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O passado

10 February 2010 Sem comentários
Foto: Nik Wheeler/Corbis

Foto: Nik Wheeler/Corbis

 

O passado está preso
À maçaneta da minha porta.
Como carro de som volante,
Azucrina os meus ouvidos
Com informações
Das minhas ações de outrora.
Sem me perturbar,
Escrevo em frases garrafais,
Que meu saber está intacto,
Que ganhei mais sabedoria.
Em som audível e harmonioso,
Ouço aplausos vindos de muitos chãos.
A um metro de distância
Vejo a insígnia dourada
Pela esperteza da minha vontade.
Ao lado, o prêmio lapidado
Na fornalha da minha sinceridade.
Sobre a mesa do escritório,
O troféu radiando certeza
Da minha disposição em servir.
No guarda-roupa,
Cintilando em vivo azul,
O manto dá sinal de vitória
Pelos tantos momentos
Em que me multipliquei
Em páginas gloriosas.

No entanto,
O salário minguado persiste.
O destino resvala
Entre indiferenças
E muitos nãos.
Tudo, porque inda acesos:
Os fantasmas dos petês dos revoltosos;
Os inovações que nas labaredas incomodavam.
A família – muralha de ferro, lâmpada inapagável,
Faz pilhérias com as tristezas;
Ri da solidão;
Dá bofetada nas dificuldades.
A consciência, em voz firme,
Enche o Universo com felicidade:
- Os Céus estão contigo
E mobilizam as clarinetas…

Wilton Porto 

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