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	<title>Piagui - Culturalista &#187; Música</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>Hey mãe, tem uns amigos conversando comigo&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 03:15:30 +0000</pubDate>
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              Havia muito verde. Vez ou outra, o falso e belo azul do céu me prendia por segundos a atenção. Mas, assim como Alette Peters, um personagem do livro “Conte-me seus sonhos”, de Sidney Sheldon, eu podia ver mais cores a medida que ouvia as diferentes vozes que invadiam o ambiente. As crianças brincando na quadra. Azul. Um casal de velhinhos fazendo sua caminhada vespertina. Amarelo. Dois policiais que por ali passaram discutindo o futebol do dia seguinte. Cinza Claro. A banda da prefeitura que ensaiava por perto com seus ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSC09805.JPG"></a><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSC09798.JPG"><img class="alignleft size-medium wp-image-1526" title="DSC09798" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSC09798-300x224.jpg" alt="DSC09798" width="300" height="224" /></a>              Havia muito verde. Vez ou outra, o falso e belo azul do céu me prendia por segundos a atenção. Mas, assim como <strong>Alette Peters</strong>, um personagem do livro <strong>“Conte-me seus sonhos”</strong>, de <strong>Sidney Sheldon</strong>, eu podia ver mais cores a medida que ouvia as diferentes vozes que invadiam o ambiente. As crianças brincando na quadra. <em>Azul</em>. Um casal de velhinhos fazendo sua caminhada vespertina. <em>Amarelo.</em> Dois policiais que por ali passaram discutindo o futebol do dia seguinte. <em>Cinza Claro</em>. A banda da prefeitura que ensaiava por perto com seus instrumentos de sopro e sua elegância musical. <em>Azul novamente.</em> Enfim, um mundo que se abria diante de nós, ali, naquela confortável segunda-feira, as 16hs, na <strong>Praça Mandu Ladino. </strong><em></em></p>
<p style="text-align: justify;">              Inicialmente, minha idéia era de entrevistar músicos que convidei de algumas bandas. “Inicialmente”, essa era a idéia principal, mas, somente três das muitas pessoas que convidei, compareceram (é, fica pra próxima). Bem, não vou negar que eu estava empolgado. Mas, confesso que, estranhamente, eu não me sentia ansioso, mesmo com toda a inquietação que é típica do geminiano que me compõe, acho que a palavra certa para aquele momento seria algo que expressasse a leveza e a simplicidade de estar entre amigos. E isso nunca me gera ânsia, pelo contrário. Minutos antes eu já pareço estar radiante, mesmo que o tempo passe devagar, como um olhar apaixonado.</p>
<p align="center"><strong>NUVEM DE PALAVRAS SOLTAS</strong></p>
<p align="center"><em>“Renan, passa aqui!”<br />
</em><em>“Daniel, muito obrigado por me emprestar as câmeras&#8230;”<br />
</em><em>“Será que eles já chegaram?”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSC09791.JPG"></a><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSC09802.JPG"><img class="alignleft size-medium wp-image-1532" title="DSC09802" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSC09802-300x224.jpg" alt="DSC09802" width="300" height="224" /></a>              Essas são as frases que lembro ter dito antes da passagem pela casa de um dos amigos entrevistados que nos acompanharia pelo trajeto até a praça. Quando eu digo “nos acompanharia”, quero dizer Renan e eu. <strong>Renan Correia</strong> é um  grande amigo. A voz dele varia muito. Às vezes cinza, outras um azul tocante e na maioria das vezes um intrigante furta cor sem nexo. O certo é que, além de ter me ajudado fundamentalmente nessa empreitada, ele também participou ativamente da entrevista, com suas palavras de ativista cultural e como conhecedor de várias vertentes musicais. Dentro do carro agora, além de nós, no banco de trás, encontrava-se uma notável figura de cabelos ‘ainda mal cortados’ e seu inseparável violão, nas costas. Falo de <strong>Isaac Mendes</strong>, cantor, violonista e compositor, de raízes nativas, mas, agora residente no DF, cidade de São Sebastião, integrante do importante Grupo Cultural <strong>Radicais Livres</strong>.</p>
