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	<title>Piagui - Culturalista &#187; Entrevistas Históricas</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>Luiza Amélia de Queiroz</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Dec 2009 03:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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<div id="attachment_756" class="wp-caption alignleft" style="width: 237px"><img class="size-medium wp-image-756" title="Luiza Amélia recortada" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Luiza-Amélia-recortada-227x300.jpg" alt="Luiza Amélia" width="227" height="300" /><p class="wp-caption-text">Luiza Amélia</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Este mês de dezembro completa 171 anos do nascimento de D. Luiza Amélia de Queiroz. Nascida no dia 26 de dezembro de 1838, foi, ela, uma das mais importantes expressões poéticas do País, enquadra-se entre as poucas mulheres do século XIX a publicar livro e ser bem aceita no meio literário. Nasceu em Piracuruca e morou parte da vida, quando do segundo casamento, em Parnaíba com Benedicto Madeira Brandão. Era notadamente uma mulher de inteligência espetacular e sensibilidade aguçada. A sua vida é um grande mistério para estudiosos e pesquisadores. Faleceu na terra de Simplício Dias da Silva no dia 12 de novembro de 1898, vítima de câncer. Não teve filhos, mas deixou para o mundo duas obras que representam, sem sombra de dúvidas, o marco maior, e principal, do Romantismo no Estado, hoje, infelizmente, tão negado. Cognominaram-na “Princesa da Poesia Romântica do Piauí”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Piagüí – O futuro já sabe da sua importância para o Piauí, mas queremos de suas próprias palavras quem foi Luiza Amélia?<br />
</strong><strong>Luiza Amélia –</strong> Pergunta difícil, principalmente para uma mulher como eu, mas vou tentar responder. Luiza Amélia foi uma mulher que viveu dois períodos distintos de vida: A primeira, nas suas primeiras núpcias com o Sr. Pedro Nunes, homem bastante especial e generoso, todavia, competente às minhas energias de moça; freando-me, controlando-me&#8230;, coisas que, inclusive, eram mesmo comuns àquela época, cujas mulheres deviam se submeter ao julgo dos maridos; por conta daquela situação, esta fase de minha vida foi marcada por versos fortes em relação à bruteza masculina, à liberdade, à luta&#8230; Ah, como eu podia esquecer&#8230; Casei muito jovem, e não conseguia entender a ausência dos homens no lar, isso me era um tormento tão grande que, tão-logo, fez florescer, em mim, um sentimento muito ruim: O ciúme; mas não um ciúme qualquer, um ciúme refletido em versos. Era certo que eu vivia bem com o Sr. Nunes, mas não era como muitos pensavam, bem&#8230; Eu poderia ilustrar com os seguintes versos que compus em um desses momentos sofridos: “Não me julgues feliz, ó donzela, / Não me invejes querendo imitar; / Desta vida que julgas tão bela, / Deus te livre das dores provar. / De que serve a mulher nesta terra / Ter na mente sublime ideal? / Pra sofrer de mil nescios a guerra / Crua guerra, tremenda e fatal?”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Piagüí – Versos tristes, esses&#8230; Mas nos diga: E a segunda fase seria a de uma Luiza Amélia mais madura, mais independente?<br />
</strong><strong>Luiza Amélia –</strong> Sem dúvidas, ou melhor, em partes! Após aquele período difícil com o Sr. Pedro Nunes, resolvi parar de escrever, havia eu publicado somente um livro: “Flores Incultas”, e pensava ser, ele, o caixão de meu estro literário. Foi quanto meu marido morreu e passei por um longo período em luto, até conhecer o Sr. Benedicto Madeira Brandão, rico comerciante que me encantou, fazendo renascer, em mim, a coragem para seguir a vida; foi aí que me casei novamente e com ele vivi lindos momentos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Piagüí – “Lindos momentos”? Poderia nos explicar o que quis dizer com isso?<br />
</strong><strong>Luiza Amélia –</strong> Sim! O Sr. Brandão tinha uma coisa semelhante ao Sr. Nunes: Não tinha muito tempo para o lar; em contrapartida, era um homem de visão de futuro: Valorizava os dotes de sua esposa e em uma dessas tardes o flagrei – era dezembro de 1886 – lendo alguns de meus papéis antigos, dos quais eu havia escrito na adolescência, eram alguns cantos de “Georgina ou Os Efeitos do Amor”, e assim me disse:<br />
            “- Porque a não concluis?<br />
            &#8211; Não vale a pena, e demais, já passou-me a ilusão, a mania de fazer versos.<br />
            &#8211; Faze um esforço.<br />
            &#8211; Já que queres!&#8230;”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignleft size-medium wp-image-2868" title="Capa Georgina ou Os Efeitos do Amor" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Capa-Georgina-ou-Os-Efeitos-do-Amor-214x300.jpg" alt="Capa Georgina ou Os Efeitos do Amor" width="214" height="300" />O Piagüí – Foi então aí que nasceu Georgina?<br />
</strong><strong>Luiza Amélia –</strong> Sim, recebendo-a daquelas mãos, “percorri com o olhar aquelas páginas um pouco amarelecidas pelo tempo. Que multidão de defeitos encontrei então na pobre abandonada! Era mister corrigi-los, visto que tinha de comparecer em público. Assim, tive de mutilar e recompor o 1.º canto, reformar quase em toda sua totalidade os três que se lhe seguem, para passar ao último, do qual havia feito somente um leve esboço. Não sei se agradei ao público”, todavia, do Sr. Dr. Francisco Dias Carneiro recebi um elogio digno de cidadãos que atingiram os píncaros da glória; a propósito, foram suas as palavras que escolhi para o prefácio de Georgina, o seu ensaio foi tão rico que o transcrevi em sua íntegra, e no livro ocupa dezesseis páginas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Piagüí – Creio que todas as mudanças de versos, acréscimos e retiradas, devem ter lhe tomado um tempo precioso, afinal de contas, o livro é divido em cinco grandes cantos&#8230;<br />
</strong><strong>Luiza Amélia –</strong> &#8230; Com certeza, mas fiz tudo com um enorme prazer, faltava-me mesmo apenas o apoio de meu marido, o que já havia sido dado incondicionalmente. Apesar de no ano seguinte eu ter iniciado os preparativos de “Georgina”, foi somente em 1896, portanto, três anos antes de minha morte, na Tipografia a vapor da Pacotilha, no Maranhão, que ele veio a público. Foi uma alegria sem tamanho para mim, estava ressuscitada, ali, a velha e guerreira Luiza Amélia. Tratei de ofertá-lo aos amigos dos mais longínquos lugares do Brasil, dentre eles eu destacaria um de muito apreço e simpatia literária, o Sr. Simplício Mello de Bezerra.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Piagüí – Como deve saber, as suas obras, hoje, estão perdidas. Infelizmente o destino houve de dar-lhe a roupagem de anonimato. O que nos diz disso?<br />
