Eu, Amara – Um turbilhão de sentimentos; tão jovem, tão breve!
A alguma semanas, Elyne Britto Nascimento presenteou-me com um livro que eu poderia, como muitos fazem, tê-lo posto na prateleira da estante, ou então leria quando o tempo desse à pressa cotidiana, folga. Porém quem me presenteou com tão prazerosa leitura já havia me confessado segredos tal sobre esta autora que o remorso sentido não poderia ser compensado e somente lendo é que me ameniza a dor de não ter conhecido pela voz quem conheço apenas pelas letras. Assim disse ela no texto Morte: [...] Se eu morresse agora tu perceberias que de mim gostava considerando uma remota chance de reencontrar-me, acredito no incerto que há vida após a morte…
Amara Britto Nascimento nasceu em Luís Correia, escreveu a peça teatral Direito de Viver, co-autora de Além da Criatividade e do ensaiado livro de poema e prosa, “Eu, Amara” (2006), de textos catalogados em seu caderno e outras fontes. Onde esta escritora apresentará ainda precocemente seu estilo poético e seu amadurecimento na escrita. Os seus poemas mais antigos datam do ano de 2003, quando ela tinha apenas quatorze anos.
Nesse período de dois anos, seus temas, que embora contagiado pela ingenuidade, impressionavam pela abordagem questionadora e explicativa, num romantismo encontrado em escritores como Álvares de Azevedo e Tomás Antônio Gonzaga, até mesmo pelo sentimento bucólico-romantico-familiar, igual no trecho de Saudades III.
“Lembra daquelas tardes
em que o pôr-do-sol nos ludibriava?
Daquela praia na qual me entreguei a esse amor
enlouquecedor?”
E no poema Pai que a écloga confunde-se com admiração por seu pai.
Inclui-se também os poemas musicados e os que aparentemente tinham a intenção de ser musicados, especialmente quando a autora punha entre parênteses canto; Ainda em fase experimental ou feito por acaso possivelmente numa busca de estilo próprio a Amara quebra os versos em silabas átonas, ocasionando na leitura breves pausas para continuar o pensamento no próximo verso. Destaco o poema Desilusão, Saudades I e Declaração a 1ª Pessoa contido no fragmento abaixo:
“único, em extinção, inoxidável… Com você aprendi a
acreditar em
sonhos por que foram eles que fortaleceram a
esperança de te”
Poetisa romântica, brincava com as palavras e quando lhe perguntavam o nome, respondia:
– Amara, primeira pessoa do pretérito mais-que-perfeito de amar.
De alguns segredos que guardava em seus poemas mais profundos: a angústia existencial, transcrita com tanta perfeição, não pela idade e sabedoria prévia de quem já viveu muito, mas pelo turbilhão de sentimentos da própria autora, tão difícil de encontrar em alguns escritores e tão fácil de expressar por ela.
Desabafo
“Às vezes fico pensado… Por que mesmo
quando estou rodeada de multidão sinto-me sozinha?
Por que todos estão felizes e estou triste e pensativa?
[...]
Às vezes fico pensando… O que na verdade tanto busco?
Em outros texto seus questionamentos continuam, como em Mundo, Momento de Reflexão, Ilusão.
Não é do meu agrado e pesa-me dizer que ao terceiro domingo de fevereiro do ano 2005 perderíamos uma jovem e expoente da literatura piauiense, a todos que ainda não puderam conhecer e com os sentimentos da mais profunda humildade dedico este poema:
Despedida
Olhe bem dentro dos meus olhos e se ao olhar, tu
Vires a tua
imagem já não mais refletida procure-me dentro
do teu coração
porque lá estarei; e se mesmo assim a saudade
atormentar, olhe
para as flores, sinta o cheiro do mar e lembre-se
dessas tão doces
amargas palavras que escrevi para ti.
Perpetue minhas palavras
Fazendo assim que os outros reflitam sobre elas.
Amara Britto
(07/12/04 às 18:40)
Emerson S. Albuquerque












Linda jovem, lindos versos. Ja és eterna…
=)
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