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O legado romano

26 November 2009 6 comentários

INTRODUÇÃO  

Foto: Bob Krist/Corbis

Foto: Bob Krist/Corbis

            Na antiguidade clássica a história mostra uma grande variedade de cidades-estados, mas Roma se faz grandiosa. Com origem de um pequeno povoado para um futuro como um dos maiores impérios da história do mundo.
            Desde o início de sua formação, que podemos considerar desde o século VII a.C. até o século V d.C., Roma apresenta uma história carregada de lendas, mistérios, fantasias, mas com certeza de uma grande cultura e vitórias.
            Roma por si só deve ser estudada. Como se originou? Como foi seu desenvolvimento? Como e porque ocorreu seu termino? Mas ela apresenta um legado grandioso, uma herança que se apresenta firme e forte até nos dias de hoje.
            Mesmo que não se negue, esse legado é, em parte, das diversas influências que sofreu em virtude dos vários povos conquistados. Mas vale lembrar que essas características que foram recebidas de outros povos, principalmente os gregos, foram reformadas construindo assim modificações que as tornaram diferentes das originais ou mesmo deram continuidade ao processo evolutivo dessas características culturais.
            Tendo assim uma grande importância estudar o legado de Roma, para dessa forma entender não só a cultura romana mas também o que foi deixado e como essa influência é usada nos dias atuais. Para a melhor preservação e entendimento desse conhecimento histórico-cultural para as próximas gerações. 

 O LEGADO ROMANO 

            No decorrer de seu tempo Roma foi altamente influenciada por vários povos, pois sendo uma conquistadora nata, conquistou grande parte do mundo conhecido até então, além de ter sido um dos impérios mais estáveis e duradouros ao logo do tempo. Pôde assim assimilar varias características desses povos, mas é claro dando um toque especial de sua cultura a essas trocas culturais que se desenvolveram com a expansão do processo de conquistas de território, onde o mesmo império atingiu maiores proporções.
            Sua fundação já começa diferente e nostálgica, cercada de lendas como a dos irmãos Rômulo e Remo que descenderiam do príncipe troiano Enéias, sendo eles os fundadores em 753 a.C.. Mas as pesquisas históricas falam que a cidade de Roma existe aproximadamente desde o termino do segundo milênio a.C. Um pequeno núcleo urbano que originou um grandioso império. Onde sua trajetória de organização para estudos se divide entre; Monarquia (753 a.C. a 509 a.C.), República (509 a.C. a 27 a.C.) e Império (27 a.C. a 476 d.C).

Roma foi construída, como seus historiadores e escritores de fábulas gostavam de proclamar, sobre sete colinas; nem todas as colinas, no entanto, eram povoadas nessa jovem Roma. A cidade era muito pequena para que um espaço tão grande assim fosse necessário. Atrás da cidade murada, corria o Rio Tibre, que desaguava no Mediterrâneo, a menos de 40 quilômetros de distancia. Às vezes amarelado em decorrência da lama arrastada pelas águas desde as colinas íngremes após chuva forte, o rio era usado por pequenos barcos que transportavam carga para cima e para baixo de sua desembocadura. Inicialmente, um monarca governa a cidade e o pequeno território ao redor, mas, em 509 a.C., as famílias proprietárias de terras foram vitoriosas, e sua republica veio a durar quase cinco séculos. (BLAINEY, 2008, p. 87).