</strong><strong>Luiza Amélia –</strong> O que eu digo (sorriu)?! Bem, acho que não tenho nada a dizer a não ser da minha tristeza. Se hoje me desconhecem como pioneira do romantismo no Piauí é por conta da ignorância de uns poucos falsos intelectuais que se prestam ao desserviço da literatura do estado de forma intencionada. Mas, de fato, há uma explicação lógica para que isso tenha acontecido: Meus livros, tanto “Flores Incultas” quanto “Georgina”, só vieram a público em uma edição, o que, consequentemente, lhe consagram, mais de um século depois, exemplares de colecionador. Sabe, não creio que meus livros estejam perdidos, na realidade, estão bem guardados, mas tão bem guardados em bibliotecas particulares, que vão assim, atravessando décadas e mais décadas até que um dia sirvam, definitivamente, de alimento aos cupins. Enfim, o que deixo a vocês é que neste vasto campo de pesquisa ainda há muito que se descobrir, por exemplo, há um grande equívoco quando me elegem como a única mulher em Parnaíba a escrever no século XIX&#8230; O que diria minha amiga Francisca Motenegro com isso? Ela era uma ótima poetisa, cheia de versos patrícios, mas, diferente de mim, não teve tanta repercussão por não ter publicado nada em vida, a não ser nos jornaizinhos que em Parnaíba circulavam. Voltando aos assuntos dos meus livros, a realidade é esta: Os que os têm, e sabem da importância deles, permanecem calados, como se fossem donos do saber; como se “Flores Incultas” e “Georgina” lhes dessem asas ao ponto de não fazê-los tocar o chão, quando, por feito do bom senso, deviam tornar meus versos públicos, a fim de que, ao menos, pudessem ser reeditados e assim eternizados de uma vez por todas.  </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Piagüí – Falando em Poesia, poderia nos deixar alguns versos?<br />
</strong><strong>Luiza Amélia – </strong>Seria um enorme prazer, ditarei duas oitavas: </p>
<p style="text-align: left; padding-left: 90px;"><strong>Desengano</strong></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Desengano cruel, palavra imensa,<br />
selo fatal que o desespero imprime!<br />
em teu seio pulula a dor intensa,<br />
o delírio da morte e a voz do crime!<br />
o teu aspecto mau produz descrença,<br />
crucia o coração que a mágoa oprime,<br />
e teu sinistre olhar em calafrios<br />
enfraquece a razão, enerva os brios!</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Tu és, maligno ser, dum belo sonho,<br />
que a mente nos fascina, em mago encanto,<br />
o rude despertar! gênio tristonho,<br />
que uma existência toda funde em pranto!<br />
pálida sombra dum pungir medonho,<br />
quem te não teme? quem? teu negro manto<br />
acoberta um sofrer que não tem nome,<br />
que punge! que lacera! que consome!</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">(&#8230;)</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Daniel C. B. Ciarlini</strong></p>
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		<title>Os Exterminadores</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 03:55:43 +0000</pubDate>
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             Prosseguindo com a série Entrevistas Históricas com personagens importantes da História da Parnaíba, vamos conversar com quatro figuras que, no anseio de tomar a terra dos índios para situar suas fazendas, praticaram um dos maiores genocídios da história da humanidade. Durante mais de um século, imprimiram aos indígenas uma guerra que chamavam de “justa”. São eles: Antônio da Cunha Souto Maior, Bernardo de Carvalho Aguiar, Manoel Peres Ribeiro e João do Rego Castello Branco.
 
O Piagüí: (ao ACSM) Como o senhor veio parar na Capitania do Piauhy?
ACSM: vim de Pernambuco, ...]]></description>
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 <br />
<em><strong>O Piagüí: (ao ACSM)</strong> Como o senhor veio parar na Capitania do Piauhy?<br />
</em><strong>ACSM:</strong> vim de Pernambuco, em 1697, para residir na fazenda Caraíbas, a dez léguas da barra do rio Canindé. Comigo vieram dois negros, que me serviam como ajudantes. Ajudei a escolher o local onde seria construída a igreja de N S da Vitória, na futura vila da Mocha, que seria, depois, a capital, Oeiras.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O Piagüí:</strong> e o senhor, BCA?<br />
</em><strong>BCA:</strong> vim de Portugal, da vila Pouca de Aguiar, para a cidade do Salvador. Após receber a patente de capitão de Infantaria da Ordenança, fui combater os índios precatis, em 1690. Daí, deixei a família em Salvador, e passei, em 1691, para o Piauhy, onde fundei um curral em Cabeça do Tapuia, hoje, São Miguel do Tapuio. Em 1694, passei para as terras de Santo Antônio do Surubim, hoje Campo Maior, onde situei, com quatro negros, a fazenda Bitorocara, que ficou conhecida como Arraial Militar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O Piagüí:</strong> e o senhor, seu MPR?<br />
</em><strong>MPR:</strong> chequei de Portugal, e aqui na vila de N S de Monserrathe da Parnahiba, como sargento-mor, eu era a maior autoridade, pois a capitania do Piauhy ainda não tinha sido instalada. Vim a convite do sertanista de contrato, o baiano Pedro Barbosa Leal, fundador dessa vila, por volta de 1710, quando os temíveis tremembés faziam grandes estragos nos arraias do Norte da capitania, eles não queriam facilitar a instalação dos currais de gado.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O Piagüí:</strong> a mesma pergunta vai para o senhor, JRCB?<br />
</em><strong>JRCB:</strong> eu nasci aqui, na vila de N S de Monserrathe da Parnahiba, vila também fundada por meu pai, que era administrador de fazendas do coronel Pedro Barbosa Leal. Na época, era muito perigoso residir por essas bandas, pois os nossos vizinhos eram os terríveis tremembés. Meus pais foram: o pernambucano João Gomes do Rego Barros, de importante família de Olinda, e a portuguesa Anna Castello Branco de Mesquita, filha do português tronco da família Castello Branco no Brasil, dom Francisco da Cunha Castello Branco. Fui criado vendo mortes e assistindo os índios arrasando as nossas plantações e matando o nosso gado.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O Piagüí:</strong> como se tornaram matadores de índio?<br />
