Hey mãe, tem uns amigos conversando comigo…
Havia muito verde. Vez ou outra, o falso e belo azul do céu me prendia por segundos a atenção. Mas, assim como Alette Peters, um personagem do livro “Conte-me seus sonhos”, de Sidney Sheldon, eu podia ver mais cores a medida que ouvia as diferentes vozes que invadiam o ambiente. As crianças brincando na quadra. Azul. Um casal de velhinhos fazendo sua caminhada vespertina. Amarelo. Dois policiais que por ali passaram discutindo o futebol do dia seguinte. Cinza Claro. A banda da prefeitura que ensaiava por perto com seus instrumentos de sopro e sua elegância musical. Azul novamente. Enfim, um mundo que se abria diante de nós, ali, naquela confortável segunda-feira, as 16hs, na Praça Mandu Ladino.
Inicialmente, minha idéia era de entrevistar músicos que convidei de algumas bandas. “Inicialmente”, essa era a idéia principal, mas, somente três das muitas pessoas que convidei, compareceram (é, fica pra próxima). Bem, não vou negar que eu estava empolgado. Mas, confesso que, estranhamente, eu não me sentia ansioso, mesmo com toda a inquietação que é típica do geminiano que me compõe, acho que a palavra certa para aquele momento seria algo que expressasse a leveza e a simplicidade de estar entre amigos. E isso nunca me gera ânsia, pelo contrário. Minutos antes eu já pareço estar radiante, mesmo que o tempo passe devagar, como um olhar apaixonado.
NUVEM DE PALAVRAS SOLTAS
“Renan, passa aqui!”
“Daniel, muito obrigado por me emprestar as câmeras…”
“Será que eles já chegaram?”
Essas são as frases que lembro ter dito antes da passagem pela casa de um dos amigos entrevistados que nos acompanharia pelo trajeto até a praça. Quando eu digo “nos acompanharia”, quero dizer Renan e eu. Renan Correia é um grande amigo. A voz dele varia muito. Às vezes cinza, outras um azul tocante e na maioria das vezes um intrigante furta cor sem nexo. O certo é que, além de ter me ajudado fundamentalmente nessa empreitada, ele também participou ativamente da entrevista, com suas palavras de ativista cultural e como conhecedor de várias vertentes musicais. Dentro do carro agora, além de nós, no banco de trás, encontrava-se uma notável figura de cabelos ‘ainda mal cortados’ e seu inseparável violão, nas costas. Falo de Isaac Mendes, cantor, violonista e compositor, de raízes nativas, mas, agora residente no DF, cidade de São Sebastião, integrante do importante Grupo Cultural Radicais Livres.
NUVEM DE NOVOS DESTINOS
Avenida Chagas Rodrigues
Rua Antonio Dumont
Praça Mandu Ladino
…
Formato. Aonde diabos eu li mesmo que nada na vida precisava de um formato coerente? Pois é, não lembro. Alias, peço licença para uma breve retratação da frase anterior. Pois é, não lembro e não importa! O que acontece é que simplesmente eu não queria que a entrevista tivesse um rosto igual ao de todos os outros. Eu sempre sonhei em ter um quadro próprio dentro de um site e nele expor minhas idéias do meu jeito. Egoísmo? Eu prefiro chamar de autenticidade. (Os autênticos editam tão mal um vídeo quanto eu? Ah, deixa quieto…)
NUVEM DE SIMPLES ACONTECIMENTOS I
“Gente, aqui no chão mesmo…”
“Renan, liga o MP4 pra gravar as vozes…”
“Isaac, testa o automático da câmera…”
“Isaac?”
“Ithalo, gravando, viu?”
“Isaac?”
Renan teve a calma necessária para que, da segunda foto em diante, tudo saísse perfeitamente como no script (se é que o Sophá Cultural admite um). A entrevista inicia e com ela o prelúdio de um belo fim de tarde.
Comecei a entrevista meio Show do The Strokes, tudo muito cool, galera sentada no chão, MP4 no meio da roda que fizemos, câmera e filmadora na mão e…
…de repente, um carro. No carro, dois homens. Um deles é André Albuquerque (bela camisa, hein?!), guitarrista da Creidestone (Acharam o nome meio “Continuação do Mad Max”?), uma banda bem descontraída, talentosa e (a)tipicamente parnaibana.
Bem, podemos começar agora?
Entrevista

Isaac Mendes tocando e cantando

Ithalo Furtado











Parabens pela entrevista! E fico muito orgulhosa de todos voces que tentam fazer a arte em Parnaiba virar realidade!
A matéria ficou muito massa.
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