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Campo Maior

8 August 2009 3 comentários
Centro Operário (década de 40)

Centro Operário (década de 40)

            A noventa e seis quilômetros de nossa capital, rumo Norte, dentre a mata que se vai pouco a pouco escasseando, surgem lindos e extensos campos de “mimoso”. As árvores copadas até há pouco, aqui desapareceram; o ornamento dominante nas planícies intérminas, é a carnaúba.
            Eis a visão que se tem ao chegar a essa terra bendita e de que nos ocuparemos um pouco.
            Segundo historiadores, os primeiros sintomas de vida em Campo Maior, deu-se pelo século XVII, com o estabelecimento de fazendas de gado na “freguesia de Santo Antônio do Surubim”, como foi outrora dominada e, consequentemente, pouco a pouco, vieram surgindo aqui e ali, outras fazendas e casas. Tinha sido descoberto a Terra Prometida!
            Passam-se os anos e no século seguinte foi criado o município de Campo Maior, e logo mais, elevada a freguesia, à categoria de vila, em 19 de junho de 1761, quando recebeu o atual nome “em virtude dos belos e extensos campos de mimosos que possui”.

Casa Matriz (década de 40)

Casa Matriz (década de 40)

            Em 1833 ficou a vila pertencendo a comarca de Parnaíba. Em 1836, porém,  separou-se desta até que foi elevada à categoria de cidade depois da Proclamação da República, elevação esta, devido ao seu “elevado grau de prosperidade”.
            Campo Maior foi teatro, pela independência, de tremendo combate realizado em suas plagas.
            Cabe salientar o valor de uma falange de heróis, abnegados brasileiros que se sacrificaram em defesa da pátria. Não sei que de melhor elogio  possa fazer-se dessa terra, que o de lembrar-lhe esses filhos mártires. Essa página de nossa história constitui em gestos eloquentes, o valor do homem piauiense.
            Impossível é relatar nessa pequena crônica, o que foi aquele combate – o combate do Jenipapo.
            Os seus filhos, cérebros superiores, perenes de liberdade, não ficaram isolados das idéias republicanas. Aí estão nas páginas da história, claros e precisos, o relato do ardor e da abnegação dos que almejavam ver quebrados  os grilhões da monarquia.
            Houve participação de elementos campo-maiorenses, em outros movimentos, dando causa a pequenas escaramuças.

Cine-Teatro Municipal (década de 40)

Cine-Teatro Municipal (década de 40)

            Afora isso, passado essa refrega, os seus filhos entregaram-se ao engrandecimento do município e da cidade. Assim é que  a criação do serviço de correio e, logo mais, a do telégrafo, havendo oportunidade de comunicações com outros centros, o que lhe trazia muitos benefícios.
            Mas, que interessante contraste entre o Campo Maior de hoje ao descrito por Apolinário Monteiro, em 1922, por ocasião do centenário da Independência do Brasil! Quão diferente é aquela cidade da contemporânea, escoimada de diversas falhas de então!
            A revolução de 1930, época das transformações radicais em diversas partes do país, foi o sopro vivificador que açulou os homens dessa gleba a um reerguimento de idéias e de fatos.
            E assim foi.
            Houve uma transformação benéfica para todos.
            O viajante que por ali passar, já encantado com as lindas plagas que se estendem aos quatro ventos, ainda mais crescerá esse encanto, com o movimento que depara na cidade.

Edifício dos Correios e Telégrafos (década de 40)

Edifício dos Correios e Telégrafos (década de 40)

            O município já construiu até agora: Grupo Escolar, Usina Elétrica, Correios e Telégrafos – recentemente construído pelo Governo Federal – prédios de repartições, praça Rui Barbosa, matadouro, ponte sobre o rio “Surubim”, e outros melhoramentos, e saberá também, dos projetos de calçamento das ruas e canalização d’água.
            O comércio é feito em grande escala. Um dos fatores, é a quantidade enorme de caminhões e automóveis que por ali transitam, como centro de uma enorme rodovia.
            De Teresina à Barras, via Campo Maior, há ótima carroçável, já vai bem adiantado o trecho rumo Piripiri.
            Sobre a instrução diz Apolinário Monteiro em 1922: “É tão pobre e triste a história da instrução em Campo Maior quanto grande e louvável o desejo de, por meio dela, muitos dos seus filhos exibirem as suas aptidões já por outros comprovadas, para a cultura das letras, ciências e artes”.

