No ar, na mente e no coração
Já passa da meia noite e nem ao menos pude acreditar nas diversas vezes que já escutei esse álbum, nem tão pouco nas inúmeras sensações (prazer, euforia e nostalgia, apenas para citar alguns desses sentimentos) que este despertou em mim. Há bastante tempo não me surpreendia com o rock pop brasileiro, fã dos anos 80 e 90, como também apreciador das décadas de 60 e 70 do rock mundial, passei a última década à procura de algo que me fizesse sentir a mesma vontade de “viajar num som”, como quando escutava “infinita highway”, e me distanciava de todos os problemas surgidos na adolescência, ou então quando me pegava cantarolando baixo (mas o suficiente para a minha mente escutar) aquela canção, como era mesmo… “há tempos / Nem os santos têm ao certo a medida da maldade / E há tempos são os jovens que adoecem…”, ou até mesmo sentir as inesquecíveis batidas do coração, que me causavam bandas como “Kid Abelha”, “Paralamas do Sucesso” e “Pato Fu” (talvez a última banda rock pop genuína surgida nos anos 90).
E eis que antes que a década terminasse e eu me afogasse apenas nas melodias antigas para aplacar minha carência musical, recebi um presente do primo Daniel: a incumbência de trabalhar numa análise em cima do som de um grupo musical que, em Parnaíba, já é tradicional; confesso, antes de escutar Besouros da Silva – No ar, e conhecer todo o talento dessa banda, encarei como mais uma tarefa que estava realizando para o Piagüí, a fim de fortalecer o quadro cultural de nossa cidade. Porém ao colocá-lo no aparelho de som logo me deparei com a estupenda abertura de Distorção, que logo me causou espanto. Perplexo na qualidade do som, fui sendo a cada minuto conduzido a um mundo de influências, acredito que, de todas as quatro últimas décadas do rock, uma espécie de fusão de vários elementos, porém muito bem encaixados, e com uma roupagem própria e atual. Demorei cerca de meia hora na primeira faixa, pois cheguei a pensar: – tudo bem, colocaram essa primeiro, no intuito de chamar a atenção, então as outras devem ser inferiores (desculpe-me, caro leitor, os anos de carência musical me deixaram um pouco cético).
Ledo engano! A segunda faixa “Hora do Rush” me prendeu ainda mais, chamando a atenção pela criatividade da letra e a sonoridade incutidas nela. Antes que chegasse ao fim da dita cuja, pulei para a terceira canção “Mais que amizade”, pois nesse instante já estava a me beliscar no intuito de que talvez estivesse num daqueles sonhos (sabe aqueles que agente tenta nunca acordar), e enquanto ouvia o trecho: “… mas o medo de se dar e se machucar/ Traz a insegurança normal que acaba na distância…”, eu meio que dizia para mim mesmo, que precisava de uma prova final, para aplacar minha insegurança e para ter certeza de que não era apenas sorte o que esses garotos possuíam, mas sim a vocação. E foi exatamente o que ocorreu, quando ao terminar a terceira música, começou o que ao menos para mim, é a melhor canção do álbum: “Se você não quiser mais olhar pra mim”, poderia muito bem desfilar entre os primeiros lugares nas várias rádios de Pop-rock de São Paulo (e até de todo Brasil), se não fosse a velha dificuldade, principalmente para os piauienses, de espaço na mídia nacional. Porém as coisas podem mudar para essa banda formada em 2001 e que hoje conta com Ricardo Besouro (Voz e Guitarra), Laércio LSD – (Guitarra e Voz), Victor Monteiro (Baixo) e Fabio Nasc (Bateria), que, além de vários shows, ainda pretende realizar para divulgação deste que é o seu álbum de estréia, ainda foi produzido um clipe da canção já citada “Se você não quiser mais olhar para mim” que enviada ao site do novo quadro Garagem do Faustão (revelador de vários talentos de todo o Brasil), foi aceita e com seu voto poderá passar em algum domingo desses.
Enquanto tento parar de escutar esse excelente disco, pois já se aproxima das 2 da manhã (e tenho trabalho às 8h), me deixo levar pela última faixa Amanda, Kanastra e seguindo para a cama me sinto, por um longo instante, como se estivesse novamente com 16 anos, a empolgação, a ansiedade, os sonhos, o rock… ah… o rock…
Claucio Ciarlini Neto











Temos que valorizar mais o que é nosso, e nossa música é um bom começo pra acordarmos nesse aspecto.
É incrivel o que tem na cidade e não temos ideia.
Vou procurar saber mais sobre esse cd.
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