Despedida
Às hemácias que compõem
Meu sangue impuro,
Malfadadas a fazer-me ter
A vida, ver a luz,
Só lhes peço
Em tão sofrer vital do mundo
Que me esqueçam agora
Pois pretendo ver as trevas ou Jesus.
Não mais quero
Ser jurado pela vida
E num futuro bem próximo
Ser fadado a ver-me mal
E olhando-me ao espelho
Eu, velho e roto,
Ver minha alma em fracasso
Sem ter provado o sacro ou o carnal.
Jhônatas Marcelo Sousa da Silva: Colégio Dez
COMENTÁRIO
Wilton Porto
Dizem que temos um Caim e um Abel dentro de nós. Podemos usar do bem ou do mal. Pendermos para o material ou espiritual. Faz parte da vida terrena, do avanço na escala da subida para o celestial.
Significa dizer que, a forma como trabalhamos a nossa mente, de como agimos em sociedade no tocante aos pensamentos, expressão fisionômica e ações diárias, vamos adquirindo créditos ou débitos que direcionam nossa forma de como vamos encarnar e viver. Nascer numa favela ou num palacete como rei tem a ver com essas ações.
Numa mesma família vemos pessoas com inclinações diferentes. No que diz respeito aos filhos, a educação costuma ser igual para todos. No entanto, aparece a ovelha ou ovelhas negras, como se ouve. Aqueles que são mais carinhosos e mais delicados, com espíritos humanistas do que outros. Mas é de praxe, o ser humano querer desafiar dificuldades, experimentar o lado sensual, ater-se no material, como ter uma bela casa, um charmoso carro, roupas com que bem se apresente em grupos, alimentar-se de forma satisfatória… No que se refere ao sexo, há quem diga que faz bem á saúde e, até que é maravilhoso para despertar a inteligência.
Vivemos na terra, temos um corpo físico e precisamos fazer com que ele funcione a contento. Ele precisa do material e assim temos de supri-lo.
O problema está no exagero. No esquecimento de que é uma fase. De que somos seres em evolução e de que temos a obrigação de irmos dominando o nosso lado instintivo para atingirmos o Homem-Deus, em que praticamos diuturnamente a Lei Áurea: façamos aos outros, aquilo que queremos que os outros nos façam.
Jhônatas Marcelo Sousa lembra, na sua poesia, esse nosso lado sensual, que busca o mundano, que quer experimentar as coisas dos cinco sentidos. Não se vê com constância, pessoas sem topar por algum tipo de sofrimento. Ele usou a expressão: “Sofrer vital do mundo”.
O poeta não quer ver a “Alma em fracasso, sem antes ter provado o sacro ou o carnal”. É lógico: nascemos para o santo: “Sê Santo, como Santo é o meu Pai que está nos Céus”, disse Jesus. E o autor revela isso, quando diz: “Pois pretendo ver as trevas ou Jesus”. O verso não nos remete para uma “treva” satânica, que pratica maldades ou coisas desse tipo. Ele quer viver a juventude, experimentar as coisas belas da vida que estão nas entrelinhas do dia a dia.
Quando ele diz: “Que me esqueçam agora”: sétimo verso, da primeira estrofe, está muito claro a ideia de não passar a juventude em “brancas nuvens”. Quer brincar, amar, descobrir, vivenciar momentos únicos.
Ele é jovem e é natural que pense assim. Eu já recomendei antes e repito. Os mais experimentados na vida devem orientar os mais jovens para que usem do vigor que possuem para praticar o bem, mas sem deixá-los mofando num canto. Como na escola, todos temos que enfrentar problemas, dificuldades, para atingirmos o apogeu celestial. Se não soubermos direcionar as nossas vidas diante das adversidades, corremos o risco de sermos dominados pelas trevas. Assim, estamos queimando etapa nas encarnações e teremos que penar um bocado para chegarmos ao último degrau que nos leva ao mundo dos ditosos.













Muito bom,gostei cara,continua assim,quem sabe nao é o seu futuro.
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