</em><strong>ACSM:</strong> fui nomeado pelo governador do Maranhão, João Barros da Guerra, para o posto de capitão-mor e mestre da conquista dos índios do Piauí e Maranhão. Em 1712, a guerra contra os nativos rebelados já tinha sido declarada e passei para o lado do Maranhão para subjugar os índios que se organizaram sob o comando do famigerado Mandu Ladino. Com uma tropa de índios que considerava sob minha autoridade, passei a sufocar os nativos das margens do rio Iguará, no Maranhão, mas fui traído por eles e pelo meu próprio irmão Pedro, que foi preso acusado de ser cúmplice em minha morte, de facinoroso e assassino. Os índios me sacrificaram no dia 12 de junho de 1712, ficando com minhas armas e munição de boca, tornando-se mais arrogantes.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O Piagüí: </strong>e o senhor, Bernardo de Carvalho Aguiar?<br />
</em><strong>BCA:</strong> depois de subjugar e exterminar muitos precatis, na Bahia, recebi a patente de mestre da conquista do Maranhão e do Piauí, auxiliado pelo Francisco Cavalcante de Albuquerque, assumindo o lugar do Antônio da Cunha Souto Maior, morto pelos próprios índios. Antes de chegarmos à região do delta parnaibano, destruímos a tribo dos aranahys. A guerra se fazia cruel e sanguinária, tanto do lado do Maranhão, como do Piauí, onde os índios eram liderados pelo astucioso Mandu Ladino. Armamos uma cilada no delta do Parnaíba, e ele foi morto ao tentar fugir atravessando, a nado, o rio Igaraçu, na altura do Porto das Barcas. Sou considerado o fundador das cidades piauienses de São Miguel do Tapuio e de Campo Maior, onde ajudei a construir a igreja de Santo Antônio do Surubim, e de São Bernardo, no Maranhão. Recebi manto e cruz como cavaleiro da Ordem de Cristo. Carta de 16 de abril de 1730 comunicou o meu falecimento ao rei dom João V.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O Piagüí:</strong> e como aconteceu como o senhor, Miguel Peres Ribeiro?<br />
</em><strong>MPR:</strong> como os índios não davam sossego aos colonos que queriam se instalar no litoral do Piauhy, fui convocado para dirigir os trabalhos de guerra de conquista desse território, com sede na vila de N S de Monserrathe. Em 1712, eles fizeram muitos estragos nesse arraial, e muitas fazendas foram destruídas. Mas, imprimimos um levante contra esses brutos e conseguimos subjugar alguns e exterminar muitos. Em 1716, consegui, junto com as tropas de Bernardo de Carvalho Aguiar e Francisco Cavalcante de Albuquerque, dar cabo ao Mandu Ladino. Mandu foi encurralado na ilha Grande de Santa Isabel, e quando tentou atravessar o rio Igaraçu, a nado, eu já estava de prondidão. Ele ficou na minha mira, foi fácil alvejá-lo com um tiro de bacamarte. Os outros índios ficaram loucos tentando resgatar seu grande líder, mas Mandu Ladino não respirava mais. Recebi os agradecimentos do rei de Portugal, dom João V. Mandu Ladino foi, segundo o escritor Carneiro da Silva, a mais autêntica expressão da resistência indígena à conquista e ocupação do solo pelos colonos.  Daí, os índios perderam força, muitos foram exterminados, numa revolta dos índios contra os curraleiros do Norte do Piauí, que durou até 1721, e que ficou conhecida como Confederação dos Tapuias do Norte.  Em 1728, retornei para minha terra, Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O Piagüí:</strong> já o senhor, João do Rego, é condenado por ser o maior matador de índios do Piauhy, não?</em>        <br />
<strong>JRCB:</strong> vi muitas mortes de colonos pelos índios cruéis do litoral do Piauhy, na vila de N S de Monserrathe, o que me fez ter pavor e desejo de vingança. Em 1751, eu era cabo e fazia guerra contra os acoroaiz e os timbiras, matando e capturando a todos os que encontrava. Depois, fui combater os gueguês. Em 1758, ganhei a patente de capitão. Passei a exterminar incontrolavelmente os índios do Piauhy. Em 1760, com o seqüestro dos bens dos jesuítas, que foram expulsos do Brasil e de todo reino português, fui contemplado com a fazenda São Romão, que antes pertencera a Mafrense. Em 1762, o governador João Pereira Caldas recebeu ofício expedido pelo Ministério da Marinha Real, informando da declaração de guerra, da França e Espanha, contra Portugal. Nesse mesmo ano, o governador me autorizou a ocupar o delta do Parnaíba e defender o litoral da capitania do Piauhy, dos ataques dos aventureiros espanhóis e franceses. No litoral, comandei tropas com contingentes fornecidos pelas vilas da Parnaíba e Campo Maior, e que foram sustentadas pelos bois da fazenda dos herdeiros de José de Abreu Bacellar. No ano seguinte, Portugal e Espanha assinaram tratado de paz e findou a ocupação militar no delta do Parnaíba. Em 1764, empreendi novo ataque a tribo dos gueguês, onde matei muitos índios e os que subjuguei, os aldeiei no famoso aldeamento de São Gonçalo do Amarante. Esse aldeamento se rebelou e, eu e meu filho, Félix do Rego Castello Branco, marchamos contra esses índios, onde aconteceu grande matança. Depois de mortos, cortamos as suas cabeças e expusemos no topo de postes, no centro da própria aldeia, para que servisse de exemplo. Esse extermínio ficou para história, como o símbolo do genocídio das tribos piauienses. Em 1772, quando morava em Oeiras, parti de lá para combater os índios de Jerumenha, que haviam se levantado. Nessa época, eu era o oficial de maior patente na capitania do Piauhy, como tenente-coronel de Milícias. Em 1776, fui promovido ao posto de tenente-coronel comandante do Regimento de Cavalaria Auxiliar da Guarnição da Capitania do Piauhy. Depois, parti de Oeiras, para combater os índios pimenteiras. Fui muito cruel, matei índios, ferrei-os a fogo, violentei índias, sou responsável pelo o massacre dos índios acroás, jaicós, gueguês, timbiras, pimenteiras, gamelas e outros. Dizem que o homem tem que ser julgado à luz de seu tempo, mas os historiadores do Piauí escrevem me considerando “um matador de índios que ultrapassou, de longe, os limites de seu tempo”. Sou acusado de grandes atrocidades contra os índios deste estado. Hoje, o estado do Piauí não tem nenhuma reserva indígena.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Diderot Mavignier</strong></p>
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		<title>Mandu Ladino</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 22:27:54 +0000</pubDate>
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              Prosseguindo com a série Entrevistas Históricas com personagens importantes da História da Parnaíba, vamos conversar com Mandu Ladino, índio guerreiro que reuniu mais de vinte tribos, contra os brancos invasores, usurpadores de suas terras e tranqüilidade. Mandu Ladino comandou uma revolta no Piauí, atingindo também o Ceará e o Maranhão, na segunda década do século XVIII. Essa rebelião ficou conhecida como Levante Geral dos Tapuias do Norte ou, Confederação dos Tapuias do Norte.
