lado e aceite o seu ideal de vida, que ela se torne mais civilizada, que se converta, que ela pare de raciocinar e apenas diga sim aos vaticínios do pensamento moderno, aceitando a igualdade como uma verdade absoluta. Ou seja: Essa pessoa tem que ser igual a você, e não como ela é. Isso também é preconceito.<br />
              Outro que causa escândalo também é aquele que tenta inferiorizar o outro ser humano por causa das suas características. Aquele que faz isso me enoja e não merece ser chamado de um verdadeiro preconceituoso. Este é apenas um arrogante fútil e oportunista. Eu discrimino esse tipo de gente. Está fora do clube. fuck you, bastard! Entre esses estão os malditos nazistas, os vermes escravagistas, os maníacos colonizadores, os (cusp!) americanos  etc. Essas são pessoas que usam o preconceito de forma errada, muitas vezes pra tirar vantagem sobre essas pessoas. Aposto que o Hitler amava os judeus, mas massacrar milhões de suas famílias era muito estratégico para ele, para dar prosseguimento ao seu império ególatra sem sentido. E não duvido nada que os portugueses sempre se amarraram num negão, mas precisavam de sua força e maestria no trabalho, coisas que eles não tinham, pois eram preguiçosos e desajeitados, mas desajeitados que os índios. Pra sorte deles, eles tinham carabinas. Sincero ou não, o preconceito deles é, esse sim, politicamente incorreto.<br />
               Há também o preconceito politicamente correto, e como há. Por exemplo, vai dizer que você não sente uma pontada aguda no peito quando ouve funk? Eu sinto. É uma dor terrível. Vá em qualquer lugar, pergunte a qualquer pessoa. Ninguém gosta de funk. Nem mesmo os funqueiros. Ou até gostam, mas têm vergonha de admitir, pela consciência da ruindade dos ruídos rufantes que fazem. Por exemplo: Se você estiver numa roda de pessoas com pose de intelectual, e entre eles houver um funqueiro, e o assunto debandar para o funk, obviamente com os posudos intelectuais e não preconceituosos esculhambando de todas as formas com o ritmo, o funqueiro logo se esquivará. “Bem, assim, eu gosto de funk, mas não desses funks vagabundos, só gosto de mc Leozinho e tal&#8230;”. Como se mc Leozinho fosse algum gênio da música. O fato é que ele usa isso como subterfúgio pra não se sentir tão inferiorizado. Claro que quando ele estiver na roda de funkeiros ele vai encher a boca e dizer: “gaguega, acabei de baixar o novo funk da mc Jane!”. Mas independente dos funkeiros, os não funkeiros atacam cruelmente o funk. Refinamento musical? Sim. E preconceito também. Mesmo um cara que se atreva a não atacar o funk não será capaz de defendê-lo. O funk é indefensável. E não venha me dizer que é neutro. A não ser que você seja demasiado covarde.<br />
              Uma coisa é eu odiar o funk, maldizer seu estilo de vida pouco edificante ou acusá-los de efêmeros e até de acéfalos, outra coisa totalmente diferente é eu querer matá-los ou pegá-los como escravos, o que não quer dizer, também, que eu tenha que aceitá-los como amigos no orkut ou publicar seus textos no meu blog. Eles que se lasquem pra lá, e eu que me lasque aqui. Seja feliz do seu jeito.<br />
              Certo dia passou no jornal que inventaram uma rede social só para pessoas “bonitas”. Obviamente tratando isso como um verdadeiro absurdo, a primeira reação, a mais óbvia nos dias de hoje, é a de rejeição da ideia, “minino, que absurdo”! mas vamos parar para refletir um pouco, porque isso leva a uma série de reflexões muito interessantes, que mostram que o tema é muito mais complexo do que sugerem os nosso livros de sociologia e a filosofia humanista. Quer dizer, a pessoa não tem o direito de eleger seus padrões de beleza? A beleza é um padrão altamente subjetivo, embora fortemente influenciado pelo meio. Quando uma pessoa  cria uma rede social que só admite pessoas bonitas, quer dizer que ela está julgando quais pessoas parecem bonitas pra ela, e excluindo as outras. Isso também pode querer dizer que ele ache os negros e os amarelos horríveis, e que o site dela só tenha gente ariana, de preferência albina.  Por um lado isso é horrível, mas por outro, será que alguém pode forçá-la a admitir essas pessoas? Então ela deve criar uma rede aberta ou não criar nenhuma? Vamos mais além: E se eu criar uma rede social chamada “só roqueiros, funkeiros dêem o fora!”, alguém vai se importar com isso? Não. Claro, não negligenciemos os fatos. O que ficou claro até agora é que existem duas correntes preconceituosas maiores, ou dois motivos principais para discriminar uma pessoa: Físicos e mentais. Entenda-se como físicos aquilo que concerne ao corpo e a genética, à fisiologia e à anatomia, e mentais aquilo que concerne à ideias. As ideias, por mais cabeça dura que uma pessoa seja, podem mudar a qualquer momento, desde que a pessoa queira. Mesmo que a sociedade ou as circunstâncias ou a vida tenham alguma parcela, a culpa ainda é da pessoa.  Então, se uma pessoa é tosca, a culpa é dela. Se ele é funkeira, a culpa é dela. Se ela fala besteira num artigo de milhares de caracteres, a culpa é dela. Mas e se ela for preta? Bem, aí a culpa não é dela. “ah, então já que isso responde tudo, eu podia encerrar o artigo por aqui, né? Não. Infelizmente, essa constatação não faz senão suscitar mais dúvidas.<br />