                O latim de Roma está sempre presente nas línguas mais modernas, essa língua foi o idioma oficial do Antigo Império Romano sendo falado da cidade de Roma passando pela Província do Lácio, local de origem dessa língua, através dos povos que habitavam a região, e no século I a.C. alcançou plenamente a península Itálica e a parte ocidental da Europa, desde a região que hoje se situa a Romênia até Portugal.
            Sabe-se que o latim deu origem a um grande numero de línguas européias, que se denominam românticas ou neolatinas, entre elas o português, o espanhol, o francês, o italiano, o romeno, o galego entre outras. O português, como já foi dito, originou-se do latim, mas só começou a tomar forma como língua independente no século XII.
            Tem-se que após a queda do Império Romano, no ocidente, o latim foi usado por vários séculos como uma língua de status (culta) que representava grande conhecimento, para aqueles que o dominavam. Além de que até o Concilio Vaticano II (1961 a 1965) as cerimônias religiosas da igreja Católica eram realizadas em latim, hoje usado em apenas alguns documentos internos.
            Lembraremos da grande importância para ciência, no uso do sistema de nomenclatura binominal que foi criado por Carolus Linnaeus em 1755, que utiliza o latim nas nomenclaturas científicas em geral como nome de plantas, animais etc. Dando mais facilidade de reconhecimento através dos nomes em latim.
            O campo religioso até hoje apresenta semelhanças em algumas características da religião romana. Religião essa que em quase toda sua história mostra uma crença em vários deuses. Divididas essas práticas religiosas em particulares e públicas, com cultos distintos onde suas doutrinas ou dogmas não existiam de maneira permanente ao longo dos séculos. Até mesmo em virtude dos cultos particulares pertencentes exclusivamente as devidas famílias, onde cada uma tinha sua independência em suas maneiras de realizarem cultos e formatar suas regras.
            A relação entre esses deuses, que eram os antepassados, e os homens, ocorria de maneira onde que esses realizavam oferendas aos primeiros e esses os protegiam. Havia uma classe sacerdotal com vários líderes como os vestais que tinham a obrigação de manter o fogo sagrado sempre aceso mais o líder maior era o pontífice máximo que comandava grande parte das cerimônias religiosas. Os romanos, com a chegada dos gregos, incorporaram com novos nomes a religiosidade do mundo grega no que se refere aos nomes dos deuses onde o deus supremo dos gregos, Zeus, passou a ser chamado de Júpiter para os romanos.
            Mas o que mais se destaca na influência de características do mundo romano nesse aspecto na atualidade sem sombra de dúvidas é o cristianismo. Mesmo tendo sido perseguido desde o governo de Nero (54 d.C. -68 d.C.) até o governo de Diocleciano (244 d.C. – 311 d.C.), que realizou a última, mas não mesmo cruel das perseguições. No ano 50 d.C. o cristianismo se espalhou ferozmente por todas as regiões do império romano até dominar por completo o império. Após muitas perseguições como fala Corrassin (2001, p.122). “Desde o Edito de Galério, em 311, e a conferência de Milão, em 312, o cristianismo tornou-se religioso licita, podendo ser livremente praticada. Inicialmente, era apenas uma situação de tolerância. Depois, os cristãos passaram a ser abertamente favorecidos”. E em 380 d.C. tornar-se a religião oficial do império, com o batismo do imperador Teodósio como Cristão. Onde hoje essa religião se apresenta praticamente no mundo todo, principalmente na América do Sul e Central e, claro, em boa parte da Europa.
            Dois dos aspectos que Roma deve ser lembrada são sua literatura e filosofia, que devemos uma parte desse crédito às influências dos gregos, isso é indiscutível, mas os romanos contribuíram muito nesse sentido. Sabe-se que vários estilos que se praticam até nos dias de hoje são de origem da civilização romana como é o caso da sátira.
            Sua literatura sendo um de seus principais autores Virgílio (70 a.C.-19a.C.) poeta e escritor autor do poema épico Eneida, onde teve inspiração na Ilíada e na Odisséia, que conta a história de Enéias um grande herói da cidade de Tróia. Além de Tito Livio ( 59a.C.-17a.C) grande orador e historiador, Públio Cornélio Tácito (55 d.C – 120 d.C.) outro grande historiador que em sua principal obra os Anais fala da História de Roma desde a morte de Augusto até o governo de Nero, sem falar que ele foi o primeiro historiador não cristão a falar da crucificação de Jesus Cristo. Sem esquecer de outros autores que deixaram inúmeras obras para o ocidente de hoje, Cícero (106a.C-43a.C.) e Ovídio (43a.C. -17 d.C.).

Os escritores romanos deixaram para as futuras gerações uma visão detalhada da vida cotidiana e de sua diversão, de suas angústias, de seus prazeres e de suas dores. Praticamente podemos sentir o gosto das refeições das pessoas comuns: o pão integral, o queijo fresco prensado à mão, os figos verdes de segunda safra e, é claro, o pequeno peixe de grande popularidade, o arenque. Podemos caminhar pelas fazendas romanas graças à poesia de Virgílio e ouvir conselhos de como trabalhar a terra. Considerava-se que o sétimo dia da Lua trazia sorte para laçar e domar o gado selvagem e, no verão, o feno de um prado seco deveria ser cortado depois do anoitecer para melhores resultados, uma das regras da produção de feno que era seguida com freqüência na Itália e que persiste na lembrança de muitos. (BLAINEY, 2008, p. 90-91).