<p style="text-align: center;"> <strong>NUVEM DE NOVOS DESTINOS</strong></p>
<p align="center"><em>Avenida Chagas Rodrigues<br />
</em><em>Rua Antonio Dumont<br />
</em><em>Praça Mandu Ladino<br />
</em><em>&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;">              Formato. Aonde diabos eu li mesmo que nada na vida precisava de um formato coerente? Pois é, não lembro. Alias, peço licença para uma breve retratação da frase anterior. Pois é, não lembro e não importa! O que acontece é que simplesmente eu não queria que a entrevista tivesse um rosto igual ao de todos os outros. Eu sempre sonhei em ter um quadro próprio dentro de um site e nele expor minhas idéias do meu jeito. Egoísmo? Eu prefiro chamar de autenticidade. (Os autênticos editam tão mal um vídeo quanto eu? Ah, deixa quieto&#8230;)</p>
<p style="text-align: center;"> <strong>NUVEM DE SIMPLES ACONTECIMENTOS I</strong></p>
<p align="center"><em>“Gente, aqui no chão mesmo&#8230;”<br />
</em><em>“Renan, liga o MP4 pra gravar as vozes&#8230;”<br />
</em><em>“Isaac, testa o automático da câmera&#8230;”<br />
</em><em>“Isaac?”<br />
</em><em>“Ithalo, gravando, viu?”<br />
</em><em>“Isaac?”<br />
</em><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSC09800.JPG"><img class="alignleft size-medium wp-image-1518" title="DSC09800" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSC09800-300x224.jpg" alt="DSC09800" width="300" height="224" /></a>              Renan teve a calma necessária para que, da segunda foto em diante, tudo saísse perfeitamente como no script (se é que o Sophá Cultural admite um). A entrevista inicia e com ela o prelúdio de um belo fim de tarde.</p>
<p style="text-align: justify;">              Comecei a entrevista meio <em>Show do The Strokes</em>, tudo muito <em>cool</em>, galera sentada no chão, MP4 no meio da roda que fizemos, câmera e filmadora na mão e&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;de repente, um carro. No carro, dois homens. Um deles é <strong>André Albuquerque </strong>(bela  camisa, hein?!), guitarrista da <strong>Creidestone </strong>(Acharam o nome meio “Continuação do <em>Mad Max”</em>?), uma banda bem descontraída, talentosa e (a)tipicamente parnaibana.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Bem, podemos começar agora?</em></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Entrevista</strong><br />
<a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSC09798.JPG"><a href="http://www.opiagui.com.br/2009/09/hey-mae-tem-uns-amigos-conversando-comigo/"><p><em>Click here to view the embedded video.</em></p></a></a><br />
<strong>Isaac Mendes tocando e cantando</strong><br />
<a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSC09798.JPG"><a href="http://www.opiagui.com.br/2009/09/hey-mae-tem-uns-amigos-conversando-comigo/"><p><em>Click here to view the embedded video.</em></p></a></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong></strong> <strong>Ithalo Furtado</strong> </p>
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		<title>&#8220;Ela é&#8221; a banda Validuaté!</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 16:08:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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          21 de julho. 1h09min da manhã. 19 perguntas. Madrugada de terça-feira. Nada exato, como tudo deve ser quando o assunto em questão vê na exatidão o contrário de tudo que acredita. Preferi a naturalidade de uma conversa de compadres recém apresentados pelo destino e não formulei previamente nenhuma pergunta, apenas usei o Bloco de Notas para algumas anotações importantes, como temas que eu não deveria esquecer de perguntar e os dados temporais da nossa conversa.