              Um funkeiro vai no programa do Márcio Garcia, o canastrão sorridente pergunta ao rapaz que tipo de mulher ele gosta, o funqueiro fala: Ah, eu gosto de garotas loiras, sorridentes e simpáticas, e que não sejam muito baixinhas&#8230;”. E se ele tivesse dito: “Gosto de garotas loiras simpáticas e que não sejam muito negras”? Pareceria meio redundante, porque não é muito normal ver uma loira negra, mas também soaria altamente grosseiro e preconceituoso. Era capaz de o mvbill esquecer a paz e ir dar um murro na boca do falastrão, mas será que o cara não tem esse direito? Ele é obrigado a gostar de todas as características de todas as etnias ou de reprimir seu gosto estético para sempre? Isso parece meio imaturo. Talvez haja uma certa generalização na “regra”. Porque uma coisa é não dar emprego a uma pessoa por causa da cor, e outra é não querer ter filhos com ela. Burro seria eu se não quisesse, mas será que pode existir uma lei contra a burrice?<br />
              Mas vá lá, digamos que todos tenham compreendido que gosto é igual a nariz e que a discriminação seja inerente ao espírito humano. Isso me garante o direito de falar mal dos grupos que eu discrimino? Ou eu devo guardar minhas opiniões para mim? E a liberdade de expressão (deixa eu falar filha da p%¨@)? E se eu quiser escrever um artigo sobre o jeito afetado e falso dos homossexuais? E se  eu quiser dizer que a religião africana não tem nenhum fundamento? E se eu quiser dizer que a música indiana tem uma melodia desagradável? Eu estaria discriminando um grupo étnico? Estaria sendo um desgraçado boçal infeliz? Ou apenas um preconceituoso consciente?<br />
              Enfim, o que percebemos é que temos que conviver com os mais diversos tipos de pessoas pacificamente, isso inclui respeitar os diversos tipos de preconceitos existentes. Assim, ninguém é obrigado a andar com um homossexual se achar ele chato, e os neonazistas (tremo de falar isso) têm o direito de não gostar de negros, homossexuais, latinos nem de ninguém que não seja retardado e branco como eles. O que a moral tem que estabelecer é que todo mundo tem o direito de odiar quem quiser, mas não o de maltratar essas pessoas, ou agredi-las, ou ferir sua moral, pois é possível ser antagonista sem ferir a moral de ninguém, e se não se consegue fazer isso, significa que não se tem argumento real para se pensar de determinada maneira. E a teoria já nasce fracassada.<br />
              Infelizmente essa novela não acaba aqui. Considerando que tais premissas sejam largamente aceitas pela sociedade, e que isso abra uma série de precedentes, e que a polícia correta proclame o direito universal ao preconceito, será que isso seria benéfico para a sociedade? Talvez sim, talvez não. De um lado veríamos cada vez mais apartheid, de diversos grupos. Muita gente seria excluída do processo mundial. Muita gente diria, aos prantos: “o que aconteceu com a sociedade! todo mundo separado! que horror!”, mas isso já parte de algumas premissas erradas. Primeiro a do chorão: “Só porque ele quer um mundo unido e sem fronteiras, nenhum inferno abaixo de nós e acima só o céu, quer dizer que todo mundo deva querer a mesma coisa?”. Segunda: Alguém é obrigado a depender de alguém? Quer dizer, considerando a discriminação dos negros pelos brancos, os negros precisam do aval dos brancos para serem felizes? A gente não pode simplesmente abandoná-los? Ou simplesmente dominar o mundo?<br />
A luta contra o preconceito é muito justa. O ideal humanista de igualdade é lindo, mas nosso pensamento ainda tem muito o que amadurecer, e não podemos ser tão simplistas a ponto de ignorar conflitos morais que até um tosco como eu consegue pensar. Mas até lá, vamos viver. Temos muito ainda por fazer&#8230; Sempre respeitando as liberdades individuais da forma mas ampla possível.<br />
              Viva a liberdade. Viva a individualidade. Viva o preconceito!</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Devana Babu</strong></p>
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