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Aspectos da família na antiguidade

4 September 2009 5 comentários

INTRODUÇÃO

Primeiros donos da Casa Inglesa

Primeiros donos da Casa Inglesa

              Em um dado momento no decorrer da História, surgiu uma instituição, uma primeira forma de sociedade que deu as bases estruturais para a formação de toda uma cadeia social muito complexa e organizada (a sociedade), essa instituição é a Família. A família na Antiguidade, mantida unida basicamente pela religião, segundo COULANGES, foi a primeira forma de sociedade existente desde que o homem habita na terra. A sua trajetória durante a História está de repleta de transformações, e essa família foi protagonista transformadora e criadora da sociedade antiga, juntamente com a religião.
               Com a produção desse material, espero fazer com que o leitor reflita um pouco mais sobre a sua atmosfera familiar, analise os comos e os porquês de sua família ser como é (ou como gostaria que fosse). Pensemos e reflitamos um pouco mais sobre como são estabelecidos os parâmetros de valores, de comparação e de posições atribuídas dentro da família. Reflexão esta que espero ajudar meu leitor a compreender a importância da família dentro da sociedade, e a sua própria importância dentro da família.
              É importante ressalvar a relevância que exercem os trabalhos em volta da família. Pois, uma vez na Antiguidade, essa se mantinha única e exclusivamente unida e com fortes laços de ligação (como por exemplo, o parentesco, os interesses, e/ou a religião), que hoje não são muito observados na nossa atual sociedade. A importância do tema família, e ainda mais na Antiguidade o é, pois, com o intuito de analisar os aspectos dessa mesma hoje e ontem, para vermos as mudanças e permanências acometidas durante o tempo, e também observar como se deram os processos de formação e transformação dessa família (e a partir dela a sociedade), e fazer parâmetros dos aspectos passados com os atuais.

ASPECTOS DA FAMÍLIA NA ANTIGUIDADE

              A Família na Antiguidade, muito diferente da de hoje, estabeleceu-se como a primeira forma de sociedade instituída na terra, desde que o homem a habita. Essa mesma família era restrita de qualquer contato com os seus estrangeiros, uma vez que sua atenção e olhares eram todos voltados para si. Mas, ela não se resumia basicamente como hoje a conhecemos, constituída apenas por pai, mãe e filhos; a família antiga se estendia a todos os seus antepassados, que estavam sempre sendo cultuados pelos seus descendentes, com o propósito de abençoar e perpetuar a família.
              O fato de eu os antepassados eram tratados como vivos, em outro mundo, nos remete à reflexão de que a morte não significava impasse algum entre os membros da família. Uma vez que os vivos e os mortos estavam distantes apenas por uma questão de tempo, até que os parente que faziam o culto se mantivessem cultuados após sua morte. Significação esta que está deformada atualmente, visto que a morte na atualidade exerce um papel de preocupação extrema, representa um medo constante para as pessoas. Em épocas passadas ela representaria um caminho de reencontro do morto para com os seus antepassados. Fato esse importantíssimo em tais tempos.
              Veremos agora o que COULANGES tem a nos dizer a respeito dessa relação entre os vivos e os mortos da família antiga:

“Fora da casa, em campo vizinho, mas o mais próximo possível, existe o túmulo. É a segunda morada desta família. Ali repousam em comum muitas gerações de antepassados; a morte não os separou. Continuam agrupados entre si nesta segunda existência e continuam formando uma família indissolúvel. Entre os vivos e os mortos da família existem apenas alguns passos de distância, tanto quantos os que separam a casado túmulo. Em certos dias os vivos reúnem-se junto aos antepassados. Esses dias são determinados pela religião doméstica de cada família. Levam-lhe a alimentação fúnebre, derramam-lhes leite e vinho, colocam ao lado os bolos e as frutas ou queimam para eles as carnes de alguma vítima.”(2005, p.30).