Grupo Escolar Valdivino Tito (década de 40)

Grupo Escolar Valdivino Tito (década de 40)

            Nos dias atuais, já não podemos dizer o mesmo. Se bem que haja muito a desejar sobre esse mister, contamos em Campo Maior: Grupo Escolar “Valdivino Tito” com a matrícula bastante elevada; Escola “Maria Auxiliadora”, particular, que goza porém, da estima de todos, contando também, elevado número de freqüentadores; “Instituto Leopoldo Pachêco”, fundado há pouco, que vai entretanto, espalhando os benéficos resultados da instrução à mocidade que não pode se locomover a outros centros; Escola Noturna Municipal e outras, menores e particulares.
            A matrícula geral do município, de acordo com os dados oficiais, foi o ano passado, de 907 alunos assim distribuídos: Estadual 575 alunos, Municipal 198 e particulares 1347.
            Necessitamos de mais estabelecimentos, mas, o realizado, é alguma cousa de animador.
            O município é muito rico. Além de outros produtos, é grande o movimento da cera de carnaúba, que lhe granjeia ótima renda.
            De acordo com o relatório apresentado pelo Interventor Federal ao Presidente da República, teve, Campo Maior, o ano transato, uma receita arrecadada, de RS. 679:452$300, com uma diferença a mais de RS. 326:616$500 sobre o ano anterior.
            Não sei de melhor índice que demonstre o progresso, cada vez maior, dessa grande terra.
            Os números falam… 

*
*   * 

            Eis em poucas linhas, singelas, mesmo, algo sobre Campo Maior, de onde – como me ufano disso! – sou um de seus filhos, humilde é verdade.
            Campo Maior! A natureza te dotou com os predicado mais cabíveis a uma mansão.
            É a tua terra que isso representa pelas belezas naturais que possuis e por esse solo  estuante de fartura, dadivoso e bom!
            É o teu nome que os teus filhos nunca mancharam; aí está perene o feito de Batalhão.
            É tudo isso, meu Campo Maior, que te faz grande e te faz forte. Estou certo, teu nome balançará em breve no pavilhão da glória erguido pelo braço dos teus filhos, para engrandecimento desse nosso Estado, para engrandecimento desse nosso Brasil! 

Helvécio Furtado, 1941

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3 comentários »

  • Maria de Fátima - Bairro Pindorama disse:

    CAMPO MAIOR, cidade amada, onde tantos eventos marcaram o Piauí. Campo Maior de tantas batalhas, de povo destemido e desbravador. Campo Maior, cidade querida, de tantas investidas, “porto seguro” do meu Piauí.

  • Bernardo disse:

    Campo Maior – não menos é o coração de sua gente!

  • JOSIAS MUNIZ PEREIRA disse:

    CHEGUEI EM CAMPO MAIOR NO DIA 15 DE DEZEMBRO DE 1956, VINDO DO MUNICÍPIO DE TIANGUÁ, NO CEARÁ, COM 15 ANOS DE IDADE. NESSA TERRA FIZ DE TUDO UM POUCO: FUI TRABALHADOR NA HORTA DO SEU ANTÔNIO ROCHA, FUI ENGARRADOR DE CACHAÇA DO ARMAZÉM DO SEU LUIZINHO MEDEIROS, FUI TRABALHADOR NOS ARMAZENS DE CERA DE CARNAÚBA DO SEU RENATO LAGES, FUI EMPREGADO DA CASA MARC JACOB, FUI CAIXA DO BANCO DO ESTADO DO PIAUÍ E FUI FUNCIONÁRIO DO BANCO DO BRASIL. ME CASEI NESSA TERRA COM A MULHER A QUEM AMO EM 29 DE MAIO DE 1965, COM QUEM VIVO ATÉ HOJE, 45 ANOS DEPOIS. HOJE MORO EM BELÉM DO PARÁ, SOU APOSENTADO DO BANCO DA AMAZÔNIA E AINDA TRABALHO COMO TÉCNICO CONTÁBIL NO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ. SOU CEARENSE DE NASCIMENTO, CAMPOMAIORENSE DE CORAÇÃO, E QUANDO INVOCO A SAUDADE DE UMA TERRA, ESSA TERRA É CAMPO MAIOR, PARA MIM, A TERRA DA SAUDADE. MINHA CAMPO MAIOR!, SÓ UMA PESSOA INGRATA FALARIA MAL DE TI. SAUDADES, JOSIAS MUNIZ PEREIRA (JOSIAS PIVÓ).

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