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	<title>Piagui - Culturalista &#187; DESTAQUES</title>
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	<description>O nome O Piagüí vem do Tupi, significa “rio dos peixes piaus”. Foi o primeiro nome dado pelos índios Tremembé ao estado do Piauí (berço da nossa marca cultural). O projeto Piagüí tem esse nome porque além de carregar a bandeira do culturalismo, valoriza as nossas origens e costumes,  favorecendo a cultura de um modo especial com conteúdo que desfila em todas as esferas da arte e da história. O Piagüí Culturalista, portanto, é um projeto agregador e não pertence a um pequeno grupo ou classe, é patrimônio do mundo.</description>
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		<title>ENTREVISTA: Aláercio Zamuner, escritor e contador de &#8220;causos&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 04:17:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[ENTREVISTAS]]></category>
		<category><![CDATA[ENTREVISTA: Aláercio Zamuner]]></category>
		<category><![CDATA[escritor e contador de "causos"]]></category>

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O PIAGUÍ: Professor, o senhor já possui publicado um livro de estórias, artigos sobre literatura, e agora somos presenteados com o Cantare Estórias, um livro de histórias relacionadas à cultura popular. Como é ser professor e escritor num país em que ler não é popular?
ZAMUNER: Considerando um princípio de conversa, as duas atividades me completam. É uma grande diversão: trabalhar com literatura, teoria literária, depois brincar com as estórias, como nos exemplos dos contadores iletrados de minha infância. Em todos estes momentos estou envolvido nesta arte milenar de contar estórias, ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignleft size-medium wp-image-4280" title="DSC_0336" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC_0336-300x201.jpg" alt="DSC_0336" width="300" height="201" />O PIAGUÍ:</strong> <em>Professor, o senhor já possui publicado um livro de estórias, artigos sobre literatura, e agora somos presenteados com o Cantare Estórias, um livro de histórias relacionadas à cultura popular. Como é ser professor e escritor num país em que ler não é popular?<br />
</em><strong>ZAMUNER:</strong> Considerando um princípio de conversa, as duas atividades me completam. É uma grande diversão: trabalhar com literatura, teoria literária, depois brincar com as estórias, como nos exemplos dos contadores iletrados de minha infância. Em todos estes momentos estou envolvido nesta arte milenar de contar estórias, que de modo geral traz, de um ângulo, aspectos de literatura culta, de outro, os aspectos da literatura popular: esta literatura narrada oralmente por pais, tios, avós, denominada também de “causos”. Veja, os motivos da pouca leitura são dois: tradição “brasileira” da não leitura, criada ao longo dos anos: forma de colonização, elite agrária; essas coisas, e mercado editorial extremamente caro. E isso é aroeira de dar em doido! Comprei uma edição das obras completas de Shakespeare, edição econômica, umas 500 páginas, nos EUA, por 10$. Para chegar a este ponto temos de aparar enormes arestas editorias e comer muito feijão.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O PIAGUÍ:</strong> <em>No que consiste um causo? Há escritores famosos que escreveram sobre tal gênero?<br />
</em><strong>ZAMUNER:</strong> Bem, grosso modo, o “causo” está para as estórias de cunho popular, principalmente quando trazem o sabor da narrativa oral, quando, mesmo editada, percebemos uma dicção, uma voz de alguém que está ali, na frente de uma plateia contando estórias. É fácil perceber isso, basta voltar a atenção para expressões como:  vai ouvindo, pode não acreditar, mas é pura verdade, veja, “Mire veja” etc. De chofre, aponto o autor que estudei no Mestrado, João Guimarães Rosa. Mas devemos tomar cuidado, pois Guimarães Rosa dialoga com o “causo” popular, inicia com este motivo, mas vai léguas além, mas sempre firme no tom do “causo”. Um exemplo está em Grande Sertão: veredas. Temos aí uma grande contação de estórias a um interlocutor oculto (que não emite, explicitamente, uma só palavra), e só o percebemos na fala do narrador protagonista: claramente um contador de “causos”, narrando sua vida, andanças no sertão Mineiro. Podemos perceber isso bem no início: “- Nonada. Tiros que o senhor ouviu&#8230;”, depois, “ Bom, ia falando:&#8230;”. Outra expressão recorrente é: “Mire veja”. Então, grosso modo, quando o sinal de um contador popular aparece em uma obra, podemos dizer que a narrativa se aproxima do “causo”. Mas esta discussão vai longe, merece maiores apontamentos teóricos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<div id="attachment_4281" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><strong><img class="size-medium wp-image-4281" title="Professor José Aláercio Zamuner, autor da foto Silvio César" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Professor-José-Aláercio-Zamuner-autor-da-foto-Silvio-César-300x201.jpg" alt="Professor José Aláercio Zamuner (foto: Silvio César)." width="300" height="201" /></strong><p class="wp-caption-text">Professor José Aláercio Zamuner (foto: Silvio César).</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>O PIAGUÍ:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Quais os escritores que mais te influenciaram?<br />
</em><strong>ZAMUNER:</strong> Aqui faço sempre uma paragem nos contadores de “causos” de minha infância, principalmente meu pai, Zico Tropeiro, depois, visito a literatura “culta”, que se expande em uma linhagem vinda desde as grandes narrativas épicas, depois deste percurso volto ao encontro das estórias orais, os “causos” de Pedro Malazartes, de assombrações  que ouvia na minha infância. Tenho uma aproximação maior com Guimarães Rosa por ser o autor do meu Mestrado, mas mesmo neste momento busquei na obra de Guimarães -  Sagarana, a dicção do contador de “causos”. O tema do meu Mestrado foi: “Os narradores de ‘causos’ em ´O Burrinho Pedrês`”, Sagarana.  Veja, aí, que os contadores de “causos” de minha infância são determinantes nesta pesquisa. Fato interessante é que: a estória do bezerro “erroso” que abre “assustadoramente” o Grande sertão: veredas, já ouvia, quando criança, de pai. Por isso não posso dizer que este ou aquele autor me influenciou mais nesta minha linha de criação e estudo. Pensando bem, a influência maior está na literatura oral, iletrada: nos contadores de “causos”, não é?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O PIAGUÍ:</strong> <em>Fale um pouco sobre seu livro.<br />
</em><strong>ZAMUNER: </strong>Ah, Cantare Estórias flerta com a narrativa popular, tem como motivo as estórias do povo, principalmente sertanejo, mas não são essencialmente só “causos”. Traz o sabor do “causo”. E mais ainda, eu procuro enfatizar o tom de um “causo” quando faço uma contação de estórias&#8230; Cantare pretende retomar os primórdios das narrativas, fazer um misto de conto e canto. Esta foi minha intenção, porque cresci ouvindo modinha, cantigas de roda, estórias populares, provérbios e lendas, cantos dos pássaros, narrando estórias. Se a obra é bem sucedida ou não, neste aspecto, deixo aos leitores, à critica. É uma obra conceitual, isto é, os contos estão organizados numa ordem lógica, têm independências, mas formam um todo, um conjunto de começo, meio e fim. Exemplo: o último conto não poderia estar no lugar do primeiro, nem no do segundo.  Mas a conclusão maior fica aos leitores, para não cair no dito popular: eu faço a festa e eu mesmo solto os foguetes. É isso que é preciso: há um autor, há uma produção, há uma crítica. Esta ordem é fundamental, porque acredito, toda criação nasce de uma proposta, de uma almejada estética. Se irá se realizar, é o leitor crítico quem dirá.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O PIAGUÍ:</strong> <em>Como os leitores podem ter acesso ao seu trabalho?</em><strong><br />
ZAMUNER:</strong> Será um grande prazer receber contato dos leitores. Pode ser através dos endereços: <a href="mailto:cantarestorias@gmail.com">cantarestorias@gmail.com</a> <a href="mailto:alaercio@uol.com.br">alaercio@uol.com.br</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais sobre o autor:<br />
• FORMAÇÃO ACADÊMICA: Mestre em Letras: Teoria Literária e Literatura Comparada – USP.<br />
• LIVROS PUBLICADOS: obras. Sertão Flamboyant: estórias, 1996; O Camaleão, poemas, 1998;  e  Cantare Estórias, Edições Inteligentes, 2008.  Além de prefácios, capítulos de livros, artigos em revistas acadêmicas.</p>
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		<title>Jovem Guarda em Parnaíba</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jul 2010 02:08:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[MATÉRIAS]]></category>
		<category><![CDATA[Jovem Guarda em Parnaíba]]></category>