               É válido informar que, essa alimentação fúnebre destacada pelo autor tem o propósito de manter os mortos bem alimentados nessa outra vida a qual se encontram. E toda a alimentação que fosse se realizar, por exemplo, no começo e durante o dia, tinha que ter a primeira parte oferecida aos mortos da família, como forma de agradecimento pela proteção que lhes é prestada pelos defuntos. A dependência e consideração imposta aos antepassados dessa família eram de uma magnitude muito superior à que encontramos hoje. Atualmente, em grande parte das famílias, os antepassados, ou ainda mesmo os idosos são tratados com descaso e esquecimento. O que se observa é a mudança de tratamento muito grande para com os antecessores.
              É interessante ressalvar outros aspectos dessa primeira família antiga, a formação das gens e o domínio do pai dentro da família. Para esses dois assuntos, iremos ver o que FLORENZANO tem a nos relatar:

“A organização social da Roma nos primeiros tempos é, sem dúvida, de difícil reconstrução. Não obstante, é possível admitir que algumas das instituições sociais ainda vivas na República e no Império tenham tido sua origem na Realeza. Tal é o caso da gens e da família romana. A primeira pode ser definida como um grupo de pessoas que reconhecem ter um antepassado comum. A gens tinha seus túmulos domésticos e cultos particulares; e todas elas se reuniam pata tomar decisões coletivas. [...] A família, por outro lado, afirma-se como célula social básica a partir da gens e em seu detrimento. Ela era uma subdivisão da gens que abrangia tudo aquilo sob o domínio do pater famílias (pai da família): filhos, escravos e bens imóveis. O grupo de parentesco é mais restrito, não vai além do bisavô e em linha colateral termina nos parentes de 6º grau. Ainda que a gens tenha conservado uma certa importância nos períodos subseqüentes à Realeza, a família tornou-se a principal unidade social durante a República e o Império. Note-se que a sua relação com o poder político era bastante forte uma vez que os patres que compunham o Senado indentificavam-se como os  patres familiarum ou eram por estes escolhidos.”(1994,p.60,61).

              A autora tem uma visão um pouco diferente de COULANGES no que diz respeito à extensão da família. Uma firma que é apenas até a linhagem do bisavô e até parentes de sexto grau, o outro diz que a extensão é válida para todos os antepassados. Mas, o que se pode tirar de tais discursos e com demais leituras é que a família antiga mantinha um vínculo muito forte com os seus antepassados. Vínculo esse tão forte que se duas ou mais famílias identificassem-se cultuando um ancestral em comum, agrupar-se-iam em culto sagrado comum para tais parentes, é a chamada gens. A gens nada mais é do que um grupo de famílias que cultuavam os mesmos ancestrais entre todas elas. Mas isso não fazia com elas se unificassem ainda, pois, todas mantinham e deveriam manter individualidade e proteção únicas, salvo as questões religiosas que resultaram na gens.
              
Ainda sobre o tema acima, as competências do pai dessa família são importantes de serem estudadas. Esse pai não se resumia ao papel que vemos hoje, claro que atualmente temos uma grande contribuição dessa antiguidade nessa relação, pois, o pai é o chefe da família e a “entidade primeira de decisão (idéia muito revista atualmente)”. Mas, naqueles tempos primeiros, o pater famílias tinha domínio além de seus filhos, esposa e escravos, todo o território da família, bens familiares, terras, e o que herdado dos seus antepassados; uma vez que o homem na figura do filho – primogênito neste caso – (que depois viria a ser pai) é quem tinha o direito sobre todas as posses de seus antepassados, uma vez que os mesmos estão mortos. Esse direito vinha da idéias que os antigos tinham de que apenas o homem é quem perpetuava a família, pois dele tinha-se a semente da vida, e a mulher era vista apenas como uma espécie de ‘depósito e desenvolvimento’ dessa vida até que o ser nasça.
              Ainda hoje existem pessoas com essa mentalidade, mas a grande maioria da população já se faz entender o papel crucial que a mulher desempenha e vem desempenhando ao longo da história, principalmente no que diz respeito à suas participações dentro da família, da sociedade e no mercado de trabalho, se sobressaindo inúmeras vezes aos homens. A mulher hoje não mais é apenas a dona de casa, mas também a dona da casa, dos bens da família, tem plena autonomia nas decisões familiares e sociais. E essas mudanças não são atuais, os primeiros registros de tais transformações remontam à Antiguidade, na Grécia Antiga, especialmente em Esparta.
              Observemos a importância dada às mulheres através das palavras de MACHADO:

“A cidade de Esparta era aquela que proporcionava às mulheres a maior autonomia entre todas as pólis estabelecidas na Grécia Antiga. [...] Como o grupo de espartanos era menor que o de não-cidadãos (escravos e estrangeiros), as crianças e mulheres eram preparadas para colaborar em caso de conflitos ocorridos na cidade. A necessidade de contar com o apoio das mulheres faziam com que os homens espartanos dessem a elas treinamento militar, participação em atividades políticas e maior liberdade para participar das atividades do cotidiano da pólis (inclusive dos esportes). As mulheres que viviam em outras cidades gregas, especialmente em Atenas (cidade-estado a respeito da qual existem mais informações e documentos disponíveis para pesquisa), tinham funções claramente domésticas, conforme havíamos dito. Eram responsabilidades dessas esposas, além da criação de seus filhos, que cuidassem da casa com o auxílio dos criados (para isso tinham que averiguar o serviço doméstico e orientar os empregados quanto a forma como esse trabalho deveria ser feito), a confecção de tecidos para a criação de peças de vestuário que seriam utilizadas pelos seus próprios familiares, a produção de tapetes e cobertas e a manutenção e embelezamento da casa.”(MACHADO, João, 2009).

