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Fenícios em Sete Cidades, segundo Ludovico “Chovenágua”

13 November 2009 2 comentários
Foto: Gilmara Rabelo

Foto: Gilmara Rabelo

O conjunto de monumentos naturais em rochas areníticas, moldado pela ação erosiva plúvio-diferencial ao cabo de vários milhões de anos, que recebe a denominação “Sete Cidades” pela separação casual das pedras em sete blocos distintos, compõe, hoje, Parque Nacional de mesmo nome, criado pelo Decreto Federal nº 50.744, de 08.07.1961, incrustado em terras dos atuais municípios de Piracuruca e de Brasileira, no Norte piauiense. Esse aglomerado lítico multiforme, de aspecto colossal, desperta a curiosidade e a imaginação da grande maioria de seus visitantes e muitas são as estórias que têm inspiração naquele ambiente inusitado e misterioso. Essa literatura vai desde simples lendas populares – desenvolvidas pelos antigos moradores da região e transmitidas oralmente – até hipóteses bem articuladas, como a formulada por Jacques Mahieu, (“Os Vikings no Brasil”, 1976), passando, dentre outras, pela descrição de Jácome Avelino (“Cidade Petrificada no Piauí”, 1886) ou pelas suposições de Erich von Däniken, (“Semeadura e Cosmo”, 1973). Nada, porém, se compara à tese defendida por Ludwig Schwennhagen, que relata a estada de navegantes fenícios em terras brasileiras, há mais 3.000 anos.
            Desde há muito que se discute não se constituir primazia das esquadras de Cristóvão Colombo, em 1.492, e de Pedro Álvares Cabral, em 1.500, o descobrimento de terras a oeste do continente europeu, estes na tentativa de encontrar um caminho marítimo para as Índias. Já na antiguidade há relatos de viagens em busca de terras e civilizações para além das “Colunas de Hércules”, como a descrição de Platão (429-347 a.C.), no mito cosmogônico “Timeu e Crítias”, para a lendária ilha de Atlântida. Por volta do século I a.C., também o grego Diodoro, em sua “História Universal”, menciona a existência de tais terras. Os romanos, por sua vez, empreendem buscas pela “Insula Septem Civitatum” (Ilha das Sete Cidades), como comprova um escrito em latim, encontrado em Porto-Cale (atual cidade do Porto, Portugal), datado de 740 d.C. No ano de 1.473, o navegador açoriano Fernando Telles apresenta ao rei de Portugal, d. Afonso V, o mapa de um extenso litoral, que identifica como sendo da “Ilha das Sete Cidades”, recebendo, por Carta Régia, a doação da mesma, em 1.475. O referido mapa – que descreve, com riqueza de detalhes, a costa do atual Estado do Maranhão até o delta do rio Parnaíba – é referendado pelo matemático e geógrafo italiano Paolo Toscanelli. Com a morte de Teles, seu genro, Fernando Ulmo, associa-se a João Afonso de Estreito e consegue de d. João II, em 1.485, nova carta de doação e promessa de ajuda para explorar as “ilhas e terras firmes das Sete Cidades”. Há fortes indícios históricos de que Ulmo e seus companheiros aportaram na costa brasileira por diversas vezes. Ao retornar de uma das suas viagens, ele teria declarado ao governo português: “A ilha das Sete Cidades é um grande país, com muitas ilhas e terras firmes, com uma antiga cidade de sete divisões”.
            Em princípios do século XX, o austríaco Ludwig Schwennhagen, membro da Sociedade de Geografia Comercial de Viena, se embrenha por selvas do Norte e sertões do Nordeste brasileiros, à cata de subsídios para a formulação de uma surpreendente tese. Com efeito, no ano de 1928, Schwennhagen publica a primeira edição de sua “Antiga História do Brasil (de 1.100 a.C. a 1.500 d.C.)”, através da Imprensa Official de Therezina, cujos poucos exemplares, ainda existentes, são considerados raridades. A obra é reeditada pela Editora Cátedra, nos anos de 1970, 1976 e 1986, com apresentação e notas do romancista Moacir Costa Lopes. Nas páginas do mencionado livro, o pesquisador sustenta que navegadores fenícios, e, com eles, colonizadores de várias outras nações, estiveram em diversos pontos do Brasil, a partir de 1.100 a.C. Dentre as principais evidências dessa estada, a obra menciona inúmeras inscrições rupestres encontradas Brasil afora, tais como as do município de Pouso Alto, Paraíba, traduzidas pelo professor Cyrus Gordon, da Brandeis University, Boston, EUA, onde informa a origem dos exploradores e descreve, brevemente, sua viagem: “Somos filhos de Canaã, de Sidon, a cidade do Rei. O comércio nos trouxe a esta distante praia, uma terra de montanhas. Sacrificamos uma jovem aos deuses e deusas exaltados no ano 19 do Hiran, nosso poderoso pai. Embarcamos em Ezion Geber, no Mar Vermelho e viajamos em dez navios. Permanecemos no mar, juntos, por dois anos em volta da terra pertencente a Ham, mas fomos separados por uma tempestade e afastamo-nos de nossos companheiros. E assim aportamos aqui, doze homens e três mulheres, numa nova praia que eu, almirante, controlo. Mas, auspiciosamente passam os exaltados deuses e deusas a interceder em nosso favor”. Na Pedra da Gávea, Rio de Janeiro, também há notícias da existência de inscrições que, decifrados os seus caracteres, registra: “Tiro, Fenícia, Badezir primogênito de Jethabaal”. A História dos povos antigos da Ásia corrobora vários dados acima apresentados: Sidon é uma antiga cidade da costa do mar Mediterrâneo; Hiran I (969-935 a.C.) é rei de Tiro, contemporâneo dos reis bíblicos Davi e Salomão; Ezion-Geber (hoje balneário de Eliat, Israel) é importante porto de entrada para a África e para o extremo Oriente, citado na Bíblia (Reis I, 9:26); Jethabaal reina na Fenícia no período de 887 e 856 a.C., e Badezir, seu filho e sucessor, entre 855 e 850 a.C.    

Continua…

Augusto Brito

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2 comentários »

  • Hênio Aragão disse:

    É com grande alegria que constato haver em Piracuruca pessoa de tão excelsa capacidade intelectual e com um rol cultural invejável.
    Piracuruca realmente está bem representa pelo nosso amigo Augusto Brito.
    Além do relato histórico, o texto está eivado de poeticidade, fator que colabora para o desempenho de uma leitura agradável e fluente!

  • Fábio Leonardo disse:

    A teoria dos fenícios em Sete Cidades, considerada “louca” ou “fantasiosa” por muitos, chegou a me convencer, colocada ao lado desses elementos no texto do meu pai. Óbvio que sua proposta foi apenas trazer à tona o fato, a discussão. Mas para mim, já é uma hipótese bem forte.

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