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		<description><![CDATA[

 
 

 

Preciosas considerações dirigidas pelo senhor Paulo Vinícius Basto ao nosso site no dia 27 do mês passado, que se somam ao texto “Os Apaches”, publicado em nossa edição de número 30 (abril de 2010).
 
 

 
              O que foi deixado de mencionar, como antecessor de tudo o que existiu em Parnaíba, em termos de Jovem Guarda – e responsável, naturalmente, pelo que foi a Jovem Guarda em Parnaíba -, foram dois conjuntos precursores de todos os outros que surgiram.
              O primeiro deles, formado pelas alunas do Colégio das Irmãs, era composto pela ...]]></description>
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<div><em> </em></div>
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<p><em></p>
<div id="attachment_4266" class="wp-caption alignleft" style="width: 298px"><img class="size-medium wp-image-4266" title="Os Bárbaros, da esquerda para a direita, Celso, Alcione, Wéber e Paulo (foto cedida pelo ex-integrante Wéber Muálem, o único que reside em Parnaíba, atualmente Diretor do IPMP)." src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Os-Bárbaros-da-esquerda-para-a-direita-Celso-Alcione-Wéber-e-Paulo-foto-cedida-pelo-ex-integrante-Wéber-Muálem-o-único-que-reside-em-Parnaíba-atualmente-Diretor-do-IPMP.-288x300.jpg" alt="&quot;Os Bárbaros&quot;, da esquerda para a direita, Celso, Alcione, Wéber e Paulo (foto cedida pelo ex-integrante Wéber Muálem, o único que reside em Parnaíba, atualmente Diretor do IPMP)." width="288" height="300" /><p class="wp-caption-text">&quot;Os Bárbaros&quot;, da esquerda para a direita, Celso, Alcione, Wéber e Paulo (foto cedida pelo ex-integrante Wéber Muálem, o único que reside em Parnaíba, atualmente Diretor do IPMP).</p></div>
<p style="text-align: center;">Preciosas considerações dirigidas pelo senhor <strong>Paulo Vinícius Basto</strong> ao nosso site no dia 27 do mês passado, que se somam ao texto “Os Apaches”, publicado em nossa edição de número 30 (abril de 2010).</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p></em></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: justify;">              O que foi deixado de mencionar, como antecessor de tudo o que existiu em Parnaíba, em termos de Jovem Guarda – e responsável, naturalmente, pelo que foi a Jovem Guarda em Parnaíba -, foram dois conjuntos precursores de todos os outros que surgiram.<br />
              O primeiro deles, formado pelas alunas do Colégio das Irmãs, era composto pela Valéria Carvalho, guitarrista-solo, posteriormente e por algumas vezes primeira-dama da cidade; Naitinha, na scaleta, uma espécie de teclado de sanfona, tocada por sopro; Theresinha Aragão, pandeiro, e o único homem do conjunto, Paulo Basto.<br />
               Esse conjunto ensaiava, ora no palco do Colégio das Irmãs, ora na casa da própria Valéria, na Guarita, com a bateria, de que não dispunha, gentilmente fornecida pela Banda Municipal de Parnaíba.<br />
              Sua apresentação inicial foi na colação de grau de alunos do Instituto (Ginásio São Luiz Gonzaga), quando então passou a ser conhecido em Parnaíba, com apresentações feitas também na AABB da outrora e bela, singular Praça da Graça, utilizando-se dos instrumentos da Orquestra do “Seu” Anastácio Magalhães, “Os Piratas do Ritmo”, que por tanto tempo deram um singular colorido e fazem parte das saudosas tertúlias ali realizadas.<br />
              Como o conjunto do Colégio das Irmãs infelizmente se desfez, havia, paralelamente, na cidade, um outro, “Os Bárbaros”, que era comandado pelo Tonga, funcionário do Banco do Brasil, e integrado pelo Evando (Catolé) Mourão, na bateria; Alcione, guitarra-solo; Weber Muálem, guitarra-base, e Celso Marques, contrabaixo.<br />
              Os Bárbaros ensaiavam com instrumentos do Sesc, em sua sede administrativa, à Rua Grande, “quina com quina” à casa do sr. Ben-Hur Véras, mas, desfalcado pela saída voluntária do Catolé, em seu lugar foi chamado para fazer parte do conjunto o Paulo Basto, o mesmo que fora antes baterista do conjunto do Colégio das Irmãs. Com isso, o conjunto firmou-se, e passou a ensaiar na Sede Social do Sesc, à Beira-Rio, apresentando-se ora no Igara Club, ora na AABB da Praça da Graça, até que pôde participar da inauguração oficial do Sesc, quando já era por demais conhecido na cidade.<br />
               Sua última apresentação ocorreu em 27.Fev.1968, um sábado, no Baile das Debutantes de Parnaíba, e os Bárbaros marcaram, em definitivo, sua presença no cenário musical da Jovem Guarda em Parnaíba, o que não pode ser esquecido, pois foi, de fato, quem pavimentou o caminho para o que ali ocorreu em termos de Jovem Guarda.<br />
              Lamentavelmente, o Alcione, guitarrista-solo, faleceu, e do conjunto só existem Weber Muálem, que retornou à Parnaíba, onde mora; Celso Marques, que se estabeleceu em Teresina, e por fim Paulo Basto, que desde 1968 mora em Brasília, porém jamais deixado de viver nem de continuar com a Jovem Guarda em si, como ele mesmo diz. Paulo Basto ainda participou de conjuntos de Jovem Guarda em Brasília, tendo acompanhado Os Vips quando pela capital federal incursionaram, e ainda mantém vívida a chama de voltar a fazer parte de um conjunto de Jovem Guarda, pois, como afirma, “Jovem Guarda – a melhor de todas as eras… de eternas e indeléveis saudades…”, isso tem-se constituído como seu mais profundo e intenso elo de ligação com uma das épocas mais áureas deste país em termos musicais.<br />
               Portanto, fica aqui a retificação, para que não se cometa um equívoco, excluindo-se do contexto da Jovem Guarda em Parnaíba os dois principais conjuntos responsáveis por tudo o que ali ocorreu naquele âmbito.</p>
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		<title>Academia Brasileira de Letras, 113 anos!</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 03:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Textos Históricos]]></category>
		<category><![CDATA[113 anos!]]></category>
		<category><![CDATA[Academia Brasileira de Letras]]></category>