 
O Piagüí: Como a história que fica é a dos vencedores, pouco sabemos sobre a sua origem. ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia;"></p>
<div id="attachment_1427" class="wp-caption alignleft" style="width: 260px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Mandu-Ladino.jpg"><img class="size-medium wp-image-1427" title="Mandu Ladino" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Mandu-Ladino-250x300.jpg" alt="Caricatura: Mauro Júnior" width="250" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Caricatura: Mauro Júnior</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Prosseguindo com a série <em>Entrevistas Históricas </em>com personagens importantes da História da Parnaíba, vamos conversar com <strong>Mandu Ladino</strong>, índio guerreiro que reuniu mais de vinte tribos, contra os brancos invasores, usurpadores de suas terras e tranqüilidade. Mandu Ladino comandou uma revolta no Piauí, atingindo também o Ceará e o Maranhão, na segunda década do século XVIII. Essa rebelião ficou conhecida como <em>Levante Geral dos Tapuias do Norte</em> ou, <em>Confederação dos Tapuias do Norte</em>.</p>
<p> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: Georgia;"><em>O Piagüí</em></span></strong><span style="font-family: Georgia;"><em>: Como a história que fica é a dos vencedores, pouco sabemos sobre a sua origem. De onde você veio?<br />
</em></span><strong><span style="font-family: Georgia;">ML: </span></strong><span style="font-family: Georgia;">Na verdade nem mesmo eu sei de onde vim. Aqueles que escrevem sobre a minha biografia não se afinam quanto a minha procedência. Alguns dizem que sou tremembé, outros dizem que fui criado no aldeamento cariri de Boqueirão, dirigido pelo padre Lucé, da ordem dos capuchinhos, em localidade situada na capitania de Pernambuco. O certo é que perdi minha tribo aos doze anos de idade e meu nome de colonizado era Manoel. </span> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: Georgia;"><em>O Piagüí</em></span></strong><span style="font-family: Georgia;"><em>: Dizem que você foi educado por padres?<br />
</em></span><strong><span style="font-family: Georgia;">ML: </span></strong><span style="font-family: Georgia;">Fui educado pelos capuchinhos do aldeamento do Boqueirão. Eram padres da Companhia de Jesus. Lá, sofri com as humilhações, depois de ter a minha tribo dizimada, e queimados os nossos objetos de adoração. Os padres afirmavam que nossas crenças eram cultos demoníacos. Na verdade, eles queriam nos juntar em aldeamentos, para que nossas terras ficassem disponíveis para os colonos criadores de gado. Como era muito esperto, me chamavam de Ladino. </span> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: Georgia;"><em>O Piagüí</em></span></strong><span style="font-family: Georgia;"><em>: Como foi a sua educação com os padres?<br />
</em></span><strong><span style="font-family: Georgia;">ML: </span></strong><span style="font-family: Georgia;">Primeiro, me ensinaram a língua dos brancos. Depois me cristianizaram com processos rígidos e violentos. Não aceitávamos essa idéia de céu, e quando discordávamos, o castigo era o trabalho dobrado na roça, o aumento na vigilância, e outras punições. </span> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: Georgia;"><em>O Piagüí</em></span></strong><span style="font-family: Georgia;"><em>: Como conseguiu fugir?<br />
</em></span><strong><span style="font-family: Georgia;">ML: </span></strong><span style="font-family: Georgia;">Certo dia, os brancos conseguiram dominar uma tribo, e com os irmãos índios prisioneiros, os padres e os mestres-de-campo trouxeram seus objetos, vestimentas cerimoniais, adornos e outros mitos para serem queimados. Antes que os objetos fossem jogados na fogueira, os índios do aldeamento se rebelaram, houve muita matança e foi morto o padre Martinho. Depois de atearmos fogo na capela, fugimos e conseguimos ganhar as matas. Seguimos rumo Oeste, sempre perseguidos, mas conseguimos chegar às terras dos tremembé, nos sertões do Piagüí, às margens do rio Longá. Mas fui novamente preso e vendido como escravo a um fazendeiro. Maltratado e feito escravo, juntei minhas mágoas às de outros irmãos índios que viviam sacrificados com a presença dos brancos instaladores de currais, nas barrancas do rio Paraguaçu. Juntei algumas tribos e começamos a flagelar o arraial da Parnaíba.</span> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: Georgia;"><em>O Piagüí</em></span></strong><span style="font-family: Georgia;"><em>: Que tribos você reuniu para fazer grandes estragos no arraial da Parnaíba, em 1712?<br />
</em></span><strong><span style="font-family: Georgia;">ML:</span></strong><span style="font-family: Georgia;"> Nessas correrias reunimos índios da tribo dos Anacês. A partir daí fomos perseguidos pelo mestre-de-campo Antônio da Cunha Souto Maior, com ordens do governador do Maranhão, Cristóvão da Costa Freire, para que eu fosse eliminado a qualquer custo. A partir daí, a confederação foi se organizando e se juntaram as tribos dos Acariús, Guanacences, e outras até inimigas.</span> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: Georgia;"><em>O Piagüí</em></span></strong><span style="font-family: Georgia;"><em>: Como conseguiram matar Souto Maior?  <br />
