Ano novo, nova missão
O mistério do amanhã é tão útil quanto o dia a dia. Se este te dá o poder da experiência, aquele que te dá o desejo do descobrimento, o prazer de novas conquistas. Cada dia, nós avançamos um pouco nesses dois sentidos – experiência e descobrimento. Isso nos leva ao desenvolvimento, que é uma luta renhida – missão de vida.
No horizonte, vislumbra-se um novo amanhã. 2010 será um ano de grandes disputas e de oportunidades de grandes conquistas. No campo esportivo, teremos a copa do mundo na África do Sul. Na política, teremos eleição para Presidente do Brasil, para Governadores de Estado, para Deputados e Senadores. Na economia, o desenvolvimento do projeto pré-sal.
Em uma análise superficial, podemos dizer que, na disputa futebolística, estamos entre os destaques da competição. A experiência brasileira neste tipo de disputa é significativa e a expectativa de vitória é real. Embora a experiência do povo na escolha de gestores do dinheiro público também seja significativa, a disputa eleitoral é mais complicada. Ela ocorre entre múltiplas correntes de interesses, por vez urdida maquiavelicamente ao longo do tempo e na verdade a possibilidade de logro real… O pré-sal é um projeto auspicioso, mas de longo curso.
Os grandes estrategistas aconselham que nos acerquemos do maior número de informação possível sobre os contendores envolvidos em uma disputa. No caso específico da política, temos que estar atentos para as correntes de interesses envolvidas. Geralmente elas estão agrupadas em três grupos bem distintos: governos populares, governos absolutistas e intermediários. O primeiro grupo remonta ao tempo do absolutismo o qual podemos denominá-lo de Governo Autocrata, que senso amplo significa governo não-eletivo. Esta forma de governo encontra sua mais fiel representação nas monarquias da Europa ocidental dos séculos XVII e XVIII. Nestas, o soberano possuía de direito e de fato a soma total dos atributos do poder: legislava, julgava, nomeava e demitia, instituía e cobrava imposto, organizava e comandava as forças armadas. A figura do mandatário estava acima do bem e do mal. Sempre tinha espaço para o xeleléu da corte. O segundo grupo nasce no século XVIII com Robespierre, político revolucionário francês. Este liderou uma luta a favor do sufrágio universal em eleições diretas, instrução gratuita e obrigatória e o estabelecimento de um imposto progressivo sobre os lucros. Esse modelo de gestão é chamado de democrata-social. Robespierre torna-se líder do clube dos jacobinos para o qual só o povo é incorruptível. Entre este e os governos autocráticos ficava o clube que defendia o interesse dos latifundiários, dos grandes negociantes e dos banqueiros, formando um terceiro grupo chamado de clube dos girondinos, cujo líder fora Jaques Pierre Brissot.
O tempo passou, a ciência evoluiu, mas a disputa eleitoral continua sendo uma disputa entre grupos de interesses bem definidos. De dois em dois anos os grupos arregimentam suas forças e vão à luta. Por vezes, ganham os jacobinos – governos populares. Outras vezes, são os girondinos que ganham – governos burgueses. Outras vezes, a aristocracia – resquício da autocracia – se faz vitoriosa. O exercício do voto pode influir positivamente nesse imbróglio e mostrar que o povo é o poder – poder incorruptível.
O desenvolvimento alcançado até aqui parece suficiente para inibir temores sobre o que se prenuncia para este ano como missão. No tabuleiro do jogo eleitoral não haverá espaço para retrocesso. O nosso país não é uma republiqueta de terceiro mundo e governos populistas ou populares extremados estão com os dias contados no mundo civilizado. Por certo haverão de ser exorcizados os maus espíritos. Nunca mais haverá espaço para radicalismo de esquerda, nem de direita, embora saibamos que a luta sempre será renhida e mereça esta reflexão.
R. M. Bessa











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