Fenícios em Sete Cidades, segundo Ludovico “Chovenágua”

Foto: Gilmara Rabelo
Parte III – Final
Sobre Ludwig Schwennhagen e sua estada no Piauí, o escritor Moacir Lopes resgata alguma memória dos teresinenses, àquela época: “Por aqui passou esse alemão calmo e grandalhão que ensinava história e bebia cachaça nas horas de folga, andava estudando umas ruínas pelo Estado do Piauí e outros do Nordeste, e que chegou a Teresina no primeiro quartel deste século, não se sabe de onde, e morreu sem deixar rastro, não se sabe de quê, e andava rabiscando uns manuscritos sobre a origem da raça Tupi, lendo tudo o que era pedra espalhada por aí. Seu nome é tão complicado que muitos o chamavam Chovenágua”. Também o escritor Vitor Gonçalves Neto, na dedicatória de seu livro “Roteiro das Sete Cidades” (1963), assim se refere: “À memória de Ludovico Schwennhagen – professor de História e Filologia que, em maio de 1928, defendeu a tese meio absurda de que os fenícios foram os primeiros habitantes do Piauí. Em sua opinião, as Sete Cidades serviram de sede da Ordem e do Congresso dos povos tupis. Nasceu em qualquer lugar da velha Áustria de ante-guerras. Morreu talvez de fome aqui n’algum canto do Nordeste do Brasil. Orai por ele”. Mais adiante, quando da descrição da 2ª cidade, o autor transcreve a fala de um certo Assunção, seu companheiro de viagem, que diz: “Seu mano, sei que você nunca leu o Ludovico Schwennhagen. Foi um maluco que apareceu por estas bandas ao tempo do governo do hoje senador Matias Olimpio de Melo. Aproveitaram-no como professor de alemão no velho Liceu Piauiense e imprimiram sua ‘Antiga História do Brasil’ – de 1.100 antes de Jota Cristo até 1.500 de nossa era”.
Constata-se, com pesar, não ter a tese do pesquisador austríaco chegado a adquirir a robustez necessária para o desenvolvimento ações epígonas. Dessa forma, no curso das décadas que se sucedem à sua divulgação, a postulação histórica perde seu cunho científico e se transforma em relato mítico, curioso ou absurdo, apenas. Muito embora a publicação da “Antiga História do Brasil” esteja listada – no julgamento do jornalista Zózimo Tavares – entre os “100 Fatos do Piauí no Século XX” (2000), seu conteúdo permanece à margem dos compêndios oficiais de História, tanto brasileira quanto piauiense. É conveniente entender que somente um grande movimento, encabeçado pela comunidade acadêmica da área, com o objetivo de divulgar e discutir o tema, conseguirá suscitar o interesse das atuais e futuras gerações, e, em conseqüência, viabilizar a retomada de estudos e pesquisas sobre o assunto. Assim, uma possível confirmação da presença de fenícios na terra brasílica há milênios, além de provocar a revisão de parte da nossa História, fará, finalmente, justiça ao legado precioso de Ludovico “Chovenágua”.
Augusto Brito











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