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		<description><![CDATA[

Senhores: 
            Investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou mais o velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É simbólico da parte de uma instituição que conta viver, confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança. 
            Não é preciso definir esta instituição. Iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a ...]]></description>
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<div id="attachment_4241" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Este-é-possivelmente-o-mais-antigo-registro-fotográfico-em-1909-de-uma-sessão-pública-da-Academia-Brasileira-realizada-ainda-no-Silogeu..jpg"><img class="size-medium wp-image-4241" title="Este é possivelmente o mais antigo registro fotográfico, em 1909, de uma sessão pública da Academia Brasileira, realizada, ainda, no Silogeu." src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Este-é-possivelmente-o-mais-antigo-registro-fotográfico-em-1909-de-uma-sessão-pública-da-Academia-Brasileira-realizada-ainda-no-Silogeu.-300x181.jpg" alt="Este é possivelmente o mais antigo registro fotográfico, em 1909, de uma sessão pública da Academia Brasileira, realizada, ainda, no Silogeu." width="300" height="181" /></a><p class="wp-caption-text">Este é possivelmente o mais antigo registro fotográfico, em 1909, de uma sessão pública da Academia Brasileira, realizada, ainda, no Silogeu.</p></div>
<p style="text-align: center;">Senhores: </p>
<p style="text-align: justify;">            Investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou mais o velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É simbólico da parte de uma instituição que conta viver, confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança. <br />
            Não é preciso definir esta instituição. Iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a alma nova e naturalmente ambiciosa. O vosso desejo é conservar, no meio da federação política, a unidade literária. Tal obra exige não só a compreensão pública, mas ainda e principalmente a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda a casta, às escolas literárias e às transformações civis. A vossa há de querer ter as mesmas feições de estabilidade e progresso. Já o batismo das suas cadeiras com os nomes preclaros e saudosos da ficção, da lírica, da crítica e da eloquência nacionais é indício de que a tradição é o seu primeiro voto. Cabe-vos fazer com que ele perdure. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles os transmitam também aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira. Está aberta a sessão.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Machado de Assis<br />
</strong>20 julho, 1897.</p>
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		<title>Comentário de &#8220;Expressão Literária&#8221; em O Piaguí</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 14:28:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[Entrelinhas...]]></category>
		<category><![CDATA[QUADROS]]></category>
		<category><![CDATA[Comentário de "Expressão Literária" em O Piaguí]]></category>

