Pluriliterariedade

Foto: David Prince/Corbis
A literatura é uma grande riqueza composta por traços culturais, artísticos, históricos e sociais. É verdade que tal frase é utilizada largamente no meio literário a ponto até de nos cansar, porém é algo verdadeiro, a arte é um conjunto de diversidades, isto já se evidencia na definição de arte, uma vez que a arte é formada por literatura, artes plásticas, moda, arquitetura, música e atuação cênica, ou seja, uma salada muito bem temperada.
Terminamos a primeira década do século XXI com uma variada gama de textos. Além dos clássicos já consagrados, temos excelentes clássicos nos blogs, sites, comunidades virtuais etc. Muitos crêem que apenas as escolas literárias possuíram um contexto histórico-cultural e que a arte da atualidade não possui nada por trás, grave engano, afinal, há um contexto, uma razão para a arte atual, entretanto, trata-se de um contexto ainda em desenvolvimento e, portanto, muito mais difícil de ser analisado se compararmos com épocas em que tudo que tinha para acontecer já aconteceu.
Pluriliterariedade é justamente essa variada pizza de literaturas formando a literatura, devemos compreender que a literatura é formada por uma vasta diversidade, há obras históricas e clássicas, há poesias mais modernas, há autores desconhecidos, livros de outros países que nem conhecemos etc. Se hoje, percebemos a pluralidade cultural como um fator essencial na educação, no trabalho e nas legislações, na literatura não deve ser diferente. Devemos aceitar a diversidade no mundo literário e compreender a importância de cada variedade, desde o soneto até os poemas marginais e concretos.
O senso crítico, ferramenta preciosa, serve para analisar, estudar os textos lidos e criticá-los, pois a leitura de um romance ou de um soneto exige não apenas a contemplação, mas também a razão científica, a investigação, a fragmentação do texto para entendê-lo, claro que sem perder o prazer por ler. A ferramenta de ouro é utilíssima para conseguirmos ver quais são os pedaços literários de qualidade da pizza da diversidade, mesmo porque há textos com péssima produção e há aqueles com excelente arte e ainda desvalorizados.
Neste quesito, a educação tem grave culpa. Ora, se a LDB e as atuais correntes de ensino mostram a inclusão da pluralidade como algo fundamental, por que certos livros didáticos insistem em manter a doutrina de apenas um estilo de poesia e um estilo de prosa hoje? Certos livros cegam o aluno e apresentam a poesia atual como poesia marginal ou neo-concreta e a prosa como neo-realista. Que estas vertentes ganham destaque na atualidade nós sabemos, porém o aluno se pergunta se somente isto é produzido hoje e o professor nada responde… Devem ser reveladas também para o aluno outras vertentes como os sonetos e as prosas mais poéticas, mostrar que isto ainda existe. Como o aluno verá a literatura como algo legal se ela em si já exclui as minorias? A internet é uma grande biblioteca cheia de textos de autores desconhecidos e textos de autores famosos, textos tradicionais e textos modernos, enfim, uma grande variedade, porém a escola ainda rejeita os blogs, sites e comunidades como produtores de literatura.
Pluriliterariedade é algo extremamente relevante para compreender a literatura ontem e hoje. Hoje temos acesso às belas-artes do passado e à produção atual e devemos repassar este conceito para que tenhamos um público crítico e leitor.
Rommel Werneck











Deixe um comentário