Ovídio Saraiva: idealista ou fracassado?
Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, ao lado de Leonardo da Senhora das Dores Castello-Branco, é um dos poucos parnaibanos, até agora descobertos, que publicou obra poética no início do século XIX. “Poemas” é um livro que traduz não só o momento histórico da literatura portuguesa, mas também a aspiração de um povo, assim como os demais da Europa, ligado diretamente à realeza – bajulando-a. Nele o parnaibano dedica inúmeros sonetos de louvor à Corte de Portugal; exalta a glória do príncipe regente (D. João VI) e exclama a importância das terras lusitanas para todo o continente.
O teu trono será sempre ladeado
Da justiça, do amor; farás confusa
Glória dos outros Reis, a glória ilusa,
Que o mundo aclama com pasmoso brado.
(Soneto XLIX)
Sem sombra de dúvidas, não fugiu, em hipótese alguma, das construções de sua Escola (Arcadismo), muito menos desprezou o culto às musas, lá, denunciadas sob os mais peculiares nomes: Lília, Ritália, Célia, Marília (comparada à Deusa Vênus) e Marcina; algumas, mais destacadas, outras, vestidas pelo véu da infelicidade sentida ao relembrá-las. Ao que parece, Ovídio viveu amores mal correspondidos, platonismos e desilusões que lhe consumiram toda a felicidade. Em muitos pontos é, sim, um livro triste! Seu primeiro volume, já citado, lançado em 1808, na Universidade de Coimbra, instituição esta que abrigou o poeta quando cursava Direito, marca, em uníssono na crítica piauiense, o início da Literatura no Piauí, portanto, há dois séculos. Tal obra, porém, não teve o devido reconhecimento para a época, sua primeira edição, malograda, exaltava um poder há meses destituído: D. João VI já havia embarcado para o Brasil, sob a proteção da frota de navios da Inglaterra, desde 29 de novembro de 1807, deixando a mercê e sem liderança todo o povo português, que se viu sem proteção e sem identidade.
Contudo, Ovídio parecia um jovem idealista.
Em plena Revolução Francesa, espalhando panfletos pela Universidade de Coimbra, assim se referia, Ovídio, ao invasor: “Eis aqui, ó Nação Portuguesa, o brilhante corpo, que te lustra e esmalta, e que com os livros na esquerda, e, na direita a espada, corre a desafrontar do gravame de ferro a triste Pátria consternada [...] esta nação tem sido guardada pelo Autor do Universo para vingar os grandes Impérios da Europa dos insultos do corso”. Relatos supõem sua atuação entre os 40 estudantes de Coimbra que lideraram cerca de 2000 camponeses e cercaram determinada guarnição francesa, que vigiava a Fortaleza de Santa Catarina, em Figueira da Foz. Tal fato notabilizou-se pela rendição dos soldados após três dias, além, lógico, da apreensão dos prisioneiros que foram levados para o campus universitário – ambiente acadêmico que, na ocasião, servia, por necessidade, à militância!
O poeta parnaibano viveu um contexto cheio de mudanças, sua aspiração, infelizmente, não pôde acompanhar a velocidade que se seguiam os fatos históricos e culturais. Por muitos anos esteve contra os ideais de libertação do Brasil e, talvez, observando que seria inevitável a transformação política brasileira, apurou o senso e voltou-se em favor de sua pátria natal, chegando, inclusive, a compor a primeira letra do hino nacional, “Ao grande e heróico 7 de abril de 1831”, data que marca abdicação de dom Pedro I do trono da nação. O hino foi considerado ofensivo entre os portugueses, e cantado pela primeira vez no dia 13 de abril de 1831, no cais do Largo do Paço (ex-cais Faroux, atual Praça 15 de Novembro, no Rio de Janeiro), na festa de despedida do Imperador – ocasião da partida da família real para Portugal.
Ovídio nasceu no sertão parnaibano em 1787, eram seus pais Antônio Saraiva de Carvalho e Margarida Rosa e Silva. Aos seis anos de idade, assim como conclama em um de seus estudados e batidos sonetos (e que não irei repetir a fim de evitar o enfado), é enviado a Portugal, sob os cuidados de alguns parentes, a fim de que estudasse!
Em síntese, Ovídio foi iniciado ideologicamente em Portugal e, após o amadurecimento devido, percebeu que era à sua nação que deveria doar os preitos de amor e louvação! Casou-se com a senhora Umbelina Joana Almadanino. Aos 65 anos de idade, na Vila do Pirahy, Rio de Janeiro, Ovídio dorme o sono eterno da morte – consagrado como brilhante Juiz e sob o timbre de sua viola, a grande companheira das horas tristes!
Daniel C. B. Ciarlini












Todo poeta acaba sendo idealista e fracassado. Viver de forma atemporal e ver sua obra sempre inacabada, passando uma vida inteira sem findá-la, mesmo quando publicada e participar de uma das fazes mais pertubadoras da europa, longíngua europa de Ovídio, é algo intangível, inalcansável para os que apenas criticam ou interpretam. Algo impossível de entender. Interpretar atos é mais fácil do q
Esse Ovídio era na verdade um legítimo MONARQUISTA se querem saber, so finalizando o que havia escrito acima.
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