Anseio
2 February 2010
Um comentário

Foto: Fred de Noyelle /Godong/Corbis
Amor, vivo tão só, nesta tristeza,
onde minha alma se desfaz em pranto,
longe do teu olhar cheio de encanto.
em que fiquei eternamente presa.
Tão longe ando de ti, numa incerteza
de ter-te, minha vida! No entretanto,
vai crescendo este amor, mas, tanto e tanto,
em místico fervor, como quem reza!.
Ando faminta, cheia de desejo
dessas carícias tão de mim ausentes,
que me enlouquecem, e que em ti prevejo…
E morro na paixão que mal pressentes,
e perdem-se pelo ar, cheios de pejo,
os beijos que te dou e tu não sentes…
Helena Verdugo Afonso











Helena. Que maravilha de poema! Quanta inspiração naquele momento em que a musa despejava a solidão presente! Quem será esse que jogou por terra um amor tão arrebatador?! Queremos agradecê-lo por instante: o momento em que a deixando só, amargurada, com o amor fluindo por todos os poros, ela se elevou em poesia plena e nos trouxe essa fonte de sabedoria chamada poema como se luz fosse caindo céu abaixo, como se água cristalina nos banhando de beleza. Que esse amor encontre guarida em alguém que valorize o belo, que saiba que a vida é palmilhada na limpidez do amor que canta e encanta o que há de mais rico em nós: o doar-se inudado na sabedoria, antes do prazer carnal. Wilton Porto
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