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Nota segunda

15 September 2009 Sem comentários

Foto: Eduardo Ciarlini

Foto: Eduardo Ciarlini

              O que um velho cansado, com um pé na cova, sentado à sacada de um pequenino, mas modesto, apartamento tem para falar sobre a vida, ou melhor, em relação ao mês de setembro, tão cheio de civismo e nostalgia? Chega a doer na alma quando se sabe estar inativo, é conseqüência, às vezes desespero… Pergunto-me várias vezes, em reflexão, convalescendo-me pela longa data de minha experiência como humano: que lógica tem tudo isso? A vida é tão cheia de suposições e improvisos que nos esquecemos de viver disforme à regra.
             Agora nasce o sol, fraco como sempre, vejo-o indeciso, glorioso… Parece vir dele o vento praiano que afaga meu rosto e os cabelos ralos. A natureza tem uma sabedoria que não se pode acompanhar, não há em mim razão que explique, porém do íntimo surge-me o sentimento que a entenda como bela e dignificante.
             Nos últimos anos, com a vontade de me tornar um ser mais presente e vivo, não negligente com as minhas raízes, fiz-me acompanhar o crescimento jornalístico e literário de Parnaíba, não mais violenta na política, como do meu tempo cujos boletins escandalosos sobre determinada personalidade eram espalhados de forma anônima em forma de pasquins, que ao raiar dos dias invadiam as residências nobres como água; hoje, o tempo é outro, ditado à velocidade do moderno contemporâneo.
             O astro luminar maior já não se encontra mergulhado no Atlântico. Ligo o rádio e ouço, esta manhã, uma linda canção. A música, na voz de Orlando Silva, me faz lembrar, não sei por qual motivo transcendente, a Rádio Educadora de Parnaíba, a primeira emissora de rádio do Piauí. Não duvido, e Deus jamais haverá de pôr palavras erradas em minha boca, de que a citada emissora, pelo menos quando ali eu estive, marcou toda uma geração cheia de esperanças num porvir cada vez mais risonho, nunca infeliz. Todos queriam ajudá-la e para isso doavam discos que iam se somando à discoteca daquele prédio. Meu pai foi um dos que contribuiu com tudo aquilo.
            Algo de muito especial me liga àquela cidade, e é tão prazeroso lembrá-la… Na adolescência, pude acompanhar, de longe, a comemoração de seu centenário, lembro-me… A cidade estava em festa, o poder público houve de preparar toda uma grade de programação com jogos, festas e obras inaugurais, dentre elas, a mais importante, e a que, hoje, é o que penso, ainda, se destaca na Praça Santo Antônio com o mesmo brilho de louvor antecedente, o Monumento do Centenário; salvado por reconhecidos políticos e intelectuais que, ao pé daquele obelisco, se revezavam em palavras republicanas à data. Salve amiga Parnaíba! Salve! Salve! Terra minha! Terra querida!

 

H. Maranhão

 

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