</em></span><strong><span style="font-family: Georgia;">ML: </span></strong><span style="font-family: Georgia;">Esse sanguinário mestre-de-campo foi traído pelos próprios índios de sua obediência e que comandava. Fizemos esses índios entenderem que lutavam contra irmãos. Além de Souto Maior, morto no dia 12 de julho de 1712, os índios sacrificaram toda sua tropa e o seu ajudante, o cabo Tomás do Vale. Neste episódio, culparam o irmão de Souto Maior, Pedro, acusado de ser cúmplice em sua morte. Daí, foi passado o comando dos massacres, deuma guerra chamada justa, para Francisco Cavalcante de Albuquerque, que se juntou ao capitão-mor Bernardo de Carvalho Aguiar, dono da fazenda Bitorocara, conhecida como Arraial Militar. Tornei-me a figura, quase lendária, mais procurada pelos brancos do Norte do Piauí, enfrentando a ira do governador do Maranhão, sendo obrigado a não permanecer por muito tempo acampado no mesmo local. Muitas atrocidades a mim foram atribuídas.</span> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: Georgia;"><em>O Piagüí: </em></span></strong><span style="font-family: Georgia;"><em>O que aconteceu depois da morte de Souto Maior?<br />
</em></span><strong><span style="font-family: Georgia;">ML: </span></strong><span style="font-family: Georgia;">Os combates se tornaram mais violentos e os índios mais agressivos, passando a incomodar os colonos com mais hostilidade. Fazíamos ataque de guerrilhas, pilhávamos as fazendas, impedíamos a passagem das boiadas que seguiam para o lado do Ceará, e impedíamos os auxílios do Ceará destinados ao Maranhão. E assim, as notícias das guerras chegaram até ao rei de Portugal, dom João V. </span> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: Georgia;"><em>O Piagüí: </em></span></strong><span style="font-family: Georgia;"><em>O próprio governador do Maranhão lhe deu combate?<br />
</em></span><strong><span style="font-family: Georgia;">ML</span></strong><span style="font-family: Georgia;">: O governador Costa Freire saiu de São Luís à frente de numerosa força, com o objetivo de nos castigar, mais com as nossas guerrilhas, seu propósito foi frustrado. Contra nós, vieram até tropas do Grão-Pará.</span> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: Georgia;"><em>O Piagüí</em></span></strong><span style="font-family: Georgia;"><em>: Vocês escaparam dos golpes de Carvalho Aguiar?<br />
</em></span><strong><span style="font-family: Georgia;">ML</span></strong><span style="font-family: Georgia;">: Depois de luta, escapamos das tropas do capitão-mor Bernardo de Carvalho Aguiar, porém, este não nos dando cabo, descarregou sua ira sobre a tribo dos Aranis, com bastante crueldade.</span> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: Georgia;"><em>O Piagüí</em></span></strong><span><em>: Como foi a sua morte?<br />
</em><strong>ML: </strong>E</span><span style="font-family: Georgia;">stávamos na região do rio Iguará, no Maranhão, quando fomos atacados, simultaneamente, pelas tropas de Francisco Cavalcante de Albuquerque e do Bernardo de Carvalho Aguiar auxiliado pelo sargento-mor da vila da Parnaíba, Manoel Peres Ribeiro. Fomos encurralados no delta do Parnaíba. Sem opção, fui obrigado a me dirigir para o continente e pular no rio, onde fui fuzilado ao tentar atravessar a nado o rio Igaraçu, na altura do Porto das Barcas, pelo Peres Ribeiro, que depois ganhou graça do rei de Portugal. Apesar dos meus cinqüenta anos, conservava meu porte atlético e meu vigor físico. Ainda era capaz de percorrer, em marcha batida, cinco léguas por dia, e de disparar uma flecha certeira a uma distância de quatrocentos passos. </span> </p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><span style="font-family: Georgia;">O Piagüí</span></strong><span style="font-family: Georgia;">: Hoje, você tem o reconhecimento do povo do Piauí, por ter sido um herói que lutou pela liberdade de nossa terra.<br />
</span></em><strong><span style="font-family: Georgia;">ML</span></strong><span style="font-family: Georgia;">: Depois da minha morte, os meus irmãos do Piauí continuaram a ser massacrados. Para mim isto é terrível, pois não sobraram índios, os verdadeiros donos da terra que herdaram de Deus, não tomaram de ninguém. Quando os primeiros invasores chegaram à capitania do Piauí, relatavam que a terra estava deserta, mais cheia de nativos bravos. Para eles, índio não era gente, apenas um elemento indesejável. Não vejo glória em ser famigerado, nem herói, apenas queria de volta o meu povo, que era feliz nas ribeiras do Piagüí.  </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: Georgia;"><strong>Diderot Mavignier</strong></span></p>
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		<title>João Gomes do Rego Barros</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 01:26:16 +0000</pubDate>
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             Prosseguindo com a série Entrevistas Históricas com personagens importantes da história de Parnaíba, vamos conversar com João Gomes do Rego Barros, administrador de fazendas do nosso primeiro entrevistado da semana passada, Pedro Barbosa Leal, responsável pelo marco histórico da cidade de Parnaíba, no início do século XVIII, quando Parnaíba era um povoado chamado Arraial Novo. 
O Piagüí: Quando e onde o senhor nasceu?