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		<description><![CDATA[

              Há, em Parnaíba, muitas pessoas com conhecimentos satisfatórios em literatura. E existem aqueles que precisam se aprofundar mais, com o intuito de crescerem na árdua tarefa de escrever bons textos, penetrarem com segurança no sensível e belo mundo da poesia.
            Daniel C. B. Ciarlini, como estudante de Letras/Português (UESPI) e com uma boa experiência no reino do jornalismo impresso e virtual, interpretando o livro “LITERATURA DO PIAUÍ”, no texto “Expressão Literária” (Cf. Ed. n.º 28 – Fevereiro de 2010, de “O Piaguí”), do poeta Francisco Miguel de Moura, literato ...]]></description>
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<div id="attachment_2921" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2921" title="Wilton Porto e Eliana Porto" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2009/12/Wilton-Porto-e-Eliana-Porto-300x253.jpg" alt="Wilton Porto e Eliana Porto" width="300" height="253" /><p class="wp-caption-text">Wilton Porto e Eliana Porto</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Há, em Parnaíba, muitas pessoas com conhecimentos satisfatórios em literatura. E existem aqueles que precisam se aprofundar mais, com o intuito de crescerem na árdua tarefa de escrever bons textos, penetrarem com segurança no sensível e belo mundo da poesia.<br />
            Daniel C. B. Ciarlini, como estudante de Letras/Português (UESPI) e com uma boa experiência no reino do jornalismo impresso e virtual, interpretando o livro “LITERATURA DO PIAUÍ”, no texto “<a title="Expressão Literária" href="http://www.opiagui.com.br/2010/02/expressao-literaria/" target="_blank">Expressão Literária</a>” (Cf. Ed. n.º 28 – Fevereiro de 2010, de “O Piaguí”), do poeta Francisco Miguel de Moura, literato consagrado do nosso estado, membro da Academia Piauiense de Letras (APL), nos traz informações consequentes, o que facilita o nosso entendimento sobre literatura. Revela a diferença entre poema e poesia, em que ele leva em consideração nomes reconhecidos nacionalmente, como é o caso de Massaud Moisés, em confronto com outros respeitados na área literária: Fidelino Figueiredo, Octávio Paz e não esquecendo Órris Soares.<br />
            No conceito de literatura, Daniel demonstra o erro que se comete, quando do uso do termo, de forma desavisada. Ou por confiar-se em literatos experimentados na arte de escrever e elogiados pela crítica.<br />
            É comum pensar-se: “Se ele tem projeção, devemos confiar”. Inclusive no tocante à gramática. Esse pensamento vem a lume, porque aqueles que se destacam, costumam aprimorar-se na língua, sem contar que recorrem a professores tarimbados no conhecimento da língua com que escrevem.<br />
            A palavra “literatura” vem do latim “littera” e significa “letra”. Assim, quando Daniel Ciarlini informa que, o teatro não é literatura, porque o repasse da mensagem é oral, baseando-se no conceito aqui visto, ele tem razão.<br />
            Ler a peça teatral é leitura de uma obra de arte, obra literária. Assistir a uma peça teatral não o é. A oralidade tira o sentido de literatura, conforme visto acima.<br />
            Tudo que se escreve é literatura? Tomando mão do Filósofo Aristóteles, Daniel tenta nos convencer de que não. Ele se vale da frase “expressão polivalente da palavra”. Quem lida com literatura conhece de cor e salteado os sentidos: conotativo e denotativo. Ouvimos com frequência a seguinte oração: “fulano deu um sentido conotativo à frase”. Isso nos remete para “um sentido de múltipla interpretação”. É o caso da poesia. Na crônica jornalística, em que se escreve sobre um acontecimento: briga de rua, pode-se aproveitar tanto a forma denotativa como a conotativa. A primeira, o autor (que quase sempre é um repórter do jornal) se prende aos fatos, registrando o que vê e ouve em terceira pessoa, não se envolvendo emocionalmente durante a preparação da matéria. Na segunda, ele (polivalentemente) pode tirar proveito das figuras de linguagem, tem liberdade de criar, usar o verbo na primeira pessoa, tornar o caso um ato literário, poético, porque leva o leitor à emoção, à subjetividade, em que imprime estética, funções&#8230;<br />
            Poema é a ferramenta para se construir o palacete onde brilhará a poesia com sua essência expressa em arte. Se na poesia verifica-se a criatividade, por isso subjetiva, no poema se distingue – pelo verso – a materialidade. Entretanto na estrofe abaixo, de Cruz e Sousa, é inegável a criatividade, em que se nota o jogo de palavras e a presença de figuras de linguagem, como o caso da aliteração e a sinestesia. Versos com uma poesia contemplada por todos os críticos.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Vozes veladas, veludosas vozes,<br />
volúpias dos violões, vozes veladas,<br />
vagam nos velhos vórtices velozes<br />
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas. </p>
<p style="text-align: justify;">            Plausível que se diga, valendo-se de Orris Soares: “Há muito verso sem poesia e muita poesia sem verso. O verso propriamente dito não é arte, é artifício”. O artifício é o meio para se chegar ao objeto artístico. A arte e a capacidade de criar.<br />
            Daniel Ciarlini interpreta a “supra-realidade”. Francisco Miguel de Moura, com base em Fidelino de Figueiredo, diz que “a arte literária é, verdadeiramente a ficção, a criação de uma supra-realidade”.<br />
            Todo ficcionista bebe na fonte de uma realidade presente e passada. Usa de cenários reais: um parque, um rio, um palacete, um cemitério ou tudo isso juntos. Parte de algo que vivenciou, viu ou foi vivenciado por outro. Até quando a suprarrealidade se relaciona com o mundo invisível (já foi provado e comprovado que outros mundos existem e são habitados), dependendo do nível de dimensão, a realidade difere da nossa. São mais preparados, com vivência ética mais elevada. Ainda assim é um ambiente onde os moradores são seres que um dia passaram pelo que nós, do mundo visível, estamos passando agora.<br />
            Dessa forma é coerente a afirmativa de Massaud Moisés: “O mundo ficcional não está ‘acima’, senão ‘ao lado’, paralelo à realidade ambiente, com ela realizando um permanente intercâmbio e nela se integrando inextricavelmente”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Wilton Porto<br />
</strong>da Academia Parnaibana de Letras</p>
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		<title>Desvendando Ismália&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 14:19:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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          O grandioso poeta mineiro Alphonsus Henriques da Costa Guimaraens é o principal representante do Simbolismo no Brasil. Escola literária esta que buscava materializar a origem crítica do ser humano através dos traços literários transcendentais, metafísicos, enfim, utilizando-se de linhas simbolistas. O sentimento, a ganância, a inocência, as ascensões e quedas do homem dentre outros ângulos críticos, eram elementos centrais destes poetas.
            Unindo diversos elementos críticos, Alphonsus Guimaraens escreveu Ismália, que traz sutilmente em suas claras entrelinhas uma óptica singular da humilde e infeliz natureza do homem. Estes poetas se ...]]></description>
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<p style="TEXT-ALIGN: justify"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Ismália.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4218" title="Ismália" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Ismália-300x300.jpg" alt="Ismália" width="300" height="300" /></a>          O grandioso poeta mineiro Alphonsus Henriques da Costa Guimaraens é o principal representante do Simbolismo no Brasil. Escola literária esta que buscava materializar a origem crítica do ser humano através dos traços literários transcendentais, metafísicos, enfim, utilizando-se de linhas simbolistas. O sentimento, a ganância, a inocência, as ascensões e quedas do homem dentre outros ângulos críticos, eram elementos centrais destes poetas.<br />
            Unindo diversos elementos críticos, Alphonsus Guimaraens escreveu Ismália, que traz sutilmente em suas claras entrelinhas uma óptica singular da humilde e infeliz natureza do homem. Estes poetas se tornavam implacáveis e eram protegidos pelo lema “Um poeta simbolista não diz nada, apenas sugere”; indiretamente falavam que não ofendiam, mas, sim, as pessoas que se deixavam ofender, é como um ditado irônico popular: “não disse nome, mas se a carapuça serviu&#8230;”. </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;"><em><strong>Ismália</strong></em> </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">Quando Ismália enlouqueceu,<br />
Pôs-se na torre a sonhar&#8230;<br />
Viu uma lua no céu,<br />
Viu outra lua no mar. </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">No sonho em que se perdeu,<br />
Banhou-se toda em luar&#8230;<br />
Queria subir ao céu,<br />
Queria descer ao mar&#8230; </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">E, no desvario seu,<br />
Na torre pôs-se a cantar&#8230;<br />
Estava longe do céu&#8230;<br />
Estava longe do mar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">E como um anjo pendeu<br />
As asas para voar. . .<br />
Queria a lua do céu,<br />
Queria a lua do mar&#8230; </p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">As asas que Deus lhe deu<br />
Ruflaram de par em par&#8230;<br />
Sua alma, subiu ao céu,<br />
Seu corpo desceu ao mar&#8230; </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">            O poema Ismália, formada por cinco quartetos, reflete uma inconstância do homem, iniciando pela manutenção em sua musicalidade, uma das principais características da Escola Simbolista. Todo este poema é escrito em sete silabas fonéticas (ou poéticas). Alphonsus Guimaraens fazia da metrificação para que suas poesias  formassem sons agradáveis aos ouvidos dos leitores.<br />
            Na primeira estrofe o poeta mostra a instabilidade mental do ser humano “Quando Ismália enlouqueceu”, o sentimento humano de altivez “Pôs-se na torre a sonhar”, a natureza dele, na hora da angústia de parar e observar as belezas naturais “Viu uma lua no céu; Viu outra lua no mar”.<br />
            A confusão entre a fantasia e o real é presente na segunda estrofe “No sonho em que se perdeu”, a necessidade de se apegar ao mágico, à fantasia “Banhou-se toda em luar”, e a ganância de querer dois extremos e o inconformismo de não poder tudo “Queria subir ao céu; Queria descer ao mar”.<br />
            E na terceira estrofe é o desprender-se da racionalidade e o render-se ao sonho, à fantasia “E, no desvario, seu; Na torre pôs-se a cantar”, mas a personagem é tragada bruscamente de volta à realidade e ocorre a decepção “Estava longe do céu; Estava longe do mar”.<br />
            Já chegando à quarta estrofe a personagem, inclinando o corpo no alto da torre e abrindo seus braços, desiste de viver “E como um anjo pendeu; As asas para voar”, a confusão interior perdida entre as duas luas e nunca poder alcançá-las “Queria a lua do céu; Queria a lua do mar”.<br />
            Finalizando o poema, a quinta estrofe desenha o suicídio finalizado e a crença hipócrita que o ser humano se esconde, pois tal ato é condenável pelas religiões, mas mesmo assim ainda sonha em atingir o céu “As asas que Deus lhe deu; Ruflaram de par em par; Sua alma subiu ao céu; seu corpo desceu ao mar”.<br />
            Se voltarmos a lê-la, Ismália, como uma poesia simbolista, não para de nos surpreender com sua majestosa crítica à natureza do ser humano. Este poema deixa uma pergunta no ar&#8230; Por que é mencionada tantas vezes a lua do “céu” e a lua do “mar”? Qual a relação entre as duas “luas”? Ora! Direi-vos que um simbolista não escreve algo por achar bonitinho, e sim por um motivo justo. A “lua do céu” tem um brilho conjugado com a luz do Sol e tem sua beleza própria. A “lua do mar”, apesar de ser, também, tão bela, está em função da “lua do céu”, da maré e das nuvens. Portanto, novamente temos uma descrição do ser humano. Existem homens que brilham uma glória própria, mas outros que dependem destes para serem vistos, comparando a um parasita, um hospedeiro.<br />
            Uma poesia simbolista vem recheada de entrelinhas e de conceitos filosóficos que tendem ao crescimento espiritual do leitor, pois um simbolista escreve com o espírito. Esclarecendo novamente, para finalizarmos, Alphonsus Guimaraens não disse tais coisas, apenas sugeriu&#8230; Para que cada leitor, sua poesia Ismália, interpretasse de acordo com as suas necessidades internas e emocionais.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><strong>Márcio Eugênio Machado Gomes</strong></p>
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		<title>Raul Bacellar</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 00:52:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bustos Parnaibanos]]></category>
		<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[SÉRIES]]></category>
		<category><![CDATA[Raul Bacellar]]></category>

