Sereias
Olá piaguienses…
Mais uma vez eu, Diogo Ramalho, trago para o nosso querido site, mais um de meus companheiros culturais. Saulo Madrigal é escritor por insistência, professor por consciência de mundo e maluco por vocação. Não o entendam mal! Cursa Ciências Naturais na UnB, leciona aulas de Ciências e trabalha na área de projetos de inclusão social.
Boa leitura!
A Suzana quase teve um infarto quando perguntou para filha, a Julinha, o que ele queria ser no futuro:
– Quero ser uma sereia
– Sereia?
– É, mãe, sereia! Daquelas com rabo grande e conchas nos seios.
Claro que isso não seria um problema se a Julinha não tivesse dezessete anos…
******
“Bem”, pensou a Suzana, “não é uma médica como queria que fosse, mas tem lá seus mistérios”.
O pai de Julinha, o seu Antenor, se opôs drasticamente a idéia. Era um homem de princípios e mais tradicional que rótulo de aveia Quaker:
– Filha minha não sai por ai mostrando rabo pra ninguém!
Mesmo assim, após muita insistência da Suzana acabou cedendo, mas aconselhou a filha:
– Tome cuidado, minha filha! Você sabe o que fazem com peixe né?
– Não, o que papai?
– Cortam a cabeça e comem o rabo…
******
O namorado da Julinha ficou desconsolado com a descoberta, já que eles moravam no interior de Minas e ela teria que se mudar para o litoral e acabou recusando o convite de Julinha. Disse que talvez não ficasse bem de calda. Além do que, tinha outros planos para o futuro: ser Unicórnio.
******
O infarto veio mesmo quando soube da tragédia: no meio do caminho a Julinha se apaixonou pelo Saci-Pererê e foi morar na Amazônia, depois teve um caso com o Curupira, que não é tão feio como falam e o mais próximo que chegou de ser uma sereia, foi um romancesinho de água doce com o Boto-Cor-De-Rosa.












Deixe um comentário