            A filosofia romana se apresenta como base à moral romana, destacando-se Horácio (65 a.C -8 a.C.) poeta cuja obra esta marcada pelos valores de características do estoicismo e do epicurismo, correntes da filosofia que retornam à metafísica naturalista dos pré-socráticos, como à moral das escolas socráticas menores, cínica e cirenaica. Fazendo assim grande contribuição para o processo evolutivo da filosofia. As principais obras desse autor são: Odes, Sátiras e Epístolas. Outros autores que se pode dar destaque são: Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) com as Cartas a Lucílio e a tradução de Medéia  Epíteto  que escreveu suas idéias e depois foram condensadas no Manual de Epíteto.
            Do mesmo modo que outros aspectos, as artes, a arquitetura e escultura principalmente são uma grande contribuição do império romano para nós do ocidente de hoje. Mesmo os gregos tendo influenciado os romanos, eles deram seu toque e visão do mundo.
            A arquitetura que ligou à coluna e o frontão dos templos gregos, mas agora com proporções grandiosas para demonstrar a imponência do império. Os romanos foram introdutores de novos componentes arquitetônicos, onde se destacam os arcos, as cúpulas e as abóbadas, além, é claro, dos aspectos monumentais de suas construções, como estradas e pontes, imprescindíveis para facilitar a comunicação e o comércio entre as cidades, além de garantir a união do império através da melhor locomoção do exército e de pessoas. Sem falar nos arcos de triunfo, anfiteatros, casas de banhos, muitos desses monumentos sobrevivem até os dias atuais como é o caso das ruínas do Coliseu, um anfiteatro com capacidade para 65 mil pessoas, localizado em Roma.
            Em sua escultura, principalmente cabeças ou bustos, sempre houve a preocupação de reproduzir da melhor forma realista as características da fisionomia dos modelos. Principalmente das grandes personagens públicas, saindo assim da idealização de modelos perfeitos, como faziam os gregos.
            O direito romano para muitos especialistas no assunto é com certeza a mais significativa contribuição dos romanos para a sociedade de hoje. Onde permanece ainda entre os fundamentos do direito contemporâneo, na base de sistemas jurídicos em grande parte do mundo.
            Essas legislações criadas pelos romanos foram desenvolvidas para regular o comportamento da sociedade em seu imenso domínio, pois assim obteriam soluções claras aos problemas ocasionados pelas disputas entre grupos sociais e pelas conquistas das guerras. Mas deve-se pensar que se tratava de uma sociedade desigual onde uma simples pessoa pouco ganharia ao processar outra de grandes poderes econômicos ou sociais. Essa criação de normas foi muito necessária para controlar e permitir a vivência da grande diversidade de tradições que abrangia o Império Romano.
            O desenvolvimento do direito romano fora gradual, mas o ponto de início foi a partir das Leis das Doze Tábuas (450 a.C.), onde essas foram sendo aprimoradas posteriormente através de leis votadas nas assembléias e nos decretos dos senadores, onde assim pode-se ter uma grande sistematização jurídica no período do império.
            O direito romano apresenta-se em três grandes ramificações: o Direito Civil (Jus civile), de aplicação restrita aos cidadãos de Roma, sendo o principal conjunto de leis de inspiração nos antigos costumes e tradições romanas, o Direito das Gentes, ou dos Estrangeiros (Jus Gentium), código de leis do povo romano comum e dos povos conquistados, e o Direito Natural (Jus Naturale), parte filosófica do direito romano onde o ser humano e por natureza um possuidor de direitos que devem ser respeitados.
            Sabe-se que sempre o Direito Romano existiu em um processo de evolução, lenta mas existente, dumas normas rígidas e severas até os conceitos jurídicos um pouco mais brandos e abrangentes onde a maioria das relações sociais eram regidas por normas jurídicas. Em 212 d.C. o imperador, provavelmente Carala, através de um Edito, dava a todos os habitantes livres das províncias do império a cidadania romana, consolidando, assim, a unidade jurídica imperial. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