          O início daquela madrugada estava calmo e silencioso. E para não deixar que o ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Validuaté2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-473" title="Validuaté2" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Validuaté2-300x106.jpg" alt="Validuaté2" width="300" height="106" /></a>          21 de julho. 1h09min da manhã. 19 perguntas. Madrugada de terça-feira. Nada exato, como tudo deve ser quando o assunto em questão vê na exatidão o contrário de tudo que acredita. Preferi a naturalidade de uma conversa de compadres recém apresentados pelo destino e não formulei previamente nenhuma pergunta, apenas usei o Bloco de Notas para algumas anotações importantes, como temas que eu não deveria esquecer de perguntar e os dados temporais da nossa conversa.<br />
          O início daquela madrugada estava calmo e silencioso. E para não deixar que o sono se aliasse a essa combinação perigosa para um insone a trabalho, fui até cozinha e me servi de um café bem quente, com leite e açúcar. Nunca simpatizei com adoçantes como nunca simpatizei com livros de auto-ajuda. Tempo. Espera. Ruído qualquer no quarto a meia luz das paredes azuis, uma cor perigosa para quem quer ficar atento. O azul na escala de cores causa sono. Eu cheguei a me sentir Daniel na cova dos leões com tantos fatores querendo me desviar do objetivo que tracei para aquele momento, mas, fui forte. Foi quando dei um clique duplo sobre o Nickname do meu entrevistado e estranhamente lhe desejei <em>“Boa Noite!”</em>. Alguém fissurado em advérbios me mataria se ouvisse aquilo. Ali dei início a uma longa e confortável conversa em dois tempos com <strong>Zé Quaresma</strong>, o vocalista da banda <strong>Validuaté</strong>, de Teresina.</p>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_474" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Quaresma.jpg"><img class="size-medium wp-image-474" title="Quaresma" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Quaresma-300x216.jpg" alt="Quaresma" width="300" height="216" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Zé quaresma &#8211; Vocalista do Validuaté</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo: <em>Olá Quaresma, apresente o Validuaté aos Leitores.</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma:<em> Olá caríssimos leitores. Somos uma banda composta por seis criaturas: Quaresma (voz), Thiago e (Cavaquinho e pandeiro), Vazin (guitarra), Júnior (guitarra solo), Wagner (baixo) e John Well (bateria). A banda existe há 5 anos e já possui dois CDs lançados, além de um DVD conjunto com outras bandas de Teresina.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo:<em> Hum, e o que se passa na cabeça dessas seis criaturas de mentes tão efervescentes? </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Muitas coisas, muitas coisas. Estamos sempre pensando nos próximos passos, próximos projetos. Agora mesmo estamos bastante entusiasmados com a festa de lançamento do “Alegria Girar” (Novo Disco da Banda), nosso segundo filho, e estamos organizando as estratégias para a circulação deste trabalho pelo Brasil, seja através de venda física do disco ou venda de fonogramas individualmente. Outro plano é fazer a banda chegar ao conhecimento das pessoas através de clipes e filmes.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo: <em>Nossa, então podemos esperar muita coisa pra esse segundo semestre, não é mesmo? Inclusive, o “Alegria Girar” vai ser lançado neste dia 23, no Theatro 4 de Setembro. Vocês estão preparando alguma &#8220;Surpresa Validuatérística&#8221; para o evento?</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">(Antes de responder, Quaresma ficou pensativo. Não sei, de alguma forma, ele demorou uns segundinhos para responder. Nada demais, é que de madrugada a ansiedade aumenta. Então, perguntei: <em>“Pensativo?”</em> e ao que ele me respondeu com um singelo e simpático <em>“Ops!”</em>, prosseguimos a conversa.)</p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Já viu nosso site </em><a href="http://www.validuate.com/"><em>www.validuate.com</em></a><em>? Da pra ouvir um pedacinho de cada música. Sobre a apresentação, estamos preparando um lindo show, nos dedicando bastante para que tudo corra bem.