Fenícios em Sete Cidades, segundo Ludovico “Chovenágua” (Parte II)

Foto: Gilmara Rabelo
Segundo afirma Schwennhagen, os fenícios, povo de origem semítica que ocupa o corredor Sírio – exímios marinheiros e comerciantes – fundam no litoral sul do Mediterrâneo, até o Atlântico, diversas cidades e feitorias, mantendo contatos de negócios com diversos outros povos. Dentre muitos, há relatos de uma célebre aliança entre Hiran e Salomão. Tendo descoberto, casualmente, a “Pindorama”, passam a explorá-la economicamente. Para viabilizar tal empreitada, estabelecem relações amistosas e intercâmbios com os primitivos habitantes da terra, possibilitando que dela possam extrair diversos materiais, ali encontradas em abundância, muitos dos quais já raros ou esgotados no velho mundo. Assim, exploram várias pedras e metais preciosos, bem como madeira-de-lei, que vendem aos hebreus para utilização na construção do lendário Templo de Jerusalém. Aos egípcios, dentre outros produtos, fornecem salitre, utilizado no processo de embalsamamento de seus mortos, e matéria-prima para manufatura de tecidos, vidros etc.
Conforme os escritos do notável professor – cujo nome germânico Schwennhagen é nordestinizado, jocosamente, para o epíteto “Chovenágua” – os fenícios fazem uso de um porto marítimo natural, a que chamam Tutóia (possivelmente, uma alusão conjunta às antigas cidades de Tur e Tróia), de onde ingressam no delta do Parnaíba e passam a explorar a região que corresponde ao norte do Piauí, atualmente. Por aquelas paragens, cerca de 180 km da foz, descobrem uma cidade, construída pela natureza, dividida em sete partes, a que batizam de Sete Cidades. O local é escolhido para sediar uma escola de sacerdotes Piagas, originários do povo Cário, adoradores do deus “Pan” (possível origem do termo “Tupã” de nossos nativos). Os fenícios trazem esse grupo de magos da Ásia Menor, interessados que estavam na colonização das novas terras e no controle político e religioso de sua população. Assim, de acordo com “A Antiga História do Brasil”, o conjunto monumental petrificado das Sete Cidades, no “Piagüi” (terra dos Piagas), passa a sediar a “Ordem e o Congresso Nacional dos Povos Tupis”. No centro da “terceira cidade”, segundo a descrição do pesquisador, há um castelo, dividido em três partes: “O primeiro salão era o lugar do Congresso, isto é, da reunião dos delegados e deputados; o segundo salão era a sede do supremo morubixaba, isto é, o governador eleito como chefe de todas as tribos para um certo prazo; o terceiro, pátio amplo onde o Sumé, assistido pelos Piagas, administrava suas funções religiosas. Ali está a grande estátua do sacerdote chefe, de escultura primitiva, e, a um lado, vê-se a suposta biblioteca, um lote de pedras lisas e finas, cortadas simetricamente”.
As incursões fenícias pelo continente americano só cessam, de acordo com “Chovenágua”, por volta de 146 a.C., com a destruição de Cartago pelos romanos. O historiador Heródoto - que registra a epopéia fenícia de circunavegação do continente africano – também relata viagens de cartagineses a um distante país, além dos oceanos. O declínio da civilização que se desenvolve sob a orientação da Ordem dos Sacerdotes Piagas, com sede nas Sete Cidades, se dá, provavelmente, em período posterior, motivado, dentre outros, por lutas visando o controle político e, ainda, por dificuldades de administração do extenso território, povoado por inúmeras etnias. As nações confederadas em torno da Ordem Cária acabam sendo dissipadas, estabelecendo-se diversos outros centros de poder. Nessa dispersão tupiniquim, os Tabajaras e outros grupos, por exemplo, se fixam entre o rio Parnaíba e a serra da Ibiapaba, na terra livre dos Tapuias. Os Tupinambás se estabelecem em vários pontos da região central e da Amazônia. A partir de então, esses inúmeros grupos iniciam um retrógrado e intermitente processo de divisões e fusões culturais, ao cabo de vários séculos, até a chegada das naus portuguesas, na costa da Bahia, em abril de 1.500.
Augusto Brito











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