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<p style="TEXT-ALIGN: justify"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/FAZENDEIRO.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1057" title="FAZENDEIRO" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/FAZENDEIRO-238x300.jpg" alt="FAZENDEIRO" width="238" height="300" /></a>             Prosseguindo com a série <em>Entrevistas Históricas </em>com personagens importantes da história de Parnaíba, vamos conversar com João Gomes do Rego Barros, administrador de fazendas do nosso primeiro entrevistado da semana passada, Pedro Barbosa Leal, responsável pelo marco histórico da cidade de Parnaíba, no início do século XVIII, quando Parnaíba era um povoado chamado Arraial Novo. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><strong><em>O Piagüí: </em></strong><em>Quando e onde o senhor nasceu?<br />
</em><strong>JGRB:</strong> Nasci em Olinda, Pernambuco, filho de João do Rego Barros, que morreu em 1697, e está sepultado na Capela da Igreja da Nossa Senhora do Pilar, nessa cidade fundada por Duarte Coelho. Meu pai foi comendador da Ordem de Cristo, capitão-mor e governador da capitania da Paraíba e obteve a propriedade do Ofício de Provedor da Fazenda Real de Pernambuco. Minha mãe chamava-se Caetana Theodora Valcaçar. Como naquela época era difícil fazer desobriga e conseguir documentos, não tenho por certo a data de meu nascimento, que foi por volta de 1665. Sou descendente de uma das mais importantes e prestigiadas famílias estabelecidas na província de Pernambuco, os Rego Barros. Fui Fidalgo da Casa Real de Portugal, e capitão-mor da Parnahiba.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><strong><em>O Piagüí:</em></strong><em> Como chegou às terras do Piauí, que ainda não estavam desbravadas?<br />
</em><strong>JGRB:</strong> As terras do Piauí, que ainda não tinham a sua autonomia como capitania, ora pertenciam à jurisdição da Bahia, ora de Pernambuco. Como o Sertão de Rodelas, hoje, sul do estado, já estava sob o domínio da Casa da Torre dos Dias D’Ávila, o Governador Geral do Brasil, dom Rodrigo da Costa, autorizou o coronel baiano, Pedro Barbosa Leal, situar fazendas no Piauí, e também no Maranhão. Logo depois, as terras do Piauí passaram para jurisdição do Estado do Maranhão e Grão-Pará. Daí, fui convidado pelo coronel Leal, para administrar a sua fazenda e seus negócios, no Norte do Piauí. Cheguei na Parnahiba, no início do século XVIII, por volta do ano da graça de Deus de 1710. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><strong><em>O Piagüí: </em></strong><em>O que lhe fez permanecer no Norte do Piauí?<br />
</em><strong>JGRB:</strong> Quando chegamos ao litoral do Piauí, eu e o coronel Leal, logo percebemos que o local era promissor e poderia se transformar num entreposto comercial. Instalamos as primeiras oficinas de couro, charque, sebo e sal, e os negociantes vinham até a nossa fazenda, deixavam a sua produção de algodão, fumo e ervas do sertão, e carregavam seus barcos com os nossos produtos. O Maranhão e o Piauí produziam tanto algodão, que o pano cru deste material corria as duas capitanias como dinheiro. Outros traziam bois como moeda de troca. Também vendíamos produtos vindos de Portugal, trazidos de mercados como o de São José do Ribamar, atual Fortaleza, Ceará, e Recife, Pernambuco. Esses negociantes vinham tanto do sertão do Piauí, como entravam com suas sumacas pela barra do Igaraçu, vindos de outras capitanias. O curtimento do couro era com a casca do angico preto, que produzia a melhor sola de toda a colônia. Vinham os compradores de sal, em suas canoas, que voltavam pelo rio acima a fazer venda desse gênero. Vinham também compradores em seus comboios de cavalos e éguas, pelos sertões do Piauí. O local se tornou bastante movimentado. Nessa época, existia uma casa forte na barra do Igaraçu, no sítio chamado Amarração, para segurança dos comboios de ouro, que vinham de Minas Gerais, com destino a São Luiz e Belém. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><strong><em>O Piagüí:</em></strong><em> Quando chegou ao Norte do Piauí, já havia outros fazendeiros?</em><strong><br />
JGRB: </strong>Sim. Muitos colonos e mazombos já tinham ganhado sesmarias. Em 1702, carta régia do rei de Portugal, dom Pedro II, determinou que todos os sesmeiros, donatários e povoadores do Piauí, demarcassem suas terras no prazo de dois anos, sob pena de ficarem devolutas. Os processos adotados para legalizar as terras eram complicados e demorados, geralmente se levava anos para receber o documento da propriedade. As terras do coronel Leal, no Norte do Piauí, eram tantas que, ele foi dando e aforando a quem aparecesse e se interessasse em se fixar no lugar, daí, a importância do trabalho do coronel Leal, na formação de Parnaíba. O escritor Euclides da Cunha trata-o, no seu livro <em>Os Sertões,</em> como “tenaz sertanista”, pessoa que se embrenhava nos sertões à cata de riquezas, um desbravador. Em 1710, também possuía terras às margens do Igaraçu, o mestre-de-campo Antônio da Cunha Souto Maior, morto pelos índios, em 1713, na Confederação dos Tapuias do Norte. José de Abreu Bacelar tornou-se um dos maiores rendeiros dos dízimos da capitania do Piauí, possuía fazendas no litoral. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><strong><em>O Piagüí:</em></strong><em> O senhor foi casado em primeiras e segundas núpcias com duas filhas de dom Francisco da Cunha Castello-Branco?<br />
</em><strong>JGRB:</strong> Dom Francisco foi tronco dos Castello-Branco, no Piauí. Em primeiras núpcias, casei com Maria Eugênia de Mesquita Castello-Branco e fomos pais de Maria Eugênia de Mesquita, Lourenço dos Passos Rego, Rosendo Lopes do Rego e João do Rego Castello-Branco. Este último, tornou-se o maior matador de índios da capitania do Piauí, nasceu em Parnaíba, e faleceu em Oeiras, em 1800, após longa enfermidade e cegueira. Com a morte de minha primeira esposa Maria Eugênia, casei em segundas núpcias com Maria do Monte Serrate Castello-Branco e tivemos três filhas: Francisca do Monte Serrate, Florência do Monte Serrate e Anna do Monte Serrate Castello-Branco. Por volta do início do mesmo século, incontáveis são as famílias que aqui moravam, posso citar alguns conhecidos: João Gonçalves Pereira, Antônio Fernandes Lima, Domingas Rodrigues, Francisco Gonçalves Correia Lima, Antônio Rodrigues, Maria Fernandes, dentre outros tantos, que remetiam a Portugal os Autos de Habilitação, a fim de tomarem posse das terras de seus falecidos parentes. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><strong><em>O Piagüí:</em></strong><em> No princípio vocês fundaram em Parnaíba, a Vila Velha. Por que ela prosperou e depois entrou em decadência?<br />
