Lima Barreto: Lauro Müller na ABL e o uxoricídio por João Pereira Barreto

Lauro Müller
Sábado, 17 de março de 1917:
Em artigo publicado no mensário “A.B.C.”, Lima Barreto diz que o Sr. Lauro Müller, para conseguir um livro que justificasse a sua entrada para a Academia, teve que imprimir um discurso em papelão e em letras garrafais. Só assim arranjou ele um volume, como exigem os estatutos da instituição.
Quinta-feira, 22 de março de 1917:
Miguel Melo, autor da “A Visão na Estrada”, relembra-me a pilhéria de Lima Barreto ao ser inquirido pela polícia sobre o crime do poeta João Pereira Barreto, que assassinou a esposa, há três anos, em Niterói. Lima Barreto havia passado uma parte da noite a beber, no Rio, com o poeta, quando este, já pela madrugada, o deixou, para tomar a barca e ir cometer o uxoricídio. Convidado, no dia seguinte, a depor, o romancista de “Isaías Caminha” compareceu, ainda cheirando à cerveja da véspera, prontificando-se a prestar o seu depoimento. O delegado começou perguntando se o criminoso manifestara, por acaso, quando se achavam juntos, o desejo de assassinar a senhora. E Lima Barreto:
- Isso, positivamente, ele não me falou. Ele me falou, é verdade, que estava com vontade de matar alguém, fosse quem fosse; e eu até o aconselhei: – “Olha, se tu queres matar alguém, mata a J. Brito, acabando com as crônicas que ele está escrevendo na ‘A Notícia’ e prestando, assim, um serviço às letras nacionais”. Ele, porém, não me atendeu: em vez de matar o J. Brito matou a mulher!
O delegado, vendo que nada podia apurar de um depoente de tal ordem, mandou em paz, mas não em segurança, as pernas do romancista.
Humberto de Campos











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