Casa Grande em anos de chumbo
Acordei assustado com o barulho da janela batendo na parede, por causa do vento forte da madrugada. Resisti contra a necessidade de levantar para fechá-la. Mesmo coberto por um lençol e com o corpo todo encolhido, continuava sentindo frio. Muito exausto, fazia de tudo para pegar novamente no sono, tentando ignorar o rangido da janela que continuava balançando ao vento, agora sem dar pancadas.
Quando a dormência começou a me embriagar novamente, a janela voltou a bater, dessa vez com mais força. Parecia estar me provocando. O que será que ela tem contra mim? Será que não vê que estou com sono?, murmurei, brigando e esmurrando o colchonete. Enquanto levantava lentamente, fitei Arthur que continuava dormindo. Parecia estar bem melhor. Quando acordar, voltará a ser o mesmo!, sussurrei.
Deixando o amigo em seu merecido descanso, direcionei minhas atenções para a janela, única culpada por eu estar acordado. Pôxa vida, será que você não vê que estou tão cansado quanto Arthur?, reclamei mais uma vez antes de caminhar ao encontro da minha carrasca.
Com raiva, peguei em sua velha e maltratada madeira para fechá-la violentamente, mas logo fiquei com remorso imaginando há quantos séculos ela ali se sustentava bravamente. Arrependido pelos meus atos de incompreensão, fechei-a, para que ambos nos acalmássemos.
Quando me abaixei para apanhar um pedaço de madeira que pudesse escorar a janela barulhenta, escutei vozes baixas do lado de fora. Cautelosamente, estiquei o pescoço e me surpreendi com uma movimentação anormal na entrada da Casa Grande.
Estava muito escuro, a ponto de não se poder enxergar quase nada. O que querem com essa investigação, tamanha hora da noite?, indaguei-me. Poderiam ser ladrões, mas logo descartei essa hipótese, pois inexistia dentro da casa qualquer coisa valiosa. Será que alguém do grupo nos delatou? Pensei imediatamente em Gabriel, que naquele mesmo dia tinha demonstrado muito nervosismo e dado muitas desculpas para o seu atraso. Ele é o único que não olha as pessoas no rosto…
Aguçando mais a visão, percebi que eram cinco homens, sendo que os dois mais magros estavam olhando pela frecha da porta. Certamente não viam absolutamente nada. Se à luz do dia mal dava para enxergar o cofre que impedia a visão da galeria, imagine à noite! Os outros três, mais fortes, faziam a vigília ao lado da calçada. Aquilo era realmente muito estranho!
Meu coração acelerou abruptamente quando um dos que vigiavam ergueu a cabeça. Acho que não me viu! Será que me enxergou aqui, na janela? No mesmo instante, uma lanterna acesa foi direcionada para o buraco da porta, que estava protegida por um grande cadeado, do qual nunca confiei. Quando a luz da lanterna refletiu em suas roupas, percebi que eram “policiais”. Eles devem ter descoberto o nosso esconderijo!, afligi-me, colocando as mãos na cabeça.
Antes de acordar Arthur para uma fuga, olhei mais uma vez pela janela. Foi quando observei o guarda de maior estatura forçando o cadeado com um pé de cabra. Ele deve ter me visto! Corri em direção a Arthur, que acordou totalmente assustado. Logo ele, que acabara de se recuperar de uma das piores crises de esquizofrenia, passando quase dois dias fugindo das alucinações, agora teria que encarar a temível invasão, há tanto tempo esperada, e que quase o levou à loucura. Arthur não sabia o que fazer diante do medo e da aflição.
Depois de enrolar os três colchonetes, comecei a recolher todos os papéis, para eliminar qualquer suspeita sobre a nossa presença naquele lugar. Arthur não conseguia fazer absolutamente nada. Estava mais atrapalhando do que ajudando!
Quando o som que identifiquei ser o arrombamento da porta entrou em nossos ouvidos, ele se desesperou e correu para pegar o revólver que mantinha escondido por trás de uma janela. Pensei que fosse nos defender dos guardas, mas quando vi que estava apontando para a própria cabeça, entendi que passava por dois sérios problemas: os policiais e a esquizofrenia de Arthur, que acabara de voltar!
