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A Companhia de Aprendizes Marinheiros do Piauí

12 December 2009 Sem comentários

DSC01905Discurso proferido pela professora Rozenilda Castro em solenidade ao Dia do Marinheiro na Capitania dos Portos do Piauí (Parnaíba-PI), no dia 10 de dezembro de 2009, referente, também, ao dia do quarto lançamento do livro de sua autoria: “A Companhia de Aprendizes Marinheiros do Piauí”. 

            Bom dia!
            Exmo. Sr. Sidney da Silva Pessanha, Capitão dos Portos de Parnaíba, através de quem cumprimento as demais autoridades da mesa e a todos os presentes.
              Ao jornal “O Piagüí”, através dos diretores Daniel Ciarlini e Arlindo Leão, pelo esforço na divulgação do livro na cidade de Parnaíba e por intermediar os nossos contatos para este evento. Gostaria de registrar meu agradecimento ao Capitão dos Portos de Parnaíba, pela oportunidade de apresentar o livro neste evento. Ao professor Dr. Antônio de Pádua Carvalho Lopes, Orientador da Pesquisa. À Maria de Lourdes Goes Lima, que na oportunidade representa o SESC. Agradeço, também a minha irmã Deuzimar Castro, que nesta oportunidade representa a minha família.
              O livro “Companhia de Aprendizes Marinheiros do Piauí – 1874 a 1915: história de uma Instituição Educativa”, é fruto da pesquisa minha Dissertação de Mestrado em Educação, defendida em 2005, na UFPI.
              Para a pesquisa foram utilizadas fontes documentais preservadas em arquivos públicos e bibliotecas de Parnaíba, Teresina e Rio de Janeiro, com destaque para as contribuições do Arquivo Nacional, Biblioteca Nacional e Serviço de Documentação da Marinha: Arquivo Histórico: correspondências (ofícios e circulares), atas, relatórios, regulamentos e demais registros oficiais da Companhia de Aprendizes Marinheiros do Piauí e de outras Províncias do Império, da Capitania do Porto de Parnaíba, da Presidência da Província do Piauí e da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha;

              – Plantas arquitetônicas, mapas de serviços e de dados estatísticos da Companhia de Aprendizes Marinheiros e de outras Províncias do Império;
              – Correspondências de autoridades de Parnaíba: Delegado de Polícia, Juiz de Órfãos, Juiz Municipal, Inspetor da Alfândega, Coronel, Tenente-Coronel, Capitão, Major e Intendentes Municipais;
              – Jornais, Almanaques da Parnaíba;
             – Coleção das Leis do Império e da República do Brasil.

O livro apresenta três capítulos:

              1.º Capítulo: NAVEGAR É PRECISO? O SURGIMENTO DA COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS EM PARNAÍBA – discute o contexto esterno da Companhia procurando explicar o seu surgimento no conjunto das 18 Companhias do Império, numa lógica de constituição e de aparelhamento das armas nacionais, que se fez necessário, a partir do nascimento da Marinha de Guerra Brasileira e dos conflitos internos do país reforçado pela Guerra  do Paraguai; (Cabanagem/PA, Guerra dos Farrapos/RS, Sabinada/BA, Balaiada/MA e PI). Preparar mão-de-obra qualificada para os serviços da Marinha de Guerra Nacional.
             
2.º Capítulo: CORPOS FRANZINOS, MAS INTENSAMENTE VIGIADOS: PANOPTISMO E DISCIPLINA NO COTIDIANO DA COMPANHIA – apresenta o contexto interno, o dia-a-dia da Companhia, enquanto instituição educativa militar, regida por um sistema de poder, controle, vigilância e disciplina, regida por um sistema de poder, controle, vigilância e disciplina que transformam os menores em cidadãos dóceis e úteis à nação, enfocando suas representações no cotidiano da cidade de Parnaíba; As fugas, os olhares em torno da Companhia, os médicos (Dr. João Maria Marques Bastos) os fornecedores (Franklin Véras) e as festividades.
             
3.º Capítulo: DA CASA DO CAPITÃO CLARO AO ARSENAL DA CORONEL LUCAS: A ITINERÂNCIA DA COMPANHIA E O NASCENTE MERCADO IMOBILIÁRIO LOCAL – refere-se aos espaços ocupados para sede da Companhia. Neste sentido revisitamos os percursos da instituição na casa do Capitão Claro, Coronel Miranda Osório, Coronel Pacífico, Coronel Miranda Filho, Hotel Carneiro, Vila da Amarração, no final de 1908, até o prédio construído para a sua sede própria: o Arsenal da Coronel Lucas, inaugurado em 24 de fevereiro de 1909, até a sua extinção definitiva em 1.º de maio de 1915.
              Evidenciando o nascente mercado imobiliário que se constituiu e aflorou em torno da Companhia. Presença feminina no mercado imobiliário local: Sra. Tarcila Maria dos Anjos Marques e Sra. Auta Cesária Castello Branco Ferreira. 

SÍNTESE: 

              A Companhia de Aprendizes Marinheiros do Piauí fez parte da criação de um conjunto de dezoito Companhias instituídas na Corte e em dezessete províncias do Império durante o período de 1840 a 1875. Foi criada no dia 18 de junho de 1873 e começou a funcionar na cidade de Parnaíba no dia 1.º de julho de 1874.
              A Companhia do Piauí funcionou durante 31 anos, do período de 1874 a 1915. Era uma escola em regime de internato, oferecia instrução elementar, militar e náutica onde oficialmente, os aprendizes tinham direito a alimentação, fardamento, material escolar, soldo mensal (três mil réis), assistência médica e religiosa; recebia menores brasileiros de 10  17 anos de idade. As vagas eram preenchidas por voluntários ou contratados a prêmio matriculados por pais ou tutores; só órfãos e desvalidados, que possuindo os requisitos solicitados, fossem remetidos pelas autoridades competentes juízes de órfãos e autoridades policiais. Atendeu às preocupações da elite de seu tempo, tirando os menores da rua e educando-os para o trabalho, mais fundamentalmente foi fiel à gênese de sua criação, que era fornecer material humano para a Marinha da Guerra Nacional.
              Finalizando, registramos que o ensino militar se constitui numa área que precisa ser melhor explorada, por ter as instituições militares ocupado um importante papel no ordenamento da sociedade imperial brasileira, portando-se como lugares privilegiados de observações não só da nossa história educacional mas da nossa história cultural e política. Entender a história da Companhia de Aprendizes Marinheiros do Piauí, hoje, é entender a história de uma instituição educativa que foi pensada num clima de guerra de independência nacional fruto das preocupações das forças armadas em proteger o nosso país.
              Pesquisando a história da Companhia de Aprendizes Marinheiros do Piauí, construímos não só a história educacional desta instituição, mas enveredando pela história cultural e política da cidade de Parnaíba, da província do Piauí e do Império do Brasil. Para além do seu espaço interno, do seu cotidiano, de suas práticas disciplinares e pedagógicas percebemos esta escola enquanto estrutura física no seu espaço social, no dia-a-dia da cidade de Parnaíba, constatando evidentemente o seu valor social e político.
              O livro contempla a história da Marinha, do ensino militar, educação piauiense, educação da infância pobre, arquitetura e cotidiano de Parnaíba. 

              Muito obrigada!

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