A placa fantasma

Foto: Tetra Images/Corbis
Olá leitores!
Venho trazer um relato verídico que fiz em parceria com meu grande amigo Thiago Allexander, mineiro de Unaí, Thiago é poeta, músico, ator, contista e palhaço dentre outras coisas.
O conto da placa fantasma é o relato de uma viagem que eu, Thiago e outro amigo fizermos de Brasília para Unaí, espero que gostem e cuidado na estrada.
Boa Leitura!
Diogo Ramalho
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Sábado à noite, o posto de gasolina do lado de minha casa está cheio de gente como de costume, tento me concentrar no livro que leio, mas o som dos carros é insuportável, resolvo sair para arejar a cabeça quando encontro Thiago na esquina de minha casa, ele me cumprimenta e me chama para tomar uma cerveja e conta que está indo para Unaí, escolhemos uma mesa do boteco e logo o dono saiu detrás do balcão e foi nos atender, voltou para trás do balcão para pegar nossa cerveja, enquanto isso Thiago me convidava para conhecer Unaí, topo a proposta e logo ficamos à espera de nosso outro parceiro de aventura, Clayton, que havia ido abastecer o carro enquanto Thiago ia à minha casa; volto em casa, troco de roupa, pego meu chinelo, escova de dente e em pouco tempo já estávamos na rodovia rumo a Minas Gerais.
Íamos ora conversando, ora ouvindo rádio, quando ficamos muito entediados começamos a tocar um samba, o Thiago ia ao cavaco e eu tocava caixa de fósforos, depois de um tempo o silêncio de novo reinava, as rádios já não pegavam mais, e na rodovia parecia só existir o palio vermelho e nos três, a noite estava sem luz e o único foco de luz que havia era os faróis do carro, a pressa de chegar era tanta que falamos para o Clayton aproveitar que o trecho em que transitávamos era uma grande reta e acelerar para chegarmos mais cedo em Unaí.
Cada um de nós ia distraído em seus pensamentos quando surge no meio da pista uma placa de 80 km, uma daquelas redondas com bordas vermelhas e os algarismos e as letras pretas, todos nós levamos um grande susto e Clayton pisa no freio, a traseira do carro começa a derrapar para o lado, Clayton tentava manter firme o volante, com o coração na boca e punho firme, ele consegue controlar o carro, estaciona no acostamento e ao verificar o estrago da batida que estranhamente nem sentimos, vimos que a frente do carro estava no mais perfeito estado, na rodovia não havia o menor sinal da placa, na beira da pista ao longe um lampião aceso nos chamou a atenção e fomos pedir ajuda, a luz ia iluminando aos poucos o dono do lampião, era um senhor vestido em um uniforme azul, usava um tronco como tamborete e ao seu lado havia uma mochila velha, uma garrafa térmica e o lampião, nos apresentamos e contamos o que havia acontecido, ele, com as feições sérias, nos explicou o acontecido.
Há anos, quando todas as placas da rodovia foram restauradas, José e João estavam responsáveis pela colocação de placas no dito trecho em que quase morremos, os dois carregavam uma placa de 80 km, suas mochilas e duas garrafas térmicas, o sol castigava os dois, ao deixar a placa cair sem querer sobre o colega de trabalho José tentou se desculpar, mas foi insultado por João que passou a chamá-lo para a briga, os dois se atracaram no meio da pista e depois de levar uma surra de José, João se levantou, pegou a placa e matou seu parceiro, sentado ele esperou passar algum carro para pedir ajuda, um carro passou, viu o corpo e fugiu, alguns minutos depois surgiu um carro de polícia e João contou que foram atacados por um motorista que os agrediu e que se ele não tivesse fugido para o mato estaria morto como amigo, a polícia levou o corpo e o inocente João; o pessoal responsável pelas placas também chegavam, chumbavam a placa na beira da rodovia e se foram, o motorista louco nunca foi encontrado e ninguém pagou pela morte de José e agora ele pede justiça.
Ouvimos a história e ficamos impressionados, resolvemos sair dali imediatamente, nos despedimos do sujeito e perguntamos seu nome e ele respondeu: José! Ao percebermos a macabra coincidência, saímos correndo para o carro e fomos embora, olhando para trás, nada mais se podia ver, não falamos sobre o assunto a viagem inteira e eu apenas sentia que havia testemunhado os mistérios que rodavam as rodovias brasileiras.











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