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo: <em>Lindo como sempre, o show será &#8220;maior que qualquer coisa em qualquer lugar&#8221;, tenho certeza! Mas, Quaresma, me fale do início da banda, como foi essa união de União com Teresina? (Trocadilho imperdoável). </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>(Risos). Aconteceu quando eu vim estudar na universidade (UESPI-THE) em 2001. Com o tempo fui conhecendo amigos e amigos dos amigos, até que nos encontramos. De União mesmo só eu e o Júnior. O restante é todo daqui de Teresina. Antes da Validuaté, tínhamos outro grupo, mas já queríamos construir algo com identidade. Daí surgiu a Validuaté. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo: <em>E esse nome que nunca termina, Validuaté&#8230; É um infinito a martelar-me a inconsciência! Como surgiu e o que ele representa pra vocês?</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Foi indicação de nosso primeiro baterista (grande abraço, Anderson!) e hoje representa um pedaço de nossas vidas. Surgiu de uma simples expressão e ganhou um sentido, uma identidade e um lugar ao Sol, na música piauiense. </em></p>
<p style="text-align: justify;">(Nesse momento, quando eu iria fazer a sexta pergunta, dois fatos inusitados aconteceram. Quaresma usou a expressão “caindo de sono” para designar-me sua atual situação diante do dia corrido. Ele havia ensaiado com a banda até 00h30min. Resolvemos então continuar a entrevista no outro dia, no mesmo horário onde a ansiedade aumenta e as paredes do meu quarto duelam contra a força do meu café. O outro fato inusitado foi que naquele exato momento, para dizer que não aconteceu nada exato naquela madrugada, a xícara estava completamente vazia, com as bordas sujas de marrom). </p>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_476" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Validuaté4.jpg"><img class="size-medium wp-image-476" title="Validuaté4" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Validuaté4-300x300.jpg" alt="Validuaté - Promocional" width="300" height="300" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Validuaté &#8211; Promocional</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>22.07.09</strong></p>
<p style="text-align: justify;">          O dia passou como uma bicicleta nas dunas do Portinho. Trabalhoso. E parecia que as horas não passavam. Não que eu não goste de deixar as coisas para amanhã, mas é que sofro de ansiedade e eu estava começando a ficar impaciente com minha perna trêmula. Resolvi, então, ligar para o meu entrevistado confirmando a segunda parte da entrevista de logo mais. Tudo certo. Fiquei até mais tranqüilo e dei uma volta de carro para acalmar os ânimos. Lembrei de uma canção que dizia: <em>“Não sei onde estou indo, só sei que não estou perdido. Aprendi a viver um dia de cada vez&#8230;”</em>. Nesse instante tive um lapso de percepção e notei que aquele CD estava no carro e o pus pra tocar, exatamente naquela música. O trecho era como eu pensava. As horas passaram e a madrugada chegou. Quaresma entrou mais cedo e já fomos direto ao ponto, a continuação de nossa conversa de ontem. Iniciei com o que seria minha sexta pergunta do dia anterior. Silêncio, mais café e no meu player, Validuaté, claro! Eu precisava entrar no clima!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>00h11min da manhã.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo: <em>Ontem a gente parou no nome da banda e eu disse que simples expressões são as mais geniais. O Herbert Viana quando foi sugerir ao Biquini Cavadão o nome da banda, além do atual, sugeriu também Biquini Enterradão, pode? Mas, o engraçado da história foi que o próprio pessoal do Biquini que pediu a ele um nome estranho. Engraçado como rola esse lance de nome, é uma coisa quase que almática, empática e eterna. Agora, queria que me relatasse um momento que você considera histórico pra banda.</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Momento histórico pra nós&#8230; Acredito que tenha sido o lançamento do primeiro cd no Theatro 4 de Setembro. Fizemos duas noites de casa cheia e dois shows que marcaram nossas vidas. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo:</strong> <strong><em>Ah, o parto do primeiro filho. Ótima resposta! E quais as musicas mais aclamadas pelo publico na época?