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INSATISFEITA
Enfim, posso morrer! Já te beijei
a linda boca perfumada e quente,
num beijo longo, divinal, fremente,
um beijo aonde toda me entreguei..
Não me conheço agora. Já nem sei
se fiz bem, se fiz mal. Minha alma ardente
sofria por um bem que tinha ausente,
e morro na ventura em que fiquei…
É assim, o meu amor: eu, que vivera,
na crença de esperança já perdida,
tenho de ti o bem que apetecera!
Por esse beijo, vivo tão dorida,
que, para ser feliz, antes valera
ficar a desejá-lo toda a vida!. . .
Helena Verdugo Afonso
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LUA LACRIMOSA
Não chores, lacrimosa e nÃvea Lua!
Se algo que falei agora te magoa,
Perdoa-me por vil lágrima tua
Que em ti desliza e em mim, na alma, ressoa!
Não chores, não destruas a beleza!
Por minha causa, por causa do amor
Eu não quis te causar nenhuma dor
Sabes que te amo, Musa da Pureza!
Mas, mesmo sendo à noite, a sinfonia,
Ficarias mais linda sendo rosa…
Ficarias mais linda sendo estrela…
Tu, se me amares, pálida e tão bela,
Deixarás de ser lua lacrimosa,
E serás o Sol, luz, fonte do dia!
Rommel Werneck
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Imagem fornecida pelo autor
Sal
O choro é a alma que se desfaz
e que dos olhos rola, goteja,
e lá no sal que destila traz
a desventura de uma tristeza.
Sou só e só sempre a sina sigo
de estar fadado a chorar demais.
Agindo assim eu corro perigo
de não achar nunca minha paz.
E cai a lágrima, indiferente,
como se fosse assim natural.
E o sentimento se faz ausente,
como se bem fosse o que é mal!
Ah, e essa lágrima que não seca,
como quem paga mais do que peca…
(28/01/2010)
Cesar Veneziani
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FILIGRANAS!…
Meu Deus, nem ouro nem prata eu tenho…
Filigranas, porém, eu te ofereço
de meus versos tecidos com empenho…
São rimas de amor que te agradeço!…
O Dom de poetar, tudo cantando:…
Risos e dores, paz e fantasia!…
Só teu poder, em rimas celebrando,
na divina lira da poesia!
Aqui estão, Senhor, rimas de ouro
Pra emoldurar a tela do Infinito!…
Somente a ti entrego o meu tesouro
pra construir um mundo mais bonito!…
Pra iluminar as emoções humanas,
desçam do céu milhões de filigranas!…
Yolanda Ascencio
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Mulher com telefone, c. 1910.
ÚLTIMA TENTATIVA!…
Disquei o telefone, expectativa…
Quantas vezes, ocupado, insistir? …
Tornei a chamar… Última tentativa! …
Atendeste-me, afinal, assumir? …
Que te dizer, agora, que me ouviste?
“Feliz †aniversário, meu Amor! …
“Feliz â€, o que não sou, porque partiste
deixando meu jardim, sem água e flor!…
Tua presença é que lhe dava vida,
perfume, sol, encanto, tua voz,
ao telefone: “Oi, alô, querida! …â€
Quanta distância, hoje, entre nós…
É por isso, meu Amor, que, com Saudade,
Só te posso dizer: “Felicidade!…â€
Yolanda Ascencio