            A respeito do assunto demonstrado no texto, onde se teve como fundamentação várias autoridades na área da história, permite de uma maneira consensual, falar, sem sombra de dúvidas, da grande importância que a civilização romana tem em nossa sociedade. Seu legado conseguiu ser preservado em grande parte até hoje, sendo assim de muita valia para nossa cultura e certamente para as futuras gerações, onde continuaram colaborando nas mais diversas áreas do conhecimento como, também, no que diz respeito ao cultural e social.
            Pode-se através deste texto constituir uma ideia do surgimento de se velar com novos olhos, o que nos foi deixado pelos romanos, tentando buscar mais e mais informações, para maior embasamento teórico sobre esse assunto. Podendo, dessa forma, gerar mais discussões e estudos que gerem frutos a partir desse conhecimento que é tão precioso, mas que, às vezes, não se dá os respectivos valores que lhe são devidos.
            O texto tenta mostrar a importância do legado romano na construção das bases de algumas características de nossa sociedade, possibilitando gerar reflexões sobre o tema. Dando uma inserção progressiva sobre áreas que mesmo parecendo distantes, se entregam de alguma maneira na sociedade atual, como é o caso do latim ou do direito romano.
            Portanto, essa grande herança deixada pela civilização romana marca um elo entre o seu passado e o presente, onde o legado de uma cultura de séculos atrás consegue se inserir numa sociedade tão moderna como a de hoje. Sendo assim, todo esse patrimônio romano é de um valor inestimável, devendo ser preservado ao longo dos tempos.

Cleyton Costa[1]

 


1 Acadêmico do curso de Licenciatura Plena em História-Bloco I / 2009-1. Universidade Estadual do Piauí-UESPI, Campus Alexandre Alves.

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIAS

BLAINEY, Geoffer. Uma breve história do mundo; Versão brasileira. 2 ed. São Paulo: Fundamento, 2008.

CORASSIN, Maria Luiza. Sociedade e política na Roma Antiga. São Paulo: Atual, 2004. (Discutindo a História).

COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e Geral. 6 ed. Reform. São Paulo: Saraiva, 2002.

COULANGES, Fustel de. A cidade antiga. 4 ed.rev. São Paulo: Martin Claret, 2008. (Coleção a obra – Prima de cada autor).

FIGUEIRA, Divalte Garcia. História: Serie novo ensino médio. São Paulo: Ática, 2004.

FLORENZANO, Maria Beatriz B. O mundo antigo: economia e sociedade. São Paulo: Brasiliense, 2004. (Tudo é História).

NETO, Volnei. Legado Político e Cultural Romano. São Paulo: 2008. Disponível em: <http:// www.brasilescola.com.br> Acessado em 20 de jun de 2009.

SOUSA, Rainer. Legado Romano. Rio de Janeiro: 2008. Disponível em: <http:// www.alunosonline.com.br> Acessado em 20 de jun de 2009.

TUDO SOBRE…, Roma Antiga. São Paulo: Mythos;18, 18 ed.  2008.

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6 comentários »

  • cleyton disse:

    muito me alegra a publicação do meu primeiro artigo.obrigado a todos

  • Rodrigo Menezes disse:

    Parabéns Cleyton! como diz o ditado, “a primeira vez agente nunca esquece”, rsrs, concerteza é um marco na carreira de acadêmico!
    Sucesso, meu amigo!!
    abração
    Por sinal, sou apaixonado pela civilização Romana e Grega, e o legado romano, realmente é facinante, principalmente na forma de organização!
    flw

  • aninha disse:

    Cleyto parabens, estou mto feliz por vc……vc é mto inteligente e tem mta capacidade…..grande momento vivemos no nosso CEFET…..SINTO MTA SAUDADE….BJOS E BOA SORTE

  • Camila Miranda disse:

    Muito bom…adorei!!bju!

  • Graziele disse:

    Parabens Clayton, seu artigo me ajudou muito em uma pesquisa do curso.
    Parabens mais uma vez.

  • kayque souza disse:

    muito obrigado Claytom ,vc me ajudou muito

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