</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Naquela época já eram várias. A mais pedida era &#8220;Ela é&#8221;, onde todos cantaram juntos no manifesto contra a má distribuição da beleza. &#8220;Superbonder&#8221; e a fábula do casamento em que os erros eram substituídos por uma super cola. &#8220;Meu bem, nem venha&#8221; teve uma resposta surpreendente do público. Não esperávamos que a aceitação fosse tão boa e ela acabou sendo uma das mais cantadas. Àquela altura todo o disco já era conhecido e bem cantado pelo público.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo: <em>Juro, quando ouvi o CD fiquei louco pra te perguntar! Quaresma, verdade que &#8220;você não tem uma banda&#8221;?</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>(Risos). Na época em que fiz a música eu tinha menos ainda. Hoje consigo sobreviver. Essa coisas de pedir um real emprestado eu guardei de uma cena boba de novela que me fez rir quando eu era adolescente. Nem lembro mais qual era a novela. Aí nos tempos de UESPI, quando experimentamos muitas experiências de “liseira” coletiva e geral, resolvi fazer a música, muito inspirado nas cenas do dia-a-dia na Universidade.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo: <em>É, a música é bem cotidiana mesmo, uma coisa meio Guimarães Rosa das gírias urbanas! Mas, antes de falarmos do Alegria Girar, me fala o que você acha da Cena Musical Piauiense? Quais artistas chamam tua atenção? Algum deles influenciou a banda?</em> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>O cenário musical piauiense tem acompanhado de certa forma a evolução do cenário nacional. Pela facilidade de acesso a bons estúdios e pela possibilidade de uma difusão instantânea do trabalho via internet, estamos vivendo um momento muito importante em nossa história cultural. Percebo que os artistas e bandas mais novos são os que estão tirando os melhores proveitos disso. Destaque para o <strong>Conjunto Roque Moreira</strong> e <strong>Batuque Elétrico</strong>, para falar de parceiros bem próximos. Trabalhamos em ritmos parecidos e caminhamos em trabalhos paralelos. Vários outros artistas também estão trabalhando intensamente para produzir bons discos e bons shows, fazendo com que o nível de qualidade dos nossos produtos culturais só aumente mais e mais.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo: <em>Sim, principalmente pela diversidade. Temos desde o Regional até o Rockaliby né? E a música piauiense é bastante conhecida pelo contexto de suas letras. Além de vocês, artistas como Teófilo Lima, Roraima, Max Palhano, Conjunto Roque Moreira e tantos outros, conseguem harmonizar boas letras, muitas vezes poesias musicadas, com a ótima melodia que as acompanha. Essa riqueza, Quaresma, já não devia ser reconhecida pelos grandes veículos? Como você vê isso, certa resistência contra a região, falta de apoio? Qual sua opinião?</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Ainda não temos uma aceitação voluntária dos grandes veículos para nossa música. Falo das grandes rádios. As TVs são super abertas para nossas produções, assim como os jornais. Acredito que isso será uma questão de pouco tempo para que se veja nossa música com melhores olhos. Falo da música porque é meu contexto. Mas penso que em todos os setores as produções têm avançado bastante e em algum tempo muito breve teremos mais respeito por nossos artistas. Isso poderá gerar mais incentivo da iniciativa privada, maior difusão dos projetos do setor público, etc. Infelizmente, parece que ainda temos que atestar nossa qualidade fora para que seja reconhecida aqui dentro do estado. Tenho esperanças de que isso mude. </em>   </p>
<div id="attachment_478" class="wp-caption alignleft" style="width: 225px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Validuaté31.jpg"><img class="size-medium wp-image-478" title="Validuaté3" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Validuaté31-215x300.jpg" alt="Promocional &quot;Alegriar Girar&quot;" width="215" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Promocional &quot;Alegriar Girar&quot;</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo:<em> Bem, me fale das parcerias do Alegria Girar. Como foi gravar com personalidades como Ferreira Gullar, Zéu Brito, Isaac Bardavid e Lirinha? </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Foi uma experiência formidável ter algum contato com essas pessoas tão especiais para nós. O Lirinha é o único que conheço pessoalmente e por isso eu tinha uma esperança mais firme de tudo dar certo para sua participação no disco. Como realmente aconteceu.