</em><strong>JGRB:</strong> Quando chegamos, o lugar era um povoado chamado Arraial Novo. A Vila Velha, que tinha capela dedicada a São Bernardo, sofreu com muitos ataques de índios, o que fazia as pessoas marcharem em retirada. Outro duro golpe para que a vila não prosperasse foi a proibição da produção de sal no Brasil, pelo governo da Metrópole, que concentrou essa produção em Cabo Verde, para uma espécie de controle, o sal tinha virado moeda de troca. </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><strong><em>O Piagüí:</em></strong><em> Por volta de 1711, vocês construíram a capela de Monserrathe. Como aconteceu?<br />
</em><strong>JGRB:</strong> Pedimos licença ao bispado de São Luiz, Maranhão. Construímos essa capela para que todos, na vila, pudessem rezar, receber comunhão, fazer seus batizados e casamentos. A capela recebeu a santa, a padroeira dos navegantes, Nossa Senhora de Monserrathe, vinda de Portugal, e o povoado ficou conhecido como vila de Nossa Senhora do Monserrethe da Parnahiba. A santa era a de devoção do coronel Leal, e a “parnahiba” era o mais importante instrumento de trabalho na vila, a faca estreita e comprida com que se retalhava carne, para produção do couro e do charque. Depois, essa faca ficou conhecida como lambedeira, mas teve outras denominações pelo Nordeste. Com a revolta dos índios, comandados pelo famigerado Mandu Ladino, remetemos a imagem da santa para o povoado de Piracuruca. Em 1716, o sargento-mor da vila da Parnahiba, Manoel Peres Ribeiro, matou o índio Mandu Ladino, e aos poucos os índios perderam força. Nessa época, a vila da Parnahiba tinha como autoridades, um sargento-mor e um capitão-mor, conforme determinação da carta régia do rei de Portugal, dom Pedro II. Autoridades que, numa vila, comandavam a milícia chamada Ordenanças, no Brasil colonial.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><strong><em>O Piagüí:</em></strong><em> Quando o coronel Pedro Barbosa Leal voltou para a Bahia, o senhor ficou no litoral do Piauí?<br />
</em><strong>JGRB:</strong> Sim, pois já tinha constituído família e não quis voltar para Pernambuco. Nessa época, a vila de Nossa Senhora de Monserrathe da Parnahiba tornou-se um entreposto comercial, que depois se chamou Porto das Barcas. Em 1725, recebi carta de sesmaria na ilha Grande de Santa Izabel, concedida pelo governador do Estado do Maranhão e Grão-Pará, João da Maia da Gama, tornando-me o primeiro a desbravar as terras dessa ilha. Também recebi outras sesmarias no delta do rio Parnaíba, quando os índios Tremembés contavam com os serviços do padre João Tavares, da Companhia de Jesus, que foi vice-reitor do Colégio do Maranhão, e com os do padre Gabriel Malagrida, que vinham trabalhando na catequese dos nativos do litoral do Piauí. Minha morte se deu na vila da Parnahiba, pouco depois de 1725, quando uma grande seca assolava, desde a Bahia até o Piauí, estiagem que perdurou de 1723 a 1727, causando em toda vastíssima zona, grandes prejuízos. Depois, muitos ganharam sesmarias em terras da Parnahiba: Manoel Miguel (principal dos Tremembé do delta do Parnaíba), Francisco Tavares Coelho, João Lopes da Cruz, José de Abreu Bacelar, João Rabelo Bandeira, Manoel Rebelo e Silva, Francisco Pereira Rabelo, Mariana Castello Branco, Paulo Afonso, Luís Pereira de Abreu, e outros. Depois da minha morte, soube que esteve aqui, no litoral do Piauí, o governador Maia da Gama que, em 1728, desceu o rio Parnaíba com a sua comitiva, partindo da barra do rio Poty, em uma canoa e duas balsas de buriti. O governador Maia da Gama foi grande defensor dos sesmeiros do Piauí, e encontrou, entre os índios Tremembé, os padres Carlos Pereira e Francisco Lira. Quando, em 1759, aqui chegou o primeiro governador do Piauí, João Pereira Caldas, a capitania já possuía 536 fazendas e inúmeros sítios. Meu esforço, do coronel Leal, bem como de outros desbravadores, fizeram a prosperidade para a criação, em 1762, da vila de São João, hoje cidade da Parnaíba. Naqueles tempos, o futuro já espelhava grandeza para esta terra.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><strong>Diderot Mavignier</strong></p>
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		<title>Coronel Pedro Barbosa Leal</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 05:26:08 +0000</pubDate>
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              Em comemoração ao 14 de Agosto – Dia da Parnaíba, vamos iniciar uma série de “entrevistas” com vultos importantes da nossa História. Pedro Barbosa Leal é o primeiro, e o grande responsável pelo marco inicial da Parnaíba, no começo do século XVIII, quando o povoado era conhecido como Arraial Novo. Leal conta ao O Piagüí como chegou ao litoral dos temíveis índios Tremembé do delta do rio Paraguaçu, e como instalou as primeiras oficinas de couro, charque e sal, na região.
 
 
O Piagüí: Onde o senhor nasceu e como se ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Coronel-Pedro-Barbosa-Leal.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-867" title="Coronel Pedro Barbosa Leal" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Coronel-Pedro-Barbosa-Leal-261x300.jpg" alt="Coronel Pedro Barbosa Leal" width="261" height="300" /></a>              Em comemoração ao 14 de Agosto – <strong><em>Dia da Parnaíba</em></strong>, vamos iniciar uma série de “entrevistas” com vultos importantes da nossa História. Pedro Barbosa Leal é o primeiro, e o grande responsável pelo marco inicial da Parnaíba, no começo do século XVIII, quando o povoado era conhecido como <em>Arraial Novo</em>. Leal conta ao <strong>O</strong> <strong>Piagüí</strong> como chegou ao litoral dos temíveis índios <em>Tremembé</em> do delta do rio <em>Paraguaçu, </em>e como instalou as primeiras oficinas de couro, charque e sal, na região.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em> </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em> </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Piagüí</em></strong><em>: Onde o senhor nasceu e como se tornou desbravador?<br />
</em><strong>PBL</strong>: Nasci na Bahia, no final do século XVII, filho de portugueses que vieram procurar riquezas na grande colônia lusa, o Brasil. Como minha família era humilde e tinha relacionamentos com os poderosos Dias D’Ávila da famosa Casa da Torre, de Tatuapara, na Bahia, obtive concessão do Conselho Ultramarino e do vice-rei do Brasil Vasco Fernandes César de Menezes para explorar terras, e me tornei sertanista, uma espécie de bandeirante com licença para situar fazendas. Meu lado aventureiro me estimulou a não respeitar fronteiras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Piagüí</em></strong><em>: Como e por qual motivo o senhor chegou ao Piauí?<br />