Pedi a ele que se acalmasse, contudo parecia nem me conhecer. Recuando para evitar que eu me aproximasse, quase enfiou o pé num buraco do piso, o que teria posto tudo a perder. Já tomado pelo desespero, coloquei minhas mãos em sua boca para que calasse, pois os policiais o escutariam e subiriam imediatamente. Não compreendendo o meu gesto, Arthur mordeu dois dedos da minha mão direita. Com a dor, quase deixei cair os papéis segurados pelo braço esquerdo.
Não tendo outra alternativa, cerrei o punho e dei um forte soco em seu rosto, esticando a mão rapidamente para segurar o revólver. Escutei as pisadas investigativas dos policiais, que já estavam dentro da Casa Grande. Pus as coisas no chão e segurei Arthur, com receio do piso ruir.
Antes de subir para o telhado, observei pelo buraco da madeira a luz da lanterna no primeiro pavimento. Logo estariam aqui no segundo andar. Tomei todo o cuidado para não fazer nenhum barulho. Nessas horas, qualquer som que não escutamos normalmente, parecia alto e agudo.
Com muito esforço consegui colocar Arthur na parte mais segura do telhado. Embora não crêssemos que uma invasão pudesse acontecer, havíamos nos preparado para isso. Nós, não! Arthur havia preparado aquela parte do telhado, cujo acesso se dava no final do corredor do segundo andar, para servir de esconderijo dentro da Casa Grande de Simplício Dias!
Voltei quase correndo para pegar todas as coisas que nos desvendaria. Agarrado aos três colchonetes, agachei-me para segurar os papéis e livros. Quando o fiz, deixei cair um bloco de anotações no piso de madeira, fazendo um barulho que imediatamente foi ouvido pelos policiais. Enquanto corria rumo ao telhado, entre tremores e gestos de agonia, escutei ordens de comando para o segundo pavimento.
Sem tempo a perder, subi para o telhado e lacrei a saída com seis telhas, deixando apenas uma brecha para observar a movimentação. A noite estava muito escura, dificultando o trabalho dos policiais e facilitando a nossa fuga.
Escutei quando subiram correndo. Tive certeza de que se continuassem naquele ritmo, a frágil estrutura do segundo pavimento não os agüentaria. E não deu em outra: quando os dois maiores subiram as escadas, no intuito de cumprir a ordem do superior, e colocaram os pés no piso de madeira, o mesmo se quebrou, jogando-os para o primeiro andar que, com o impacto do peso dos dois homens, também se rompeu. Daí, escutei apenas os gemidos de dores dos nossos algozes, que tinham ido parar, finalmente, no chão do térreo.
Enquanto os outros três cuidavam dos que caíram, escutei a voz irritada do que parecia ser o comandante da operação: Essa casa está completamente podre! Talvez aquele barulho tenha sido do piso, já querendo desmoronar. Não tem ninguém aqui!, esbravejou furiosamente. Senti um alívio ao ouvir aquele comentário. Estávamos, agora, a salvos.
Mesmo com o frio cortante da madrugada e a escuridão da noite sem lua, resolvi esperar um pouco mais no telhado. Com a confusão, não observei os dois pequenos cactos que cresciam no telhado. Joguei Arthur sobre eles, machucando-o ainda mais. Senti pena, mas não tive outra maneira de contornar aquela tensa situação. Até o amanhecer, permaneci assustado e atento a cada som.
Quando a aurora despontava no horizonte, retirei as telhas que nos ocultavam, e fui verificar como ficara o nosso esconderijo. Logo que cheguei ao lugar em que dormia, enxerguei uma imensa cratera no piso de madeira. O estrago impedia o contato com a escada que nos conduzia ao térreo e à galeria. Como faremos para sair daqui?
