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Franceses, Guaxenduba e a Jornada Milagrosa no Maranhão

24 November 2009 Sem comentários
Jerônimo de Albuquerque

Jerônimo de Albuquerque

             Os versos iniciais do Hino do Maranhão fazem referência e dão louvor a uma batalha que fez cair “do invasor a audácia estranha” em meio ao “troar das bombardas nos combates”. Narram brevemente a vitória dos portugueses sobre os franceses no episódio conhecido como Batalha de Guaxenduba.
             As duas capitanias denominadas Maranhão foram de colonização tardia. Por mar, a elevada amplitude das marés e o recife de corais nas proximidades do canal do Boqueirão, e, por terra, as tribos de índios canibais dificultavam o acesso ao território. Ambas as capitanias não foram ocupadas por seus donatários.
             Os países europeus excluídos do Tratado de Tordesilhas procuravam estabelecer colônias no Novo Mundo. Os franceses, já expulsos do sul, vieram colonizar o norte do Brasil. Seus cartógrafos já haviam mapeado os arredores da Ilha Grande do Maranhão. Aí foram dominar.
             Em 1612, a frota francesa comandada por Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, a mando da rainha Catarina de Médici, aportou no Maranhão. Construiu-se o forte de Saint Louis (São Luís) assim nomeado em homenagem ao Rei Menino Luís XIII. A povoação formada em volta do forte – que é onde hoje fica o Palácio dos Leões, sede do governo estadual – lançou as bases do que seria a cidade de São Luís.
             Mas, descontente com a ameaça de perder uma capitania que tinha a vantagem da proximidade da Europa, Portugal enviou ao Maranhão, em 1615, Jerônimo de Albuquerque, filho do homônimo “Adão pernambucano”, com as tropas que expulsariam os francos do Brasil definitivamente, na Batalha de Guaxenduba.
              O combate ocorreu onde hoje é a Avenida Presidente Kennedy – que, injustamente, perdeu o antigo nome de Avenida Guaxenduba. Uma das versões afirma que não aconteceu de fato uma batalha: Albuquerque, melhor preparado para a luta, teria convencido os franceses de que era mais vantajoso se renderem que se oporem às suas armas. Mas há ainda uma terceira versão, católica e patriótica, digna dessa mitologia dos primeiros tempos da nossa Pátria.
               Merecendo até um soneto do célebre Humberto de Campos, a lenda da Jornada Milagrosa mostra-nos um Jerônimo de Albuquerque imbuído de bravura e amor à pátria portuguesa. No calor do combate, os lusos teriam se visto sem pólvora. Como continuar a luta e fazer prevalecer o seu direito? E do temor e da incerteza teriam saltado ao pasmo e à maravilha: A própria Virgem Maria desceu dos céus e transformou areia em pólvora, intercedendo pelos portugueses.
              “Surgia do direito a luz dourada”, diz o hino maranhense. Portugal tinha agora o caminho livre para ocupar a região, vantajosa comercialmente. E os peitos patrióticos podiam insuflar-se como o de Humberto de Campos e dizer: “Pátria, se a Virgem quis assim teu solo, / que por ti não fará quem for teu filho?”.

Filipe Cavalcante

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