Uma dinastia parnaibana: OS CLARK
Do condado de Cumberland, na fronteira da Escócia, veio, um dia, para o Brasil um homem a quem estava destinado papel decisivo na formação econômica do Piauí – James Frederick Clark. Inglês da velha têmpera, são de corpo e de alma, começou James Clark como auxiliar de uma casa comercial fundada pela família Singlehurst, que tinha negócios em vários Estados do Brasil. Ali se fez o moço James, grangeando a confiança de seus patrões e fazendo-se o natural sucessor deles quando o interesse dos Singlehurst lhes aconselhou o desfazerem-se de suas casas no Brasil. Essa é a origem da “Casa Inglesa”, a maior, do seu gênero, no Piauí, e a primeira exportadora de cera de carnaúba, que é hoje, para o Piauí o mesmo que o café para o Brasil. Foi James Frederick Clark quem mandou para a Inglaterra as primeiras amostras do finíssimo pó de que se faz a cera da carnaúba e que é hoje o nosso “ouro branco” piauiense. Foi James Frederick Clark quem exportou as primeiras partidas da cera de carnaúba, dessa matéria-prima preciosa, que tanto serve para fazer discos sonoros como bombas de aviação – e tanto embala os ouvidos como destrói uma cidade…
Conheci o velho James quando ele estava no apogeu da vida e da carreira comercial. Suas longas barbas davam-lhe um ar patriarcal que jamais esqueci. Boníssimo, seu deus não era o Mercúrio dos comerciantes vulgares, mas a Minerva – dos espíritos de eleição.
Educou, para servirem ao Brasil, meia dúzia de filhos, que lhe herdaram o nome, o caráter e a bondade. Ademais das moças (da melhor casta da gente do Brasil), deu à Pátria um grande diplomata – Frederico Castelo Branco Clark; um médico – Oscar Clark; um grande comerciante e “sportman” – Septimus Clark; e um engenheiro distinto – Antônio Castelo Branco Clark.
Os Clark constituem uma grande dinastia moderna da minha terra. Por todos os meios e de todos os modos a têm honrado: trabalhando, produzindo, dando o exemplo e servindo de modelo. Nenhuma iniciativa de interesse geral os achou até hoje, desinteressados e arquivos. Eles deram ao Piauí o melhor de suas energias moças, do seu talento, do seu estudo e da sua capacidade realizadora. Fred (como lhe chamam, ao Embaixador, na intimidade) é da Velha Guarda da diplomacia brasileira, embora seja moço de corpo e espírito. Vem da época em que o próprio Rio Branco escolhia a dedo os futuros embaixadores nas fileiras da gente mais aristocrática do Brasil. Sua atuação em Genebra, em La Paz, em Tóquio, como ministro do Brasil junto à Liga das Nações, em toda parte em suma, lhe valeu a admiração e a estima de sucessivos Chanceleres – de Rio Branco a Oswaldo Aranha ontem e hoje, agora e sempre.
Oscar é o fundador da primeira “Clínica Escolar” e do primeiro Centro para Exames Periódicos de Saúde que o Rio possui. É o apóstolo da Medicina preventiva sobretudo no setor escolar – assunto em que é mestre incontestável e incontestado. Mais de 200 monografias sobre variadíssimos temas clínicos; um tirocínio de trinta anos de Medicina; a chefia da 2ª Enfermaria da Santa Casa do Rio de Janeiro; todo o arcabouço do moderno serviço de assistência médica aos escolares no Brasil atestam sua extraordinária cultura e sua admirável vocação hipocrática. Ainda há pouco fundou, e vem mantendo a sua própria custa, a única Escola-Hospital que o Brasil tem: a de nome “José de Mendonça” em Araruama.
Séptimus é o continuador notabilíssimo das tradições de inteligência e de honradez comercial de James Frederick Clark. É um moço a quem os comerciantes de vários Estados nacionais poderiam pedir lições na arte de prever os fenômenos econômicos e na ciência de lhes aproveitar as tendências manifestadas.
É um dos “leaders” do comércio exportador e importador de todo o Norte – e, demais disso, um perfeito “gentleman”: no sentimento, nas maneiras e nas atitudes.
De Antônio Castelo Branco Clark pouco sei, senão que é engenheiro hábil e dos mais competentes.
Tudo isso contribui para fazer da família Clark uma dinastia de verdadeiros nobres, não tanto pela riqueza quanto pelo caráter, pela bondade, pelo sentido de brasilidade que os faz, sendo de raça, sendo de raça anglo-saxônica, fidelíssimos e devotados servidores do Piauí e do Brasil.
Rio, Setembro de 1942.
Berilo Neves














Cara, que massa!
Esse site está trazendo muito conteudo histórico-cultural pros leitores. E eu considero isso muito importante e marcante, pois ainda nenhum outro havia acordado para esse lado.
Espero que isto se torne a marca deste site, e que o mesmo possa trazer ainda mais cultura para nós parnaibanos e leitores em geral.
Mais uma vez parabéns!
Abração xD
Estou procurando a origem dos clark no Brasil. Eu moro em Campo Grande/MS, o pai do meu avó chamava-se Jhon Clark
gostaria de saber mais sobre a dinastia inglesa
meu filho faz parte dessa grande familia que elevou o piaui economicamente,orgulha-se do sobre nome que tem (clark).jeane/teresina-Pi
Joaquim Clark de araque, criei esse pseudônimo para apoquentar o pessoal que frequentava o blog do Carlton Pessoa. A propósito, falar de Clark, corram atrás do Bruce Clark que, se ele ainda for vivo e quiser falar alguma coisa, deve ter muito para contar sobre o clã inglês que se estabeleceu aí em Parnaíba no Séc. XIX, Bruce era filho de Mr. Septimus; ih, tinha também um Sepinho, meio-playboy, irmão de Bruce Clark. O tal Antônio C. B. Clark não seria o famoso Thó (do castelo)? o homem do International, hoje estádio Petrônio Portela. Se o grande Hidelbrando Bacelar Mendes ainda estivese por aí certamente era uma excelente fonte, mas o Carlos Araken também sabe de coisa do arco da velha. – Ciarlini, aperte o Carlito que ele conta.
Gente, isso era no tempo da cera de carnaúba, assim como o tempo da borracha da Amazônia, que o tempo levou e não volta mais. Manaus virou Zona Franca, Parnaíba virou o quê mesmo?
Olá pessoal,
Comunico que Bruce ainda vive.Antonio C.B. Clark(tio Tho) já faleceu,mas é ele mesmo.
Do casamento do James F. Clark com Madalena Gonçaves Castello Branco foram 21 filhos dos quais só viveram 9.
Meu avô Oscar grande ser humano infelizmente veio a falecer aos 56 anos,em Santa Teresa bairro boêmio do Rio de Janeiro.
Andava todos os dias do Flamengo até a Santa Casa de Misericórdia.
Vivi os primeiros anos de minha vida em Parnaíba ,aos oito anos vim morar no Rio para estudar no Sion de Petrópolis.
Casa Inglesa,tenho lembranças maravilhosas assim como a Ilha do Cajú Também da família.Tio fred Embaixador gostava de ficar hospedado no Hotel Glória quando vinha ao Brasil.A historia desta família é longa e interessante.
A
bçs.
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