Abri os olhos e escutei o barulho da chuva que entrava mansamente por uma janela. Uma sensação estranha me invadiu. Não reconheci onde estava. No lugar das paredes brancas e das vidraças da janela do meu quarto, enxergava paredes excessivamente altas, marcadas por nódoas de sujeira… Estava desnorteado! Franzi o cenho e logo minha memória voltou. Lembrei-me que, horas antes, havíamos escapado dos policiais que invadiram nossa fortaleza. Olhei novamente para a velha janela, que agora nem se mexia, e fiquei me perguntando o quanto as coisas andavam complicadas… Hoje o dia vai demorar a passar!
Quase não dormi depois daquela fuga intempestiva. E em razão disso, acordei desorientado, com a cabeça doendo e uma fome debilitante que me fez ficar zonzo ao me pôr de pé. Comecei bem!, pensei, absolutamente mal-humorado.
A chuva aumentara. Fui despertar Arthur que tinha se transformado em alvo de uma goteira e, apesar de estar encharcado, não acordava. Sacudi-o, até conseguir que se levantasse. Sabia que deveria levar em consideração seu estado físico e mental, mas não tinha a menor vontade de ser gentil com ele!
Arthur acordou atordoado e, ao passar a mão no rosto, deu um gemido agudo, irritando-me mais ainda.
– O que houve com o meu rosto? – perguntou-me. Diante do meu silêncio, continuou – Quem me bateu? O que eu fiz? O que está acontecendo?
Como se não ouvisse nenhuma daquelas indagações, pedi para que esperasse em casa enquanto eu descia para arranjar comida e procurava alguma notícia. Arthur voltou a insistir em saber como ficara com o rosto machucado, e eu apenas balbuciei que contaria quando voltasse com as coisas.
Naquele momento, preocupava-me apenas em conseguir chegar até à escada, sem despencar pela cratera feita pelos guardas na madrugada. O buraco no corredor atrapalhava a nossa movimentação pelo segundo andar. Perdemos o acesso a um dos quartos, limitando nosso espaço. E para sairmos, teríamos que nos equilibrar segurando-nos na grade frágil que protegia o pavimento. Gemi quando estiquei o braço para segurar a grade e a senti tremer. Minha aflição aumentou quando Arthur, chegou perto de mim, repetindo o exaustivo interrogatório. Cerrei o punho para não bater em Arthur novamente! Controlei-me e fiquei concentrado na escalada que tinha começado, sem ligar para o que ele dizia.
Meu corpo tremia, tanto pelo temor quanto pelo fato de não ter me alimentado nem bebido absolutamente nada. Bastaram os primeiros movimentos para eu ficar sem forças. Meus braços esmorecidos não suportavam meu próprio peso, que parecia aumentar quando a grade balançava. Olhei para o chão e calculei a altura. Uma queda daqui e talvez eu quebre o pescoço! Nesse momento, senti a grade ceder com o peso do meu corpo. Estiquei-me completamente, até alcançar o corrimão da escada. Escapara mais uma vez!
Já descendo os degraus, ignorei as dores que sentia. Queria apenas me situar no tempo. O tempo nublado tornava impossível saber se era manhã ou tarde. A sede e a fome desordenavam meu juízo.
Abri a porta do túnel e saí apressadamente, sem me preocupar em observar o ambiente da igreja. Já estava de pé quando me virei e me deparei com um padre rezando uma missa para dezenas de fiéis que, por sorte minha, estavam de cabeças abaixadas. Arregalei os olhos e, assustado, recuei para a galeria num impulso só, chegando a bater a nuca num pedaço de madeira. O som da pancada só não foi mais alto do que a voz do padre, porque ele usava um microfone para conduzir a missa.
Ofegante, encostei-me na parede, esperando meu coração parar de querer sair pela boca. É domingo! Como pude ser tão desatento a ponto de esquecer que deveria parar e escutar os sons na igreja antes de sair?, condenava-me. Era constantemente avisado de que não poderia sair da Casa Grande aos domingos! Arthur e eu havíamos esquecido em que dia da semana nos encontrávamos. Também pudera! Foram três dias tensos, sem nenhum intervalo para descansar!