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              Chega ao fim esta série, que desde novembro de 2009 tem ocupado nossas páginas, divulgando personalidades eminentes cujas histórias confundem-se com a própria história da cidade. Assim, de lá para cá, vimos: Dep. Pinheiro Machado, Ranulpho Torres Raposo, Roland Jacob, José Rodrigues e Silva, Lima Rebello, James Frederick Clark, José de Moraes Correia e Dom Frei Valentim Lazzarri.
            Agora, ensairemos a vida de Raul Furtado Bacellar, antigo farmacêutico que fez história em Parnaíba. Filho de Antônio da Costa Bacellar e Maria Vicência Furtado Bacellar, nasceu em Brejo dos Anapurus ...]]></description>
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<div id="attachment_4207" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-4207" title="DSC01754" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC01754-300x225.jpg" alt="Raul Bacellar" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Raul Bacellar</p></div>
<p style="text-align: justify;">              Chega ao fim esta série, que desde novembro de 2009 tem ocupado nossas páginas, divulgando personalidades eminentes cujas histórias confundem-se com a própria história da cidade. Assim, de lá para cá, vimos: Dep. Pinheiro Machado, Ranulpho Torres Raposo, Roland Jacob, José Rodrigues e Silva, Lima Rebello, James Frederick Clark, José de Moraes Correia e Dom Frei Valentim Lazzarri.<br />
            Agora, ensairemos a vida de Raul Furtado Bacellar, antigo farmacêutico que fez história em Parnaíba. Filho de Antônio da Costa Bacellar e Maria Vicência Furtado Bacellar, nasceu em Brejo dos Anapurus no dia 26 de maio de 1891.  Fez o ensino médio na capital daquele estado, São Luís, e, logo após, seguiu para o Rio de Janeiro, onde cursou Farmácia, vindo a concluir, ainda jovem, com apenas 20 anos de idade, na Faculdade de Pharmácia e Medicina de Belém (PA). Graduou-se, ainda, bacharel em Letras.<br />
            Foi aluno e assistente do grande cientista e médico Oswaldo Cruz. No correr de sua vida, como professor, lecionou diversas disciplinas, a citar: Química, biologia, português, literatura e história; em instituições como Ginásio Parnaibano, Colégio Nossa Senhora das Graças e União Caixeiral (todos em Parnaíba). Neste tempos, recebeu merecido reconhecimento do Governo Federal, por ter condições satisfatórias à graduação de profissionais contábeis nas administrações públicas.<br />
            Atuou brilhantemente na imprensa (Almanaque da Parnaíba) e desenvolveu pesquisas de âmbito histórico para Parnaíba. Homem de larga visão e intelectualidade, costumava dizer: “Leio tudo que me chega às mãos, até mesmo os escritos licenciosos, por entender que, neles, por vezes, está brotada a grandeza da arte como cultura humana de todas as épocas”. Chegou a receber o título de “Farmacêutico mais idoso do Brasil, ainda em atividade”, em 1982 pela Fundação Roberto Marinho e Laboratórios Roche, por ter chegado aos seus 91 anos de idade trabalhando com plena saúde.<br />
            Foi o primeiro farmacêutico da Estrada de Ferro Central do Piauí (1920), Sócio Fundador do Banco da Parnaíba, Presidente da Companhia de Luz e Força de Parnaíba, Sócio Fundador do Rotary Club de Parnaíba, Fiscal Federal do Ginásio Parnaibano e Fiscal Estadual da Escola Normal Nossa Senhora das Graças. Foi um dos membros da União Brasileira de Escritores do Piauí e Sócio Fundador da Casa do Jornalista de Parnaíba. Ocupava a cadeira n.º 21 da Academia Parnaibana de Letras, e fundou, junto de seus confrades, a Sociedade Parnaibana de Imprensa. Recebeu o título de Cidadão Parnaibano, pela Câmara Municipal de Parnaíba, e Cidadão Piauiense, pela Assembleia Legislativa do Estado, além da medalha do Mérito Renascença do Piauí, dentre outros. Montou em 1927, e manteve por muitos anos, a “Pharmácia do Povo”, hoje museu localizado no Porto das Barcas (local este em que se encontra, atualmente, o busto aqui ensaiado).<br />
            Criou a Fundação que leva seu nome, ainda hoje voltada para as atividades educacionais, culturais, sociais, saúde, amparo ao idoso, crianças especiais, além de contribuir com a preservação do meio ambiente. A Fundação está sediada em Parnaíba à Rua Vera Cruz, n.º 744, Bairro São José. Atende, atualmente, uma média de 200 idosos, além de desenvolver projetos como o “Clube Parnaibano de Xadrez”, “Escola de Música Infanto-Juvenil”, “Cine Clube de Parnaíba”, “Cursos de Inglês e Espanhol” e “Curso Comunitário de Pré-Vestibular”.    <br />
            Faleceu em Parnaíba no dia 12 de novembro de 1996.</p>
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		<title>Humberto de Campos e Jackson de Figueiredo</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Jul 2010 12:30:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[Diário Secreto de H. de Campos]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[SÉRIES]]></category>
		<category><![CDATA[Humberto de Campos e Jackson de Figueiredo]]></category>

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Quarta-feira, 18 de abril de 1917:
 
        Uma surpresa para mim, esse caso de Jackson de Figueiredo. Jackson, concunhado e discípulo de Farias Brito, estava de relações rotas comigo desde a publicação de um artigo meu contra seu parente, e que, por uma lamentável coincidência, saiu publicado exatamente no dia em que este morreu. Compreendendo a sua mágoa e os seus escrúpulos, evitei, desse dia em diante, o seu cumprimento, o que foi de bom aviso, pois vim a saber, depois, por Goulart de Andrade, que ele estava, como eu previa, ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><em></em></p>
<div id="attachment_4154" class="wp-caption alignleft" style="width: 169px"><a href="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Jackson-de-Figueiredo.jpg"><img class="size-full wp-image-4154" title="Jackson de Figueiredo" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Jackson-de-Figueiredo.jpg" alt="Jackson de Figueiredo" width="159" height="194" /></a><p class="wp-caption-text">Jackson de Figueiredo</p></div>
<p style="text-align: justify;">Quarta-feira, 18 de abril de 1917:</p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>        </em>Uma surpresa para mim, esse caso de Jackson de Figueiredo. Jackson, concunhado e discípulo de Farias Brito, estava de relações rotas comigo desde a publicação de um artigo meu contra seu parente, e que, por uma lamentável coincidência, saiu publicado exatamente no dia em que este morreu. Compreendendo a sua mágoa e os seus escrúpulos, evitei, desse dia em diante, o seu cumprimento, o que foi de bom aviso, pois vim a saber, depois, por Goulart de Andrade, que ele estava, como eu previa, ressentidíssimo. Quando escrevi o artigo, eu não sabia, sequer, que Farias Brito se achava doente, sendo fácil, portanto, uma justificação; eu não costumo, porém, dar explicações dos meus atos senão à minha consciência, e aceitei os fatos com todas as suas consequências. Agora, leio na revista “Brasílea” um longo artigo de Jackson, sobre Félix Pacheco, e em que se refere duas vezes à minha pessoa: uma, para aludir ao meu artigo, que considera “uma volúpia de grego da decadência”, e em que diz que sempre me considerou e me considera “um dos talentos mais brilhantes da nossa mocidade”; e outra, para me pôr em primeiro lugar entre os poetas da minha geração. Nesse trecho, em que nos põe à frente de mim, Hermes Fontes, Da Costa e Silva, Teófilo de Albuquerque e D. Gilca da Costa Machado, refere-se ele à simplicidade como expressão da perfeição, e tem esta frase: “Nesse sentido, é Humberto de Campos a personalidade que mais fortemente se afirma no momento atual”.<br />
        De um amigo, seria muito; de um inimigo é, evidentemente, demais&#8230;</p>
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		<title>No tempo em que escutávamos Rock and Roll&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 22:56:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[Parnaíba Por Quem Também Faz Parnaíba]]></category>
		<category><![CDATA[SÉRIES]]></category>
		<category><![CDATA[No tempo em que escutávamos Rock and Roll...]]></category>

