Linguagem Cinematográfica
Com tantas câmeras digitais no mercado, colocar na tela um projeto pessoal, não é tão complicado assim, mas é preciso conhecer a linguagem utilizada para por em prática a realização de um filme, por mais simples que seja.
Linguagem cinematográfica é a maneira como o cinema utiliza seus elementos para se expressar, para se comunicar com cada um de nós. Para que isso aconteça, a linguagem cinematográfica emprega vários elementos. Há muita teoria sobre o assunto. Há dúvidas sobre quais seriam os elementos básicos que a compõem. O certo mesmo é que a linguagem cinematográfica não existe sem eles. Aceitam-se como fundamentais os planos, ângulos, movimentos da câmera, montagem ou edição, fotografia e diálogos.
Na verdade, qualquer elemento utilizado na execução de um filme deve fazer parte de sua linguagem, pois são infinitas as possibilidades quanto ao uso dos elementos. Tem filmes com histórias banais, todavia, bem feitos tecnicamente porque souberam usar os ingredientes básicos em sua confecção.
A ênfase desses elementos dentro de uma obra cinematográfica varia conforme a produção. Às vezes se dá mais atenção à fotografia do que aos diálogos. Outras vezes se enfatiza mais a cenografia ou os figurinos, depende do contexto ou do enfoque que se quer retratar.
Há elementos mais determinantes do que outros na composição fílmica, O diretor do filme é quem vai determinar. Não custa nada ouvir as pessoas envolvidas no processo fílmico. O importante é saber usá-los para o resultado específico que se espera obter. Pegue uma filmadora qualquer e comece a fazer seus filmes, é um bom exercício.
Roteiro, fotografia, cenografia, figurinos, maquiagem, música, ruídos, diálogos, ângulos, planos, movimentos da câmera, montagem, roteiro, gestual dos atores, edição, ritmo, até a forma de apresentação dos créditos são elementos imprescindíveis da linguagem cinematográfica. A maneira como esses elementos são articulados nos filmes é que vai caracterizar o estilo do realizador e a diferença entre fazer um filme bem elaborado e um mal feito. A utilização desses elementos é que vai determinar a diferença entre a linguagem cinematográfica e a teatral, por exemplo.
No cinema, é mais fácil usar um primeiro plano (close-up), já no teatro, não. Os recursos de linguagem são bem maiores no cinema.
A velocidade, os cortes rápidos, a trucagem permitem a linguagem cinematográfica transmitir uma correlação de tempo e de imagens mentais bem diferentes do que no teatro. As imagens podem fundir vida e sonhos rapidamente. Flash-back, ou seja, quando um personagem lembra algo do passado surge e desaparece rapidamente numa determinada cena.
Todos esses elementos contribuíram para que o cinema existisse como linguagem. Infelizmente, há quem valorize apenas a intriga, a narrativa, os personagens.
Segundo alguns historiadores, o criador da linguagem cinematográfica foi o cineasta norte-americano David W. Griffith, a partir de 1908, quando buscou estabelecer a idéia de “real” ao narrar suas histórias com princípio, meio e fim, utilizando-se sistematicamente os planos e suas divisões (decupagem), a luz, a montagem alternada e os movimentos de câmera.
Joaquim Lopes Saraiva












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