Além de a igreja estar cheia de gente na missa, naqueles dias a banca de revistas fechava ao meio-dia. Portanto, teríamos que suportar por mais um tempo a fome e a falta de informações.
Deixei-me deslizar até o chão, encostado à parede da galeria. Foi quando me dei conta do quanto estava magro, pois no contato com os blocos de pedra percebi que tinha pouco mais que pele e ossos. A magreza das costelas me deixou apavorado. A tristeza começou a tomar conta de mim. Logo eu, que tantas vezes achei que depressão fosse privilégio de ociosos, agora sou tomado por ela!
O pior era aquela sensação de ser um prisioneiro, por estar permanentemente me escondendo sem ser um criminoso, confinado naquele lugar imundo, sem poder comprar nada, mesmo tendo dinheiro no bolso. Aquela rotina miserável que se resumia em esperar a comida trazida pelo sempre atrasado Gabriel e seguir o horário já desregrado para o remédio de Arthur, que também estava com os nervos à flor da pele, abatia-me agora com um peso de morte.
A fome, o abatimento e o cansaço mental estavam me vencendo. Faltava-me a mesma motivação de antes. E eu teria que novamente reconquistá-la, pois coisas piores viriam pela frente.
Rendido ao desânimo, voltei para a Casa Grande. Subi vagarosamente, segurando-me no que podia, pensando numa forma de dizer para Arthur que desistira de tudo. Quase esqueço da cratera no segundo pavimento. Tive que voltar e apanhar uma escada de madeira largada no primeiro pavimento. “Esse é o meu esforço. Não faço mais nada por hoje!”.
A desolação me cobria de vergonha e dúvidas. Mas que diabos estamos fazendo? Vamos apenas nos matar. Quem se importa com o que acontece nesse fim de mundo!, falei, inchado de raiva. Apanhei uma tábua no térreo e facilitei a passagem para o segundo andar.
Sentia-me covarde por não conseguir dizer nada para Arthur, que continuava a me perguntar sobre como ficara machucado daquela forma. Até o remédio esqueci de lhe dar. Não sei mais o que fazer! Não agüento mais! Desisto! Parece que tudo está contra mim! Só conseguia pensar em ir embora, seguir minha vida e largar tudo para trás. Esqueceria de tudo.
Naquele momento o mundo poderia cair sobre a cabeça de qualquer um, que eu pouco me importaria. Não cuidaria de ninguém, e nem ficaria louco como Arthur, que estava doente por causa de toda essa tensão. Era uma fase decisiva: ou voltaria, desistindo de tudo, ou ficaria mais esquizofrênico do que Arthur.
Do desânimo voltei à raiva, ao sentar-me ao lado de Arthur, que me balançava para escutá-lo. Comecei a sentir a dor de cabeça aumentar cada vez mais. Se ele continuasse a me dar pancadas nas costas, iria lhe dar um segundo soco. Só assim ele vai entender como ganhou esses hematomas!
O sangue que corria em minhas veias da fonte parecia ferver de ira e dor, pois além de todos os problemas, Arthur passou a gritar em meus ouvidos para que eu lhe respondesse porque não tinha trazido comida. Respirei uma, duas, três vezes, até que decidi, calmamente, lhe falar: Por favor, Arthur, depois conversamos! Deixe-me quieto!, aconselhei, cruzando os braços. Baixei a cabeça e vi com pavor a finura dos meus membros. Olha em que havia me transformado: em um monstro! Um monstro esquelético! Arthur não percebia meu estado de espírito.
Não adiantava pedir que me deixasse em paz. Arthur já não se importava mais com os ferimentos do rosto e, sim, com minha indiferença para com ele. Fui para o meu colchonete, tentando esquecer a fome e evitar extravasar a raiva em Arthur. Deitei, e dei-lhe as costas. Ele iniciou então uma seqüência de palavrões mastigados em minha direção.
Decidi então, voltar para o térreo, onde poderia, enfim, ter paz e tranqüilidade. Tive que agüentar sua presença. Ele seguia os meus passos. Arthur sabia que ainda não poderia sair pela cidade e nem desconfiava que fosse domingo.