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           O som se fazia inconfundível, e por vezes até ensurdecedor&#8230; Black Dog, um cover ledzepeliano, se mostrava com toda sua força e genialidade, numa noite de sexta-feira, 26 de junho de 2009, no ambiente do Sesc – Beira Rio. Embora, acredito que, muitos ali, nem mais conseguissem distinguir as notas e arranjos, emitidos pelas guitarras furiosas e experientes, de uma banda que, com toda certeza, carrega a bandeira e o espírito de seus ídolos, o famoso grupo de rock inglês Led Zeppelin. E era tão perfeita a entrega da ...]]></description>
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<div id="attachment_4127" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-4127" title="DSC01211" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/DSC01211-300x225.jpg" alt="Na foto: Paulo Bastos" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Na foto: Paulo Bastos</p></div>
<p style="text-align: justify;">           O som se fazia inconfundível, e por vezes até ensurdecedor&#8230; Black Dog, um cover ledzepeliano, se mostrava com toda sua força e genialidade, numa noite de sexta-feira, 26 de junho de 2009, no ambiente do Sesc – Beira Rio. Embora, acredito que, muitos ali, nem mais conseguissem distinguir as notas e arranjos, emitidos pelas guitarras furiosas e experientes, de uma banda que, com toda certeza, carrega a bandeira e o espírito de seus ídolos, o famoso grupo de rock inglês Led Zeppelin. E era tão perfeita a entrega da plateia que ali se encontrava, imersos na aura setentista, mergulhados nas profundezas do que muitos chamariam de “O bom e velho rock and roll”, que estes indivíduos já não mais enxergavam uma banda à sua frente, nem tão pouco escutavam os acordes distorcidos dos instrumentos amplificados pelos auto-falantes, mas sim um universo paralelo, uma outra dimensão de cores e formas infinitas, que a todo instante se sobressaíam, umas às outras, produzindo mágicas melodias que viajavam por todos os sentidos, fazendo com que surgissem emoções, das mais variadas&#8230; Ao meu lado, um amigo, Israel Galeno Machado, colega de escola desde a época das séries iniciais, conversávamos sobre nossa juventude, no início dos anos 90, e lembrando de inúmeras situações e pessoas pelas quais havíamos passado, acabamos por recordar do tempo em que descobrimos os sons de Iron Maiden, Metallica, Guns and Roses, Aerosmith e Bon Jovi, para não citar várias outras bandas de rock que, aos 12 anos de idade, escutávamos à exaustão, como que numa maneira de expurgar todos os problemas e questionamentos surgidos no período da adolescência&#8230; No meio da conversa nostálgica surge em nossa frente, de forma apressada e com uma mochila nas costas, simplesmente o organizador do evento, o roqueiro e professor Paulo Roberto Rocha Bastos, o Paulim, como costumo chamá-lo.<br />
           Nascido em 11 de julho de 1961, na cidade de Fortaleza (Ceará), mas mudando-se para Parnaíba aos 4 anos de idade, trazido pelos pais Francisco Ferreira Bastos e Cosma Rocha Bastos, Paulim, que se considera de fato parnaibano, pois residiu nos últimos 45 anos nesta cidade, estudou em diversos colégios, tendo concluído o ensino médio na escola estadual Lima Rebello. Formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Piauí, onde atualmente é professor, e servidor do estado há 21 anos, detém hoje, além de algumas especializações e cursos, o cargo de diretor da escola estadual Cândido de Oliveira. Porém não é apenas o ofício do magistério que faz com que Paulo Bastos seja reconhecido e elogiado pelos quatro cantos da “velha Parnaíba”, mas também sua paixão exacerbada pelo rock, nascida desde ainda muito jovem, em meados dos anos 70, quando escutou em um programa do locutor Bernardo Silva, chamado “O som nosso de cada dia”, da  Rádio Educadora de Parnaíba, uma canção da banda Led Zeppelin, intitulada Black Dog – sim, caro leitor, Black Dog, o mesmo nome  que, décadas depois, uma banda cover do Led pegaria emprestado e, certo dia, faria um show em Parnaíba, que este humilde escritor acabaria por comentar no início deste artigo. Depois de ter escutado o rock da banda inglesa, Paulo Bastos foi tomado pela essência deste estilo e desde então, nunca o abandonou. Na década de 80, já tendo aprendido a tocar violão, montou um grupo de Heavy Metal chamado <em>Condutores de Cadáver</em>, onde a formação tinha: Paulo Bastos (Guitarra), Nilson Borges (Voz e Baixo) e Netinho (Bateria). A banda não durou muito, mas serviu para Paulim conhecer várias pessoas ligadas à música na cidade, e principalmente aqueles que pertenciam ao gênero roqueiro. O rock em Parnaíba, como em todo Brasil, estava em alta durante os anos 80, em decorrência do surgimento de várias bandas nacionais de destaque, como também do festival ocorrido em 1985, no Rio de Janeiro, no qual Paulim teve o prazer de ser espectador, evento este que trouxe para o nosso país nomes como Scorpions, AC/DC, Ozzy Osborn e Withesnake – logicamente, caro leitor piaguiense, que estou falando da primeira edição do <em>Rock in Rio</em>.<br />
           Entre o fim de 80 e início de 90, Paulim teve que deixar de lado a cena roqueira, ao menos profissionalmente, para trabalhar como professor da rede estadual de ensino, porém nunca esqueceu o rock, como ele mesmo afirma: “Nunca deixei minhas raízes”. E foi com esse pensamento que Paulim teve a ideia, em 1994, de montar uma loja de artigos de rock, chamada Metal Vídeo. Vendas de camisas e cds, gravações de fitas-cassete (e posteriormente cds) era no que Paulo trabalhava, ao mesmo tempo em que exercia o cargo de professor, tanto do estado como, também, já nesse período, da Universidade Federal do Piauí. Dois anos depois, em 96, casa-se com Ligia Thomaz Bastos, de onde surgiram os dois filhos, Samuel (12) e Gabriel (9), ambos fãs de rock e que já tocam violão e guitarra, mesmo com a pouca idade. A loja Metal Vídeo, que se situava na Rua Padre Castelo Branco, em 1998 teve sua mudança para o endereço localizado à Rua Caramuru, que depois se tornou também locadora.  Em 2004, ainda não satisfeito, começa a promover festivais de rock na cidade, trazendo bandas de vários lugares do Brasil, como foram os casos de: Dark Season (Teresina), Paradise in Flames (Belo Horizonte), Andrals (São Paulo) e Desgrace and Terror (Pará), para não citar outras. Foram sete eventos já realizados em diversos palcos de Parnaíba, fortalecendo, assim, a cena roqueira da cidade nos últimos anos.<br />
            O último evento, realizado em 2009, que trouxe a banda carioca Black Dog e que tive o prazer de presenciar, significou um dos pontos altos, segundo o próprio Paulo Bastos, em sua jornada como propagador e incentivador do rock em Parnaíba. Sempre na busca de ajudar tanto veteranos quanto grupos recém-formados, ele segue, assim como o vi naquela nostálgica noite, de forma apressada e com uma mochila nas costas, mochila esta que traz uma bagagem rica de conhecimentos e atitudes, de alguém que soube amadurecer e envelhecer, sem nunca deixar de lado os anseios de quando era apenas um jovem, igual a muitos, igual a mim ou a vocês, rebeldes, sentimentais, inseguros, sonhadores, indomáveis, inesquecíveis, e muitas outras coisas&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Claucio Ciarlini Neto</strong></p>
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		<title>Dom Frei Valentim Lazzari</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 10:56:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bustos Parnaibanos]]></category>
		<category><![CDATA[DESTAQUES]]></category>
		<category><![CDATA[SÉRIES]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Frei Valentim Lazzari]]></category>