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo: <em>Mas, e como se deu o contato com eles? No caso, o Ferreira, o Isaac e o Zéu, que você não conhecia. </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>O Sr. Ferreira Gullar foi-nos aproximado via fone por um amigo. O contato foi feito para que ele cedesse um trecho de um fonograma seu. Uma gravação de 1971. Tudo correu bem. O Sr.Gullar é um homem elegante e gentil. Somos muito gratos a ele. Para a participação do Zéu contamos com algumas boas coincidências. No ano passado, durante a Feira Internacional da Música de Fortaleza, ficamos hospedados no mesmo hotel de uma banda chamada <strong>A Volante do Sargento Bezerra</strong>, de Salvador. Ótima banda de forró, com ótimas letras e músicos fantásticos. Fiz amizade com o baixista, <strong>André Tiganá</strong>, que tomava café junto conosco sempre. Quando entrei em contato com a produtora de Zéu e recebemos sua resposta afirmativa ao convite, liguei imediatamente para o André para fazer a gravação em seu estúdio. Falei da participação do Zéu e ele me disse que era também baixista dele. Aí tudo se resolveu facilmente. E a participação do grande Isaac Bardavid, foi outra grande surpresa. Sua voz é algo muito presente em nossa memória cinematográfica, das produções dubladas no Brasil desde décadas e décadas atrás. Fiquei seu fã pela dublagem do personagem Wolverine dos X-men. Depois fui vendo a quantidade de trabalhos que ele já tinha feito. Num belo dia, depois de algumas tentativas frustradas de conseguir contato com ele, assistindo ao filme &#8220;Escorpião Rei&#8221;, eis que lá estava a voz de trovão de Isaac Bardavid. No comecinho do filme ouvi: Versão brasileira Delart, Rio. Aí visitei o “www” da Delart e pouco depois me puseram em contato direto com o Sr. Isaac. Fiquei emocionado em falar com ele e mais ainda de saber que ele aceitou o convite. Foi a participação que se resolveu mais rapidamente. Quando ouvi em casa com a banda, ficamos  encantados. Depois liguei agradecendo, e perguntei onde tinha sido gravado e ele disse: nos estúdios Herbert Richers. Aí completou tudo mesmo.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo: <em>&#8220;Herbert Richers&#8221;, acho que esse nome deve ter te soado nostálgico e tão presente que os tempos se confundiram na tua memória, por que foi e é algo muito vivo na cabeça de todo mundo aquela frase: &#8220;Versão Brasileira, Herbert Richers&#8221;. Meu Deus, imagino tua reação, deve ter sido surreal. Aliás, nem imagino, mas, consigo visualizar que é um lugar nem um pouco comum na vida de uma pessoa esse momento, ídolo-fã e toda uma história simples e marcante e que várias pessoas também a comungam. E o Lirinha, como o conheceu?</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Nosso primeiro produtor, César Caranguejo, que hoje mora em Aracaju, trabalhou com o Cordel em São Paulo quando eles ainda eram independentes.  Era muito amigo dos caras. Foi a ponte. Através do César conheci a produtora Liana Santada que faz a produção local quando da vinda de Lirinha a Teresina. Foi com ela que pude me aproximar e apresentar o trabalho da Validuaté. Em sua última visita à capital, mostramos uma gravação preliminar da música &#8220;O Hermeto e o Gullar&#8221; e ele aceitou de cara o convite. Ficamos demasiadamente felizes naquele dia. Grande Lirinha, grande pessoa!</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo:<em> Sim, não o conheço pessoalmente, mas, do Cordel eu sou fã. Inclusive, vejo o trabalho deles muito próximo ao de vocês, na mistura de ritmos, na ousadia dos arranjos, na poesia. Foi um dos fatores para que ele gravasse com vocês? Essa proximidade musical? </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>A proximidade principalmente com o estilo da canção em que ele participa. Uma levada maracatu, com viola caipira, versos eneassílabos e rock.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo:</strong> <strong><em>Ah, e indiretamente há outra &#8220;parceria&#8221; no CD. Uma regravação do Grande Márcio Greyck (a música “Eu preciso de você”)! Ha um tempo você já vinha sondando alguma regravação e o Márcio veio preencher essa lacuna?</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Não pensávamos em regravar outros compositores. A música entrou primeiro no repertório dos shows. Foi a resposta do público que nos impulsionou a regravá-la. Sou fã do Márcio, e vez por outra trocamos algumas palavras por e-mail. Foi uma grande alegria para nós saber que ele gostou de nossa versão, da gravação, do arranjo.</em><strong> </strong></p>