Com a mão direita apoiada no cofre, Arthur aumentou a voz, teimando em interrogar sobre suas lesões. Parecia querer que fôssemos descobertos. Apressei o passo e já dentro da galeria, pensava em como falar para Arthur da minha desistência e de que maneira sairia da cidade sem ser notado.
Após algumas horas de reflexão, decidi voltar e conversar com Arthur, que se encontrava deitado no colchonete.
– Arthur, precisamos conversar!
– Até que enfim você entendeu isso!
- Primeiro, eu gostaria de dizer que…
– Não, quem fala primeiro sou eu!
– Arthur…
– Arthur, não! Como você explica os hematomas do meu rosto?
– Você não lembra, mas…
– Mas o quê?
– Se você deixar eu terminar, vai saber, Arthur!
– Hum!
– Bem, eu tive que bater em você ontem à noite para evitar que nos matassem.
– Não entendo…
– Os policiais entraram aqui e quase nos acharam.
– E por que me bateu?
- Você acordou, teve uma crise esquizofrênica, pegou o revólver, enfim…
Conversamos durante alguns minutos até lembrarmos dos estômagos vazios. Disse-lhe que iria embora, mas não levou a sério. Pensava que eu não fosse capaz de abandonar a causa. Durante todo o diálogo, Arthur passava a mão pelo rosto, como se analisasse minuciosamente cada machucado. Tivemos um momento de discussão quando Arthur supôs que a intensidade dos socos tivesse sido proposital, por causa do ciúme que tinha de Caroline. Dizia que eu havia me aproveitado da situação desfavorável em que ele se encontrava.
Passada a tempestade do desabafo e do vômito de palavras ofensivas, deitei e adormeci. Já não sentia mais fome, e estava conformado com a impossibilidade de me alimentar.
Já era noitinha quando Antônio da Silva adentrou na casa trazendo comida. Fui acordado por ele, e quando virei o rosto, vi Arthur comendo com o rosto no prato. Parecia estar recuperado, e mais bem disposto do que eu. Desanimado, peguei a colher e fiquei amassando o alimento. Meu estômago nem doía mais por causa da fome. Sentia-me sem capacidade de reagir, tornando-me insensível aos apelos que chegavam aos meus ouvidos. Caíra num fosso emocional e não possuía condições de escalá-lo. Mesmo que eu quisesse, nada conseguia me motivar. Involuntariamente, eu me encontrava em um sentimento de luto permanente. Era como se minhas emoções tivessem perdido a capacidade natural de variar de acordo com as circunstâncias.
Antônio da Silva, preocupado, tentava me convencer a retomar as forças. “As coisas estão melhorando! – dizia”. Quando me perguntou sobre o buraco no assoalho, Arthur levantou-se e explicou o que tinha acontecido, aumentando alguns detalhes. Fez um drama quando tratou dos socos que havia lhe dado. A provocação de Arthur funcionava como um pedido de agressão aos meus ouvidos. Que chato!, pensava franzindo o rosto. Enquanto ele falava, Antônio constantemente olhava em minha direção, com um ar de incrédulo para o que Arthur dizia.
A minha aparência abatida e esquelética fez Antônio ficar ao meu lado o tempo inteiro, mesmo sendo chamado a todo instante por Arthur. Botou a mão no meu ombro caído e perguntou o que havia acontecido com aquele homem aguerrido. “Onde ele está?”, indagava-me olhando meu perfil derrotado.
Não lembro por quantas horas fiquei naquela posição, sentado e olhando para o chão. Estava seco. Nem vontade de chorar sentia! Antônio insistia em me animar. Até o início da alvorada, Antônio manteve-se firmemente ao meu lado. “Só saio depois que você melhorar!”, exclamou a uma hora que não me recordo mais. “Não se entregue ao desânimo. Precisamos de você!”. Ao dizer isso, Antônio começou a despertar em mim a mesma motivação de antes. A vontade de lutar contra aquela situação me fez levantar do colchonete e correr para um saco de frutas que estava no chão. Eles precisam de mim. Preciso me alimentar. Não posso parar agora!