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            Para este busto, O Piaguí foi longe, bem longe, mais propriamente à cidade de Grajaú, sul do Maranhão, buscar informações. Parnaíba, a propósito, não possuía nada a respeito, em canto algum. E aqui vamos nós, preencher esta lacuna em nossa história eclesiástica.
          Valentino Tiago Lazzari, ou Valentino Giacomo Lazzari (conforme descobrimos), nasceu no dia três de janeiro de 1925 em Cologno Al Serio, uma comuna italiana da região de Lombardina, província de Bérgamo. Em 14 de julho de 1943, em Milão, fez sua Procissão religiosa; lá, ordenado presbítero em ...]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-4100" title="SDC11737" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/SDC11737-225x300.jpg" alt="SDC11737" width="225" height="300" />            Para este busto, O Piaguí foi longe, bem longe, mais propriamente à cidade de Grajaú, sul do Maranhão, buscar informações. Parnaíba, a propósito, não possuía nada a respeito, em canto algum. E aqui vamos nós, preencher esta lacuna em nossa história eclesiástica.<br />
          Valentino Tiago Lazzari, ou Valentino Giacomo Lazzari (conforme descobrimos), nasceu no dia três de janeiro de 1925 em Cologno Al Serio, uma comuna italiana da região de Lombardina, província de Bérgamo. Em 14 de julho de 1943, em Milão, fez sua Procissão religiosa; lá, ordenado presbítero em 1950, é enviado em 1954, a cumprir missão, ao Brasil.<br />
          De uma inteligência singular, aqui em Parnaíba “Frei Valentim”, como era conhecido, lecionou teologia nos seminários capuchinhos. Sendo, professor, também, em Fortaleza (CE). Atuando como educador dos vocacionados à vida franciscana, zelando, sempre, pelo crescimento da ordem franciscana.<br />
          Valentino deixou Parnaíba para servir o Maranhão como primeiro Bispo de Grajaú, fato que o fez acompanhar, inclusive, a progressiva abertura da Igreja daquele município ao novo brotado do Concílio Ecumênico Vaticano II e das conferências latino-americanas de Médellin e Puebla. Na cidade maranhense, conheceu o famoso Frei Alberto Beretta, famoso médico capuchinho que recebeu o título “Médico dos Pobres e Sofredores”, conhecido pelo seu pioneirismo na utilização de excertos de placenta na recuperação de problemas em fieis; desde sua morte, tramita no Vaticano, o processo para beatificação.<br />
          Frei Valentim era um homem ligado ao campo da escrita, deixou publicações relacionadas às suas experiências pastorais.<br />
          Faleceu, prematuramente, aos 58 anos de idade, em uma das visitas à Itália, em Bérgamo.<br />
          O busto imponente à Avenida Nossa Senhora de Fátima marca o reconhecimento e gratidão do povo de Parnaíba ao seu trabalho missionário, além do Centenário da Missão dos Capuchinhos no Nordeste (1894-1994).</p>
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		<title>A história do Posto de Puericultura Suzanne Jacob</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Jun 2010 19:09:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielciarlini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[A história do Posto de Puericultura Suzanne Jacob]]></category>

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70 anos a serviço da causa social
 