               Podemos notar assim a relevância no tratamento em relação às mulheres durante os tempos. Pois, na Antiguidade ela já exercia papéis de tal magnitude masculina, que as davam pelos direitos na família e na sociedade. Em outras cidades gregas diferentes de Esparta, e em cidades romanas, a mulher tinha a função de cuidar da casa e dos filhos apenas, estando em total subjugação ao seu marido. Em algumas cidades romanas, por exemplo, além do cuidado com a casa e com os filhos a mulher ainda tinha a obrigação de se manter sempre bela em todos os sentidos para o seu marido.
              Outro ponto que gostaria de apontar é a hereditariedade da família. Essa era acometida em detrimento apenas nas mãos dos homens, e do filho primogênito especificamente. Pois, segundo os antigos e as suas idéias, os homens eram os únicos capazes de conseguir levar a diante a perpetuância da família, uma vez eles detêm a semente da vida. Essa é uma sociedade bastante machista (termo que deve ser usado com cuidado ao analisar duas sociedades distintas de tanto diferença temporal, para não haver anacronismo), onde os homens estavam um primeiro lugar nos cultos religiosos, nas ações políticas e em praticamente todas as ações sociais.
               Olhando para o hoje, vemos uma múltipla influência e importância do sexo feminino na sociedade. Perceptível se faz o fato de que existem muitas mulheres ocupando melhores cargos sociais e empresariais muito melhores que os de alguns homens. A mudança nos papéis familiares, aonde a mãe chega a exercer o papel de sustentar a casa enquanto o pai fica em casa, cuidando dos filhos. Essa ‘inversão’ de papéis nos mostra o quanto essas diferenças vêm diminuindo. E que a nossa sociedade aos poucos vem melhorando os seus valores. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

              Relatadas estão algumas das principais características da família na Antiguidade. Não são todas, e as que aqui apresentei não estão em sua totalidade visto que a dimensão sobre tal tema é muito mais diversificado e muito mais explorado do que os aspectos que abordei. Mas espero que o meu leitor possa fazer bom uso do material, pensar e complementar as suãs visões acerca da família como um todo hoje e ontem, e também notar aspectos dentro de sua própria família que sejam relevantes.
               A ponte traçada entre a Antiguidade e a Atualidade em relações estruturais familiares é importante devido o fato da relevância do tema em nosso meio social presente, onde, por exemplo, a entidade do pai e a da mãe não tem o devido enfoque que deveria, pois são eles como as bases da família que dão o suporte à Juventude que um dia será quem guiará o nosso país. Fala-se muito em Educação, em problemas de modo geral com o Brasil, mas não se olha para as bases da sociedade, a Família.
              Espero que com trabalhos como estes e melhores, também ajudem a nossa sociedade há algum dia encontrar um ponto firme de estabilidade e agrado para todos os seus componentes. Mantendo-os unidos e em reciprocidade moral. 

Fellipe Viana Mota[1] 

 


[1] Acadêmico de História da Universidade Estadual do Piauí (Campus Prof. Alexandre Alves de Oliveira).

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5 comentários »

  • Fellipe disse:

    Ae galera do Piagüí, muito obrigado pela publicação.
    E pessoal, ajudem o site mandando trabalhos.
    É uma iniciativa muito honrosa e muito boa dos caras.
    Agracendo aqui por tudo.
    ^^,
    (Se der leiam)

  • Roberta Dourado disse:

    trabalhO perfeitO, Muito bom mesmo… Li, entendi e gostei…Parabéns amigo…

  • ivanilda disse:

    Querido Felipe, o mundo te espera. Parabens.
    Ivanilda Sá

  • madalena disse:

    adorei!!! vc esta de parabens

  • SARA disse:

    muito bom os seus comentarios…
    sou mt grata por vcs terem escrito este tema…
    eu amei de verdad.

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