Rafael Ciarlini












Ah, assim nao vale… espero que O Piagui logo publique a continuação (tem continuação, não tem?).
Parabéns ao autor e ao site pela iniciativa de publicar novas produções. É bom saber que começamos a realizar novas obras. Nada contra a geração dos poetas, mas já não era sem tempo o aparecimento de novos estilos!
Mais uma vez parabéns aos romancistas, cronistas e contistas.
Mariana
Caro, Rafael, que máximo ler essa história. Cara, que criatividade você tem. Vou acompanhar o desfecho dela. Capriche, então. Tenho certeza de que você vai mandar bem. Sou um dos amigos virtuais do seu irmão, Daniel. Ele também é um cara fora de sério. Admirável. Fiquei curioso em saber o nome do interlocutor de Arthur.
Um abração!
show de bola essa historia
massa demais, rolou isso mesmo?
fiquei curioso
fábio
Rafael, bom mesmo é a Pedra do Sal!
kkkkkkkk
Conheci o site agora. não sabia da versão na internet.
Daniel, acompanho o seu trabalho na versão impressa. Parabéns pela iniciativa.
O rafael é o q teu? irmão?
Gostei do texto!
Sou professora do ensino fundamental.
Fátima
olá. quem é o interlocutor de arthur?
E aí meu amigo! como vai?
bom ver vc retomar projetos. nunca mais te vi, desde os tempos de faculdade. tá em parnaíba?
qual o teu e-mail?
parceiro,
as duas histórias estão indo bem.
passei pra deixar um apoio e um abraço. hehe
Tiago
e aí turma cultural,
essa história começa aqui? tem outro texto antes?
t+
A Casa Grande de Simplício Dias deveria virar museu da Parnaíba, para que possamos resgatar muito de nossa história através de objetos q foram levados para Teresina e se encontram no museu do Piauí. Temos q lutar por isso. Enquanto isso ela se caba num centro totalmente modificado, deformado pela “modernização”. modernização? quanta tolice
ESSE É O INÍCIO DA HISTÓRIA?
Como vai gente boa do Piagui?
Tava aqui sem querer nada, mexendo no pc e na dona net, quando descobri por acaso o site de voces.
tava no site pro-parnaiba e vi uma referencia a voces.
fui no google e encontrei.
olhei por cima muita coisa, amei o design, e com mais calma lerei tudo q estao postando. tava aqui triste e acendi um cigarro.
Com o meu velho amigo entre os dedos abri essa página da casa grande. a foto me chamou primeiramente a atenção, depois o título. mas o texto, galera, fez queimar os meus dedos. esqueci o cigarro aceso equanto lia essa onda aqui. gostei realmente. tem seguimento isso aqui?
bem diferente. gostoso de ler. parabéns ao site que tá na boca da juventude parnaibana.
vou acompanhar a série dos anos de chumbo.
bona fortuna ao autor
Entrei na casa grande de Simplício Dias e senti as mesmas emoções dos personagens.
Rafael, muito boa história essa da Casa Grande.
amei o site Piagui – muita coisa interessante, uma verdadeira biblioteca virtual sobre nossa cidade.
Essa história poderia virar um livro. Seria uma das primeiras a comprá-lo.
Seria legal se a nossa casa grande fosse reformada. já pensou se alguma empresa ou a própria prefeitura comprassem a casa?
Um olhar de suspense sobre uma casa que destoa da cidade e que guarda muitas lendas. Essa é só mais um tema para o rico manancial de estórias da Casa Grande de Simplição.
Fortaleza, Ceará
J. Paulo
História curiosa, bem bolada. Aprovada.
beijinhos
Uma fantasia fantástica. Que bom seria se soubéssemos como foi o movimento, as festas, as reuniões, o dia a dia da Casa Grande, hoje simbolo da história do Piauí, mas completamente esquecida, abandonada, praticamente destruída, em ruínas. Toda fantasia além de fantástica é saudável, faz bem pra alma, para o espírito, e porque não dizer, para os leitores. Fui embalada pelas cenas, pelo descortinar dessa misteriosa Casa Grande. Mesmo fazendo parte de um sonho, o terror dos policiais foi emocioante, assim como a queda e a surpresa do do revólver na cabeça.