               Aos dezesseis dias do mês de Janeiro de 1938, às 10 horas da manhã, em Parnaíba, estado do Piauí, estavam as mais diversas autoridades, o corpo médico local e pessoas da sociedade para solenidade de inauguração do Lactário Suzanne Jacob. Dissertaram admiravelmente sobre o grande alcance social e pondo em relevo a grandeza espiritual e moral do doador, Sr. Roland Jacob. Ele o constituiu com a finalidade de fornecer leite e alimentos para as crianças pobres da cidade e para dar continuidade à ...]]></description>
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<div id="attachment_4074" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-4074" title="Posto Suzanne Jacob (década de 40)" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Posto-Suzanne-Jacob-década-de-40-300x219.jpg" alt="Da esquerda para a direita, sentados, Professor Benedito Jonas Correia, Doutor Equililérico Nogueira, Dona Delzira Neves, Dona Ozita Jacob (ainda viva, residente no Rio de Janeiro) e Sr. Roland Jacob. Em pé, de paletó branco, vereador Ivan Pessoa Martins." width="300" height="219" /><p class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita, sentados, Professor Benedito Jonas Correia, Doutor Equililérico Nogueira, Dona Delzira Neves, Dona Ozita Jacob (ainda viva, residente no Rio de Janeiro) e Sr. Roland Jacob. Em pé, de paletó branco, vereador Ivan Pessoa Martins.</p></div>
<p style="text-align: center;">70 anos a serviço da causa social</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">               Aos dezesseis dias do mês de Janeiro de 1938, às 10 horas da manhã, em Parnaíba, estado do Piauí, estavam as mais diversas autoridades, o corpo médico local e pessoas da sociedade para solenidade de inauguração do Lactário Suzanne Jacob. Dissertaram admiravelmente sobre o grande alcance social e pondo em relevo a grandeza espiritual e moral do doador, Sr. Roland Jacob. Ele o constituiu com a finalidade de fornecer leite e alimentos para as crianças pobres da cidade e para dar continuidade à obra de sua falecida esposa e preservar sua memória.<br />
               No começo, eram menos de 50 crianças que recebiam diariamente seis mamadeiras em cestinhas de arame. Às quatro da manhã chegavam as &#8220;enfermeiras&#8221; para esterilizar as garrafas de vidro, receber o leite, ferver e acondicionar para distribuir. Era um grande trabalho. O Posto foi crescendo, ajudado durante certo tempo pelo “Alimentos pela Paz”, programa do E.U.A. e administrado pela Caritas em nosso País.<br />
<img class="alignleft size-medium wp-image-4075" title="Posto Suzanne Jacob 2" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Posto-Suzanne-Jacob-2-300x224.jpg" alt="Posto Suzanne Jacob 2" width="300" height="224" />               Atendiam as crianças com leite de gado, mucilagem de arroz e leite em pó especial, de acordo com prescrições de um pediatra que havia na instituição. A assistência médica foi fornecida por longos períodos para as crianças cadastradas, inclusive com a doação dos remédios necessários. Com as mães eram feitos cursos de preparação de enxovais para bebês.<br />
               Em 1974, o PPSJ teve uma de suas mais brilhantes atuações. O Rio Parnaíba apresentou uma enchente que repercutiu de forma violenta na cidade. Formou-se uma Comissão para o trabalho de socorro as vítimas, centrado na remoção em segurança das comunidades atingidas, colocação dessas famílias em habitações provisórias seguras e higiênicas, no fornecimento de víveres para elas se manterem e posteriormente, no seu retorno, fornecendo materiais para o reparo das casas em que habitavam. Foram mais de 12.000 afetados. Com o apoio dos governos, medicamentos chegaram aos hospitais a tempo de atender às necessidades prementes e uma campanha de vacinação nunca feita antes de forma tão exitosa e abrangente ocorreu para precaver a comunidade das doenças que poderiam advir na baixa das águas. <em>“Ainda hoje me emociono quando lembro dos dias e noites, varando madrugadas, em que me empenhei na instalação dos flagelados na medida em que iam chegando e na emoção que sentia quando percebia expressões de júbilo e alegria naquelas mulheres pobres alcançadas pelo desastre que eram capazes de rir de alegria pelo pouco que haviam podido salvar de seus pertences e de suas roças. Quando mobilizamos a cidade inteira para retirar as pessoas da rua 7 de janeiro, quando na eminência de rompimento dos diques de proteção que haviam sido improvisados &#8211; filas intermináveis de veículos procurando fazer a sua parte para evacuar a população da rua e proximidades, à noite, faróis acesos &#8211; cenas inesquecíveis de solidariedade de toda uma população que conseguimos envolver no drama! Imagens que não esmorecem na minha lembrança”, </em>diz Marc Jacob. Depois da enchente, uma entidade inglesa, a OXFAM, entrou em contato com o Posto para auxiliar na construção de casas. Ela oferecia um mestre-de-obra e uma máquina de fazer tijolos prensados, enquanto o Posto Suzanne Jacob teria que obter doações para a compra do cimento e areia, necessários para a formulação da mistura. Conseguiram-se as doações suficientes do comércio local que também muito auxiliou na compra de mantimentos para o sustento das famílias. No Centro Cívico existe uma placa rememorativa do evento.<br />
<img class="alignleft size-medium wp-image-4076" title="Posto Suzanne Jacob 4" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Posto-Suzanne-Jacob-4-300x198.jpg" alt="Posto Suzanne Jacob 4" width="300" height="198" />              Nos anos 80, a Casa Marc Jacob, principal mantenedora da época, resolveu aperfeiçoar o serviço de doação de leite e comprou uma vaca mecânica para produzi-lo através da soja. O leite de soja tem uma grande qualidade protéica e é muito mais eficaz no combate à desnutrição. A distribuição de um litro de leite de soja era feita diariamente para cerca de 220 crianças, além de mais 500g de cereais por semana para cada uma. O Programa do Leite de Soja, como ficou conhecido, terminou por trazer muito orgulho para o Grupo Jacob que, em 1985, ganhou o prêmio da Câmara de Comércio Americana no Brasil pelo compromisso social da empresa com a sua comunidade.<br />
               Para a época o PPSJ foi revolucionário, ações desse tipo somente se popularizariam no país depois da 2.ª Guerra Mundial, mas com a evolução do conceito de ação da sociedade civil organizada no desenvolvimento do país, especialmente após a ECO-92, a proposta de atuação do PPSJ pedia revisões.<br />
<img class="alignleft size-medium wp-image-4077" title="Posto Suzanne Jacob 3" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Posto-Suzanne-Jacob-3-300x203.jpg" alt="Posto Suzanne Jacob 3" width="300" height="203" />              Em 1995, um dos membros da terceira geração da família Jacob, Roger Jacob, economista formado pela PUC do Rio de Janeiro, voltou para Parnaíba, sua cidade natal, e assumiu o controle da área financeira das empresas da família e do PPSJ. <em>&#8220;A forma de atuação do PPSJ era mais tradicional, não tinha ações de superação da pobreza. Com tanta miséria saltando aos olhos era natural que quiséssemos fazer doações&#8221;</em>, diz Jacob. Apesar da tendência compensatória da entidade, muitos acontecimentos iriam contribuir para a mudança da forma de atuação. Essa mudança culminou em 1996, após uma matéria realizada por um jornalista local. Na matéria identificaram uma família que o PPSJ alimentava de forma sistemática há quatro gerações. O que para o jornalista rendeu uma excelente matéria de solidariedade e filantropia, para Jacob foi motivo de preocupação: <em>&#8220;Fiquei com vergonha de colocar isso a público. Há quatro gerações tratávamos a pobreza de forma assistencialista sem nenhuma mudança estrutural na vida e no comportamento daquelas pessoas. Mediante isso, resolvemos rever nossa forma de atuação&#8221;.<br />
              </em>Assim, o PPSJ, no ano de 1998, sofreu um processo de revisão em seu papel social. Novas ações começaram, timidamente, como curso de teatro e apoio nutricional, diretamente nas comunidades periféricas de baixa renda.<br />
              A partir de um contato com a Fundação Bernard van Leer em 2000, foi definido um novo modelo de atuação para o PPSJ à infância, constituindo-se de apoio nutricional e desenvolvimento inicial da criança. O apoio nutricional também sofreu revisões profundas de conceito, onde o atual foco, além de trabalhar a higiene e incentivar o aleitamento materno, é procurar capacitar as famílias a conseguirem uma alimentação saudável e nutritiva, mesmo dispondo de poucos recursos.<br />
                  Em 2002, com apoio da Fundação Kellogg, essa proposta foi acrescida por uma nova área de atuação com crianças e jovens acima de oito anos, envolvendo atividades culturais, esportivas e educacionais focadas no desenvolvimento da cidadania e do papel do jovem como liderança social. Nesse período também se ofertou o planejamento das atividades para as famílias participantes, e hoje o planejamento das atividades e avaliação são feitos não somente com as famílias participantes, mas com todas as organizações civis ou públicas que atuam nas comunidades.<br />
<img class="alignleft size-medium wp-image-4078" title="Posto Suzanne Jacob" src="http://www.opiagui.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Posto-Suzanne-Jacob-300x203.jpg" alt="Posto Suzanne Jacob" width="300" height="203" />               Em 2003 as ações de inclusão digital foram iniciadas com a Escola de Informática e Cidadania Suzanne Jacob, em parceria com o CDI Maranhão. Em 2005 o PPSJ ficou como semifinalista do Prêmio Itaú-Unicef pelo desenvolvimento de ações socioeducativas, estimulando o ingresso, regresso, permanência, aprendizagem e participação de crianças e adolescentes na escola pública. No mesmo ano, a Fundação Raul Bacellar congratulou os relevantes serviços do Posto com o diploma Destaque de 2005, e no ano seguinte, a Câmara Municipal de Parnaíba também reconheceu o PPSJ pelo cuidado à infância desnutrida e em situações de risco, com programas alimentares, educativos e profissionais, por quase sete décadas.<br />
               No ano passado, o Posto atuou no período das chuvas e enchentes que acometeram nossa região. Em Parnaíba, esteve diretamente dentro dos abrigos com as crianças e suas famílias, visando a estimulação cognitiva e social, visto que as crianças que estavam nos abrigos não estavam frequentando a escola. Em Cocal, após o rompimento da barragem Algodões I, trabalhou com as crianças e as suas famílias, buscando minimizar os efeitos da tragédia na vida delas.<br />
               Hoje o PPSJ tem uma nova visão de atuação no território, buscando a promoção de um ambiente de cuidado propício para o desenvolvimento integral de crianças e jovens. Atualmente possui em Boiba–Cocal–PI o projeto Semeando Alegria, apoiado pelo Criança Esperança e em Parnaíba o Programa de Formação de Educadores da Educação Infantil, apoiado pelo PIPS FIES 2009, além da atuação direta com atividades lúdicas, sócioeducativas, de nutrição, oficinas, cursos e palestras em comunidades de baixa renda, no total são mais de 1.320 beneficiários diretos das ações.<br />
               “Faz parte da nossa expectativa diante dos projetos que crianças e jovens tenham como valores supremos a liberdade, a solidariedade humana, o respeito à pluralidade de ideias e à diversidade como um todo, e que saibam conhecer seus direitos e deveres, como também, esperamos envolver o empresariado local, o poder público e sociedade como um todo nas questões relacionadas à infância e juventude”, dita o lema do Posto.</p>
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