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[29 Aug 2010 | Sem comentários | ]
Um de Nós Tem Que Morrer!

“Um de nós tem que morrer!”
Até hoje, as palavras ecoam na minha mente. Foram pronunciadas pelo João Rotto, naqueles dias tão estranhos, tão comuns naqueles anos.
Lembro até hoje de sua face transfigurada. E de seu gestual típico. O jeito como ele usava as mãos em concha,  retorcendo-as como um epilético, modulando-as no ar, sempre trêmulas. O jeito como ele costumava jogar o peso e a coluna pra trás, apoiando-se na perna esquerda, como fazem os astros de rock no palco. Porque João Rotto nunca saia do palco. A vida …

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[13 Aug 2010 | 2 comentários | ]
Só mais um velho perdido na quimera (Parte III – Final)

Foto: Vladimir Godnik/moodboard/Corbis

A despedida de Montenegro
 
            A minha hora está chegando. E tanto que vivi…, ontem eu era criança, há algumas horas, um rapaz, e neste instante, um velho…, meu Deus! Sentado no peitoril desta janela, observo os pássaros que se vão libertos, libertos… As asas já parecem douradas, refletindo o entardecer à linha do horizonte. Que magia mais encantadora esta da natureza, palavras não transmitem, não sugerem fotografias do que se sente. O sentimento é algo tão profundo que se torna impossível entendê-lo. Fecho os olhos e sinto a …

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[18 Jul 2010 | Sem comentários | ]
Só mais um velho perdido na quimera (Parte II)

As vaidades de um ex-palhaço-professor
 
            Sou um velho vaidoso, nunca neguei isso para ninguém, aliás, quem de longe me vê tem esta mesma constatação: A forma com que falo e gesticulo, com olhar sempre altivo, contrastando com minha tez amorenada e cabelos brancos, muito brancos, e escassos, muito escassos…, tudo, tudo corrobora para o meu aspecto às vezes tosco, às vezes doente, às vezes asilado – ora, pouco me importo com o que pensam de mim, além de mim mesmo, é claro. O meu eu e o meu mim estão …

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[13 Jun 2010 | Sem comentários | ]
Só mais um velho perdido na quimera (Parte I)

“Sucessos” Artísticos
 
            Chamo-me Joaquim. Sou nordestino. Vim de uma família de muitos irmãos e de uma terra de pouca água. De todos, fui um dos raros que conseguiu se sobressair na vida, talvez porque, aliado à minha esperteza, percebi que eu poderia ter emprego fácil e bom na nova capital do País. E foi para lá que, bem cedo, rumei. Fiz concurso. No meio do chapadão, naquele longínquo tempo, concurso era a coisa mais fácil do mundo, quase ninguém tinha fé e para piorar as coisas a imprensa impregnava o …

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[25 Feb 2010 | Um comentário | ]
Surrealismo

              Quando voltei para casa, recebi a informação de que havia chegado uma encomenda para mim. Era uma encomenda vinda aparentemente de outro país, pelo tipo das estampas dos selos. O meu endereço estava correto, em caracteres normais, porém o endereçamento do remetente era feito em letras exóticas, que eu não conseguia decifrar. Não perdi tempo, tal era a minha curiosidade. Abri a embalagem, que fora preparada cuidadosamente, com forros macios para proteger o conteúdo. Em estojos separados, encontrei sete folhas de papel, de uma cor e textura que eu …

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