</em><strong>PBL</strong>: As fazendas da Bahia e de Pernambuco eram destinadas ao plantio da cana-de-açúcar, e alguém tinha que produzir alimentos. Somente no sertão longínquo é que era permitido criar gado. Foi aí que vislumbrei uma oportunidade de melhorar de vida, e parti para o Norte do Brasil a situar fazendas, onde as terras só tinham que ser conquistadas aos nativos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Piagüí</em></strong><em>: O que achou das terras do Piauí?<br />
</em><strong>PBL</strong>: Com uma expedição, cheguei por aqui quando praticamente só existiam índios, considerados os mais temíveis e formosos do Brasil. Como a terra era cortada por vários rios e rica em <em>capim mimoso</em> que dava ótimos rendimentos para a criação de gado, situei três fazendas na região: uma próxima da Fazenda Cabrobó, (Oeiras-PI); uma à margem esquerda do rio <em>Paraguaçu</em> (Timon-MA); e uma terceira à margem direita do rio das Canoas Grandes (rio Igaraçu-PI), próximo do mar, pois aí podia escoar minha produção de couro, carnes secas e sal. Na minha época, o rio Parnaíba era conhecido como rio <em>Paraguaçu</em>, denominação dada pelo padre Antônio Vieira, quando passou por aqui, nos meados do século XVII. Somente por volta de 1748, é que esse rio passou a ser chamado de Parana-iba, depois Parnaíba.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Piagüí</em></strong><em>: Por que o senhor decidiu se fixar no litoral do Piauí?<br />
</em><strong>PBL</strong>: Aqui o clima era mais ameno e achei que poderia fundar uma vila, pois o lugar me parecia fantástico para um futuro entreposto comercial. Além disso, a terra era belíssima com fauna e flora exuberantes. E assim aconteceu: eu e o meu administrador, João Gomes do Rego Barros, fundamos a <em>Vila Velha</em>, que a princípio prosperou, mas depois, entrou em decadência em virtude dos ataques dos Tremembé. As pessoas tinham receio dos índios, e se retiravam. Com mais controle sobre os nativos, pedimos ao bispado de São Luís-MA, autorização para construção da igreja de Nossa Senhora do Monte Serrathe, santa de minha devoção e padroeira dos navegantes. Assim, o local começou a prosperar e virou um porto movimentado, que depois chamaram de <em>Porto das Barcas</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Piagüí</em></strong><em>: Como eram as suas fábricas de couro e o comércio na época?<br />
</em><strong>PBL</strong>: Da Bahia e do Ceará trouxemos as ferramentas básicas para a produção do couro e do charque. O instrumento principal era a faca <em>parnahiba</em>, facalhão usado nos açougues da cidade do Salvador, Bahia. Com ela, matávamos milhares de bois por ano que eram transformados em couro e charque, e os fazendeiros do sertão vinham ao lugar para comprar também outros produtos, como o sal, trigo, especiarias e tecidos. Em homenagem ao instrumento que me deu grandes lucros, a faca <em>parnahiba</em>, denominamos o lugar de <em>Vila de Nossa Senhora do Monte Serrathe da Parnahiba.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Piagüí</em></strong><em>: Como o senhor enfrentou a resistência dos índios?<br />
</em><strong>PBL</strong>: Na época, existiam no Piauí e Maranhão, os mestres-de-campo da conquista que sacrificavam os nativos rebeldes e suas tribos. Eu e o João Gomes tratávamos os índios com habilidade, tanto que o João ocupou, sem problemas,  terras na ilha Grande de Santa Isabel, doadas pelo governador do Maranhão João da Maia da Gama. Mas, em 1712, um índio chamado Mandu Ladino conseguiu reunir mais de vinte tribos contra os colonos que queriam suas terras para criar gado. Eles atacavam de surpresa as fazendas, e prostravam as imagens de santos. Para que não se perdesse a imagem de Nossa Senhora do Monte Serrathe da Parnahiba, que mandei vir de Portugal, resolvi remetê-la para a freguesia de Piracuruca. Em 1716, o Manoel Peres Ribeiro, sargento-mor da vila da Parnahiba, emboscou e conseguiu matar esse índio. Também era capitão-mor da Parnahiba, o Antônio de Oliveira Lopes. Em 1718, o rei de Portugal, dom João V, criou a capitania do Piauí. Soube que só foi instalada em 1758.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Piagüí</em></strong><em>: Soubemos que, em 1728, nas suas fazendas, hospedou-se o governador do Maranhão? Como foi isso?<br />
</em><strong>PBL</strong>: Foi o português João da Maia da Gama. Ele era capitão-general do Estado do Maranhão e Grão-Pará. Quando ele deixou o governo em São Luís, o rei de Portugal, dom João V, pediu que, antes de retornar para Portugal, ele fizesse uma inspeção das barras dos rios do Maranhão e das capitanias vizinhas. Ele entrou no Piauí, pela barra do Poti, onde eu também tinha uma fazenda. De lá, ele foi até a vila da Mocha, descendo depois, rumo ao litoral. Em seu <em>Diário</em><em> de Regresso</em>, ele registrou a sua viagem e fez relatos de nossas fazendas, incluindo a fazenda daqui do litoral.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Piagüí</em></strong><em>: Quando o senhor retornou à Bahia?<br />
</em><strong>PBL</strong>: Depois da revolta dos índios, o João Gomes já tinha constituído família aqui no litoral do Piauí, e desejava se fixar de vez. Ele casou-se com dona Ana Castello Branco de Mesquita, filha do português dom Francisco da Cunha Castello Branco. Ficou cuidando das fazendas e eu fui atrás dos diamantes dos sertões de Sergipe e da Bahia.  João Gomes e dona Ana Clara tiveram quatro filhos, aqui na Parnahiba: Maria Eugênia, Lourenço dos Passos, Rosendo Lopes e João do Rego Castello Branco. Este último se tornou o maior matador de índios da capitania do Piauí, praticou um genocídio. Com a morte de dona Ana Clara, João Gomes casou-se em segundas núpcias com a sua cunhada Maria Eugênia. João Gomes faleceu em 1725, na Parnahiba. Ele era pernambucano de Olinda. Voltei então para Bahia, onde o vice-rei Vasco Fernandes César Menezes, preocupado com a evasão do quinto do ouro e a desordem naquelas minas, encarregou-me de abrir um caminho ligando Rio de Contas a Jacobina. Promovi a criação de várias vilas no sertão baiano, como Livramento, Piatã, Rio de Contas e Jacobina, e Japaratuba e Santo Amaro das Brotas, em Sergipe, onde desfruto de grande reconhecimento público. Em Santo Amaro das Brotas, em 1721, eu e minha esposa Mariana de Espinosa doamos aos frades carmelitas, terras para construção de um convento, o que fez a vila prosperar. Não retornei mais para Parnahiba, a vila que criei no litoral do Piauí, mas soube que, já nos meados do século XVIII, tinha se tornado um importante entreposto comercial com grande movimento de barcos. Gostaria de ter o reconhecimento do meu trabalho, pelos parnaibanos de hoje. Quando dizem que Parnaíba tem 163 anos, menosprezam o meu trabalho e do João Gomes do Rego Barros, e cento e cinqüenta anos de história. Corremos muitos riscos de vida entre os índios, para que fosse erguida essa maravilhosa cidade, que na verdade tem quase trezentos anos de fundação.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Diderot Mavignier</strong> </p>
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