<div id="attachment_479" class="wp-caption alignleft" style="width: 284px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/capa.jpg"><img class="size-full wp-image-479" title="capa" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/07/capa.jpg" alt="Capa Alegria Girar" width="274" height="286" /></a><p class="wp-caption-text">Capa Alegria Girar</p></div>
<p><strong>Ithalo:</strong> <strong><em>E qual a inspiração para o encarte do novo trabalho? Eu, particulamente, me encantei muito.</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Segue o padrão do primeiro: representar uma imagem da faixa título, no caso, Alegria Girar. Neste segundo, usamos, na verdade, duas canções. A segunda é <strong>A lenda do Peixe Francês </strong>e acabamos criando outras possibilidades de interpretação e reconstrução dos sentidos do que já havia no disco. Quando terminamos todo o álbum, vimos que ele já ganhara vida e pulsava por si só. O texto de Ferreira Gullar abre perfeitamente o disco, em consonância com a imagem da capa, que se encaminha para o fechamento com Alegria Girar. Gullar diz: &#8220;Caminhos não há, mas os pés na grama os inventarão. Aqui se inicia uma viagem clara para encantação&#8221;. A moça com os pés na grama é a cena de véspera para o verso: “Já é tempo de sair do lugar, já é tempo da alegria girar”. E assim o disco se fecha, de modo a preservar o teor narrativo que prevalece em todo o álbum.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo: <em>Quaresma, onde os fãs poderão adquirir e/ou ter acesso ao novo trabalho do Validuaté?</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Já estão nas lojas Toccata discos, Moral (Riverside) e Livraria Universitária (Riverside) além de se encontrar na produtora Bumba Records. Em breve estaremos distribuindo o disco para outras lojas pelo estado.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo:</strong> <strong><em>Quaresma, uma última pergunta antes de encerramos nossa conversa. Você pretende lançar algum trabalho na área literária? Como um livro de poesias ou qualquer outra obra que você tenha em mente?</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Ainda não. Talvez eu escreva contos um dia. Mas é mais provável que eu enverede pelo cinema e escreva roteiros e coisas do tipo. Na literatura quem vai despontar é meu grande parceiro Thiago, já com livro escrito, ele está agora vendo o melhor momento para lançá-lo. O livro se chama &#8220;Cabeça de Sol em cima do trem&#8221;. É aguardar pra ler e se deleitar.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ithalo: <em>E encerrando, uma mensagem para os fãs e admiradores do Validuaté. Aproveite o ensejo e convide todos ao lançamento do disco.</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quaresma: <em>Amigos que acompanham a Validuaté. Sejam felizes para sempre e não percam o show de lançamento do Cd Alegria Girar, dia 23 de julho no Theatro 4 de Setembro, às 19h. Acompanhem ainda pela internet no <a href="http://www.validuate.com/">www.validuate.com</a>, Myspace: </em><a href="http://www.myspace.com/validuate"><em>www.myspace.com/validuate</em></a><em>, no PalcoMP3 da banda que segue no link </em><a href="http://www.palcomp3.com.br/validuate"><em>www.palcomp3.com.br/validuate</em></a><em>, no blog que pode ser encontrado acessando: <a href="http://www.validuate.blogspot.com/">www.validuate.blogspot.com</a>, no Twiter:  <a href="http://www.twiter.com/validuate">www.twiter.com/validuate</a> e pela comunidade do orkut. Este cd é incentivado pela <strong>Lei A. Tito Filho</strong>, com patrocínio de <strong>FACID</strong> e <strong>Faculdade Santo Agostinho</strong>. Um lançamento <strong>BUMBA RECORDS</strong>. A Lei A. Tito Filho é um importante instrumento de realização de projetos culturais no município. Sem este incentivo, certamente teríamos grandes dificuldades para realizar este trabalho.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em>(E no desfecho, Quaresma, um dos artistas mais brilhantes e humildes que já conheci, me faz um pedido. <em>Ithalo, revise todo o texto antes de publicar, por favor. escrever de madrugada nos expões à sonolência dos dedos&#8230;</em>)</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Ithalo Furtado</strong></p>
<p style="text-align: justify;">  </p>
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