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Sobre o cosmos

6 September 2009 2 comentários

Cosmos            Tomo um cigarro em minhas mãos… Em espirais as fumaças bailam e materializam, na cor plúmbea – semimorta –, lembranças… Um trago. Mais outro, este com mais força, como que tentando sentir os pulmões se queixarem daquela violência. E no assopro, que leva consigo toda a quantidade de substâncias químicas que me destroem dia após dia, reflito sobre a vida (quanta ironia….). À esquerda, o vinho em sua quarta taça; à direita, apenas o vácuo; e entre eles um ser, sem muito que contar, cheio de abstrações, carregado de pensamentos em relação ao mundo…
            Não sei muito sobre a existência, na realidade, quando nesta poltrona debruço-me às estrelas, a grande vontade que tenho é de sonhar com o definitivo, entender o que o cosmos, de tão longe, tem a me aconselhar… Mas o cosmos é apenas um grande e infinito nada que venero como se sua existência me explicasse como ser pensante. O cosmos! Que beleza! É todo este vão que brinco de tomá-lo em minhas mãos quando as ergo em direção ao negror, ao brilho de uma estrela, ao vazio lunar… Por instantes até sonho: creio apontar em minhas mãos o brilho daquele astro, sinto-o, inclusive, esquentar meus braços, tomando, de instante, todo o meu corpo seminu… Caio, então, por si e percebo que tudo não passou de uma ilusão.
            Não me interessa saber se o cosmos é algo que me racionalizará como vida, molécula, células entrepostas… Assim como não me compreendo, o cosmos não foge à sua própria exceção, ele mesmo é um dissoluto fantasiado de deus, e poucos sabem disso… A grandiosidade, a onipotência, onisciência, onipresença a qual dão àquele nome é o cosmos, simplesmente o cosmos porque o cosmos, ora, o cosmos, ele está em tudo, corre dentro de nossas veias.
            Uma golada. Outra e mais outra, a última deixo escapar dos lábios e descer pelo meu pescoço flácido cheio de veias. Gosto de sentir descer em minha garganta o amargo que me conduz ao torpor.
             O caminho percorrido pelo líquido me é sentido: descendo, descendo… Alcança o destino! E quando alcançado, não mais o sinto, já faz parte de mim, em breve, do meu cérebro… E as suas substâncias… Daí, eu me transformarei momentaneamente, ora para a reflexão mais profunda, ora para a depreciação intolerável em apenas um sono. Um sono de Buda.

Daniel C. B. Ciarlini

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2 comentários »

  • Vall* disse:

    Tou precisando de um sono de Buda! HAUHAUHAUHUHAUAUAU…

  • Juh Rocha disse:

    Uma bela criação, so assim podemos ficar atualizado com conteudos exempleres para o nosso cotidiano conhecendo novas historia, e revendo outras de uma forma mais expressivas… Todos q aqui compoem este espaço estão de parabens!!!

    Obs: Vim atraves da Divulgação de Claucio

    Paz e AmoR*

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