VI AQUI NA CATEGORIA CONTOS DO SITE PIAGUI.
MUITO INTERESSANTE O ENREDO ATEMPORAL.
ACOMPANHAREI O DESENROLAR.
Assim como todos, fiquei muito curiosa para conhecer a Casa de Simplício.
O texto é ótimo, assim também como nossas manifestações a favor da restauração e reforma da Casa Grande. Esse prédio histórico é o berço da independência, da maçonaria, dos movimentos revolucionários. Não é justo que o tempo e o descaso derrubem o que nos resta do testemunho do passado. Um povo sem passado não é povo.
Adorei a versão virtual do jornal “o Piagui”. Além de trazer mais informações, está servindo como base de pesquisa dos meus sobrinhos para muitos assuntos, principalmente nos trabalhos de história, onde descobrem os significados dos monumentos, além de se entreterem com criativas histórias como essa aqui.Eu, particularmente, gostei muito dessa! Muito interessante esse olhar do autor.
GoStEi dA qUeDa dOs PoLiCiAiS!
Além de fazer rir, denuncia a fragilidade do interior do prédio.
Boaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa SACADA
Que bom que o site Piagui está revelando um talento na prosa literária. Na poesia temos ótimos ícones, mas na prosa são tão poucos. Em boa hora, o Piagui abriu as portas para esses artistas tambem. Não conhecia o autor, mas pelo regionalismo e canção à cidade, retomando temas como a Casa Grande, vê-se que deve ser da terra, da gema da terra. Felicito-me como leitora e encho os olhos de esperança em relação à restauração desse nosso verdadeiro patrimônio, que é a casa dos Dias da Silva.
Pensamentos a mil por hora!
Fotos curiosas. Prosa bem diferente para o imaginário popular.
A segunda foto é da Casa Grande mesmo? em qual tempo o autor trabalha? ditadura militar da segunda metade do século XX? Gostei de ler.
Estou acompanhando o tema.
Gostei!
Já pensaram na nossa Casa GRande reformada. Como seria bom!
A Casa Grande é a cara da cidade e o valor que o povo de Parnaíba dá à sua História!
Imaginar é sempre um passo importante para criar algo. A criação já vale pela tentativa, mas elaborar uma trama com competentes pinceladas é ainda mais mágico, pois o altruísmo do escritor desvendando e descobrindo um mundo para o leitor é algo especial. Vasculhar pensamentos, vasculhar um mundo que nasceu da imaginação de alguém e se interssar por ele é o labor da arte. Se identificar é algo ainda mais espetacular. Bona Fortuna ao autor e ao site pela iniciativa.
a casa grande é cara de cidade mas alguma providençia tem que sér tomada se vira estacionamento amanha ou depois, muitas coisas aconteceram lá e nao podemos ver daqueli jeito abadonado!!!
Gostei da criatividade e da leitura! Valeu
Concordo com Paulo Freitas acho que devemos tomar atitude.
É um testemunho de vida? ou ficção? Achei bacana.
Cris, não acho que a a Casa Grande seja o povo. É apenas um prédio histórico que devemos lutar pela preservação. O povo sim é o maior patrimônio de uma cidade. É o que acho e pronto! Desculpe se não concordo com vc!
OUtra: muito se fala da Casa Grande, mas não vejo nada de concreto. Paulo Freitas e Dr. Burice estou com vcs.
A casa grande precisa de uma reforma, assim como a mente de boa parte dos parnaibanos.
Devemos preservar a casa grande, e realizar reparos na cabeça dos nossos governantes.
Concordo com vc Ana!
Rafael Ciarlini! O cara !! heheh!
Um excelente conto!
Excelente conto!
Deixe um comentário
O conteúdo do Portal em RSS.
Siga os últimos posts no Twitter.
Comentários recentes
Mais comentados
textos recentes